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Revista Brasileira de Terapia Intensiva

Print version ISSN 0103-507XOn-line version ISSN 1982-4335

Rev. bras. ter. intensiva vol.27 no.2 São Paulo Apr./June 2015

http://dx.doi.org/10.5935/0103-507X.20150023 

ARTIGOS ORIGINAIS

Fatores psicossociais e prevalência da síndrome de burnout entre trabalhadores de enfermagem intensivistas

Jorge Luiz Lima da Silva1 

Rafael da Silva Soares2 

Felipe dos Santos Costa3 

Danusa de Souza Ramos4 

Fabiano Bittencourt Lima5 

Liliane Reis Teixeira6 

1Departamento Materno Infantil e Psiquiatria, Universidade Federal Fluminense - Niterói (RJ), Brasil.

2Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

3Secretaria Municipal de Saúde de Bananal - Bananal (SP), Brasil.

4Setor de Emergência, Hospital Estadual Carlos Chagas - Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

5Serviço de Gastroenterologia, Hospital Naval Marcílio Dias, Marinha do Brasil - São Gonçalo (RJ), Brasil.

6Centro de Estudos em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana, Fundação Oswaldo Cruz - Manguinhos (RJ), Brasil.

RESUMO

Objetivo:

Descrever a prevalência da síndrome de burnout entre trabalhadores de enfermagem de unidades de terapia intensiva, fazendo associação a aspectos psicossociais.

Métodos:

Estudo descritivo seccional realizado com 130 profissionais, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, que desempenhavam suas atividades em unidades de terapia intensiva e coronariana de dois hospitais de grande porte na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Os dados foram coletados em 2011, por meio de questionário auto aplicado. Foi utilizado o Maslach Burnout Inventory, para a aferição das dimensões de burnout, e o Self Report Questionnaire, para avaliação de transtornos mentais comuns.

Resultados:

A prevalência de síndrome de burnout foi de 55,3% (n = 72). Quanto aos quadrantes do modelo demanda- controle, a baixa exigência apresentou 64,5% de casos prevalentes suspeitos e a alta exigência, 72,5% de casos (p = 0,006). Foi constatada a prevalência de 27,7% de casos suspeitos para transtornos mentais comuns; destes, 80,6% estavam associados à síndrome de burnout (< 0,0001). Após análise multivariada com modelo ajustado para sexo, idade, escolaridade, carga horária semanal, renda e pensamento no trabalho durante as folgas, foi constatado caráter protetor para síndrome de burnout nas dimensões intermediárias de estresse: trabalho ativo (OR = 0,26; IC95% = 0,09 - 0,69) e trabalho passivo (OR = 0,22; IC95% = 0,07 - 0,63).

Conclusão:

Contatou-se que os fatores psicossociais estavam envolvidos no surgimento de burnout no grupo estudado. Os resultados despertaram a necessidade de estudos para intervenção e posterior prevenção da síndrome.

Palavras-Chave: Estresse; Esgotamento profissional; Equipe de enfermagem; Saúde do trabalhador; Unidades de terapia intensiva

INTRODUÇÃO

Estudos apontam o trabalho como o ponto-chave do prazer e do sofrimento.(1-4) O fenômeno do estresse é um problema atual, sendo objeto de pesquisa multiprofissional em diversas áreas, pois apresenta riscos para o equilíbrio da saúde do ser humano. Os principais fatores que desencadeiam o estresse no ambiente laboral estão relacionados a aspectos da organização, administração, sistema de trabalho e das relações interpessoais - fatores que compõem os aspetos psicossociais.(5-13)

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, quando o trabalho se adapta às condições do trabalhador, há favorecimento para sua saúde física e mental, desde que os riscos sejam mantidos sob controle.(14) Nos últimos anos, a relação entre estresse no trabalho e saúde mental dos trabalhadores têm sido assunto de estudos, devido aos números alarmantes de incapacidade temporária para o trabalho, absenteísmo, aposentadorias precoces e outros riscos à saúde associados à atividade profissional, em qualquer área de atuação.(5,15,16) Síndrome de burnout (SB), depressão, ideias de suicídio, baixa qualidade de vida e insatisfação profissional têm sido discutidas entre grupos de trabalhadores da área médica.(17,18)

