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Acta Paulista de Enfermagem

On-line version ISSN 1982-0194

Acta paul. enferm. vol.30 no.6 São Paulo Nov./Dec. 2017

https://doi.org/10.1590/1982-0194201700084 

Artigos Originais

Recursos de disciplinarização na enfermagem: um estudo histórico e foucaultiano

Deybson Borba de Almeida1 

Gilberto Tadeu Reis da Silva2 

Genival Fernandes de Freitas3 

Flávia Regina Souza Ramos4 

Gelson Luiz de Albuquerque4 

Igor Ferreira Borba de Almeida2 

Rosana Maria de Oliveira Silva2 

Álvaro Pereira2 

1Universidade Estadual de Feira de Santana, Feira de Santana, BA, Brasil.

2Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA, Brasil.

3Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

4Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil.


Resumo

Objetivo:

Analisar recursos de disciplinarização na Enfermagem com base nas histórias de vida de enfermeiras militantes.

Métodos:

Pesquisa histórica, de abordagem qualitativa, realizada com enfermeiras que militam por questões profissionais. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas, organizados com auxílio do software NVivo 10 e analisados com base na hermenêutica dialética.

Resultados:

identificados os seguintes recursos de disciplinarização: a religiosidade, o gênero e as estratégias de vigilância, coação e punição.

Conclusão:

Tais recursos compõem uma estrutura panóptica e são utilizados para dominação e manutenção da subalternidade por parte de enfermeiras desde o processo formativo até o mercado de trabalho. Por fim, este estudo aponta para necessidade de rever a formação em Enfermagem, bem como as práticas pedagógicas, de modo a favorecer a formação e atuação efetivamente críticas, reflexivas e emancipatórias.

Descritores Enfermagem; Política; Liderança; História da enfermagem; Educação em enfermagem

Abstract

Objective:

To analyze disciplinary resources in nursing based on the life histories of militant nurses.

Methods:

Historical research, using a qualitative approach, that was conducted with nurses who militate for professional reasons. Data were collected using semi-structured interviews, organized using NVivo 10 software, and analyzed based on dialectical hermeneutics.

Results:

The following disciplinary resources were identified: religiosity, gender, surveillance, coercion, and punishment strategies.

Conclusion:

These resources constitute a panoptic structure, and are used for domination and maintenance of the subaltern role of nurses, beginning in the educational process and moving into the labor market. Finally, this study indicates the need to review nursing education, as well as pedagogical practices, in order to favor professional formation and actions that are effectively critical, reflexive, and emancipatory.

Keywords Nursing; Politics; Leadership; History of nursing; Education; nursing

Introdução

A Enfermagem é compreendida como uma ação ou uma atividade realizada predominantemente por mulheres que precisam dela para reproduzir a sua própria existência, utilizam de um saber advindo de outras ciências e de uma síntese produzida por ela própria para apreender seu objeto de trabalho, naquilo que interessa ao campo do cuidado de Enfermagem, objetivando atender às necessidades sociais e de saúde da população brasileira, guardando, portanto, intrínseca relação com a dimensão política e seus processos sociais.(1)

Nesse sentido, os autores desse estudo optaram por tratar a profissão no feminino, utilizando os termos enfermeiras e enfermeira, considerando que de modo majoritário, falamos de mulheres que exercem uma profissão.

Compreendemos que a essa área de saber tem estreita relação com o tema da política e dos processos sociais. Esta área do saber está cingida pela divisão técnica e social do trabalho, tanto na perspectiva vertical como na horizontal, por questões sociopolíticas, resultante de questões conflitivas que emergem cotidianamente na Enfermagem entre médicos e enfermeiras, enfermeiras e pacientes, enfermeiras e técnicos ou auxiliares de Enfermagem e técnicos e auxiliares entre si.(2)

Portanto, discutir sobre os recursos disciplinares e de poder utilizados para manter uma histórica postura submissa e abnegada por parte de enfermeiras é importante promover a reflexão sobre projetos emancipatórios para o exercício da profissão.

