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Estudos Avançados

versão impressa ISSN 0103-4014versão On-line ISSN 1806-9592

Estud. av. vol.29 no.85 São Paulo set./dez. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-40142015008500022 

Literatura

A cidade invisível, de Calvino: os modos de organizar e visibilizar o vivível

LUIZ ROBERTO ALVESI 

I Faculdade de Administração e Economia, Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo/São Paulo, Brasil.

resumo

Este artigo sobre a obra de Calvino (1923-1985), As cidades invisíveis, realiza-se sob a premissa de que o jogo combinatório criativo enfatiza as distinções e diversidades do vivível. As faces do narrar sugerem a difícil, mas não impossível, trama do viver em sociedade. Desse modo, o texto apoia atitudes dialógicas nas leituras de palavra e mundo e disputa espaços no interior das denominações de realismo fantástico na pós-modernidade. Nesse espaço, o texto não se apresenta como modelo, mas sim como investigação percuciente das facetas de um poliedro social. O jogo dialógico montado por Calvino produz suas ênfases a partir da organização semiótica. Busca-se, aqui, uma análise intertextual (no interior dos signos-cidades) com forte interesse na metodologia de trabalho do autor. O ensaio privilegia o uso do texto no original italiano de 1972.

palavras-chave: Combinatória; Cidades; Visibilidade/invisibilidade; Significações

abstract

This article on the work of Italo Calvino (1923-1985), Invisible Cities, accepts the premise that a creative combinatorial game emphasizes the distinctions and differences of what is liveable. The faces of the narration suggest the difficult, but not impossible struggle of living in society. Thus, the text supports dialogic attitudes in the reading of words and the world, and contends for spaces amidst the denominations of postmodern magical realism. In these spaces, the text does not present itself as a model, but as an insightful investigation of the facets of a social polyhedron. The dialogic game set up by Calvino obstains its emphasis from the semiotic organization. This article attempts an intertextual analysis (within the signs-cities), displays strong interest in the author's method of work, and favors the use of the original Italian text of 1972.

keywords: Combinatorics; Cities; Visibility/invisibility; Significations

Introdução: O pensamento construtor

O trabalho literário de Italo Calvino avança, desde 1946, com Il sentiero dei nidi di ragno [A trilha dos ninhos de aranha] a Cosmichomiche vecchie e nuove [Novas e velhas "cosmicidades"] em 1984, passando por A cidade invisível, de 1972. É necessário lembrar, também, que Calvino enfrentou o fascismo e fez parte de grupos partigiani. A postura estético-literária o diferencia de outros grandes nomes da arte literária do século XX, como James Joyce, Eugenio Montale, Jorge Luis Borges e Luigi Pirandello, mais fortemente ligados ao modernismo. A pós-modernidade combinada com a postura especial diante da tradição mimética, realista, sugere alguns atos de ousadia, similarmente ao que ocorre no campo da pesquisa científica. Um deles consiste em fazer pesquisa do passado histórico despojado de qualquer inocência; de fato armado da ironia e do humor. Ora, a historicidade não precisa de louvor, mas sim de abrir espaço para o novo humano. Não se trata de um real fácil de ser compreendido, mas possível de ser conhecido pela pesquisa. Enfim, não há mais um código referencial absoluto, definidor da realidade. A realidade é processo de/em construção, que pode chegar a construto compreensível. Esse lugar é consequência da visita rigorosa e crítica à história de quem assume responsabilidade analítica e interpretativa. Nesse processo, não se pode prescindir de duas ciências mediadoras do pensamento tradicional e das emergências na busca do conhecimento, isto é, a linguística e a semiótica.

Uma obra com o caráter estético de As cidades invisíveis sugere um acordo metodológico entre leitura, análise e interpretação. Essa metodologia indica a combinação do pensamento sociológico teórico de Goldmann (1973, p.152-6) com o pensamento aplicado de Smircich (2006, p.401-7). Goldmann não tem dúvida de que todo o comportamento humano tende para a significação e, assim, tende a superações, coerências, racionalidade. Portanto, o comportamento humano significa. No entanto, distingue certa consciência do homem atomizado de outra, a do grupo consciente de pertencimento, ainda que com níveis diferentes. A primeira, a consciência ideológica; a segunda, a consciência que se organiza como visão de mundo. A arte refinada da linguagem literária constrói visão de mundo e produz uma organização especial dessa visão, em lugar superior. Vista pela óptica do realismo fantástico, essa organização busca confrontar realidades históricas para encontrar um lugar mais confortável para o humano na sociedade complexa, desigual e fundada em mínimos acordos sociais. Os escritores, superando qualquer mecanicismo, levam a alto grau de coerência as estruturas (às vezes rústicas) elaboradas pelas consciências grupais a que estão associados. Reside aí o valor da obra literária como metáfora das organizações, porque ela somente se constrói no interior da organização coletiva; ela é uma organização de trabalho. Trabalho e organização que não faltam em As cidades invisíveis. Smircich (2006), de seu lado, é clara quando pensa as organizações (como as cidades), entendidas como significações, visto que no texto citado entende as várias formas de organização humana como feixes significativos.