A SB foi inicialmente descrita em 1974 por Frendenberg.(19,20) O termo “burnout” é uma composição a partir de burn (queima) e out (exterior), sugerindo, assim, que a pessoa com esse tipo de estresse apresenta problemas físicos e emocionais.(21) A síndrome é definida como fenômeno psicológico crônico presente em indivíduos cujo trabalho envolve relacionamentos de atenção intensa e frequente a pessoas que necessitam de assistência e cuidados, apresentando três dimensões.(22)

O esgotamento emocional é caracterizado pelo desgaste ou pela perda dos recursos emocionais e de energia, que conduzem à falta de entusiasmo, frustração, tensão e fadiga.(23) A despersonificação é marcada pelo desenvolvimento de sentimentos e atitudes negativas no trabalho. É considerada uma característica exclusiva da SB.(24,25) Desta forma, a despersonificação seria a dimensão desencadeadora do processo.(26) Ocorre quando o trabalhador adota atitudes negativas, e é acompanhada por insensibilidade e falta de motivação. Por fim, a baixa de realização pessoal é evidenciada quando há tendência negativa à auto avaliação profissional, aumento da irritabilidade, baixa produtividade, deficiência de relacionamento profissional e perda da motivação, tornando-se infeliz e insatisfeito.(12,22,27,28)

Estudos realizados na América do Norte e Sul indicam que a SB constitui grande problema psicossocial na atualidade, despertando interesse e preocupação por parte da comunidade científica internacional norte-americanas e europeias, devido às suas consequências individuais e coletivas.(15,29) A atividade laboral hospitalar é caracterizada por excessiva carga de trabalho, contato com situações limitantes, altos níveis de tensão e riscos. Devido às próprias características do trabalho, as equipes de enfermagem e médica são mais suscetíveis ao estresse ocupacional.(12,30) É enfatizado o efeito do estresse no trabalho entre médicos, enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem de setores críticos, devido à sobrecarga física e mental.(30-33)

O presente trabalho teve por objetivo analisar a prevalência da SB entre trabalhadores de enfermagem intensivistas, traçando relações com fatores psicossociais e sociodemográficos.

MÉTODOS

Pesquisa descritiva do tipo seccional. A coleta de dados ocorreu no período de 2010 a 2011. Participaram 130 trabalhadores, entre enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem da unidade de terapia intensiva (UTI) e unidade coronariana de dois grandes hospitais federais localizados na área metropolitana da cidade do Rio de Janeiro (RJ). A pesquisa teve início após aprovação do Comitê de Ética das instituições, atendendo aos preceitos da resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde para pesquisas que envolvem seres humanos, seguindo os preceitos determinados. Por se tratar de parte de tese de doutorado, contou com aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, no ano de 2013, sob número 480.999. Os profissionais foram abordados em intervalos de trabalho e, inicialmente, foram explicados os propósitos do estudo, e o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi assinado por aqueles que concordaram em participar.

Foram elegíveis todos aqueles que fossem trabalhadores dos setores referidos por, no mínimo, 6 meses e transferidos do setor no mesmo período, a fim de se evitar viés do trabalhador saudável. Os afastados por motivo de doença relacionada ao estresse foram incluídos, responderam ao questionário por telefone e, posteriormente, deram seu consentimento por escrito.

Equipe de quatro residentes previamente treinados foi coordenada pelo professor orientador, e o grupo orientou cada trabalhador sobre o preenchimento do questionário, para evitar ausência de dados e inconsistências. Os dados coletados compuseram banco de dados com dupla digitação (dois bancos para sobreposição), auditagem de dados e limpeza para eliminar possíveis erros de digitação e inconsistências.

