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Mecanismos de disfunção da barreira hematoencefálica no paciente criticamente enfermo: ênfase no papel das metaloproteinases de matriz

Resumos

Será descrito a base fisiológica dos componentes da barreira hematoencefálica e suas propriedades. Além disto, pretende-se abordar o efeito particular das metaloproteinases e seu controle sobre as propriedades da matriz extracelular e a relação disto com disfunção da barreira hemotoencefálica. Finalmente se demonstrará o papel da metaloproteinases nas alterações do sistema nervoso central em doenças associadas ao paciente criticamente enfermo.

Barreira hematoencefálica; Proteína da matriz extracelular; Metaloproteinases da matriz


This paper aims to describe the physiological basis of the blood-brain barrier components and its properties. Additionally, the particular effects of metalloproteinases and their control over the extracellular matrix and its relationship with blood-brain barrier dysfunction are discussed. Finally, the role of metalloproteinases on changes in the central nervous system in critically ill patients is discussed.

Blood-brain barrier; Extracellular matrix protein; Matrix metalloproteinases


ARTIGO DE REVISÃO

Mecanismos de disfunção da barreira hematoencefálica no paciente criticamente enfermo: ênfase no papel das metaloproteinases de matriz

Hugo Rojas; Cristiane Ritter; Felipe Dal Pizzol

Laboratório de Fisiopatologia Experimental e Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Translacional em Medicina, Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Unidade Acadêmica de Ciências da Saúde, Universidade do Extremo Sul Catarinense – Criciúma (SC), Brasil

Autor correspondente Autor correspondente: Felipe Dal Pizzol Laboratório de Fisiopatologia Experimental, PPGCS, UNASAU Universidade do Extremo Sul Catarinense CEP: 88806-000 – Criciúma (SC), Brasil. Fax: 55 (48) 3443 4817 E-mail: piz@unesc.net

RESUMO

Será descrito a base fisiológica dos componentes da barreira hematoencefálica e suas propriedades. Além disto, pretende-se abordar o efeito particular das metaloproteinases e seu controle sobre as propriedades da matriz extracelular e a relação disto com disfunção da barreira hemotoencefálica. Finalmente se demonstrará o papel da metaloproteinases nas alterações do sistema nervoso central em doenças associadas ao paciente criticamente enfermo.

Descritores: Barreira hematoencefálica; Proteína da matriz extracelular; Metaloproteinases da matriz

INTRODUÇÃO

O conceito de barreira hematoencefálica (BHE) surgiu no final do século XIX, na Alemanha, através de experimentos do cientista Paul Ehrlich onde, após injeções de corantes em animais tanto na circulação arterial como na venosa todos os órgãos, exceto o cérebro e a medula espinhal, se coravam, levando a hipótese de dois compartimentos. Além disto, Hugh Davson em sua revisão(1) cita estudos de Bield e Kraus em 1898 e de Lewandowsky em 1900, onde atribuírem a ausência de efeitos farmacológicos no sistema nervoso central (SNC) quando os fármacos eram administradas de forma sistêmica. Anos depois, em 1913, Edwin Goldmann (um dos estudantes de Ehrlich) notou o fenômeno oposto injetando um corante diretamente no fluido cérebro espinhal, de animais, o qual manchou todo o SNC e nenhum dos órgãos periféricos.(2) No entanto, somente nos anos 60 Reese e Karnovsky e Brightman e Reese repetiram as experiências de Ehrlich e Goldmann ao nível ultraestrutural, por meio da microscopia eletrônica, identificando os capilares do SNC e a célula endotelial como o sitio da barreira hematoencefálica.(1)

Barreira hematoencefálica (BHE)

Descrição geral da BHE

O sistema nervoso central (SNC) é uma zona privilegiada, que normalmente é protegido por três elementos estruturais: a BHE com a interface entre o encéfalo e os vasos sanguíneos; a barreira sangue - liquido cefalorraquidiano (BSLCR), formada pelo plexo coróide e a membrana aracnóide com os vasos sanguíneos e o líquido cefalorraquidiano; e a barreira e sangue – aracnóide (BSA), que é a interface dos vasos sanguíneos com a camada do epitélio da aracnóide subjacente a dura-máter das meninges.(3) Estas barreiras são estruturas especializadas do SNC que controlam e regulam a homeostase do cérebro, medula espinhal, liquido cefalorraquidiano com o resto dos sistemas.(4,5)