Esclarece-se o acordo metodológico proposto: tratar de significações de uma obra de pensamento implica ver um mundo coletivo, um clima ou um processo cultural que cria visões de mundo dentro de quadros de referência construídos pela linguagem. Esse processo de significação sugere um pertencimento coletivo, que se realiza como organização social. Esta, por sua vez, é um feixe competente e aberto de linguagens, que significam na história e no movimento de ideias a que pertence o criador.

Italo Calvino, como Umberto Eco, conheceu e partilhou das posições do movimento francês Oulipo, segundo Bondanella e Ciccarelli (2003, p.169). O segmento literário encontrou nas narrativas ancestrais lugares semióticos para sua pesquisa e seus textos clássicos preferenciais foram os de Lévi-Strauss, Vladimir Propp e dos formalistas russos. Esse trabalho coletivo produziu novas expressões de teoria estética. Uma de suas centralidades residiu na construção de metalinguagens e semióticas. Tanto O nome da rosa quanto As cidades invisíveis respondem ao projeto e às experiências do grupo intelectual europeu. Em ambas, a ancestralidade é atualizada, sob questionamentos que privilegiam a própria organização textual e suas projeções coletivas. Dada a fluidez da produção contemporânea (que viaja na barca indefinida do que se denomina pós-moderno), este e outros movimentos se diluíram, mas é possível localizar nesse campo de pesquisa e experimentação tanto os últimos livros de ficção de Calvino e Eco quanto o trabalho de Andy Wahrol, que religa as produções estéticas míticas ao modo de fazer contemporâneo, entre mesclas audiovisuais que intrigam e questionam. A busca de alguns sentidos fixos na corrente global já levara o próprio Calvino a dizer, em conferência de 1967: "[...] todas as obras de arte são modeladas sobre estruturas fixas, montadas em múltiplas possibilidades combinatórias" (apud Frasson-Marin, 1986, p.253).

A relação profunda entre linguagem e sociedade, apresentada aqui pela asserção de Smircich e que levará adiante a Lévi-Strauss, precisa ser mais referenciada pelos estudos de metodologia e de semiótica. Como assevera Albarello et al. (1997, p.158-61), os processos linguístico-semióticos são modelos culturais e, portanto, caminho para o trabalho do investigador científico. Desse modo, as combinações textuais, que também são sociais, dão-se no movimento de disjunção e associação, como ocorre na base da criação linguística ou gramatical. As significações resultantes se abrem para o chamado mundo das realidades, para os construtos sociais. Nesse movimento, o pesquisador (a par do autor) pode ser um útil e confiável interpretante, um ser dialogante na construção de significações. Orlandi (2008, p.21) não deixa margem a dúvidas:

A leitura aparece não mais como simples descodificação, mas como a construção de um dispositivo teórico. Pensando-se em termos de arquivo, eu diria que a ciência também passa a pensar (a construir) seus arquivos, suas maneiras de ler. A noção de "dispositivo" tem, para mim, um sentido preciso que leva em conta a materialidade da linguagem, isto é, sua não transparência e coloca a necessidade de construir um artefato para ter acesso a ela, para trabalhar sua espessura semântica - linguística e histórica - em uma palavra, sua discursividade.