Foi utilizada a escala adaptada e validada para o português, baseada na versão resumida da Job Stress Scale (JSS), originalmente elaborada em inglês com opções de resposta em escala tipo Likert (1-4), variando entre “frequentemente” e “nunca/quase nunca”.(34,35) A JSS identifica três aspectos das situações de trabalho: demanda psicológica, controle sobre as atividades e apoio social vivenciado pelo trabalhador.(13) Demanda psicológica refere-se ao controle do tempo para a realização das tarefas e conflitos existentes nas tomadas de decisões. O controle diz respeito à habilidade ou destreza para realização das tarefas e à oportunidade de participar das decisões. Ao modelo original foi agregada a dimensão apoio social que se caracteriza pela atmosfera social do ambiente de trabalho, traz como componentes o aspecto emocional e o apoio instrumental no trabalho. O instrumento permite a construção de quadrantes oriundos das combinações das dimensões, a saber: “baixa exigência” (combinação de baixa demanda e alto controle), “alta exigência” (alta demanda e baixo controle), “trabalho passivo” (baixa demanda e baixo controle) e “trabalho ativo” (alta demanda e alto controle).(13,34) Para a construção das dimensões dos quadrantes pelas combinações de demanda e controle, procedeu-se ao somatório dos escores e dicotomização de grau alto e baixo, de acordo com a mediana como ponto de corte.(34)

O transtorno mental comum foi mensurado de acordo com a versão reduzida do Self Reporting Questionnaire (SRQ-20). O instrumento foi desenvolvido por Harding et al., em 1980.(36) Na validação do instrumento, foi recomendado o ponto de corte como cinco respostas positivas para homens e sete para mulheres. No presente estudo, foi adotado o ponto de corte sete para suspeição de transtorno mental comum, baseado em pesquisas anteriores que tiveram profissionais da enfermagem como população de estudo.(37-41)

A SB foi mensurada aplicando-se o Maslach Burnout Inventory (MBI), instrumento composto por 22 questões.(42) O MBI é formado por escala de frequência com 5 pontos, os quais avaliam 3 dimensões: esgotamento emocional (9 afirmativas), despersonificação (5 afirmativas) e realização pessoal (8 afirmativas), em sua versão adaptada e validada para o português com profissionais de enfermagem.(43-45) A pontuação foi obtida da soma dos valores em cada subescala. Foram utilizados pontos de corte, no qual os autores consideraram que, na subescala esgotamento emocional, pontuação ≥ 27 seria indicativa de alto nível de esgotamento; o intervalo de 19 a 26 correspondeu a valores médios; e valores < 19 indicaram baixo nível. Na subescala despersonificação, pontuação ≥ 10 indicou nível alto; entre 6 e 9 nível, moderado; e < 6, nível baixo de despersonificação.(25,46-48)

Devido à ausência de consenso na literatura científica para o diagnóstico, foram utilizados como critérios para SB o grau elevado nas dimensões esgotamento emocional e despersonificação, e o grau baixo em realização pessoal,(49) ou apenas uma das dimensões em desequilíbrio.(25) A prevalência foi verificada também pelo critério de Golembiewski, Manzenrieder e Carter, que consideram apenas a despersonificação como preditora da síndrome.(26) Ainda, neste estudo, foi explorada a possibilidade de avaliação pelos tercis encontrados em cada dimensão.

A análise estatística descritiva contou com medidas de tendência central e de dispersão, e análise de frequência. Realizou-se a pontuação de cada subescala de acordo com os padrões supracitados, acrescidos de desvio padrão (DP), percentis 25 e 75% e alfa de cronbach. Para análise estatística, foi utilizado o critério de Grunfeld et al.(25) Para análise dos dados, foi utilizado o Statistical Package for the Social Sciences (SPSS®), versão 21.

RESULTADOS

Variáveis sociodemográficas e laborais

O grupo estudado foi composto por 130 profissionais de enfermagem, de 2 hospitais federais de grade porte. Dentre eles, 58 se declararam pardos, indígenas ou amarelos, sendo classificados como mestiços (44,6%). Eles estavam divididos igualmente em relação ao sexo, 65 homens e 65 mulheres (50%); a média de idade encontrada foi de 35 anos (28 a 41,2), com 68 acima dessa idade (52,3%); no quesito escolaridade, 81 cursaram até o ensino médio (62,3%); quanto ao estado civil, 54,6% viviam com companheiro; 68 não possuíam filhos (52,3%); e a renda média per capita foi de 7 salários mínimos, com 53,8% abaixo dessa faixa.

