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Tempo Social

versão impressa ISSN 0103-2070versão On-line ISSN 1809-4554

Tempo soc. vol.30 no.3 São Paulo set./dez. 2018

http://dx.doi.org/10.11606/0103-2070.ts.2018.144443 

Resenhas

Sociologia compreensiva e controvérsia sobre os valores. Escritos e Alocuções: 1908-1917

Verstehende Soziologie und Werturteilsfreiheit. Schriften und Reden 1908-1917

Carlos Eduardo Sell1 

1 Universidade Federal de Santa Catarina , Florianópolis , Santa Catarina , Brasil .

WEBER, Max. Verstehende Soziologie und Werturteilsfreiheit. Schriften und Reden 1908-1917. Sociologia compreensiva e controvérsia sobre os valores. Escritos e Alocuções: 1908-1917, Org, ; Weiss, Johannes. 2018. col. Max Weber Gesamtausgabe, I/12, Tübingen: Mohr Siebeck, 680p.

Adeus ou Despedida da teoria da ciência? [ Abschied von der Wissenchaftslehre? ] é o título de um célebre artigo escrito em 1989 por Friedrich Tenbruck no qual o autor contestava a decisão dos organizadores da coleção Max Weber Gesamtausgabe (MWG) em desmontar a coleção de escritos organizados por Marianne Weber (e depois Johannes Winckelmann) sob o título de Ensaios reunidos de teoria da ciência [ Gesammelte Aufsätze zur Wissenschaftslehre ], conhecida em alemão simplesmente como Wissenschaftslhere ( WL ) 1 . O lamento precoce de Tenbruck – do qual discordo – levou quase trinta anos para se realizar, pois somente agora com a publicação do volume 12 da coleção Max Weber Gesamtausgabe (MWG I/12), aqui em análise, essa separação, por razões bem fundadas, como quero demonstrar, começou a ser levada a termo.

Ao publicar, em 1922, os Ensaios reunidos de teoria da ciência , Marianne Weber procurava concretizar um desejo do próprio Max Weber que em carta de 8 de novembro de 1919 (MWG II/10, p. 833 ) , dirigida a seu editor Paul Siebeck, manifestou o desejo de publicar uma “coletânea de artigos sobre temas lógico-metodológico s” nos quais deveriam ser incluídos “ todos os textos desse tipo do Arquivo (O artigo introdutório, a confrontação com Eduard Meyer, Brentano, Stammler), os artigos em Logos e um artigo escrito para a Associação para a Política Social sobre A psicofísica do trabalho industrial” 2 .

Mas, ao buscar viabilizar seus desejos, a esposa de Weber teve que se defrontar com problemas realmente difíceis ( Wagner e Zipprian, 1994 ). O primeiro deles foi escolher um título para a coletânea. Embora ela tenha sugerido primeiramente Gesammelte Ausfsätze zu Geschichte und Methode der Sozialwissenchaften [ Ensaios reunidos de história e método das ciências sociais ], prevaleceu a sugestão de Heinrich Rickert e a decisão da editora, que preferiram o título Gesammelte Ausfsätze zu Wissenschaftslehre que lhes parecia mais “comercial” (conforme Schluchter, 2016 , p. 259). Ao fazê-lo, acabaram associando a obra de Weber com Johann Gottlieb Fichte [ Grundlage der gesamten Wissenschaftslehre , de 1794/1795], fazendo parecer que a decisão adviria do fato de que Marianne Weber tivesse escrito, em 1909, um livro intitulado O socialismo de Fiche e sua relação com a doutrina marxista , o que não é o caso. Além disso, ao recorrer ao termo Wissenschaftslehre , que costuma ser traduzido como “teoria” ou “doutrina”, temos a impressão de uma teoria ampla, sistemática e coerente, elevada ao nível de sistema, contradizendo o tom mais precavido de Weber em seus próprios textos, como ilustra esta passagem: “A metodologia nada mais é do que uma autorreflexão sobre os meios que se comprovaram na prática, mas o fato de torná-los expressamente conscientes é tão pouca condição de um trabalho frutífero quanto o conhecimento de anatomia para a realização de uma caminhada correta” (Weber, 1922, p. 217). O tema até hoje divide os especialistas, entre os quais o já mencionado Tenbruck (1989) , um dos mais enfáticos defensores da centralidade, coerência e organicidade da epistemologia de Weber, contrariando aqueles que enxergam nesses escritos apenas textos polêmicos de ocasião (como Parsons, 1937 ).

Esse tema está longe de ser secundário, pois coloca em questão a natureza e, principalmente, o alcance da filosofia (ou epistemologia) das ciências sociais de Max Weber (para usarmos termos contemporâneos), mas não podemos tratar desse tema aqui. Temos que examinar agora o segundo dilema de Marianne Weber, que diz respeito aos textos que deveriam ser incluídos na então batizada Wissenschaftslehre . A partir daí começa uma história repleta de percalços. Na sua primeira edição (1922), Marianne Weber incluiu na coletânea os seguintes escritos: (1) Roscher e Knies e os problemas lógicos da economia nacional histórica ; (2) A “objetividade” do conhecimento científico-social e político-social ; (3) Estudos críticos no campo da lógica das ciências da cultura ; (4) Rudolf Stammler e a “superação” da concepção materialista da história ; (5) A teoria da utilidade marginal e a “lei fundamental da psicofísica ”; (6) Teorias culturais “energéticas” ; (7) Sobre algumas categorias da sociologia compreensiva ; (8) O sentido de “livre de valores” nas ciências sociológicas e econômicas ; (9) Fundamentos metodológicos da sociologia (incluindo o parágrafo §1 do capítulo I de Economia e sociedade sobre o conceito de sociologia, bem como suas onze notas explicativas); (10) Ciência como profissão ; e o (11) Apêndice sobre o artigo de Rudolf Stammler e a “superação” da concepção materialista da história .

A segunda edição do texto (1951), dessa vez já sob o patrocínio de Johannes Winckelmann, traz uma importante modificação: ele troca o título dos Fundamentos metodológicos da sociologia para Conceitos sociológicos fundamentais e amplia seu conteúdo (incluindo o parágrafo §1 até o §6), além de acrescentar bibliografia e índices (onomásticos e temáticos). Em 1968, de novo sob a supervisão de Johannes Winckelmann, a Wissenschaftslehre é ampliada mais uma vez com a inclusão de Os três tipos puros de dominação legítima e, no lugar dos Fundamentos metodológicos , os sete primeiros parágrafos (com suas correspondentes notas explicativas) do primeiro capítulo de Economia e sociedade ( Conceitos sociológicos fundamentais ). Essa disposição, junto com o prefácio explicativo de Johannes Winckelmann, será repetida nas edições seguintes de 1973, 1982, 1985 e 1988.

Ao tomarem a decisão de republicar os escritos weberianos, os editores da MWG se viram diante da oportunidade de eliminar, finalmente, as confusões e interpolações criativas que se acumularam de Marianne Weber até Winckelmann. Dessa forma, os escritos estritamente “lógico-metodológicos” serão publicados no volume 07 da coleção (MWG I/07) 3 , que não vai contemplar, obviamente, a conferência Ciência como Profissão (ou “vocação”) cujo conteúdo vai muito além da “metodologia” e que foi publicada conjuntamente com sua homônima Política como profissão no número I/17 da MWG. O escrito Os tipos de dominação , cuja datação é incerta, foi agrupado no volume que reúne os escritos sobre a dominação (MWG I/24-4) da chamada parte antiga de Economia e sociedade4. O excerto Fundamentos metodológicos (ou Conceitos sociológicos fundamentais ) não é um escrito independente e não existe nenhuma razão para reproduzi-lo . Os escritos que dizem respeito à teoria da utilidade marginal e à cultura energética foram redistribuídos no número 12 da MWG. No volume 7 que, conforme a sugestão implícita em Weber, receberá o título de Zur Logik und Methodik der Sozialwissenschaften [ Para a lógica e metodologia das ciências sociai s], restará do que era a antiga Wissenschaftslehre basicamente todo o volume de escritos produzidos por Weber entre 1903 e 1907, a saber: (1) Roscher e Knies e os problemas lógicos da economia nacional histórica ; (2) A “objetividade” do conhecimento científico-social e político-social ; (3) Estudos críticos no campo da lógica das ciências da cultura ; (4) Rudolf Stammler e a “superação” da concepção materialista da história; e (5) Apêndice sobre o artigo de Rudolf Stammler e a “superação” da concepção materialista da história . Eis aí, portanto, o núcleo duro da “epistemologia das ciências sociais” (no sentido de problemas lógico-metodológicos) de Max Weber (na fase que vai de 1903 a 1907).

Já os 21 textos, divididos em (a) Escritos e Conferências, (b) Relatos e (c) Excertos, agora publicados no volume 12 da MWG permitem que concentremos nossa atenção em dois temas chaves que dizem respeito, primordialmente, à sociologia weberiana, a saber: (1) a controvérsia sobre os valores e (2) a elaboração sistemática da sociologia compreensiva de Max Weber.

No que concerne à famosa Werturteilsstreit [Controvérsia sobre os valores], o volume possibilita ver com clareza que o complexo e polêmico problema da relação entre referências culturais, juízos pessoais, ciência, política/ética e ensino desenvolveu-se em duas grandes arenas. Ele começou a ser discutido no interior da Associação para a política social , como documenta a intervenção de Weber sobre O conceito de produtividade feita em Viena (1909). Em seguida, passou a se desenvolver de forma concomitante na recém fundada Sociedade alemã de sociologia , motivando três intervenções orais de Weber no primeiro Congresso da entidade (realizado em Frankfurt em 1910). Nessa oportunidade, Weber discutiu criticamente as contribuições de Werner Sombart ( Técnica e cultura ), bem como as apresentações de Alfred Ploetz ( Os conceitos raça e sociedade ), Andreas Voigt ( Economia e direito ) e Herman Kantorowicz ( Ciência do direito e sociologia ). Weber continuou ativo no segundo Congresso da entidade (realizado em 1912, em Berlim), e pronunciou-se sobre as contribuições de Ferdinand Schmidt ( O direito das nacionalidades ), Franz Oppenheimer, Ludo Moritz e Robert Michels ( A filosofia da história de orientação teórica racial ). É claro que as intervenções de Weber nos congressos de sociologia não devem ser lidas apenas em função da controvérsia sobre os valores. Suas alocuções sobre temas como técnica, raça, nacionalidade e direito valem a pena ser estudadas por si mesmas, além de documentarem as relações de força e os debates intelectuais no interior da geração fundadora da sociologia na Alemanha ( Käsler, 1984 ).