No seu curioso estudo sobre o modo de fazer uma tese, Eco (1991, p.21-5) defende a proximidade entre o político, o estético e o científico, visto que o objeto sobre o qual trabalha o pesquisador é uma discursividade material, histórica. O que de fato importa não é a utilidade ou a aparente inutilidade do conteúdo, mas a importância de se trabalhar com objetos reconhecíveis (diria a teoria da linguagem, traduzíveis) socialmente. Do mesmo modo, criar uma óptica diferente e acrescentar algo original ao percurso de estudo; produzir sentido de utilidade social, não porque se trata de objeto ínfimo, em oposição a algo grandioso e exposto à moda, mas porque acrescenta algo ao conhecimento. Enfim, a obra científica é aberta a desenvolvimentos e contestações. Portanto, associando Eco a Orlandi, trata-se de criar e desenvolver mecanismos no processo de significação, trabalho que torna cúmplices o discurso, o estudioso e a sociedade. Cabe, pois, a metaforização encontrada em A cidade invisível: o capítulo III problematiza propriamente a linguagem e alerta sobre o processo de significação. O soberano Kan questiona se Polo realmente narra viagens ou se faz mudanças de elementos em sua narração das organizações-cidades e, a rigor, tem como objeto a mesma cidade. Segue a perguntar sobre os enganos possíveis da narração, a busca de conhecimento e a organização da busca, como os homens (vindos de vários lugares) que sonharam com uma mulher que corria nua por certo espaço e então, dado o desaparecimento dela, construíram uma cidade, Zobeide, para acompanhar seu retorno, o que jamais se deu. Outros homens tiveram o mesmo sonho e vieram. Assim se fez sucessivamente, em série contínua de comutação de lugares e posições, mas sempre o mesmo desatino: a imagem sonhada jamais se repetiu ou se encarnou. Organizaram, pois, uma cidade de mentira, porque forçaram a organização do sonho. Ou melhor, criaram a identidade imediata entre palavra e coisa e, portanto, produziram a magia, o fetiche, tema que não pode deixar de sofrer a devida crítica. No caso da cidade de Zobeide, antes de traduzir o sonho para sua realidade, antes de analisá-lo e criticá-lo para a melhor organização das significações, os homens forçaram um significante a se transformar em significado, sem mecanismos capazes de trabalhar a correspondência entre o real e as possíveis significações em face da realidade. Chegaram à organização-armadilha de si mesmos, como designa o próprio texto de Calvino (2001, p.46). Cabe, pois, a asserção clássica de Sapir (1949, p.81-3) sobre o caráter heurístico da organização linguística, a partir do qual suas formas predeterminam os nossos modos de observação e interpretação. Entenda-se que a linguagem nos formou, desde crianças. No entanto, fazer o discurso (sobre o sonho ou os desejos, no caso) penetrar e perfazer a realidade cria uma realidade virtual que prescinde do estudo, da análise, da pesquisa. O mágico e o mítico apreciam esses lugares e esses comportamentos. Ao contrário, o jogo linguístico suscita que a inteligência crie o seu campo operacional e se organize como processo de conhecimento. Busca-se a visibilidade do vivível.

É nessa direção que o ensaio trabalha a obra de Calvino.

O construto da imaginação

Em A cidade invisível, 150 páginas de linguagem estudada e moldada em um jogo combinatório (Frasson-Marin, 1986, p.276) debatem o viajante-visionário e o gestor soberano. O veneziano Marco Polo e Kublai Kan, imperador dos Tártaros. O jovem embaixador viveu no século XIII, passou por China e Mongólia e é responsável pela primeira documentação sobre os povos do Oriente. Considera-se de sua lavra o Livro das maravilhas. O tema do longo debate são os lugares construídos, organizados e geridos por pessoas e instituições, ora grupos sociais, ora divindades, ora segmentos profissionais. Os pequenos capítulos focalizam construtos, entendidos como cidades, todas com nomes femininos (Diomira, Anastasia, Bersabea, Leandra etc.) informados por fenômenos da cultura, da economia e da estrutura social: imigrantes/locais, beleza/sofrimento, o permanente e o mutável, o habitável e o desértico, certeza e incerteza e outros pares em oposição. Dada a narrativa na boca de Polo, talvez todas as cidades sejam travestimentos de Veneza, cidade-protótipo da viagem, das rotas e da busca dos espaços vivíveis e visíveis. Um lugar dentro de outro.

Nas suas 9 partes, ou capítulos, apresentam-se 5 retornos de temas comuns, a saber: as cidades e a memória; as cidades e o desejo; as cidades e os sinais; as cidades sutis (ou delgadas); as cidades e os nomes. O 5 e seu duplo. Somente nos capítulos I e IX desfilam 10 cidades; nos demais, narram-se 5. Embora sejam citadas 11 cidades, de fato chega-se a um múltiplo combinatório, 55, pois as cidades são revisitadas em ciranda, ou pêndulo, o que enseja (Calvino, 2011, p.276) um preciso campo semiótico de cada uma. Há 18 diálogos em itálico, o dobro de 9, postos no início e no fim dos capítulos. Enquanto os diálogos entre Kan e Polo são fixados no mesmo lugar, as cidades se movem continuamente, estabelecendo a rotação do discurso e a translação dos objetos de discurso. A partir do eu gira a roda da fortuna, em busca de fatos e provas na História. O eixo discursivo em rotação é o debate sobre a gestão das organizações-cidades e o eixo das cidades enunciadas é a translação imaginativa. A gênese do moderno é buscada nas trilhas medievais. Embora os títulos dos capítulos se encontrem sempre no plural ("As cidades..."), a narrativa de cada subcapítulo trata de determinada cidade e o encadeamento tem ordem decrescente: 5, 4, 3, 2, 1. O 5 é insistente e peão de combinações. O 5 produz sentidos. E os humanos desenvolveram 5 sentidos. Sem o 5, o 9 e seus duplos não constituiriam uma demonstração de significações em As cidades invisíveis. Qualquer fonema/som ou qualquer grafema/letra possui um duplo em sua significação. Não se identificam em materialidade (pois são sinal e sentido), mas estão unidos na possível e desejável significação social. Rosa e mesa não são traduzíveis, imediatamente, rosa/flor ou mesa/lugar de convivência e trabalho. Porém, o fenômeno somente dar-se-á por meio da devida descodificação operada na cultura comum de intérpretes, sejam criadores de obras ou falantes e leitores. Mas somente constituem a linguagem de um grupo social se forem adequadamente traduzíveis, como mostrou Lévi-Strauss. Os pesquisadores (e os escritores) podem ser descodificadores privilegiados, portanto tradutores de textos interculturais.

