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Journal of the Brazilian Chemical Society

Print version ISSN 0103-5053

J. Braz. Chem. Soc. vol.23 no.8 São Paulo Aug. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-50532012000800001 

EDITORIAL

 

Sem educação básica de qualidade não há futuro

 

 

Água mole em pedra dura tanto bate até que fura". Esse ditado popular deve iluminar e dirigir as ações de todos aqueles que estão empenhados em melhorar o nível da Educação e em diminuir a evasão escolar nas escolas brasileiras.

De repente, nos esquecemos de que a cada 100 alunos que começam o ensino fundamental, 44 chegam ao ensino médio e apenas 12 à universidade. Ainda pior é saber que, desses 12, nem todos saem com seus diplomas e muitos ultrapassam os períodos regulares de seus cursos.

Esses números, apesar de impressionantes, ainda não conseguiram mobilizar a classe política e a sociedade brasileira para o debate permanente em torno da importância da educação, para fazer do Brasil uma nação desenvolvida e escolarizada. É necessário dar um basta ao adjetivo "em desenvolvimento".

Todos os dias, nos jornais, há notícias sobre a pouca eficiência e a falta de inovação do setor industrial, sobre a falta de competitividade da indústria nacional no mercado internacional e a carência de profissionais especializados para atenderem, em alguns setores, a própria demanda do mercado interno.

A raiz da maior parte dos problemas brasileiros reside no baixo nível educacional da população.

A universalização do ensino fundamental, a partir dos anos noventa, foi, sem dúvida, um grande passo para aumentar a escolarização e, assim, diminuir a desigualdade no Brasil.

Algumas ações de governo vêm tentando estimular os jovens para os cursos de Licenciatura, apesar de a quase totalidade das instituições públicas de ensino superior ainda considerarem as Licenciaturas de importância menor entre os seus cursos.

Entre algumas dessas ações, pode-se destacar o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID-CAPES), cujo objetivo é o maior incentivo à formação de professores para a educação básica e a elevação da qualidade da escola pública, mas isso é muito pouco face à dimensão dos problemas da educação brasileira.

Também, pensar que 10% do PIB é a solução mágica para o cumprimento das metas de educação, mantida a forma atual como são geridos os recursos públicos, é incorrer em erros que vêm caracterizando os governos desde a criação da República.

Agora, a luta deve ser por uma escola em tempo integral e por uma remuneração do professor condizente com a sua importância na sociedade.

Não se pode mais silenciar e ser cúmplice da situação atual em que muitos governos estaduais reafirmam que não podem nem pagar o piso salarial dos professores e em que grande parte das escolas funciona em três turnos.

Com escolas de ensino médio em tempo integral é possível ter aulas experimentais de química, física e de ciências. Para isso, serão necessários mais investimentos em educação, uma gestão correta dos recursos e salários dignos para os professores.

Através da educação, o Brasil deixará de ser um país exportador de matérias-primas primárias e importador de produtos manufaturados.

Como água mole em pedra dura tanto bate até que fura, deve-se reafirmar que as sociedades científicas têm um papel importante a desempenhar na educação brasileira.1-2 Do mesmo modo que a Sociedade Brasileira de Matemática é responsável pelo PROFMAT, um programa de pós-graduação profissional voltado para a formação de professores, a Sociedade Brasileira de Química deve
refletir sobre o PROFQUIM, porque experiências exitosas como o PROFMAT são para serem repetidas.

Tão importante como as Olimpíadas esportivas são as de química, física, matemática e de ciências, em geral. Imaginem o dia em que todos os brasileiros receberem em seus telefones celulares mensagens das operadoras de telefonia informando que mais um estudante brasileiro recebeu uma medalha de ouro em olimpíadas escolares internacionais.

A materialização de sonhos exige, antes de tudo, querer e fazer acontecer. Com trabalho, ousadia e inteligência, pode-se mudar a educação brasileira.

Angelo C. Pinto
Editor JBCS

 

Referências

 

1. Pinto, A. C.; J. Braz. Chem. Soc. 2012, 23, 985.         [ Links ]

2. Pinto, A. C.; J. Braz. Chem. Soc. 2012, 23, 1199.         [ Links ]