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Estudos Avançados

Print version ISSN 0103-4014

Estud. av. vol.25 no.73 São Paulo  2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-40142011000300005 

IEAS: CIÊNCIA E SOCIEDADE

 

Ceam: 25 anos de quebra de paradigmas

 

 

Ricardo Wahrendorff Caldas; George Henrique de Souza Coelho

 

 

O centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (Ceam) foi criado em 1986 por um conjunto de professores, a pedido do reitor da Universidade de Brasília (UnB), professor Cristóvam Buarque. Participaram do proces so de criação, além do próprio reitor e ex-governador do Distrito Federal, o atual senador Cristóvam Buarque (PDT-DF), o professor Nielsen de Paula Pires, primeiro diretor do Ceam, e o professor José Geraldo de Sousa Júnior, que ocupa atualmente o mandato de reitor da UnB (2009-2013).

 

O contexto em que foi criada a Universidade de Brasília (UnB)

De certa forma, o Ceam resgatou e retomou princípios que nortearam a própria fundação da Universidade de Brasília. Com efeito, a UnB foi criada pelo presidente João Goulart, sendo seu primeiro reitor o professor Darcy Ribeiro (5.1.1962 a 19.9.1962). A pedra fundamental da Universidade de Brasília data de 15 de dezembro de 1961, quando foi criada a Fundação Universidade de Brasília (FUB), mantenedora da UnB pela Lei n.3.998.1 A Universidade de Brasília, cuja criação foi prevista no artigo 3º da mesma Lei n.3.998, entra em funcionamento simultaneamente no dia 15 de dezembro de 1961 (Portal Ceam/UnB). Em uma decisão original para a época, o reitor da Universidade de Brasília torna-se automaticamente o presidente da Fundação Universidade de Brasília, ocupando ambos os cargos e a presidência do Conselho Universitário (Consuni).

A missão da UnB faz claras referências à questão da responsabilidade social quando esse tema ainda não tinha entrado na agenda política nem era discutido pela sociedade brasileira. Com efeito, a missão da UnB pode ser visualizada a seguir.

 

A missão da UnB

A missão da Universidade de Brasília é produzir, aplicar, preservar e difundir ideias e conhecimentos, pesquisar, propor soluções e abrir caminhos para a sociedade, atuando como um centro dinâmico de progresso e desenvolvimento regional, nacional e mundial, comprometido com a formação profissional de alta qualidade de cidadãos éticos, socialmente responsáveis e com visão à frente do seu tempo.

Ficam evidentes na missão alguns pontos que vão acompanhar a história da UnB, muitos dos quais discutidos no Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (Ceam) até os dias de hoje. Esses são:

i. a missão da Universidade de Brasília é produzir, aplicar, preservar e difundir ideias;
ii. propor soluções e abrir caminhos para a sociedade;
iii. atuar como um centro dinâmico de progresso e desenvolvimento regional, nacional e mundial;
iv. compromisso com a formação [...] de cidadãos éticos, socialmente responsáveis;
v. visão à frente do seu tempo.

Com relação ao item i, a missão da UnB fala em difundir ideias e não apenas conhecimentos. Qual é a razão disso? Como dizia Bertrand Russell (1977):

Desejamos que a área de nosso conhecimento seja a mais ampla possível. Isto, no entanto, é mais da competência da ciência que da filosofia. Um homem não vem a ser necessariamente melhor filósofo graças ao conhecimento de maior número de fatos científicos; são os princípios e métodos, e as concepções gerais, que ele deve apreender da ciência, caso a filosofia seja matéria de seu interesse. A missão do filósofo é, a bem dizer, a segunda natureza do fato bruto. A ciência tenta agrupar fatos por meio de leis científicas; estas leis, mais que os fatos originais, são a matéria-prima da filosofia. A filosofia envolve uma crítica, do conhecimento científico, não de um ponto de vista em tudo diferente do da ciência, mas de um ponto de vista menos preocupado com detalhes e mais comprometido com a harmonia do corpo genérico das ciências especiais. (grifo nosso).

