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Acta Paulista de Enfermagem

Print version ISSN 0103-2100

Acta paul. enferm. vol.24 no.5 São Paulo  2011

https://doi.org/10.1590/S0103-21002011000500001 

EDITORIAL

 

Desafios e perspectivas para a Enfermagem na próxima década

 

 

A previsível mudança demográfica e epidemiológica no Brasil e em boa parte do mundo estámarcada pela maior proporção de idosos na população. Provavelmente em 2021, teremos mais de 13,0% de pessoas acima de 60 anos. Consequentemente, é estimado o incremento das taxas deprevalência das doenças crônico-degenerativas e de causas exógenas como estresse e decorrentesdo desgaste físico associadas ao estilo de vida; e as sequelas decorrentes de acidentes de trabalho e de trânsito, traumas e adição de drogas ilícitas, ocasionarão maior dependência das pessoas e famílias aos cuidados de enfermagem.

Temos muitos Brasís e por muito tempo ainda serão necessários, tanto cuidados no controledas doenças transmissíveis e preveníveis como agilidade no sistema de imunização e vigilânciaepidemiológica; cobertura na assistência às mulheres no período gravídico-puerperal, na infância,enfim em todo ciclo vital, em que os profissionais de Enfermagem atuam.

Os indicadores de saúde são sofríveis e a relação de 0,6 profissionais de enfermagem por 1000habitantes contrasta com países que apresentam os melhores indicadores de saúde e nos quais arelação varia de 9 enfermeiros por mil habitantes como no Japão; 10 nos Estados Unidos, 11 no Canadá e 12 enfermeiros por 1000 habitantes na Alemanha.

Com 1.480.653 membros, a profissão de enfermagem é o maior segmento da força de trabalhode cuidados de saúde do país. Deste contingente, apenas 18,4% são enfermeiros; 43,5% são técnicosde enfermagem; 37,6% são auxiliares de enfermagem e 0,5% atendentes.

Estão presentes na assistência domiciliar, na formação profissional, na pesquisa e principalmentenos serviços hospitalares, ao lado do cliente, nas vinte e quatro horas do dia(1).

Em 2021 seremos 4.300 milhoes profissionais de enfermagem; projeta-se que 37,0% sejam enfermeiros; 61,5 % técnicos e 1,5% - auxiliares de enfermagem. Espera-se a inversão da pirâmide devido às ações já em prática Até 2021,a maioria dos auxiliares serão técnicos de enfermagem,principalmente devido a parceria do COREn-SP com o Governo do Estado de São Paulo ao criar o Programa Rede Ensino Médio Técnico e que certamente terá a aderência do governo federal.

A graduação em Enfermagem será cada vez mais uma opção de ascensão social e profissionalpara membros da equipe de enfermagem. De um modo geral, auxiliares e técnicos de enfermagem adentram nos inúmeros cursos de graduação de escolas particulares. Por outro lado, as escolas públicas, além de formar seu contingente, devem oferecer os cursos de especialização aos egressos das escolas particulares.

Oportunizar a pós-graduação com bolsas no exterior e a promoção do intercâmbio de estudantese professores do ensino superior com instituições estrangeiras é uma tendência do momento quetrará reflexos positivos na Enfermagem do futuro.

No ensino da Enfermagem, que tem como finalidade o bem-estar do ser humano, além dosensinamentos biomédicos tradicionais e a integração de tecnologia e humanismo , serão maisutilizadas tecnologias de simulação e aprendizagem à distância. Além das pesquisas na área, osestudos conduzidos sobre cuidados de saúde baseados em evidências, levando em conta as preferências e valores do cliente, apontarão as decisões clínicas que garantam os melhoresresultados(2). Novas tecnologias da comunicação no aprendizado serão chaves para o sucesso daadesão à prevenção do agravo e ao tratamento. A Administração interativa (multiprofissional)oferecerá janelas de oportunidade que irão reforçar a visão estratégica compartilhada entreenfermeiros e outros profissionais(3).

Os profissionais de enfermagem terão novas parcerias, por exemplo, com a engenharia, notocante a projetos de inovação para equipamentos e commodities; com a Economia e a Informática, que deverão contribuir para a formação do profissional pró-ativo, empreendedor, com raciocínio clínico sistêmico e com poder de síntese.

No entanto, a Enfermagem como ciência do cuidado que trabalha com pessoas e para pessoas temcomo fundamental as relações éticas permeando todas as áreas do ensino, sejam no curso técnico, nagraduação, ou na pós-graduação.

A tecnologia, cada vez mais é uma ferramenta indispensável ao enfermeiro, porém não o substituirá,porque o ser humano, no atendimento de suas necessidades de saúde, cada vez mais vai necessitar deassistência de enfermagem competente e acolhimento solidário.

 

REFERÊNCIAS

1. Cunha IC. Projeto competências, coordenadora. São Paulo: Coren; 2008/2010.         [ Links ]

2. Nichols MR, Harris NR. Evidence-based nursing practice. In: Roux G, Halstead JA, editors. Issues and trends in nursing:essentialknowledgement for today and tomorrow. Sudbury, Mass.: Jones and Bartlett Pub.; c2009. cap.11, p.237-60.         [ Links ]

3. Health Services, Coverage, and Access, Health Care Workforce, Quality and Patient Safety, Public Health: consensus study[Internet]. [Last updated 3/2/2011]. National Academy of Sciences; c2011. [cited 2011 Oct 13]. Available from:http://www.iom.edu/Activities/Quality/PatientSafetyHIT.aspx         [ Links ]

 

 

Profa. Dra. Lucila Amaral Carneiro Vianna
Professora Titular da Escola Paulista de Enfermagem, Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP, São Paulo(SP), Brasil

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