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Acta Paulista de Enfermagem

Print version ISSN 0103-2100

Acta paul. enferm. vol.25 no.2 São Paulo  2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-21002012000200025 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Fatores de risco para dependência de álcool em adolescentes*

 

Factores de riesgo en adolescentes con dependencia al alcohol

 

 

Leandro RozinI; Ivete Palmira Sanson ZagonelII

IPós-graduando (Mestrado) do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia aplicada à Saúde da Criança e do Adolescente da Faculdades Pequeno Príncipe – FPP – Curitiba (PR), Brasil
IIProfessora do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia aplicada à Saúde da Criança e do Adolescente da Faculdades Pequeno Príncipe – FPP – Curitiba (PR), Brasil

Autor correspondente

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Identificar os fatores de risco para dependência do álcool na adolescência.
MÉTODOS: Revisão integrativa com 21 artigos publicados entre 2000 e 2009, capturados nas bases de dados LILACS, BVS, MEDLINE, COCHRANE e IBECS com as palavras-chave: adolescência, risco para dependência e álcool.
RESULTADOS: Há evidências de que o álcool é a droga mais consumida por adolescentes, com início entre 14 a 16 anos. Os fatores de risco para dependência estão relacionados ao início precoce do uso, influência da mídia, relacionamento conturbado com os pais, uso por membro da família, abuso sexual, violência doméstica, baixa autoestima, curiosidade, pressão de colegas, entre outros. Apontam a vulnerabilidade genética para a dependência do álcool e controvérsias em relação ao gênero e classe social.
CONCLUSÃO: Os serviços de saúde devem incorporar estratégias preventivas de identificação de riscos para a dependência, controle e acompanhamento específicos ao grupo de adolescentes dependentes.

Descritores: Adolescente; Fatores de risco; Alcoolismo; Vulnerabilidade


RESUMEN

OBJETIVO: Identificar los factores de riesgo en adolescentes con dependencia al alcohol.
MÉTODOS: Revisión integrativa realizada con 21 artículos publicados entre 2000 y 2009, identificados en las bases de datos LILACS, BVS, MEDLINE, COCHRANE e IBECS con las palabras-clave: adolescencia, riesgo a dependencia y alcohol.
RESULTADOS: Hay evidencias de que el alcohol es la droga más consumida por adolescentes, con inicio entre 14 a 16 años. Los factores de riesgo para la dependencia están relacionados al inicio precoz del uso, influencia de los medios de comunicación, relacionamiento conturbado con los padres, uso por un miembro de la familia, abuso sexual, violencia doméstica, baja autoestima, curiosidad, presión de colegas, entre otros. Apuntan la vulnerabilidad genética para la dependencia al alcohol y controversias en relación al género y clase social.
CONCLUSIÓN: Los servicios de salud deben incorporar estrategias preventivas de identificación de riesgos para la dependencia, control y acompañamiento específicos al grupo de adolescentes dependientes.

Descriptores: Adolescente; Factores de riesgo; Alcoholismo; Vulnerabilidad


 

 

INTRODUÇÃO

A adolescência é o período em que ocorre a estruturação de cada ser, como se fosse um segundo nascimento, porém essa fase necessita de cuidados e ações educativas diferentes daquelas dedicadas à criança(1). Nessa etapa, o indivíduo deixa de viver apenas com a família e passa a viver em função também de amigos, inserindo-se no grupo social, como forma de identificação pessoal. Após a puberdade, muda aos poucos sua maneira de ser, em movimentos que iniciam em seu interior, depois se exteriorizam, fazendo com que o adolescente busque um meio em que se identifique(2). As modificações que permeiam o processo de transição à fase adolescente, são inúmeras, como físicas, sociais, psicológicas, espirituais, culturais, entre outras. Para este artigo, o destaque está na inserção do adolescente ao meio social, incluindo distintas possibilidades, dentro e fora da família, que podem contribuir ou estar relacionadas à iniciação do uso de álcool.