O grupo estudado foi distribuído em 80 (61,5%) trabalhadores no hospital A e 50 (38,5%) no hospital B; quanto à categoria profissional, 37 (28,5%) eram enfermeiros, 62 (47,7%) eram técnicos e 31 (23,8%) eram auxiliares de enfermagem; 78 (60,0%) indivíduos desempenhavam suas atividades na UTI e 52 (40,0%) na unidade coronariana. A maioria da amostra possuía um vínculo empregatício (60,8%), fazia parte do quadro permanente da instituição (71,5%) e trabalhava em turno misto (55,4%). O tempo no setor foi de 3 (1 a 7,25) anos. Quanto ao tempo na profissão, a mediana foi de 12 (5 a 18) anos, com 70 (53,8%) funcionários com tempo inferior a essa faixa. A carga horária semanal média encontrada foi de 51 ± 19,3 horas, e os sujeitos ficaram divididos igualmente acima e abaixo dessa média.

Aspectos psicossociais

A maioria dos trabalhadores (106, 81,5%) referiu não pensar no trabalho durante as folgas. Sobre o estresse autorreferido, 93 profissionais (71,5%) relataram estrato médio estresse. A dimensão demanda apresentou mediana de 10 (9 a 11) pontos. A dimensão controle apresentou mediana de 12 (11 a 14) pontos. O suporte social teve mediana 11 (9,75 a 13) pontos.

Quanto aos quadrantes do modelo demanda-controle, 40 trabalhadores (23,8%) encontravam-se em alta exigência; 32 em trabalho ativo (24,6%); 27 em trabalho passivo (20,8%) e 31 em baixa exigência (30,8%). Quanto ao transtorno mental comum, o grupo apresentou 27,7%, o que correspondeu a 36 trabalhadores.

Descrição dos escores da síndrome de burnout

Neste estudo, evidenciaram-se os seguintes valores médios para cada dimensão: esgotamento emocional, com 24,5 pontos; despersonificação, com 9,0; e realização pessoal, com 30,3 pontos. Os escores encontrados para o esgotamento emocional e despersonificação ficaram entre os valores médios padronizados, enquanto a dimensão realização pessoal revelou pontuação inferior à média padrão, devido à contagem de escore reverso, considerando-se alto este resultado, conforme tabela 1.

Tabela 1 Padrão de pontuação dos escores da síndrome de burnout pelo Maslach Burnout Inventory entre trabalhadores de unidades de terapia intensiva 

Dimensões investigadas Número de questões   Nível Desvio padrão Alfa de Cronbach
  Padrão   Média encontrada
Alto-médio-baixo
Esgotamento emocional 9 ≤ 27 19 - 26 < 19 24,5 9,3 0,992
Despersonificação 8 ≥ 10 6 - 9 < 6 9,0 3,4 0,649
Realização pessoal 5 ≤ 33 34 - 39 ≥ 40 30,3 6,9 0,828

O resultado do MBI expôs a população com esgotamento emocional alto, que foi de 49 indivíduos (37,7%), com mediana de 24 (18 a 31) pontos. A dimensão despersonificação apresentou média de 9 (7 a 11) pontos com dois estratos próximos: o médio, com 50 profissionais (38,5%), e alto, o qual apresentou 49 trabalhadores (37,7%). A realização pessoal mostrou-se alta, sendo representada por 79 indivíduos (60,8%), com mediana de 30,3 (26 a 36) pontos.

A prevalência de SB foi observada, segundo critérios de Grunfeld et al.,(25) com 72 casos de profissionais considerando uma das dimensões em risco (55,3%). Pelos critérios de Golembiewski et al.,(26) foram constatados 49 casos (37,7%). Neste estudo, pela soma dos escores de cada dimensão e observação dos tercis, foi possível construir combinações altas, médias e baixas, segundo essas condições, foram constatados 14 casos (10,7%) atendendo a esses critérios. Não foram observados casos segundo a mensuração de Ramirez et al.,(49) conforme exposto na tabela 2.