A formação disciplinar na educação das enfermeiras pode permitir sua submissão e (im)possibilidades de contrapoder no exercício de uma profissão eminentemente feminina. E o entendimento parcial sobre relações de poder na formação colabora com a reprodução de profissionais submissas.(3)

A análise retrospectiva de aspectos da profissão também possibilita identificar marcas da religião, do gênero e das questões sociais que influenciaram e ainda interferem sobremaneira na prática destes profissionais. Tais conceitos podem ser observados no próprio juramento de Enfermeiras elaborado por Florence Nightingale e ainda utilizado atualmente: “Juro dedicar minha vida profissional a serviço da humanidade, respeitando a dignidade e os direitos da pessoa humana, exercendo a Enfermagem com consciência e dedicação, guardando sem desfalecimento os segredos que me forem confiados. Respeitando a vida desde a concepção até a morte, não participando voluntariamente de atos que coloquem em risco a integridade física e psíquica do ser humano, mantendo elevados os ideais da minha profissão, obedecendo aos preceitos da ética e da moral, preservando sua honra, seu prestígio e suas tradições (Juramento de formatura em Enfermagem)”.

No juramento ritualístico que demarca a entrada na profissão, as expressões de Florence Nightingale, ainda hoje são usadas para caracterizar o compromisso da Enfermagem, como dedicação, guardar os segredos sem desfalecer, obedecer, preservar a honra e suas tradições, ao mesmo tempo em que se observam conceitos fortemente ligados a uma prática consciente, humanística e ética.

Autores assinalam que um juramento reveste-se de significado por consagrar a tradição e exercitar o poder simbólico institucional por meio da intencionalidade da palavra, tornando visíveis e explicitadas as divisões sociais impostas pelo poder. Por meio dele, se expressa o estatuto de permanência para se organizar como grupo estabelecido. Assim, por exemplo, a cruz é um dos símbolos mais recorrentes da Enfermagem, como uma assinatura imagética das escolas de Enfermagem no início do século passado, com o propósito de destacar a profissionalização e evidenciar a influência religiosa sobre esta carreira.(4)

Por reconhecer raízes e limites históricos é que se justifica o interesse sobre militância política e relações de poder na profissão. Além disso, são identificadas lacunas de conhecimento, como demonstra pesquisa na base da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS): a busca pelo termo Militância Política aponta 53 estudos; com o termo Enfermagem apenas um estudo sobre o movimento estudantil é encontrado e, quando combinados com os termos enfermeiro e enfermeira, ou utilizadas as expressões engajamento político e ativismo não há qualquer produção.

Diante da constatação de uma lacuna de publicações sobre as lutas e o poder na profissão - poder político ou militância - adotou-se neste estudo a seguinte questão norteadora: quais os recursos utilizados para o assujeitamento na enfermagem? Objetivou-se analisar os recursos de disciplinarização na enfermagem com base nas histórias de vida de enfermeiras militantes.

Como sustentação teórica o estudo se baseia na compreensão foucaultiana de poder e na expressão de princípios disciplinares materializados em um desenho arquitetônico conhecido como Panóptico de Bentham. Michel Foucault (MF) assume essa figura arquitetural como marca da disciplinarização proposta em prisões, mas aplicada de forma expansiva em diferentes instituições e práticas sociais, com vistas à vigilância oculta e o adestramento dos corpos.(5)

A própria compreensão sobre poder se diferencia em Foucault, na medida em que este só existe em ação, é exercido; não é algo que se possui ou detêm, tampouco é algo fixo, mas é relação de forças em múltiplas capilaridades, que reprime a natureza, os indivíduos, os instintos e classes. Sua análise não se dá sob uma perspectiva teórica e contratual, mas em termos de combate e confronto.(6)

O poder revela-se como a forma por meio da qual, em nossa cultura, os seres humanos tornam-se sujeitos. Há, resumidamente, três modos de objetivação que operam esta transformação: o primeiro é determinado pelo saber, o segundo está representado nas práticas de dominação/libertação dos sujeitos, e o terceiro é o modo pelo qual um ser humano se torna sujeito-ético.(5) Assim, a análise dos recursos de assujeitamento está centrada nas práticas de dominação.

Métodos

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal da Bahia/Escola de Enfermagem, sob protocolo CAEE n. 28775614.2.0000.5531e seguiu os preceitos éticos estipulados pela resolução que trata da pesquisa envolvendo seres humanos. As entrevistadas foram identificadas como Rosa dos Ventos, seguido de números cardinais.

