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Acta Paulista de Enfermagem

versão On-line ISSN 1982-0194

Acta paul. enferm. vol.30 no.2 São Paulo mar./abr. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1982-0194201700019 

Artigo Original

Mães enlutadas: criação de blogs temáticos sobre a perda de um filho

Heloisa Cristina Figueiredo Frizzo1 

Regina Szylit Bousso2 

Carolliny Rossi de Faria Ichikawa2 

Natália Nigro de Sá2 

1Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Uberaba, MG, Brasil.

2Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

Resumo

Objetivo

Compreender as motivações de mães enlutadas para a criação e existência de um blog sobre a perda de um filho.

Métodos

Pesquisa qualitativa por meio da Etnografia Virtual a partir da análise narrativa dos dados registrados na ficha de identificação de 40 blogs sobre a perda de um filho, segundo o referencial teórico Modelo do Processo Dual de Compreensão do Luto.

Resultados

As categorias definidas foram: compartilhar a experiência da perda e do desafio de seguir em frente; criar rede de relacionamentos para apoio/conforto/suporte a outros enlutados; garantir espaço de refúgio para expressão de sentimentos, emoções e superação da perda; homenagear e perpetuar a memória e imagem do filho(a) perdida; ativismo social.

Conclusão

A expressão e validação do luto nos blogs contribuem para o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento para lidar com estressores relacionados à perda.

Palavras-Chave: Luto; Internet; Blogs; Mães

Introdução

A cultura ocidental contemporânea oferece poucas alternativas de suporte ao processo de perda e elaboração do luto. Encontrar um espaço social que possibilite ao enlutado falar, vivenciar sentimentos e trocar experiências relacionadas à perda é essencial para o processo de enfrentamento do luto e para a restauração da vida após a perda. Durante a vivência de um luto, a dor e o sofrimento são intensos, expressos por de sentimentos como ansiedade, tristeza, medo, culpa, solidão e saudade que podem se manifestar de diversas formas e em tempos diferentes para cada pessoa, num processo dinâmico, individualizado e multidimensional. No entanto, os espaços sociais nem sempre estão receptivos a este processo, e esta realidade causa impacto direto na relação do enlutado consigo mesmo e com o mundo que o cerca. Lidar bem com o luto significa poder enfrentar os sentimentos evocados pela perda e a nova realidade que esta impõe, além de poder ter momentos de evitar a dor, voltando-se para a vida.(1)

Ao mesmo tempo em que o enlutado vivencia a dor e os sentimentos da perda, há a necessidade de reorganização da vida diante da ausência do ente falecido, numa vivência constante e cíclica de eventos estressores que desestabilizam o viver. Para que esta reorganização da vida seja possível, é importante que o enlutado encontre suporte que o auxilie na busca por estratégias de enfrentamento e adaptação à perda, caracterizada pela capacidade do enlutado em transitar entre os estressores do luto e a reorganização e restabelecimento da própria vida, em um processo contínuo, denominado como Modelo do Processo Dual.(2) Este Modelo é considerado um valioso instrumento para a compreensão do enfrentamento do processo de luto e a construção de significado da perda, na medida em que permite sua elaboração, utilizando-se, quando necessário, dos recursos defensivos para focar em tarefas cotidianas.(2)

Um dos espaços sociais disponíveis para a expressão do luto na sociedade ocidental contemporânea é o espaço virtual ou ciberespaço, que agrega pessoas on e offline a partir de interesses em comum. O ciberespaço pode contribuir para a construção de laços afetivos que, uma vez consolidados, podem oferecer suporte social. A internet pode criar uma sensação de intimidade por meio da condição de anonimato, levando as pessoas a partilharem uma experiências de suas vidas, podendo interferir, pela força do agrupamento virtual, nos rumos das pesquisas sobre uma determinada doença, assim como nas políticas públicas criadas.(3) Sob esta ótica, a expressão do luto tem sido muito compartilhada e manifestada em diferentes ambientes virtuais, em especial nas redes sociais e em blogs. Os blogs são compreendidos como comunidades virtuais que agregam pessoas, assuntos e interesses comuns em rede.(4) Particularmente, os blogs temáticos sobre luto, por serem espaços públicos, acessíveis a quem interessar sobre o tema pode constituir-se como espaço de desmistificação de temas considerados tabus sociais como a morte e o morrer. A literatura especializada no assunto tem identificado o ciberespaço como oportunidade de manifestação de pêsames, de elaboração de obituário e perfis de pessoas mortas como espaços importantes e necessários para a expressão e elaboração do luto e suas repercussões.(5,6)