Tabela 2 Resultados do Maslach Burnout Inventory aplicado a trabalhadores de enfermagem intensivistas, N = 130 

Dimensões
Síndrome de burnout
Esgotamento emocional 24,5 ± 9,3
  Baixo 44 (33,8)
  Médio 37 (28,5)
  Alto 49 (37,7)
  Médio e alto 86 (66,2)
Despersonificação 09,0 ± 3,4
  Baixo 31 (23,8)
  Médio 50 (38,5)
  Alto 49 (37,7)
  Médio e alto 99 (76,2)
Realização pessoal 30,3 ± 6,9
  Baixo 06 (4,6)
  Médio 45 (34,6)
  Alto 79 (60,8)
  Baixo e médio 51 (39,2)
Critérios de mensuração  
  Grunfeld et al.(25) 72 (55,3)
  Golembiewski et al.(26) 49 (37,7)
  Ramirez et al.(49) 00 (00,0)
  Pelos tercis das dimensões* 14 (10,7)

*Distribuição nos tercis de cada dimensão de forma combinada: esgotamento emocional alto; realização pessoal baixa e despersonificação alta (tereis 3, 1 e 3, respectivamente). Grunfeld et al.(25) - esgotamento emocional em nível alto OU despersonificação em nível alto OU realização pessoal em nível baixo. Golembiewski et al.(26) - despersonificação em nível alto (considera-se o primeiro estágio). Ramirez et al.(49) - esgotamento emocional nível alto + despersonificação em nível alto + realização pessoal em nível baixo. Resultados expressos como média ± desvio padrão e N (%).

Análise da suspeição da síndrome de burnout e variáveis sociodemográficas, laborais e psicossociais

Quanto à prevalência da SB, de acordo com variáveis sociodemográficas e laborais, não foram encontradas associações significativas (Tabela 3).

Tabela 3 Prevalência da síndrome de burnout entre trabalhadores de enfermagem intensivistas, N = 130 

Variáveis psicossociais Total no estrato N* (%) Valor de p
Pensamento no trabalho nas folgas     0,009
  Sim 24 19 (79,2)  
  Não 106 53 (50,0)  
Estresse autorreferido     0,039
  Sem estresse 11 08 (72,7)  
  Médio estresse 93 45 (48,4)  
  Alto estresse 26 19 (73,1)  
Número de empregos     0,785
  1 vínculo 79 43 (54,4)  
  2 ou mais vínculos 51 29 (56,9)  
Quadrantes de Karasek     0,006
  Alta exigência 40 29 (72,50  
  Trabalho ativo 32 13 (40,6)  
  Trabalho passivo 27 10 (37,0)  
  Baixa exigência 31 20 (64,5)  
Suporte social     0,065
  Até a mediana 11 69 33 (47,8)  
  Acima da mediana 61 39 (63,9)  
Demanda     0,001
  Até a mediana 10 71 49 (69,0)  
  Acima da mediana 59 23 (39,0)  
Controle      
  Até mediana 12 58 30 (51,7) 0,451
  Acima da mediana 72 42 (58,3)  
Transtornos mentais comuns     < 0,0001
  Suspeito 36 29 (80,6)  
  Não suspeito 94 43 (45,7)  

*Indica o número de trabalhadores suspeitos.

Vários modelos multivariados foram analisados e, por fim, controlados pelas variáveis de confundimento. Foi constatado que os trabalhadores nos estratos trabalho ativo (odds ratio - OR = 0,27; intervalo de confiança 95% - IC95% = 0,09 - 0,81) e passivo (OR = 0,29; IC95% = 0,09 - 0,87) apresentaram proteção no modelo com ajuste pelo suporte social, o que revelou menores chances para burnout entre os profissionais nessas categorias intermediárias de estresse. A proteção deixou de existir no modelo 2, com a inserção de transtorno mental comum, embora se mantivesse para trabalho ativo, com a inserção conjunta de suporte social e transtorno mental comum no modelo. No modelo ajustado, no qual foram consideradas variáveis de confundimento, mantiveram-se os estratos intermediários como protetores para a síndrome na faixa de 72 a 78%, com significância estatística (Tabela 4).