Foi utilizado o método da história oral, definida como uma abordagem qualitativa que exige um procedimento organizado e rígido de investigação capaz de garantir a obtenção de resultados válidos e cuja essencial atenção reside nas entrevistas. Trata-se de um método reconhecido para estabelecer relações de maior qualidade e profundidade entre o pesquisador e os participantes do estudo, sendo que, nesta pesquisa, objetivou-se revelar as narrações como ferramentas de vê-las em si, que se configuram no tipo biográfico.(7)

A história oral é uma possibilidade de aproximação empírica com significados históricos, permitindo analisar criticamente a aplicação de teorias macrossociológicas sobre o passado.(8)

O cenário do estudo foi o estado da Bahia, região Nordeste do Brasil, onde atuam cerca de 17 mil auxiliares de enfermagem, 60 mil técnicos de enfermagem e 27 mil enfermeiros, totalizando mais de 104 mil profissionais.(9)

Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas realizadas com enfermeiras militantes, as reconhecidas de modo oficial através do exercício do cargo de presidente da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) e do Sindicato dos Enfermeiros do Estado da Bahia (SEEB) e as reconhecidas socialmente, que apesar de não assumirem cargos condução de entidades representativas através dos critérios de inclusão: ser enfermeira, militar por questões políticas específicas da profissão, bem como, pela valorização, visibilidade, respeito e reconhecimento profissional, por um período de, no mínimo um ano, de forma sistemática, regular e reconhecida socialmente, devendo abranger o período da década de 80, assumir e participar de movimentos e mobilizações sociais e públicos na Enfermagem, foram inseridas entre as colaboradoras do estudo.

Na pesquisa histórica precisamos compreender a centralidade dos sujeitos que vivenciaram os fatos, bem como, possibilitar às interpretações dos fenômenos a partir da diversidade dos agentes que viveram os acontecimentos. Por isso, optamos por abranger militantes reconhecidas como dirigentes de entidades, mas também aquelas que foram socialmente reconhecidas sem exercer o cargo de direção.

Para tanto, foi utilizada a técnica bola de neve, pela qual os primeiros participantes contatados sao as sementes, no caso, as presidentes das duas entidades referidas, com cargos assumidos a partir da década de 80. Em segundo momento as sementes indicaram filhas, de acordo com os critérios destacados acima.

Das 14 profissionais convidadas 12 participaram do estudo, sendo cinco ex-ocupantes do cargo de presidente (ABEn-Bahia ou SEEB) e sete indicadas pela técnica bola de neve. Neste grupo apenas havia um homem, mas por questões de gênero o grupo é tratado como enfermeiras.

As entrevistas foram conduzidas no período de julho a dezembro de 2015, por profissional treinado, tendo duração média de 2 horas e 55 minutos e sendo gravadas e transcritas na íntegra Ocorreram individualmente, em ambiente privativo, a partir de roteiro de quatro blocos: questões sociodemográficas; militância política na enfermagem; processo de eleição dos representantes formais da enfermagem; e história de vida do sujeito militante.

Para análise dos dados utilizou-se o método da Hermenêutica Dialética baseado na Sociologia Compreensiva, que contém dois aspectos fulcrais: a teoria da experiência e a da reconstrução. Buscou-se a experiência de militantes políticas da enfermagem na construção do fenômeno.(10)

Do ponto de vista operacional, ao analisar os dados foram consideradas as seguintes etapas: 1- nível das determinações fundamentais (fase exploratória do contexto sócio-histórico do grupo social, fundamental em estudos foucaultianos); 2- ordenação dos dados (sistematização das histórias de vida das militantes); 3- classificação dos dados (construção e questionamentos dos dados); 4- análise final (articulação entre dados referencial teórico) retomando os fundamentos, questões e objetivos formulados.(11)

Na etapa de ordenação dos dados, recorreu-se ao software NVivo 10 for Windows, para organizar trechos das falas por núcleos de sentidos. Este programa é amplamente utilizado em pesquisas em saúde de abordagem qualitativa, inclusive em outras áreas, como a Antropologia, e em diversos países, a exemplo da Austrália e do Reino Unido.

Do confronto das possibilidades apontadas no software NVivo com o referencial téorico-filosófico do estudo foram construídas categorias e suas respectivas subcategorias e sínteses verticais e horizontais.

As sínteses horizontais são as convergências, divergências, complementaridades e diferenças das falas das entrevistadas sendo que as sínteses verticais representam a análise individualizada do discurso em si, abrangendo todas as subcategorias de análise.(12)

Após pré-análise, adotou-se o modo de objetivação das práticas de dominação e libertação reveladas no cotidiano das militantes, o que tornou imprescindível discutir módulos conceituais-chaves, disciplinas e técnicas de disciplinarização que confluem para a alienação e, em outro módulo, para práticas de libertação.(6)

Resultados

As principais categorias analíticas foram organizadas de modo a expressar os recursos da religiosidade, de gênero e de vigilância, coação e punição, conforme síntese e excertos selecionados nas quadros 1, 2 e 3.

