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Estudos Avançados

versão impressa ISSN 0103-4014versão On-line ISSN 1806-9592

Estud. av. v.8 n.22 São Paulo set./dez. 1994

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-40141994000300074 

ORIGENS E ATUAIS LINHAS DE PESQUISA

HUMANIDADES

 

Escola de Comunicações e Artes

 

 

Virgílio Noya Pinto

 

 

A idéia da criação de uma escola de comunicação emergiu da conjuntura histórica na qual as novas tecnologias e novos pensares transformavam aquele setor em nao só estratégico, como de profunda repercussão social. No Brasil criavam-se a Embratel — Empresa Brasileira de Telecomunicações (1965), a Embrafilme — Empresa Brasileira de Filmes (1969), a Telebrás — Telecomunicações Brasileiras S.A. (1972), além de um Ministério específico, o das Comunicações (1967).

Atenta a estas transformações, a Universidade de São Paulo criou, através do Decreto no 46.419, de 15 de junho de 1966, assinado pelo governador Laudo Natel e pelo reitor Gama e Silva, um novo instituto que recebeu a denominação de Escola de Comunicações Culturais. Com ela, as graduações em jornalismo, rádio e televisão, relações públicas, teatro, cinema, e biblioteconomia e documentação, se consagraram em nível universitário.

Como primeiro diretor do novo instituto foi nomeado o professor Júlio Garcia Morejón, catedrático da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Esta nomeação já demonstrava os vínculos que a Escola de Comunicações Culturais manteria com a Faculdade de Filosofia, não apenas pelas colaborações que vários de seus docentes prestaram à nova Unidade, mas também pelo modelo administrativo por ela adotado.

A instalação da nova escola se deu através da realização de concurso público de títulos para a constituição do corpo docente inicial e da realização do primeiro vestibular em março de 1967. A procura da sociedade pelas novas áreas se fez sentir de imediato quando se inscreveram 1.247 candidatos para apenas 200 vagas, aumentadas posteriormente para 300, em função da matrícula de mais 100 excedentes que obtiveram média no exame de seleção.

Criada num momento de contestações e convulsões nacionais e internacionais a Escola sofreu, primeiro o impacto do movimento dos excedentes e depois, frágil ainda, ao iniciar seu segundo ano de vida, mergulhou na crise estudantil de 1968, na violência do Ato Institucional n° 5 e na Reforma Universitária de 1969. Por esta reforma passou a ser denominada de Escola de Comunicações e Artes (ECA) e com a inclusão posterior de novos setores, teve seu eixo de ensino e pesquisa organizado em dois segmentos.

O de Comunicações, composto pelos Departamentos de:

  • Biblioteconomia e Documentação;
  • Jornalismo e Editoração;
  • Relações Públicas, Publicidade e Propaganda e Turismo;
  • Cinema, Rádio e Televisão.

O de Artes, pelos Departamentos de:

  • Artes Cênicas;
  • Artes Plásticas;
  • Música.

E, para atender às novas estruturas curriculares do Conselho Federal de Educação, foi criado o 8° Departamento, de Comunicações e Artes, com o objetivo inicial de ministrar disciplinas básicas e comuns para os cursos de graduação tanto de Comunicações como de Artes.

Por força da reforma, dois dos antigos departamentos, o de Estudos Históricos e Filosóficos e o de Línguas Modernas, foram dissolvidos e a maior parte dos seus docentes retornou à Faculdade de Filosofia.

Em 1969 ocorreu a incorporação da Escola de Arte Dramática — EAD, na condição de Colégio Técnico de nível médio. Fundada em 2 de maio de 1948 por Alfredo Mesquita, a EAD já estava vinculada à USP desde 1966 e ao ser incorporada à ECA, tornou-se o segundo laboratório de nível médio da Universidade, sendo o primeiro o da Escola de Aplicação da Faculdade de Educação.

Enquanto seu corpo docente perfazia a carreira universitária, a ECA foi administrada por um Conselho Técnico Administrativo indicado pelo Magnífico Reitor e teve como diretores, catedráticos de outras unidades.

Com a instalação da Congregação e com os concursos de titulares, a ECA começou a indicar seus diretores.

Marchando para o seu amadurecimento universitário, em 1972 foi instalado o curso de pós-graduação nos moldes dos novos estatutos da USP abrindo-se as inscrições para mestrado em Ciências da Comunicação. Em 1974 deu-se início à pós-graduação em Artes, também para mestrado e somente em 1980 completou-se o conjunto da pós-graduação, com a abertura do doutorado em ambas as áreas de concentração.

Até o momento, significativa parcela dos docentes, e mesmo dos seus primeiros alunos graduados, iniciou sua titulação universitária na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Grande é o número de docentes da Escola que lá obtiveram seus mestrado e doutorado, estreitanto ainda mais os vínculos intelectuais e afetivos com aquela Unidade.

Atualmente, a pós-graduação da ECA está sofrendo modificações com o desmembramento das duas antigas áreas de concentração. Já foram instalados os seguintes novos programas:

  • Ciências da Informação e Documentação (mestrado e doutorado);
  • Jornalismo (mestrado e doutorado);
  • Turismo e Lazer (mestrado);
  • Comunicação para o Mercado (mestrado);
  • Imagem e Som (mestrado);
  • Artes Cênicas (mestrado e doutorado);
  • Musicologia (mestrado).

Da antiga área de Ciências da Comunicação permanecem:

  • Comunicação (mestrado e doutorado);
  • Relações Públicas e Propaganda (doutorado);
  • Rádio e Televisão (doutorado);

e, na antiga área de Artes, continuam:

  • Artes Plásticas (mestrado e doutorado);
  • Cinema (doutorado).

Por ser uma Unidade profundamente relacionada com os movimentos sócio-econômicos, a ECA vive cotidianamente a pressão do processo histórico e sofre o impacto das novas tecnologias. Comunicações e Artes são, hoje, campos decisivos no gerenciamento das mutações tecnológicas e suas relações com o comportamento cultural, seja no âmbito nacional, seja no internacional.

Com maior ou menor êxito, tem sido meta constante da Escola, a preocupação com a formação de bons profissionais nas áreas da sua competência. A ECA tem a obrigação de prepará-los como os mais competentes do país.

Mas, sincrônico a este primeiro compromisso, ela tem de estar atenta para as transformações que ocorrem ao seu redor. Assim como se rompem as barreiras políticas e econômicas, o mesmo fenômeno está acontecendo — até com maior virulência — nas áreas do conhecimento. É este o grande estímulo deste final do século XX: preparar profissionais capazes de intermediar os desafios, não somente de sua área de atuação, mas com capacidade de interagir perante o cenário de perspectivas de mudanças e de inovações que já prenunciam o século XXI.

 

 

Virgílio Noya Pinto é professor da Escola de Comunicações e Artes da USP.

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