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Revista Brasileira de Terapia Intensiva

versión impresa ISSN 0103-507X

Rev. bras. ter. intensiva vol.24 no.2 São Paulo abr./jun. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-507X2012000200001 

EDITORIAL

 

512 anos de história conjunta... e muitos anos ainda por vir

 

 

Flavia R Machado; Rui Moreno

 

 

Há 512 anos, caravelas partiram de Lisboa em direção às distantes Índias em busca de especiarias. Há 512 anos, alguém avistou um monte, o Monte Pascoal. Há 512, constrói-se uma parceria. Em seus mais diversos aspectos, alguns amplos, outros mais restritos, mas todos importantes. A partir deste número da nossa revista, a medicina intensiva passa a fazer parte do conjunto de atividades que germinou a semente da união, do espírito de trabalho conjunto para crescimento mútuo.

A RBTI é o jornal oficial da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) há 22 anos. A partir deste número, a revista passa também a ser o jornal oficial da Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos (SPCI). Tal iniciativa, sem dúvida, constitui um enorme avanço na parceria entre as duas sociedades. Já é de longa data o primeiro passo dessa parceria, cuja primeira expressão prática deve ter sido o Congresso Luso-Brasileiro realizado em Recife (braço brasileiro) e em Lisboa (braço português), em 2008. Agora, em sua quarta versão, realizada este ano tanto em João Pessoa (Brasil) como em Lagos (Portugal), tais encontros propiciaram um clima de cooperação mútua, de transmissão de conhecimento e troca de experiências, cujo caminho natural foi a unificação da maior expressão científica de uma sociedade médica: sua revista oficial.

Ao longo das últimas décadas, os governos brasileiro e português têm incentivado o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, aumentando substancialmente o número de alunos de pós-graduação em nível de doutorado e mestrado em todos os domínios científicos. Como resultado, a produção científica brasileira aumentou consideravelmente, com 19.184 artigos científicos de pesquisadores brasileiros publicados em periódicos indexados no MEDLINE em 2006/2007. Como assinalado recentemente pela revista Science, contribuições internacionais brasileiras subiram de 10.521 artigos, em 2000, para 33.100 em 2009.(1) Da mesma forma, a produção científica em Portugal, analisada pelo número de artigos indexados na Web of Science produzidos pelas instituições filiadas ao Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e ao Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, aumentou de 3.792, em 2000, para 7.983, em 2007.(2) A produção científica cresceu 159% entre 2000 e 2010, colocando Portugal em segundo lugar em termos de crescimento proporcional por milhões de habitantes entre os países da União Europeia.(3) Esse aumento da produção científica resultou em importante intercâmbio entre pesquisadores brasileiros/portugueses e seus pares estrangeiros, e na necessidade de estabelecer canais apropriados para divulgação de sua produção científica.

A RBTI é o principal canal latino-americano e em língua portuguesa para a disseminação do conhecimento em cuidados intensivos. O futuro e incontestável sinergismo entre pesquisadores portugueses e brasileiros em terapia intensiva certamente será um passo fundamental em nossa jornada da internacionalização. A RBTI internacional também proverá os profissionais de saúde de língua portuguesa de contribuições de alta qualidade científica. Não há, atualmente, nenhuma revista de terapia intensiva em português indexada pelo MEDLINE. Com exceção de Portugal e do Brasil, todos os outros países de língua portuguesa podem ser considerados países com recursos limitados, onde o parco conhecimento da língua inglês é uma barreira para a educação dos profissionais de saúde, especialmente os não-médicos. Uma revista forte será uma oportunidade para desenvolver profissionais que falam português em todo o mundo, contribuindo para reduzir o fosso entre países ricos e pobres.

Mais do que a unificação da revista, esse é o primeiro passo de um projeto maior. A AMIB e a SPCI apresentam - para além da língua e da cultura - entre os seus objetivos muitos pontos em comum, notadamente em relação à difusão do conhecimento sobre terapia intensiva em seus respectivos países. A cooperação pode promover sinergismo das ações e, no futuro, poderá constituir a base para uma cooperação mais alargada, incluindo outros países da lusofonia. Considerando todos juntos, a expressão mundial da língua portuguesa corresponde a 1,979 bilhões de euros (ou seja, 4,6% do PIB mundial). A língua portuguesa é falada por 253,7 milhões de pessoas, da Europa à América, da África à Ásia, pelo equivalente a 3,6% da população do globo. Que a RBTI e a RBTI internacional sejam mais um instrumento a fazer destes oceanos que nos separam mares que nos unam. Este é o nosso desejo, esta é a nossa ambição

Em nome de todos os nossos editores e do corpo editorial, gostaríamos de expressar nossa gratidão as diretorias de ambas as sociedades, aqui nomeadas pelos Dr. José Mario Telles, presidente da AMIB, e pelo Dr. Ricardo Matos, presidente da SPCI, que irrestritamente abraçaram essa ideia com entusiasmo e tornaram essa parceria possível.

Como editora-chefe do nosso jornal, eu, Flavia Machado, e o novo editor associado, Rui Moreno, gostaríamos de pessoalmente expressar os mais sinceros agradecimentos a nossos colegas portugueses, que agora se uniram a nós, e dar boas-vindas a todos vocês e, certamente, a suas submissões.

Um brinde ao nosso futuro: que nossa união seja perene e forte!

 

Flavia R Machado
Editora-chefe

Rui Moreno
Editor Associado

 

REFERÊNCIAS

1. Regalado A. Brazilian science: riding a gusher. Science. 2010; 330(6009):1306-12.         [ Links ]

2. Vieira ES, Nouws H, Albergaria JT, Delerue-Matos C, Gomes JA. A produção científica portuguesa na Scopus. Comparação com a Web of Science [nota técnica]. Research Metrics nº 6, Instituto Superior de Engenharia do Instituto Politécnico; 2008.         [ Links ]

3. Lisboa. Ministério da Educação e Ciência. Gabinete de Planejamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais. Direção de Serviços de Informação Estatística em Ciência e Tecnologia. Produção científica portuguesa, 1990-2010 [séries estatísticas]. Lisboa; 2011.         [ Links ]