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Revista Brasileira de Ciência Política

versão impressa ISSN 0103-3352versão On-line ISSN 2178-4884

Rev. Bras. Ciênc. Polít.  no.30 Brasília set./dez. 2019  Epub 10-Fev-2020

https://doi.org/10.1590/0103-335220193004 

Artigos

Juventudes partidárias no Brasil: motivações e perspectivas dos jovens filiados a partidos políticos

Antonio Teixeira de Barros1 
http://orcid.org/0000-0002-3061-8202

Ricardo Senna Guimarães2 
http://orcid.org/0000-0002-7533-0691

Sérgio Freitas da Silva3 
http://orcid.org/0000-0003-0694-307X

Terezinha Elisabeth da Silva4 
http://orcid.org/0000-0002-6176-7462

1 Doutor em Sociologia. do Programa de Pós-Graduação do Centro de Formação da Câmara dos Deputados (Cefor). Brasília, DF, Brasil. E-mail: antonibarros@gmail.com

2 Mestre em Psicologia. do Programa de Pós-Graduação do Centro de Formação da Câmara dos Deputados (Cefor). Servidor da Câmara dos Deputados. Brasília, DF, Brasil. Email: ricardo.senna@camara.leg.br.

3 Advogado, Administrador e Analista de Sistemas. Especialista em Jurimetria, Inteligência Artificial e Aprendizagem de Máquina aplicada ao Direito. Analista do Banco Central do Brasil. Brasília, DF, Brasil. E-mail: sergio.freitas.silva@gmail.com.

4 Doutora em Multimeios e Mestre em Ciência da Informação. do Mestrado Profissional em Poder Legislativo da Câmara dos Deputados e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Londrina, PR, Brasil. E-mail: terezinha.elisabeth.silva@gmail.com.


Resumo

O objetivo do artigo é analisar como se dá o recrutamento de jovens pelos partidos políticos brasileiros na atualidade. O estudo avalia as motivações dos jovens para a filiação e a autopercepção deles sobre as legendas às quais são filiados, tendo como eixo de análise as seguintes questões: (a) o que motiva um jovem a se filiar a um partido político no atual contexto brasileiro? (b) como se dá a filiação? (c) que fatores mais contribuem para a adesão dos jovens às agremiações partidárias? (d) quais são as percepções dos jovens sobre esse processo? Em termos específicos são testadas algumas hipóteses utilizando o qui-quadrado. As conclusões mostram que o capital familiar e o capital militantes são os dois fatores que mais influenciam os jovens a se filiarem aos partidos. No primeiro caso os parentes mais próximos são os que exercem maior influência (pais e irmãos). No segundo caso destaca-se a militância nos movimentos estudantis e nos movimentos sociais.

Palavras-chave: Juventude; Partidos políticos; Juventudes partidárias; Recrutamento partidário juvenil

Abstract

Abstract: The objective of this paper is to analyze how the recruitment of young people by Brazilian political parties occurs today. The study evaluates young people’s motivations for affiliation and their self-perception about the subtitles to which they are affiliated, having as its axis of analysis the following questions: (a) what motivates a young person to join a political party in the current Brazilian context? (b) how does affiliation occur? (c) what factors contribute most to youth adherence to party organizations? (d) What are young people’s perceptions of this process? Specifically, some hypotheses are tested using chi-square. The findings show that family capital and militant capital are the two factors that most influence young people to join the parties. In the first case, the closest relatives are the most influential (parents and siblings). In the second case, militancy in the student and social movements.

Keywords: Youth; Political parties; Youth party; Youth party recruitment

Introdução

As juventudes partidárias ainda são pouco estudadas pela ciência política, uma vez que existem dificuldades para se identificar o jovem como sujeito político5, com suas particularidades, em função das expressivas distinções entre o comportamento político juvenil e as condutas da população adulta (HOOGHE; STOLLE, 2004; FERRER, 2006; RIOS RODRÍGUEZ, 2009).6 Na maioria dos estudos políticos, a juventude é vista apenas como uma etapa da vida, uma fase de transição para a adultez, quando o jovem se torna apto a assumir responsabilidades e tornar-se politicamente ativo (MÜLLER, 2009).

Essas dificuldades demonstram a fragilidade das correlações entre juventude e política partidária, cujas ênfases variam de acordo com a abordagem e com o período histórico. De modo geral, as culturas juvenis são mais fartamente associadas aos movimentos culturais, ao lazer, à contestação política e às transformações sociais dos costumes e dos modos de vida (ROBERTS; PARSELL, 1992). Essas juventudes são múltiplas - tais como os partidos que as agregam -, e apresentam repertórios variados em termos de discursos e de ação política (RODRÍGUEZ, 2009; BRENNER, 2009; 2011; 2014a; 2014b). Acerca das funções dessas juventudes militantes, a literatura registra que os jovens são relevantes politicamente para o recrutamento de novos simpatizantes e afiliados para os partidos políticos, visto que um jovem que esteja no partido tem mais facilidade de convencer outros coetâneos. Atuam também como agentes de renovação dos quadros e das elites partidárias (CRUZ, 1990).

Sartori (1980, p. 92) define juventudes partidárias como formas organizativas juvenis que “integram as estruturas dos partidos políticos, com especificidades próprias, que, segundo as regras do jogo, formais e informais, desenvolvem diversas atividades no interior e até no exterior dos partidos em busca de fins específicos”. O autor identifica três níveis de atuação das juventudes partidárias. O primeiro diz respeito aos aspectos formais, ou seja, à constituição legal desses grupos partidários, o que implica estatutos próprios para reger e disciplinar as formas de organização política dos jovens no âmbito dos partidos. O segundo refere-se às funções que os jovens exercem no interior do partido, como a constituição dos diretórios jovens, com seus próprios foros de debates e articulação de redes em diversos níveis territoriais (municipal, estadual e nacional). O terceiro compreende as atividades exercidas fora do partido, especialmente as campanhas para recrutamento de outros jovens, além das atividades de militância nas ruas ou nas redes sociais digitais.

Diante de um cenário de descrença na política e de desconfiança expressiva no sistema político representativo e em especial nos partidos políticos (AUGUSTO, 2008), cabe questionar: (a) o que motiva um jovem a se filiar a um partido político no atual contexto brasileiro? (c) como se dá a filiação? Que fatores mais contribuem para a adesão dos jovens às agremiações partidárias? (c) quais são as percepções dos jovens sobre esse processo? Essas são as questões que orientam a pesquisa, cujo foco é analisá-las à luz do olhar dos próprios jovens que são filiados a partidos políticos na atualidade. Para tanto foi realizado um websurvey por meio de questionário fechado com jovens filiados a partidos políticos, no período de março a maio de 2017.

É cabível esclarecer ainda o que se entende por jovem, no que se refere à faixa etária no Brasil. O Estatuto da Juventude (Lei 12.852/2013) considera jovem o indivíduo entre 15 e 29 anos. A lei estabeleceu três categorias: (a) jovem-adolescente, entre 15 e 17 anos; (b) jovem-jovem, entre 18 e 24 anos; (c) jovem-adulto, entre 25 e 29 anos. No caso da lei eleitoral (Lei nº 9.504/1997), o jovem é considerado apto a votar a partir de 16 anos. Aqui, utilizamos como base para a definição de juventude os critérios estabelecidos pelo estatuto acima mencionado.

O texto está organizado em três seções. Na primeira são discutidos conceitos centrais para a análise, como as formas de recrutamento partidário juvenil. Em seguida temos a descrição das estratégias metodológicas. Na sequência a análise e discussão dos resultados.

Recrutamento partidário juvenil

O recrutamento partidário é um tema amplamente estudado na ciência política e continua relevante na atualidade (SELIGMAN, 1961; SCHWARTZ, 1969; PREWITT, 1970; SELIGMAN, 1971; KESSELMAN, 1973; MATTHEWS, 1985; NORRIS, 1997; 2006; POWER; MOCHEL, 2008; SIAVELIS, 2012; PERES; MACHADO, 2017). Apesar das especificidades das diferentes abordagens, um ponto de convergência é a visão de que o recrutamento partidário é indispensável para a sobrevivência política das organizações partidárias (CZUDNOWSKI, 1975; ERICKSON, 1993; NORRIS; LOVENDUSK 1993; NORRIS; INGLEHART, 2000; HAZAN, 2002). Por isso as legendas atribuem relevância aos variados tipos e estratégias de recrutamento político, principalmente às seguintes modalidades: recrutamento de quadros por meio da filiação e da militância; recrutamento legislativo e parlamentar; e o recrutamento para cargos executivos (PERES; MACHADO, 2017).

