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Estudos Avançados

versão impressa ISSN 0103-4014

Estud. av. vol.25 no.71 São Paulo jan./abr. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-40142011000100001 

Editorial

 

 

Quem viveu em São Paulo nos meados do século passado provavelmente se lembrará dos dizeres pintados em letras garrafais nos bondes da Light: São Paulo é a cidade que mais cresce no mundo. São Paulo é o maior centro industrial da América Latina. Eram frases ditadas pelo orgulho ingênuo de participar de um processo de inchaço urbano que os paulistanos confundiam com desenvolvimento.

A cidade mal chegava a contar dois milhões de habitantes. Passado meio século, o crescimento se transformou em pesadelo. Hoje, a Região Metropolitana abriga 19.672.582 de almas, como se dizia em tempos mais amenos. O fato é que são quase vinte milhões de corpos. É da vida sofrida dessa multidão de munícipes que trata a presente edição de estudos avançados.

Não por acaso os artigos aqui reunidos convertem os seus temas em problemas. Seja qual for o aspecto escolhido, o tratamento conduz à forma do desafio. A cidade é um nó de impasses. A rigor, não deveria mais crescer, tendo ultrapassado os limites de uma convivência civilizada; mas quem deterá o ímpeto capitalista no seu afã de ocupar e explorar todos os espaços possíveis tratados como matéria-prima de investimento e lucro? O Estado, ao qual caberia o dever de corrigir a irracionalidade do mercado, é conivente com os lobbies das incorporadoras e empreiteiras. A patologia da metrópole tem raízes na segregação das classes sociais: não há urbanismo viável se predominam em toda parte soluções individuais para questões de moradia, transporte, segurança, ambiente, lazer... Qual a terapêutica, feito o diagnóstico?

Os colaboradores do dossiê tentam franquear os limites do esquema vigente. Para tanto, voltam-se para instâncias comunitárias ou, no outro extremo, supranacionais. Associações de bairro numa ponta; fóruns mundiais, na outra. A experiência local enriquece as discussões globais. E a percepção de que há saídas em nível planetário estimula a ação dos grupos menores. Daí, o convite final à militância.