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Estudos Avançados

versão impressa ISSN 0103-4014

Estud. av. vol.26 no.76 São Paulo set./dez. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-40142012000300019 

DOSSIÊ TRADUÇÃO LITERÁRIA

 

Traduzindo literaturas periféricas: a literatura norueguesa

 

 

Francis Henrik Aubert

Graduado em Letras e Ciências Humanas pela Universidade de Oslo (1968) e doutorado em Semiótica e Linguística Geral pela Universidade de São Paulo (1975). Atualmente é professor titular da Universidade de São Paulo, atuando especialmente nos seguintes temas: tradutologia, praticas profissionais da tradução, terminologia e linguística contrastiva. @ – fhaubert@usp.br / citrat@usp.br

 

 


RESUMO

Traduções literárias de línguas/culturas periféricas tendem a ser esporádicas e, como tais, tornam-se mais propensas a buscar integrar o polissistema literário meta, abandonando os elos entre a obra original e seu polissistema fonte. Para atingir essa integração a abordagem assimilativa (ou domesticadora, no sentido de Venuti, 1998) mostra-se quase inevitável. O presente ensaio, tomando como exemplo as traduções efetivas e potenciais de obras da literatura norueguesa para o português brasileiro, sustenta que seria possível adotar uma abordagem diversa, que buscasse reproduzir – ainda que parcialmente – o polissistema fonte (ou fragmentos relevantes desse). Esta abordagem exigirá mais do que um esforço tradutório pontual: terá de ser mobilizada uma estratégia intercultural, planejando a tradução paulatina de uma multiplicidade de obras relevantes – e, destarte, estabelecer uma imitatio do polissistema fonte nos espaços de recepção brasileiros.

Palavras-chave: Tradução literária, Literaturas periféricas, Literatura norueguesa.


 

 

"Se existe uma tragédia universal, estabelecida por Shakespeare, Ibsen, O'Neill, Nelson situou nela o homem brasileiro. E, se o mundo não entende português para se maravilhar com ele, pior para o mundo."
(Ruy Castro, "Pior para o mundo", Folha de S.Paulo, 25.8.12, p.2)

 

No texto de Ruy Castro que contém a epígrafe a este ensaio, o autor problematiza se Nelson Rodrigues seria (a) universalmente reconhecido se tivesse escrito em inglês ou em espanhol e (b) ainda que o fosse, se teria sido o mesmo Nelson Rodrigues. E, explorando a alternativa da tradução, comenta que Nelson já fora traduzido diversas vezes, mas com resultados duvidosos, não por ser difícil vertê-lo linguisticamente, "mas por Nelson ser tão escandalosamente brasileiro".

Qualquer que tenha sido a intenção do autor – provavelmente fazer mais uma homenagem ao dramaturgo por conta do centenário de seu nascimento –, resta que o texto publicado pela Folha de S.Paulo é bastante provocativo para a questão com a qual depara qualquer tradutor ao lidar com autores que não integram o mainstream do cânone literário mundial (tal como Nelson Rodrigues), ou que, quando de fato o integram (como Ibsen), não o fazem em sua configuração linguístico-textual original.

Onde está a dificuldade? Certamente, em múltiplos lugares. Manifesta-se na função poética, tão dependente das particularidades fonológicas, morfossintáticas e sintático-semânticas de cada língua e de cada estágio de língua; encontra-se nos universos referenciais – natural, material, social, ideológico – peculiares a cada grupo humano em cada espaço geocultural, geopolítico e histórico; imbrica-se na teia de textualidades e intertextualidades que constituem o acervo (o heritage) de cada comunidade e de cada um de seus subgrupos; e, não menos, ressurge com toda a intensidade no espaço personalíssimo do tradutor-coautor, com suas idiossincrasias que particularizam todos os loci anteriores.