Quadro 1 Recursos da religiosidade na história de vida de enfermeiras militantes 

Corpus Síntese Hermenêutica
[…] Se alguém chegasse ao serviço teria a enfermeira que ficar de pé. Você não chamava uma professora pelo nome. […] No ônibus era a mesma coisa, o professor sentava nas primeiras cadeiras, e a gente sentava no meio pro fim. […] A professora era capaz de não entrar no elevador se ela não fosse a primeira. […] a Escola de Enfermagem tinha uma base muito religiosa […] ética na Escola de Enfermagem era preceito da religião. […] mas era sobre a vida de santo, eram coisas ligadas à religião católica. Levava padre pra fazer conferências nas aulas de ética. […] (Rosa dos Ventos 1). Recursos da Religiosidade
[…]me lembro de que na minha época que eu era estudante, eu fui censurada porque estava em pé, num ambiente de trabalho, um pouco encostada na parede […] na época que eu era estudante […] comentava assim que algumas enfermeiras se sentiam como o São Pedro, tinham uma penca de chave que estava na mão dela e que só ela poderia abrir, pegar, tirar aquele material e tal. […](Rosa dos Ventos 5).
[…] (a diretora) ela comprava, comprava as pessoas e fazia ameaças, comigo as ameaças eram assim: todas as vezes que […] a gente ia para reuniões com ela, ela começava a chorar, ela se fragilizava (Ela) […] comprava as pobres, ai ela comigo, por exemplo, ela começava a chorar, já pensou? A diretora da escola de Enfermagem na ditadura chorando, porque vocês estão fazendo isso comigo? […] Aí eu respondi, […]eu não estou aqui como sua amiga eu não gosto e nem desgosto da senhora, a questão não é pessoal eu estou aqui como presidente do diretório trazendo as reivindicações dos estudantes […] (Rosa dos Ventos 6).
[…] você não tem de se sentir uma criminosa em cobrar por cuidar de alguém […] a influência da igreja católica, onde a cobrança do trabalho das freiras se dava indiretamente, e o valor económico do trabalho da Enfermagem não era colocado, gerou uma categoria bastante submissa, acomodada, com momentos de militância esporádica. […] a questão religiosa […] trouxe vários problemas e citaria apenas dois: a submissão e a subalternidade, pois grande parte delas trabalhava por troca de residência e fazer o bem, não é por acaso que hoje tem os símbolos de anjos. […] (Rosa dos Ventos 10).
[…] [sobre a escolha das candidatas a presidente da Associação] as coisas eram mais ou menos assim: Olha, nós conversamos e nós achamos melhor que, nesse momento agora, não é você que é a presidente, aí, nós já temos a presidente deve ser fulana de tal (pausa), é mais tranquila, mais comedida[…] (Rosa dos Ventos 4).
[…] a escolha de quem ia pra diretoria era a escolha de alguém tinha uma madrinha […]se você entrar na diretoria vai ser bom. E assim a diretoria se formava. […] (Rosa dos Ventos 11).

Quadro 2 Recursos de gênero na história de vida de enfermeiras militantes 

Corpus Síntese Hermenêutica
[…]a diretora limpava a escola das pessoas indesejadas por ela, por exemplo, aos meninos ela oferecia cursos em medicina, odontologia, os poucos que apareciam […] só (um) que resistiu aqui […] (Rosa dos Ventos 6). Recursos do Gênero
[…] Somos cerca de mais de 80% de trabalhadoras mulheres no campo de trabalho em Enfermagem, como é que a gente não participa do movimento feminista? […] Historicamente, as mulheres foram desvalorizadas moralmente, socialmente e o seu trabalho desvalorizado economicamente. […] (Rosa dos Ventos 9).
[…] a Enfermagem se ampliou, hoje você tem os grupos de saúde da família, mesmo assim a enfermeira, tem seu papel lá preponderante é na saúde da família, mas o salário dela sempre é mais baixo […] é mais baixo porque ela é mulher e mais baixo também porque ela é enfermeira […] (Rosa dos Ventos 4).
[…]como sou gerente em minha casa, eu sou gerente dentro do hospital. Assim como eu obedeço meu marido, eu obedeço ao médico dentro da enfermaria, certo? Então a relação que eu tenho com paciente é meu filhinho, meu queridinho E os auxiliares e técnicos são os meus empregados […] Por que você tem na ABEn um monte de mulher e no conselho um monte de homem? Tá ligado ao dinheiro, tá ligado ao poder[…] (Rosa dos Ventos 10).
[…]então eu acho que a gente administrava a associação como se fôssemos uma administração doméstica, entendeu[…] (Rosa dos Ventos 2).

