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Revista Brasileira de Terapia Intensiva

Print version ISSN 0103-507X

Rev. bras. ter. intensiva vol.25 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2013

http://dx.doi.org/10.5935/0103-507X.20130047 

ARTIGOS ORIGINAIS

Reclassificando o espectro de pacientes sépticos com o uso do lactato: sepse grave, choque críptico, choque vasoplégico e choque disóxico

Otavio Tavares Ranzani1  2 

Mariana Barbosa Monteiro1 

Elaine Maria Ferreira3 

Sergio Ricardo Santos1 

Flavia Ribeiro Machado3  4 

Danilo Teixeira Noritomi1 

Grupo de Cuidados Críticos Amil

1Unidade de Terapia Intensiva, Hospital Paulistano - São Paulo (SP), Brasil.

2Unidade de Terapia Intensiva, Disciplina de Emergências Clínicas, Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo - USP - São Paulo (SP), Brasil.

3Instituto Latino Americano de Sepse - São Paulo (SP), Brasil.

4Disciplina de Anestesiologia, Dor e Terapia Intensiva, Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP - São Paulo (SP), Brasil.

RESUMO

Objetivo:

A definição atual de sepse grave e choque séptico inclui um perfil heterogêneo de pacientes. Embora o valor prognóstico de hiperlactatemia seja bem estabelecido, ela está presente em pacientes com ou sem choque. Nosso objetivo foi comparar o prognóstico de pacientes sépticos estratificando-os segundo dois fatores: hiperlactatemia e hipotensão persistente.

Métodos:

Este estudo é uma análise secundária de um estudo observacional conduzido em dez hospitais no Brasil (Rede Amil - SP). Pacientes sépticos com valor inicial de lactato das primeiras 6 horas do diagnóstico foram incluídos e divididos em 4 grupos segundo hiperlactatemia (lactato >4mmol/L) e hipotensão persistente: (1) sepse grave (sem ambos os critérios); (2) choque críptico (hiperlactatemia sem hipotensão persistente); (3) choque vasoplégico (hipotensão persistente sem hiperlactatemia); e (4) choque disóxico (ambos os critérios).

Resultados:

Foram analisados 1.948 pacientes, e o grupo sepse grave constituiu 52% dos pacientes, seguido por 28% com choque vasoplégico, 12% choque disóxico e 8% com choque críptico. A sobrevida em 28 dias foi diferente entre os grupos (p<0,001), sendo maior para o grupo sepse grave (69%; p<0,001 versus outros), semelhante entre choque críptico e vasoplégico (53%; p=0,39) e menor para choque disóxico (38%; p<0,001 versus outros). Em análise ajustada, a sobrevida em 28 dias permaneceu diferente entre os grupos (p<0,001), sendo a maior razão de risco para o grupo choque disóxico (HR=2,99; IC95% 2,21-4,05).

Conclusão:

A definição de pacientes com sepse inclui quatro diferentes perfis, se considerarmos a presença de hiperlactatemia. Novos estudos são necessários para melhor caracterizar pacientes sépticos e gerar conhecimento epidemiológico, além de possível adequação de tratamentos dirigidos.

Palavras-Chave: Infecção; Sepse; Choque; Ácido láctico

INTRODUÇÃO

A sepse continua um grande desafio para a saúde pública, mesmo após anos de estudo e progressão em seu entendimento.(1-3) Sua incidência vem aumentando nos últimos anos e a mortalidade associada a ela permanece alta, com grande variabilidade entre países e continentes.(3-6) Para melhor estratificação da sepse, o lactato sérico tem sido utilizado universalmente.(7-12) A literatura atual apresenta bons resultados, tanto quanto ao seu uso como medida prognóstica, quanto para decisão terapêutica e classificação clínica para inclusão em estudos randomizados e benchmarking.(9-11,13-16)

A definição atual de sepse grave pressupõe a presença de disfunções orgânicas associadas à infecção, incluindo a lactatemia como variável.(7) Choque séptico é definido pela presença de sepse associada à hipotensão persistente, após reposição volêmica adequada, e necessidade de droga vasoativa.(7) Porém, os doentes sépticos classificados como sepse grave ou choque séptico apresentam grande variabilidade no que tange a fenótipo, desfecho clínico e prognóstico.(7,17-21) Dois perfis de pacientes são o choque séptico clássico e o choque críptico, caracterizado como sepse grave associada a lactato sérico >4 mmol/L. Dois estudos mostraram não haver diferença de mortalidade entre os dois perfis.(19,21) Recentemente, outros dois estudos reclassificaram os pacientes com choque séptico clássico, nomeando de choque disóxico os pacientes com hiperlactatemia e choque vasoplégico aqueles com hipotensão persistente sem hiperlactatemia.(17,20) Pacientes com choque vasoplégico tiveram melhor desfecho em relação a pacientes com choque disóxico.