Dentre esses diversos fatores – todos relevantes, e todos mutuamente entrelaçados –, é interessante que Ruy Castro aponte a questão linguística como menos central. Ainda que se admita a relatividade do êxito de qualquer empreitada tradutória, o português brasileiro não é menos traduzível em inglês, espanhol, francês etc. do que essas entre si, ou de/para qualquer outra língua. Os desafios linguísticos, representados pelas diversas formas de manifestação da função poética (Jakobson, 1969) e da sintaxe-semântica (ver, inter alia, Aubert, 2006a) são sobejamente conhecidos: ao longo de mais de dois milênios de reflexões sobre a tradução e de mais de século e meio de reflexões linguísticas, esses óbices – e as formas de superá-los, ainda que parcialmente – foram bastante bem mapeados.

A dificuldade apontada é certamente de outra ordem. O ser "escandalosamente brasileiro" remete, em primeiro lugar, à dimensão antropológica, no sentido de os comportamentos culturais retratados em um texto. À evidência, são fatores cruciais para o êxito tradutório, em grande parte porque (i) em muitos textos – particularmente os literários – tais fatores subsistem como implícitos, e (ii) porque os comportamentos culturais do espaço de recepção atuam – quase que inevitavelmente – como chaves de leitura do texto traduzido (veja-se a ilustração convincente desse fenômeno em Bohannon, 1971). No entanto, à questão cultural senso estrito soma-se outra variável: traduzir um texto de qualquer natureza – literária ou outra – envolve, também, retirá-lo do seu polissistema de origem e reinseri-lo em outro polissistema. Essa é uma operação delicada, e sobre a qual nosso acúmulo de saberes ainda não oferece uma base suficientemente sólida para gerar um conjunto mínimo de certezas (veja-se, de todo modo, Toury, 1995).

O acolhimento favorável de um texto (ou, como no exemplo referido no parágrafo anterior, de todo um gênero textual) constitui, obviamente, um desiderato para os operadores da inserção (o tradutor, o editor, o patrocinador1).

É discutível, no entanto, se uma recepção exitosa por si só atende ao conjunto de expectativas que move uma tradução. As questões qualitativas que subjazem a tais expectativas envolvem não apenas a inserção pura e simples do texto traduzido no polissistema cultural e literário do espaço de recepção, mas, ao menos em alguma medida, a recuperação de parte do sentido da obra em seu polissistema-fonte.

Quando a operação tradutória é executada entre complexos língua/cultura com uma intensa e duradoura interação recíproca, fragmentos mais ou menos extensos do polissistema literário (ou cultural lato sensu) fonte já se encontram em circulação no polissistema meta. Ao traduzir-se um texto inglês para o alemão, um texto francês para o castelhano, um texto russo para o italiano, a obra resultante encontrará, no espaço de recepção, espaços de acolhida já anteriormente visitados por outras obras e por outros autores da língua/cultura fonte. Alusões a Otelo, a Fausto, a Pantagruel, a Orlando Furioso, ao Cavaleiro da Triste Figura, a Ana Karenina são inteligíveis e evocativas em praticamente todo o espaço da cultura eurocentrada; transcendem, em grande medida, seus espaços de origem; e integram um cânone que inclui, ainda, as Sagradas Escrituras, assumida e intencionalmente translinguísticas e transculturais. Em um espaço assim ampliado, a fortuna crítica da obra traduzida não repercute apenas nos espaços multifacetados de recepção, mas, direta ou indiretamente, retorna – ou, ao menos, pode retornar – ao espaço de gestação, matizada e enriquecida pelas novas leituras e novos desdobramentos dentro de um polissistema literário mais geral.

Se, porém, a operação tradutória se dá a partir de um espaço língua/cultura algo mais periférico e, com maior razão, entre duas línguas/culturas periféricas, o acervo preexistente de obras traduzidas, que, de algum modo, poderia facultar uma recriação do polissistema literário de origem no espaço de recepção, será limitado, insuficiente, a mais das vezes, para assegurar alguma (re)leitura dos sentidos intertextuais que se estabeleceram no referido polissistema (Even-Zohar, 2001).