Tabela 4 Análise de regressão logística incluindo os suspeitos para síndrome de burnout, segundo critérios de Grunfeld et al.(25) de trabalhadores de enfermagem intensivistas (N = 72) 

Modelos Quadrantes OR IC95% Valor de p
Modelo 1 Alta exigência 1,45 0,52 - 3,98 0,472
  Não ajustado Trabalho ativo 0,37 0,13 - 1,04 0,060
  Trabalho passivo 0,32 0,11 - 0,94 0,039
  Baixa exigência 1 - 0,008
Modelo 2 Alta exigência 1,29 0,45 - 3,69 0,635
  + TMC Trabalho ativo 0,38 0,13 - 1,10 0,076
  Trabalho passivo 0,36 0,12 - 1,10 0,074
  Baixa exigência 1 - 0,035
Modelo 3 Alta exigência 1,18 0,41 - 3,36 0,747
  + Suporte Trabalho ativo 0,27 0,09 - 0,81 0,020
  Trabalho passivo 0,29 0,09 - 0,87 0,028
  Baixa exigência 1 - 0,004
Modelo 4 Alta exigência 1,10 0,37 - 3,25 0,853
  + Suporte + TMC Trabalho ativo 0,29 0,09 - 0,98 0,032
  Trabalho passivo 0,33 0,10 - 1,02 0,056
  Baixa exigência 1 - 0,023
Modelo ajustado* Alta exigência 0,69 0,25 - 1,89 0,472
  Trabalho ativo 0,26 0,09 - 0,69 0,008
  Trabalho passivo 0,22 0,07 - 0,63 0,005
  Baixa exigência 1 - 0,019

OR - odds ratio; IC95% - intervalo de confiança de 95%; TMC - transtornos mentais comuns.

*Sexo + idade + escolaridade + carga horária semanal + salário + pensamento no trabalho folgas.

DISCUSSÃO

Os achados deste estudo mostraram-se relevantes para saúde do trabalhador, em especial para os da área da enfermagem intensivista, a julgar pela prevalência apontada em pesquisas no Brasil e no exterior. Foram constatados escores elevados de esgotamento emocional e despersonificação, e prevalência de suspeição para SB expressiva, o que revelou influência da organização e da natureza do trabalho nesses resultados.

Sobre a suspeição de transtorno mental comum, a prevalência encontrada foi de 36 casos (27,7%), ou seja, um pouco mais elevada quando comparada a outros estudos sobre a temática. Em pesquisa com equipe de enfermagem em terapia intensiva, Silva et al. encontraram prevalência de 21,3%.(50) Estudos de Pinho e Araujo, com trabalhadores de enfermagem em emergência, e de Kirchhof et al., com profissionais de enfermagem de hospital universitário, evidenciaram 26,3% e 18,7% de suspeição, respectivamente.(51,52) Nesses dois trabalhos, o grupo de alta exigência apresentou prevalências mais expressivas.

Quanto à dimensão esgotamento emocional, este estudo encontrou a média de 24 pontos entre os 130 profissionais. Os trabalhos de Losa Iglesias et al., com profissionais de enfermagem em UTI na Espanha, e de Suñer-Soler et al., com médicos e equipe de enfermagem em hospitais espanhóis, evidenciaram 25,19 pontos e 22,40 pontos, respectivamente.(53,54)

O esgotamento emocional, considerado médio neste estudo, é fator relevante no que diz respeito à qualidade de vida. Verifica-se que níveis elevados no componente esgotamento emocional, fator central do esgotamento profissional, levam a uma deterioração da qualidade de saúde e de vida, ao desgaste emocional e à sensação de falta de energia, mostrando associação inversa com desempenho no trabalho.(12,54,55)

Na dimensão despersonificação, o presente estudo revelou média de 9,00 pontos, valor considerado intermediário. A pesquisa de Moreira et al., com profissionais de enfermagem em hospitais em Santa Catarina, evidenciou média de 7,79 pontos, um pouco abaixo do encontrado neste estudo.(24) Em contrapartida, Xie et al. aferiram 11,39 pontos em despersonificação com enfermeiros em unidades hospitalares na China.(56) Essa dimensão constitui uma estratégia de enfrentamento que surge posteriormente aos sentimentos de esgotamento emocional e baixa realização pessoal. Utilizando-se mecanismos, o trabalhador pode se distanciar de si mesmo psicologicamente, tornando-se frio e cínico, de modo a tratar os clientes e colegas como objetos e merecedores dos problemas que possuem. Por fim, ocorre o afastamento psicológico, como estratégia defensiva de enfrentamento, desenvolvida para lidar com o esgotamento emocional.(53,55,57,58)