Quadro 3 Recursos da vigilância coação e punição na história de vida de enfermeiras militantes 

Corpus Síntese Hermenêutica
[…] porque se você pegar as comunicações da Enfermagem propriamente ditas, até da própria Revista Brasileira de Enfermagem, você vai ver que tem muitos trabalhos, era como se fosse assim, o Estado era um ente que você não podia dizer nada sobre ele, é um ente paternal, entendeu?! […] (Rosa dos Ventos 4).
[…] a assembleia de delegados (da ABEn) era um horror em termos de autoritarismo, de dificuldade das pessoas que não concordavam com o que estava sendo colocado falarem e se expressarem e tal. […] Basta dizer que tinha uma delegação cuja presidente regia a votação dos delegados do estado dela: ela levantava-se e girava com o dedo pra cima, então, todo mundo da delegação dela sabia que tinha que se levantar […] (Rosa dos Ventos 5).
Recursos de vigilância, coação e punição.
[…] Ocupava aqui o 7° andar do lado [as estudantes de Enfermagem que estavam com risco de prisão no momento da Ditadura Militar] […] a polícia rodeando a Escola pra nos pegar. […] então, nós ficamos em total silêncio, apagamos todas as luzes da escola, entendeu? E eu lembro que andávamos abaixadas […] tiramos alguns livros e documentos do movimento, que depois queimamos […] (Rosa dos Ventos 4).
[…] [fala como as professoras o via] eu era vista […] como comunista […] como pessoa, cupim ou nociva que contaminava o resto do grupo. […] a maioria dos professores, eram apenas técnicas, competentes, se diziam neutras politicamente, como se isto fosse possível. Sempre fui taxada de comunista como estudante e posteriormente como professora da Escola. Algumas coisas eu fui impedida de participar. […] vivenciei esta situação onde houve um recrudescimento da militância política […] um freio […] em face da situação de repressão, tortura e assassinato de alguns militantes (perdi amigos). Na Bahia foram presas algumas alunas da escola de Enfermagem […] [fala do assassinato de Edma e Marcos] lembro da reunião convocada pela ABEn-BA, em junho ou julho do ano que eles foram assassinados, para discutirmos a situação do Sistema. Participaram algumas lideranças nacionais. Edma e Marcos estavam presentes e nesta ocasião ele me disse que estava ameaçado de morte, logo em setembro, senão me engano, eles foram assassinados. […] a presidente do COFEN na época das denúncias teve em certos momentos segurança policial O congresso que nós fizemos em Santa Catarina, acredito que foi em 1999 tivemos que ter segurança policial, só íamos para o Congresso com a Polícia na frente, para a gente chegar até lá, com medo […] (Rosa dos Ventos 10).
[…] Outra coisa assim, tem a questão do horário de a gente chegar (refere-se a saídas da residência de Enfermagem pelas docentes) era de dar medo, a gente mentia, dizia que era todo final de semana que a gente saía era aniversário, inventava os aniversários na casa de fulano, na casa de beltrano porque não podia, aí tinha que chegar no horário. […] Nesse momento eu estava fazendo mestrado em São Paulo […], nós começamos a trabalhar […] que ABEn nós queríamos […] E nós ganhamos a eleição de São Paulo. E fizemos também muitas mudanças dentro de São Paulo, eu praticamente tive que sair do meu mestrado, eu fui convidada a voltar pra Salvador […] depois foi que eu fui indicada (novamente) pra ABEn Nacional […] eu já estava fazendo doutorado. Então, também fui chamada várias vezes, pela coordenadora do curso, […] sempre me hostilizando como uma pessoa que militava na ABEn como se fosse um crime. […] (Rosa dos Ventos 11).

Nesta categoria (Quadro 1) identifica-se o recurso da religiosidade com uma disciplina-mecanismo que abrange estratégias para o bom adestramento. Constituem alguns desses recursos utilizados nos processos regionais de disciplinarização de escolas, exércitos, prisões e hospitais: a distribuição dos indivíduos no espaço, o controle da atividade, a vigilância perpétua, a sanção normalizadora e o registro das observações, sendo as residências para estudantes de Enfermagem outro exemplo deste tipo de estratégia.(13)

Sob o ponto de vista conceitual, os procedimentos disciplinares interferem mais nos processos da atividade do que nos seus resultados. No assujeitamento constante das forças, tais procedimentos impõem uma reação de docilidade, sendo inicialmente aplicados em conventos, treinamento das forças armadas e nas prisões.(13)