A MWG/12 também documenta a quase desconhecida resposta elaborada por Weber (intitulada Parecer sobre a discussão a respeito dos valores sob responsabilidade da Associação para a política social ) ao questionário preparado pela Associação para a política social em vista do Congresso de 1914, na qual o assunto dos valores deveria, finalmente, ser diretamente enfrentado 5 . Esse questionário continha as seguintes perguntas: “1. Sobre a posição dos juízos ético-valorativos na ciência econômica; 2. Sobre a relação das tendências de desenvolvimento para com as avaliações práticas; 3. Sobre a denominação dos objetivos econômicos e sócio-políticos; 4. Sobre a relação dos princípios metodológicos gerais para com as tarefas específicas do ensino acadêmico” (conforme MWG II/8, pp. 141-142) . Em carta que dirige a Heinrich Rickert, em 7 de fevereiro de 1913 (MWG II/8, pp. 84-85), Max Weber nos dá uma versão ligeiramente modificada destes quatro pontos:

No outono a Associação para a Política Social quer colocar em discussão, em âmbito interno, as seguintes questões das nossas disciplinas (econômicas e sociológicas), bem como da história e da filosofia: 1. Posição dos juízos ético-valorativos; 2. Relação das tendências de desenvolvimento para com as avaliações práticas; 3. Denominação dos objetivos científicos e sócio-políticos; 4. Relação dos princípios metodológicos gerais para com as tarefas específicas do ensino.

Foi com base no parecer acima que Weber redigiu o texto de 1917 [ O sentido de “livre de valores” nas ciências econômicas e sociológicas ], ainda que sua posição a esse respeito seja essencialmente a mesma de 1904 (pois o tema já tinha sido abordado no escrito A “objetividade” sobre o conhecimento , bem como já é aventado na sua Lição Inaugural de 1895, como professor da Universidade de Freiburg – de forma geral, muito mal interpretada, como em Steinworth, 1994 ).

No que toca à pesquisa brasileira, penso que já passou da hora de questionar a tradução do termo Werfreiheit e, mais importante ainda, Werturteilfreit (combinação dos termos Valor/ Wert , Julgamento/ Urteil e Liberdade/ Freiheit ) pela consagrada, mas completamente equívoca, expressão “neutralidade axiológica”. Temos que nos convencer que neutralidade, definitivamente, não é o caso aqui e há muito já deveríamos ter deixado para trás esse “(pré-) conceito” [ Vor + Urteil ], fonte de tantas confusões e mal-entendidos. Nas traduções em inglês, os melhores intérpretes já abandonaram a sugestão de Shills e Finch ( Weber, 1949 ) ( axiological neutrality ) e vêm adotando, mais apropriadamente, a expressão “ value Freedom ” (como Runciman, 1972 ; Bruun, 2007; e Schluchter e Roth, 1979 ) 6 . Que em Weber não temos nenhum abismo entre entre “fato” (termo que ele sequer usa) e “valor”, basta a lembrança de que os objetos das ciências sociais são indissociáveis da sua “relação com valores” [ Wertbeziehung ] e é justamente em função desse dado fundamental que a questão da objetividade (e não neutralidade), ou seja, que a questão da “avaliação julgadora” [ Wertung/Bewertung ] se coloca como um problema. E, mesmo que essa diferença não nos autorize a misturar os níveis do ser e do dever-ser, ou seja, derivar proposições normativo/prescritivas de proposições descritivas, nem por isso elimina o espaço da “crítica técnica” e da “crítica sócio-filosófica”, como Weber afirma textualmente em A “objetividade” do conhecimento . Quem disse que em Weber não existe espaço para a crítica ( Albert, 2010 )?