Assim, o conhecimento, para Russel, está associado aos fatos científicos, às descobertas e, finalmente, à própria criação da epistemologia. Nesse sentido, Russell pode ser considerado – assim como Platão e Aristóteles – um dos pais da Epistemologia. Por sua vez, as ideias estão associadas com a ação. Esse fato já havia sido descrito por Aristóteles há muitos séculos:

Mas, por outra parte, há o conceito de práxis, que é a ação, o que se age. Mas, claro, a forma suprema de práxis para Aristóteles, a mais práxis de todas é a teoria. Há, por vezes, a pretensão de opor a teoria à prática, mas a teoria é o que há de mais prático [...]: para Aristóteles, é a forma suprema de práxis, é a contemplação, é a visão. Há o bios politikós; a vida produtiva, há o bios praktikós; e há a forma suprema, o bios theoretikós, a vida teorética, a vida teórica, que é a mais prática de todas, que consiste precisamente na visão, na contemplação, aqui aparece plenamente aquela ideia visual, da visualidade no pensamento de Aristóteles. (Marías, 1999-2000)

Com relação ao item ii, esse reforça a explicação anterior: a Universidade de Brasília foi criada para solucionar problemas. Nesse sentido, ela vai além do conhecimento pelo conhecimento e pretende agir como um dos atores do processo político, não como fórum ou arena do debate (locus), mas como apresentadora de soluções. Assim, o diálogo deve ser direto com a sociedade, incluindo os movimentos sociais, e não estar limitado a pesquisadores ou a especialistas de um dado tema.

O item iii – atuar como um centro dinâmico de progresso e desenvolvimento regional, nacional e mundial – remete-nos inevitavelmente às teses da Cepal dominantes no período. Nesse sentido, a influência das ideias de Celso Furtado na criação da Universidade de Brasília (UnB) são inegáveis.

Com efeito, Celso Furtado participara no Chile da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), órgão das Nações Unidas, desde sua criação. Ao lado de Raúl Prebisch, seu diretor, economista de origem argentina, a Cepal colocaria a questão do desenvolvimento regional, nacional e mundial na agenda dos países em desenvolvimento. Furtado contribuiu como diretor da Divisão de Desenvolvimento da Cepal por cerca de oito anos, entre 1949 e 1957.

Ao retornar ao Brasil, nos anos 1950, Celso Furtado presidiu o Grupo Misto Cepal-BNDES, contribuindo para a elaboração do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek. Em 1959, auxiliou o presidente Juscelino na criação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Poucos anos depois, em 1962, foi convidado por João Goulart para ser o ministro do Planejamento do Brasil e participar da elaboração do Plano Trienal.

Todo esse momento em que o Brasil – e um brasileiro, como Celso Furtado – passa a estar no centro do debate internacional sobre desenvolvimento influencia na criação da Universidade de Brasília como uma instituição que pode dar uma resposta à questão do desenvolvimento e à superação do subdesenvolvimento.

O item iv é o compromisso com a formação de cidadãos éticos e socialmente responsáveis. Nesse sentido, a Universidade de Brasília pretendia não apenas qualificar pessoas para o mercado de trabalho, mas torná-las cidadãs. Os trabalhos de Paulo Freire nos anos 1950 certamente estavam na mente dos idealizadores da Universidade de Brasília: Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira.2

Com efeito, desde 1946, Paulo Freire dirigia o Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social de Pernambuco, no qual educava e iniciava nas letras analfabetos de baixa renda. Anos mais tarde, em 1961, assumiria a direção do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife. Ainda em 1961, Paulo Freire expandiu suas experiências de alfabetização popular, criando a base do futuro Método Paulo Freire.3 O resultado das experiências de Paulo Freire foram tão impactantes que João Goulart, então presidente, apoiou a multiplicação das primeiras experiências de Paulo Freire no Plano Nacional de Alfabetização. A ideia central desse Plano era a formação de educadores em grande número para eliminar o analfabetismo do Brasil no menor espaço de tempo possível, como previa seu método. Assim, o compromisso da Universidade de Brasília (UnB) com a sociedade estaria sendo cumprido com o combate ao analfabetismo.

 

Visão à frente do seu tempo

Por último, mas não menos importante, a criação da Universidade de Brasília caracterizou-se pela busca de novas soluções (item v) que exigem um desprendimento das soluções existentes. Isso significa que a UnB não foi criada para replicar soluções convencionais, mas buscar novas soluções, mesmo que essas implicassem a quebra de valores e tabus existentes naquele momento.

Um exemplo claro dessa prática em pensar na frente do seu tempo foi a proposta da entrada na UnB pelo sistema de quotas raciais, que tantas polêmicas originou em todo o Brasil. O que importa é que essa modalidade despertou o debate sobre a reduzida presença de afro-brasileiros no sistema educacional federal.

O sistema de quotas foi inicialmente discutido nos quadros do Ceam como uma possível alternativa à pequena participação de afro-brasileiros no sistema de ensino público federal de nível superior.

Antes de passarmos para o Ceam, vale a pena destacar o papel de Anísio Teixeira e de Darcy Ribeiro.

