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Production

Print version ISSN 0103-6513

Prod. vol.14 no.3 São Paulo Sept./Dec. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-65132004000300001 

Editorial

 

 

Este número da Revista Produção tem o propósito de trazer para discussão um tema que tem crescido em importância no mundo da produção. A relação entre a organização do trabalho e o psiquismo humano é cada vez mais debatida entre as disciplinas que se ocupam do trabalho, principalmente entre as que tem uma inserção mais clínica, isto é, aquelas que tem como foco a questão do trabalhar. Em especial, a psicodinâmica do trabalho se ocupa dessas questões, como as pessoas vivem o seu trabalho, como aí se constrói uma relação entre sofrimento e prazer. Resultados de pesquisas têm mostrado a importância do trabalho como um dos mais significativos agentes para a construção da saúde, em todos sentidos, inclusive no que concerne à saúde mental. O trabalho é um dos pilares do processo de realização de si. Por meio dele, as pessoas podem encontrar um lugar digno na sociedade e dar vazão a parte de seus sonhos e desejos. Portanto o trabalho tem um lugar fundamental na construção e no reforço da identidade individual e coletiva. Por outro lado, o trabalho, dependendo como ele é organizado, é um agente de desestabilização, de sofrimento patogênico. Constata-se este fato, a partir de um sem numero de pessoas que são impedidas de se realizar pela via do trabalho. A elas resta o caminho da doença, seja ela expressa no corpo, na mente ou em ambos. Em muitas situações de trabalho, felizmente não em todas, nos defrontamos com um processo de intensificação dos constrangimentos e de banalização de certas práticas, que põem em risco não somente a saúde dos indivíduos, mas no médio ou longo prazo, as próprias empresas e instituições. Um desafio para todos nós é diagnosticar precocemente essa tendência para poder agir no sentido transformar as organizações. Essa tarefa transformadora é, em muitos sentidos, hercúlea e ainda fadada a muitos insucessos, visto que estamos vivendo uma época onde, em nome da competitividade, são aceitas práticas contestáveis no seu sentido ético e moral. Neste número da revista Produção foram publicados artigos que nos levam a uma reflexão sobre questões que, muitas vezes, evitamos enfrentar. Esses artigos são fruto de pesquisas e de ações em psicodinâmica do trabalho, assim como de reflexões mais teóricas, desenvolvidas por colegas franceses e brasileiros. Vale a pena correr o risco!

 

Laerte Idal Sznelwar