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Revista Brasileira de Terapia Intensiva

Print version ISSN 0103-507XOn-line version ISSN 1982-4335

Rev. bras. ter. intensiva vol.20 no.2 São Paulo Apr./June 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-507X2008000200011 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Síndrome do desconforto respiratório agudo pulmonar e extrapulmonar: existem diferenças?*

 

 

Cristiane S. N. Baez GarciaI; Paolo PelosiII; Patricia R. M. RoccoIII

IDoutora em Ciências pela UFRJ, Pós-Doutoranda em Fisiologia e Farmacodinâmica pela FIOCRUZ, Laboratório de Investigação Pulmonar, Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, UFRJ
IIMédico, Department of Ambient, Health and Safety, Universidade de Insubria, Varese, Itália
IIIProfessora Associada da UFRJ; Doutora em Ciências pela UFRJ, Chefe do Laboratório de Investigação Pulmonar, Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, UFRJ

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A patogênese da síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) tem sido explicada pela presença de uma agressão direta (SDRA pulmonar) e/ou indireta (SDRA extrapulmonar) ao parênquima pulmonar. Evidências indicam que a fisiopatologia da doença pode diferir com o tipo de lesão. O objetivo deste estudo foi apresentar breve revisão das diferenças entre a SDRA pulmonar e a SDRA extrapulmonar e discutir as interações entre os aspectos morfofuncionais e a resposta aos diferentes tratamentos.
CONTEÚDO: Esta revisão bibliográfica baseou-se em uma pesquisa sistemática de artigos experimentais e clínicos sobre SDRA incluídos nas bases de dados MedLine e SciElo nos últimos 20 anos. Muitos pesquisadores concordam, com base em estudos experimentais, que a SDRA pulmonar e a SDRA extrapulmonar não são idênticas no que diz respeito aos aspectos morfofuncionais, a resposta à pressão positiva ao final da expiração (PEEP), manobra de recrutamento alveolar, posição prona e outras terapias farmacológicas. Entretanto, os estudos clínicos têm descrito resultados contraditórios, os quais podem ser atribuídos à dificuldade de se classificar a SDRA em uma ou outra etiologia, e de se precisar o início, a fase e a gravidade da SDRA nos pacientes.
CONCLUSÕES: Pacientes com SDRA de etiologias distintas perduram sendo considerados como pertencendo a uma mesma síndrome e, assim, são tratados da mesma forma. Logo, é fundamental entender as diferenças fisiopatológicas entre a SDRA pulmonar e extrapulmonar para que a terapia seja mais bem direcionada.

Unitermos: histologia pulmonar, manobra de recrutamento alveolar, mecânica respiratória, ventilação protetora


 

 

INTRODUÇÃO

A lesão pulmonar aguda (LPA) e a sua forma mais grave, a síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) caracterizam-se por falência respiratória aguda, infiltrado pulmonar difuso e bilateral evidente na radiografia de tórax, complacência pulmonar reduzida e relação entre pressão parcial de oxigênio arterial e fração inspirada de oxigênio (P/F) < 300 mmHg para LPA e P/F < 200 mmHg para SDRA1. Várias condições clínicas e cirúrgicas podem acarretar o desenvolvimento da LPA/SDRA, existindo duas vias patogênicas: lesão direta (pulmonar), que afeta diretamente o parênquima pulmonar e lesão indireta (extrapulmonar) que resulta de uma resposta inflamatória sistêmica1 (Quadro 1). Os estudos experimentais têm demonstrado diferenças morfofuncionais e terapêuticas entre SDRA pulmonar e extrapulmonar2,3. Entretanto, os achados clínicos são contraditórios4-10.

O objetivo deste estudo foi realizar uma análise crítica das diferenças entre SDRA pulmonar e extrapulmonar, e discutir as interações entre mecânica respiratória, histologia pulmonar e resposta aos diferentes tratamentos.

 

EPIDEMIOLOGIA

A incidência da SDRA é difícil de mensurar, por problemas relacionados a sua definição11 e falha nos testes diagnósticos12. Aproximadamente 7% dos pacientes admitidos nas unidades de terapia intensiva (UTI) desenvolvem SDRA, sendo que a taxa de mortalidade varia entre 35% e 60%13.