Aqui não entraremos nos detalhes das teorias do recrutamento, pois, além da vasta literatura disponível, optamos pela aplicação ao caso dos jovens, posto que se trata de uma pesquisa sobre jovens filiados a partidos políticos. Contudo, cabe ressaltar que se trata de um fenômeno complexo e multifacetado, com várias tipologias e estratégias, como registram Peres e Machado (2017, p.126). Os estudos de Marenco dos Santos (2002; 2005; 2006) também reforçam essa complexidade. No caso do recrutamento juvenil, como ressaltam os autores, o investimento das agremiações se justifica porque “os partidos devem se mostrar capazes de se regenerar, reproduzindo-se por sucessivas gerações” (p.126).

Ao analisarem especificamente o recrutamento político juvenil, Hooghe e Stolle (2005) ressalvam que o debate atual tende a superdimensionar o alegado declínio do envolvimento cívico nas sociedades ocidentais, o que atribui diretamente às jovens gerações o rótulo de despolitizadas.7 Assim, tais estudos alegam que o processo de substituição geracional é responsável pela maior parte das dificuldades dos partidos para atrair os jovens. Logo, gerações mais engajadas e mais cívicas estariam sendo substituídas por jovens mais individualistas, voltados principalmente para suas atividades profissionais e sua vida privada. Para os referidos autores, contudo, o que muitas vezes é esquecido nesses estudos, é que não se trata apenas de uma mera questão de agência, mas também de estrutura. “Em praticamente todos os estudos, o foco é na agência e, portanto, é dado como certo que, se a participação dos jovens diminui, a principal causa é que os jovens estão menos interessados em política do que as gerações de décadas atrás”8, argumentam Hooghe e Stolle (2005, p.43). Esse tipo de raciocínio é questionado porque “põe-se a culpa” na juventude. Se os jovens deixam de se engajar, logo, eles são os únicos responsáveis pelo afastamento deles da política partidária (STOLLE; HOOGHE, 2004).

Dechezelles (2008), ao estudar empiricamente os padrões de engajamento de jovens italianos, aponta a necessidade de considerar as culturas militantes como aspectos relevantes para a compreensão do recrutamento juvenil. Para o estudioso, as culturas militantes e os padrões de engajamento também passaram por transformações consideráveis, principalmente no que se refere às convergências e/ou divergências entre o ethos militante e as articulações com a biografia individual, com as configurações familiares e novos movimentos estudantis.

Norris (2004), baseando-se em dados do Social Survey de 2002, comparando 15 países europeus, refuta a tese da apatia política dos jovens. Para autora, o que existe é uma expressiva mudança geracional nos padrões de participação política, com novas formas de ativismo e de repertórios de ação coletiva das juventudes. Em decorrência disso, os jovens passaram a priorizar formas menos hierarquizadas de ativismo político e repertórios que se distanciam dos partidos, mas não da política em si. Entre os modos preferidos de atuação política dos jovens, a autora destaca as manifestações públicas, protestos, boicotes e adesão a projetos de associações voluntárias e organizações não-governamentais. Trata-se do que Inglehart e Catterberg (2002) identificaram como a primazia de formas de ação direta não-convencionais, típicas das democracias liberais a partir das décadas de 1970/1980, com a emergência da chamada terceira onda de democratização. Dalton (2009) ressalta que os atuais padrões de participação política juvenil exigem novos processos e novas instituições que reflitam os valores da juventude, considerados predominantemente pós-materialistas, com uma agenda focada em temas como meio ambiente, direitos humanos, cultura, lazer, esportes, equidade de gêneros e combate ao racismo (RIBEIRO, 2008; 2010; PEREIRA; TORRES; BARROS, 2004).

Para Inglehart e Welzel (2009) os valores materialistas assumem relevância política a partir de certos estágios de desenvolvimento socioeconômico em que as necessidades materiais são relativamente satisfeitas, como alimentação, moradia, transporte, saúde e segurança. Por outro lado, os estudos que aplicam a teoria do desenvolvimento humano de Inglehart e Welzel (2009) em países latino-americanos mostram que as questões materiais e econômicas são mais relevantes para a população, uma vez que se trata de uma agenda de questões ainda não resolvidas. Assim, os valores pós-materialistas seriam mais expressivos nas democracias consolidadas.

A literatura relaciona as mudanças geracionais e seus impactos nos repertórios de participação juvenil como decorrência da redefinição de valores políticos das juventudes. Isso significa que os jovens tendem a se identificar mais com os valores pós-materialistas e uma postura de forte desconfiança das instituições políticas, principalmente os partidos. Segundo essa abordagem, não haveria alienação nem apatia dos jovens, mas uma redefinição de agenda, estratégias e repertórios de participação, mais voltados para o consumo consciente e a defesa de causas como meio ambiente, igualdade de gênero e liberdade de expressão (NORRIS, 2002; STOLLE; HOOGHE; MICHELETTI, 2005).

Ferreira (2012), ao analisar as juventudes partidárias portuguesas, conclui que a experiência continuada no interior das organizações juvenis funciona como uma “escola”, no sentido de que tal experiência permite que os jovens dirigentes e líderes desenvolvam competências políticas específicas, que não seria possível sem esse aprendizado. Além disso, possibilita a formação de uma rede de contatos pessoais, que permite o acesso dos jovens às redes de recrutamento político e parlamentar.

A experiência de formação política propiciada pela imersão no cotidiano partidário também contribui para a produção de vínculos entre os futuros líderes do partido e os dirigentes populares. Ademais, o interesse por este tipo de atividade partidária é legitimado e reafirmado pelas redes sociais de pertencimento dos jovens, transformando-se em um valor simbólico interno que confere capital social a seus pares (SILVA, 2015).

A adesão dos jovens aos partidos políticos envolve fatores institucionais, culturais e ideológicos, além da afinidade sociocultural da organização partidária com o eleitorado. Destacam-se ainda variáveis como as origens sociais dos jovens, a educação que receberam, a forma como foram politicamente socializados, o gênero, a classe social, o local de moradia, a religião e a própria geração política (VOMMARO, 2013). Cabe salientar a complexidade da noção de geração política, que não se limita ao critério etário e nem à relação de antiguidade no envolvimento com as atividades político-partidárias. A visão de geração política pressupõe o compartilhamento de ideias políticas comuns, valores, sonhos, experiências e, principalmente, uma forma comum de socialização política (JENNINGS, 2002). Isso significa que geração política não se confunde com a ideia de coorte etária.

As juventudes partidárias exercem várias funções em relação aos partidos, tais como potencializar e dinamizar o relacionamento dos partidos com os jovens, exercendo o papel de elo comunicativo entre os segmentos juvenis da sociedade e as legendas (COSTA, 2015). Devido à sua proximidade e uma relação continuada com as elites da legenda, ainda segundo o mesmo autor, as juventudes partidárias podem atuar como grupo de pressão intrapartidário, fazendo advocacy de determinadas causas, bandeiras ou interesses. Além disso, estas organizações fornecem mão-de-obra política voluntária para reforçar o aparato de propaganda política dos partidos.

Pesquisa realizada na Bélgica revela que na região de Flandres, 41% de todos os conselheiros municipais começaram suas carreiras políticas em uma organização juvenil, demonstrando que as juventudes partidárias servem como canais de recrutamento indispensáveis para as agremiações partidárias (HOOGHE; STOLLE; STOUTHUYSEN, 2004).