Os nomes em As cidades não se repetem, mas a justaposição qualificadora sim, o que faz destacar os feixes de lugares-cidades pelas suas designações qualificadoras. Há 11 rubricas combinadas em torno dos movimentos de 5 em 5, os quais explicam as cidades no processo combinatório: memória, desejo, signos, delicada, trocas, olhos, nome, mortos, céu, contínua, escondida.

Entre uma e outra das 9 partes da obra de Calvino, imperador e aventureiro conversam, discutem, divergem e preparam o leitor para novos lances narrativos do "livro poliedro", como o classificou o próprio autor em conferência de 1983.

Marco Polo quer fazer crer que o vivível não pode estar fora do invivível, embora por vezes invisível. O fato é que o imperador não pode negar que o seu império é pesado, inchado e de difícil gestão: "O Grande Kan contempla um império recoberto de cidades que pesam sobre a terra e sobre as pessoas, cheias de riquezas inchadas, ornamentos extravagantes, mecanismos complicados e tensos" (Calvino, 2011, p.73).1 As leituras e releituras do texto, então, revelam o primeiro elemento estrutural: cada cidade é, de fato, um construto e suas qualificações se realizam como categorias analíticas do construto. O construto significante-significado, que se move entre pensamento e objeto pensado e pesado, complicado e inchado é o leitmotiv da intensa elaboração, que busca alternativas, novos motivos, outras memórias, soluções de impacto e, acima de tudo, combinações políticas (dir-se-ia de organização da polis) para os lugares visíveis e "invivíveis".

Talvez não se possa escapar de uma hipótese de Frasson-Marin (1986, p.270): "As cidades de Calvino constituem um tipo de suprassigno, no qual a 'floresta' de signos já referida se revela como o suporte e ponto de convergência de um feixe de significações complexas". 2 Cabe trabalhar esse feixe complexo de significações, pois as operações semióticas abrem-se, via de regra, para processos reveladores de ensino e pesquisa.

A matéria e o modo de combiná-la

Para criar uma verdade dinâmica (como lembrou Lefebvre), que é a verossimilhança, objetivos de estudo e metodologia devem nascer do próprio movimento do texto estudado e nunca serem postiços ao objeto pensado e trabalhado. Eco e Orlandi já ofereceram essa sugestão. Nesse sentido, não há método ajustável; ao contrário, terá de ser vivido na linguagem organizada. Desse modo, o discurso sobre o lugar construído, que talvez se possa chamar de lugar-cidade. Por exemplo, a emblemática Olívia. Esse lugar construído, construto, parte da totalidade, é tido como "cidade rica em produtos e ganhos" (Calvino, 2011, p.61),3 com palácios, filigranas, instalações potentes, muita moeda e muitos produtos. No entanto - adverte Marco Polo ao poderoso Kan -, não se pode confundir a cidade com o discurso sobre ela. Quem anuncia grandes obras também está fazendo entender que o lugar está cheio de fuligem e cinza, de pedestres encurralados nos muros, de odores que vêm das bodegas. Quem fala ou escreve a respeito de mulheres lindas a cantar sobre barcarolas também está significando que os portos desses barcos estão entulhados de seres sonâmbulos que riem e desdenham. Geralmente - diz Marco - o engano não está no discurso, mas sim nas coisas, pois os discursos querem sempre endireitar e até mesmo dourar as coisas. Portanto, o construto-cidade sugere o método: ver que sempre há uma coisa dentro de outra coisa e que nessa "cebola verbal" disputam lugares o real e o verossímil, as associações e as disjunções. Uma breve conversação entre os protagonistas, na passagem da parte V para a parte VI esclarece a "cebola verbal":

Marco Polo descreve uma ponte, pedra por pedra.

- Porém, qual é a pedra que sustenta a ponte? - diz Kublai Kan.

- A ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra - responde Marco - mas pela linha do arco que elas formam.

Kublai Kan permanece silencioso, refletindo. Então, acrescenta: - Por que tu me falas das pedras? Ora, somente o arco me importa!

