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Estudos Avançados

versão impressa ISSN 0103-4014versão On-line ISSN 1806-9592

Estud. av. v.11 n.30 São Paulo maio/ago. 1997

https://doi.org/10.1590/S0103-40141997000200001 

EDITORIAL

 

 

A PERGUNTA CORTANTE de Theodor W. Adorno, como escrever poesia depois de Auschwitz?, não cessa de repropor-se aos que fazem da palavra escrita o seu meio habitual de comunicação. Seria o caso de reiterar a questão, tendo agora sob os olhos as fotos avassaladoras de Sebastião Salgado e, mais adiante, os flashes da repressão aos camponeses e aos presos do Carandiru.

A brutalidade do ser humano não se aplacará jamais, apesar de séculos de modernidade tida por avançada por tantos sociólogos positivistas, evolucionistas e marxistas? Mas é do mesmo pensador da dialética negativa que nos vem uma possível resposta àquela interrogação. Escrevendo sobre a Educação depois de Auschwitz, Adorno propõe a escolha da via real, talvez a única válida: a educação deve ser crítica e autocrítica; todo o empenho do educador deve concentrar-se na formação democrática do cidadão responsável.

Sim, restou mais de uma possibilidade de fazer ciências humanas e de criar literatura depois da barbárie nazifascista (ou, acrescente-se: estalinista ou maoísta). O que este fim de milênio exige de todas as instituições culturais é o respeito, o convívio com a diferença e o esforço constante para que as assimetrias sociais sejam compensadas por uma consciência aguda dos direitos de todos e de cada um. Esta é a razão de termos aberto o número 30 de ESTUDOS AVANÇADOS com um dossiê Direitos Humanos. O leitor encontra aqui textos que não só constatam as disparidades econômicas e sociais em que vivem os brasileiros, mas formulam propostas objetivas para saná-las. E não por acaso o número se fecha com um conjunto de poemas: também a beleza é direito de todos.

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