Um elemento dinamizador do recrutamento partidário juvenil no Brasil foi a adoção do voto facultativo aos 16 anos, além do crescimento do eleitorado jovem nas últimas décadas. Isso estimulou os partidos políticos a criarem políticas partidárias para a organização das suas juventudes (TEIXEIRA, 2009). Entre as estratégias adotadas pelos partidos está a criação de diretórios jovens e secretarias ou núcleos de juventude, que se tornaram tão relevantes na estrutura partidária, a ponto de serem considerados pelo autor citado como “suborganizações” das legendas, cujo funcionamento foi expandido e consolidado com o uso da internet.

É oportuno ressaltar que o estudo tem como foco específico os jovens filiados a partidos e não os militantes em sentido amplo. Isso é importante porque no Brasil não é preciso ser filiado para ser militante. A filiação é obrigatória apenas para ser candidato. A militância, contudo, é algo muito mais amplo, sem necessariamente haver vínculo partidário. O que nos interessa aqui, contudo, é compreender a percepção dos jovens que são filiados formalmente aos partidos.

A filiação partidária constitui um vínculo formal de um indivíduo com um partido, o que implica obrigações e deveres da parte dos filiados, incluindo o pagamento de contribuição pecuniária anual à legenda e compromissos formais (SCARROW, 1996; WARE, 1996; WHITELEY, 2011). Os partidos também ganham com seus séquitos de filiados, pois quanto maior o número deles, maior a legitimidade política (MAIR; VAN BIEZEN, 2001). Nesse aspecto, a filiação se distingue do ativismo e da militância, que podem ser exercidos sem as obrigações formais exigidos dos filiados. Os filiados são membros formais dos partidos, enquanto ativistas e militantes não filiados são considerados membros informais, segundo a tipologia de Heidar (2006).

Uma forma muito conhecida para entender as diferenças entre filiados e militantes está no modelo dos círculos concêntricos de Maurice Duverger (1970). Iniciando do plano externo para o interno ao partido, temos: o eleitorado, os simpatizantes, os filiados e os militantes. Os eleitores de um partido podem ser fiéis ou voláteis. Além de fiéis, os simpatizantes estabelecem forte relação de identificação partidária. Os filiados, por sua vez, mantêm vínculos formais com a legenda, pois a filiação funciona como uma espécie de contrato político entre o indivíduo e o partido, exigindo deveres e obrigações do filiado em relação ao partido. Os militantes são os que exercem maior grau de ativismo partidário, de forma sistemática e continuada. Panebianco (2005) classifica os militantes em duas categorias: os crentes e os arrivistas. Os primeiros são movidos pela forte identificação com a ideologia partidária e a convicção política de que o programa do partido tem potencial efetivo para a solução de causas coletivas. Os arrivistas, por sua vez, são motivados pela conquista de posições, cargos e visibilidade política, cuja atuação é mais voltada para sua própria carreira no âmbito da estrutura e organização da legenda.

Fonte: Ribeiro, 2008, p.135.

Figura 1. O modelo de círculos concêntricos de Maurice Duverger 

O estudo de Gauja (2015) mostra três principais perspectivas para entender a filiação partidária na atualidade. A primeira refere-se à relação dos partidos e seus filiados com o Estado, em função da legislação e das normas eleitorais e partidárias. Além disso, há o primeiro conjunto de normas que regem a filiação partidária, expresso nos regulamentos e estatutos dos partidos políticos. Essas normas são consideradas fundamentais para garantir a organização e a legitimação das legendas. A segunda compreende as motivações e interesses do próprio indivíduo que decide filiar-se. Tais motivações variam em função do perfil do partido e do próprio filiado. Em geral a filiação sob essa ótica deve-se à expectativa do indivíduo de poder fazer algo interessante e produtivo como membro do partido. A terceira diz respeito à ótica dos partidos políticos, que são influenciados pela utilidade funcional de manter uma expressiva base de membros e a necessidade de corresponder às expectativas dos indivíduos filiados. As três são complementares e contribuem para gerar configurações heterogêneas de filiados. Essa heterogeneidade enriquece as agremiações.

Estratégias Metodológicas

Os dados foram coletados por meio de websurvey dirigido especificamente aos filiados, no período de março a maio de 2017. A estratégia utilizada para atingir os jovens filiados foi o contato direto (por telefone) com os diretórios jovens dos partidos, incluindo os diretórios nacionais, estaduais e municipais. Solicitamos aos diretórios o mailing dos jovens filiados e enviamos diretamente a eles o link da pesquisa, juntamente com uma carta explicando os objetivos do estudo.

Neste estudo a abordagem quantitativa foi utilizada para testar as relações entre variáveis categóricas da amostra (n=422) contendo as respostas ao questionário sobre filiação partidária de jovens. Essas relações foram verificadas através do teste de hipóteses utilizando o qui-quadrado de Pearson e a Razão de Verossimilhança.9

Com base nas proporções da população de jovens filiados, indicadas nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (Tabela 10), especialmente em relação ao gênero e espectro ideológico, foram definidos pesos na ponderação de casos (Weight Cases) para corrigir a amostra e garantir que cada categoria testada representasse a real proporção da população, conforme detalhado na Tabela 1. Essa correção foi necessária em função dos resultados que não foram totalmente compatíveis com a realidade, posto que o número de informantes do sexo feminino foi superior aos respondentes do sexo masculino. Na realidade, a situação é inversa: o número de homens é superior ao de mulheres.

Tabela 1. Pesos na ponderação de casos (Weight Cases

Feminino (amostra) Fator de ponderação (peso) Masculino (amostra) Fator de ponderação (peso)
Centro 69 1,1039 72 1,2758
Esquerda 88 0,7080 82 0,9096
Direita 56 0,9643 55 1,1470
Total 213 209

Fonte: Elaboração própria10

A amostragem foi desenhada com base no modelo de cálculo amostral de Kish (1995), com intervalo de confiança (IC) de 95% e variância máxima (p=0,5):

n=N1+Ne2(5)

Onde n é o tamanho da amostra, N é o tamanho da população e e especifica o erro amostral, dado por 1-precisão. Com base nesse cálculo obtivemos as metas amostrais que constam na Tabela 2, com uma amostragem de 400 respondentes:

Tabela 2. Cálculo Amostral 

Tamanho da População
N 2.662.000
E 0,05 95%
0,0025
Tamanho da Amostra
n = 400

Fonte: Elaboração própria, com base em Kish (1995).

Antes de prosseguir, convém uma breve alusão ao uso de websurveys. Apesar de não proverem uma amostragem aleatória probabilística no sentido estrito do termo, a comparação de dados obtidos via métodos tradicionais e websurvey mostra que há poucas diferenças entre os resultados, conforme o diagnóstico de Manfreda e Vehovar (2002). Após o exame de uma série de surveys convencionais com uma série similar de websurveys, os autores concluíram que não há diferenças substantivas nas respostas das duas modalidades de pesquisa, exceto no caso do percentual de não-respostas, que é maior nos websurveys. Entretanto, os autores enfatizam as dificuldades registradas na literatura, que tende a considerar que os websurveys podem resultar em amostras não fidedignas da população que compõem o universo dos estudos. Isso porque a literatura ainda resiste às inovações dos websurveys e também porque os critérios metodológicos e científicos para a realização de surveys foram estabelecidos e convencionados antes da consolidação da internet como alternativa de pesquisa (MANFREDA; VEHOVAR, 2002). Uma forma de sanar eventuais problemas de falta de representividade da população é utilizar amostragens maiores do que nos estudos convencionais (VEHOVAR; MANFREDA; BATAGELJ, 2001). No caso em tela, o número de respondentes é 5% superior ao que foi previsto para um survey convencional.

partir do cálculo amostral acima especificado, foram estabelecidas as metas de amostragem que constam no Quadro 1, considerando o total de filiados jovens de cada partido. O principal critério utilizado para a distribuição da amostra entre os partidos foi o total de filiados por legenda, de forma proporcional.

