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Acta Paulista de Enfermagem

Print version ISSN 0103-2100

Acta paul. enferm. vol.24 no.1 São Paulo  2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-21002011000100003 

ARTIGO ORIGINAL

 

Ensino de teorias de enfermagem em Cursos de Graduação em Enfermagem do Estado do Paraná - Brasil*

 

 

Jéssica Carvalho de MatosI; Geisa dos Santos LuzII; Janaína de Souza MarcolinoI; Maria Dalva de Barros CarvalhoIII; Sandra Marisa PellosoIV

ICurso de Graduação em Enfermagem, Faculdade Ingá - Unidade de Ensino Superior Ingá - Maringá (PR), Brasil
IIPrograma de Pós-graduação em Enfermagem, Universidade Federal de Rio Grande - FURG - Rio Grande (RS), Brasil
IIIDepartamento de Medicina, Universidade Estadual de Maringá - UEM-Maringá (PR), Brasil
IVDepartamento de Enfermagem, Universidade Estadual de Maringá - UEM-Maringá (PR), Brasil

Autor Correspondente

 

 


RESUMO

OBJETIVOS: Identificar de que formao ensino de teorias de enfermagem é abordado nos Cursos de Graduação em Enfermagem de escolas de ensino superior no Estado do Paraná.
MÉTODOS:
Estudo do tipo Survey, realizado com 35 coordenadores de Curso de enfermagem instituições de ensino superior do Estado do Paraná- Brasil.
RESULTADOS:
Os 35 cursos abordam as teorias de enfermagem. O contato que os discentes têm com as teorias de enfermagem dá-se de forma pontual, geralmente, quando se inicia o curso de enfermagem. A teoria de Wanda Horta foi a mais citada, como teoria base do curso (60%).
CONCLUSÃO:
O ensino das teorias é ministrado, como conteúdo de forma fragmentada, o que pode contribuir para a formação de profissionais com baixa autonomia, sem delimitação de seu campo de atuação.

Descritores: Teoria de Enfermagem; Ensino; Educação superior; Brasil


 

 

INTRODUÇÃO

A profissão de Enfermagem, assim como outras profissões, enfrentou e ainda enfrenta, as consequências advindas do rápido avanço tecnológico e científico das últimas décadas. Como resultado desse avanço, surgiram a partir de 1950, as primeiras teóricas de enfermagem, representadas por profissionais que se preocupavam em compreender e descrever suas funções, seus papéis, tornando, assim, entendida a atuação da enfermagem. Essas enfermeiras buscavam identificar um campo conceitual próprio para a profissão, independente, sobretudo, do modelo médico, na busca por uma maior autonomia profissional(1).

A teoria constitui uma forma sistemática de percepção do mundo no intuito de compreendê-lo, tornando-se o caminho para caracterizar um fenômeno e apontar os componentes que o identificam(2).

A aplicação de uma teoria na prática da enfermagem parece representar um interesse crescente por parte dos enfermeiros. O uso da teoria apoia os enfermeiros na definição de seus papéis, no melhor conhecimento da realidade e na consequente adequação e qualidade do desempenho profissional, proporcionando aos clientes submeter-se a procedimentos e cuidados com menos danos possíveis, desafiando as práticas existentes, criando novas abordagens e remodelando a estrutura de normas e princípios vigentes(3-5).

A teoria de enfermagem pode ser descrita como um instrumento de trabalho que ressalta o conhecimento científico, demonstrando as tendências das visões sobre o processo saúde-doença e a experiência do cuidado terapêutico. Assim, a Enfermagem, como ciência, possui um conjunto de teorias embasadas na prática do cuidado, conceituando a saúde, o homem, o ambiente e a própria enfermagem. Suas definições sofrem influência, tanto dos teóricos como de seu contexto social, político e filosófico de forma que a teoria e a prática de enfermagem possam ser momentos complementares da práxis(6).

A Enfermagem tem no cuidado humano seu objeto de estudo, e como ciência busca um corpo de conhecimento próprio, visto que desenvolve suas atividades com base no saber de outras ciências. Os conceitos, modelos e teorias específicas de enfermagem devem ser trabalhados de forma organizada e estruturada, pois constituem importante ferramenta para aplicação prática, seja no ensino, na pesquisa ou na assistência(7).