Neste contexto, o espaço virtual pode suscitar reflexões relacionadas ao apoio e suporte tanto às equipes de assistência, em contato constante com a perda, quanto aos enlutados, a partir da compreensão da (re)estruturação da vida após a perda de alguém com quem se estabeleceu um vínculo significativo. Um recente levantamento realizado pelos autores desta pesquisa identificou que maioria dos blogs disponíveis sobre este tema é de autoria de mães enlutadas, e se reportam exclusivamente ao luto vivenciado pela perda de um filho(a). A perda de um filho é uma experiência que jamais será superada, no entanto o sentimento se modifica com o passar dos anos à medida que a mãe encontra meios para lidar com a ausência do filho. Com a perda de um filho as mães podem não atribuir mais sentido à vida e vivenciar experiências como a vontade de morrer. Esses sentimentos nem sempre implicam em um luto patológico. Essa realidade precisa ser compreendida e aceita pelo entorno do enlutado, pois está relacionada à nova realidade. O luto materno deve ser respeitado contemplando as necessidades e limitações vivenciadas frente à perda, independentemente das cobranças e exigências sociais.(7)

Este estudo pretende compreender as motivações de mães enlutadas para a criação e existência de um blog sobre a perda de um filho, e de como esta experiência relaciona-se ao processo de luto. Acredita-se que o um aprofundamento neste tema possa subsidiar a implementação de estratégias de atenção junto às pessoas frente ao processo de morte e morrer, além de contribuir para a qualificação de profissionais de enfermagem e demais áreas da saúde para o apoio e suporte aos enlutados, e também para com a desmistificação do tema. Explorar a motivação de mães enlutadas para a criação de blogs temáticos sobre a perda do filho.

Métodos

Pesquisa qualitativa, que se utilizou da Etnografia Virtual como método de investigação.(8,9) A coleta de dados ocorreu a partir da inserção e imersão do pesquisador no ambiente virtual, tendo como foco inicial a expressão do luto em blogs temáticos.

A etnografia virtual reúne técnicas que permitem a instrumentalização do pesquisador no trabalho de observação e viabiliza o contato intrasubjetivo com o objeto de estudo, a partir de sua inserção na comunidade a ser pesquisada,(10) neste caso, o ambiente virtual, especificamente weblogs.

A seleção dos participantes ocorreu por meio de busca eletrônica via Google*, utilizando-se os unitermos blog e luto. Também foi utilizada a técnica Bola-de-Neve, isto significa um blog referenciar outro como seguidor/seguido.

Dentre 48 blogs identificados inicialmente, 40 eram de autoria de mães, reportando-se sobre o processo de luto vivenciado após a perda de um filho, justificando-se assim a motivação a realização desta pesquisa. Os critérios de inclusão foram: blogs temáticos sobre a perda de um filho, cujo a autora fosse a mãe, em língua portuguesa. Os dados foram coletados no ambiente virtual, especificamente no sitio eletrônico de cada blog, unicamente a partir da ficha de identificação, produzida pela autoria quando do início do processo de criação e registro do blog. Estas informações são requisitos para registros de blogs nas plataformas virtuais de hospedagem para este fim, e se referem interesses e motivações do autor para a criação do blog. Para esta pesquisa não foram utilizados dados relacionados às interações virtuais entre autor e audiência do blog.