Para considerarmos, ad argumentandum, um caso algo extremo, conceba-se a tradução de um texto da literatura etíope contemporânea, da lavra de Hama Tuma,2 originariamente escrito em língua amárica. A despeito da existência de uma História da Etiópia, do jesuíta Pedro Páez, redigida em castelhano em 1620, e contendo, entre outros textos, várias traduções de contos da tradição literária etíope, inexistem nos polissistemas literários ibéricos elementos prévios que, por assim dizer, preparassem a absorção de um texto etíope contemporâneo. A obra de Tuma, em sua hipotética reescrita em língua portuguesa, viria desacompanhada, desvinculada de seu polissistema de origem, e sem qualquer segurança quanto à sua possível ancoragem no polissistema literário luso-brasileiro.

Em tais condições, no que tange à estratégia de tradução a adotar, entre os polos da tradução assimilativa ou matricial (domesticadora ou estrangeirizadora, na visão de Venuti (1998); comunicativa ou semântica, na proposta de Newmark (1981); "deixar o autor tanto quanto possível em paz e levar o leitor até ele; ou deixar o leitor tanto quanto possível em paz e levar o autor até ele",3 na visão de Schleiermacher, 2001), a escolha mais prudente recairia sobre a primeira alternativa: diante da virtual impossibilidade de recuperar as chaves de leitura dadas pelo polissistema fonte, a melhor oportunidade de sucesso da empreitada estaria na busca – ainda que (re)criativa – de conexões com o polissistema literário alvo. Pela alternativa contrária, a tradução teria de fazer-se filológica, e, entre rodapés e hipertextos, buscaria efetuar resgates do polissistema de origem, uma solução normalmente legível por críticos e estudiosos, mas de baixo apelo e eficácia para o grande público.

Na relação tradutória entre a literatura norueguesa e o espaço de recepção brasileiro, deparamos com uma situação mais próxima da hipótese etíope do que da situação que designamos eurocentrada.

Até época recente, com uma ou outra exceção avulsa,4 as – poucas – traduções existentes de textos da literatura escandinava em geral, e norueguesa em particular, eram explícita ou implicitamente realizadas pela intermediação de uma língua-cultura central (de início, o francês, mais recentemente o inglês). Assim, Silva (2007) relaciona, da década de 1910 até 1990, 34 traduções de peças de Henrik Ibsen, das quais apenas uma5 alega ser uma tradução direta do norueguês. Mesmo entre as nove arroladas a partir de 1990, apenas quatro peças foram inquestionavelmente traduzidas a partir do norueguês.6 Finalmente, entre 2006 e 2008, doze peças de Ibsen foram traduzidas do norueguês ao português, mas na variante europeia.7

É bem verdade que traduzir a obra ibseniana pode não ter a intenção de recuperar as leituras – potenciais ou efetivas – de seu espaço/polissistema de origem. Especialmente em sua dramaturgia contemporânea (1877-1899), as traduções da obra de Ibsen tendem a buscar a recuperação dos elementos de crítica social e ética que lhe deram fama e renome no último quartel do século XIX em toda a Europa, sem um esforço deliberado de recuperar os elementos de "norueguesidade". O que se obtém destarte, pela via da tradução, é um Ibsen europeu, internacional, integrante do acervo coletivo da literatura mundial. Se, no entanto, remontarmos à produção anterior de Ibsen, e considerarmos sua dramaturgia histórica – Dona Inger de Østeraad (1855), A festa em Solhaug (1856), Os guerreiros de Helgeland (1857), Os pretendentes (1866) – e, já em um momento de transição, Peer Gynt (1867), a carga de elementos da história, da cultura, do folclore e do polissistema literário norueguês são particularmente marcantes.8