Anísio Teixeira, advogado de formação, destacou-se pelo seu trabalho na educação brasileira. Esteve à frente de vários cargos públicos dessa pasta como secretário de Educação da Bahia e do Rio de Janeiro; foi consultor da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil e diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (Inep), hoje Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Criou e dirigiu a Campanha Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), hoje Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior; idealizador e reitor da Universidade de Brasília.

Em todos os cargos que ocupou, Anísio Teixeira sempre buscou implementar uma nova forma de educação influenciado pelos novos pensamentos e teorias surgidos, no início do século XX, na Europa e nos Estados Unidos. Sua principal influência é a do filósofo e pedagogo John Dewey, que estudou e ampliou o entendimento sobre a educação democrática e entendia que o conhecimento e seu desenvolvimento são produto da interação social. Para Dewey, entusiasta da corrente de pensamento Educação Progressiva, a principal função da educação é o desenvolvimento da capacidade de raciocínio e espírito crítico do aluno. Com base nessa teoria, Anísio publicou um dos seus principais livros: Educação para a democracia. Nele, deixava claro que era contra uma educação elitista e lutava para a institucionalização de uma educação de qualidade para toda a população brasileira.

O antropólogo Darcy Ribeiro teve uma vida de grande contribuição nas áreas de educação, sociologia e antropologia. Foi detentor de vários cargos públicos, nos quais, influenciado pelo mestre e amigo Anísio Teixeira, lutou pela reforma educacional brasileira. Foi um dos idealizadores e o primeiro reitor da Universidade de Brasília; ministro da Educação no governo Jânio Quadros; ministro-chefe da Casa Civil do presidente João Goulart; após o golpe militar de 1964, foi exilado em vários países da América Latina, com destaque para o Uruguai, onde defendeu a reforma universitária; foi vice-governador do Rio de janeiro de 1983 a 1987, no qual criou, planejou e dirigiu a implantação dos Centros Integrados de Ensino Público (Cieps), um projeto pedagógico visionário e revolucionário no Brasil de assistência em tempo integral a crianças, incluindo atividades recreativas e culturais para além do ensino formal, dando concretude aos projetos idealizados décadas antes por Anísio; foi senador pelo Rio de Janeiro, onde contribuiu na elaboração da atual Lei de Diretrizes de Base da Educação (LDB) – Lei n.9.394, de 20 de dezembro de 1996.

Com essa visão revolucionária da educação a partir de várias reflexões, Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro traçaram as características da futura Universidade de Brasília, que buscaria, especialmente, a implantação de um ensino democrático e o rompimento com os vícios do academicismo vigentes naquela época.

 

A criação do Ceam e o processo de redemocratização

O início do Ceam está inserido no processo de redemocratização do Brasil e da Universidade de Brasília, que tanto sofreu na época da ditadura militar. A Universidade passou mais de vinte anos sob a intervenção dos militares, um período marcado pela ocupação violenta do campus universitário pelo regime, além da perseguição a alunos e professores, exemplificada pela demissão coletiva de professores em 1965, rendição de cerca de quinhentos estudantes em 1968 e desaparecimento de alunos, como Honestino Guimarães.

Em 1984, o professor Cristóvam Buarque torna-se o primeiro reitor eleito pela comunidade universitária, com a participação de professores e alunos, algo inédito na história da UnB e que representou o grito de liberdade da Universidade. Participaram da votação 616 professores – 80% do corpo docente – e 5.450 alunos – 64% do total de estudantes (Portal UnB). O professor Cristóvam assumiu a reitoria com o intuito de realizar o processo de redemocratização da UnB. Um dos primeiros atos do recém-empossado reitor foi a anistia dos professores que participaram da demissão coletiva de 1965 e a criação da Assessoria de Comunicação da UnB como centro de custo, com o intuito de dar publicidade e transparência às ações da reitoria.

A gestão Cristóvam Buarque definiu como missão principal da sua administração, além da redemocratização, a recuperação dos preceitos originais da Universidade de Brasília traçados por Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira no plano diretor de criação da UnB, elaborado em 1961, que diz: "Só uma universidade nova, inteiramente planificada, estruturada em bases mais flexíveis, poderá abrir perspectivas de pronta renovação do nosso ensino superior". Darcy via a UnB como a casa da consciência crítica de que o Brasil precisava e precisa para produzir conhecimentos em todas as áreas e, assim, ajudar os brasileiros a realizarem as mudanças tão almejadas na sociedade. Dessa forma, a intenção era fazer que a Universidade se libertasse do conservadorismo e retomasse o status de instituição de vanguarda. Para isso, Cristóvam Buarque definiu projetos e metas, além dos mencionados, que visavam à liberação da capacidade criativa de alunos e professores e à promoção do espírito crítico. A ideia era quebrar a hierarquia entre as áreas de conhecimento e revitalizar o ensino, a pesquisa e a extensão.

