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Psicologia USP

Print version ISSN 0103-6564On-line version ISSN 1678-5177

Psicol. USP vol. 8 n. 2 São Paulo  1997

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-65641997000200002 

APRESENTAÇÃO

 

 

CONSCIÊNCIA, CONSCIÊNCIAS

 

Arno Engelmann & César Ades
Instituto de Psicologia - USP

 

 

A psicologia, ao se tornar ciência no século passado, apresentava como objeto principal o estudo da consciência. A observação da consciência era, entretanto, diferente da observação dos outros objetos científicos. Na concepção dos principais cientistas que a estudavam no século XIX, a consciência era observada diretamente, sem intermediário. Wundt, o iniciador de um laboratório de psicologia, colocava a consciência como requerendo a observação imediata do seu objeto, sendo mediata a observação do objeto nas outras ciências naturais.

Watson achava que a psicologia deveria assemelhar-se às outras ciências naturais. Se a consciência incomodava o estudo científico, então a nova psicologia deveria ser uma ciência sem consciência. Além do mais, as pesquisas introspectivas dos principais laboratórios de psicologia levavam a resultados muitas vezes contraditórios. A partir de 1925, a maioria dos psicólogos americanos situavam-se num dos behaviorismos. Essa voga do behaviorismo prolongou-se, pelo menos, até 1960. Cabe notar que depois do advento do nazismo na Alemanha, os Estados Unidos tornaram-se, e continuam sendo, o principal centro de psicologia do mundo.

Nos anos sessenta multiplicaram-se estudos cognitivos, ou seja, estudos em teoria opostos ao behaviorismo. Embora o cognitivismo, pelo menos enquanto especulação, mantinha o interesse por fenômenos conscientes, as principais investigações cognitivistas não se embrenhavam nas questões que a consciência levantava.

A situação mudou a partir de 1980. São muitos os estudos que, atualmente, se interessam pelo tema da consciência. Esse interesse não é exclusivo da psicologia. Antes mesmo dessa nova revolução, filósofos, neurobiólogos, antropólogos escreviam artigos e livros sobre o mesmo assunto. O número deles decuplicou, nos dias de hoje.

O presente número temático da Psicologia USP, centrado na questão da consciência, reune contribuições provenientes da filosofia, da neurosciência, da etologia, da psiquiatria, além de, evidentemente, contribuições psicológicas. A origem do número temático remonta a dois simpósios realizados em 1993. Em julho, por ocasião da Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência no Recife, César Ades organizou um simpósio sobre "Consciência" do qual participaram, além do coordenador, Gilberto Fernando Xavier, Henrique Schützer Del Nero e Lígia Maria de Castro Marcondes Machado. Em outubro, Arno Engelmann organizou, durante a Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia em Ribeirão Preto, o simpósio sobre "Maneiras de estudar a consciência" do qual participaram, além dele, José Lino Oliveira Bueno, Niélsy Helena Puglia Bergamasco e William Barbosa Gomes. Quando, mais tarde, Engelmann e Ades tiveram a idéia do número temático, resolveram reunir as contribuições dos participantes de ambos os simpósios, convidando, além disso, João de Fernandes Teixeira, Therezinha Moreira Leite, Vitor Geraldi Haase e Fernando José Leite Ribeiro. Também foi incluído um segundo artigo de Arno Engelmann.

Os artigos do presente número de Psicologia USP dividem-se em três grupos: (1) os que abordam a consciência numa perspectiva global; (2) os que buscam situar a consciência num contexto biológico; e (3) os que apresentam abordagens metodológicas ao estudo da consciência.

 

A consciência numa perspectiva global

O que é a consciência? Como funciona? Onde se localiza? Qual o objetivo da consciência, objetivo adaptativo e objetivo moral? Os quatro artigos neste grupo abordam alguns desses aspectos.

