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Acta Paulista de Enfermagem

Print version ISSN 0103-2100

Acta paul. enferm. vol.23 no.5 São Paulo Sept./Oct. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-21002010000500020 

RELATO DE EXPERIÊNCIA

 

Uso de videoconferência para discussão de temas sobre gestão de enfermagem em hospitais universitários

 

Uso de videoconferencia para discusión de temas sobre la gestión de enfermería en hospitales universitarios

 

 

Maria Elisabete SalvadorI; Rita Simone MoreiraII; Luisa Tanaka HiromiIII; Sonia Regina PereiraIV; Maria Isabel Sampaio CarmagnaniV

IDoutora em Ciência da Saúde. Assessora de Informática em Saúde da Superintendência do Hospital São Paulo (HSP) da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP - São Paulo (SP), Brasil
IIMestre em Enfermagem do Setor de Ensino e Pesquisa da Diretoria de Enfermagem do Hospital São Paulo (HSP) da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP - São Paulo (SP), Brasil
IIIDoutora em Enfermagem. Coordenadora Assistencial da Diretoria de Enfermagem do Hospital São Paulo (HSP) da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP - São Paulo (SP), Brasil
IVDoutora em Enfermagem. Coordenadora do Setor de Ensino e Pesquisa da Diretoria de Enfermagem do Hospital São Paulo (HSP) da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP - São Paulo (SP), Brasil
VDoutora em Enfermagem. Diretora de Enfermagem do Hospital São Paulo (HSP) da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP - São Paulo (SP), Brasil

Autor Correspondente

 

 


RESUMO

O presente estudo relata a experiência da criação de um projeto baseado em tecnologia de videoconferência para discussão de temas relacionados à gestão de enfermagem em hospitais universitários do País. Descreve a Rede Universitária de Telemedicina do Ministério da Ciência e Tecnologia em parceria com o Ministério da Educação, como autores de projetos que subsidiam infraestrutura para a realização de videoconferências, com vistas a oferecer intercâmbio de experiências relevantes entre os hospitais de ensino. Profissionais da Diretoria de Enfermagem do Hospital São Paulo vêm utilizando recursos de telemedicina a cerca de 2 anos, a fim de discutir aspectos administrativos, humanos e técnicos da enfermagem hospitalar. Esta iniciativa vem apresentando bons resultados em relação à participação e assiduidade dos enfermeiros usuários.

Descritores: Gestão em saúde; Hospitais universitários; Telemedicina; Videoconferência


RESUMEN

O presente estudio relata la experiencia de la creación de un proyecto basado en tecnología de videoconferencia, con la finalidad posibilitar la discusión de temas relacionados con la gestión de enfermería en hospitales universitarios del país. El estudio describe la Red Universitaria de Telemedicina del Ministerio de Ciencia y Tecnología en sociedad con el Ministerio de la Educación, que son los autores de proyectos que subsidian la infraestructura para la realización de videoconferencias, con el objetivo de ofrecer intercambio de experiencias relevantes entre los hospitales de enseñanza. Los profesionales de la Dirección de Enfermería del Hospital Sao Paulo vienen utilizando recursos de telemedicina desde hace 2 años, con la finalidad de discutir aspectos administrativos, humanos y técnicos de la enfermería hospitalaria. Esta iniciativa viene presentando buenos resultados en relación a la participación y asiduidad de los enfermeros usuarios.

Descritores: Gestión en salud; Hospitales universitarios; Telemedicina; Videoconferencia


 

 

INTRODUÇÃO

A primeira década deste século vem sendo marcada pelo avanço da tecnologia da videoconferência na área da saúde que demonstrou seu valor, sobretudo, no âmbito hospitalar. Por meio de uma vasta aplicabilidade no ensino, pesquisa e assistência, a videoconferência tem subsidiado com sucesso diferentes formas de transferir, obter e discutir informações científicas, utilizando acervo expressivo de mídias, além do intercâmbio de experiências profissionais dos usuários(1-3).

A videoconferência é definida como integração, em tempo real e sincronicamente, recebendo e enviando áudio e vídeo de qualidade, entre um ou mais pontos de conexão, objetivando a comunicação. Esse contato pode ocorrer por meio de áudio, textos, imagens, animação e vídeos, sendo a forma mais simplificada a transmissão estática entre duas posições. O formato mais sofisticado fornece a transmissão de imagens em vídeo full-motion e áudio de alta definição entre múltiplas posições(4).

A videoconferência iniciou-se nos Estados Unidos da América na década de 1960 com a finalidade diagnóstica e monitoração das funções vitais, transformando-se hoje, em redes complexas que interligam distantes localidades a centros médicos de referência(5).

No Brasil, desde a década de 1990, a vantagem da videoconferência tem sido inquestionável, em virtude dos locais geograficamente distantes e distribuição desigual do acervo científico e recursos médico-hospitalares do País.