A inserção do adolescente no meio social, quando inicia a saída para fora do contexto familiar, coloca-o diante de situações diversas, dentre estas, o contato com o álcool. Esta é uma droga socialmente aceita por todos os níveis sociais, de fácil acesso e possibilita, conforme suas reações iniciais bem-estar instantâneo como forma de resolução de incertezas e conflitos, mas também para comemorar momentos felizes e agradáveis. No entanto, é preciso considerar os prejuízos que o contato com a bebida pode acarretar aos adolescentes, que são relacionados à violência, incluindo a sexual, contaminação por DST, gravidez indesejada, distúrbios comportamentais e de conduta, absenteísmo escolar, déficit de aprendizagem, problemas familiares, perda de emprego, prejuízo financeiro e morte por acidente(3).

A preferência pelo consumo de álcool por adolescentes ocorre pelos efeitos da substância que, no início, é de bem-estar. Além disso, proporciona satisfação, fácil inserção no grupo com os amigos, serve como fonte de alívio de estresse em relação aos fatores familiares e escolares(4). Cada vez mais frequente na adolescência, uso do álcool acarreta, portanto, consequências físicas, mentais e sociais, sendo considerado um sério problema de saúde pública.

De acordo com o V Levantamento Nacional sobre o Consumo de Drogas Psicotrópicas (CEBRID) realizado em 2004 com 48.155 estudantes do ensino fundamental e médio em 27 capitais brasileiras, encontrou-se que 65,2% já haviam consumido álcool alguma vez na vida. Além disso, comparando estudos de levantamento domiciliar na faixa etária de 12 e 65 anos, de 2001 e 2005, detectou-se aumento de 1,1% no uso da bebida(5).

No Brasil, em 2006, uma pesquisa realizada pela CEBRID, revelou que, dos adolescentes entre 12 e 17 anos, 48,3%, já beberam alguma vez na vida. Destes, 14,8% bebem regularmente e 6,7% são dependentes de álcool, o que o faz a droga mais utilizada pelo público adolescente, que está precocemente exposto ao contato(6).

O álcool é a droga psicoativa mais usada na maioria dos países, tanto para a celebração, como para o sofrimento, pois libera as inibições. As pessoas consomem-no para relaxar e divertir-se. Para muitos, a bebida é uma companhia nos eventos sociais e seu consumo implica riscos relativamente baixos, para quem bebe e para terceiros. Mas, seu uso pode ser responsável por muitos danos nas esferas sociais e individuais. Depois do tabaco, é a segunda maior causa de mortes relacionadas às drogas(7).

É importante manter uma política abrangente e significativa de saúde pública, que deve ter como prioridade a mudança das quantidades de álcool consumidas, dos padrões de consumo e dos danos subsequentes(7). A Associação Internacional de Redução de Danos (IHRA) define redução, como políticas e programas que tentam sobretudo reduzir aos usuários de drogas, suas famílias e comunidades, as conseqüências negativas relacionadas à saúde, aos aspectos sociais e econômicos decorrentes de substâncias que alteram o temperamento(7). A redução de danos, embora tenha sido tradicionalmente identificada com as drogas ilícitas, também se aplica ao álcool e a outras substâncias, como o tabaco.

Quanto mais precoce for seu consumo, maior será a probabilidade de o adolescente tornar-se dependente. Além disso, com o uso constante, o organismo cria tolerância à droga, e para satisfazer (como nos efeitos iniciais) é preciso aumentar as doses, que, em consequência do uso contínuo, desenvolve a dependência pelo álcool(5).

O risco para sua dependência está interligado a fatores de exposição genética, neurobiológica, comportamentais (personalidade) e vivenciados pelo ambiente, que predispõe o início e a continuidade do uso da substância. Com o passar dos anos, a dependência de álcool instala-se no indivíduo e é identificada quando há perda do controle de decisão sobre o beber e sofrimento com os sintomas de abstinência da droga(5).

Assim, com a identificação dos riscos para a dependência do álcool que os adolescentes estão expostos, é possível intervir com resolubilidade por meio de ações específicas para esse grupo, capazes de inibir/prevenir o uso da substância e interferir na dependência futura que pode se instalar. Desta maneira, o presente estudo objetivou identificar os fatores de risco que contribuem para a dependência de álcool entre adolescentes.