Arno Engelmann, no seu primeiro artigo, apresenta sua teoria baseada principalmente em escritos de Tolman. Duas seriam as consciências: a consciência-imediata, início de qualquer observação, e as consciências-mediatas, parte do organismo de seres humanos e de animais não-humanos. A parte inicial do artigo é puramente filosófica. Não se pode falar no eu momentâneo utilizando a repetição da ciência, porque simplesmente não existe repetição. De outro lado, na parte final, encontram-se concepções científicas. A parte de experimentos a respeito é possível. Em investigações psicológicas, o organismo de alguns animais apresenta uma parte que é conhecida pelo próprio animal. É a consciência-mediata.

Henrique Schützer Del Nero conseguiu muito bem transmitir aos que o lêem o cerne do problema da consciência. Por utilizar uma linguagem que não é a dos dados ou dos argumentos como em artigos científicos (uma linguagem alegórica, como ele-próprio escreve) alcança um resultado diferente da dos outros artigos deste número. Proporcionou, assim mesmo, uma informação suplementar num número grande de notas de rodapé. 

A abordagem de Del Nero busca unificar na explicação da consciência o "ser" descritivo com o "devir a ser" normativo, o cérebro e a mente. Analisa em seu texto o que é, ou no seu ponto de vista foi, conhecido por" behaviorismo". De outro lado, analisa o que chama de alma gêmea do" behaviorismo", o "cognitivismo". A primeira foi puramente empírica, a segunda é voluntarista. A mente, contudo, é uma obra biológica e, ao mesmo tempo, uma obra cultural. A consciência, parte da mente, seria basicamente a triplicidade de relações: entre elementos formando símbolos, entre símbolos formando pensamentos e atos, e entre estes dois últimos formando consciência.

Para muitas pessoas poderá parecer que há algum um engano no artigo de Lígia Maria de Castro Marcondes. Este artigo procura mostrar como o behaviorismo radical entende o estudo da consciência. Não seria o behaviorismo uma escola que teria negado qualquer menção ao fato do ser humano ter consciência? Não é bem assim.

Se consultarmos os livros de Skinner, veremos a consciência mencionada inúmeras vezes. Qualquer pessoa, seja qual for sua linha de pensamento, inclusive behaviorista radical, menciona muitas vezes ocorrências de consciência. Somente, na hora de colocá-lo num esquema, o behaviorista radical não utilizaria a consciência como conceito científico. No artigo de Lígia Machado, a consciência é a "capacidade de descrever o que se está fazendo". Essa capacidade de descrever é, em último lugar, função das consequências. Há comportamentos racionais, em organismos que seguem as regras, e comportamentos intuitivos, nos quais o organismo não é controlado por estímulos verbais.

João Fernandes Teixeira apresenta um artigo que é um ótimo comentário sobre um livro recente de David Chalmers. Por que Chalmers? Chalmers é um dos grandes pensadores atuais sobre o problema da consciência. Chalmers apresenta uma teoria que vai de encontro àquilo que é considerado por João Teixeira "tudo que o que os cientistas cognitivos e neurocientistas desejam: reduzir estados conscientes a uma base neurofisiológica ou física."1 Lembremo-nos que a palavra "redução" apresenta vários sentidos. De um lado," redução" seria a possibilidade de converter tudo que é parte das ciências naturais, em último lugar, a acontecimentos físicos. De outro lado, seria uma visão monista da ciência natural em que, segundo alguns, as emergências apresentariam seu lugar (Ayala & Dobzhansky, 1983).

Existem, segundo Chalmers, dois tipos de problemas: problemas fáceis (easy problems) e problemas difíceis (hard problems). Os easy problems, como o foco da atenção, a diferença entre sono e vigília, etc., são de solução relativamente simples Entretanto, a verdadeira complexidade reside no que Chalmers chama de hard problems: como é que um fato neurológico ou cognitivo vai dar origem à experiência consciente? qual é a maneira com que iremos distinguir um ser humano de um robot humanóide do tipo COG, que é idêntico exteriormente ao ser humano? o fato de possuir interiormente fios e chips seria suficiente para negarmos a ele consciência?

Chalmers acha que a experiência consciente é um primitivo na teoria como as noções de massa e de espaço-tempo. De outro lado, a experiência consciente é o início e não o ponto de chegada da consciência. Teixeira atravessa o longo livro de Chalmers. Chega no fim e se pergunta se é válida uma teoria que parece mais como uma parte do novo "misterianismo" (Flanagan, 1992) ou do velho cartesianismo? Não seria possível a experiência consciente ser uma característica da matéria?