Esta pesquisa foi submetida à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa em Enfermagem da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo-USP/SP, conforme Resolução 466/2012. Mediante aprovação, consta no Sistema Nacional de Ética em Pesquisa (SISNEP), através do protocolo nº 1088/2011.

De acordo com as diretrizes do Ethical decision-making research: Recommendations from the aoir ethics working committee, blogs são espaços virtuais classificados como dados abertos ao público, isso significa que estão disponíveis a todos, sem controle de privacidade dos dados.(11) Cabe destacar que independentemente dos dados estarem publicamente disponíveis nos respectivos blogs como informações abertas, cuidou-se para preservar procedimentos éticos relacionados à garantia de proteção da privacidade e sigilo das informações, de forma a não identificar dados de autoria e identidade real das participantes da pesquisa. Os dados foram analisados segundo a análise narrativa, compreendida como “um texto falado ou escrito, dando conta de um evento/ação ou série de eventos/ações, cronologicamente ligados”.(12) Para fins de análise dos dados utilizou-se como referencial teórico o Modelo do Processo Dual(2-15)e a sistematização das narrativas em categorias temáticas.(11)

Resultados

As narrativas analisadas expressam reflexões da autora do blog consigo mesma, com o filho falecido e com seu respectivo público de audiência. Narrativas estas pautadas na tentativa de buscar e construir sentido para a perda, algumas vezes subsidiadas por crenças e valores religiosos. Os dados dos blogs e respectivas autoras serão identificados pela letra B do alfabeto, correspondendo à palavra blog, seguida do respectivo número de identificação. A seguir, apresentamos as categorias temáticas:

Compartilhar a experiência da perda e do desafio de seguir em frente

Esta categoria expressa o interesse da mãe em narrar à história da perda, compartilhar momentos difíceis e os desafios em seguir em frente.

“Este blog, é sobre meu anjo, sobre minhas perdas e como conseguir seguir em frente, vivendo dia a dia é que estarei compartilhando com vocês neste blog, sejam todos muito bem vindos.” B2

“O blog foi criado por intuito de compartilhar o momento mais difícil de minha vida a perda de uma filha amada e esperada ela se chama L. um anjo lindo que Deus me enviou”.B4

Há um interesse em buscar alternativas que possam amenizar a dor e o sofrimento decorrentes da perda, especialmente em relação à necessidade de compartilhar experiência, expressar emoções e sentimentos.

“Venho através deste blog revelar a história das minhas gestações. Tive meu sonho interrompido duas vezes e posso afirmar que só mesmo quem passa pelo que eu passei é capaz de saber como é esse sofrimento.” B9

Criar rede de relacionamento para apoio, conforto e suporte a outros enlutados

Esta categoria expressa um convite da mãe para a formação de uma rede de relacionamento e pela busca de novas amizades, a fim de compartilhar a experiência de perder um filho, assim como legitimar o blog como um espaço de apoio, conforto e encorajamento a outros enlutados.

“....este blog trará amor para um coração que sofre. Destinado a todas as pessoas que sofrem por ter perdido um ente querido, para transformar sua dor em amor.” B2

A criação do blog demonstra a busca por um espaço onde se possa expressar a dor e o sofrimento, também há a busca aproximação das pessoas que viveram situações semelhantes.

Blog dedicado a todos os pais e mães que sofrem a maior dor que um ser humano pode sentir: a perda de um filho. Por isso criei o blog, para desabafar e também ler o que todas as mães que passam por essa dor têm a dizer...Assim não nos sentimos tão sozinhas ...” B6

“É muito importante compartilharmos nossas histórias, quem sabe assim possamos nos ajudar a suportar um pouco mais essa angústia”. B9

Garantir espaço de refúgio para a expressão de sentimentos, emoções e superação da perda

Esta categoria demonstra o interesse da mãe em validar o blog como um espaço para a expressão de emoções, sentimentos e crenças. Neste espaço também são manifestadas crenças e valores em relação à vida e morte.