Para outros autores, a religião ocupa um lugar privilegiado na história da Enfermagem brasileira, a ponto de ser porta-voz na formulação de um pensamento e na consolidação de atitudes que influenciam a formação e o exercício profissional de enfermeiras e auxiliares de enfermagem.(14)

Os enunciados discursivos de Rosa dos Ventos 1, 5, 6 e 10 apontam para vivências muito características da esfera religiosa, a hierarquia, o trabalho caritativo e a centralidade no controle dos comportamentos. Hábitos que nos remete a características de personalidade de uma freira e ou madre superiora, em alguns momentos e outros a uma política coercitiva, também existente nesses espaços.

Assim como ocorria com padres ou madres superioras da igreja católica, o professor deveria ser bem tratado, como hierarquicamente superior e diferente dos demais, visto que essa postura contribuía para manter ativos os recursos de um bom adestramento.

Os hospitais e as escolas foram tratados como campo fértil para difundir os ideais cristãos e uma forma eficiente para alcançar esta meta, era manter o controle tanto dos assistidos, quanto dos trabalhadores, bem como, a Enfermagem moderna, liderada por Florence Nightingale, foi calcada em pressupostos cristãos, onde o cuidar santificado, exercido por essas mulheres, fazia parte da identidade religiosa.(15)

O poder disciplinar é um poder que ao invés de se apropriar e de retirar, tem como objetivo maior, adestrar para retirar e se apropriar do outro, reduzindo suas forças, tomando-o ao mesmo tempo como objeto e como instrumento de seu exercício, através de instrumentos simples: o olhar hierárquico, a sanção normalizadora e o exame.(5)

Nota-se, portanto, que o poder disciplinar, visa à apropriação e adestramento do outro, reduzindo suas forças, tomando-o ao mesmo tempo como objeto e como instrumento de seu exercício, por meio de estratégias simples: o olhar hierárquico, a sanção normalizadora e o exame.(5)

Válido destacar que as vivências supracitadas ocorrem nos espaços de formação, a centralidade nos aspectos comportamentais, das regras morais e religiosas são consubstanciadas pelos achados destacados nos estudos foucaultianos, que defendem a tese da escola como um espaço de disciplinarização dos sujeitos.

Outro aspecto, revelado nas falas de rosa dos ventos 4 e 11, estão relacionados formação de chapas para presidente da associação, observa-se que havia uma análise do perfil, devendo ser uma pessoa tranquila e comedida, perfil muito característico de uma freira, e que estabelecesse boas relações com o grupo hegemônico, também característico dos ritos de indicação a madre superiora.

Quando analisadas as repercussões dessa formação na vida profissional das enfermeiras, pode-se compreender o efeito do processo de adestramento tanto nos aspectos históricos das residências para estudantes de Enfermagem quanto na atribuição de valor ao trabalho das enfermeiras, as quais demonstram constrangimento em cobrar por seu trabalho, e nas práticas profissionais centradas na moral, hierarquia e vigilância.

Esses achados confluem para o entendimento das implicações religiosas na dimensão política da enfermeira, uma vez que são vistas como anjos que não possuem poder próprio e sim delegado. Evidenciam-se relações baseadas na hierarquia e na submissão, que se expressam na divisão social e técnica do trabalho, aspecto que será discutido em outra subcategoria.(14)

Neste bloco de resultados (Quadro 2), destacamos os recursos vinculados ao gênero, aqui entendido como uma construção histórica, plural, permeada por delimitações social e historicamente construídas sobre o feminino e o masculino. A ideia de pluralidade implicaria admitir não apenas que sociedades diferentes teriam distintas concepções de homem e mulher, como também que, no interior de uma sociedade, tais concepções seriam diversificadas, conforme a classe, a religião, a raça, a idade e os outros.(15)

A fala de Rosa dos Ventos 6 expressa o perfil predominantemente feminino da Escola de Enfermagem, sendo que a seleção era essencialmente dirigida a mulheres; os homens, quando insistiam e conseguiam aprovação no vestibular, eram convidados para outros cursos, sobretudo odontologia e medicina.

Outro estudo assinala que as atividades inicialmente mantidas sob a responsabilidade de enfermeiras ficaram historicamente caracterizadas como um trabalho a ser executado apenas por elas, sob diversos argumentos: impulso natural da mulher, relacionado ao instinto materno, que teria maior preocupação com a conservação da espécie.(16) Tal relação constitui, na verdade, uma construção histórico-social, pela qual o cuidar de pessoas foi destinado à mulher porque acreditava-se ser desnecessário aprendizado para exercê-la. Assim, serviu para ocupar as mulheres com tarefas consideradas de menor valor social, tidas como subsidiárias do homem, caracterizando a desqualificação do feminino.