O Ceam é a materialização de todo esse contexto, pois representa o espírito de renovação e modernização que tomava conta dos brasileiros naquela época. O Centro foi criado para ser a vanguarda na academia, vislumbrada por Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro, prevista no documento original da Universidade. Um dos objetivos, talvez o principal, era produzir conhecimento por meio de uma nova perspectiva: a multidisciplinaridade. A ideia é que professores, estudantes de graduação, pós-graduação, pesquisadores colaboradores ou voluntários e membros da comunidade externa estudem, analisem, problematizem uma temática com base em vários focos, de várias ciências, considerando o tripé ensino, pesquisa e extensão. Produzindo, assim, a integração e a cooperação entre os diversos departamentos, institutos e faculdades da Universidade de Brasília, bem como da comunidade em geral, aproximando a Universidade da sociedade. Outro ponto é a liberdade quanto às temáticas a serem estudadas.

O Centro foi concebido para ser o espaço dinâmico de discussão dos mais diversos assuntos, sem preconceitos, não levando em consideração enquadramentos rígidos da estrutura universitária tradicional. Ele é composto por núcleos originados com base na discussão de temáticas, e essas vão dos estudos sobre Ásia, países caribenhos e Cuba, passam pela questão dos direitos humanos e paz, além dos temas sobre políticas sociais, mulheres, gestão pública, ordenamento urbano, cooperação internacional, infância e juventude, idosos, Amazônia, história e oralidade, estudos agrários, raciais, de gênero, entre outros. Com isso,

essa concepção que privilegia a integração em oposição à fragmentação do processo de produção do conhecimento sobre temas os mais diversos tem como objetivo contribuir para que a Universidade de Brasília fortaleça os seus vínculos com a sociedade e cumpra seu compromisso social. (Vasconcelos, 2008)

No início modesto, com apenas uma sala na reitoria, foi nomeado como primeiro diretor o professor Nielsen de Paula Pires, que tinha em seu currículo larga experiência, dentre outras, como pesquisador do Centro de Estudos Latino-Americanos (Cela), da Faculdade de Ciências Políticas e Sociais da Universidade Nacional Autônoma do México, e carregava na sua história pessoal marcas das ditaduras militares chilena (Moniz Bandeira, 2008) e brasileira, o que o levou a ter vontade de colocar os ideais democráticos em prática. Com esse perfil, ele teve a missão de organizar e estruturar o recém-criado Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares da Universidade de Brasília, juntamente com outros professores pioneiros, entre os quais o professor José Geraldo (atual reitor da UnB) e Roberto Ramos de Aguiar (ex-reitor pro tempore da UnB). Esses professores deram origem a um dos primeiros Núcleos Temáticos do Ceam: Núcleo de Estudos para a Paz e Direitos Humanos (NEP). Tal núcleo representou uma inovação no intuito de desenvolver, academicamente, o tema da paz e dos direitos humanos. Esses professores traçaram o início dos trabalhos e a estruturação do Centro, dando início a uma história de grandes conquistas, mas também de muitas dificuldades.

Por ser um projeto vanguardista/visionário que busca a reformulação da estrutura clássica da academia e por sua existência em si representar uma forma de reflexão sobre a configuração da Universidade, houve muita resistência quanto à manutenção do projeto. Durante os anos 1980, houve a estruturação inicial, e nos anos 1990 ocorreram várias tentativas de extinção do Centro, com sérias críticas à sua existência. Em certas ocasiões, projetos dos núcleos eram contestados e não aprovados pelos órgãos superiores da Universidade, que considerava o Centro, de acordo com uma visão política, algo não acadêmico. Entretanto, mediante a gestão dos professores Aldo Paviani – professor emérito da UnB e especialista em urbanismo; Roberto Aguiar – que anos mais tarde tornar-se-ia reitor pro tempore da UnB; Eleutério Neto; e, novamente, do professor Nielsen, o Ceam resistiu aos ataques e se manteve. Vários núcleos foram criados nesse período com temáticas contemporâneas que suscitam diversas reflexões em nossa sociedade. Todos os núcleos, de certa forma, são considerados inovadores pela forma estrutural com que foram concebidos. Por exemplo: o Núcleo de Estudos da Paz e dos Direitos Humanos (NEP); Núcleo de Estudos e Pesquisa em Políticas Sociais (Neppos); Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher (NEPeM); Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab); Núcleo de Estudos Agrários (Neagri); Núcleo de Estudos Urbanos e Regionais (Neur); Núcleo de Estudos de Saúde Pública (Nesp); Núcleo de Estudo e Pesquisa em Bioética (NEPeB); Núcleo de Estudos Europeus (NEE); e Núcleo de Estudos de Organização Multilaterais, Negociações Internacionais, Turismo, Logística e Tecnologia (Neomni TEL-TEC).