Quadro 1. Metas de amostragem dos filiados jovens por partido e sexo 

Partido Filiados jovens Respondentes Femininos Respondentes Masculinos Total
PMDB 250.713 17 20 38
PT 280.218 20 22 42
PSDB 216.217 14 18 32
PP 135.563 9 11 20
PDT 155.591 11 13 23
PTB 124.372 9 10 19
DEM 111.793 8 9 17
PR 104.074 7 9 16
PSB 127.163 8 11 19
PPS 70.319 5 6 11
PSC 85.314 6 7 13
PC DO B 89.714 6 7 13
PRB 128.576 10 10 19
PV 87.635 6 7 13
PSD 102.079 7 9 15
PRP 44.184 3 4 7
PSL 45.997 3 4 7
PMN 34.302 2 3 5
PHS 57.055 4 5 9
PTC 34.045 2 3 5
PSDC 42.143 3 3 6
PT DO B 36.579 3 3 5
SD 72.035 5 6 11
PTN 40.538 3 3 6
PRTB 31.734 2 3 5
PSOL 47.183 3 4 7
PROS 35.191 2 3 5
PEN 26.774 2 2 4
PPL 14.421 1 1 2
PMB 15.301 1 1 2
REDE 6.500 0 1 1
PSTU 3.188 0 0 0
PCB 1.994 0 0 0
NOVO 2.975 0 0 0
PCO 451 0 0 0
Total 2.661.931 182 218 400

Fonte: Elaboração própria, com base nos dados do TSE, 2018.

Os resultados obtidos estão expostos na Tabela 3, um pouco superior às metas de amostragem, com 22 informantes a mais, totalizando 422.

Tabela 3. Respostas obtidas por sexo e partido 

Partido F M Número %
1 PT 21 20 41 9,70%
2 PMDB 19 19 38 9,00%
3 PSDB 17 16 33 7,80%
4 PDT 11 11 22 5,20%
5 PP 11 10 21 5,00%
6 PRB 10 11 21 5,00%
7 PSB 10 10 20 4,80%
8 PTB 9 9 18 4,30%
9 DEM 8 9 17 4,00%
10 PCdoB 8 8 16 3,80%
11 PR 8 8 16 3,80%
12 PSD 8 8 16 3,80%
13 PSC 8 7 15 3,60%
14 PV 7 7 14 3,30%
15 PPS 6 6 12 2,90%
16 SD 6 6 12 2,90%
17 PHS 5 5 10 2,40%
18 PRP 4 4 8 1,40%
19 PSL 4 4 8 1,40%
20 PSOL 4 4 8 1,40%
21 PROS 3 3 6 1,40%
22 PRTB 3 3 6 1,40%
23 PTC 3 3 6 1,40%
24 PTdoB 3 3 6 1,40%
25 PTN 3 3 6 1,40%
26 PSDC 3 2 5 1,20%
27 PMN 2 2 4 1,00%
28 PEN 2 1 3 0,70%
29 NOVO 1 1 2 0,50%
30 PCB 1 1 2 0,50%
31 PCO 1 1 2 0,50%
32 PMB 1 1 2 0,50%
33 PPL 1 1 2 0,50%
34 PSTU 1 1 2 0,50%
35 REDE 1 1 2 0,50%
Total 213 209 422 100%

Fonte: Elaboração própria.

Análise descritiva dos dados

Antes da exploração dos testes estatísticos, apresentamos um panorama dos dados descritivos, com o propósito de proporcionar uma visão geral ao leitor.

Apesar do cenário pessimista descrito acima acerca da desconfiança dos jovens nos partidos políticos e no sistema representativo de modo geral, existiam 2.661.931 de jovens filiados, o que corresponde a 16% do total de filiados, conforme mostra o Quadro 1. Observa-se um predomínio de jovens do sexo masculino nesse total, com 54,40% contra 45,60% de mulheres. Os partidos com o maior número de filiados jovens são PT (280.218), PMDB (250.713) e PSDB (216.217), enquanto as legendas com o menor número são, respectivamente: PCO (2.938), Partido Novo (8.825), Rede (17.761) e PSTU (17.408).

É importante ressalvar que os dados do TSE mencionados no Quadro 2 representam apenas os filiados formalmente aos partidos. Ademais, os dados expressam o conjunto de eleitores que estão habilitados a serem pré-candidatos pelos 35 partidos. Isso explica porque as legendas mais antigas contam com número maior de filiados.

Quadro 2. Dados sobre os jovens filiados aos partidos 

Partido Total de filiados11 Filiados jovens Jovens % Jovens F % Jovens M %
DEM 2.402.264 250.713 10% 46% 54%
NOVO 1.587.916 280.218 18% 48% 52%
PC DO B 1.446.854 216.217 15% 44% 56%
PCB 1.438.392 135.563 9% 45% 55%
PCO 1.251.350 155.591 12% 46% 54%
PDT 1.193.113 124.372 10% 46% 54%
PEN 1.096.537 111.793 10% 45% 55%
PHS 799.463 104.074 13% 45% 55%
PMB 648.444 127.163 20% 44% 56%
PMDB 482.543 70.319 15% 43% 57%
PMN 421.661 85.314 20% 45% 55%
PP 392.195 89.714 23% 45% 55%
PPL 389.434 128.576 33% 51% 49%
PPS 376.512 87.635 23% 43% 57%
PR 317.420 102.079 32% 45% 55%
PRB 250.469 44.184 18% 46% 54%
PROS 226.551 45.997 20% 44% 56%
PRP 223.895 34.302 15% 45% 55%
PRTB 210.402 57.055 27% 46% 54%
PSB 198.443 34.045 17% 45% 55%
PSC 186.337 42.143 23% 46% 54%
PSD 185.564 36.579 20% 46% 54%
PSDB 181.125 72.035 40% 47% 53%
PSDC 161.551 40.538 25% 44% 56%
PSL 136.236 31.734 23% 46% 54%
PSOL 122.571 47.183 38% 44% 56%
PSTU 91.077 35.191 39% 43% 57%
PT 72.702 26.774 37% 44% 56%
PT DO B 39.562 14.421 36% 46% 54%
PTB 38.299 15.301 40% 56% 44%
PTC 17.761 6.500 37% 38% 62%
PTN 17.408 3.188 18% 43% 57%
PV 14.836 1.994 13% 43% 57%
REDE 8.825 2.975 34% 9% 91%
SD 2.938 451 15% 38% 62%
TOTAL 16.630.650 2.661.931

Fonte: TSE, 2018.

O perfil dos respondentes é relativamente equilibrado do ponto de vista do sexo, com 50,50% de femininos e 49,50% de masculinos, como mostra a Tabela 4. Entretanto, há uma expressiva discrepância em relação aos percentuais de filiados homens (62%) e de mulheres (38%), conforme dados do TSE, expostos no Quadro 1. Tais resultados devem, portanto, ser analisados com cautela, devido a essa disparidade. Além disso, o perfil dos respondentes por sexo também é discrepante dos principais estudos que consideram filiação partidária e militância política, tanto no Brasil (SPECK; BRAGA; COSTA, 2015; OKADO; RIBEIRO, 2015) como em outros países (VAN HAUTE; GAUJA, 2015; KÖLLN; POLK, 2016). Em todos eles, os percentuais de homens são superiores aos de mulheres. Tais paralelos, contudo, contribuem para ressaltar as ponderações acerca das limitações da pesquisa, mas não invalidam seus dados, posto que ao longo da análise as percepções dos filiados pouco se diferenciam em relação ao sexo, conforme será demonstrado posteriormente. Além disso, cabe ressaltar o uso de pesos na ponderação de casos (Weight Cases) para corrigir a amostra, conforme foi exposto na Tabela 1.

As duas faixas etárias mais expressivas entre os informantes são aquelas de maior compromisso com a vida adulta, ou seja, de 18 a 24 anos (39,10%) e de 25 a 29 anos (44,50%), como se lê no Quadro 2. Comparando-se esse perfil dos respondentes com os dados do TSE relativos ao eleitorado juvenil, observa-se que os eleitores jovens de até 16 anos representam 0,010% do total de eleitores brasileiros, enquanto os de 17 a 19 anos representam 0,054%; os de 20 a 24 anos, 2,061% e os de 25 a 29 anos 5,882%.