Poucos estudos abordaram esse tópico na literatura atual, sendo um tema de fundamental importância no manejo e classificação da sepse. Ademais, nenhum estudo comparou os novos grupos entre si. Assim, o presente estudo teve como objetivo principal comparar pacientes com sepse grave sem hipoperfusão, pacientes com choque críptico, choque vasoplégico e choque disóxico. Secundariamente, objetivou-se avaliar se valores intermediários de lactato inicial no grupo de pacientes com sepse grave exercem papel no prognóstico dos mesmos.

MÉTODOS

Este trabalho constitui uma análise post-hoc de uma coorte retrospectiva, multicêntrica e observacional realizada por meio de análise de base de dados coletada prospectivamente.(22) Os pacientes foram incluídos de maio de 2010 a janeiro de 2012, tendo sido admitidos em dez hospitais da Rede Amil em São Paulo. Destes, 1 hospital é especializado em doenças cardíacas e outros 9 hospitais são gerais, constituindo 1.650 leitos, sendo 191 leitos em unidades de terapia intensiva (UTI).

A base de dados foi construída em parceria com o Instituto Latino-Americano de Sepse (ILAS).(23) Os dados foram coletados usando formulário eletrônico fornecido pelo ILAS, baseados nos pacotes da Campanha de Sobrevivência à Sepse (CSS).(24) Em cada hospital, uma enfermeira foi responsável pela inclusão dos dados na base. Esses dados foram coletados prospectivamente, utilizando-se folha de coleta de dados desenhada especificamente para este estudo, preenchida pela equipe assistencial do momento do diagnóstico da sepse até as primeiras 24 horas da ressuscitação. Para a coleta dos dados, a enfermeira também realizou revisão de prontuários. Durante toda a coleta, armazenamento e análise dos dados, a privacidade dos pacientes foi mantida em sigilo, visto que todos os casos foram identificados somente com número. A Comissão de Pesquisa e Ética do hospital referência, o Hospital Pró-Cardíaco, aprovou a análise retrospectiva e a publicação dos dados em nome de toda rede (protocolo número 104.931), sendo dispensada a necessidade de assinatura de termo de consentimento esclarecido.

Os critérios de inclusão foram pacientes com diagnóstico de sepse grave ou choque séptico conforme as definições da conferência de consenso em sepse,(7,25) diagnosticados em todas as áreas do hospital (pronto-socorro, enfermaria e UTI), sendo incluído somente o primeiro episódio de sepse. Critérios de exclusão constituíram-se de pacientes com menos de 18 anos, recebendo cuidados paliativos ou aqueles que recusaram tratamento intensivo. Para este estudo, consideramos critério de exclusão pacientes sem coleta de lactato inicial dentro das 6 primeiras horas do diagnóstico. Esse valor de corte para inclusão foi escolhido por ser a janela de tempo recomendada para condutas terapêuticas de ressuscitação.(7)

Definições

Sepse grave foi definida com a presença de dois ou mais sinais de síndrome da resposta inflamatória sistêmica decorrentes de processo infeccioso comprovado ou suspeito e ao menos uma disfunção orgânica associada à sepse. Choque séptico foi considerado quando a hipotensão associada à sepse foi refratária à reposição volêmica adequada, com subsequente necessidade de uso de vasopressores. Considerou-se como disfunção orgânica: hipotensão (pressão arterial sistólica <90mmHg ou pressão arterial média <65mmHg ou diminuição >40mmHg na pressão sistólica); infiltrado bilateral na radiografia de tórax e relação pressão arterial de oxigênio/fração inspirada de oxigênio (PaO2/FiO2) ≤300 ou necessidade de oxigênio suplementar para manter saturação de oxigênio >90% (excluída a necessidade prévia de oxigênio); bilirrubina sérica total >2mg/dL; débito urinário ≤0,5mL/kg/hora por mais de 2 horas ou creatinina >2mg/dL; plaquetas ≤100x109/L, relação normatizada internacional >1,5 ou tempo de tromboplastina parcial ativada >60 segundos e lactato sérico ≥2mmol/L.(7)