Diversos estudos clínicos tentaram demonstrar a incidência de SDRA pulmonar e extrapulmonar, bem como identificar a correlação entre a etiologia e o prognóstico. A maioria dos estudos mostrou maior prevalência da SDRA pulmonar5,7,14,15, embora Eisner e col.16 não tenham encontrado diferença. A pneumonia é a causa mais freqüente de lesão direta, enquanto a sepse é a causa mais prevalente e letal da lesão indireta. Suntharalingam e col.17 mostraram maior mortalidade na SDRA pulmonar, embora Eisner e col.16 não tenham constatado correlação entre a etiologia da SDRA e a mortalidade. Angus e col.18 observaram que, ao final do primeiro ano, os pacientes de SDRA pulmonar apresentaram piora na qualidade de vida. Parker e col.19 constataram que a qualidade de vida foi similar nos pacientes de SDRA pulmonar e extrapulmonar aos três meses; porém, após 12 meses, os pacientes de SDRA pulmonar apresentaram melhor qualidade de vida.

 

FISIOPATOLOGIA

Na SDRA pulmonar, o epitélio alveolar é a primeira estrutura lesada. A lesão à barreira epitelial acarreta: edema alveolar20, redução da depuração do edema21, diminuição da produção e turnover de surfactante22 e fibrose23. O reparo epitelial alveolar eficiente pode minimizar a formação da fibrose, pois a camada epitelial intacta suprime a proliferação de fibroblasto e deposição de matriz extracelular (MEC)24. O reparo epitelial envolve diversos mecanismos moleculares, incluindo a interação entre os pneumócitos tipo II e a MEC25.

Na SDRA extrapulmonar, a célula endotelial é primariamente lesada26 por mediadores inflamatórios circulantes liberados do foco extrapulmonar (p. ex.: peritonite, pancreatite). O endotélio pulmonar é um tecido altamente especializado que possui funções fisiológicas, imunológicas e de síntese, além de armazenar inúmeras enzimas, receptores e moléculas de transdução, que interagem umas com as outras e com os constituintes da parede do capilar e células sangüíneas circulantes27. A barreira alvéolo-capilar medeia as alterações da permeabilidade e possui um papel decisivo no reparo e remodelamento27.

 

HISTOLOGIA

Na SDRA pulmonar, o envolvimento do parênquima pulmonar é multifocal, ao passo que na extrapulmonar, a alteração é mais difusa e uniforme devido à distribuição hematogênica dos mediadores inflamatórios. As diferenças morfológicas entre SDRA pulmonar e extrapulmonar foram avaliadas em autopsia8, observando-se predominância de colapso alveolar, exsudato fibrinoso e edema alveolar em pacientes com SDRA pulmonar. Negri e col.28 constataram maior quantidade de fibras colágenas no parênquima pulmonar nos pacientes com SDRA pulmonar em comparação com a extrapulmonar, sugerindo que o remodelamento da MEC depende do local inicial da lesão.

 

MORFOLOGIA

Diversos estudos descreveram diferenças morfológicas na tomografia computadorizada (TC) de pacientes com SDRA pulmonar e extrapulmonar6,29-31. Entretanto, Desai e col.7 relataram que nenhuma característica tomográfica é capaz de predizer a etiologia da lesão. Os estudos com TC apresentaram limitações: 1) o número pequeno de pacientes, 2) o grupo com SDRA extrapulmonar incluía pacientes com sepse abdominal e pós-operatório de cirurgia cardíaca, que usualmente cursam com colapso de lobo inferior esquerdo e 3) lesões diretas e indiretas podem coexistir, tornando o padrão morfológico de difícil interpretação.

 

MECÂNICA RESPIRATÓRIA

A mecânica respiratória também parece diferir em função da etiologia da lesão. Gattinoni e col.5 descreveram que embora a elastância estática do sistema respiratório fosse similar na SDRA pulmonar e extrapulmonar, a elastância estática do pulmão era maior na SDRA pulmonar, enquanto que a elastância estática da parede torácica era maior na extrapulmonar. Nesse contexto, Albaiceta e col.33 também demonstraram o papel da parede torácica na mecânica do sistema respiratório de pacientes com SDRA extrapulmonar. Logo, para melhor caracterizar o processo fisiopatológico é fundamental analisar o sistema respiratório e seus componentes: pulmão e parede torácica.

