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Revista Brasileira de Terapia Intensiva

versão impressa ISSN 0103-507Xversão On-line ISSN 1982-4335

Rev. bras. ter. intensiva v.20 n.3 São Paulo jul./set. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-507X2008000300005 

ARTIGO ORIGINAL

 

Médicos plantonistas de unidade de terapia intensiva: perfil sócio-demográfico, condições de trabalho e fatores associados à síndrome de burnout

 

 

Dalton de Souza BarrosI; Márcia Oliveira Staffa TironiII; Carlito Lopes Nascimento SobrinhoIII; Flávia Serra NevesIV; Almir Galvão Vieira BitencourtV; Alessandro de Moura AlmeidaV; Ygor Gomes de SouzaV; Marcelo Santos TelesV; Ana Isabela Ramos FeitosaV; Igor Carlos Cunha MotaVI; Juliana FrançaVI; Lorena Guimarães BorgesVI; Manuela Barreto de Jesus LordãoVI; Maria Valverde TrindadeVI; Mônica Bastos Trindade AlmeidaVI; Edson Silva Marques FilhoVII; Eduardo José Farias Borges dos ReisVIII

IMédico do Hospital Santa Izabel, Salvador (BA), Brasil
IIMestre, Psicóloga. Professora da Universidade Salvador - UNIFACS, Salvador (BA), Brasil
IIIDoutor, Professor do Departamento de Saúde da Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS, Feira de Santana (BA), Brasil
IVAcadêmico de Medicina da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública - EBMSP, Salvador (BA), Brasil
VAcadêmico de Medicina da Universidade Federal da Bahia - UFBA, Salvador (BA), Brasil
VIAcadêmico de Psicologia da Universidade Salvador - UNIFACS, Salvador (BA), Brasil
VIIMédico do Hospital Santa Izabel, Salvador (BA), Brasil
VIIIDoutor, Professor do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Federal da Bahia - UFBA, Salvador (BA), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVOS: A síndrome de Burnout é uma reação de estresse excessivo relacionada ao trabalho que se apresenta em três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e ineficácia. O objetivo deste estudo foi descrever o perfil de médicos plantonistas de unidades de terapia intensiva e avaliar os fatores associados à presença de síndrome de Burnout nessa população.
MÉTODOS: Estudo descritivo de corte transversal, avaliando os médicos que trabalham em unidades de terapia intensiva adulto de Salvador-BA com carga mínima de 12 horas de plantão semanal. Foi distribuído um questionário auto-aplicável dividido em duas partes: a primeira referente a características sóciodemográficas e a segunda composta da avaliação da síndrome de Burnout através do Maslach Burnout Inventory.
RESULTADOS: Foram avaliados 297 plantonistas, sendo 70% homens. A média de idade e de tempo de formado foi de 34,2 e 9 anos, respectivamente. Níveis elevados de exaustão emocional, despersonalização e ineficácia foram encontrados em 47,5%, 24,6% e 28,3%, respectivamente. A prevalência da síndrome de Burnout, considerada como nível elevado em pelo menos uma dimensão, foi de 63,3%. Esta prevalência foi significativamente menor nos médicos que possuíam título de especialista em medicina intensiva, com mais de nove anos de formado e que ainda pretendem trabalhar por mais de 10 anos em unidades de terapia intensiva. A prevalência foi maior nos médicos com mais de 24 horas de plantão ininterrupto em terapia intensiva por semana.
CONCLUSÕES: A prevalência de síndrome de Burnout foi elevada entre os médicos avaliados, sendo mais freqüente nos plantonistas mais jovens, com elevada carga de trabalho e sem especialização em medicina intensiva.