Na definição de hipoperfusão sistêmica, foi usado o lactato arterial ou lactato venoso central como marcador de hipoperfusão. Utilizamos o valor de corte de 4mmol/L, ao invés de 2-2,5mmol/L como usado por outros, por ser aquele o valor que atualmente determina mudança de conduta na ressuscitação desses pacientes, segundo a CSS.(7) Já a presença de choque críptico foi considerada quando os pacientes tinham critérios de sepse grave e hipoperfusão sistêmica.(19) Pacientes com critério de choque séptico, porém sem hipoperfusão sistêmica, foram considerados em choque vasoplégico(20) e a presença de choque disóxico foi considerada quando os pacientes tinham critério de choque séptico e apresentavam também hipoperfusão sistêmica.(20)

Para classificar os pacientes nos quatro grupos acima definidos, fizemos uma classificação retrospectiva utilizando duas variáveis já especificadas em nossa base de dados: hipotensão persistente a despeito de expansão volêmica adequada e nível sérico inicial de lactato.

Foram coletados dados demográficos (idade e gênero), características clínicas (temperatura, frequência cardíaca e respiratória, pressão arterial sistêmica, nível de consciência e calafrios) e laboratoriais (glicemia, lactato, leucócitos) no momento do diagnóstico. Também foram coletados os escores de gravidade, no momento do diagnóstico, Acute Physiologic and Chronic Health Evaluation (APACHE II) e Sequential Organ Failure Assessment (SOFA),(26) o local de diagnóstico da sepse (enfermaria, pronto-socorro ou UTI), o sítio de infecção e a adequação ao pacote de medidas para ressuscitação de pacientes sépticos. Como desfecho primário, avaliamos a sobrevida em 28 dias após o diagnóstico de sepse. Como secundário, a mortalidade hospitalar e o tempo de permanência na UTI e no hospital.

Análise estatística

Para análise de distribuição dos dados, foi realizada uma análise visual de histogramas e o teste de Kolmogorov-Smirnov ou Shapiro-Wilk, quando apropriado. Para variáveis contínuas, os dados foram apresentados como média e desvio padrão ou mediana e interquartis, se distribuídos de forma normal ou não normal, respectivamente. Para variáveis categóricas, os dados foram apresentados como porcentagens.

Segundo os critérios definidos acima, os pacientes foram divididos em quatro grupos: (1) sepse grave; (2) choque críptico; (3) choque vasoplégico e (4) choque disóxico. As variáveis contínuas foram comparadas entre os quatro grupos por análise de variância (ANOVA) para aquelas com distribuição normal e com o teste de Kruskall-Wallis para aquelas com distribuição não normal. Para comparações post-hoc, utilizamos a correção proposta por Bonferroni. As variáveis categóricas foram comparadas por meio do teste exato de Fisher ou o teste qui-quadrado, quando apropriado.

Para a análise de sobrevida em 28 dias dentre os 4 grupos, utilizamos o método de Kaplan-Meier; a probabilidade de sobrevida entre os grupos foi analisada pelo teste de log-rank e, para comparações múltiplas post-hoc, utilizamos o método de Holm-Sidak. Por meio do modelo de regressão de Cox, avaliamos o efeito de cada grupo na sobrevida em 28 dias, tanto ajustado e não ajustado. Para o modelo ajustado, inserimos pelo método enter variáveis pré-especificadas, baseado na literatura atual. Criamos dois modelos: um que considera idade, APACHE II e SOFA no Modelo A; e idade, APACHE II, SOFA, uso de antibiótico precoce, local de diagnóstico e hospital de origem no Modelo B. Calculou-se o hazard ratio (HR) e seu respectivo intervalo de confiança (CI95%) para cada grupo, tendo o grupo sepse grave como referência. Para os modelos da regressão de Cox, testamos interações de segunda ordem entre idade, APACHE II e SOFA. Para análise entre a variável contínua lactato e o desfecho mortalidade hospitalar nos pacientes com sepse grave e choque séptico, foi ajustada uma função não linear, ponderada local, denominada Locally Weighted Scatterplot Smoothing (LOESS).