“Esse cantinho é meu refúgio nos momentos de desespero”. B4

“Perder um filho é muito difícil perder duas então este é o meu caso, eu perdi duas bebes, hoje carrego no peito uma dor enorme e neste blog deposito meu amor e saudade por elas sejam bem vindos... B3

As mães utilizam os blogs como forma de validar sua dor e o sofrimento mediante a perda e o processo de luto.

“....Falar deles, olhar fotos, escutar suas músicas preferidas sabemos que é dolorido, mas tudo isso os mantém perto de nós... Mas acima de tudo Orar por eles. Sempre. Entregá-los nas mãos de Deus, sabendo que Ele como Pai bondoso que é não deixa um só filho sem amparo.” B31

Homenagear e perpetuar a memória do filho(a) falecido(a)

Criar o blog para homenagear e perpetuar a memória do filho falecido é um interesse frequentemente relatado pelas mães. Aqui é comum o diálogo com o filho falecido, muitas vezes nomeado como: anjo de luz, anjo, princesa, estrela.

“Este Blog é dedicado a minha querida e amada filhinha “M.” que partiu no dia 21 de abril de 2011 com apenas 04 anos e 10 meses. Filha amada, você pediu asas a Deus e ele lhe transformou em um anjo.” B22

O conteúdo postado nos blogs ficará eternizado no ciberespaço, a mãe busca perpetuar a memória do filho falecido.

“Criei este blog para homenageá-la, pois meu maior desejo é manter sempre viva a imagem e a memória da minha filhota! T. minha filha, te amo, nosso amor jamais terá fim, a separação é apenas momentânea. Aguardo ansiosa o dia do nosso encontro... Agora no Céu T. é uma Estrela”. B24

Ativismo social

As situações destacadas nesta categoria justificam o interesse da mãe em criar o blog em função de ativismo social. Nestes casos, o blog tem um propósito social, em prol de mudanças nas políticas públicas brasileiras, como ampliação de leitos de unidade de terapia intensiva neonatal e contra a violência social.

“O meu sonho é que com as mãos dadas possamos buscar soluções e dar um freio na violência (...) não ficarmos mais no anonimato, mas quebrarmos o silêncio, encontrando-nos nesse espaço. As famílias se revoltam e tomam atitudes que não contribuem à paz, mas gerando vingança. Desejo uma atitude não-violenta! (...) Temos que nos unir apoiando outras pessoas que passem pelo mesmo sofrimento.” B1

As mães expressam a indignação com a violência e buscam uma união de forças em prol de melhorias no sistema de saúde.

“A meta de todo esse trabalho é tentar mudar alguma coisa na saúde desse Brasil, é tentar ajudar outros bebês que irão precisar de leitos de UTI, é tentar dar algum consolo sabemos que é difícil mas temos que tentar não é, contamos com você.” B5

Discussão

A perda de um filho é apontada na literatura como uma perda essencialmente dolorosa, tendendo a ser um processo de difícil elaboração.(14)A análise das narrativas das mães conduz a uma compreensão do processo de enfrentamento da perda do filho a partir da expressão do luto em ambiente particularmente em blogs.

Lidar com a perda diz respeito a processos, estratégias ou estilos de gestão vivenciados individualmente para cada um dos enlutados, buscando adaptar-se ao luto.(16) As orientações referentes ao luto refletem por um lado a resposta a estressores que emergem com a perda: estressores da própria perda, da quebra dos laços com o ente querido, e por outro lado, estressores ligados ao restabelecimento, à resposta aos desafios para prosseguir a sua vida individual sem o ente querido. Cada indivíduo escolhe confrontar-se ou evitar esses estressores de perda e de restabelecimento, o que leva a que seja interessante à proposta do conceito de oscilação.(15,16)

Neste contexto o processo de enfrentamento e de adaptação ao luto das mães participantes em momentos foi orientado para a perda, e em momentos foi orientado para a restauração.