Estudar o conhecimento produzido pela Enfermagem por meio das teorias retrata a visão da realidade das teóricas, como também a compreensão das experiências dos profissionais. O conhecimento teórico tem influência sobre a realidade e este adicionalmente no desenvolvimento das teorias. A escolha de uma teoria deve ser orientada por um propósito explícito ou assunto de interesse. Geralmente, escolhe-se trabalhar com uma teoria com base nas expectativas pessoais, pois constitui uma forma sistemática de olhar o mundo para descrevê-lo, explicá-lo ou prevê-lo. Entende-se, portanto, que a teoria é o caminho para a compreensão de um fenômeno, por meio de sua caracterização, apontando aqueles componentes ou características que lhe dão identidade(6-7).

Então, uma teoria de enfermagem completa é a que possui contexto, conteúdo e processo; assim, o contexto é o ambiente onde o ato de enfermagem tem lugar, o conteúdo é o assunto da teoria e o processo é o método pelo qual o enfermeiro coloca em prática a teoria(2).

Dentro deste contexto, o processo de enfermagem pode ser entendido como um método para a organização e prestação do cuidado de enfermagem, podendo ainda ser denominado de sistematização da assistência de enfermagem ou metodologia da assistência de enfermagem. Ao discutir sobre o processo de enfermagem, ressalta-se a importância da utilização das teorias de enfermagem que têm como objetivo direcionar o pensamento do enfermeiro, sua observação e interpretação da realidade. Assim, as teorias buscam nortear o domínio das responsabilidades da enfermagem e permitem aos profissionais documentar serviços e resultados(8).

É esperado que a instituição universitária esteja comprometida com o destino dos profissionais formados por ela, associando o máximo de qualificação acadêmica e compromisso social, sinalizando na direção da superação da fragmentação do conhecimento. Estudiosos ressaltam que as escolas precisam buscar por meio de seus currículos ou qualquer mudança que nele fizerem o atendimento às necessidades contemporâneas de saúde da população. Com o processo de formação reflexiva e crítica, seria aproximada a formação dos enfermeiros da necessidade em atender às demandas locais e regionais(6,9).

Diante desta problemática, este estudo teve como objetivo identificar de que forma o ensino das teorias de enfermagem é abordado nos Cursos de Graduação em Enfermagem de escolas de ensino superior no Estado do Paraná.

 

MÉTODOS

Trata-se de um estudo tipo Survey que permite a obtenção de informações quanto à prevalência, distribuição e inter-relações de variáveis, no âmbito de uma população, e estas informações podem se referir a conhecimentos, ações, intenções ou atitudes dos indivíduos Os dados gerados com base nesse tipo de estudo, podem ser coletados de diversas maneiras, sendo as mais comuns a entrevista pessoal, por telefone e os questionários autorrespondíveis(10).

Os sujeitos desta pesquisa foram coordenadores dos Cursos de Graduação em Enfermagem das escolas de nível superior do Estado do Paraná (Brasil).

Das 42 instituições, 35 coordenadores aceitaram participar do estudo e sete foram excluídos pela recusa em participar ou dificuldade em encontrar o coordenador. Todas as escolas de ensino superior participantes eram reconhecidas pelo Ministério da Educação, no Estado do Paraná (Brasil) no período da pesquisa, qual seja de outubro a novembro de 2007.

O instrumento de coleta de dados selecionado foi um questionário estruturado com questões, a respeito da caracterização das instituições de ensino superior (IES) do Estado do Paraná e dos respectivos coordenadores do Curso de Graduação em Enfermagem e questões referentes ao ensino das teorias de enfermagem.

Um levantamento online dos cursos de enfermagem de nível superior cadastrados no Conselho Regional de Enfermagem - PR foi realizado.

Após este levantamento, foi efetuado contato com os coordenadores por telefone e/ou e-mail para verificar o interesse e disponibilidade para participar da pesquisa, sendo agendado data e horário da entrevista. Na data marcada para a entrevista por telefone, os entrevistadores procederam à leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), após isto, o sujeito da pesquisa expressou seu aceite e concordância com os termos fixados no TCLE. O contato telefônico foi gravado, e sua gravação foi guardada como garantia do acordo entre as partes.

