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Estudos Avançados

versão impressa ISSN 0103-4014versão On-line ISSN 1806-9592

Estud. av. v.13 n.35 São Paulo jan./abr. 1999

https://doi.org/10.1590/S0103-40141999000100021 

CRIAÇÃO / ARTES VISUAIS

 

Presente e apagado: o universo de James Concagh

 

 

Elza Ajzenberg

 

 

AS OBRAS DO ARTISTA James Concagh, expostas até outubro último, no espaço da Cultura Inglesa (Cidade Universitária), são um convite ao exercício estético da sensibilidade pura.

A formação escultórica do artista motiva a procura, nessas obras, das formas não apenas pelos olhos, mas também pelo tato. O exercício abstrato está na base, de modo especial o apagamento suprematista da imagem imediatamente presente. Representar e depois apagar é o método adotado por Concagh.

Usando o suporte quase branco, com massas espatuladas, em seguida lavadas, deixa entrever perfis de corpos ou fragmentos de faces femininas ou masculinas. Deixando pequenas pistas da corporeidade humana, procura guiar o espectador à sua intimidade.

É necessário um certo comprometimento para acompanhá-lo na sequência monocromática de suas obras. Pistas cinzas mais claras, ou escuras, sinalizam as imagens – melhor seria dizer lembranças de imagens – que o artista propõe sejam seguidas. Expostas em trilha, como pequeno labirinto, as obras são colocadas marcando o sabor da descoberta: um fragmento do corpo humano, ou partes dele, às vezes trechos epidérmicos pontuados por pêlos, são indicativos táteis da aproximação do espectador com o universo do artista. Às vezes, Concagh opta pelo desvio, permitindo que o espectador esbarre em paredes.

Aceito o convite, pode-se entrar em trechos da memória do artista. Fica-se diante de um conteúdo presente ou apagado. Nesse ponto, o convidado deixa de ser espectador e passa a pesquisador, acompanhante. O campo que pode ser lido, nas esculturas ou não-pinturas, é seguido de dúvidas, de esfinges. No percurso, após alguns passos, o pacto passa a ser estabelecido com as obras. As sombras projetadas do espectador e as imagens que emergem do esforço e dos achados provocam interatividade: autor-obra-convidado.

 

 

Elza Ajzenberg é professora da Escola de Comunicações e Artes da USP.

 

 

 

 

 

 

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