As religiosas desempenharam um importante papel na formação de mão de obra feminina, pois nos famosos internatos do século XIX as mulheres trabalhavam sob seu controle, e estas eram especialmente formadas para exercer a disciplina fabril.(12) Sob esta perspectiva, considerando-se a influência religiosa e o papel social da mulher da época, observa-se que o trabalho em Enfermagem foi idealizado para ser feminino, submisso, vocacionado, desprovido de valor social e voluntário.

Quanto ao escopo de trabalho das enfermeiras, as falas de rosa dos ventos 4 e 9 retratam a frágil valorização social do trabalho feminino e de Enfermagem. Já os relatos das Rosas dos Ventos 2 e 10 retrataram o modo como as enfermeiras desenvolviam seu papel, baseado no desenvolvido na esfera doméstica, seja no hospital ou na associação, o que revela uma postura retroalimentada: o que esperam que eu faça e o que eu faço.

Estudo aponta que retrata que as atividades expectadas para a responsabilidade de enfermeiras, ficou tida como trabalho de mulheres, entre vários argumentos, decorrente de um impulso da mulher que se identifica com instinto materno, com instinto de conservação da espécie, até nos animais irracionais.**

Consequentemente, do ponto de vista político, a Enfermagem apresenta algumas limitações, dentre as quais: o conflito entre duas perspectivas na formação de enfermeiras - uma vinculada ao ideário de preparar profissionais submissos para o exercício profissional e outra no sentido de favorecer uma nova cultura na profissão, a de uma classe trabalhadora da Enfermagem que foi duramente expropriada da consciência de classe participativa, militante, necessária ao enfrentamento do mercado de trabalho, o trabalhador coletivo da Enfermagem como uma forma encontrada pelo capitalismo para manter os salários da força de trabalho em baixos níveis e a segregação feminina na Enfermagem como um fato histórico, muito bem utilizado pelo capitalismo para manter os salários da força de trabalho nesta área em baixos níveis, na educação da mulher e, por extensão, das trabalhadoras da Enfermagem, propaga-se a ideologia de que a enfermeira deve ser alguém disciplinada, obediente, que não exerça crítica social, mas que console e socorra as vítimas da sociedade.(17)

Esses destaques, apesar da sua mutiplicidade ficam estruturados ao entorno da concepção social de ser mulher, do valor do seu trabalho, demonstrando as determinações que expropriam a militância ou engajamento político da formação e da identidade social da enfermeira.

Tais limitações encerram as intencionalidades do por que a Enfermagem nasce determinada para ser feminina, com eminência prática, sobretudo coletiva, vinculada determinantes sociais e econômicos que definem a divisão social e técnica do trabalho em Enfermagem.

Por fim, retomando a ideia de sujeito, com vistas ao pensamento foucaultiano, existem três modos de objetivação que transformam os seres humanos em sujeitos: o primeiro é o modo da investigação, que tenta atingir o estatuto de ciência. O segundo a objetivação do sujeito nas práticas divisórias e o terceiro, o modo pelo qual um ser humano torna-se sujeito. (18)

Do mesmo modo que as práticas definem a enfermeira, a atuação e a participação política das enfermeiras podem redefinir suas práticas, basta que as mesmas se tornem e se reconheçam sujeitos da profissão que escolheram e para tanto, é necessário uma formação política, crítica e reflexiva para operar os processos de decisão.

Outra categoria (Quadro 3) revelada neste estudo foi a dos recursos de vigilância, coação e punição, representados no arcabouço teórico foucaultiano como dispositivos disciplinares, presentes nos discursos de Rosa dos Ventos 5, 4,10, 11 onde fica explicitado as práticas existentes nos espaços de formação em graduação e pós-graduação, na ABEn e COREN da época, entidade de representação política da profissão.