 

A consciência numa perspectiva biológica

A questão de se os animais (não-humanos) possuem consciência, se pensam, sentem e querem, do mesmo modo que nós pensamos, sentimos e queremos é um dos problemas mais antigos e controvertidos. Além de sua relevância do ponto de vista da psicologia comparativa, ela tem importância filosófica: os posicionamentos a respeito se refletem inevitavelmente no modo como entendemos e interpretamos a consciência humana. As análises oscilam entre uma negação (cartesiana) da consciência animal ou da possibilidade de seu estudo e atitudes mais favoráveis, que pregam um uso mais descontraído da linguagem de estados mentais e o aproveitamento da analogia com o ser humano para entender a subjetividade animal (não encorramos em antroponegação, alerta De Waal (1997), pensando nos argumentos dos que criticam o antropomorfismo).

Ades revê e critica três linhas de argumentação a favor de uma leitura dos conteúdos da consciência animal: a que supõe possível uma espécie de tradução perceptiva (por exemplo: os ultrassons do morcego representados visualmente, para que o ser humano possa avaliá-los), a analogia antropomórfica e o uso de comportamentos/critérios supostamente reveladores de estados conscientes (desempenhos aparentemente inteligentes podem transcorrer sem consciência ou de acordo com regras automáticas2). Não nega a estas estratégias um possível valor heurístico mas sim seu rigor enquanto definidoras de estados de consciência. Segundo ele, o conhecimento do que é "ser um morcego" (de acordo com a pergunta clássica de Nagel, 1974) não passa por inferências acerca dos conteúdos de consciência, mas pela reconstituição do modo muito peculiar, não necessariamente parecido ao jeito humano, como o animal se relaciona com a sua circunstância.

Em seu comentário ao artigo de Ades, Fernando Leite Ribeiro reconhece a dificuldade que há de tentar representar-se o que percebe o animal e a distância conceitual entre pensar, resolver problemas, criar e imaginar, de um lado, e ser consciente, de outro. Questiona, contudo, a linha traçada por Ades entre a consciência animal, que encontraria realização no domínio do "dar se conta", de natureza basicamente perceptual, e a consciência humana, enraizada no senso do eu e na capacidade de comunicação verbal. Será tão absurda a possibilidade de um senso de eu, em animais? E, de outro lado, não terá a consciência, mesmo em sua acepção humana, uma natureza pré-linguística ? Não seria maior a semelhança entre animais e seres humanos no "sentir" do que no "conhecer"? As perguntas de Ribeiro ao mesmo tempo em que apontam limites (mostram as teias em que pode se enredar o pensamento) abrem sendas de análise. 

José Lino Oliveira Bueno coloca-se mais perto, em seu artigo, da pesquisa experimental com animais, buscando surpreender o "imaginário" animal no descompasso entre os estímulos ambientais e os desempenhos que lhe são associados. Na medida em que se demonstra não ser ponto a ponto o controle ambiental, abre-se um espaço para a representação, não como epifenômeno, mas como processo essencial do ponto de vista causal e adaptativo. Não é apenas cópia, é combinatória ou computacional; não é apenas concreta, pode ser amodal ou abstrata; abrange aspectos ligados à circunstância (declarativos) e à ação sobre esta (aspectos" procedimentais"). O estímulo condicionado não é mais o simples eliciador de respostas que sempre foi, também gera imagens do estímulo incondicionado ausente e isto significa, segundo a arrojada colocação de Holland, uma espécie de alucinação. Estamos à beira de uma colocação em termos de consciência. Bueno contudo distingue o uso "informacional" do conceito de representação de seu uso como processo consciente pleno, e previne contra a confusão entre representação mental e experiência mental.