Ainda que de modos distintos, a obra de outros escritores constituidores da literatura norueguesa moderna – Henrik Wergeland (1808-1845), Johan Sebastian Welhaven (1807-1873), Camila Collett (1813-1895), Ivar Aasen (1813-1896), Aasmund Vinje (1818-1870), Alexander Kielland (1849-1906), Jonas Lie (1833-1908), Vinje, Bjørnstjerne Bjørnson (1832-1910), Olav Duun (1876-1939), Knut Hamsun (1859-1952), Sigrid Undset (1882-1949), Sigurd Hoel (1890-1960), Nordahl Grieg (1902-1943), Johan Falkberget (1879-1967), Tarjei Vesaas (1897-1970), para mencionar apenas os autores de relevância mais canônica entre meados do século XIX e meados do século XX – além do trabalho dos folcloristas Per Christen Asbjørnsen (1812-1885) e Jørgen Moe (1813-1882), realizadores, na Noruega, de um trabalho comparável ao dos irmãos Grimm na Alemanha, também contém os aludidos traços de múltiplas "norueguesidades" (linguísticas, regionais, diacrônicas, políticas), parte relevante das chaves de leitura para uma compreensão mais aprofundada de sua produção.9 Em seu conjunto, compõem o polissistema literário norueguês ao interior do qual se insere e se articula a produção contemporânea.

Em reflexão anterior (Aubert, 1995), inspirada pela tradução de um conjunto de contos folclóricos noruegueses extraídos da coletânea de Asbjørnsen e Moe,10 sugeriu-se que o recurso a um conjunto híbrido de procedimentos matriciais, assimilativos e criativos poderia superar, ainda que parcialmente, as barreiras ao resgate das especificidades do espaço linguístico-cultural fonte. Nesse sentido, apontava-se que recorrer a procedimentos matriciais conduziria a soluções de espelhamento e de literalidade (Aubert, 2006b), em oposição aos recursos assimilativos, que correspondem, usualmente, a modulações e adaptações. Os recursos matriciais geram efeitos estrangeirizadores. Os recursos assimilativos aproximam o texto da língua/cultura fonte e, no limite, adotam uma feição antropofágica. Acrescem, ainda, os recursos mais propriamente criativos, que representam a contribuição mais visível do próprio tradutor, ou seja, aquela em que o tradutor assume uma coautoria, expressando, na tradução, a sua leitura, a sua vivência, a sua sensibilidade. Como produto, o texto traduzido criativamente assemelha-se, em grande parte, ao texto traduzido na perspectiva assimilativa, sem, porém, uma subserviência à norma e aos usos, à rotina, enfim, da língua/cultura meta. Será, sobretudo, um texto novo, um texto plenamente autônomo, um texto de coautor. Na prática, é por meio de um ecletismo deliberado de procedimentos que se pode almejar, a um só tempo, "trazer o texto até o leitor" sem deixar de "trazer o leitor até o texto".

 

 

Ainda que, no entanto, como no caso concreto da tradução dos contos folclóricos, tenha sido possível inserir um prefácio de tradutor e, não menos importante, reproduzir boa parte das ilustrações "clássicas" dos originais, não há como – ao menos na estruturação bidimensional da escrita tradicional (impressa) – resgatar o próprio polissistema literário na tradução de uma única obra desse mesmo polissistema. Para que esse resgate – sempre relativo – possa ocorrer, faz-se mister mover-se para além dos interesses editoriais mais imediatos (centenário de morte de um autor, promoção de uma obra recém-premiada e eventos similares), e conceber um plano mais ambicioso e sistemático de tradução de obras representativas, de autores variados, por sobre uma linha do tempo que, no caso norueguês e dadas as vicissitudes históricas do país, há de se estender ao menos desde os finais do domínio dinamarquês (virada do século XVIII para o século XIX).

Esse é o sentido – ou um dos principais sentidos – da tradução dos próprios contos folclóricos noruegueses. Esses não se limitam a constituir um mero monumento histórico-literário-político. Ao contrário, integram-se à vida cotidiana contemporânea, enquanto retrato fiel das paragens nórdicas; apelam, até hoje, para uma mesma sensibilidade diante da natureza; vivem na iconografia do dia a dia e na expressão linguística de toda uma sociedade. Balizam, até hoje, parte considerável da identidade nacional e da identificação de cada um como membro da comunidade. Fazem, em suma, parte integrante e viva do acervo cultural e referencial dos cinco milhões de habitantes do país, nos lares, nas escolas, na decoração, nas joias, nos parques, na literatura, na pintura, na música, na caricatura política, nos ditos populares, frases feitas e demais idiomatismos. São, de fato, mais atuais, mais presentes, mais enraizados e mais difundidos do que as representações das sagas e epopeias viking.