A orientação para a perda refere-se a lidar com a perda em si, concentrando-se nela e trabalhando algum de seus aspectos, especialmente relacionados à pessoa falecida, havendo necessidade de recolocação dos laços afetivos, focando-se nas circunstâncias da morte.(2,16) Neste caso as categorias: Compartilhar experiências da perda e do luto em relação ao desafio para seguir em frente; Homenagear e perpetuar a memória e imagem do filho(a) perdido; Garantir espaço de refúgio para a expressão de sentimentos e emoções e superação da perda, sugerem um movimento voltado para as circunstâncias da morte, da perda em si, trabalhando com questões relacionadas a pessoa falecida, havendo necessidade e buscar realocação dos laços afetivos.

A orientação para a restauração inclui dar conta das tarefas, reorganizar a vida e desenvolver novas identidades. Refere-se às consequências secundárias à perda que constituem fontes de estresse com as quais a pessoa enlutada necessita de lidar, bem como à definição de formas de como o fazer.(16)

Compartilhar experiências da perda e do luto e do desafio para seguir em frente; criar rede de relacionamentos para a expressão de sentimentos e emoções e superação da perda e ativismo social sugerem a necessidade de mães enlutada reorganizar a vida apesar da perda, dar conta das tarefas e desenvolver nova identidade e papel social após o falecimento do filho.

A oscilação é um processo regulatório, dinâmico, fundamental para o enfrentamento adaptativo, de alternância entre enfrentamento voltado para a perda e orientado para a restauração e não-enfrentamento. Também é possível confrontar e evitar as tarefas de restauração.(2)

A análise das categorias sugere que a criação de um blog sobre a perda de um filho auxilia a vivência deste movimento oscilatório com a finalidade de adaptação ao luto, com alternância de enfrentamento voltado para a perda e orientado para a restauração, num processo regulatório e dinâmico.

Isso significa que em um momento a pessoa enlutada confrontará algum aspecto da perda, em outro evitará memórias tentando retomar a vida. Esta oscilação é um processo necessário e muito possivelmente um dos melhores indicadores do enfretamento positivo da experiência do luto.(17)

Considerando-se os resultados apresentados entende-se que a criação e existência de um blog sobre a perda do filho tende a permitir a vivência do luto possibilitando a mãe uma continua busca da internalização da relação perdida e reconstrução da vida e das relações sociais apesar da perda. Entre as limitações encontradas neste estudo, houve carência de dados na ficha de identificação contida nos blogs, não sendo possível a identificação de dados de caracterização das mães, da compreensão da história da perda e das circunstâncias da morte. Este fato motivou a realização de um estudo posterior que tem por objetivo a compreensão da história da perda, a vivência do processo de enfrentamento do luto pelas mães enlutadas e a busca de sentido e significado na perda.

Conclusão

O estudo aponta para um movimento das mães autoras em definir estratégias de enfrentamento para lidar com os estressores relacionados à perda do filho(a) através da criação e manutenção do blog temático. Os resultados encontrados poderão contribuir para com a qualificação de profissionais de enfermagem e equipe multiprofissional em relação à compreensão do processo de morte e morrer, potencializando o cuidado a pessoa em situação de luto, especialmente nas áreas Cuidados Paliativos, Luto e Tanatologia. Este estudo poderá instrumentalizar a sociedade para o apoio e suporte aos enlutados, contribuir para a desmistificação do tema e para o desenvolvimento de novas pesquisas. Além disso, auxilia a compreensão sobre o uso das novas tecnologias de comunicação e informação como estratégia de enfrentamento do luto.

Referências

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Recebido: 6 de Junho de 2016; Aceito: 6 de Abril de 2017

Autor correspondente: Heloisa Cristina Figueiredo Frizzo Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 419, 05403-000, São Paulo, SP, Brasil. heloisa.frizzo@yahoo.com.br

Conflitos de interesse: não há conflitos de interesse a declarar.

Colaborações

Frizzo HCF, Bousso RS, Ichikawa CRF e Sá NN declaram que contribuíram com a concepção do projeto, análise e interpretação dos dados, revisão crítica relevante do conteúdo intelectual e aprovação da versão final a ser publicada.

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