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Estudos Avançados

versão impressa ISSN 0103-4014versão On-line ISSN 1806-9592

Estud. av. v.8 n.22 São Paulo set./dez. 1994

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-40141994000300087 

INSTITUTOS ESPECIALIZADOS E MUSEUS

 

MAC: uma coleção contemporânea

 

 

Lisbeth Rebollo Gonçalves

 

 

O Museu de Arte Contemporânea foi criado em 1963, quando a Universidade de São Paulo, na gestão do reitor Ulhôa Cintra, recebeu de Francisco Matarazzo Sobrinho, então presidente do Museu de Arte Moderna de São Paulo, o acervo que constituía o MAM.

Nos documentos de transferência do acervo para a USP consta a data de 8 de fevereiro, mas o início das atividades do MAC se dá dois meses depois, no dia 8 de abril. O Museu de Arte Contemporânea da USP tem, pois, como herança, a história da constituição da primeira coleção especializada em arte do século XX na América Latina.

Na história de nosso Museu não houve qualquer participação do Estado, nenhuma política de ação efetiva de teor público, embora se possa visualizar na experiência do Departamento de Cultura — criado em 1935, no município de São Paulo, através do projeto intelectual de personalidades como Paulo Duarte, Mário de Andrade, Sérgio Milliet, entre outros — uma primeira tomada de consciência da necessidade de uma ação organizada voltada para a arte moderna. Pensava-se um modelo de Museu que produzisse a formação e a informação atualizada do conhecimento artístico contemporâneo.

Como todo o acervo museológico, o do MAC-USP se constrói dentro da realidade histórica. Portanto, seu perfil é circunstanciado por valores em torno dos quais fluem a mentalidade de nossa vida intelectual, de nosso processo de modernização social, das características de nossa modernidade.

O perfil da coleção originária do MAC permite-nos situar a presença de um padrão histórico de produção e recepção da arte nitidamente delimitado e demarcado pela relação Europa-Brasil, nucleado em forma de aspectos ou de artistas dos principais movimentos da primeira metade do século.

Num segundo momento, outro fator constitui alavanca para a formação do acervo, garantindo de alguma maneira sua atualização em termos de contemporaneidade. Trata-se da ação institucional da Bienal de São Paulo.

Ao longo dos seus primeiros dez anos de existência, de 1951 a 1961, a Bienal de São Paulo é um evento internacional do MAM; depois, por intermédio da própria Bienal, quer através dos prêmios de aquisição, quer por doações individuais dos artistas que a ela comparecem, a coleção do MAC se enriquece com a presença de nomes que se destacam no cenário artístico mundial.

Ao longo de seus 31 anos de atividades na USP, pela interveniência de seus diretores e a duras penas, o MAC procura garantir esta dinâmica, embora se vá defasando a representatividade do contemporâneo.

Integrando a USP, o MAC possui um privilégio, um diferencial importante: o de poder estar em interação viva com a pesquisa científica, tecnológica e cultural que se constrói na mais importante universidade brasileira.

Hoje, seu acervo possui 5362 obras, entre óleos, desenhos, gravuras, esculturas, objetos e obras conceituais, o que o coloca como um museu muito importante, mesmo no cenário internacional.

 

 

Lisbeth Rebollo Gonçalves é diretora do Museu de Arte Contemporânea da USP.

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