Posteriormente, os dados foram analisados, utilizando-se o cálculo de frequência simples e percentual.

O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Estadual de Maringá nº 386/ 2007, conforme Resolução n.º 196/96 do Ministério da Saúde(11).

 

RESULTADOS

Caracterização dos coordenadores

O perfil dos coordenadores foi determinado pelos aspectos referentes a sexo, tempo de formação na profissão, tempo de atuação, como docente, tempo de atuação na instituição atual e titulação (Especialização, Mestrado ou Doutorado).

Dos 35 docentes que coordenavam os Cursos de Enfermagem, 91,4% eram do sexo feminino, dados já esperados pela predominância do sexo feminino na profissão(9). A média de tempo de formação foi de 15,8 anos.

O tempo de atuação como docente obteve média de 9,91 anos, e 68,6% dos entrevistados possuíam de um a dez anos de experiência na docência. Quanto ao tempo de atuação na atual IES, 80% dos sujeitos tinham entre um e dez anos de trabalho. A maioria dos coordenadores possuiu tempo máximo de dez anos de trabalho na atual IES. Do total, três coordenadores destacaram-se por sua maior experiência na docência, respectivamente, 20, 26 e 30 anos. Destes, só dois sempre trabalharam na mesma IES, uma privada e outra pública.

Quanto à titulação, 48,6 % eram mestres, 34,3% especialistas e 17,1% doutores. A maioria dos coordenadores (4) com doutorado encontrava-se em IES privadas.

Caracterização das instituições

A caracterização das IES que possuiam Cursos de Enfermagem no Estado do Paraná foi realizada, incluindo sua classificação (pública ou privada), turno de funcionamento, número de alunos por turma e duração do curso.

Das 35 instituições, 80% eram privadas; em dez curso de enfermagem funcionava em período integral, em seis em período matutino e seis no noturno exclusivamente. Onze IES (31,3%) alternavam dois períodos de funcionamento dos cursos de Enfermagem, duas faculdades (5,7%) não responderam a esta questão.

O número de alunos por turma variou de 35 a 80, predominando de 40 estudantes (37,1%) e de 50 alunos (20%).

Na maioria das IES, a duração do curso de Enfermagem era de quatro anos perfazendo um total de 80%, 8,6% possuiam duração de cinco anos, 8,6% (3) tinham turmas de quatro e de cinco anos de duração e apenas uma (2,85) tinha duração de quatro anos e meio.

Ensino das teorias de enfermagem

Diante da importância do tema na estrutura curricular e, consequentemente, na formação de um profissional crítico capaz de prestar uma assistência de enfermagem com qualidade foi questionado aos coordenadores se as teorias de enfermagem eram abordadas no curso de enfermagem e se existia uma disciplina específica para o tema.

Segundo os entrevistados, o tema era abordado nos 35 dos cursos de Enfermagem (100%) das IES. Desse total, 11,4% têm uma disciplina específica para as teorias de enfermagem, tais como História e Regulamentação Profissional (36h/a) e Metodologia da Assistência de Enfermagem (54h/a), ambas da mesma IES; teorias de enfermagem, ministradas em duas IES com carga horária de 60 h/a e 54 h/a e Processo de Cuidar I (72 h/a). Um dos coordenadores relatou desconhecer se existe uma disciplina de teorias de enfermagem.

Na maioria das IES, o conteúdo era oferecido no primeiro ano letivo (74,3%) seguido do segundo ano (48%) e 20% no terceiro com o mesmo percentual no quarto ano. A questão possibilitou mais de uma alternativa, ou seja, o conteúdo era ofertado em mais de uma série em algumas IES.

As teorias de enfermagem mais citadas pelos entrevistados foram: Wanda Horta (60%), Oren (17,1%), Leininger (11,4%) e com menor frequência as de Roger, Watson, King, Peplau, Orlando, Angel, Henderson, Roy, Evangelisa (Tabela1).

 

 

Três coordenadores (8,6%) relataram não saber qual teoria era abordada no curso de Enfermagem e 18 (51,4%) citaram que todas as teorias eram abordadas. Quando esses últimos coordenadores foram questionados sobre quais teorias especificamente eram abordadas, alguns deram exemplos de teóricas de enfermagem, em dez casos.