Polo responde: - Sem pedras não há arco. (Calvino, 2011, tradução livre)

O construto, pois, se organiza por meio de uma armação sígnica, ou semiótica; em consequência, fora dessa ordem não poderá haver harmonia. Assim como as pedras formam o arco, as palavras metaforizam as organizações que sustentam a e se sustentam na sociedade. Não se submetem; contendem. Mas produzem explicações, abertas mas compreensivas. Um dos discursos centrais de Lévi-Strauss (1961, p.134) consiste em compreender o diferencial humano, a competência simbólica, cujo suporte é a linguagem, valor fundante da cultura. Le-se na obra do diretor do Museu do Homem:

El lenguaje es la más perfecta de todas las manifestaciones de orden cultural que forman, de alguma manera, sistemas, y si queremos comprender qué es lo que son el arte, la religión [...] habrá que concebirlos como códigos formados por la articulación de signos, conforme al modelo de la comunicación linguística.

Portanto, o modelo deste ensaio, e também o modelo de pensamento em Calvino, é o linguístico-semiótico, segundo o qual a articulação dos signos, a criar significantes e significados, modeliza o trabalho de criação em arte e ciência. Arte e ciência significam. O genoma também se revela como um quadro linguístico-semiótico, um processo combinatório no interior da célula, ao mesmo tempo metáfora da vida em movimento e metonímia de uma totalidade apenas entrevista no estágio de pesquisa que completou poucas décadas. Compreender a organização dos discursos da arte e da ciência leva a compreender as suas dinâmicas significações.

Tal constatação começa a montar a metodologia de análise. Evidentemente, os fenômenos que se imbricam e se enlaçam são dinâmicos, mas obedecem a uma ordem de relações, um processo organizatório, combinatório. No entanto, não se trata de retórica ou burocracia; no caso, é uma atitude epistemológica que, por sua vez, engendra uma estética suportada pela construção da linguagem. Ao constituir-se como discurso semiótico, essa visão metodológica da coisa conectada à outra coisa metaforiza, por sua vez, certa tendência do pensamento e do conhecimento na Modernidade, do final do século XVIII a meados do século XX. Ato contínuo, prepara o pensamento pós-moderno.

Na experiência europeia, essa era se institui na revolução industrial, nos discursos de Marx, Nietzsche e Freud e na vitória do pensamento burguês, incluídos os sistemas simbólicos construídos em torno da educação e da cultura. A sociedade fragmentada econômica e politicamente, especulativa sobre seu poder e incapaz de conhecer seus limites ecológicos, exige do intelectual e do pesquisador rigor analítico e posicionamento racional. Lefebvre (1969, p.143), por exemplo, discute, antes de Foucault, os sentidos das palavras e das coisas (como dimensões do humano) na Modernidade. Ao revisitar suas cidades (talvez mentais) ele vê que o que antes foi unido e misturado restou profundamente separado. Separaram-se: "a natureza e o homem social, o ser e o pensamento, os trabalhos, os atos, as atividades, as idades, os sexos, as ideias, os sentimentos e as funções" (ibidem). Mais complexo é o fato de que as tendências a integrar e totalizar no interior do Estado moderno dissimulam as separações. Ainda Lefebvre (1969, p.143):

O esmigalhamento da cotidianidade, muito mais vasto que o do trabalho (que desaparece já no horizonte) dissimula a unificação pelo alto e a supressão das diferenças originais. Ora, a verdade encontra-se no movimento do conjunto. É ela que propõe aos olhares este texto obscuro e legível: a Cidade nova.

Essa "verdade dinâmica" se aprofunda no pensamento pós-moderno e se realiza no ato de visitar a história com as armas afiadas. Se necessário, a detonação, que Marco Polo sugere na abertura do capítulo IV (Calvino, 2011, p.60): "[...] eu recolho as cinzas das outras cidades possíveis que sucumbem e que não possam mais ser reconstruídas e recordadas"4. A atitude pós-moderna sugere que se pense no presente e no futuro, considerando que ainda não há síntese. Visto que o real não é apreensível pelo discurso (porque o discurso tende a ser mais perfeito que o real), o conhecimento da realidade discursiva está no verossímil.

O verossímil capta o dinamismo da história e o organiza no discurso narrativo/descritivo, sem afirmar categoricamente a verdade, ou a realidade. Pela boca de Polo, Calvino afirma sua pós-modernidade: desconstruir criticamente a tradição, as origens, não por ser antimodernista, mas porque os códigos culturais dominantes - e criados na modernidade - precisam ser postos em debate aberto (Baudrillard, 1988, p.12). Se não resistirem à crítica de sua organização, que virem, então, cinzas e deem lugar a novas enunciações organizativas. Para Krauss (op. cit., p.73) a prática pós-moderna não busca o que se organiza sobre a base material ou a percepção do material com que se trabalha. Aí se fundamentou a escultura moderna e mesmo a arquitetura. O que interessa é o universo opositivo dos termos de uma organização colocada no interior de uma situação cultural.