Um valor bicaudal de p≤0,05 foi considerado estatisticamente significativo. As análises e os gráficos foram realizadas por meio dos softwares Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 19.0 (SPSS Inc, Chicago, IL); SigmaPlot 12.0 (Systat Software, San Jose, CA); e R v3.0.2 (R Development Core Team 2013).(27)

RESULTADOS

No período de maio de 2010 a janeiro de 2012, 2.120 pacientes com sepse grave ou choque séptico foram incluídos, sendo que 68 deles não tiveram a coleta de lactato e em 104 a primeira coleta ocorreu após 6 horas do diagnóstico. Ao final, analisaram-se 1.948 pacientes, excluindo-se 172 (8%) deles (Figura 1). O tempo decorrido entre o diagnóstico e a coleta do lactato foi de 19 (5-45) minutos.

Figura 1 Diagrama do estudo. 

A prevalência de diagnóstico inicial de sepse grave e choque séptico foi de 1.180 (61%) e 768 (39%), respectivamente. Entre os pacientes com sepse grave, 1.018 (86%) não apresentaram critério de hipoperfusão, enquanto 162 (14%) foram classificados como choque críptico. Choque vasoplégico esteve presente em 549 (72%) dos pacientes com diagnóstico inicial de choque séptico, enquanto choque disóxico foi diagnosticado em 219 (28%) (Tabela 1).

Tabela 1 Características gerais da amostra de acordo com os grupos 

  Sepse grave Choque séptico  
  Lactato <4mmol/L (N=1.018) Lactato >4mmol/L (N=162) Lactato <4mmol/L (N=549) Lactato >4mmol/L (N=219) Valor de p
  Sepse grave Choque críptico Choque vasoplégico Choque disóxico  
Idade (anos) 60±22b 60±21d 66±18 63±18 <0,001
Gênero masculino 458 (45) 81 (50) 267 (49) 109 (50) 0,321
APACHE II 15±6a,b,c 17±7d,e 20±8f 24±8 <0,001
SOFA 3 [2-5]b,c 4[2-6]d,e 9 [7-10]f 10 [8-13] <0,001
Lactato (mmol/L) 1,78 [1,2-2,5] 5,25 [4,5-6,6] 2,0 [1,3-2,7] 6,10 [4,8-8,8] <0,001
Local de diagnóstico da sepse         <0,001
    Pronto-socorro 500 (49)b 95 (59)d 201 (37) 110 (50) <0,001
    Enfermaria 390 (38)b 46 (28) 167 (30) 72 (33) 0,004
    UTI 128 (13)b 21 (13) 181 (33) 37 (17) <0,001
Sítio de infecção         0.001
    Pneumonia 350 (34)b 55 (34) 149 (27) 60 (27) 0,012
    Trato urinário 165 (16)c 32 (20) 99 (18) 54 (25) 0,027
    Abdominal 147 (14) 28 (17) 94 (17) 34 (16) 0,501
    Relacionada a cateter 63 (6) 10 (6) 48 (9) 23 (11) 0,070
    Ferida operatória 51 (5) 14 (9) 43 (8) 15 (7) 0,084
    Meningite 58 (6) 7 (4) 16 (3) 11 (5) 0,100
    Osso 25 (3) 1 (1) 9 (2) 3 (1) 0,317
    Endocardite - 1 (1) 2 (1) 1 (1) 0,188
    Outros 159 (16)a,c 14 (9)d 89 (17)e 18 (9) 0,004
Apresentação clínica ao diagnóstico          
    Febre 359 (35)c 47 (29) 152 (28) 46 (21) <0,001
    Hipotermia 165 (16)c 29 (18) 102 (19) 60 (27) 0,002
    Taquicardia 780 (77)a 143 (88)d,e 416 (76) 172 (79) 0,006
    Taquipneia 562 (55) 100 (62) 290 (53) 131 (60) 0,121
    Leucopenia 51 (5)c 8 (5)e 31 (6)f 25 (11) 0,003
    Leucocitose 490 (48) 80 (49) 284 (52) 101 (46) 0,444
    Hiperglicemia 156 (15)b 34 (21) 138 (25) 49 (22) <0,001
    Rebaixamento do nível de consciência 316 (31)b 62 (38) 224 (41) 89 (41) <0,001
    Hipotensão arterial 496 (49)b,c 61 (38)d,e 549 (100) 219 (100) 0,001
Tratamento recebido ao diagnóstico          
    Coleta de hemocultura 870 (86)c 141 (87) 445 (81) 177 (81) 0,050
    Antibiótico 903 (89) 141 (87) 475 (87) 193 (88) 0,632
    Tempo para primeira dose de antibiótico (horas) 0,6 [0,2-1.6] 0,5 [0,1-1,8] 0.7 [0,2-2,3] 0,5 [0,0-2,3] 0,234
    Expansão volêmica adequada e vasopressor se necessário 1.010 (99)c 156 (96) 512 (93) 214 (98) <0,001
Desfechos          
    Mortalidade hospitalar 16,8 (14,4-19,1) 35,2 (28,4-43,2) 48,1 (43,7-52,1) 60,3 (53,9-67,1) <0,001
    Tempo de estadia (dias)          
        UTI 3 [1-7]b;c 4 [2-9]d 7 [3-15]f 4 [1-11] <0,001
            Não sobreviventes 8 [3-16]c 6 [2-17]e 8 [3-16]f 2 [1-8] <0,001
            Sobreviventes 3 [1-5]b,c 3 [1-7]d,e 7 [4-15] 8 [4-13] <0,001
        Hospitalar 10 [6-17]b,c 9 [5-18]d 14 [7-28]f 8 [1-18] <0,001
            Não sobreviventes 12 [6-23]b,c 9 [3-22]e 9 [3-19]f 2 [1-9] <0,001
            Sobreviventes 10 [6-17]Mb,c 10 [7-17]d,e 19 [11-33] 17 [11-27] <0,001