O enunciado discursivo de Rosa dos Ventos 4 e 5, quando trata da coação dos sujeitos que participavam da ABEn é também descrito nos estudos foucaultianos, quando aponta que o panoptismo difundido em toda parte faz funcionar, ao arrepio do direito, uma maquinaria ao mesmo tempo imensa e minúscula que sustenta, reforça, multiplica a assimetria dos poderes e torna vãos os limites que lhe foram traçados. As disciplinas ínfimas, os panoptismos de todos os dias, podem muito bem, estar abaixo do nível de emergência dos grandes aparelhos e das grandes lutas políticas. (19)

Ja o recurso do medo é exemplificado nos discursos de Rosa dos Ventos 4, 10 e 11, abordado espaços de formação de graduação ao nível de pòs-graduaçâo, reforçando a tese central do estudo que os espaços formativos, muitas vezes, são inibidores de militância política.

Nesta direção, Foucault exemplifica a penitenciaria como espaço de múltiplas funções para exercer vigilância, controle automático, confinamento, solidão, trabalho forçado e instrução através da gestão do medo. Podemos então falar, em suma, da formação de uma sociedade disciplinar, nesse movimento que vai das disciplinas fechadas, espécie de “quarentena” social, até o mecanismo indefinidamente generalizável do panoptismo, podendo ser as Residências para estudantes dos cursos de graduação em Enfermagem uma possibilidade panoptica.(19)

Outro recurso desvelado na fala de Rosa dos Ventos 4, é sobre a ditadura militar e como foi a instauração do medo e da coação dos sujeitos no movimento estudantil da época, podendo ter gerado implicações atuais para pouco participem de movimentos e mantenham-se acomodados politicamente.

Por fim, todos os fenômenos manifestos estão, de alguma forma, ligados à dominação simbólica construída pelo desejo de domínio da supressão da subjetividade de uns por outros, sempre dotados de saberes mais estruturados e, aparentemente por isso, mais legítimos. Ressalta-se que, para a alienação ou submissão de uns sobre outros, é necessário compreender dois movimentos simultâneos: a mistificação dos saberes de uns e a desqualificação dos saberes de outros, que passarão a acreditar-se como heterônomos nos seus processos de viver, adoecer e aprender.(16)

O estudo tem limitações próprias da não generalização da pesquisa qualitativa, com metodologia compreensivista e histórica. Dado que trata de pessoas construídas social e historicamente, marcadas pelo tempo.

Conclusão

Diversos recursos foucaultianos foram utilizados para dominação e garantia da subalternidade por parte de enfermeiras, instalados desde o processo formativo, o mercado de trabalho e entidades representativas da profissão, sobretudo os estereótipos implantados socialmente para a militância política, o que caracteriza uma certa impropriedade de tal prática. Assim, concebendo-se o panóptico como um conjunto de dispositivos que permite vigilância e controle social eficientes, foram identificados recursos de disciplinarização e subordinação, com destaque para religiosidade, gênero e de vigilância, coação e punição. No campo dos aspectos disciplinares identificados na Enfermagem, que demonstram as relações de poder, entre instituído e instituinte, estão os recursos da religiosidade, de gênero e de vigilância, coação e punição. Sendo o modelo arquitetural do panóptico, representado pela Residência de estudantes da graduação em Enfermagem à época, e o uso desses recursos disciplinares presentes nas práticas formativas, do mundo do trabalho e no modo de condução das entidades representativas e Conselho. Conclui-se, com base na análise hermenêutica dialética realizada, que há divergências no papel da escola, quando esta é identificada como inibidora da militância política, e no papel da ABEn, quando analisadas as práticas de gestão pouco participativas e também pouco democráticas no cenário no qual as participantes construíram suas identidades como profissionais militantes. Nas convergências, quando se intencionou uma coerência interna dos resultados, identificou-se o uso de recursos disciplinares, da religiosidade, gênero, vigilância, coação e punição na Escola, na Associação Brasileira de Enfermagem e no mundo do trabalho. Por fim, este estudo sinaliza para a necessidade de rever a formação em Enfermagem, bem como as práticas pedagógicas, com o intuito de favorecer a formação e atuação críticas reflexivas, emancipatòrias e cidadãs, de fato compromissadas com os legítimos e atuais propósitos da Enfermagem brasileira.

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Recebido: 07 de Novembro de 2017; Aceito: 27 de Novembro de 2017

Autor correspondente Deybson Borba de Almeida Av. Transnordestina, S/N, 44000-000, Feira de Santana, BA, Brasil. deybsonborba@yahoo.com.br

Conflitos de interesse: não há conflito de interesse.

Colaborações

Almeida DB, Silva GTR, Freitas GF, Ramos FRS, Albuquerque GL, Almeida IFB, Silva RMO e Pereira A declaram que contribuíram com a concepção do estudo, análise e interpretação dos dados, revisão crítica relevante do conteúdo intelectual e aprovação final da versão a ser publicada.

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