O Núcleo de Estudos da Paz e dos Direitos Humanos (NEP), citado anteriormente, propõe-se a produzir conhecimento novo sobre a paz e os direitos humanos, e sua criação

representou a mais nítida e pioneira iniciativa concernente ao desenvolvimento de uma consciência acadêmica sobre os direitos humanos no âmbito da Universidade de Brasília. O NEP trabalha pautado por três linhas principais de estudos e pesquisa: a pesquisa para a paz, propriamente dita, que foi coordenada pelo professor Nielsen de Paula Pires e focalizada nos estudos de graduação (disciplina Pesquisa para a Paz). O direito achado na rua, cuja referência principal é o curso de extensão a distância, com o mesmo título, é atualmente uma série editorial (Série "O direito achado na rua"), com três volumes já publicados e várias re-edições: v.1, 1987: Introdução crítica ao direito; v.2, 1993; Introdução crítica ao direito do trabalho; e v.3, 2003: Introdução crítica ao direito agrário; e direitos humanos e cidadania, compreendendo um conjunto de atividades, eventos acadêmicos e intervenções, no qual se destaca a institucionalização na UnB da disciplina de graduação Direitos Humanos e Cidadania. (Sousa Júnior, 2004, p.10)

Em 2010, com cerca de 23 anos de ininterrupta atividade de pesquisa, ensino e extensão na Universidade de Brasília e com uma significativa contribuição ao debate hoje existente acerca dos direitos humanos e da cidadania no Brasil, o NEP vislumbra a possibilidade de expansão do ensino e da pesquisa em direitos humanos por meio da criação de um Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania, que está sendo proposto com base em uma perspectiva interdisciplinar, incorporando professores doutores de diferentes esferas das Ciências Humanas com a finalidade de consolidar uma área de pesquisa, ensino e extensão que abranja a dimensão e a complexidade das questões que interpelam o Brasil na esfera dos direitos humanos, da cidadania e da democracia.4

O Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher (NEPeM), mais um dos núcleos pioneiros, realiza estudos sobre o gênero feminino, seus papéis sociais, sua luta pela conquista de direitos e as formas de combate ao preconceito e à violência contra a mulher.

No cerne desse campo intelectual e político o NEPeM desenvolveu uma extensa crítica cultural feminista de gênero, raça/etnia e classe, aos alicerces andocêntricos dos direitos jurídicos e consuetudinários, e à sonegação do direito à diferença, entre outras. Desse modo, consolidou-se como um grupo de pesquisa que submete inovações à experiência de investigação e ensino para visualizar os caminhos da mudança: a prática interdisciplinar e a abordagem situada da realidade que caracteriza o modo de conhecer feminista. Ao longo de sua existência, o NEPeM desenvolveu numerosos projetos de pesquisa, dentre os quais os de maior envergadura foram Relações de Gênero e Raça: Hierarquias, Poderes e Violências; Violência e Cidadania no Distrito Federal; e A Resolução Institucional de Conflitos – Acesso aos Direitos Humanos das Mulheres no Brasil.5

Em 2010, o NEPeM propôs à Capes a criação do mestrado e doutorado em Gênero, Feminismo e Sociedade, primeira proposta sobre esse tema na Região Centro-Oeste, com o objetivo de assegurar a articulação sistemática entre linhas de pesquisa, conteúdos das disciplinas, temáticas das pesquisas e projetos de teses e dissertações sobre o tema gênero e feminismo.

O Núcleo de Estudos e Pesquisa em Políticas Sociais (Neppos) tem uma longa história de colaboração com a sociedade brasileira:

A elaboração do pré-projeto de lei que deu origem à Lei Orgânica da Assistência Social (Loas) – que regulamenta os arts. 203 e 204 da Constituição Federal vigente – em parceria com o Ipea e vários órgãos governamentais e não governamentais; a elaboração do pré-projeto de lei de criação do Conselho de Assistência Social do Distrito Federal, em parceria com o Conselho Regional de Serviço Social, da 8ª Região.