 

MÉTODOS

O método de revisão integrativa da literatura buscou responder à seguinte questão norteadora: "Quais as evidências encontradas na literatura sobre os fatores de risco para dependência de álcool entre adolescentes?". Este método reúne e contempla o conhecimento científico produzido, por meio da análise dos resultados já evidenciados nos estudos de pesquisadores da área.

As buscas abrangeram as publicações entre os anos de 2000 e 2009 nas bases eletrônicas de dados, como: LILACS, BVS, MEDLINE, COCHRANE, IBECS nas línguas português, inglês e espanhol, utilizando como palavras-chave: adolescência, risco para dependência e álcool. Surgiram 87 artigos que abordavam a temática, porém 21 foram selecionados pela especificidade dos dados propostos neste artigo.

Como critérios de inclusão, os artigos publicados em português, inglês e espanhol foram usados; e como critério de exclusão, artigos que não estivessem disponíveis on-line ou em bibliotecas nacionais, além dos que não apresentavam dados relacionados e coerência com os riscos para dependência da bebida.

Embora existam diversidades para o desenvolvimento dos métodos de revisões integrativas, existem padrões a serem seguidos. Na operacionalização dessa revisão, utilizaram-se cinco etapas: definição da questão norteadora para a revisão; seleção dos estudos que compuseram a amostra; definição das características dos estudos; análise e interpretação dos resultados e relato da revisão(8-9).

Após ler na íntegra cada um dos artigos selecionados, foi preenchido um instrumento de coleta de dados, construído pelos autores deste artigo, contendo: ano de publicação, identificação do periódico, autores, tipo de estudo, sujeitos, tamanho da amostra, instrumento utilizado para medir risco de uso ou dependência de álcool, resultados e recomendações propostas nos estudos.

 

RESULTADOS

A análise e interpretação dos resultados dos artigos indicou que 21 foram selecionados com base no tema, sendo publicados no período de 2000 a 2009.

 

 

As áreas de conhecimento de destaque nas publicações deste tema, que totalizaram 21 artigos referentes aos riscos para uso e dependência do álcool, incluíram 6 (28,6%) artigos em revistas da área médica; 5 (23,8%), de saúde pública; 4 (19%) nas áreas de psiquiatria e psicologia; 4 (19%) de enfermagem e 2 (9,6%) em revistas específicas sobre uso e dependência de álcool.

No que se refere ao método utilizado, 13 (61,9%) usam o método transversal ou seccional, 4 (19%), exploratório e descritivo sem especificar o tipo da pesquisa; 3 (14,3%), artigos de revisão e 1 (4,8%), retrospectivo. Dos artigos, 10 (47,6%) foram publicados em português, 6 (28,6%), em inglês e 5 (23,8%) em espanhol.

Quanto aos sujeitos dos estudos selecionados, excluindo os artigos de revisão, 10 (55,5%) foram pesquisas realizadas com adolescentes entre 10 e 19 anos e 8 (44,5%) incluíram adolescentes e adultos como sujeitos. Desses sujeitos, 11 (61,1%) estudos foram realizados com estudantes de ensino médio e universidades, além de 3 (16,7%), com adolescentes em acompanhamento para tratamento da dependência do álcool. Também foram identificadas outras formas de abordagem sem especificar os sujeitos, como acessos à internet e a serviços de saúde, 4 (22,2%).

Os instrumentos empregados para a mensuração de risco de uso ou grau de dependência de álcool entre adolescentes foram diversos. Entre os citados nos artigos, que são recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), tem-se o AUDIT (Alcohol Use Disorders Identification Test), CAGE (Cut-down, Annoyed, Guilty e Eye-opener), TWEAK (Tolerance, Worry, Eye opener,Amnesia Cut down), DUSI (Drug Use Screening Inventory), YRBSS (Youth Risk Behavior Surveillance System), CHAID (Chi-squared automatic interaction detector), RBS (Risk Behavior Survey), Research and Reporting Project on the Epidemiology of Drug Dependence e questionário de identificação diagnóstica baseado no CID (International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems) específico para o álcool.