Dentre os professores responsáveis por ministrar a disciplina, 16 eram mestres (45,7%), 14 possuiam especialização (40%), quatro eram doutores (11,4%) e somente um, possuia apenas diploma de graduação (2,8%).

Quanto à existência de projeto de pesquisa, ensino ou extensão vinculado às teorias de enfermagem em 28,6% das IES existia algum projeto com essa abordagem e as demais não possuíam projetos sobre teorias. Os tipos de projetos mais frequentes foram os relacionados à Sistematização da Assistência de Enfermagem, citados quatro das IES, três coordenadores referiram a existência de projeto, porém, não detalharam sua característica. Os demais projetos citados foram "Gestão hospitalar", "Ambulatório de atendimento perioperatório" e "Centrocirúrgico, utilizando como referencial Ida Orlando".

 

DISCUSSÃO

Neste estudo, a frequência de IES privadas no Estado no Paraná foi significativa. Conforme o Decreto nº 2.306, de 19 de agosto de 1997, as instituições de ensino superior são classificadas quanto à natureza jurídica em públicas, quando criadas ou incorporadas, mantidas e administradas pela União e privadas, quando mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado(12).

Em relação à diversidade dos cursos de graduação em Enfermagem, neste estudo, houve a partir de 1996, a publicação da Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a transferência da autonomia às instituições de ensino superior quanto aos aspectos de organização, estrutura e operacionalização do currículo, adaptando à sua realidade, número de vagas, turno de funcionamento, período do curso, planos, programas e projetos de pesquisa científica e extensão(12). Esta afirmativa ampara as diversidades de abordagens das teorias de enfermagem encontradas neste estudo.

O objetivo do Processo de Enfermagem é fornecer uma estrutura que atenda às necessidades individualizadas do cliente, família e comunidade e tem como propriedade basear-se em teorias. Para a utilização do PE de forma eficiente, é necessário, além da aplicação das ciências biologias, físicas, entre outras, a aplicação dos conceitos e teorias de enfermagem possibilitando um substrato racional na tomada de decisões, na realização de julgamentos, nas relações interpessoais e nas ações de enfermagem(13).

O ensino das teorias de enfermagem fornece ao aluno base para a assistência e também possibilita conhecer as raízes científicas da profissão, sendo interessante a abordagem do tema com ênfase no início da graduação, até mesmo para um aprofundamento do que é a Enfermagem e de suas teorias, com continuidade ao longo da formação.

O contato que os discentes possuem com as teorias de enfermagem dá-se no geral, de forma pontual e usualmente no início do curso de Enfermagem. Esse fato pode resultar em dificuldade para relacionar os conteúdos teóricos com a prática, o que interfere na compreensão do que vem a ser uma teoria de enfermagem. No decorrer do curso, não há mais abordagens significativas sobre as teorias, causando um esquecimento das mesmas, que pode ocasionar futuramente, na carreira profissional, uma falta da tentativa de aplicabilidade das teorias na assistência ao cliente(14).

Para se alcançar o conhecimento, é necessário saber que a arte de cuidar em Enfermagem baseia-se na prática científica e, consequentemente é preciso ter conhecimento das teorias. Fica evidente que o conhecimento científico, incluindo as teorias de enfermagem é a base para subsidiar o ensino da prática e do cuidado de qualidade em Enfermagem(15).

O Brasil tem como destaque a teórica Wanda de Aguiar Horta que contribuiu, como pioneira, na realização de estudos e pesquisas desde as décadas de 1960 e 1970, quando propõe o modelo de assistência com base na Teoria das Necessidades Humanas Básicas(13). De acordo com os dados do Tabela 1, Horta configura-se como um modelo de assistência / modelo conceitual mais citado entre os respondentes.

Um modelo de assistência, como o supra referido, é um instrumento que auxilia na sistematização dos cuidados e proporciona meios para organizar as informações e os dados dos clientes, para cuidar e avaliar os resultados do processo de cuidar(15).

Os dados expõem terminologias que, muitas vezes, confundem os profissionais que aplica esses modelos. Assim, é necessário diferenciá-los, para que estas "semânticas" sejam desmitificadas na construção e organização do PE. Os modelos de assistência são representações, expressas verbalmente ou por meio de símbolos, esquemas, desenhos, gráficos, diagramas e têm por objetivo oferecer ao enfermeiro os subsídios necessários para sua atuação(16). Já as teorias de enfermagem apresentam conjuntos de conceitos mais concretos e específicos que orientam, descrevem e explicam os fenômenos de Enfermagem(17).