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) dedica-se à pesquisa, à proposição e à avaliação de projetos e programas governamentais voltados à discussão das relações raciais e étnicas, a exemplo da ação afirmativa da UnB conhecida como sistema de cotas para afro-descendentes, com destaque para o curso de pós-graduação lato sensu intitulado Culturas Negras no Atlântico, que visa quebrar as barreiras da "invisibilidade" da história do continente africano e de suas relações com o Brasil.

O Núcleo de Estudos Agrários (Neagri) procura congregar a comunidade acadêmica, a sociedade civil e as instituições públicas e privadas em torno de problemas e questões acerca da estrutura agrária brasileira, sua dinâmica e desenvolvimento. Temas como economia solidária, cooperativismo, transgênicos, matrizes energéticas e desenvolvimento sustentável, entre outros, integram seu leque de pesquisas e suas atividades de ensino e extensão.

O Núcleo de Estudos Urbanos e Regionais (Neur) trata de temas como a ocupação urbana, a migração internacional, o multiculturalismo e a identidade. Desde sua criação, em 1986, desenvolve estudos e pesquisas sobre as áreas urbana e regional a fim de subsidiar a formulação de políticas e estratégias sobre o tema, propor alternativas para o equacionamento de problemas conjunturais, manter atualizada a documentação sobre o assunto e realizar o intercâmbio entre a UnB e as comunidades acadêmicas, a sociedade civil e instituições governamentais e não governamentais.

O Núcleo de Estudos de Saúde Pública (Nesp) representa um elo entre a academia e as demandas mais emergentes do setor de saúde pública, desenvolvendo atividades de ensino, assessoria e pesquisa, e promovendo a difusão e o intercâmbio de conhecimentos. Fundado em 1986, desde então tem atuado em projetos muito importantes, como os de fortalecimento do SUS, pesquisas sobre direitos sexuais e reprodutivos, relações de trabalho em saúde e política de medicamentos, entre outros.

O Núcleo de Estudo e Pesquisa em Bioética (NEPeB) da Universidade de Brasília tem uma situação particular no contexto do Ceam, pois, tendo recebido reconhecimento da Unesco em 2004 como centro de referência internacional para a bioética, passou a ser chamado de Cátedra Unesco de Bioética. Assim, desde agosto de 2008, o Nepeb/Cátedra passou a ser o principal ponto de referência e sustentação do Programa de Pós-Graduação (mestrado e doutorado) em Bioética da UnB, aprovado pela Capes/MEC.

O Núcleo de Estudos de Organização Multilaterais, Negociações Internacionais, Turismo, Logística e Tecnologia (Neomni TEL-TEC) tem por finalidade aproximar as negociações internacionais ao cidadão comum. Trata de temas como saúde ambiental, turismo, educação, combate à corrupção e comércio mundial, por meio de atividades de ensino, pesquisa e extensão, com destaque para a disciplina de graduação Teoria e Análise Crítica da Prática da Corrupção.

O Núcleo de Estudos Europeus (NEE) dedica-se ao estudo da constituição e do desenvolvimento da União Europeia e de suas relações com a América Latina e congrega a Cátedra Jean Monet.

No segundo mandato de Nielsen de Paula Pires (1999-2006), houve um grande fortalecimento acadêmico do Centro, consolidado na publicação dos primeiros livros: Revista do Ceam (duas edições publicadas) e os Cadernos do Ceam, esses originados das experiências dos diversos Núcleos Temáticos. Nesse período, foram publicados 23 livros, com destaque para o primeiro Atividades para a Terceira Idade no Distrito Federal, publicado pelo Núcleo de Estudo para Terceira Idade (Nepti), que divulga nesse Caderno informações sobre atividades de interesse específico para o idoso que mora no Distrito Federal; Dimensões da Integração no Mercosul, publicado pelo Núcleo de Estudos do Mercosul (NEM), no qual se apresentam análises que atestam a amplitude da agenda da integração desse bloco de países em seus desdobramentos econômicos, políticos e socioculturais, bem como o interesse com que o Mercosul continua sendo acolhido no meio acadêmico, a despeito dos evidentes percalços observados em sua trajetória nos últimos anos; Panorama da realidade cubana, caderno do Núcleo de Estudos Cubanos (Nescuba), que apresenta um breve histórico do Núcleo, seus objetivos, as atividades que lhe são pertinentes e ressalta, por meio dos artigos de seus colaboradores brasileiros e cubanos, alguns aspectos relevantes da realidade cubana; Oriente-Ocidente dimensões culturais, caderno de responsabilidade editorial do Núcleo de Estudos Asiáticos (Neásia), que traz trabalhos sobre temas atuais das questões asiáticas; Tramas, espelhos e poderes na memória, que apresenta os resultados das pesquisas do Núcleo de Estudos em Cultura, Oralidade, Imagem e Memória (Necoim), que ainda publicou os livros Memória e direitos: moradas e abrigos em Brasília e Mulheres presentes na história de Brasília: direito à vida.