Descritores: Esgotamento profissional/psicologia; Estresse; Condições de trabalho; Unidades de terapia intensiva


 

 

INTRODUÇÃO

As unidades de terapia intensiva (UTI) são historicamente consideradas como importante causa de estresse para os pacientes e seus familiares. Porém, atualmente tem se destacado que o seu ambiente também é estressante para a equipe profissional. Este estresse pelo trabalho em UTI ocorre principalmente por se tratar de um ambiente fechado, com condições e ritmos de trabalho extenuantes, rotinas exigentes, questões éticas que cabem decisões freqüentes e difíceis, convívio com sofrimento e morte, imprevisibilidade e carga horária de trabalho excessivo.1

A primeira reação do estresse ligado ao trabalho é a sensação de exaustão, esgotamento, sobrecarga física e mental e dificuldades de relacionamento. As pessoas tornam-se mais distantes e frias com relação ao trabalho e aos colegas, uma vez que sentem que é mais seguro ficar indiferente. Como conseqüência deste distanciamento, vem a ineficiência.2

O termo Burnout surgiu, então, como metáfora, para explicar o sofrimento do homem em seu ambiente de trabalho, associado à perda de motivação e alto grau de insatisfação, decorrentes desta exaustão.3

Para Maslach et al., Burnout é uma síndrome de esgotamento profissional, proveniente da exposição prolongada a fatores interpessoais crônicos no trabalho e apresentando três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e ineficácia. Esta síndrome normalmente acomete trabalhadores que atendem ou assistem pessoas em situação de risco ou de extrema responsabilidade.4 A exaustão emocional caracteriza-se pela sensação de esgotamento emocional e físico no trabalho. A despersonalização reflete o desenvolvimento de atitudes frias, negativas e insensíveis, traduzindo a desumanização, a hostilidade, a intolerância e o tratamento impessoal. Por fim, a sensação de baixa realização profissional ou ineficácia evidencia que pessoas que sofrem de Burnout tendem a acreditar que seus objetivos profissionais não foram atingidos e vivenciam uma sensação de insuficiência e baixa auto-estima profissional. 3

Poucos estudos prévios avaliaram a prevalência e os fatores associados à síndrome de Burnout em médicos intensivistas.1,5,6

O objetivo deste estudo foi descrever o perfil dos médicos intensivistas de Salvador-BA e avaliar a relação de características sócio-demográficas e condições de trabalho com a síndrome de Burnout nessa população.

 

MÉTODOS

Após aprovação pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Hospital Santa Izabel, foi realizado um estudo descritivo, de corte transversal, em uma população de 333 médicos intensivistas, no período de outubro a dezembro de 2006. Foram incluídos os médicos que trabalham em UTI adulto de Salvador (Bahia - Brasil), com carga mínima de jornada de plantão semanal de 12 horas.

Para coleta de dados utilizou-se um questionário anônimo e auto-aplicável aos médicos entrevistados. O questionário foi dividido em duas partes: a primeira, referente à identificação geral, características sócio-demográficas e condições de trabalho. A segunda parte era composta da avaliação da síndrome de Burnout nas suas três dimensões (exaustão emocional, despersonalização e ineficácia), classificadas em níveis baixo, moderado e alto. Para isso, utilizou-se o Maslach Burnout Inventory (MBI), que é composto por 22 questões sobre as três dimensões da síndrome de Burnout.4 A exaustão profissional era avaliada por nove itens, a despersonalização por cinco e a ineficácia por oito. Cada questão recebeu pontuação de 0 a 6, e para cada dimensão foram somados os pontos atingidos no grupo de questões. Para exaustão emocional, uma pontuação maior ou igual a 27 indica alto nível; de 17 a 26, nível moderado; e menor que 16, nível baixo. Para despersonalização, pontuações iguais ou maiores que 13 indicaram alto nível, de 7 a 12, moderado e menores de 6, nível baixo. Para ineficácia, pontuações de zero a 31 indicam alto nível, de 32 a 38; nível moderado e maior ou igual a 39, baixo.

Apesar de não haver consenso na literatura para o diagnóstico de síndrome de Burnout, utilizou-se como definição a presença de alto nível em pelo menos uma das três dimensões.7-8

A participação no estudo foi voluntária e sigilosa sem identificação dos intensivistas que responderam ao questionário. Os questionários foram entregues aos médicos intensivistas, junto com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), por um grupo de estudantes de Medicina e Psicologia, previamente treinados.

A análise dos dados foi feita através do software Statistical Packcage for Social Science (SPSS) na versão 11.0. Foram utilizados os parâmetros da estatística descritiva adotandose as medidas usuais de tendência central e de dispersão, e cálculos de freqüências simples e relativas. Realizou-se análise de associação utilizando-se a Razão de Prevalência (RP) entre as variáveis sócio-demográficas e condições de trabalho com o resultado do MBI.

 

RESULTADOS

Foram entrevistados 297 plantonistas, correspondendo a 89,2% dos médicos elegíveis, 71,7% eram do sexo masculino e a média da idade foi de 34,2 ± 6,9 anos, variando de 24 a 58 anos. Entre os entrevistados 79,4% apresentavam idade inferior a 40 anos, 59,3% possuem menos de 10 anos de formado, 27% possuem título de especialização em medicina intensiva e 46,5% possuem filhos. Com relação à carga horária de trabalho, 66,4% apresentavam carga de trabalho semanal entre 60 a 90 horas, incluindo outras atividades além do trabalho em UTI e 51,0% apresentavam 12 a 24 horas semanais de trabalho em UTI. A renda mensal aproximada obtida com o trabalho médico foi superior a R$ 5.000,00 para 79,82% dos médicos avaliados (Tabela 1). A média de tempo de formado dos entrevistados foi de 10,0 ± 6,7 anos. A média do tempo de trabalho em UTI foi de 7,4 ± 6,4 anos, a média de hospitais em que os médicos entrevistados trabalham em UTI de 1,7 ± 0,8 com mediana de 2 e a média de pacientes cuidados por plantão de 10 ± 2,9 (Tabela 2).

 

 

 

 

Em relação à principal especialidade médica dos entrevistados, a mais comum foi cirurgia geral (36,3%, n = 103), seguida de clínica médica (32%, n = 91), cardiologia (10,6%, n = 30), anestesiologia (9,9%, n = 28), pneumologia (3,2%, n = 9) e medicina intensiva (2,5%, n = 7).

A maioria dos entrevistados (67,7%) informou ter algum hobby, sendo os mais apontados: leitura, cinema, música e esportes. Quanto à realização de atividade física habitual no último ano, 61,4% afirmaram que a realizaram, sendo a maioria de 2 a 4 vezes por semana.

Parte dos médicos (55,3%, n = 162) referiu que nunca ou apenas esporadicamente passam mais do que cinco minutos conversando com seus pacientes em ventilação espontânea na UTI. Quanto ao tempo para lidar com as necessidades emocionais dos pacientes e familiares, 66,4% afirmaram que reservam pouco tempo do plantão para esta atividade. Além disso, a maioria (81,4%) afirma ter dificuldade em lidar com a angústia dos familiares.

Os plantonistas avaliados apontaram os ruídos excessivos e a possibilidade de complicações no atendimento dos pacientes internados como os principais fatores estressantes do ambiente de UTI. Todos os dados sobre fatores estressantes na UTI estão descritos na tabela 3.

 

 

Quando questionados sobre quanto tempo pretendem trabalhar em UTI, 55,8% dos médicos intensivistas referiram que pretendem continuar trabalhando em UTI por até 5 anos, 35,0% de 5 a 10 anos e apenas 9,2% por mais de 10 anos.

A maioria dos entrevistados (75,8%, n = 225) referiu alguma queixa ou problema de saúde, sendo os principais ilustrados na figura 1. Em relação ao padrão de sono dos médicos avaliados, 52,8% (n = 157) referiram que tem dormido menos que o habitual por estarem trabalhando, 25% (n = 74) tem sonolência diurna excessiva e 16,2% (n = 48) tem dificuldade para iniciar o sono.