Componentes da BHE

- Células endoteliais

A barreira é formada pela presença das junções endoteliais que controlam a abertura e fechamento coordenada das junções célula-célula.(6) Estas junções são compostas de diferentes complexos multi-proteícos, como as junções apertadas (JA) e as junções endoteliais aderentes (JEA) que são os principais reguladores da permeabilidade celular.(7) As JA consistem em três proteínas integrais de membrana denominadas claudina, ocludina e moléculas de adesão juncional e um número de proteínas citoplasmáticas acessórias, incluindo a zonula occludens (ZO) ZO-1, ZO-2 e ZO- 3, cingulina e outras proteínas guanilato quinase associadas a membrana (MAGUK). Estas proteínas acessórias conectam as proteínas de membrana à actina para a manutenção da integridade estrutural e funcional do endotélio. As JEA possuem proteínas de membrana chamadas caderinas, que se unem com a actina via proteínas intermediárias, denominadas cateninas (a,b,Ϫ), para formar contatos adesivos intercelular e interatuar com as JA. As células endoteliais cerebrais (CEC) são apoiadas sobre uma lamina basal que contem moléculas da matriz extracelular cobrindo mais de 90% da superfície das células endoteliais, também estando envolvida na permeabilidade da BHE.(8,9)

- Ocludinas

Foram as primeiras proteínas integrais de membrana a serem identificadas nas JA das células endoteliais. A ocludina é uma fosfoproteína de 65 kDa com 4 domínios transmembrana, ligados a duas porções extracelulares ricas em tirosina no domínio intracelular carboxi e amino terminal. Sua função deve ser vista mais em um contexto regulador do que como uma proteína estrutural importante no estabelecimento das propriedades da barreira. Seu domínio citoplasmático carboxi terminal fornece a conexão da ocludina com o citoesqueleto assegurando a alta resistência elétrica das monocamadas das células endoteliais e diminuição da permeabilidade paracelular.(10)

- Claudinas

As claudinas são proteínas integrais, de 21-28 kDa com quatro domínios transmembrana, duas porções extracelulares e domínios citoplasmáticos carboxi e amino terminal com uma porção intracelular curta.(11,12) As porções extracelulares se interligam com claudinas adjacentes das células endoteliais, formando a vedação primária das JAs.(11) O principal papel das claudinas é a regulação da seletividade paracelular aos íons pequenos. Para isto as interações entre as diferentes classes de interagem de duas maneiras: lateralmente no plano da membrana (interações heteroméricos) ou a ligação cabeça a cabeça entre células adjacentes (interações heterotípica).(13,14)

- Astrócitos

No cérebro humano, os astrócitos são as células gliais em forma de estrela que geralmente superam o número de neurônios por dez vezes,(15) cujos prolongamentos finais formam um rendilhado de lamelas próximo e aderido na superfície externa do endotélio da BHE e a membrana basal respectiva.(16) Um crescente número de resultados in vitro e in vivo suportam a idéia de que os astrócitos são células excitáveis e desempenham um papel importante no processamento de informações e modulação da atividade neuronal.(17) São importantes no controle do tônus vascular,(15) neste sentido o papel dos astrócitos na manutenção e sinalização das células endoteliais da microvasculatura cerebral tem sido estudadas na gênese de diferentes doenças e na integridade da BHE.(18)

- Pericito

O recrutamento e a interação dos pericitos com o endotélio é essencial para a formação, maturação e manutenção da BHE. Os pericitos comunicam-se diretamente com às células endoteliais através de invaginações referidas como "peg socket" onde um único pericito pode estar em contato com várias células endoteliais, permitindo uma camada adicional de comunicação(19) e de estabilidade mecânica dos vasos. Em estudos recentes têm-se mostrado que pericitos são células cerebrais contráteis que regulam o fluxo sanguíneo capilar desempenhando um papel importante na manutenção da BHE com a auto-regulação e homeostase cerebral.