 

RESPOSTA ÀS DIFERENTES TERAPIAS VENTILATÓRIAS E FARMACOLÓGICAS

Estudos Experimentais

As respostas terapêuticas na SDRA pulmonar e extrapulmonar apresentam resultados contraditórios, provavelmente em função da possibilidade de que lesões diretas e indiretos coexistam no mesmo paciente9,34. Para evitar tais limitações, modelos experimentais de SDRA pulmonar e extrapulmonar vêm sendo desenvolvidos. Nesse contexto, Menezes e col.2 desenvolveram modelos murinos de LPA pulmonar e extrapulmonar induzidos pela administração intratraqueal e intraperitoneal de lipopolissacarídeo de E. coli, respectivamente, com graus similares de alterações mecânicas na fase precoce, e constataram que a lesão direta acarretou respostas inflamatórias mais pronunciadas do que a indireta2, apesar da quantidade de fibras colágenas ter sido similar em ambos modelos. Santos e col.3 ao estudar temporalmente o remodelamento do parênquima pulmonar nesses modelos de LPA pulmonar e extrapulmonar observaram que a lesão direta induziu fibroelastogênese, enquanto a indireta acarretou somente fibrose precoce que foi reparada. Logo, o balanço entre a inflamação epitelial alveolar e/ou lesão endotelial e os mecanismos de reparo parece determinar o prognóstico na LPA/SDRA. Uma vez que a resposta inflamatória diferia entre a LPA pulmonar e extrapulmonar, Rocco e col.35 analisaram o papel do corticosteróide nesses modelos e constataram que o esteróide (metilprednisolona) atenuou as alterações morfofuncionais e a resposta inflamatória pulmonar somente no grupo de LPA pulmonar, porém evitou modificações no conteúdo de fibras colágenas em ambos os grupos.

Os efeitos das manobras de recrutamento (MR), ou pressão positiva expiratória final (PEEP) na função pulmonar e troca gasosa também vêm sendo estudado em diferentes modelos de LPA36-39. A maioria dos estudos relatou que a MR é mais benéfica na LPA extrapulmonar do que na pulmonar. Kloot e col.36 observaram que altos níveis de PEEP acarretavam recrutamento mais efetivo no modelo de LPA induzido por acido oléico (extrapulmonar) do que naquele determinado por instilação de bactéria (pulmonar). Recentemente, Riva e col.39 investigaram os efeitos das MR sobre mecânica e histologia pulmonares e oxigenação em modelos experimentais de LPA pulmonar e extrapulmonar com pressões transpulmonares similares. Eles observaram que as MR resultaram em melhora da oxigenação e da mecânica pulmonar e redução de colapso alveolar de forma mais efetiva na LPA extrapulmonar do que na pulmonar, sugerindo que a eficácia das MR difere com a etiologia da lesão39.

Estudos Clínicos

Os resultados das MR em pacientes com SDRA permanecem controversos. Gattinoni e col.5 relataram que a eficácia da PEEP em recrutar alvéolos colapsados é menor na SDRA pulmonar. Similarmente, Pelosi e col. observaram efeitos benéficos de três suspiros por minuto com pressão de platô de 45 cmH2O na SDRA extrapulmonar40. Corroborando esses achados, Lim e col.41 mostraram que a melhora na oxigenação obtida através da MR alveolar na SDRA extrapulmonar foi aproximadamente cinco vezes maior do que na pulmonar. Tugrul e col.42 observaram que embora a insuflação pulmonar sustentada com 45 cmH2O por 30 segundos, associadas à aplicação de PEEP após insuflação de aproximadamente 16 cmH2O tenha melhorado a oxigenação na SDRA extrapulmonar e pulmonar, a complacência estática aumentou somente na SDRA extrapulmonar42.

Contrariamente, Estenssoro e col.43 constataram respostas similares ao recrutamento alveolar em pacientes com SDRA pulmonar e extrapulmonar. Corroborando esse resultado, Thille e col.44 realizaram estudo multicêntrico e demonstraram que a resposta ao recrutamento alveolar com PEEP não diferia entre a SDRA pulmonar e extrapulmonar, sugerindo que a etiologia da lesão não influencia a capacidade dos alvéolos em serem recrutados. Entretanto, esse estudo mensurou a pressão de vias aéreas ao invés da pressão transpulmonar. Na SDRA extrapulmonar, para uma mesma pressão nas vias aéreas, em função da alta pressão intra-abdominal, a pressão transpulmonar é baixa, favorecendo o recrutamento alveolar. Por outro lado, na SDRA pulmonar, há predomínio de consolidação alveo-lar. Dessa forma, para uma mesma pressão de via aérea, a pressão transpulmonar é relativamente alta com baixo potencial para recrutamento (Figura 1). Nesse contexto, Grasso e col.45 relataram que a eficácia da manobra de recrutamento seria influenciada pelas propriedades elásticas do pulmão e da parede torácica independentemente da etiologia da SDRA.