 

DISCUSSÃO

A adolescência é considerada um fator de risco ao consumo de álcool, associado às condutas desenvolvidas nessa fase de transição para a idade adulta. Entre os fatores influenciadores no consumo e dependência do álcool, apreendidos nos artigos analisados, exixtem os sociais, ambientais e genéticos. Quanto mais precoce o início maior será o risco para a dependência, que leva a consequências graves(3,10,11).

Pesquisadores afirmam que o álcool é a droga mais, empregada entre os diversos grupos de adolescentes seguido pelo tabaco. O início de seu uso ocorre em média dos 14 aos 16 anos, com uso freqüente da substância dos 15 até 44 anos, com ápice de maior frequência de consumo entre 25 e 42 anos, independente dos vínculos matrimonial e de gênero. A dependência do álcool no outro, é vista pelos adolescentes como um estigma imoral e de natureza psicossocial, com predomínio de imagem negativa. Mas, a autopercepção de seu uso concomitante não é vista pelos adolescentes como uma droga com grande potencial de riscos à saúde, além de muitos não o classificarem como droga, que demonstram ser invulneráveis e onipotentes em relação à substância(12-23).

Entre os artigos, tem-se que a cerveja é mais consumida pelos adolescentes. O início do uso é evidenciado por diversos fatores intrínsecos e extrínsecos, dentre eles, a influência da mídia, relacionamento conturbado com os pais e presença de um membro da família que faz uso, geralmente o pai; abuso sexual e baixa autoestima; curiosidade e pressão de colegas e amigos para reinserção em grupos. Também está articulado à diversão e prazer e, até mesmo, no isolamento; no início precoce do trabalho relacionado ao contato com adultos; para melhor desempenho e aceitação dos pares, sobretudo no final da adolescência; estímulo à experimentação da própria família, por definições culturais; para melhorar a insatisfação diante das condições de vida, inclusive, aquelas ligadas ao desemprego. Outros fatores como forma de reduzir a ansiedade e o estresse motivados pela sensação de bem-estar que a droga proporciona no início do uso. Além disso, constata-se a alta influência das companhias, como colegas e amigos para o começo do uso da substância. Nesse sentido, esse início entre adolescentes está ligado às distintas vulnerabilidades que permeiam seu viver. São justamente estas, que o tornam propenso ao uso, podendo evoluir para a dependência do álcool na idade adulta(11,13, 14, 16, 20,24-26).

Com relação ao gênero, foram encontradas controvérsias. Alguns autores relatam não haver diferença significativa entre os sexos, porém é evidenciado maior risco de beber nos meninos. Em relação às meninas que usam álcool, é constatada maior vulnerabilidade para sofrerem as diversas formas de violências(13,16,21,27).

Em relação à classe social, estudos brasileiros demonstram que as classes sociais, média e alta, são mais susceptíveis ao uso do álcool em comparação com a classe social baixa, justificada pelo maior acesso às atividades sociais e melhores condições financeiras. Além disso, estudos comparativos entre escolas privadas e públicas quanto ao uso da substância constatam que o risco é maior na rede privada. Esta é uma controvérsia em relação aos estudos publicados em outros países latino-americanos, que descrevem que a classe social baixa apresenta maior consumo de álcool e justifica-se pelo fácil acesso aos bares ao redor da residência, o que facilita o início de seu consumo e compra. Além disso, é relatada a prevalência de consumo na área urbana comparada com a área rural, embora existam controvérsias entre os estudos(11,15,16,19,25,28).

Os potenciais riscos, identificados no contexto familiar, estão relacionados à falta de suporte parental, pais liberais, relacionamento ruim a péssimo com os pais, ter sofrido maus tratos e vivenciado a violência doméstica. Além disso, há ênfase nos estudos que descrevem a herança genética, como potencial fator de risco para o uso e dependência do álcool. As pesquisas publicadas relatam maior prevalência de seu uso entre adolescentes de família católica ou aqueles com ausência de práticas religiosas(14,18,19,29).