 

 

A prevalência da síndrome de Burnout na população avaliada foi de 63,3% (Tabela 4). A síndrome de Burnout foi mais prevalente nos médicos que apresentaram tempo de plantão ininterrupto > 24 horas (RP: 2,0), carga horária semanal de plantão em UTI > 24 horas (RP: 1,44), casado (RP: 1,36) e quantidade máxima de pacientes por plantão > 10 pacientes (RP: 1,34) (Tabelas 5 e 6). A síndrome de Burnout foi menos prevalente nos médicos que apresentaram algum hobby (RP: 0,47), relataram prática regular de atividade física (RP: 0,64), tinham título de especialista em medicina intensiva (RP: 0,51), tempo de trabalho em UTI > 7 anos (RP: 0,53), tempo de formado > 9 anos (RP: 0,57) e idade > 33 anos (RP: 0,66) (Tabelas 5 e 6).

 

 

 

 

 

 

DISCUSSÃO

O perfil dos médicos plantonistas de UTI de Salvador-BA é de uma população jovem, predominantemente masculina, com menos de 10 anos de formado, carga horária excessiva de trabalho, principalmente em regime de plantão, e que, em sua maioria, não possui título de especialista em medicina intensiva. A predominância do sexo masculino entre os intensivistas também já foi observada por outros autores.5 No entanto a mediana de idade, tempo de formado e de trabalho em UTI foi inferior ao observado em outros trabalhos nacionais e internacionais.5,9 Schein (2007), por exemplo, avaliou médicos de UTI adulto e pediátrica em Porto Alegre (RS), encontrando uma mediana de nove anos de tempo de atuação em UTI e de 14 anos de formado.9

A prevalência de Burnout encontrada no presente estudo foi alta (63,3%). No entanto, na literatura esta prevalência varia muito entre os estudos a depender da população avaliada e dos valores conceituais utilizados como referência. Níveis elevados de Burnout já foram descritos em cerca de um terço dos intensivistas americanos e em 46,5% dos intensivistas franceses.1,5 Lima observou que a prevalência de Burnout era de 53,7% em pediatras de um hospital público no Sul do Brasil.10 Já em um estudo com 1.000 oncologistas americanos, 56% dos pesquisados evidenciaram algum grau de Burnout.11 Utilizando os mesmos critérios adotados no presente estudo, Tucunduva et al. e Grunfeld et al., respectivamente no Brasil e Canadá, encontraram prevalência de Burnout em oncologistas de cerca de 50%.7,8 Conclui-se, então, que os médicos intensivistas do estudo apresentaram prevalência de Burnout maior do que a observada em outras especialidades médicas como oncologistas e pediatras, como também foi maior do que a relatada em intensivistas de outros países.

A principal dimensão afetada entre os médicos avaliados foi a exaustão emocional, a qual é considerada como a primeira reação ao estresse gerado pelas exigências do trabalho. Uma vez exaustas, as pessoas sentem cansaço físico e emocional, com dificuldade de relaxar.4 Quando exaustos, os recursos internos dos profissionais para enfrentar as situações vivenciadas no trabalho, assim como a energia para desempenhar as atividades encontram-se reduzidas.3 Desta forma, as características desta dimensão permitem que ela seja aceita com facilidade pelo profissional ao expressar aspectos consistentes do Burnout.12

Diante dos sintomas psicológicos e físicos, o profissional desenvolve a despersonalização, que caracteriza-se por atitudes frias e negativas, ocorrendo um tratamento depreciativo com relação às pessoas diretamente envolvidas com o trabalho. O trabalhador passa, inclusive, a ser cínico e irônico com os receptores de seu trabalho.13 Contudo, no presente estudo, esta dimensão teve menor prevalência.