O Ceam ofertou também diversas disciplinas de graduação, tais como: Agriculturas Alternativas, do Núcleo de Estudos do Brasil Contemporâneo (NEBC); Budismo e Multiculturalismo, do Neásia; Direitos Humanos e Cidadania, do NEP. Destacam-se também os cursos de especialização: Política Científica e Tecnológica com ênfase em Política de Informática e Inclusão Digital (Neomni); IV e V Curso de Especialização em Políticas Públicas (Núcleo de Estudos e Pesquisa em Políticas Públicas, Governo e Gestão – NP3); Culturas Negras no Atlântico: História da África e dos Afro-Brasileiros (Neab); VII Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Bioética (NEPeB); Política Social e Desenvolvimento Urbano (Neppos); Curso de Especialização em Informação para a Ação em Vigilância em Saúde (Nesp).

No ano de 2006, toma posse a professora Ana Maria Nogales Vasconcelos, lotada no Departamento de Estatística e coordenadora do Núcleo de Estudos Urbanos e Regionais (Neur), com um perfil dinâmico e com visões modernas. Escolhida por seus pares para conduzir o processo de modernização do Centro, Ana Maria enfrentou os problemas de não aceitação desse órgão. Todavia, em várias reuniões dos conselhos superiores, defendeu as visões e os interesses do Ceam. Conseguiu implementar uma nova gestão, dando ênfase ao planejamento estratégico materializado pelo Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). Em sua administração, buscou reconfigurar o Centro, divulgando-o cada vez mais por meio de um novo portal na internet; da realização de seminários, congressos, encontros; da manutenção das publicações. Houve a oferta crescente de disciplinas de graduação, em média 15 por semestre, assim como cursos de pós-graduação lato sensu, como: III Curso de Especialização em Educação e Promoção da Saúde (Nesprom); IX Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Bioética (NEPeB); II Curso de Especialização em Culturas Negras no Atlântico: História da África e dos Afro-Brasileiros (Neab); História do Cristianismo Antigo (Núcleo de Estudos da Religião – NER); IV Curso de Especialização em Educação e Promoção da Saúde (Nesprom). A professora Ana Maria procurou fomentar uma maior integração entre os Núcleos Temáticos, inclusive na luta pela adequação do espaço físico. Nesse período, houve diversos debates e reflexões sobre a identidade, a missão e os rumos do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares, o que culminou na revisão do regimento interno do Centro, com fortalecimento institucional.

No segundo mandato de Ana Maria na direção do Ceam (2008-2010), por uma série de acontecimentos, o ambiente torna-se propício ao Centro. Nessa época assume o cargo de reitor o professor Roberto Aguiar, ex-diretor do Ceam, que apoia de maneira mais consistente os projetos do órgão, fortalecendo institucionalmente o Centro mediante a disponibilização de novos espaços físicos e de servidores qualificados. Há a criação do cargo de vice-diretor, que foi ocupado pelo coordenador do Neomni, professor Ricardo Caldas. Uma das principais metas do professor Ricardo Caldas como vice-diretor era fortalecer o Ceam como unidade acadêmica.

Nesse contexto, foi possível repensar os objetivos e o papel do Centro para o futuro. Por meio de reuniões do Conselho Deliberativo (órgão máximo do Ceam), fica notável a vocação do Centro para o estudo do tema Desenvolvimento. Contudo, percebeu-se que havia uma lacuna no tratamento desse tema e de suas implicações econômicas, sociais e culturais, com ênfase no Desenvolvimento Humano, não apenas em relação à distribuição de renda, mas também quanto ao aumento das liberdades do indivíduo em realizar escolhas sobre o estilo de vida que deseja perseguir. Essa concepção inclui, naturalmente, o empoderamento de grupos vulneráveis e em situação de risco em busca do seu desenvolvimento pessoal, ou seja, que envolva uma distribuição mais equitativa de bens e serviços produzidos socialmente, promovendo, assim, a reflexão sobre qualidade de vida e direitos. Para resolver os dilemas e os desafios associados ao Desenvolvimento, os países buscam, mediante cooperação internacional, criar programas que retirem os grupos mais vulneráveis de suas populações de situação de risco, estando essa muitas vezes relacionada à pobreza e aos processos dela decorrentes, como a desigualdade econômica e social.

