SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.8 número22Fidelino de Figueiredo na origem dos estudos de Literatura Portuguesa no BrasilEstudos Camonianos índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Estudos Avançados

versão impressa ISSN 0103-4014versão On-line ISSN 1806-9592

Estud. av. v.8 n.22 São Paulo set./dez. 1994

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-40141994000300056 

ORIGENS E ATUAIS LINHAS DE PESQUISA

HUMANIDADES

 

Literatura Portuguesa

 

 

Maria Aparecida Santilli

 

 

As origens da Área de Literatura Portuguesa situam-se, em 1934, nos próprios fundamentos da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, quando vieram a funcionar os cursos de Letras Clássicas e Português e de Línguas Estrangeiras visto que, nesse mesmo ano, em virtude do Decreto Federal n° 39, de 3 de setembro, estabeleceram-se dois setores: o de Letras e o de Ciências, ficando as Letras subdivididas em Clássicas e Modernas.

Entre as cinco cadeiras então constantes da subseção de Letras Clássicas e Português que compuseram, portanto, o setor de Letras, inscreveu-se a cadeira, de Literatura Luso-Brasileira.

Com a reforma instituída pelo Decreto nº 12.511, de 21/01/42, entre as cadeiras de Letras Clássicas e Português, houve um desmembramento que resultou na criação das de Literatura Portuguesa e de Literatura Brasileira.

Na seqüência das primeiras sedes do Departamento de Letras que funcionaram, antes, no terceiro pavimento da Escola Caetano da Campos, à praça da República, e, depois, à rua Maria Antonia nº 258, em prédio contíguo ao da Reitoria da USP, instalou-se, num andar do prédio da rua Frederico Steidel n° 137 (hoje demolido), o Instituto de Estudos Portugueses, criado em 1948, através do qual a cadeira de Literatura Portuguesa estenderia suas atividades de estudo e pesquisa.

Cabe, nesta instância, rememorar que as conturbações políticas de 1968 implicaram que todo o setor de Letras, como os outros, tivesse sua transferência abrupta e traumática para o campus da Cidade Universitária, onde acabaria por situar-se, finalmente, à avenida Professor Luciano Gualberto, 403.

Com a Lei de Diretrizes e Bases (Lei nº 24, de 20/12/1961) e a reforma dos Estatutos da Universidade de São Paulo e da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, consolidando a divisão das Letras em Clássicas, Neolatinas e Anglo-Germânicas, a cadeira de Literatura Portuguesa foi considerada básica.

Em 1966, as medidas determinadas para outra reforma universitária resultariam no Decreto n° 52.326 que definiu, no seu Artigo 4º, as Unidades Universitárias nas quais os Departamentos, com as disciplinas 'afins, constiuíram as menores frações da Universidade, no seu Artigo 5º, enumerou, em 13° lugar e já com a denominação que tem hoje, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas.

Em 1969, os cursos opcionais do Departamento de Letras e dos outros, após os três anos do bacharelado, passaram a ser designados de Cursos de Pós-Graduação, assim oficializados pela Portaria 885, de 25 de agosto do mesmo ano.

Aos 15 de janeiro de 1970, a Portaria GR 1.023 elencou as disciplinas e as áreas de Letras, depois agrupadas nos termos do Artigo 14 da Portaria GR 1380, de 01/02/71, ficando a disciplina Literatura Portuguesa confirmada entre as do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas, conforme hoje está.

Como memória da presença da área de Literatura Portuguesa na história administrativa do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas, registre-se que a ata da primeira reunião, instaladora, presidiu-se pelo professor Antônio Augusto Soares Amora, então eleito o primeiro chefe do DLCV.

Em 1971, com a reorganização dos Cursos de Pós-Graduação, deu-se novo impulso à pesquisa na área de Literatura Portuguesa, a qual vieram a acoplar-se as disciplinas de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa e de Literatura Infanto-Juvenil de Língua Portuguesa.

A área de Literatura Portuguesa ora pode representar-se, no tocante às suas atividades de pesquisa, pelos projetos relacionados a seguir:

História do simbolismo português; História da literatura portuguesa moderna e contemporânea; A voz intinerante (sobre o romance português contemporâneo); A estética romântica; Utopia e memória cultural: literaturas de língua portuguesa entre o diálogo e o confronto; Brasil-Portugal (1974-1987): repensando identidades (projeto articulado a Brasil/Portugal: quatro momentos de relações culturais; História do romantismo português; O romance contemporâneo português: mito e ficção; História da literatura portuguesa; Panorama da literatura portuguesa sob a óptica intertextual; História do teatro português; História intertextual do teatro português; História da literatura barroca em Portugal; História do realismo em Portugal; A estética barroca; A estética realista; Estudos medievais; O romance de Júlio Dinis e o liberalismo em Portugal; Realidade e ficção no romance de Alexandre Herculano; A tragédia contemporânea em Portugal; Escatologia e cosmogonia no teatro de Bernardo Santareno; Catarse e distanciamento da dramaturgia de Bernando Santareno; O legado de Esquilo: Mourning becomes Electro,, de Eugene O'Neill; Nelson Rodrigues e Harold Pinter: tragédia e degradação da familia; O episodio de Inés de Castro no panorama da dramaturgia portuguesa; Sebastião no América: construção, análise, perspectivas; O fantástico em A jangada de pedra, de José Saramago; História e ficção em História do Cerco de Lisboa, de José Saramago; Destruição e criação nos romances de José Saramago; A poesia angolana moderna: Agostinho Neto e Antero de Abreu; Pasárgada: o circuito do tema nas literaturas de língua portuguesa; Imaginário e identidade cultural em literaturas de língua portuguesa; Relações culturais luso-brasileiras. Tema: Brasil/Portugal: quatro momentos de relações culturais; História da literatura clássica portuguesa; Estética clássica; Repercussão dos imaginário camoniano no modernismo brasileiro; Literatura e história: do épico em Os Lusíadas e em Mensagem; Fernando Pessoa poesia e prosa; O imaginário das navegações na poesia portuguesa do século XX; Poesia portuguesa da modernidade; Literatura portuguesa moderna; Literatura infantil em Portugal e no Brasil; Teorias críticas do século XVI e a poesia lírica camoniana; Modernismo e modernidade nas literaturas de língua portuguesa.

 

 

Maria, Aparecida, Santilli é professora do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Creative Commons License Todo o conteúdo deste periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons