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Revista Brasileira de Terapia Intensiva

versión impresa ISSN 0103-507X

Rev. bras. ter. intensiva vol.24 no.1 São Paulo enero/mar. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-507X2012000100002 

EDITORIAL

 

Marcadores imunoinflamatórios para prognóstico de sepse neonatal precoce no recém-nascido pré-termo criticamente enfermo

 

 

Rita de Cassia Silveira; Renato Soibelmann Procianoy

Departamento de Pediatria, Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRS - Porto Alegre (RS), Brasil e Serviço de Neonatologia, Hospital de Clínicas de Porto Alegre - Porto Alegre (RS), Brasil

Autor correspondente

 

 

A determinação da relação entre marcadores inflamatórios e oxidativos com gravidade da sepse neonatal precoce no pré-termo é um desafio, principalmente se considerarmos a elevada mortalidade causada direta ou indiretamente pelo germe e a clássica resposta imuno-inflamatória multiorgânica com conseqüente atraso significativo no neurodesenvolvimento entre os sobreviventes e morbidades relacionadas, como hemorragia cerebral grave (graus III e IV) com ou sem dilatação pós-hemorrágica e leucomalácia periventricular.(1-3) O papel do TNF-α como marcador de sepse neonatal precoce, sua relação com choque séptico e lesão tecidual difusa parece bem definido em neonatologia.(4) As citocinas são produzidas por uma variedade de células, apresentando elevada sensibilidade como marcador diagnóstico de sepse neonatal precoce, especialmente interleucina-6 em associação com outros marcadores imuno-inflamatórios, como TNF- α, interleucina-8, procalcitonina, proteína C reativa.(5)

No entanto, há múltiplas condições no período do periparto que promovem uma interação de ações pró-inflamatórias contrabalanceadas por ações antiinflamatórias e estas, exercem influência nos níveis destas citocinas no sangue de cordão umbilical. A teoria de múltiplos "hits" da inflamação perinatal é descrita como causa e conseqüência de comprometimento futuro e prognóstico reservado para o paciente crítico.(6) A resposta inflamatória fetal é uma das causas mais freqüentes de nascimento prematuro, estimando-se que 40% dos nascimentos prematuros estão associados com infecção intra-útero.(7) Por outro lado, um nascimento prematuro significa estar imunologicamente comprometido o que torna o pré-termo particularmente vulnerável à sepse neonatal precoce.(8)

Neste número da revista, Valerio et al. concluem que substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico e IL-6 têm uma correlação de média a moderada com o escore de gravidade SNAPPE-II, mas não com mortalidade, podendo ser marcadores precoces no diagnóstico de sepse neonatal, mas não de prognóstico, e menos ainda qualificando infecção como causa direta de óbito.(9) Os dados de Valerio et al. são interessantes e merecedores de futuras investigações.(9) Diversos estudos evidenciam que a resposta inflamatória fetal que precede o parto prematuro e níveis elevados de citocinas na circulação fetal estão relacionados com risco aumentado de morbidades neonatais que comprometem em curto e em longo prazo o prognóstico do recém-nascido, tais como: asfixia perinatal, retinopatia da prematuridade, displasia bronco-pulmonar, lesão da substância branca e paralisia cerebral.(10-13)

Recentemente, determinamos a associação de níveis elevados de citocinas e presença de retinopatia em setenta e quatro pré-termos de muito baixo peso com critérios clínicos de infecção precoce que tiveram citocinas obtidas nos primeiros três dias de vida. Os pontos de corte para IL-6 >357 pg/mL, IL-8 >216 pg/mL, and TNF-α >245 pg/mL foram significativamente associados com o desenvolvimento de retinopatia da prematuridade.(14) A corioamnionite materna, mesmo controlando para idade gestacional, gênero, peso de nascimento, uso materno de esteróides e antibioticoterapia materna aumenta o risco de hemorragia cerebral e de retinopatia da prematuridade.(15) Em coorte de dois anos de seguimento de recém-nascidos pré-termos de muito baixo peso, observamos que a gravidade da resposta inflamatória na vida precoce, medida pelos níveis de interleucinas pró-inflamatórias não foi associada com pior neurodesenvolvimento avaliado aos dois anos de idade corrigida.(16)

É fundamental o entendimento da resposta imunoinflamatória secundária a sepse neonatal e a definição do conjunto de marcadores que possam predizer desfechos desfavoráveis, que deve ser alvo de futuras investigações com dados multicêntricos. No momento é difícil afirmar que uma resposta inflamatória iniciada in útero possa ser o principal responsável pela série de eventos desfavoráveis ao qual o pré-termo é vulnerável.

 

REFERÊNCIAS

1. Stoll BJ, Hansen NI, Adams-Chapman I, Fanaroff AA, Hintz SR, Vohr B, Higgins RD; National Institute of Child Health and Human Development Neonatal Research Network. Neurodevelopmental and growth impairment among extremely low-birth-weight infants with neonatal infection. JAMA. 2004;292(19): 2357-65.         [ Links ]

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10. Silveira RC, Procianoy RS, Dill JC, da Costa CS. Periventricular leukomalacia in very low birth weight preterm neonates with high risk for neonatal sepsis. J Pediatr (Rio J). 2008;84(3):211-6.         [ Links ]

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14. Silveira RC, Fortes Filho JB, Procianoy RS. Assessment of the contribution of cytokine plasma levels to detect retinopathy of prematurity in very low birth weight infants. Invest Ophthalmol Vis Sci. 2011;52(3):1297-301.         [ Links ]

15. Polam S, Koons A, Anwar M, Shen-Schwarz S, Hegyi T. Effect of chorioamnionitis on neurodevelopmental outcome in preterm infants. Arch Pediatr Adolesc Med. 2005;159(11):1032-5.         [ Links ]

16. Silveira RC, Procianoy RS. High plasma cytokine levels, white matter injury and neurodevelopment of high risk preterm infants: assessment at two years. Early Hum Dev. 2011; 87(6):433-7.         [ Links ]

 

 

Autor correspondente:
Rita de Cássia Silveira
Rua Silva Jardim,1155 - apto 701
CEP: 90450-071 - Porto Alegre (RS), Brasil
Email: rita.c.s@terra.com.br

Conflitos de interesse: Nenhum.