APACHE - Acute Physiologic Chronic Health Evaluation; SOFA - Sequential Organ Failure Assessment; UTI - unidade de terapia intensiva. Resultados expressos por número (%), média±desvio padrão ou mediana (25%-75%).

* Resultados expressos em % (intervalo de confiança de 95%).

aSepse grave versus choque críptico;

bsepse grave versus choque vasoplégico;

csepse grave versus choque disóxico;

dchoque críptico versus choque vasoplégico;

echoque críptico versus choque disóxico;

fchoque vasoplégico versus choque disóxico.

Os pacientes apresentaram idade média de 60 anos, com diferença significativa entre os quatro grupos (p<0,001), sendo que os pacientes do grupo choque vasoplégico tinham idade mais elevada do que aqueles com sepse grave sem hipoperfusão e choque críptico. O gênero masculino constituiu 47% dos pacientes, e a maioria deles foi diagnosticada no pronto-socorro. O grupo choque vasoplégico apresentou um padrão diferente dos demais, sendo menos frequentemente diagnosticado no pronto-socorro em comparação tanto ao grupo sepse grave sem hipoperfusão como ao grupo choque críptico. O sítio de infecção mais frequente foi o pulmonar, seguido do trato urinário e abdominal (Tabela 1).

No momento do diagnóstico, as prevalências de febre, hipotermia, taquicardia e leucopenia foram diferentes entre os grupos (p<0,001). O grupo sepse grave sem hipoperfusão apresentou mais frequentemente febre, hipotermia e leucopenia em comparação ao grupo choque disóxico. Nos pacientes com sepse grave, hipotensão arterial responsiva a volume esteve presente em 49 e 38% dos pacientes sem e com hipoperfusão, respectivamente. A gravidade dos pacientes também foi diferente ao diagnóstico, sendo que o escore de APACHE II variou entre 15±6 nos pacientes com sepse grave sem hipoperfusão e 24±8 nos pacientes com choque disóxico (p<0,001), com aumento significativamente progressivo entre os quatro grupos (Tabela 1). Quanto ao escore SOFA, pacientes com choque disóxico apresentaram maior pontuação (10 [8-13]), sendo que não houve diferença estatisticamente significativa entre os pacientes com sepse grave sem hipoperfusão e aqueles com choque críptico (3 [2-5] versus 4 [2-6]; p=0,20, respectivamente).