Há de se esmiuçar também o significado de modelo conceitual que parece de utilização comum nos discursos das produções científicas de enfermagem. Este revela como os vários conceitos estão interligados e é utilizado com alto nível de abstração e generalização e pode ser considerado como um pensamento ou uma noção(17).

Em estudo realizado no Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina, foram identificadas as opiniões e as experiências dos enfermeiros docentes e assistenciais, relativos à teoria e ao PE, e realizada a comparação com esses resultados e os de um estudo, com o mesmo objetivo, realizado em 1979. Obteve-se como resultado que a Teoria das Necessidades Humanas Básicas de Horta continuou a ser mais utilizada no ensino e na prática desses enfermeiros(18).

Os sujeitos deste estudo relataram que nenhum professor que ministra a disciplina de Teorias de Enfermagem possui pós-graduação na área de Teorias de Enfermagem, informação que pode refletir o desinteresse ou pouca oferta nessa linha de pesquisa. Esta condição pode ser verificada desde a graduação onde os alunos não percebem a importância das teorias na prática profissional. Esse desinteresse pode acarretar uma assistência sem cunho científico e realizada de modo mecânico e sem reflexões.

É perceptível o avanço da Enfermagem, no aspecto de prestação de cuidados, fundamentada em princípios científicos, mas ainda há preocupações quanto à aceitação da enfermagem, como ciência aumentando a necessidade da construção de um corpo de conhecimento específico da profissão. Neste contexto, as teorias de enfermagem constituem-se em uma ferramenta utilizada para orientar e guiar a prática da Enfermagem na busca desta especificidade(14).

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na perspectiva de descrever como as teorias de enfermagem são abordadas, o estudo permitiu identificar o perfil dos coordenadores dos cursos de Graduação em Enfermagem do Estado do Paraná: 91,4% eram do sexo feminino; o tempo médio de formação era de 15,8 anos; com 9,1 anos de atuação na docência; 80% trabalhavam na instituição atual entre um e dez anos; 48,6% eram mestres.

Quanto às instituições, verificou-se que: 80% eram privadas; 28,6% dos cursos funcionavam no período integral; o número de alunos por turma variou entre 35-80 e 80% dos cursos tinham quatro anos de duração.

Foi possível perceber que os cursos de Enfermagem de IES no Estado do Paraná, abordavam as teorias de enfermagem, mas este ensino, muitas vezes, era desvinculado de atividades práticas que despertam interesse por parte dos acadêmicos. Nota-se ainda que o ensino das teorias é ministrado como conteúdo de forma fragmentada apenas nos primeiros anos dos cursos de graduação, o que pode contribuir para a formação de profissionais meramente técnicos, com capacidade reflexiva pouco desenvolvida, demandando uma formação de profissionais com baixa autonomia, sem delimitação de seu campo de atuação.

Os conflitos terminológicos foram evidentes nas falas dos sujeitos, o que indica a necessidade de uma reconstrução da Enfermagem como ciência. Assim, o ensino do cuidar sob a perspectiva das teorias de enfermagem poderá ser exposto com mais seriedade, coerência e responsabilidade ao aliar-se com a prática.

O ensino das teorias precisa ser ministrado de forma sistematizada por docentes que tenham o compromisso com o aprendizado do aluno. Este conteúdo deve ser abrangente o suficiente, para que ao se tornar enfermeiro, ele seja capaz de decidir qual das teorias é a mais adequada a seu campo de atuação, formando assim, profissionais qualificados para prestar um cuidado adequado às pessoas que necessitam deste.

 

REFERÊNCIAS

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Autor Correspondente:
Jéssica Carvalho de Matos
R. Mário Buralli, 1657 - Parque da Gávea
Maringá - PR - Brasil CEP. 87053-268
E-mail: jessicamaringa@yahoo.com.br

Artigo recebido em 29/03/2009 e aprovado em 03/09/2010

 

 

* Trabalho realizado com coordenadores de Cursos de Graduação em Enfermagem das Instituições de Ensino Superior do Estado do Paraná- Brasil.

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