A problemática narrativa está, pois, criada e o modo de trabalhar se desenvolve. Também a tese viajante. Em A cidade invisível há um jogo entre a história e a narração entremeada de conversações; ambas buscam ser objetivamente verdadeiras (sendo verossímeis) e, assim, a despeito dos defeitos das coisas construídas e em construção, buscam fazer a melhor organização possível. Ademais, aos narradores-protagonistas, postos em ação em discurso cursivo, ao contrário das personagens citadinas que atuam com tipos em negrito, não interessam as cidades reais, do império tártaro, aqui e ali citadas, como Quinsai e Lalage. Interessa, sim, citar o real, sem esquecer que o discurso é um perigo para a realidade, embora seja a possibilidade comunicativa, pois não se chega à verdade do real sem ele. Desse modo, o método converge com o objetivo e constitui a tese: desenrolar as camadas de significação (movimento entre verossímil e verdadeiro, bem como entre significante e significado) imbricadas nas partes da obra, ver o peso da organização material do construto e o peso da condição humana em construção. Nesse movimento, trata-se de buscar o que qualifica o humano, o pesquisador e seus materiais à luz de um pensamento de base: os construtos integrados e em equilíbrio - do humano e da matéria - podem estar sendo geridos no interior do invivível, dos lugares/organizações que se constituíram de modo inchado, tenso, pesado e cheio de fuligem, desdém e mentira. Sem certezas, mas com possibilidade. Pesquisar é viajar.

Complete-se, pois, a metodologia. A narração (principal processo linguístico de Marco Polo e ocasional do imperador Kan) busca criar o que narra. Fazer das palavras ícones, pedras, fatos, organizações, porém mediadas pelo jogo linguístico, pelas oposições e associações. Pela pesquisa. Assim como pedras e arcos se constituíram na cebola verbal, uma coisa dentro da outra, o ato de narrar torna-se intrínseco ao ato de criar, porque os significantes possuem sua outra face, os significados. O ato de narrar, com pitadas de descrição, é o ato de acontecer social, sendo fundamentalmente um ato de conhecer. Calvino também se posicionou sobre o seu processo narrativo: "Meu trabalho como escritor busca desde o início traçar raios de luz dos circuitos mentais, a fim de capturar e conectar pontos distantes entre si no espaço e no tempo" (apud Bondanella; Ciccarelli, 2003, p.179). Daí este estudo ter criado as imagens de rotação e translação.

A armação das significações: o quadro de referências

Um olhar sobre o índice mostra que em A cidade invisível há dois tipos de construtos: os conectivos e os qualificativos. Ligações e aglutinações. Um liga e o outro agrega. Suas funções gramaticais são bem distintas. Nos subtítulos diferem as cidades ligadas pela conjunção e de um lado e, de outro, as cidades adjetivadas. As duas categorias ensejam a construção de uma gramática textual à guisa de armação para os sentidos da obra. Quanto à primeira, tem-se: As cidades e a memória, As cidades e o desejo (desiderio), e os sinais, as trocas, os olhos, o nome, os mortos e o céu. Na segunda categoria surgem somente três: Le città sottili, continue e nascoste, ou sutis/delgadas, contínuas e escondidas.

Quais traços distintivos conformam ambas as categorias? Carece-se de levantá-los. Tome-se, pois, uma cidade delgada (Ottavia), uma escondida (Olinda) e outra contínua (Leonia). Do mesmo modo, As cidades e as trocas (Ersilia), A cidade e os olhos (Bauci) e A cidade e o nome (Leandra). Por meio delas, analogicamente, entendemos todas as demais, alinhadas às suas categorias.

Os construtos qualificados produzem categorias similares: descrição, mínima ação humana, desprezo do produzido, construto definido em si mesmo, menor incerteza. Os conectados apresentam: narratividade, intensa ação dos habitantes, uso dos materiais produzidos, construto modificado nos atos, maior incerteza. A quantidade das categorias coincide com o número 5, que é o máximo de presença das cidades-construtos na obra.

Como se organizam as cidades adjetivadas nas categorias?

Ottavia, a delgada, está suspensa, sua leveza é seu próprio crescimento. Ottavia não se faz; já é feita. Uma rede a sustenta sobre o abismo. O que se construiu está abaixo e não é a cidade, que está acima. A única citação aos habitantes é que eles vivem menos incertamente que outros, de outras cidades, pois a rede é suficiente para eles. E basta.

Leonia, contínua, faz-se e refaz-se todo o tempo. A população acompanha uma intensa fabricação de coisas, mas somente acompanha. Diariamente joga-se fora parte da opulência produzida, que se amontoa e forma colinas ao redor. Lixeiros são como anjos, contemplados respeitosamente a limpar e amontoar. A cidade se renova todo dia à custa da montanha de produtos, que já alcança cidades vizinhas. Acredita-se num cataclismo que liquidará com os traços da metrópole sempre outra vez vestida (Calvino, 2011, p.115).