A sobrevida em 28 dias foi diferente entre os 4 grupos (log-rank test: p<0,001, Figura 2). Na análise de subgrupos, os pacientes do grupo com choque críptico e choque vasoplégico tiveram sobrevida semelhante (p=0,39), enquanto nos demais grupos, a diferença foi significativa (p<0,001). Após ajustar para idade, APACHE II e SOFA (Modelo A, Tabela 2), a sobrevida nos 4 grupos também foi diferente (p<0,001), sendo que o grupo choque disóxico apresentou maior risco ajustado (Beta=1,095, HR=2,99, IC95%=2,21-4,05; p<0,001). Os resultados foram similares para o modelo B (Tabela 2). Nenhuma das interações testadas foi significativa, não sendo assim incluída nos modelos. Na figura 3, estão mostradas as curvas de sobrevida ajustada dos quatro grupos oriundas dos Modelos A e B. A mortalidade hospitalar foi 624 (32%), variando de 16,8% (CI95%=14,4-19,1) para pacientes com sepse grave sem hiperlactatemia para 60,3% (CI95%=53,9-67,1) em pacientes com choque disóxico.

Figura 2 Curva de sobrevida em 28 dias após o diagnóstico de sepse. Observa-se diferença significativa entre os quatro fenótipos da sepse (log-rank test, p<0,001). Em comparações post-hoc, a sobrevida dos quatro grupos foram diferentes entre si, exceto na comparação entre o grupo choque crítico e choque vasoplégico (p=0,387). 

Tabela 2 Sobrevida em 28 dias de acordo com os grupos do estudo 

  Análise univariada Modelo A Modelo B
  Beta HR (CI95%) Valor de p Beta HR (CI95%) Valor de p Beta HR (CI95%) Valor de p
Sepse grave sem hiperlactatemia Ref. 1 <0,001 Ref. 1 <0,001 Ref. 1 <0,001
Choque críptico 0,792 2,21 (1,59-3,06) <0,001 0,712 2,01 (1,47-2,83) <0,001 0,768 2,16 (1,54-3,01) <0,001
Choque vasoplégico 0,919 2,51 (2,03-3,10) <0,001 0,597 1,82 (1,41-2,34) <0,001 0,618 1,86 (1,43-2,40) <0,001
Choque disóxico 1,522 4,58 (3,59-5,84) <0,001 1,095 2,99 (2,21-4,05) <0,001 1,171 3,23 (2,37-4,39) <0,001

Modelo A - ajustado para idade, APACHE II e SOFA total. Modelo B - ajustado para idade, APACHE II, SOFA total, local de diagnóstico, uso de antibiótico adequado e dentro do período (1 hora/3 horas) e hospital de origem.

Figura 3 Curvas ajustadas de sobrevida em 28 dias após o diagnóstico de sepse. O modelo A constitui ajuste para idade, APACHE II e SOFA e o modelo B para idade, APACHE II, SOFA, uso de antibiótico precoce, local de diagnóstico e hospital de origem. Em ambos os modelos, o grupo com choque disóxico apresentou maior hazard ratio em relação ao grupo sepse grave sem hiperlactatemia. 

Na figura 4 está plotada a relação entre valores contínuos de lactato e mortalidade hospitalar para os pacientes com diagnóstico de sepse grave e choque séptico, separadamente. Interessantemente, podemos identificar o valor de lactato de 2,0mmol/L a partir do qual o risco de óbito passa a aumentar de forma significativa em ambos os grupos; e também que o risco de morte é maior nos pacientes com choque.

Figura 4 Papel do valor de lactato intermediário em pacientes com sepse grave e choque séptico. Nota-se um aumento de risco de morte importante a partir do valor de 2mmol/L em ambos os subgrupos, embora pacientes com choque séptico apresentem risco maior de morte. O risco de morte foi ajustado por uma função não linear, ponderada local denominada Locally Weighted Scatterplot Smoothing (LOESS). A área cinza corresponde a intervalo de confiança de 95%. 

DISCUSSÃO

Nossos resultados reafirmam que pacientes com diagnóstico clínico de sepse grave e choque séptico apresentam grande variabilidade de apresentação e desfechos. Demonstramos que o percentual de pacientes com sepse grave e hipoperfusão (choque críptico), no momento do diagnóstico, é relativamente baixo. Da mesma forma, entre os pacientes com choque séptico, é também menor o número dos que tinham hipoperfusão (choque disóxico). Além disso, a sobrevida em 28 dias foi diferente entre os grupos, sendo menor no grupo choque disóxico, porém similar entre pacientes com choque críptico e vasoplégico, apesar dos escores prognósticos serem diferentes entre eles. Também foi possível demonstrar que, entre pacientes com sepse, o risco de morte aumenta consideravelmente quando valores de lactato inicial >2mmol/L.