Os segmentos com maior renda se destacam entre os jovens filiados. O mesmo ocorre com a escolaridade. Apesar de formação universitária variada, destacam-se os informantes dos cursos de Ciências Humanas e Sociais, ao lado de Linguística, Letras e Artes. Em relação à religião, prevalecem os católicos e os evangélicos. Quanto à situação ocupacional, predominam os estudantes, seguidos dos que estão em empregos formais e os desempregados. Os setores privado e público concentram as maiorias dos jovens respondentes, respectivamente (42,10% e 35,70). Em reação a cor/raça destacam-se os brancos e pardos (37,70% e 33,40%). Os jovens informantes residem principalmente em capitais12, regiões metropolitanas e cidades do interior (37,70%, 31,30% e 27,30%). As regiões com maior representação são: Sudeste (37,20%), Nordeste (24,40%) e Sul (19,20%), respectivamente.

Tabela 4. Perfil dos respondentes 

Sexo N %
Masculino 209 49,5%
Feminino 213 50,5%
Subtotal 422 100%
Faixa Etária N %
16 a 17 anos 69 16,4%
18 a 24 anos 165 39,10%
25 a 29 anos 188 44,50%
Subtotal 422 100%
Renda familiar mensal N %
Até 2 mil reais 32 7,58%
De 2 a 5 mil reais 57 13,50%
De 5 a 7 mil reais 116 27,48%
De 7 a 10 mil reais 100 23,69%
Acima de 10 mil reais 116 27,48%
Prefiro não declarar 0 0%
Não informado 1 0,23%
Subtotal 422 100%
Escolaridade N %
Fundamental 10 2,4%
Médio 97 23,0%
Técnico 113 26,8%
Superior tecnólogo 86 20,4%
Superior graduação 76 18,0%
Pós-graduação 40 9,5%
Subtotal 422 100%
Área de formação (para Superior graduação) N %
Ciências Biológicas ou Ciências da Saúde 10 13,20%
Ciências Exatas e da Terra ou Ciências Agrárias 8 10,50%
Ciências Humanas ou Ciências Sociais Aplicadas 23 30,30%
Engenharias 16 21,10%
Linguística, Letras e Artes 19 25%
Não se aplica 346
Subtotal 422 100%
Religião N %
Católica Apostólica Romana 96 22,80%
Evangélicas 69 22,10%
Espírita 93 16,40%
Umbanda e Candomblé 16 3,80%
Outras religiosidades 75 17,80%
Sem religião 72 17,10%
Não informado 1
Subtotal 422 100,00%
Situação ocupacional N %
Desempregado 69 16,40%
Empregado com carteira assinada 126 29,90%
Emprego informal 108 25,60%
Estudante 119 28,20%
Setor de ocupação N %
Autônomo 10 7,90%
ONGs 18 14,30%
Privado 53 42,10%
Público 45 35,70%
Não se aplica (estudantes) 296 -
Subtotal 422 100%
Cor/raça N %
Amarela 55 13%
Branca 159 37,70%
Indígena 16 3,80%
Parda 141 33,40%
Preta 51 12,10%
Subtotal 422 100%
Local de residência N %
Capital 159 37,70%
Cidade do interior 115 27,30%
Povoado/área rural 16 3,80%
Região metropolitana 132 31,30%
Subtotal 422 100%
Região de residência N %
Centro Oeste 53 12,60%
Nordeste 103 24,40%
Norte 28 6,60%
Sudeste 157 37,20%
Sul 81 19,20%
Subtotal 422 100%

Fonte: Elaboração própria.

Indagados sobre como se deu sua filiação, os jovens respondentes revelam o quanto os laços sociais e vínculos interpessoais da esfera familiar são relevantes no processo de recrutamento partidário da juventude. Apenas 16,10% tomaram a iniciativa e procuram o partido por conta própria. Os 83,90% restantes se filiaram em função da influência de algum tipo de suporte social de proximidade, como colegas já filiados, familiares já filiados, colegas dos movimentos estudantis e sociais e até mesmo os dirigentes dos partidos, em menor escala.

É importante ressaltar ainda que fora os familiares (que também podem ser jovens), os demais agentes sociais que influenciam a filiação também são jovens já filiados. É a força dos grupos de coetâneos na socialização política, um tema já consagrado na literatura (CRUZ, 1990). Quanto à família, a literatura também já reconhece o capital político familiar como uma das principais formas do recrutamento partidário no Brasil, especialmente no caso de partidos de centro e de direita (MIGUEL; MARQUES; MACHADO, 2015). O capital militante (movimentos sociais e movimentos estudantis) por sua vez, é mais expressivo no recrutamento de partidos de esquerda (MORENO; ALMEIDA, 2009; SPOSITO, 2000).

Tabela 5. Como se deu a sua filiação partidária? 

RESPOSTAS Número %
Eu fui convidado por colegas já filiados ao partido. 106 25,1%
Eu fui incentivado por meus familiares a me filiar ao partido. 86 20,6%
Eu fui convidado por colegas de movimentos estudantis filiados ao partido. 84 19,9%
Eu tomei a iniciativa e procurei o partido. 70 16,6%
Eu fui convidado por colegas de movimentos sociais ligados ao partido. 68 16,1%
Eu fui convidado pelos dirigentes do partido. 8 1,7%
Total 422 100,0%

Fonte: Elaboração própria.

Apesar de não ser predominante, o capital familiar aparece com 26,20% das respostas, como mostra a Tabela 6. Nesse segmento, são os familiares mais próximos que exercem influência na decisão dos jovens de se filiar a um partido, principalmente os pais e irmãos, como mostra a Tabela 7.

Tabela 6. Você tem familiares que atuam na política partidária? 

Número %
Não 310 73,3%
Sim 110 26,2%
Sem resposta 2 0,5%
Total 422 100,0%

Fonte: Elaboração própria.

Tabela 7. Familiares que atuam na política 

RESPOSTAS N %
Meus irmãos. 41 36,6%
Meus pais. 31 27,7%
Outros 30 26,8%
Meus tios/avós. 10 8,9%
Total 112 100,0%

Fonte: Elaboração própria.

Os movimentos estudantis (39,25%) e os movimentos sociais (23,02%) são os principais motivadores dos jovens para a militância e a filiação partidária, seguido do engajamento político de familiares, amigos e pessoas próximas (15,47%), como se lê na Tabela 8.

Tabela 8. O que mais motivou você a participar da militância do seu partido? 

RESPOSTAS N %
Meu envolvimento com movimentos estudantis 312 39,25
Meu envolvimento com movimentos sociais 183 23,02
O engajamento político de meus familiares, amigos e pessoas próximas 123 15,47
Meu envolvimento em trabalho voluntário 72 9,06
Meu envolvimento com projetos de ONGs 64 8,05
Meu envolvimento com a igreja 21 2,64
Meu envolvimento com entidades patronais e representantes da indústria, comércio e serviços 12 1,51
Meu envolvimento com sindicatos 8 1,01
Total 795 100

Fonte: Elaboração própria.

Em relação ao espectro ideológico, os dados mostram maior identidade dos jovens respondentes com as agremiações de centro (53%), de esquerda (33,4%) e, em menor escala, de direita, com 13,5%, como se lê na Tabela 9.

Tabela 9. O que teve mais peso na escolha do partido quanto ao posicionamento ideológico? 

RESPOSTAS Número %
O fato de ser um partido com um claro posicionamento de centro. 224 53,0%
O fato de ser um partido com um claro posicionamento de esquerda. 141 33,4%
O fato de ser um partido com um claro posicionamento de direita. 57 13,5%
Total 422 100,00%

Fonte: Elaboração própria.

A Tabela 10 mostra a distribuição dos filiados jovens segundo o espectro ideológico partidário, com as principais orientações: esquerda, centro e direita. Predominam os filiados aos partidos de centro, com 39,82%, com maioria masculina. Comparando os dados com a Tabela 9 (autopercepção dos filiados), nota-se que parece haver uma percepção dominante de que as agremiações dos filiados são de centro, revelando uma provável dissonância entre os dados efetivos e a visão dos informantes. Tudo indica que parte dos filiados a partidos de direita se autopercebem como sendo de centro (13,5% na Tabela 9 contra 27,74% na Tabela 10). Trata-se do fenômeno denominado de “direita envergonhada”, que leva à adoção do termo “centro” em vez de “direita” pelos militantes e partidários (MADEIRA; TAROUCO, 2013).