Olinda, escondida, deve ser vista primeiramente com uma lente. Ainda que do tamanho de uma capocchia di spillo (cabeça de alfinete), já apresenta formas em movimento espontâneo. Cresce como fungos e chega ao tamanho natural, mas se posta no meio da anterior e é capaz de expelir a outra. Desse modo, vão-se sucedendo as Olindas. Embora seja difícil distingui-las, com esforço se nota a ventura daquelas que, minúsculas, sucederão umas às outras.

Segue-se a organização dos construtos com títulos conectivos.

Ersilia, a cidade das trocas, tem uma população que tece fios de várias cores nas esquinas, os quais significam parentesco, modos de escambo e autoridade. Quando os fios são demasiados, mudam-se os habitantes e desmontam as casas. Os fios ficam e representam a cidade, porque os habitantes a contemplam de longe. No entanto, reedificam-na e buscam fazê-lo de modo mais complexo, usando novos fios coloridos. Portanto, Ersilia viaja em seus habitantes, sempre um busca de uma forma melhor.

Bauci, conectada pelos olhos, é a cidade à qual se chega sem vê-la. Os habitantes têm tudo de que precisam embaixo e preferem, pois, não subir, pois ela é acessada por trampolins. Nada dessa cidade toca o solo. A população discute a sua cidade a partir de três hipóteses: que a odeiam, que a respeitam a ponto de evitar qualquer contato e que a amam como sempre foi e, desse modo, basta usar telescópios para analisá-la, folha a folha, formiga a formiga, pedrinha a pedrinha. Trata-se de uma fascinação pela ausência.

Leandra, que é narrada pelo nome, ou nomes, é uma cidade protegida por duas organizações opositivas. Uma se chama Penati e a outra, Lari. As terminações plurais dos nomes têm sentido: são pequeninos, quase invisíveis, mas numerosíssimos. Os primeiros ficam nos umbrais e nas portas. Os Lari permanecem nas cozinhas interiores, mesmo nas panelas e nas chaminés. Os Penati chegaram há pouco. Os Lari sempre estiveram nos seus lugares. Por vezes os representantes dos clãs são vistos caminhando juntos, fazendo comentários e discutindo.

As significações

Enquanto as primeiras organizações/lugares são trabalhadas por verbos nominais ou similares, de condição ou situação (ser, estar, permanecer, ficar), as últimas escancaram verbos de ação (fazer, bailar, discutir, reedificar). Vigem, pois, as metáforas da condição e as metáforas da ação. As ações, nas primeiras, têm caráter mais descritivo do que narrativo e se traduzem por apresentação e acompanhamento da condição. A despeito do universo de ação, há incerteza nos atos organizatórios de Ersilia, Bauci e Leandra, e maior certeza no que é nominal e, portanto, qualificado. Ottavia não se desgarrará, Leonia continuará amontoando lixo e Olinda surgirá, a cada tempo, entre pequena e grande. Certeza, sim, porém distância indubitável. O que se qualifica define-se em si, desprezando redes, muros e montes de coisas. O que conecta, de fato intercambia, fascina, produz imaginação e projetos. O humano cria tensão e incerteza, portanto complexidade. O que qualifica ideologiza, faz-se discurso monológico. O que conecta e se conecta produz um leque maior de significações e se constitui em visão - ou visões - de mundo. É o que se dá em Ersilia, Bauci e Leandra.

Aí nos encontramos novamente com Goldmann, Orlandi, Lévi-Strauss e Smircich. Há organizações dentro de organizações, como a relação entre conteúdo e continente (seres e casas, fios e distância, manutenção e mudança de condição, ódio, respeito e amor, espaços e redes, o pequeno no grande, os diálogos e as divergências etc.). No entanto, a estrutura proposta permite variação, como ocorre na estrutura e nas demonstrações estéticas e científicas. Nos construtos qualificados de Ottavia, Leonia e Olinda não há lugar para o humano. As cidades delgadas-suspensas, expandidas na dispersão das coisas e que se furtam ao olhar movem-se por poderes difusos, incontroláveis. Ali, a população não é, mais, autoridade. Ainda que tenham sido homens e mulheres seus construtores, a alienação radical ocorrida visa afastar o faber para não ter de admitir o sapiens, aquele que questiona. De certo modo, essas são cidades-máquina, cidades-engenho, onde não se pode viver (invivibili).

No jogo combinatório, toda a sustentação é semiótica. Opõem-se nominações - o vivível e o invivível, o novo e o de sempre, o expandido e o contido, o definido e o indefinido; também desfilam movimentos de rotação (a organização em movimento de si mesma) e translação (a organização vista em movimento translacional pelos narradores). Homens e organizações do mundo se sustentam em rede de signos, rotação e translação. Há dinâmica e há variação; por isso, o escritor, ou pesquisador, busca fixar estruturas nas possibilidades combinatórias, como faz Calvino e como sugerira Barthes (op.cit., p.254): "A linguagem literária não é pura ou neutra. Demonstra para a ciência que não há código referencial absoluto". Os códigos são abertos, como a vida. No trabalho do investigador, ainda mais abertos que a vida que busca ser compreendida.