Na última dimensão avaliada, realização pessoal (escore reverso), foi encontrada a média de 30 pontos, considerada alta. As pesquisas de Van Bogaert et al.,(59) com enfermeiros de hospitais belgas, e de Xie et al.,(56) revelaram valores médios de 34,34 e 34,79 pontos nessa dimensão, respectivamente. O trabalho de Schmidt et al., realizado entre profissionais de enfermagem em terapia intensiva no Paraná, evidenciou 25,00 pontos em realização pessoal, escore este abaixo da média encontrada nesse estudo.(23) A percepção da utilidade do próprio trabalho tem valor inegável para a autoestima do trabalhador.(28) A baixa realização pessoal influencia na queda da produtividade e na falta de realização no trabalho, podendo ser exacerbada por falta de apoio social e de oportunidades de desenvolvimento pessoal.(55) Cabe lembrar que a UTI é um local em que as dificuldades de relacionamento interpessoal, seja com os familiares dos pacientes ou com alguns membros da equipe multiprofissional, o desejo de abandonar o trabalho, a falta de realização pessoal, a sobrecarga de trabalho (superlotação, falta de preparo da equipe técnica e espaço físico inadequado, por exemplo), entre outros fatores, devem influenciar de forma negativa na qualidade de vida no trabalho e na qualidade do trabalho.(30)

Pode-se perceber que os valores das dimensões oscilam de acordo com países onde foram aplicados o MBI, embora, no que tange à UTI, os valores estejam aproximados. Entre os estudos que aferiram a prevalência, Tironi et al.(33) mostraram valores sob o critério de Grunfeld et al.(25) e próximos ao deste estudo.

A SB tem consequências físicas e mentais à saúde dos trabalhadores, dentre as quais alterações cardiovasculares, fadiga crônica, cefaleias, enxaqueca, úlcera péptica, insônia, dores musculares ou articulares, ansiedade, depressão, irritabilidade, entre outras.(54,60) Também pode interferir na vida pessoal, como nas relações familiares, ressentindo-se da falta de tempo para o cuidado com os filhos e o lazer. O contexto do trabalho é afetado pelo absenteísmo, pela rotatividade de emprego, pelo aumento de condutas violentas e pela diminuição da qualidade do trabalho.(15,28) A SB mostra-se como um processo progressivo, com período de sensibilização de 10 anos de trabalho e a possibilidade de aumento suscetibilidade após esse tempo.(53)

Este estudo não encontrou associação estatística entre variáveis sociodemográficas e laborais com a SB, crê-se que em razão do número pequeno de participantes. No entanto, foi encontrada associação entre as variáveis psicossociais e as prevalências de SB entre aqueles que pensam no trabalho durante a folga (p = 0,009), entre os que referiram alto estresse (p = 0,039). Quanto aos quadrantes de Karasek, foi constatada associação, uma vez que aqueles em alta exigência apresentaram prevalência de 72,5%, seguida de baixa exigência 64,5% (p = 0,006). A demanda baixa apresentou maior influência sobre a SB quando comparada a demanda alta 69% (p = 0,001), o que, de certa forma, revela que, para este grupo, a demanda elevada não representaria um fator determinante para a síndrome, achado este comprovado pelo caráter protetor observado em trabalho ativo após regressão. Os dados não se mantiveram significativos para o controle no trabalho, para inferir-se sobre o papel dessa dimensão no desfecho. Entre os suspeitos de transtorno mental comum, 80,6% foram casos prevalentes (p < 0,0001), revelando a íntima relação entre essas dimensões subjetivas.