A medida do lactato sérico inicial é aceita como marcador prognóstico e método de avaliação da perfusão tecidual em várias populações de pacientes graves.(10,11,15,28) Tanto em estudos retrospectivos como prospectivos realizados em pacientes com suspeita de infecção, sua medida trouxe informação prognóstica até mesmo independente do número de disfunções orgânicas.(8) Além disso, sua medida inicial é, muitas vezes, utilizada como triagem, sendo o gatilho para o início de condutas de ressuscitação da sepse. Neste estudo, os pacientes classicamente portadores de sepse grave e choque séptico(3) foram divididos em novos grupos, de acordo com o nível do lactato sérico. Dessa maneira, adicionamos à literatura atual a comparação entre os quatro fenótipos de pacientes sépticos, já que estudos prévios analisaram apenas pacientes com choque séptico em relação à presença ou não de hipoperfusão,(17,18,20) ou compararam o choque críptico com o choque séptico sem considerar a presença ou não de hiperlactatemia nesse último grupo.(19,21) Nós encontramos, entre os pacientes com hipotensão persistente, 72% sem hiperlactatemia, número maior em relação a estudos prévios que reportaram frequências entre 31 e 50%,(17,18,20) em casuísticas menores e com a maioria dos pacientes provenientes do setor de emergência. Já entre pacientes com sepse grave, somente 14% apresentava hiperlactatemia, dentro do intervalo previamente descrito de 8 a 25%.(8,21)

A hipoperfusão oculta foi relatada na literatura tanto em pacientes sépticos como em outros perfis do paciente grave.(21,29) O fato de a mesma existir e não ser diagnosticada não é surpresa. O desbalanço entre a oferta e o consumo de oxigênio é uma marca de estados de choque, e pressão arterial, frequência cardíaca, débito urinário e outros marcadores podem ter baixa sensibilidade para detectar sua presença.(21) Assim, ainda quando os sinais vitais estão normais, pelos outros mecanismos, o lactato sérico pode aumentar. Chama-se esse estado de choque críptico, um conceito do qual há evidência de hipoperfusão, apesar da habilidade do organismo em manter pressão arterial normal com mecanismos compensatórios. Por outro lado, pacientes com hipotensão refratária a volume também podem apresentar níveis séricos de lactato variáveis, não estando clara a relação entre esses níveis e outros parâmetros clínicos. Hernandez et al.(18) mostraram, em pacientes com choque séptico, que a presença ou não de hiperlactatemia não se correlacionou com a idade, comorbidades, origem da sepse ou parâmetros macro-hemodinâmicos, inclusive débito cardíaco. Por outro lado, pacientes com níveis normais de lactato apresentaram melhores parâmetros de microcirculação, com fluxo microcirculatório próximo da normalidade, avaliados por meio de imagens da microcirculação sublingual.(18) Wacharasint et al.(30) avaliaram, também em pacientes com choque séptico, a importância de valores intermediários de lactato (cut-off para o quartil Q4≥4,4mmol/L). Na coorte original (estudo VASST), a pressão arterial média não diferenciou os grupos de lactato, porém frequência cardíaca e pressão venosa central, sim. Já na coorte de validação, a frequência cardíaca foi semelhante entre os grupos.(30) Em 2013, Sterling et al. analisaram 247 pacientes com choque séptico, diferenciando-os entre choque vasoplégico e disóxico, reafirmando os achados anteriores de não haver diferença clinicamente manifesta entre os grupos.(20)

Por outro lado, na sepse, não só a hipóxia tissular está envolvida no aumento dos níveis de lactato.(31) Há diversas outras possíveis causas para a elevação desses níveis, o que poderia potencialmente explicar a ausência de manifestações clínicas diretamente ligadas à presença de hiperlactatemia. A disfunção mitocondrial associada à sepse pode reduzir a efetiva utilização de oxigênio pela célula, a despeito de adequada perfusão, levando à hiperlactatemia associada a saturações venosas normais ou mesmo elevadas. Esse é um dos mecanismos potenciais de disfunção orgânica associada à sepse. Ademais, o clareamento de lactato também está diminuído em pacientes sépticos, sendo que valores elevados de lactato são devido à diminuição de sua metabolização.(32) Além disso, pode ocorrer exacerbação da via glicolítica mediada pelo uso de drogas adrenérgicas,(11,33) ou seja, pacientes em uso de adrenalina ou altas doses de noradrenalina podem se apresentar com hiperlactatemia. Devido à precocidade da coleta de nossas amostras, essa causa potencial de elevação dos níveis de lactato é pouco plausível. Como a hiperlactatemia pode não refletir oferta tecidual reduzida com hipoperfusão, o valor prognóstico de níveis elevados pode representar a gravidade intrínseca do paciente.