Tem-se determinado em estudos in vivo que as interações de pericitos com a célula endotelial são críticos para regular a BHE e a ruptura dessas interações pode levar a disfunção desta barreira e a neuroinflamação.(20) Além disto, estudos in vitro demonstram que os pericitos expressam moléculas como o fator de crescimento endotelial vascular (VEFG) e metaloproteinases de matriz (MMPs) que regulam a integridade da BHE.(21)

- Matriz extracelular (MEC)

O espaço extracelular representa aproximadamente 20% do volume total do cérebro sendo preenchido com uma matriz extracelular (MEC) altamente organizada, localizada na interface entre os vasos sanguíneos e a glia. A MEC parece servir como uma âncora com o endotélio através das interações de proteínas da MEC com os receptores endoteliais tipo integrinas(7) que desempenham um papel fundamental na sinalização celular, migração e formação capilar cerebral durante a angiogênese.(9) Tais interações célula-matriz podem estimular uma série de vias de sinalização intracelular nas células vasculares, neurônios e células gliais de apoio, alem de serem essenciais na BHE por que possivelmente participe na manutenção das proteínas endoteliais nas JA.(7,16,22)

A quebra da MEC pode levar a alterações no citoesqueleto das células endoteliais da microvasculatura cerebral, que por sua vez afeta as proteínas das JA e a integridade da barreiracom o aumento da permeabilidade desta em estados patológicos.(16)

Funções da barreira hematoencefálica

A BHE é um importante componente da rede de comunicação que conecta o sistema nervoso central e os tecidos periféricos, alem disso funciona como uma interface que limita e regula a troca de substâncias entre sangue e o sistema nervoso central.(23)

A impermeabilidade da BHE é o resultado de uma série de características únicas, que acrescenta dificuldade à moléculas tentando penetrar nesta barreira. Esta propriedade é baseada na existência de uma permeabilidade muito restrita do endotélio, além da presença de enzimas degradantes presentes em grande número no interior do endotélio de modo que, com exceção de água, gases como oxigênio e o dióxido de carbono e determinadas moléculas lipossolúveis muito pequenas podem passar de forma íntegra.(23) As moléculas hidrofílicas, que são essenciais para o metabolismo do cérebro, tais como íons, glicose, aminoácidos e componentes de ácido nucléico, passam pela BHE através de canais especializados.(24) Já o transporte de moléculas hidrofílicas, tais como peptídeos e proteínas que não têm um sistema de transporte específico é muito mais lento do que as moléculas lipofílicas, no entanto, as quantidades que atravessam a BHE podem ser suficientes para causar um efeito mediado por receptores nos neurônios. Alguns tipos especiais de proteínas ou peptídeos como, por exemplo, hormônios periféricos e peptídeos regulatórios que exercem sua ação no cérebro geralmente têm sistemas especializados de transporte saturável em toda a BHE. Desta forma a BHE se torna altamente restritiva, mas de qualquer forma pode ser incapaz de impedir a passagem de alguns toxinas e agentes terapêuticos da corrente sanguínea para o cérebro.(24,25)

Além das funções de permeabilidade seletiva a BHE possui aspectos importantes como funções neuroimune, incluindo a secreção de citocinas, prostaglandinas e óxido nítrico. A BHE pode receber o estimulo de um compartimento (p.ex. o sistêmico) e, simultaneamente, responder com secreções para o outro (p.ex. o sistema nervoso central), sendo esta função de papel central na resposta neuroimune. Por exemplo, LPS aplicado na superfície das células do cérebro abluminal endotelial estimula a secreção de IL-6 a partir de sua superfície luminal.(25)

Metaloproteinases de matriz (MMP)

As metaloproteinases de matriz extracelular são enzimas, normalmente encontradas em sua forma inativa, da família de proteases dependentes de zinco sendo, até o momento, encontrados 23 membros em humanos.(26) Estas proteínas são classificadas em: a) colagenases verdadeiras (MMP: 1, 8,13), que digerem a tripla hélice do colágeno, b) gelatinases (MMP: 2, 9), que atingem o colágeno e a gelatina desnaturada, c) estromelisinas (MMP: 3,10,11) que degradam as proteoglicanas, d) matrilisinas (MMP: 7, 26) que degradam proteoglicanas, fibronectina e laminina, e) metaloproteinase ligada à membrana MMP-MT (MMP: 14,15,16, 17,23,24,25) degradam além da gelatina, fibronectina e agrecan e outros substratos de MEC, f) outras MMP (MMP:12,19,20,21,27 e 28)(27) capazes de degradar todos os componentes da MEC e proteínas de tecido conjuntivo.(28)

Os efeitos das MMP são rigidamente controlados por três mecanismos: (1) regulação da transcrição de genes, (2) regulação da ativação da pró-enzima e (3) presença de inibidores específicos (TIMP).(27) O controle da expressão gênica das MMP é dado em resposta a estímulos de citocinas (IL 1,4,6 e TNFa), espécies reativas de oxigênio (ROS), oxido nítrico (NO), hormônios e fatores de crescimento, que se ligam a receptores na superfície da célula, desencadeando cascatas de sinalização intracelulares que, por sua vez, ativam fatores de transcrição que se ligam à regiões responsivas presentes no promotor de genes de diferentes MMP.(29) Por outro lado, as MMP são normalmente localizadas no citosol em um estado inativos e podem ser clivadas por proteases, como a plasmina, o ativador do plasminogênio tecidual (tPA) ou outras MMP ao seu estado ativo.(30) Os inibidores teciduais endógenos de metaloproteinases (TIMP) são os principais inibidores fisiológicos das MMP, além disto a a 2 – macroglobulina presentes no soro também pode inibir a atividade das MMP. Os TIMP são um conjunto de proteínas que são capazes de inibir as MMP solúveis através das interações com uma razão estequiométrica 1:1, formando complexos TIMP-MMP que tornam a protease incapaz de se ligar ao substrato. Atualmente se conhecem quatro membros das famílias TIMP e as MMP podem ser inibidas por um número diferente deles.(30) Cada TIMP tem características únicas; TIMP-1, TIMP-2 e TIMP- 4 estão presentes na forma solúvel e TIMP-3 está fortemente vinculado ao MEC(31) estando estes inibidores relacionados a promoção do crescimento celular, plasticidade sináptica e atividades antiangiogênicas e antiapoptoticas.(32)

Disfunção da barreira hematoencefálica

A disfunção da BHE, muitas vezes chamado de "abertura da BHE", tem sido descrita há muito tempo como um elemento-chave da progressão de várias doenças do SNC.(33) Provavelmente isto esteja relacionado a exposição do micro-ambiente cerebral a substâncias potencialmente nocivas, podendo resultar em uma perda da homeostase, comprometimento da oferta de sinalização neuronal e morte celular.

O papel central das MMPs na degradação da matriz neurovascular e a gênese de diferentes processos patológicos têm sido demonstrados em vários modelos de neuroinflamação. Como a regulação e ativação da expressão das MMP são complexas e bem controladas a perda desse controle se encontra envolvido na fisiopatologia da quebra da BHE. Desta forma se permite que circulem substâncias neurotóxicas para o parênquima cerebral, com a infiltração de leucócitos e ativação da microglia, promovendo resposta inflamatória que é encontrada em diferentes patologias do doente crítico como o acidente vascular encefálico (AVE) e traumatismo crânio-encefálico (TCE).(16,34)

Estudos em animais submetidos a modelo de AVE se observa uma ativação de MMP, levando a degradação da lâmina basal e da MEC com a quebra da BHE. Isto leva a aumento de fragilidade dos vasos de pequeno calibre contribuindo a transformação hemorrágica após o AVE isquêmico. Além disto, se encontrou uma ativação de MMP-2 na isquemia cerebral transitória nas primeiras etapas da lesão e conseqüente degradação da claudina (parte estrutural da JA e conseqüente quebra da BHE). A MMP-9 parece também ser relevante na fase aguda nas áreas peri-infarto por ter relação com a infiltração de neutrófilos ao redor dos capilares com piora da morte neuronal associada ao AVE.(30,34) Embora as investigações se concentrem nas funções das MMP-2 e MMP-9, outros membros podem desempenhar papéis importantes. Por exemplo, a MMP-3 pode ser ativada após isquemia / reperfusão no cérebro de ratos causando a ruptura da MEC e contribuindo para a abertura da BHE levando a neuroinflamação. Finalmente, MMP-13 foi recentemente encontrada no cérebro de ratos após isquemia sendo localizadas no núcleo das células neuronais e vasos do hipocampo tendo uma relação da ruptura da BHE no AVE.(35,36) Estas alterações também podem ser relevantes no sangramento cerebral associado ao uso de trombolítiocos. Estes agentes terapêuticos são associados a ativação de MMP e em modelos animais a inibição farmacológica de MMP foi capaz de reduzir o volume da hemorragia cerebral associada ao t-PA.(37,38)

O estudo post-mortem em humanos valida que a MMP-9 está aumentada no tecido cerebral na zona do infarto e peri-infarto dos pacientes com AVC.(39) Em um estudo recente também em humanos, se observou uma associação entre os níveis plasmáticos de MMP-9 e rompimento da BHE após acidente vascular cerebral.(40) Tomados em conjunto, o acúmulo de dados experimentais e clínicos sugerem que as MMP podem ser um biomarcador na lesão neurovascular durante a fase aguda do AVE e sugerem o uso de t-PA em conjunto com inibidor de MMP nos pacientes eletivos para trombólise.(37-41)

Em estudos animais se demonstrou que em modelo de TCE houve aumento nos níveis de MMP-9 em regiões corticais e hipocampais. A MMP-2 aumenta neste modelo dias após o TCE, sugerindo uma cascata de ativação de MMP onde a rápida ativação de MMP-9(42) pode estar envolvida na ativação sustentada de MMP-2.(43) Estas alterações estão associadas temporal e espacialmente com a ruptura da BHE e a formação de edema cerebral, e o uso de inibidores de MMP leva a redução da área da lesão e da extravasão de água no cérebro. Camundongos transgênicos para MMP-9 apresentavam tamanhos significativamente menores de lesão em comparação com os camundongos de tipo selvagem em modelo de TCE. Além de MMP-2 e 9 também é descrita MMP-3 em modelo animal de TCE levando ao edema vasogênico e conseqüente a morte celular.(44) Estudos em humanos encontraram níveis elevados de MMP-2 e MMP-9 no plasma e no cérebro na fase inicial do TCE,(45) além de uma estreita relação entre citocinas e aumento das MMPs na fase aguda.(36,41,46-50)

Em estudos em animais com indução de status epileticus foi determinado o aumento da MMP-2 no hipocampo.(51,52) Em soro de crianças com status epileticus, os níveis de MMP-9 foram significativamente maiores e o inibidor desta TIMP-1 foi significativamente menor quando comparados ao controle o que pode induzir a disfunção da BHE e o edema cerebral.(53)

COMENTÁRIOS FINAIS

Avanços na neurobiologia molecular estão rapidamente levando a uma compreensão melhor das alterações agudas no SNC em diferentes doenças associadas ao paciente crítico. Nosso grande desafio é determinar com precisão em que doenças do paciente crítico as alterações de MMP são relevantes para a disfunção do SNC e de que forma intervenções terapêuticas sobre estas enzimas podem contribuir para estabilizar a BHE, atenuando a disfunção neurológica.

Submetido em 3 de Fevereiro de 2011

Aceito em 17 de Maio de 2011

Conflitos de interesse: Nenhum.

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  • Autor correspondente:
    Felipe Dal Pizzol
    Laboratório de Fisiopatologia Experimental, PPGCS, UNASAU
    Universidade do Extremo Sul Catarinense
    CEP: 88806-000 – Criciúma (SC), Brasil.
    Fax: 55 (48) 3443 4817
    E-mail:
  • Datas de Publicação

    • Publicação nesta coleção
      01 Ago 2011
    • Data do Fascículo
      Jun 2011

    Histórico

    • Recebido
      03 Fev 2011
    • Aceito
      17 Maio 2011
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