Embora durante a análise bivariada, o estudo tenha apresentado valores significativos para alta exigência e baixa exigência, o que corrobora a premissa de maior risco psíquico para essas dimensões, os valores não foram confirmados após a regressão logística, na qual se observou caráter protetor nos quadrantes intermediários trabalho ativo e trabalho passivo, dimensões que, segundo preceitos de Karasek e Theorell, favorecem novos comportamentos e criatividade.(13) Com isso, pode-se constatar que a diagonal A do esquema representou risco após análise bivariada, enquanto que a diagonal B revelou-se como protetora para SB, após análise multivariada. Tironi et al., em análise bivariada, encontraram associação entre SB observada na situação de alta exigência do modelo demanda-controle.(33)

Para a enfermagem, o tema estresse recebeu maior atenção, de forma a explorar os efeitos da SB.(19) Devido às próprias características do trabalho, a equipe de enfermagem é mais suscetível a passar pela experiência da síndrome, quando comparada a outras profissões, em decorrência da grande responsabilidade pela vida e da proximidade com os pacientes, para quem o sofrimento é quase inevitável.(12,30,61) A interação constante entre os padrões profissionais, integridade do ego pessoal e as necessidades do paciente dentro da relação terapêutica, muitas vezes, deixam o enfermeiro vulnerável ao estresse, fadiga e esgotamento.(19)

Os profissionais de saúde têm sido identificados em estudos como um dos grupos que apresentam medidas elevadas das diferentes dimensões da SB em âmbito internacional, e suas consequências vão desde redução da capacidade para o trabalho até conflitos laborais, podendo levar ao suicídio.(17,18) Esses profissionais parecem sofrer tensões específicas de estresse ocupacional e há preceito de que enfrentam altos índices de estresse no trabalho - níveis estes que se elevam em UTI.(27,30) Esse grau de estresse pode ser constatado entre auxiliares e técnicos de enfermagem, enfermeiros(19,61,62) e médicos.(33,63)

Algumas limitações do estudo devem ser consideradas. O estudo seccional possui limitações da temporalidade, pois não se pode afirmar que o estresse causou SB ou o inverso. Quanto ao viés do trabalhador saudável, buscaram-se, de forma ativa, os afastados, transferidos e os ausentes no setor de UTI, e os motivos de seu afastamento, incluindo no banco de dados aqueles que estavam fora do setor por até 6 meses, após contato telefônico e agendamento para preenchimento do questionário no hospital. A variável grau de estresse autorreferido pôde sofrer influência da dinâmica do dia de trabalho ou da semana, o que poderia alterar a percepção do trabalhador para maior ou menor grau de estresse. A falta de consenso no meio acadêmico sobre os critérios para suspeição da SB mostra-se como fator a ser superado. Entende-se o número pequeno de participantes como possível limitação para análises estatísticas, embora diversos estudos similares tenham demonstrado consistência, mesmo com números inferiores de trabalhadores quando comparado a este estudo; cabe lembrar que essa pesquisa, a fim de minimizar esse item, trabalhou com toda a população de profissionais UTI investigadas. Devido ao cálculo da OR neste estudo seccional, deve-se ponderar a superestimação do risco. Apesar das limitações descritas, os dados analisados coincidem com informações da literatura e acrescentam algo novo sobre a relação do estresse aferido pela JSS e a SB aferida pela MBI.

CONCLUSÃO

A prevalência de síndrome de burnout observada foi de 55,3%, o que denota a exposição dos enfermeiros a fatores determinantes do estresse. Este estudo constatou como evidências: escores expressivos de esgotamento emocional e despersonificação; alto grau de estresse autorreferido e aferido pela Job Stress Scale em alta exigência e em baixa exigência; todas as variáveis associadas à síndrome de burnout, além da prevalência expressiva entre aqueles que pensam no trabalho na folga e entre suspeitos de transtornos mentais comuns. Após regressão em modelo ajustado, foi observado fator protetor entre aqueles em trabalho ativo e passivo.

Editor responsável: Jorge Ibrain Figueira Salluh

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Recebido: 07 de Outubro de 2014; Aceito: 12 de Abril de 2015

Autor correspondente: Jorge Luiz Lima da Silva, Departamento Materno Infantil e Psiquiatria da Universidade Federal Fluminense, Rua Dr. Celestino, 74, 5º andar - Centro, CEP: 24130-470 - Niterói (RJ), Brasil, E-mail: jorgeluizlima@gmail.com

Conflitos de interesse: Nenhum.

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