A “batalha” sobre os valores (como também podemos denominá-la) teve, como um dos seus efeitos paralelos, motivar, por parte de Weber, a publicação de escrito denominado Sobre algumas categorias da sociologia compreensiva – doravante denominada Categorias (1913) –, texto que pode ser considerado a certidão de batismo da sociologia weberiana, pois é a primeira vez que ele emprega a palavra “ Soziologie ” como título de uma publicação sua. Na esperança de influenciar o debate sobre os valores e com certa pressa, ele acabou por aglutinar dois escritos redigidos em épocas diferentes, pois a segunda parte do escrito (que inclui os parágrafos de IV até VII), assim relata ele (MWG/18, p. 391), é “um fragmento de um trabalho escrito há muito tempo e que deveria servir como fundamentação metodológica para pesquisas substantivas, dentre as quais uma contribuição para uma coletânea a ser lançada em breve ( Economia e sociedade )”. Para os estudiosos de Weber, saber quando ele escreveu essa parte mais antiga é um verdadeiro enigma, pois a única informação disponível não é muito esclarecedora. Em uma carta a Heinrich Rickert, de 5 de setembro de 1913, Weber fala de um texto que “estava pronto, em sua versão original, já há 3/4 anos, e que foi agora revisado” (MWG II/8, p. 318). O que quer dizer “3/4 anos”: 9 meses ou 3 anos? Essa informação, longe de ser irrelevante, tem sua importância ligada ao fato de que nos revela quando Weber começou a ser tornar, efetivamente, sociólogo, para recordar aqui uma afirmação feita por ele a Robert Liefmann (em 9/3/1920): “se me tornei sociólogo […]” (MWG II/10, p. 946).

Ligados a essa questão histórico-biográfica estão ainda mais dois problemas de ordem teórica. O primeiro diz respeito ao lugar desse escrito no desenvolvimento epistemológico da sociologia weberiana. Quanto a isso, Orihara (1995 , 1998 e 2003) defendeu a tese de que as Categorias deveriam figurar como a “dupla cabeça”, ou seja, os editores da MWG deveriam ter publicado esse escrito como um intróito global de todos os textos que compõem Economia e sociedade , tanto aqueles escritos antes da primeira guerra mundial, quanto aqueles da versão pós-guerra (que restou inacabada e que, segundo Schluchter, deveria chamar-se, em verdade, “Sociologia” 7 ). O desafio de Orihara foi respondido por Schluchter (2005) que explicou que a decisão de publicar as Categorias em número à parte estava baseada no fato de que a terminologia construída por Weber no escrito de 1913 foi rapidamente abandonada pelo autor e ela sequer instrui todos os textos da fase antiga de Economia e sociedade . Logo, não existe nenhuma razão teórica para vermos neste texto uma espécie de chave geral de Economia e sociedade , a ponto de justificar sua publicação junto com esta coletânea. Aliás, nem o próprio Weber imaginava seu futuro livro dessa maneira. De toda forma, isso não impediu que Gil Villegas (Weber, 2014), responsável pela nova tradução de Economia e sociedade do Fondo de Cultura Económica, inserisse uma tradução desse texto não no início, mas no meio da publicação. Na nova tradução em espanhol, portanto, temos primeiramente os textos da versão atualizada da sociologia que Weber não pôde terminar. Eles estão separados do conjunto mais antigo (pré-guerra) justamente pelas Categorias .

O segundo conjunto de problemas diz respeito à relação interna entre as Categorias (de 1913) e os Conceitos sociológicos fundamentais (primeiro capítulo de Economia e sociedade/sociologia , de 1920). Entre esses dois escritos existe apenas um esforço de refinamento terminológico, como argumenta Weber (e defende Schluchter, 2014 ), ou, apesar de suas intenções, devemos ver nesses dois textos duas abordagens sociológicas diferenciadas (como defende, por exemplo, Karl Lichtblau (2003 e 2006))? Embora seja cético quanto a essa segunda tese, a decisão sobre esse ponto requer uma cuidadosa análise comparativa entre o léxico e a disposição conceitual empregadas por Weber em 1913 e as reformulações realizadas em 1920.

Nas Categorias Weber nos apresenta como objeto da sociologia a Gemeinschaftshandeln , da qual se desdobram dois conjuntos. De um lado, temos a Gesellschaftshandeln com sua gesatzte Ordnung e duas formas organizacionais correspondentes ( Anstalt e Zweckverein ); de outro, a Einverstandenhandeln que nos conduz para a unterstellte Ordnung e para um tipo de organização social dela derivada denominada Verband . No primeiro capítulo de Economia e Sociedade essa confusa sequência (que Herman Kantorowicz achou “incompreensível” 8 ) foi reformulada com base no esquema “ ação social - relação social - ordem social legítima ”, e Anstalt e Verein passaram a ser subtipos das formas gerais de organização social [ Verband ]. Já os dois termos modificados por Weber que remetem à célebre dicotomia de Ferdinand Tönnies ( Vergemeinschaftung e Vergesellschaftung ) passam a ser agora considerados dois tipos distintos de relações sociais. O difícil e polêmico conceito de Einverstandenhandeln , por outro lado, desapareceu.