Com essa nova visão, um grande sonho começou a ser trilhado: a possibilidade de o Ceam propor a criação de cursos de pós-graduação stricto sensu multidisciplinares na área de Desenvolvimento e Cooperação Internacional. Desse modo, com a contribuição de vários coordenadores de núcleos, com destaque para o então vice-diretor do Ceam, Ricardo Caldas (cargo implementado a partir da reestruturação do regimento), o Centro consegue propor à Capes a criação do curso de pós-graduação stricto sensu em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional pautada em dois pilares:

• os impactos das políticas públicas domésticas na qualidade de vida da população;
• os efeitos da Cooperação Internacional na promoção do Desenvolvimento e da Sociedade.

Esse curso de pós-graduação busca preencher a lacuna no Programa de Pós-Graduação da temática sobre o Desenvolvimento. Assim, o programa pretende preencher e complementar diversas necessidades relacionadas à problemática do desenvolvimento "como fator estratégico não só no processo socioeconômico e cultural da sociedade brasileira".6

No ano de 2010, toma posse o atual diretor do Ceam, professor Ricardo Caldas, tendo como vice-diretora a professora Julie Schmied. Nesse período, ocorre o grande salto do Ceam para o futuro: a aprovação, pela Capes, da criação do doutorado e do mestrado em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional. O Ceam passa a implementá-lo com o intuito de produzir excelência nos estudos multidisciplinares nessa temática.

 

Conclusões e perspectivas

O balanço do Ceam ao longo de seu quarto de século é positivo: nele se discutiu o bolsa-escola, base do programa Bolsa-família, um dos programas de maior sucesso em todo o mundo de transferência de renda. Discutiu-se ainda o programa de quotas para afrodescendentes, temática hoje levantada em todo o Brasil.

O Ceam, centro multidisciplinar da Universidade de Brasília, continua voltado para o futuro e para a solução de problemas brasileiros contemporâneos, como energia, meio ambiente, mudanças climáticas e Amazônia.

Atualmente, discutem-se ainda questões como a inclusão social, a problemática urbana, a melhor idade e os afro-descendentes. Discute-se, ainda, a questão do desenvolvimento sob suas diversas perspectivas – econômica, cultural, étnica e social.

Enquanto houver a necessidade de um Centro para discutir paradigmas, o Ceam propõe-se a ser esse locus, realizando as discussões de forma séria e acadêmica, mas também apaixonada, incorporando ainda novas perspectivas ao debate.

Dessa forma, o Ceam retoma os propósitos que o originaram nos anos 1980, que foram os mesmos que originaram a Universidade de Brasília nos anos 1960.

 

Notas

1 A FUB foi homologada pelo Decreto n.500 apenas em 15 de janeiro de 1962. O estatuto da FUB foi publicado no Diário Oficial da União no dia seguinte, em 16 de janeiro de 1962.
2 O papel dos dois educadores na criação da Universidade de Brasília (UnB) será discutido adiante.
3 Paulo Freire e seu grupo teriam conseguido a façanha de alfabetizar trezentos cortadores de cana em pouco mais de um mês.
4 Proposta de criação da Pós-graduação stricto sensu em Direitos Humanos e Cidadania, 2010.
5 Proposta de criação da Pós-graduação stricto sensu em Gênero, Feminismos e Sociedade.
6 PPG/Capes 2005-2010 (Introdução).

 

Referências

MARÍAS, J. Los estilos de la Filosofía. Madrid, 1999-2000. Disponível em: <http://www.hottopos.com>. Conferência do curso "Los estilos de la Filosofía", Madrid, 1999-2000. Edição: Renato José de Moraes. Tradução: Elie Chadarevian).         [ Links ]

MONIZ BANDEIRA, L. A. Fórmula para o caos: a derrubada de Salvador Allende. 2008. Disponível em: <http://books.google.com.br/books>         [ Links ].

RUSSELL, B. Fundamentos de filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 1977. p.7-20. Disponível em: <http://www.cfh.ufsc.br/wfil/russell2.htm>         [ Links ].

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VASCONCELOS, A. M. N. Apresentação. Cadernos do Ceam, Brasília, 2008.         [ Links ]

 

 

Recebido em 28.9.2011 e aceito em 30.9.2011.

 

 

Ricardo Wahrendorff Caldas é professor adjunto do Instituto de Ciência Política (Ipol) da Universidade de Brasília (UnB). Em 2010 assumiu a direção do Ceam na Universidade de Brasília.  @ – ricardocaldas@uol.com.br
George Henrique de Souza Coelho é graduado em Letras pela Universidade de Brasília, colaborador do Ceam.  @ – georgehsc@unb.br.