Tabela 10. Jovens filiados por espectro ideológico partidário 

Filiados jovens Feminino Masculino % Filiados Jovens % Filiados Jovens Feminino % Filiados Jovens Masculino
Centro 1.059.923 480.461 579.462 39,82% 18,05% 21,77%
Esquerda 863.456 392.999 470.457 32,44% 14,76% 17,67%
Direita 738.552 340.611 397.941 27,74% 12,80% 14,95%
Total 2.661.931 1.214.071 1.447.860 100% 45,61% 54,39%

Fonte: Elaboração própria, com dados do TSE, 2018.

A discussão sobre a classificação efetiva dos partidos brasileiros em determinado espectro ideológico não é categórica (Quadro 3). Ao contrário é carregada de controvérsias. A despeito disso, como argumentam Tarouco e Madeira (2013, p.109), “apesar da alardeada inconsistência ideológica dos partidos brasileiros, a sua classificação na dimensão esquerda-direita é reconhecida tanto pelos próprios políticos quanto pelos analistas”. Para os autores, “isto significa que as classificações correntes são na maioria válidas e podem continuar sendo usadas nos estudos que, ainda hoje, procuram pelos efeitos da ideologia partidária sobre outras variáveis” (TAROUCO; MADEIRA, 2013, p. 109). Para os nossos objetivos aqui, consideramos de grande utilidade a definição de (SCHEEFFER, 2014, p. 4) de que

a esquerda representa o conjunto de forças que luta, essencialmente, por transformações que resultem na instauração de uma ordem diferente da capitalista, ou transformações que resultem em uma reformulação substancial da mesma. Mesmo que o teor e o grau das mudanças possam variar de acordo com uma esquerda mais ou menos “radical”, o que está presente em qualquer esquerda é o caráter contestatório assumido. A direita, por outro lado, se refere às forças favoráveis à manutenção da ordem social e política. A direita se preocupa, basicamente, em conservar e não alterar o sistema que está dado.

O Quadro 3 apresenta um mapa dos partidos conforme o espectro ideológico predominante, considerando as ressalvas apontadas na literatura, mencionadas acima. Os critérios para a classificação levaram em conta o teor dos programas partidários, conforme a taxionomia de Tarouco e Madeira (2013).

Quadro 3. Espectro ideológico partidário 

Partido Sigla Extrema Esquerda Esquerda Centro Esquerda Centro Centro Direita Direita Extrema Direita
1 Partido do Movimento Democrático Brasileiro PMDB
2 Partido dos Trabalhadores PT
3 Partido da Social Democracia Brasileira PSDB
4 Partido Progressista PP
5 Partido Democrático Trabalhista PDT
6 Partido Trabalhista Brasileiro PTB
7 Democratas DEM
8 Partido da República PR
9 Partido Socialista Brasileiro PSB
10 Partido Popular Socialista PPS
11 Partido Social Cristão PSC
12 Partido Comunista do Brasil PCdoB
13 Partido Republicano Brasileiro PRB
14 Partido Verde PV
15 Partido Social Democrático PSD
16 Partido Republicano Progressista PRP
17 Partido Social Liberal PSL
18 Partido da Mobilização Nacional PMN
19 Partido Humanista da Solidariedade PHS
20 Partido Trabalhista Cristão PTC
21 Partido Social Democrata Cristão PSDC
22 Avante (ex PTdoB) Avante
23 Solidariedade SD
24 Partido Trabalhista Nacional PTN
25 Partido Renovador Trabalhista Brasileiro PRTB
26 Partido Socialismo e Liberdade PSOL
27 Partido Republicano da Ordem Social PROS
28 Partido Ecológico Nacional PEN
29 Partido Pátria Livre PPL
30 Partido da Mulher Brasileira PMB
31 Rede Sustentabilidade REDE
32 Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado PSTU
33 Partido Comunista Brasileiro PCB
34 Partido Novo NOVO
35 Partido da Causa Operária PCO

Fonte: Elaboração própria, com base em Tarouco e Madeira (2013).

Com base nesse espectro ideológico predominante de cada partido definiu-se uma variável “espectro_dummy” como sendo o resultado da média aritmética dos seguintes valores que representam as respectivas posições ideológicas (Quadro 3): 10 (Extrema Esquerda), 20 (Esquerda), 30 (Centro Esquerda), 40 (Centro), 50 (Centro Direita), 60 (Direita), 70 (Extrema Direita). Também se definiu a variável “Espectro” com base no seguinte critério: se “espectro_dummy” for menor que 40, então “Espectro” corresponde à “Esquerda”. Caso contrário, se “espectro_dummy” for maior que 40, então a variável “Espectro” corresponde à “Direita”. Essas variáveis auxiliares utilizadas nos testes de hipóteses são detalhadas no Quadro 4.

Quadro 4. Variáveis utilizadas 

Variável Descrição Categorias
Espectro_dummy Posição ideológica de cada partido (variável auxiliar) = média aritmética das categorias 10=Extrema Esquerda / 20=Esquerda / 30=Centro Esquerda / 40=Centro / 50 = Centro Direita / 60=Direita / 70=Extrema Direita
Espectro Espectro político partidário:
1, se Espectro_dummy<40
2, se Espectro_dummy>40
1 = Esquerda
2 = Direita
Filiação Como se deu a sua filiação partidária? 1 = influência de familiares
2 = movimentos estudantis
3 = movimentos sociais

Fonte: Elaboração própria.

Análise inferencial dos dados

Para testar a relação entre as variáveis, foram elaboradas as seguintes hipóteses, constantes no Quadro 5.

Quadro 5 Hipóteses testadas 

Hipóteses Enunciado
1 Hipótese1 Quanto mais à direita no espectro político partidário, maior a influência de familiares na filiação partidária dos jovens.
2 Hipótese 2 Quanto mais à esquerda no espectro político partidário, maior a influência de movimentos estudantis na filiação partidária dos jovens.
3 Hipótese 3 Quanto mais à esquerda no espectro político partidário, maior a influência de movimentos sociais na filiação partidária dos jovens.

Fonte: Elaboração própria.

A hipótese 1 é reforçada pela literatura sobre a relevância do capital familiar para a filiação partidária e o ingresso na carreira política. Os estudos sobre o tema ressaltam que tal capital é importante principalmente no caso dos partidos de centro e de direita, embora também seja relevante para a esquerda (VAN LIEFFERINGE; STEYVERS, 2009; MIGUEL; MARQUES; MACHADO, 2015). O envolvimento de familiares com a política partidária pode influenciar o nível de interesse político de jovens, suas preferências partidárias e seu comportamento político. Além disso, jovens provenientes de famílias altamente envolvidas na política começam sua carreira política mais cedo e tendem a obter mais sucesso eleitoral, embora nem sempre sigam os caminhos políticos trilhados pelos familiares (VAN LIEFFERINGE; STEYVERS, 2009).

As hipóteses 2 e 3 são ancoradas nos estudos que enfatizam a força do capital militante para a atuação política juvenil, especialmente no que se refere à experiência dos jovens nos movimentos estudantis e/ou nos movimentos sociais, sobretudo no caso dos partidos de centro-esquerda e de esquerda (SNOW; ZURCHER JR; EKLAND-OLSON, 1980). Os movimentos estudantis e os movimentos sociais são os principais motivadores dos jovens para a militância e a filiação partidária, seguido do engajamento político de familiares, amigos e pessoas próximas. Estudos empíricos mostram que as entidades estudantis ainda são consideradas relevantes meios de recrutamento partidário juvenil (STOLLE; HOOGHE, 2004, p.44). Apesar do arrefecimento dos movimentos estudantis no Brasil após a redemocratização, ainda continuam como forças políticas associadas principalmente a partidos de esquerda (MESQUITA, 2003; BARBOSA, 2008).