Deixei parte dos termos acima – para o desconforto do leitor – sem tradução porque penso que já é hora de discutir seriamente a revisão das traduções de Weber disponíveis no Brasil, bem como inaugurar um debate técnico sobre as formas mais apropriadas de traduzir a terminologia das Categorias para o português (isso não para não falar dos demais textos “metodológicos”). Na França, tal trabalho vem sendo executado com paciência e competência por Jean Grossein (1996 , 2003 , 2005 e 2016) que sugere os seguintes correspondentes: Gemeinschaftshandel “action en communauté”); Gesellschaftshandeln (“action en société”); Gemeinschaftung (“communautisation”); Vergesellschaftung (“sociétisation”); gesatzte Ordnung (“ordre réglementé”); Einverstandenhandeln (“action en entente”); Anstalt (“établissement ou Institut”); Verband (“ordre établi par un pacte rationnel ou un ordre imposé”). No Brasil, comparando-se, apenas a título de exercício preliminar, a problemática tradução de Wernet ( Weber, 1992 ) com alguma sugestões feitas por Antonio Pierucci (em 2004) temos as seguintes opções: Gemeinschaftshandeln (“agir em comunidade/ação comunitária”); Gesellschaftshandeln (“agir em sociedade/ação associativa”); Vergemeinschaftung (“associação”(!)/“comunitarização”); Vergesellchaftung (“associação” (!)/“societarização); Einverstandenhandeln (“atuar por consenso/ação por acordo”). Em tempo oportuno temos que voltar a esse ponto, evitando traduções equivocadas e uma dispersão de traduções que semeia ainda mais confusão.

Mas, além das Categorias , verdadeiro texto fundador da sociologia weberiana, o volume 12 da MWG também contém outros escritos críticos que serviram de instrumentos para que Weber fosse refinando sua versão do saber sociológico. Entre eles estão artigos como A teoria da utilidade marginal e a “lei fundamental da psico-física” , Teorias “energéticas” da cultura , a resenha dos livros de Alfred Weber ( A tarefa da economia política como ciência ) e Christian von Ehrenfels ( A ética sexual ), um texto inacabado intitulado “ Sobre a ética: um fragmento ”, um Esclarecimento sobre o artigo de Edgar Jaffé O sistema teórico da ordem econômica capitalista e, por fim, um relato sobre sua intervenção no III Congresso de Filosofia, realizado em Heidelberg, em 1908, e intitulado Desenvolvimento dos valores e economia humana . Tais escritos mostram como a teoria econômica e a psicologia constituem campos de conhecimento fundamentais com base nos quais Weber vai desenhando sua futura teoria dos tipos de ação social que inclui, entre suas modalidades, a forma racional com relação a fins ou valores, bem como a ação afetiva e ação tradicional. Nesse ponto vale a pena ler os escritos e fragmentos citados acima em relação com os escritos reunidos no volume 11 da MWG que trata da Psicofísica do trabalho industrial e no qual seu diálogo com a psicologia se intensifica.

Outra preciosidade reunida no volume 12 da MWG é a interlocução crítica de Weber com duas outras propostas de sociologia da qual ele, em diferente medidas, tomou distância. O primeiro deles é Othmar Spann, autor de um livro intitulado Economia e sociedade: uma investigação crítico-dogmática na qual ele nos apresenta uma concepção “funcionalista” de sociologia e que foi criticada por Weber (como sabemos pelos Fundamentos metodológicos dos Conceitos sociológicos fundamentais9 ). Os autores da MWG se deram ao trabalho de coletar as anotações de Weber feitas à margem do livro de Spann, especialmente nos tópicos dedicados à discussão do conceito de sociedade de Simmel, bem como sua conclusão. Por essa razão, as cinco páginas de anotações foram intituladas Spann contra Simmel e já mostram que a relação entre a sociologia compreensiva de Weber e a sociologia formal de Simmel é muito mais matizada.

A relação Weber/Simmel ocupa boa parte da bibliografia especializada e a MWG/12 nos oferece dois documentos históricos vitais para aprofundar o entendimento dessa relação 10 . O primeiro é, novamente, um conjunto de anotações feitas à margem de um livro, mas dessa vez de autoria do próprio Simmel ( A sociologia , de 1908). As 25 páginas de rascunhos de Weber mostram o quão detalhadamente ele leu essa obra, muito em particular o primeiro capítulo (daí o especial interesse de Weber pelos conceito de “sociedade” e “efeito recíproco” [ Weckselwirkung ] 11 , bem como pelo excurso “ Como a sociedade é possível ?”).

Já sabemos, é claro, que Simmel, com sua distinção entre compreensão objetiva e subjetiva (conforme Problemas fundamentais da filosofia da história , de 1892), possui também um papel fundamental no desenvolvimento da teoria da interpretação de Weber (como, por sinal, ele deixou bem registrado no segundo artigo sobre Roscher e Knies e em Economia e sociedade ) . Mas, qual seria ainda o juízo de Max Weber sobre a segunda das mais importantes obras de Simmel: A filosofia do dinheiro (que foi escrita em 1900)? Parte da resposta pode ser encontrada em um escrito inacabado de Weber que se intitula Georg Simmel como sociólogo” e teórico da economia monetária . Esse impressionante escrito, infelizmente ainda não disponível em português, possui outras nuances que ainda estão à espera de uma análise mais detalhada.

