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Acta Paulista de Enfermagem

On-line version ISSN 1982-0194

Acta paul. enferm. vol.22 no.4 São Paulo  2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-21002009000400001 

EDITORIAL

 

Enfermagem para a segurança do paciente

 

 

Visionários são seres humanos admiráveis. Estão tão à frente de seu tempo, que suas idéias inovadoras e seus prenúncios se fazem atuais para incontáveis gerações, assim como a reverência e admiração que sentimos por eles. Assim foi Florence Nightingale, mulher com perfil muito a frente de seu tempo que transformou a enfermagem e criou novas formas de prestação de assistência à saúde, cujos feitos se encontram registrados em memoráveis publicações, como as que concluiu em 1859, nas quais teceu a reflexão "pode parecer talvez um estranho princípio enunciar como primeiro dever de um hospital não causar mal ao paciente".

Bem mais de um século depois, em 1999, a análise de grandes estudos epidemiológicos gera a publicação do livro To Err is Human: Building a Safer Health Care System nos Estados Unidos da América, demonstrando que erros acontecem e são freqüentes durante a prestação de assistência, causando milhares de mortes e irreversíveis seqüelas, apesar dos imensos investimentos destinados à área, na maior potência econômica da atualidade.

Assim, há que se aceitar que o sistema no qual se desenvolvem as principais ações de cura e cuidado para a promoção, recuperação e reabilitação da saúde, assim como na era de Nightingale, precisa ser repensado para garantir a segurança do usuário, pois todo o sistema é perfeitamente desenhado para obter o resultado que alcança. Pacientes e famílias têm estado em constante risco de serem vítimas de erros e eventos adversos evitáveis, mesmo nas mais estruturadas instituições de saúde.

Um dos problemas que ameaça a segurança e impede o alcance de resultados mais profícuos no cuidado à saúde, se refere as constantes falhas operacionais dos sistemas que desviam as ações de enfermeiros para a correção momentânea de tais dificuldades, impedindo que exerçam a enfermagem que aprenderam e idealizaram para seus pacientes e familiares. Enfermeiros não têm conseguido focar, consistentemente suas ações na atenção à individualidade e integralidade do ser humano, o que nos distingue e faz única entre as demais profissões da área da saúde. Tal situação pode resultar em perda da identidade e do sentido profissional, quando não se consegue estabelecer relação terapêutica com o paciente e integralizar as diversas ações com vistas a atender suas necessidades e preferências.

Sustentada no diálogo entre as ciências biológicas e humanas, a enfermagem é o agente de interligação entre o sistema e o paciente, e encontra-se em posição única para a promoção de sua segurança, desde que direcione seu valor e poder para o cuidado do paciente, e não para correção de sistemas falhos de prestação de assistência.

Como uma das maiores forças de trabalho em saúde, a enfermagem precisa ser visionária e assumir uma posição de vanguarda na busca de ações que modifiquem este panorama. Nesta premissa, pesquisadores da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de São Paulo foram convidados pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo para coordenar e desenvolver atividades de ensino e pesquisa em projeto relativo à temática. Firmaram-se parcerias com a Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente, e com diversas lideranças na área, como docentes das Escolas de Enfermagem da Universidade de São Paulo, de São Paulo e de Ribeirão Preto, enfermeiros da gestão e da assistência. Com as atividades do projeto têm-se como objetivos desenvolver pesquisas que resultem em intervenções e produtos capazes de estimular a enfermagem a mobilizar-se e buscar de modo articulado e pró-ativo realizar ações que transformem o sistema de saúde, tendo a segurança dos pacientes como meta.

 

Prof. Dra. Mavilde da Luz Gonçalves Pedreira

Professora Adjunto da Escola Paulista de Enfermagem da Universidade Federal de São Paulo
Vice-Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de São Paulo
Líder do Grupo de Pesquisa SEGTEC- Segurança e Tecnologia