No que se refere às recomendações baseadas nos resultados dos artigos encontrados, observamos a ênfase na necessidade de qualificação das políticas públicas de saúde no sentido de desenvolver campanhas de prevenção, identificação e controle, voltadas aos problemas decorrentes do uso do álcool, primordialmente, com ações de prevenção mais eficazes. Para tal, inclui ações dirigidas à família e ao âmbito escolar, onde existam situações de risco para seu uso. As publicações apontam as ações que devem ser feitas diante dessa realidade, enfatizando que os profissionais que lidam com a saúde pública devem estar atentos para a identificação dos riscos e dependência do álcool, devem ser capacitados a conhecer as particularidades da adolescência e da dependência de substâncias, utilizando uma linguagem apropriada nessa faixa etária. As estratégias de ação para a prevenção e controle devem ser específicas, baseadas na realidade vivenciada do contexto social, com ações educativas planejadas a médio e longo prazos(3,10-19, 24,26,29).

 

CONCLUSÃO

Os achados evidenciados nesta revisão apresentaram a notória complexidade do tema sobre os riscos para dependência e da dependência de álcool entre adolescentes. As bases evidenciais demonstram ser uma prática comum entre adolescentes de 14 e 16 anos, em especial, estudantes de classes média e alta, que necessitam de suporte e apoio nas questões relacionadas aos riscos de dependência ou já diante da dependência, com envolvimento de familiares.

O período da adolescência é marcado por um aprendizado constante para a formação do ser adulto, conduz à sua maturidade física, psicológica e social. Os conceitos adquiridos nesta fase darão base à fase adulta, por isso, é relevante o cuidado que inclua a formação psicológica e social de cada adolescente, pois é um período onde não há integral discernimento dos problemas que o uso do álcool pode causar a longo prazo.

Observou-se que a minoria dos estudos encontrados aborda a prevenção do uso e dependência do álcool entre adolescentes, porém é imperativo nas recomendações sua importância para intervir na problemática. Mesmo com as publicações relacionadas à temática estarem aumentando nos últimos anos, faz-se necessário que os serviços de saúde pública incorporem estratégias com base na resolubilidade de ações específicas, com ênfase intrafamiliar e no meio escolar, para prevenir o seu uso e identificar os fatores de risco para a dependência da substância entre adolescentes.

O conhecimento dos riscos a que os adolescentes estão expostos pela identificação desses fatores, torna-se possível com os diversos instrumentos de mensuração de riscos propostos pela OMS. No Brasil, as ações públicas de saúde têm foco descentralizado como forma de estar mais perto da população, e intervirem nas problemáticas identificadas. Dessa forma, cabe aos serviços e profissionais de saúde, com maior proximidade da população, intervir com educação em saúde e acompanhamento dos adolescentes expostos aos riscos, bem como de suas famílias e atuar no controle do uso de álcool.

Para isso, é preciso realizar um levantamento individualizado por meio de diagnóstico comunitário na área de abrangência da atuação das equipes de saúde, para que identifiquem os sinais precoces e forneçam informações pontuais de comportamentos relacionados aos riscos para dependência e na dependência do álcool. A partir da identificação das problemáticas será possível planejar medidas mais efetivas de prevenção e controle com maiores chances de sucesso.

As ações preventivas tornam-se possíveis, quando há efetivamente profissionais capacitados que assistam individualmente e/ou em grupos essa faixa etária, no sentido de intervir nos fatores de risco relacionados aos aspectos familiares, psicológicos e sociais. Novos estudos e pesquisas devem ser conduzidos no sentido de contemplar a efetividade das ações preventivas e de controle do uso de álcool entre adolescentes nas redes básicas dos serviços públicos de saúde, envolvendo a equipe de saúde com preparo específico para este tipo de agravo.

 

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Autor Correspondente:
Leandro Rozin

Avenida Brasília, n. 4380, apt. 1402, Bairro Novo Mundo – Curitiba – PR
CEP: 81020-010
E-mail: leandrorozin@bol.com.br

Artigo recebido em 19/12/2010 e aprovado em 23/08/2011

 

 

* Trabalho realizado na Faculdades Pequeno Príncipe – FPP – Curitiba (PR), Brasil, no curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia aplicada à saúde da Criança e do Adolescente.

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