A narratividade em Calvino não deixa dúvidas: o que se qualifica se distancia e produz alienação e não há síntese. Tudo fica aberto. Semelhantemente aos processos de pesquisa e estudo, que implicam levantar dados, nominar, etiquetar, justapor, qualificar, definir, talvez burocratizar, tecer e dimensionar, para então criar sentidos lógicos, mas ainda abertos. Abertos à continuação do pensamento operativo.

A dinâmica das significações à guisa de conclusão

Marco Polo, o veneziano, e Kublai Kan, o soberano tártaro, elucubram e produzem uma gramática sobre a civilização, indo de si e do próximo às translações dos discursos sobre lugares do mundo onde a civilização encontrou desafios, as cidades. Neste estudo, elas são entendidas como espaços da organização humana que se busca compreender para nela viver/criar. E esse compreender é um percurso linguístico-intelectual com várias e necessárias combinações. A narratividade do espaço do eu e dos territórios é a condição da consciência para o pensamento global, processo sugerido pelo próprio Calvino em diversas conferências, algumas citadas neste ensaio. Dado que o melhor modo de pensar tempos complexos é por via das figuras expressivas do universo heurístico da linguagem, foram sendo tecidas significações possíveis, pois verossímeis, sobre lugares de fazer e viver, associados a lugares ainda invivíveis. Essa verossimilhança (produto acabado das metáforas) abarca as diferentes situações que os estudiosos de ciências sociais aplicadas buscam conhecer. Tomadas como objetos de análise a fim de expandir as significações da obra, Ottavia, Leandra, Bauci, Ersilia, Leonia, Zobeide, Olinda etc. criam conexões com as verdades discursivas dos autores que pesquisam a organização social, seus atores, seus feitos e seus construtos sociais: a cidade erguida para a contemplação; o drama dos resíduos que se amontoam; o lugar mutante, sempre; as populações alienadas e excluídas; o tempo, a conservação e a mudança; a condição de estar feliz no lugar; os modos de participação dos cidadãos; conflitos de princípios, desejos e realidades; o direito problemático ao lugar. Aqui se desenha, também, um roteiro para a educação e a cultura das novas gerações.

A obra de Calvino revela que nos percursos de conhecimento tudo tem relação com tudo e que há diversidade no interior do que parece ser a mesma matéria; trata-se, pois, da criatividade nos modos de organizar, de pesquisar. Especialmente quando a atitude é a de nunca dar a organização por concluída, ou feita fetiche, e sempre garantir espaços e referências para o que muda, abre e inclui.

Kan e Polo são sujeitos de discurso, que articulam conexões gramaticais no universo das "cidades" e constroem sentidos numa armação determinada pela consciência estruturante, que se costuma denominar de autor. As falas e os textos dos autores somente podem ser entendidos como linguagem se forem traduzíveis no universo de pares e grupos capazes de realizar as devidas descodificações. Ser traduzível não implica ser facilitado, mas criar um processo coletivo de conhecimento. Caso contrário, será algo amorfo e, provavelmente, poluído por desconexões, por sua vez capazes de invisibilizar ou alienar sujeitos e suas organizações.

A expressão estética se realiza no compartilhamento social e evidencia que nenhum texto é neutro, ou portador de grau zero de ideologia. Importam a organização e seus sentidos. Ademais, quem escreve não o faz plenamente de si, pois seu texto inclui o "outro", que é o saber da sociedade, existente antes daquele que escreve; mas o escritor não pode incluir o outro como plágio ou clone ou armadilha semântica e sim como referência significativa para o aprimoramento de seu próprio trabalho. Paulo Freire, patrono da educação brasileira, mostrou, pacientemente, algo similar como metodologia do processo educativo, na direção da autonomia e da liberdade de educadores e educandos5. Nesse sentido, a linguagem é sinônimo de solidariedade social, de conexões vividas e vivíveis. Construídas por sutis e inteligentes combinações.

Referências

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1 Tradução do autor do ensaio.

2 Idem.

3 Tradução do autor do ensaio.

4 Idem.

5 Entre tantos lugares da obra de Freire, pode-se citar, para estar próximo das "cidades", a entrevista que ele concede a Ana Maria Saul em A educação na cidade (Freire, 2001, p.82-3).

Recebido: 15 de Julho de 2013; Aceito: 28 de Maio de 2014

Luiz Roberto Alves é professor titular da Faculdade de Administração e Economia da Universidade Metodista de São Paulo. Professor adjunto aposentado da Escola de Comunicações e Artes da USP. Membro-presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. @ - luiz.alves@metodista.br

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