Atualmente, observa-se intenso intercâmbio entre os profissionais de protocolos, aulas, palestras, imagens e vídeos; estudos multicêntricos; estudos de caso; segundo diagnóstico e interconsultas, ocorrendo em tempo real com a participação ativa dos interessados. Não obstante, o usuário amplia seu poder de atuação profissional, otimizando tempo e custos envolvidos com viagens e translado, justificando o investimento na tecnologia(5).

Nesse sentido, a Rede Universitária de Telemedicina (RUTE) tem subsidiado infraestrutura e projetos de telemedicina aos hospitais universitários, bem como a promoção da integração de conhecimento entre as instituições participantes. É uma iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia, apoiada pela Financiadora de Estudos e Projetos e pela Associação Brasileira de Hospitais Universitários, coordenada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa(6).

Tendo em vista o crescente interesse das instituições hospitalares de ensino em realizar videoconferências, contemplando áreas específicas da saúde, a coordenação da RUTE criou os Special Interest Group (SIG) ou Grupo Especial de Interesse cujo objetivo é realizar reuniões periódicas, por meio de videoconferência. Esta iniciativa integra 140 instituições, distribuídas em 27 Estados da Federação, aproximando, de forma virtual, centros de excelência distantes geograficamente, para discussão de assuntos pertinentes a cada especialidade da área da saúde(6).

Constituindo uma rede de interesse específico, os SIGs da RUTE agregam profissionais que se encontram regionalmente distantes e, em atividades de ensino, pesquisa e assistência na área da saúde. A partir da formação de um SIG, é definida uma agenda de trabalho por videoconferências. Dessa forma, profissionais da saúde de diferentes pontos do Brasil e do mundo podem estar em contato, em tempo real, refletindo questões relacionadas às suas áreas(7-8).

Tendo como objetivo central estabelecer uma nova forma de comunicação entre enfermeiros gestores e pesquisadores de enfermagem, do contexto hospitalar, profissionais da Diretoria de Enfermagem do Hospital São Paulo (HSP) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) criaram o SIG: "Gestão de Enfermagem em Hospitais Universitários".

Desenvolvimento e implantação

Frente ao desafio de propor e discutir soluções que visem a capacitar o profissional gestor, em tempo hábil, minimizando os custos institucionais e otimizando o tempo de cada participante, o contato com outros serviços de enfermagem pode satisfazer uma necessidade de intercâmbio de experiência bem- sucedias entre os hospitais universitários. Assim, enfermeiros, assessores e profissionais do Setor de Ensino e Pesquisa da Diretoria de Enfermagem do HSP propuseram a utilização de uma moderna estratégia de comunicação rápida e eficaz: a videoconferência.

Nesse contexto, a criação do SIG "Gestão de Enfermagem em Hospitais Universitários", mostrou ser o caminho mais ágil para viabilizar esta experiência, uma vez que a UNIFESP, por meio do Laboratório de Telemedicina (LAT) do Departamento de Informática em Saúde, conta com equipamentos de última geração, profissionais capacitados e amplo acesso aos projetos da RUTE.

Após a criação desses SIG, a prioridade foi selecionar os serviços de enfermagem de hospitais universitários que deveriam participar das sessões programadas de videoconferência. Embora a Diretoria de Enfermagem do HSP tivesse interesse em convidar todas as instituições, especialmente, as que se encontram distantes dos centros de excelência, a tecnologia da telemedicina da RUTE, implantada e em funcionamento nas instituições, foi um fator relevante de inclusão. Assim, as seguintes instituições foram selecionadas: Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago da Universidade Federal de Santa Catarina; Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais; Hospital Walter Cantídio da Universidade Federal do Ceará; Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão; Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco; Hospital de Clínicas de Porto Alegre - UFRGS, sendo o serviço coordenador do SIG supracitado, a Diretoria de Enfermagem do HSP/UNIFESP.

De posse desta relação, a Diretoria de Enfermagem do HSP enviou carta- convite, por meio de correio eletrônico. Nessa mensagem, além do convite formal e data para a sessão inaugural, solicitou-se que os profissionais do setor de telemedicina de cada instituição entrassem em contato com o LAT da UNIFESP para a realização de testes e conhecimento dos dados técnicos para viabilizar as chamadas da videoconferência, via RUTE.

Quanto ao conteúdo programático, houve a necessidade inicial de conhecer os serviços de enfermagem e posterior análise dos temas que contemplassem as situações da realidade vivenciada por cada um.

As sessões foram programadas para duração de uma hora e meia, com apresentações de aulas por cerca de 10 minutos para cada participante e posterior discussão livre sobre o tema vigente.

 

RESULTADOS

Após análise e aprovação do Coordenador da RUTE para a criação do SIG proposto, a primeira videoconferência sobre "Gestão de Enfermagem em Hospitais Universitários", ocorreu com a participação de 100% dos convidados, no dia 17 de novembro de 2008. A atividade foi marcada pela apresentação dos serviços de enfermagem participantes, que mostraram, no formato de aulas em Microsoft Power Point®, estrutura organizacional, aspectos humanos e administrativos, além das características da atuação da prática de cada instituição, tais como: protocolos de enfermagem, projetos de humanização, programas de residência e a fase em que se encontram (desenvolvimento, implantação ou obtenção de resultados). Vale destacar que o modelo de gestão também foi apresentado por instituição.