Além dos textos originais de Weber (e alguns documentos inéditos), outra peça importante que pode ser apreciada pelo leitor do número 12 da MWG é a cuidadosa Introdução escrita por um dos mais renomados especialistas da epistemologia weberiana: Johannes Weiss (1989 e 1992). Em exatas 100 páginas (praticamente um livro à parte), organizadas em 14 tópicos, ele não apenas contextualiza os 21 escritos de Weber contidos na coletânea, mas também aprofunda e problematiza os labirintos da compreensão sociológica de Weber, o problema dos valores nas ciências sociais e os interlocutores críticos de Weber (teorias econômicas, psicológicas, éticas, Spann e Simmel etc.). Tendo em vista as relações de poder e as disputas interpretativas que estão por trás das edições da MWG, constitui tarefa indispensável verificar que leitura Johannes Weiss, afinal, promove da epistemologia e da sociologia de Weber.

Minha primeira impressão é que ele tende a exagerar as diferenças entre o Weber dos escritos metodológicos de 1903-1907 e o Weber da fase final (de Economia e sociedade ), mas é realmente cedo para formular um juízo definitivo. Essa não constitui uma tarefa simples, pois implica retomar e situar o estudo de Weiss no contexto de uma longa tradição de pesquisa que, só na Alemanha, inclui nomes essenciais como Alexander von Schelting (1934) , Dieter Heinrich (1952), Rainer Prewo (1979) Friedrich Tenbruck (1999) , Johannes Winckelmann (1986) , Hans Albert (2003 e 2006), Wolfgang Schluchter (2005) , Wilhelm Hennis (1987) , Peter-Ulrich Merz-Benz (1990) , Gert Albert (2010) , Gerhard Wagner e Claudius Härpfner (2016) e Peter Isenböck (2017) . Essa tradição, por sinal, está intimamente articulada com a discussão norte-americana, na qual não devemos esquecer Talcott Parsons (1971) , Bendix e Roth (1971) , W. G. Runciman (1972) , Thomas Burger (1976) , Stephen Turner (1984), Guy Oakes (1988) , Lawrence Scaff (1989) , Martin Albrown (1990) , Stephen Kalberg (1994) , Sven Eliaeson (2002) , Henrik Brunn (1972), e isso para citar apenas alguns dos mais conhecidos.

Surpreende, positivamente aliás, a intensa interlocução internacional de Weiss que inclui uma tradição intelectual até muito tempo atrás bastante isolada da relação com a Alemanha: a discussão francesa (a despeito dos trabalhos fundamentais de Raymond Aron, 1935 , e Julien Freund, 1966 , como demonstra Hirschhorn, 1988 ). De fato, a França possui hoje uma valorosa equipe de especialistas em Weber, dentre os quais cabe destacar especialmente Catherine Colliot-Thélenne (responsável pela nova tradução de Le savant et le politique , Weber, 2003 ), Elizabeth Kaufmann (que traduziu as Oeuvres politiques , Weber, 2004 ) e Jean-Pierre Grossein (1996 , 2003 e 2016). Fora desse círculo, talvez só a Itália, com Pietro Rossi (2007) e Eduardo Massimila (2012) tenha conseguido um impacto capaz de transcender suas fronteiras. Infelizmente a América ibérica, apesar do ineditismo da tradução de Economia e sociedade para o espanhol, já em 1944, e da nova tradução de Gil Villegas (realizada em 2014), ainda desperta pouca atenção na geografia global do conhecimento, aí incluída a interessante e rica discussão brasileira 12 .

Essa tarefa crítica, portanto, terá que ser desenvolvida na forma e no momento adequados, mas, além dos problema de tradução (já apontados), gostaria de chamar atenção para pelo menos três agendas de pesquisa globais que podemos desdobrar desta recente publicação do número 12 MWG. A primeira é histórico-biográfica e diz respeito aos motivos e percursos que levam Weber do direito (seu campo de formação) e da economia (seu campo de docência) para a sociologia, que podemos datar a partir de 1909. Dela desdobra-se uma segunda agenda que diz respeito ao desenvolvimento teórico (interno) da sociologia compreensiva de Max Weber, tarefa que requer um trabalho de comparação sistemática entre as Categorias (1913) e os Conceitos sociológicos fundamentais (1920). Entre esses trabalhos existe apenas um esforço de refinamento terminológico (como sustenta Weber e defende, por exemplo, Schluchter, 2014 ) ou existem diferenças significativas entre estes dois momentos, como chega a sugerir Klaus Lichtblau (2003) ? Por fim, ainda está em aberto avaliar como se relacionam (do ponto de vista histórico e sistemático) todo o imenso material sobre problemas lógicos e metodológicos produzidos entre 1903 e 1907 e os escritos tardios de Weber, ou seja, como determinar qual é a relação existente entre Para a lógica e a metodologia das ciências sociais (MWG I/07) e Sociologia compreensiva e controvérsia sobre os valores (MWG I/12), exatamente os textos que agora foram separados pelos editores da MWG.

No entanto, é vital chamar atenção para o fato de que o estudo da epistemologia de Weber não pode ficar restrito ao aspecto histórico-exegético, sob pena de transformá-lo em peça de antiquário. Colocar a reflexão lógico-metodológica de Weber em consonância com a filosofia da ciência e com a epistemologia contemporâneas, seja no sentido de retraduzir seus impulsos fundamentais à luz de novas formulações (como sugere Gert Albert, 2006 , que coloca em relação conceito de tipos-ideais e a perspectiva dos non statment views de Roland Giere, além de desenvolver seus pressupostos ontológicos, Albert, 2016 ) ou mesmo repensar suas ideias em função de problemas teóricos atuais (como faz Peter Isenböck, 2017 , que situa a reflexão epistemológica de Weber no contexto do debate sobre internalismo e externalismo na teoria dos valores) constitui tarefa imprescindível para quem deseja permanecer fiel não à letra, mas ao espírito da sociologia weberiana.