A relação com os partidos é adensada quando as agremiações partidárias conseguem expressar em seus discursos, programas e plataformas de ação que refletem ou se coadunam com o ideário dos movimentos estudantis, “suas estratégias, sua visão de mundo, sua proposta global de sociedade” (MESQUITA, 2003, p.125). Por outro lado, há movimentos que evitam a proximidade com os partidos, argumentando que “a partidarização cria um estilo de intervenção que dificulta o surgimento de qualquer outra forma de manifestação ou expressão, limitando a própria forma de intervenção estudantil” (MESQUITA, 2003, p.128).

Os movimentos estudantis são considerados campos de experimentação política para os jovens, uma espécie de laboratório de reflexão e de ação política, permitindo aos grupos juvenis testar e experimentar modelos de organização política, formas ativas de relacionamento e de construção de alternativas militantes (MELUCCI, 1997). Tais experiências lhes proporcionam formas de expressões do protagonismo juvenil e uma sociabilidade militante. Por essas razões, “continua apresentando-se, como uma das possibilidades de inserção e atuação política para uma parcela dos estudantes” (MESQUITA, 2003, p.118).

A sociabilidade militante leva ao acúmulo de experiências e de capital militante, o que pode servir de elo ou ponte entre os movimentos estudantis e alguns movimentos sociais partidarizados ou não. No caso da relação de entidades juvenis com partidos, a aproximação decorre de afinidade de causas, ou seja, os jovens que participam de movimentos sociais são atraídos para os partidos em função da ação política orientada por causas, sejam elas materiais ou simbólicas, como a defesa de emprego para jovens ou o combate ao machismo, ao racismo, a defesa da equidade de gêneros e as questões ambientais (MORENO; ALMEIDA, 2009). A atração dos jovens por movimentos sociais e entidades com lógicas de ação similares como ONGs e projetos de voluntariado se explica “pela possibilidade de ir além da denúncia, da crítica, privilegiando o agir, como se a mera denúncia ou a crítica não dessem conta da aspiração de ser ator na sociedade” (SPOSITO, 2000, p.86).

Heidar (1994; 2006; 2007) analisa o recrutamento partidário como via de mão dupla, que pode trazer vantagens tanto para as legendas quanto para os próprios filiados. O autor argumenta que os filiados são atores privilegiados nas democracias representativas e garantem um monitoramento mais próximo da política, a exemplo das pesquisas encomendadas pelas legendas. Além disso, segundo o autor, os filiados apresentam maiores chances de influenciar a seleção de candidatos e a elaboração do programa político do partido, dependendo do grau de democracia intrapartidária (HEIDAR; SAGLIE, 2003). Do ponto de vista do membro individual, o partido constitui uma arena de informação, educação, articulação de interesse, debates e tomada de decisão. Apesar de não haver uma tipologia definida das vantagens da filiação partidária, o autor afirma que o cálculo sobre os benefícios da adesão ao partido depende do tipo de agremiação, do ambiente político e social e da própria personalidade e interesses dos filiados.

As análises de Heidar (1994; 2006; 2007) resultaram em um esquema analítico que inclui cinco elementos envolvidos no processo de recrutamento partidário: quem, por que, o que, opiniões e efeitos13 conforme exposto na Figura 2:

Fonte: Elaboração própria, om base em Heidar (1994; 2006; 2007).

Figura 2. Elementos envolvidos no recrutamento partidário 

No caso do recrutamento juvenil, a tese do autor é de que primeiro os partidos recrutam jovens para aumentar sua legitimidade interna e depois para obter legitimidade externa, ou seja, da opinião pública. Assim, o recrutamento juvenil exerceria uma dupla e estratégica função política. O autor ressalta ainda a relação entre os filiados, os ativistas/militantes não filiados e os eleitores para o sucesso eleitoral de um partido, conforme demonstrado na Figura 3.

Fonte: Elaboração própria, com base em Heidar (1994; 2006; 2007).

Figura 3. Relação entre filiados, militantes e eleitores 

Testes das hipóteses

Hipótese-1: Quanto mais à direita no espectro político partidário, maior a influência de familiares na filiação partidária dos jovens.

Utilizando o teste qui-quadrado, a hipótese-1 foi confirmada, χ2 (1) = 39,518, (p<0,001), indicando que houve uma associação significativa entre o espectro político partidário e a influência de familiares na filiação partidária dos jovens. Com base no risco relativo, os jovens tiveram 2,48 mais chances de ser de direita quando têm influência de familiares na filiação partidária, conforme detalhado na Tabela 11.

Tabela 11. Testes de qui-quadrado da hipótese 1 

Valor Gl Sig. Assint. (2 lados) Sig exata (2 lados) Sig exata (1 lado)
Qui-quadrado de Pearson 39,518 1 0,000
Correção de continuidade 37,282 1 0,000
Razão de verossimilhança 45,406 1 0,000
Associação Linear por Linear 39,363 1 0,000
N de Casos Válidos 254*
Risco relativo 2,48

* Amostra ajustada após ponderação de casos (Weight Cases)

Fonte: Elaboração própria.

A análise dos dados da tabela de contingência, detalhados na Tabela 12, indica que a contagem de entrevistados associados à direita no espectro político e que tiveram influência de familiares na filiação partidária (34 jovens) foi superior à esperada pelo modelo (16,6 jovens). Essa diferença (104,91%) entre a contagem real e a esperada evidencia a confirmação da hipótese pelo teste qui-quadrado.

Tabela 12. Tabela de contingência da hipótese 1 

Espectro
Influência de familiares na filiação Esquerda Direita Total
Sem influência Contagem* 135 83 218
Contagem esperada* 117,6 100,4
Com Influência Contagem* 2 34 36
Contagem esperada* 19,4 16,6
Total* 137 117 254

* Amostra ajustada após ponderação de casos (Weight Cases)

Fonte: Elaboração própria.

Hipótese-2: Quanto mais à esquerda no espectro político partidário, maior a influência de movimentos estudantis na filiação partidária dos jovens

Utilizando o teste qui-quadrado, a hipótese-2 foi confirmada, χ2 (1) = 10,086, (p<0,005), indicando que houve uma associação significativa entre o espectro político partidário e a influência de movimentos estudantis na filiação partidárias dos jovens. Com base no risco relativo, os jovens tiveram 1,51 mais chances de ser de esquerda quando têm influência de movimentos estudantis na filiação partidária, conforme detalhado na Tabela 13.

Tabela 13. Testes de qui-quadrado da hipótese 2 

Valor Gl Sig. Assint. (2 lados) Sig exata (2 lados) Sig exata (1 lado)
Qui-quadrado de Pearson 10,086 1 0,001
Correção de continuidade 9,106 1 0,003
Razão de verossimilhança 10,511 1 0,001
Associação Linear por Linear 10,046 1 0,002
N de Casos Válidos* 254
Risco relativo 1,51

* Amostra ajustada após ponderação de casos (Weight Cases)

Fonte: Elaboração própria

A análise dos dados da tabela de contingência, detalhados na Tabela 14, indica que a contagem de entrevistados associados à esquerda no espectro político e que tiveram influência de movimentos estudantis na filiação partidária (37 jovens) foi superior à esperada pelo modelo (27 jovens). Essa diferença (37%) entre a contagem real e a esperada evidencia a confirmação da hipótese pelo teste Qui-quadrado.

Tabela 14. Tabela de contingência da hipótese 2 

Espectro
Influência de movimentos estudantis na filiação Esquerda Direita Total
Sem influência Contagem* 100 104 204
Contagem esperada* 110 94
Com Influência Contagem* 37 13 50
Contagem esperada* 27 23
Total* 137 117 254

* Amostra ajustada após ponderação de casos (Weight Cases)

Fonte: Elaboração própria.

Hipótese-3: Quanto mais à esquerda no espectro político partidário, maior a influência de movimentos sociais na filiação partidária dos jovens

Utilizando o teste qui-quadrado, a hipótese-3 foi confirmada, χ2 (1) = 7,165, (p<0,01), indicando que houve uma associação significativa entre o espectro político partidário e a influência de movimentos sociais na filiação partidária dos jovens. Com base no risco relativo, os jovens tiveram 1,43 mais chances de ser de esquerda quando têm influência de movimentos sociais na filiação partidária, conforme detalhado na Tabela 15.