Em seguida, os temas das sessões subsequentes foram analisados e discutidos pelos participantes nesse primeiro encontro, sendo selecionados os seguintes assuntos: Dimensionamento de pessoal de enfermagem e absenteísmo; Sistematização da Assistência; Diagnósticos de enfermagem; Contratualização Sistema Único de Saúde; Sistema de referência e contrarreferência / Gripe H1N1; Adicional de Plantão Hospitalar; Implantação do protocolo de Classificação de Risco do HSP/UNIFESP; mestrado profissionalizante, entre outros.

Destaca-se que assuntos relevantes, abordados pela mídia ou em fase de implantação nas instituições participantes, também foram contemplados na programação de temas, para que todos pudessem opinar e contribuir para o avanço e solução dos problemas. Como exemplo, é possível citar os temas relacionados aos protocolos da Gripe H1N1, as fases de implantação da Classificação de Risco no Pronto Socorro do HSP/UNIFESP, as leis sobre os sistemas de plantão que passaram a vigorar em meados de 2009 e a implantação da residência multiprofissional em um hospital universitário.

Cabe ressaltar que os serviços de enfermagem têm participado das sessões de videoconferência com a presença de enfermeiros da educação permanente, gestores, chefes de unidades e profissionais atuantes nos campos de trabalho.

As videoconferências têm ocorrido mensalmente, desde a sessão inaugural em 2008, e a participação dos diretores dos serviços, bem como os profissionais convidados de cada instituição têm sido assídua, não sendo observada nenhuma ausência importante até o presente momento.

 

CONCLUSÃO

Experiências nacionais e internacionais na utilização da telemedicina, sob o olhar do contexto hospitalar, já são uma realidade. Representando uma forma de comunicação rápida e eficaz, a videoconferência tem se mostrado excelente ferramenta para capacitação e atualização do profissional da área da saúde, além de proporcionar grande impacto nos custos da educação permanente, sobretudo, dos hospitais universitários

Compreende-se que a aproximação dos participantes com o local de trabalho de cada serviço, observando a realidade e as características próprias de cada um, oportunizam experiências atuais e compatíveis às necessidades assistenciais e administrativas das instituições participantes.

A participação com expressiva riqueza de informação técnico-científica e, particularmente, as experiências da prática com que cada serviço de enfermagem tem compartilhado nas videoconferências do SIG-RUTE, pode ser um grande incentivo, para que mais instituições invistam em tecnologias de telemedicina e usufruam, especialmente, da infraestrutura de rede e dos projetos oferecidos pela RUTE.

 

REFERÊNCIAS

1. Pennella AD, Schor P, Roizenblatt R. Descrição de uma ferramenta digital e de um ambiente virtual para fins de segunda opinião em oftalmologia. Arq Bras Oftalmol. 2003;66(5):583-6.         [ Links ]

2. Duarte PS, Matsumoto CA, Martins LRF, Alonso G. Análise do potencial de impacto da utilização de telemedicina em um serviço de medicina nuclear. Rev Imagem. 2004;26(2):141-7.         [ Links ]

3. Viñals F, Mandujano L, Vargas G, Giuliano A. Prenatal diagnosis of congenital heart disease using four-dimensional spatio-temporal image correlation (STIC) telemedicine via an Internet link: a pilot study. Ultrasound Obstet Gynecol. 2004;25(1):25-31.         [ Links ]  

4. Videoconferência: equipamentos e recursos tecnológicos. [citado 2009 Mar 3]. Disponível em: http://www.ccuec.unicamp.br/ead/index_html?foco2=Publicacoes/78095/371123&focomenu=Publicacoes        [ Links ]

5. Consciência: soluções e tecnologia. Telemedicina tem aplicações de interesse para o Brasil. [citado 2009 Fev 2]. Disponível em: http://www.consciencia.com.br        [ Links ]

6. RUTE - Rede universitária de telemedicina. [citado 2009 Jun 6]. Disponível em: http://www.rute.rnp.br.documentos/?arquivo =2&download=c81e728d9d4c2f636f067f89cc14862c        [ Links ]

7. Nichiata LYI, Takahashi RF, Fracolli LA, Gryschek ALFPL. Relato de uma experiência de ensino de enfermagem em saúde coletiva: a informática no ensino de vigilância epidemiológica. Rev Esc Enferm USP. 2003;37(3):36-43.         [ Links ]

8. Seixas CA, Mendes IAC, Godoy S, Costa AL. Implantação de sistema de videoconferência aplicado a ambientes de pesquisa e de ensino de enfermagem. Rev Bras Enferm. 2004;57(5):620-4.         [ Links ]

 

 

Autor Correspondente:
Maria Elisabete Salvador
R. Joaquim Távora, 1020 - Apto 172
Vila Mariana - São Paulo - SP - Brasil
Cep: 04015-012 E-mail: betesalva@hotmail.com

Artigo recebido em 04/12/2009 e aprovado em 09/06/2010

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