A resposta funcional da SDRA pulmonar e extrapulmonar também difere em função do posicionamento no leito. Diversos autores observaram que o posicionamento em decúbito ventral (prona) acarretava melhor oxigenação na SDRA pulmonar do que na extrapulmonar46,47, porém esse efeito benéfico cessava quando os pacientes eram posicionados em decúbito dorsal. Pachl e col.48 ao avaliarem os efeitos da HFOV (ventilação de alta freqüência por oscilação) sugeriram que pacientes com SDRA pulmonar têm menos tecido pulmonar recrutável. Embora a resposta às manobras de recrutamento e ao posicionamento em prona permaneça controversa, há um consenso de que a estratégia ventilatória com baixo volume-corrente deve ser usada na LPA/SDRA independentemente da etiologia da lesão16.

As respostas às terapias farmacológicas também diferem na SDRA pulmonar e extrapulmonar. Rialp e col.49 observaram que a posição prona acarretava melhora na oxigenação independentemente da etiologia da SDRA, porém os efeitos benéficos adicionais à inalação de óxido nítrico (NO) foram observados somente nos pacientes com SDRA pulmonar. Por outro lado, Gerlach e col.50 mostraram que os efeitos da inalação de NO na oxigenação não diferiram entre a SDRA pulmonar e extrapulmonar. Entretanto, Domenighetti e col.51 relataram que o tratamento com aerossol de prostaciclina (PGI2) reduziu a pressão arterial pulmonar média sem modificação na oxigenação. Ao analisar separadamente os pacientes com SDRA pulmonar e extrapulmonar, os autores evidenciaram melhora na oxigenação na SDRA extrapulmonar em comparação a pulmonar51.

As controvérsias observadas nos diversos estudos clínicos podem ser atribuídas: 1) à dificuldade em separar os dois tipos de lesões direta e indireta que podem coexistir; 2) aos diferentes graus de lesão; 3) diferentes pressões transpulmonares; 4) ao uso de fármacos vasoativos, que podem afetar o débito cardíaco e a troca gasosa; 5) ao tipo de MR aplicada; 6) ao posicionamento adotado (supino, supralateral ou prona) durante o estudo; 7) ao método para mensurar os efeitos benéficos do recrutamento pulmonar; 8) às diferentes causas de SDRA pulmonar e extrapulmonar e 9) ao manuseio clínico e ventilatório no momento do estudo. Logo, estudos animais bem controlados são importantes para padronizar e esclarecer essas controvérsias. Certamente, os dados experimentais não devem ser diretamente extrapolados para o cenário clínico, mas podem ser extremamente úteis para se desenhar estudos clínicos apropriados.

 

CONCLUSÃO

A SDRA pode ser dividida em SDRA pulmonar e extrapulmonar em função da lesão primária ser epitelial e endotelial, respectivamente. Os resultados do tratamento farmacológico e ventilatório na SDRA pulmonar e extrapulmonar perduram controversos. Entretanto, o uso de métodos adequados para avaliar a mecânica respiratória e a histologia pulmonar pode reduzir as controvérsias existentes acerca das respostas às terapias ventilatórias e farmacológicas. Para aperfeiçoar o manuseio clínico e aumentar a sobrevida dos pacientes com SDRA, talvez seja necessário distinguir não somente entre SDRA pulmonar e extrapulmonar, mas também as diferentes etiologias da SDRA.

 

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Endereço para correspondência:
Profª Patricia Rieken Macedo Rocco
Laboratório de Investigação Pulmonar
Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, UFRJ
Centro de Ciências da Saúde
Avenida Carlos Chagas Filho, s/n, Bloco G-014
Cidade Universitária, Ilha do Fundão
21941-902, Rio de Janeiro, RJ
Fones: (+5521) 2562-6530/ Fax: (+5521) 2280-8193
E-mail: prmrocco@biof.ufrj.br

Apresentado em 06 de março de 2008
Aceito para publicação em 08 de abril de 2008
• Apoio Financeiro: Programa de Núcleos de Excelência _ Ministério de Ciência e Tecnologia (PRONEX-FAPERJ), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), Instituto do Milênio (INOFAR).

 

 

* Recebido do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, Rio de Janeiro, RJ

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