Uma vez que o profissional sente-se ineficiente, com diminuição da autoconfiança e sensação de fracasso, ocorre redução na realização pessoal no trabalho.4,10 A ineficácia durante a realização das atividades médicas foi observada em quase um terço da população avaliada. É importante destacar que esta dimensão é considerada, por alguns autores, como a última reação ao estresse gerado pelas exigências do trabalho.4,14

Em estudo com oncologistas, a falta de tempo pessoal foi apontada como principal motivo para o surgimento da síndrome de Burnout.15 Thomas et al. encontraram resultados sugestivos de que a síndrome poderia estar associada com depressão e dificuldade de cuidar de pacientes.16 Apesar de muitos estudos avaliarem a prevalência do Burnout em diversas populações, o maior desafio hoje é a identificação dos principais fatores (de risco) relacionados com esta síndrome. Tanto características pessoais como exigências do trabalho são pesquisadas como determinantes dos sintomas desta síndrome nos diversos estudos.

No presente estudo a prevalência de Burnout foi menor entre os médicos que possuíam título de especialista em MI, que referiram ter algum hobby ou que praticavam atividade física regular. A síndrome foi mais prevalente entre os médicos com menos de nove anos de formado, que trabalham em UTI há menos de sete anos e nos que referiram alteração no padrão do sono. Apesar de não ter tido relação significativa com carga horária semanal de trabalho médico, os médicos que dão plantão por mais de 24h ininterruptas tem maior prevalência de Burnout.

Estes dados sugerem que os médicos que tem a medicina intensiva como especialidade principal, ou seja, trabalham há mais tempo na área, possuem título de especialista, e desejam trabalhar por um maior período em UTI e teriam menor incidência de Burnout.

A maioria da população estudada é composta por médicos que provavelmente trabalham em UTI apenas de forma complementar e temporária, o que levaria a uma maior predisposição a desenvolver a síndrome de Burnout. Este grupo é composto principalmente por médicos jovens, no início da carreira, que muitas vezes se expõem a cargas de trabalho extenuantes como forma de melhorar a renda, o que pode ocasionar desgaste físico e psicológico intensos. No entanto, os estudos atuais ainda são insuficientes para determinar o agente causal e/ou identificar perfis característicos de alto risco para Burnout.16

Este estudo é pioneiro no sentido de fornecer um perfil detalhado dos médicos que trabalham em UTI em uma cidade no Brasil e avaliar a prevalência da Síndrome de Burnout nessa população. No entanto, os resultados apresentados devem ser considerados no contexto de algumas limitações. No presente estudo, levantamos hipóteses a respeito dos fatores sócio-demográficos e relacionados ao trabalho que podem estar associados à elevada prevalência de Burnout entre os plantonistas de UTI adulto. Para confirmar estes resultados, seria necessária uma análise estatística mais complexa, incluindo variáveis mais objetivas, que não fazem parte do objetivo principal desse estudo, mas que devem ser abordadas em trabalhos futuros para este fim.

 

CONCLUSÃO

Os médicos estudados são predominantemente jovens, do sexo masculino, têm uma elevada carga de trabalho semanal e, em sua maioria, não pretendem trabalhar por muito tempo em UTI. Os resultados apontaram elevada prevalência de síndrome de Burnout entre os médicos plantonistas estudados, principalmente naqueles sem especialização em Medicina Intensiva. Deve-se, então, refletir sobre quais medidas poderiam ser adotadas no sentido de modificar as condições de trabalho, a relação médico-paciente e a motivação desse profissional. Afinal, a UTI é um ambiente em que o médico está constantemente exposto a fatores estressantes, principalmente relacionado ao fato de cuidar de pacientes graves com risco iminente de morte.

 

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Endereço para correspondência:
Dalton de Souza Barros
Hospital Santa Izabel
Praça Conselheiro Almeida Couto, 500
Nazaré 40050-410
Salvador (BA), Brasil
Fone: (71) 8199-4045
E-mail: daltonbarros@bol.com.br

Submetido em 28 de março de 2008
Aceito em 23 de junho de 2008

 

 

Recebido da Unidade de Terapia Intensivado Hospital Santa Izabel - Salvador (BA), Brasil.

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