Os escores de gravidade foram diferentes entre os quatro grupos, tanto para o APACHE II (p<0,001) quando para o SOFA (p<0,001). Nas comparações intergrupos, encontrou-se um continuum crescente de gravidade do grupo sepse grave sem hipoperfusão para o grupo choque disóxico, com exceção do SOFA para pacientes com sepse grave. A sobrevida em 28 dias, tanto em análise univariada quanto ajustada, foi diferente entre os 4 grupos. Pacientes com choque críptico e choque vasoplégico apresentam riscos similares em relação ao grupo sepse grave sem hipoperfusão, apesar de pacientes com choque vasoplégico terem pontuação maior em ambos os escores de gravidade utilizados. Diferiram, porém, dos pacientes com choque disóxico, para quem a sobrevida foi menor, o que sugere maior gravidade. Dentro do nosso conhecimento, esse fato é pouco relatado na literatura e pode contribuir para o melhor conhecimento da doença. Previamente, Puskarich et al.(19) mostraram que a mortalidade associada ao choque críptico é similar ao choque séptico classicamente definido (21% versus 19%). Também Hernandez et al.(17) encontraram maior sobrevida em pacientes com choque vasoplégico quando comparados com choque disóxico (92,3% versus 57,1%).

Guiadas pelo estudo de Rivers et al.,(34) as diretrizes atuais preconizam tratamento semelhante para pacientes com choque séptico e sepse grave com hipoperfusão, utilizando o critério de lactato sérico inicial >4mmol/L. Alguns estudos recentes mostraram que mesmo níveis intermediários de lactato estão associados a risco aumentado de desfecho desfavorável em pacientes com sepse, sugerindo que pode ser necessário estabelecer estratégias terapêuticas para esse grupo. De fato, estudo recente,(13) utilizando o valor de lactato inicial de 3mmol/L, mostrou equivalência no manejo guiado por clareamento de lactato ou pela saturação venosa central. Em nosso estudo, encontramos aumento do risco de morte em pacientes com sepse com valores >2mmol/L de lactato, sugerindo que pacientes com sepse grave e níveis de lactato menores que os atuais estabelecidos necessitam ser melhor estudados, de forma a permitirem que estratégias melhores dirigidas possam trazer benefícios.(30,35)

Nosso estudo teve limitações que necessitam ser enfatizadas. Este foi um estudo observacional e retrospectivo. Associado a isso, não temos informações a respeito do diagnóstico etiológico dos pacientes com sepse, resposta inflamatória e outras variáveis hemodinâmicas importantes, como a saturação venosa central e outros marcadores de hipoperfusão, que suportariam melhor os achados observados. Também não temos dados que podem interferir no valor de lactato, como presença de hepatopatia, dose de drogas vasoativas e deficiências enzimáticas, o que poderia permitir análises de subgrupo. O achado de aumento com risco de morte com valores de lactato >2mmol/L também sugere que a utilização de valores diferentes para definir hiperlactatemia poderia influenciar os resultados reportados.

CONCLUSÃO

Em uma casuística multicêntrica de pacientes sépticos, mostramos que existem pelo menos quatro fenótipos diferentes dentro das duas classificações atuais clássicas de sepse. A diferenciação entre os grupos tem fundamental importância epidemiológica, para possível adequação de tratamentos dirigidos, além de poder oferecer melhor seleção de pacientes em futuros estudos.

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Recebido: 12 de Outubro de 2013; Aceito: 28 de Novembro de 2013

Autor correspondente: Otavio Tavares Ranzani, Departamento de Cuidados Críticos - Rede AMIL, Rua Martiniano de Carvalho, 741, CEP: 01321-001 - São Paulo (SP), Brasil. E-mail: otavioranzani@yahoo.com.br

Conflitos de interesse: Nenhum.

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