Por fim, cabe-nos voltar à discussão da decisão dos editores da MWG de separar os textos sobre a (i) sociologia compreensiva e sobre a (ii) controvérsia dos valores dos escritos lógico-metodológicos do intenso período de 1903-1907, nos quais Weber produziu os fundamentos de sua epistemologia das ciências sociais. O que torna essa divisão justificável é menos a razão pragmática (mas de menor importância) de dividir esse imenso material em volumes separados (dado que um único volume reunindo o que é hoje o número 12 da MWG e o que deverá ser seu número 07 seria gigantesco e, nessa medida, quase inviável 13 ), mas principalmente porque ele coloca como problema a discussão sobre a exata relação entre estes escritos epistemológicos e a sociologia de Weber, já que entre eles existe um intervalo de mais uma década (tomando como indicador o escrito de 1907 e as Categorias de 1913).

Ao tomarem a decisão de separar os escritos com ênfase mais filosófica (MWG/07) dos escritos prima facie sociológicos (MWG/12), não se deve concluir que os organizadores da MWG estejam tomando uma posição nesse debate teórico, rejeitando a priori a posição fundacionista de Tenbruck, para quem tudo se explica a partir da Wissenschaftslehre . Essa última agenda, por sinal, longe de ser uma tarefa atinente apenas aos historiadores da ciência ou aos weberólogos profissionais, diz respeito à sociologia em geral, pois ainda hoje a obra de Weber constitui referência indispensável e atual no campo da epistemologia e da metodologia das ciências sociais. Nesse sentido, a despedida da equívoca e problemática Wissenschaftslehre é muito bem-vinda e ela, de forma nenhuma, implica a despedida da metodologia das ciências sociais de Max Weber como projeto teórico. Antes, ela nos permite abrir a caixa-preta que se esconde por trás do antigo texto que inicia sua conturbada história com Marianne Weber. Nascem dele dois novos escritos: Para a lógica e metodologia das ciências sociais (MWG I/07) e Sociologia compreensiva e controvérsia sobre os valores. Escritos e Alocuções: 1908-1917 (MWG I/12). E, o mais importante, uma nova fase na recepção, discussão e desenvolvimento do pensamento weberiano. Adeus Wissenschaftslehre!

Referências Bibliográficas

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1. No Brasil, a coletânea organizada por Johannes Winckelmann foi traduzida por Augustin Wernet com o fictício título Metodologia das ciências sociais e foi publicada, em dois volumes, pela editora Cortez (1992). Textos “metodológicos” de Weber também podem ser encontrados em português em uma tradução oriunda do francês ( Ensaios de teoria da ciência ( Weber, 1991 ), bem como na coletânea organizada por Gabriel Cohn (na qual se encontra parte do escrito “A ‘objetividade’ do conhecimento científico-social e político-social”, com o título modificado para “A ‘objetividade’ do conhecimento nas ciências sociais ” ( Cohn, 2003 , pp. 68-129, grifo meu). Também Johannes Winckelmann ( Weber, 1968 ) empregou o título Escritos Metodológicos [ Methodologische Schriften ] para publicar os textos de Weber que tratam do assunto.

2. Para Wagner e Zipprian, (1994 , pp. 9-28), caso as intenções de Weber fossem seguidas estritamente à risca, tal como enunciadas nessa carta, teríamos a seguinte sequência de textos: (1) artigo introdutório (A “objetividade” do conhecimento científico-social e político-social; (2) confrontação com Eduard Meyer, Brentano, Stammler (Estudos críticos no campo da lógica das ciências da cultura; Rudolf Stammler e a “superação” da concepção materialista da história e A teoria da utilidade marginal e da lei “fundamental da psico-física”); (3) os artigos em Logos (Sobre algumas categorias da sociologia compreensiva e O sentido de “livre de valores” nas ciências sociológicas e econômicas); (4) artigo escrito para a Associação para a Política Social (A psicofísica do trabalho industrial). Ao responder a sugestão de Weber, Paul Siebeck indagou se na coletânea também não deveriam ser incluídos os textos publicados em Schmöller’s Jahrbuch , ou seja, os três artigos reunidos sob o título Roscher e Knies e os problemas lógicos da economia nacional histórica (conforme consta em MWG II/10, pp.833-834, nota 3).

3. A Max Weber Gesamtausgabe está dividida em três seções intituladas: (I) Escritos e Conferências (com um total de 25 volumes); (II) Cartas (11 volumes); e (III) Anotações e Aulas (7 volumes).