Tabela 15. Testes de qui-quadrado da hipótese 3 

Valor gl Sig. Assint. (2 lados) Sig exata (2 lados) Sig exata (1 lado)
Qui-quadrado de Pearson 7,165 1 0,007
Correção de continuidade 6,317 1 0,012
Razão de verossimilhança 7,416 1 0,006
Associação Linear por Linear 7,137 1 0,008
N de Casos Válidos* 254
Risco relativo 1,43

* Amostra ajustada após ponderação de casos (Weight Cases)

Fonte: Elaboração própria.

A análise dos dados da tabela de contingência, detalhados na Tabela 16, indica que a contagem de entrevistados associados à esquerda no espectro político e que tiveram influência de movimentos sociais na filiação partidária (33 jovens) foi superior à esperada pelo modelo (24,8 jovens). Essa diferença (33%) entre a contagem real e a esperada evidencia a confirmação da hipótese pelo teste qui-quadrado.

Tabela 16. Tabela de contingência da hipótese 3 

Espectro
Influência de movimentos sociais na filiação Esquerda Direita Total
Sem influência Contagem* 104 104 208
Contagem esperada* 112,2 95,8
Com Influência Contagem* 33 13 46
Contagem esperada* 24,8 21,2
Total* 137 117 254

* Amostra ajustada após ponderação de casos (Weight Cases)

Fonte: Elaboração própria

O resultado dos testes das hipóteses é resumido no Quadro 6.

Quadro 6. Resultado do teste das hipóteses 

Hipótese Resultado do teste
1. Quanto mais à direita no espectro político partidário, maior a influência de familiares na filiação partidária dos jovens. Confirmada
2. Quanto mais à esquerda no espectro político partidário, maior a influência de movimentos estudantis na filiação partidária dos jovens. Confirmada
3. Quanto mais à esquerda no espectro político partidário, maior a influência de movimentos sociais na filiação partidária dos jovens. Confirmada

Fonte: Elaboração própria.

Considerações finais

Como exposto acima, foram confirmadas empiricamente as três hipóteses que envolveram relações entre as variáveis “espectro” (espectro político partidário) e “filiação” (fatores de influência na filiação). A relação mais significativa (p<0,001) e com maior efeito (risco relativo=2,48) foi verificada na hipótese-1: “Quanto mais à direita no espectro político partidário, maior a influência de familiares na filiação partidária dos jovens”. As demais hipóteses também confirmaram a relação entre o espectro (esquerda) e a influência de movimentos estudantis ou sociais na filiação partidária.

Os dados confirmam o que já é documentado na literatura acerca da importância do capital familiar para o ingresso na carreira política, especialmente nos partidos de centro e de direita (MIGUEL; MARQUES; MACHADO, 2015). Os parentes mais próximos são os que exercem maior influência no caso dos jovens que foram motivados pelo capital familiar, principalmente os irmãos (36,6%) e os pais (27,7%). A maior influência dos irmãos certamente se justifica pela proximidade etária, visto que o fator geracional é um aspecto relevante no recrutamento partidário, conforme foi tratado na primeira parte do texto (VOMMARO, 2013; JENNINGS, 2002).

Convém salientar que as análises sobre o capital familiar e sua relevância para o recrutamento partidário juvenil foi uma das questões teóricas centrais expostas na primeira parte do texto, especialmente na parte que estabeleceu a correlação entre a literatura e as hipóteses. Tal como na bibliografia mencionada, os dados reforçam a expressividade do capital familiar para a filiação partidária e o ingresso na carreira política sobretudo no caso dos partidos de centro e de direita (VAN LIEFFERINGE; STEYVERS, 2009; MIGUEL; MARQUES; MACHADO, 2015).

A título de exemplo da proeminência do capital familiar na política brasileira, é oportuno mencionar que, entre os parlamentares eleitos em 2014, 42% são herdeiros políticos, ou seja, filhos ou irmãos de pessoas com longa carreira na política (MEDEIROS, 2016). Nas eleições de 2010, o site Congresso em Foco apurou que, dos 513 deputados eleitos, 271 deputados tinham parentes na política, correspondendo a 48% do total de eleitos em 2010. No caso do Senado, os percentuais atingiam dois terços, ou seja, 54% (SARDINHA; CARMARGO, 2011).

Por outro lado, o capital militante permanece de grande relevância para o ingresso dos jovens na política, seja a militância nos movimentos estudantis e/ou nos movimentos sociais, especialmente no caso dos partidos de centro-esquerda e de esquerda (MORENO; ALMEIDA, 2009; SPOSITO, 2000). As relações com outros jovens vinculados a movimentos estudantis que já são filiados, representam 19,9% das motivações para a decisão de filiação, conforme foi exposto anteriormente (Tabela 5). As relações com outros jovens que participam de movimentos sociais representam 16,1%. Somando essas duas formas de capital militante, temos 36%, ou seja, mais de um terço das respostas.

É oportuno ressaltar que essa discussão norteou a fundamentação teórica relativa às hipóteses 2 e 3. Como vimos, os dados estão alinhados com a literatura mencionada na primeira parte do artigo, que enfatiza a força do capital militante para a atuação política juvenil, a exemplo dos movimentos estudantis e/ou nos movimentos sociais (SNOW; ZURCHER JR; EKLAND-OLSON, 1980; STOLLE; HOOGHE, 2004; MESQUITA, 2003; BARBOSA, 2008).

Entendemos que os dados ainda podem ser explorados sob diversas abordagens e possibilidades, mas cumprimos o nosso objetivo inicial, cujo foco era mapear o perfil dos jovens filiados a partidos no Brasil na atualidade e suas percepções sobre a agenda política e os próprios partidos. Trata-se de um tema pouco explorado no Brasil e que pode interessar a outros pesquisadores, de várias disciplinas, como Ciência Política. Sociologia, Educação e outras.

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5 Vários estudos focam a militância juvenil ou as carreiras militantes, porém com predomínio das abordagens sobre socialização política, ou seja, aprendizado e não como algo que contemple os jovens como sujeitos de fato da política partidária. As pesquisas de Ana Karina Brenner (2009; 2011; 2013; 2014a; 2014b; 2015) exemplificam bem essa tendência presente nas áreas de Educação, Antropologia e Sociologia. A ciência política tem ignorado essa agenda de pesquisa.

6 A pouca atenção da ciência política aos jovens é tanta que leva Nicoletti (2013) a afirmar que os poucos estudos são vistos como integrantesdo campo de minorias políticas. Uma explicação encontrada na literatura é que “os jovens ainda são numericamente inexpressivos nas listas de candidatos partidários” (Teixeira, 2008, p.103), embora faltem estudos empíricos para explicar tal ausência.

7 Aqui os autores criticam estudos como os de Rahn e Transue 1995; e de Putnam 2000.

8 Tradução dos autores, aqui e nas citações seguintes.

9 O qui-quadrado de Pearson é utilizado para verificar a independência entre variáveis categóricas, ou seja, medir se as variações de cada variável são independentes entre si ou não. Trata-se de uma estatística baseada na ideia simples de comparar frequências observadas em certas categorias com as frequências esperadas obtidas ao acaso nessas mesmas categorias. Os testes também utilizaram a estatística da Razão de Verossimilhança, na qual alguns dados são coletados para se criar um modelo para o qual a probabilidade de obter o conjunto de dados observados é maximizada e, então, compara-se esse modelo à probabilidade de obter aqueles dados sob a hipótese nula (FIELD, 2009).

10 A classificação do espectro ideológico dos partidos teve como base o estudo de Tarouco; e Madeira (2013)

11 Aqui trata-se do total de filiados de cada legenda, enquanto a coluna 2 apresenta o total de filiados jovens.

12 O predomínio de respondentes em capitais e regiões metropolitanas certamente se devem a dois fatores: maior densidade populacional e maior acesso à internet.

13 Em inglês: Who, Why, What, Opinions, Effects.

Recebido: 18 de Outubro de 2018; Aceito: 26 de Agosto de 2019

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