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Brazilian Dental Journal

Print version ISSN 0103-6440

Braz. Dent. J. vol.22 no.4 Ribeirão Preto  2011

 

Consumo frequente de açúcar torna bactérias da placa dental mais virulentas

 

 

Pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP/UNICAMP) verificaram que as bactérias presentes na placa dental de indivíduos que apresentam uma alta frequência de exposição aos açúcares da dieta podem causar mais danos aos dentes quando comparadas àquelas bactérias encontradas na placa dental de indivíduos que são menos frequentemente expostos a esses açúcares. O estudo, que faz parte da tese de doutorado de Rodrigo Alex Arthur, desenvolvida com o auxílio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), foi publicado no periódico Brazilian Dental Journal v. 22 n. 4.

O trabalho, orientado pela Profa. Dra. Cínthia Pereira Machado Tabchoury, indica que as bactérias do grupo estreptococos mutans isoladas da placa dental de indivíduos frequentemente expostos à sacarose, açúcar encontrado em doces, bebidas e alimentos industrializados, podem apresentam maior capacidade de dissolver os minerais do dente. "O papel dessas bactérias no desenvolvimento da cárie dental já é bem conhecido, entretanto, os resultados do presente estudo sugerem que a exposição frequente a este açúcar modifica o comportamento metabólico dessas bactérias, tornando-as mais virulentas", esclarece a pesquisadora.

O estudo foi realizado em duas etapas. Numa delas, um grupo de voluntários bochechou uma solução contendo açúcar, oito vezes por dia, durante três dias seguidos (representando o grupo da população que é frequentemente exposto aos açúcares da dieta), enquanto que na outra etapa do estudo esses mesmos voluntários bochecharam apenas com água (representando um grupo da população menos frequentemente exposto aos açúcares da dieta). A placa dental formada sobre os dentes foi coletada e analisada no laboratório. As bactérias do grupo estreptococos mutans encontradas nas amostras de placa dental coletada de cada uma dessas diferentes condições de exposição aos açúcares da dieta foram caracterizadas molecularmente por um método que identifica cada uma dessas bactérias com base na composição do seu DNA. Por analogia, ao final do processo de caracterização, foram obtidas informações semelhantes às ‘impressões digitais' de cada um desses microrganismos. Em seguida, essas bactérias foram submetidas a alguns testes laboratoriais para verificar quão resistentes elas são em relação às variações de pH frequentemente encontradas na placa dental e também para se avaliar quão rápido elas ‘digerem' esses açúcares presentes na dieta.

A cárie dental é uma doença que acomete grande parte da população e que, se não for prevenida da forma adequada, pode progredir e causar a destruição dos dentes. "De maneira simplificada - explica o pesquisador Rodrigo Arthur -, podemos dizer que todas as vezes que ingerimos açúcar, as bactérias presentes na placa dental, em especial os estreptococos mutans, ‘digerem' esses açúcares. Como produtos dessa ‘digestão' são produzidos ácidos, que reduzem o pH da placa dental e dissolvem a superfície dos dentes. Essa redução no pH da placa dental (que significa quão ácida essa placa dental está), além de ser maléfica para os dentes, também inibe o crescimento de bactérias menos agressivas e menos propensas à dissolverem os dentes." Neste estudo, verificou-se que a placa dental dos indivíduos frequentemente expostos aos açúcares da dieta apresenta alguns tipos específicos de estreptococos mutans que são mais resistentes à acidificação da placa dental e também mais rápidos na produção de ácidos a partir da ‘digestão' desses açúcares. Segundo os pesquisadores, esses resultados ajudam a compreender o papel que a dieta desempenha no desenvolvimento da cárie dental e são importantes para o delineamento de estratégias de prevenção e controle da doença.

 

 

Contato:
Profa. Dra. Cínthia Pereira Machado Tabchoury
FOP/ UNICAMP
e-mail: cinthia@fop.unicamp.br

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