4. O escrito Os tipos de dominação é um texto independente que não deve ser confundido nem com o capítulo da primeira parte de Economia e sociedade (capítulo III: “Tipos de dominação”) e nem com o capítulo IX (“Sociologia da dominação”) que contém uma versão bem mais extensa. O conjunto de textos antigos (redigidos antes da primeira guerra mundial) sobre a dominação estão reunidos em MWG I/24-4. Em português, esse escrito de datação incerta se acha disponível na coletânea de Gabriel Cohn (2003 , pp. 128-141) com o título “Os três tipos puros de dominação legítima”.

5. As respostas dos demais membros da entidade foram coletadas por Nau (1996) e constituem um rico material de análise teórica e histórica.

6. Esses dois últimos chegam a sugerir a tradução “freedom from value judgment”, fórmula que, do meu ponto de vista, parece a mais adequada ( Schluchter, 1971 , p.65, nota 1).

7. Economia e sociedade também teve a sua lógica de ordenação modificada. Assim, em vez de concebê-la como um “livro” dividido em três ou duas partes (conforme Marianne Weber, Melchior Palyi e Johannes Winckelmann), a ordenação da MWG mostra que se trata de textos redigidos ao longo de um “processo” (dividido em fases). A chamada fase “antiga” foi alocada no número 22 da MWG, como a seguinte disposição: MWG I/22-1 (Comunidades), MWG I/22-2 (Comunidades religiosas), MWG I/22-3 (Direito), MWG I/22-4 (Dominação) e MWG I/22-5 (A cidade). A versão pós-guerra corresponde ao número MWG I/23 e recebeu o título de Economia e sociedade: sociologia (incompleto 1919-1920 ). Um extenso detalhamento da história da obra pode ser encontrado no número 24 da MWG.

8. Motivando, da parte de Weber (em 29/11/1913), uma irônica resposta: “A ‘sociologia compreensiva’ – incompreensível? E logo para você ? Porque, se isso se faz à lenha verde – imagino o quão miserável eu devo tê-la formulado” (MWG II/8, p. 447).

9. Em Economia e sociedade o juízo de Weber é bem mais positivo – “os diversos trabalhos de Othman Spann - ricos de ideais aceitáveis, [são] ocasionalmente prejudicadas por equívocos e, sobretudo, por argumentos baseados em juízos puramente valorativos, alheios à investigação empírica” (MWG I/23, p. 166) – do que aquele expresso em carta enviada a Robert Liefmann (12 de dezembro de 1919): “Você tem toda razão na sua crítica a Spann (esse tipo de sociologia é para mim um horror, logo você entenderá porque), temos que trabalhar direito. É o que eu procuro fazer” (MWG II/10, p.862).

10. Há excelentes trabalhos que tratam do tema (como Dame e Rammstedt, 1984; Cavalli, 1994 ; Lichtblau,1994 ), mas, dentre os mais recentes, o livro de Duk-Yung Kim (2002) constitui, a meu ver, o esforço mais abrangente realizado até agora. No Brasil, os trabalhos mais atuais sobre Simmel foram produzidos por Waizbort (2000) e Vandenberghe (2005) .

11. Weckselwirkung costuma ser vertido como “interação”, mas em tradução literal está mais próximo de “influência recíproca” ou “efeito recíproco”. Daí meu ceticismo quanto ao entusiasmo de Georg Simmel como referência central de um paradigma relacional (ver Christian Papilloud, 2018 ; Natàlia Cantó-Milà, 2018 ) e sua, pelo menos até agora, distância do conceito weberiano de “relação social”, termo que, em Simmel, vamos procurar em vão.

12. Sem pretender qualquer levantamento completo ou mesmo uma avaliação crítica (que ainda está para ser feita), no tocante à metodologia cabe lembrar o trabalho já clássico de Gabriel Cohn (1979 /2003) e, recentemente, o excelente estudo de Marcos Seneda (2008) . Weber também vem sendo redescoberto, em boa hora, pelos historiadores brasileiros ( Mata, 2013 , e Valle, 2013 ).Trabalhos mais abrangentes sobre a recepção de Weber no Brasil podem ser encontrados em Villas-Bôas (2014) e Mata (2016) . Para uma coletânea de trabalhos atuais confira-se também Senada e Custodio (2016).

13. Ainda que tenha sido essa a opção das recentes publicações italiana (sob responsabilidade de Pietro Rossi ( Weber, 2001 ), dividida em três períodos (1903-1906/1904-1909/1910-1917), e norte-americana (sob responsabilidade de Hinnerk Bruum e Sham Whimster) que manteve quase intacta a seleção de textos de Winckelmann (a excessão de Os tipos de dominação e Conceitos sociológicos fundamentais ), incluindo ainda o escrito Ciência como profissão , suas alocuções na Associação para a Política Social (1905 e 1909) e no Congresso Alemão de Sociologia (1910), trechos de cartas de Weber, além de interessantes anotações e esboços do autor relacionados com o tema (Weber, 2012).

Recebido: 19 de Março de 2018; Aceito: 16 de Abril de 2018

CARLOS EDUARDO SELL é professor do Departamento de Sociologia e Ciência Política da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC e bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq. Email: carlos.sell@ufsc.br.

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