Do trabalho folclorístico empreendido por Asbjørnsen e Moe resultaram, ainda, vários relatos descrevendo as situações em que as estórias foram coletadas. Um deles tem como relevância maior o fato de conter o "causo" do caçador Per Gynt,11 texto que serviu de inspiração para a peça homônima de Ibsen. Com isso, mais uma peça-chave do polissistema literário norueguês se torna disponível em língua portuguesa. Outros encontram-se em preparação. A lista anterior de autores do cânone literário norueguês constitui, assim, não apenas um rol informativo: representa um programa de trabalho de médio e longo prazos; um resgate não somente de textos tidos por representativos, e sim um experimento deliberado de acesso a todo uma teia de intertextualidades.

 

Notas

1 Refiro-me, aqui, às entidades públicas e privadas (por exemplo, Fundação Gulbenkian em Portugal, NORLA na Noruega, Ministério da Cultura no Brasil) que promovem a difusão das respectivas literaturas mediante apoio financeiro à tradução, alocação de bolsas, organização de seminários, premiações etc.

2 Nascido em 1949. Poeta e escritor, polemista, oponente de vários governos ditatoriais de seu país natal.

3 Entweder der Uebersezer läβt den Schriftsteller möglichst in Ruhe und bewegt den Leser ihm entgegen; oder er läβt den leser möglichst in Ruhe und bewedgt den Scnhriftsteller ihm entgegen. Para uma tradução ligeiramente diversa, ver Clássicos da Teoria da Tradução Vol. 1 – Alemão-Português. Florianópolis: UFSC, 2001. p.42-3.

4 De meu conhecimento, a única tradução que com certeza foi executada diretamente do norueguês ao português brasileiro até os anos 1990 foi da obra de Trygve Gulbranssen – Og bakom synger skogene. Traduzido para o português sob o título Além cantam os bosques (Editora Boa Leitura, 1960).

5 Inimigo do Povo. Tradução de James Colby (?), sem data (apud registros da SBAT-RJ).

6 Todos da lavra do Prof. Karl-Erik Schollhammer, dinamarquês, professor titular de teoria literária da PUC-RJ.

7 Dessas, quatro foram traduzidas pelo Prof. Schollhammer e duas por este autor. Trata-se de uma situação algo peculiar, em que mais da metade dos textos foi traduzida por tradutores nórdicos ou com fortes vínculos familiares com a Escandinávia, e em que metade dos textos passou inicialmente por uma roupagem brasileira, para, a seguir, serem ajustados/reescritos no filtro do português europeu. É ainda peculiar pelo fato de o dinamarquês poder ser entendido como partilhando da natureza de "língua original" com o norueguês (ainda na segunda metade do séc. XIX, era comum referir-se ao riksmål – a norma culta do norueguês da época – como dano-norueguês).

8 Talvez não surpreendentemente, afora Peer Gynt, não consta do levantamento de Silva (2007) qualquer indicação de que essas peças tenham sido traduzidas, direta ou indiretamente, para o português.

9 Novamente, afora Knut Hamsun, todos os demais permanecem silentes em português.

10 Ver Askeladden e outras aventuras (Edusp, 1993). Novas aventuras de Askeladden (Edusp, 1995).

11 As aventuras de PER GYNT – extraídas da 2ª edição de Norske Huldre-Eventyr og Folkesagn, de P. Ch. Asbjørnsen. Tradução de Y. Fabri e F. H. Aubert (Cadernos de Literatura em Tradução, no prelo).

 

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Recebido em 11.9.2012 e aceito em 21.9.2012.

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