Rejeitando o dualismo e recorrendo a conhecimentos modernos sobre o cérebro, Campos, Santos e Xavier querem trazer a consciência "de volta para a natureza". Como Bueno, entendem que a capacidade de representar-se, isto é, de construir um mapa mental, com ensaios-e-erros computacionais embutidos, oferece maior adaptação ao organismo, por permitir a previsão. Valem-se de casos clínicos em que o funcionamento integrado do sistema nervoso, levado à fragmentação, revela sua base modular. Na visão às cegas (blindsight), o paciente diz que nada vê, no entanto, é capaz de ajustar seus movimentos ao objeto apresentado; na condição de negligência unilateral, o paciente, que parece ter perdido a capacidade de prestar atenção ao que acontece de um dos lado do corpo e do ambiente, consegue, em determinadas circunstâncias, levar em conta em seu comportamento, estímulos do lado negligenciado. Nestes e em outros comprometimentos neurológicos abordados no artigo, consciência e comportamento, normalmente imbricados, sofrem uma dissociação que nos surpreende e nos força a rever a definição de consciência. Esta não mais aparece como fenômeno unitário, que se pudesse localizar aqui ou alí, no sistema nervoso, mas como multiplicidade e integração. A neurociência, apesar da sofisticação de seus métodos (estamos na era das imagens por ressonância magnética e outras técnicas que permitem" ver" o cérebro funcionando), não deve ser tomada como atalho reducionista para a solução da questão da consciência, mas como uma fonte importante de informações e de teorias, a ser levada em conta

Haase, Diniz e Cruz consideram pouco provável que um modelo de consciência (ou melhor, como eles próprios, cautelosamente, colocam: de estados mentais conscientes) possa nascer do estudo da atividade neuronal isolada. Propõem, usando como quadro de referência o pensamento de Ernst Pöppel, que seja considerada como objeto de pesquisa a organização temporal da atividade de grupos de neurônios. A sincronização da atividade oscilatória seria uma das bases para o surgimento da experiência subjetiva. Não que o estudo do modo como o cérebro codifica e processa as informações possa esgotar a questão da consciência: faltaria examinar, de acordo com Haase e colaboradores, os conteúdos dos estados mentais, a partir das interações do organismo com os eventos ambientais relevantes. A perspectiva pöppeliana leva à surpreendente concepção da consciência como "temporalmente descontínua" e à postulação de dois mecanismos globais: um, de alta freqüência, definidor de eventos; outro, de baixa freqüência, ligado à integração de eventos diversos. As bases empíricas para o modelo provêm, entre outros, de estudos que correlacionam, em pessoais normais e em pacientes, a freqüência da atividade cerebral aos níveis de consciência. A segmentação temporal aparece também em atos motores, como o interessante estudo inter-cultural de Schleidt, Eibesfeldt e Pöppel (1987).

 

A consciência numa perspectiva metodológica.

Como a consciência é estudada nos seres humanos e, de acordo com muitos pensadores, também em animais não-humanos? A investigação, se possível, pode ser realizada exclusivamente por meio de falas ditas por seres humanos? Ou, pelo contrário, haverá outros métodos que se aplicam a animais de várias espécies? Que são esses métodos? Os quatro artigos finais procuram discutir alguns desses problemas.

A classificação de Arno Engelmann em seu segundo artigo apresenta, além dos relatos, mais três tipos de indicadores que podem demonstrar no animal estudado a consciência, ainda que o seu grau de revelação seja menor. Além disso, os relatos, para ele, não seriam exclusivamente verbais, mas incluiriam outras maneiras de qualificá-los. Finalmente, de acordo com Donald Campbell, indivíduos humanos de idade adulta são capazes de indicar conteúdos de consciência que apresentam semelhança com conteúdos de consciência do observador. A hipótese fenomênica, baseada na consciência do observador, torna-os aproveitáveis.

Podem investigações serem realizadas em seres humanos antes da possibilidade de se desenvolver a capacidade de falar? Niélsy Bergamasco apresenta provas que sim. Experimentos recentes na área demonstram que as mesmas expressões faciais dos adultos são realizados nos bebés. Bergamasco estuda esses movimentos expressivos em bebés. Em um deles, revela-se que bebés, de algumas horas até três dias de vida, apresentavam reação de choro típica de dor ante estimulos dolorosos. A descoberta ao redor de 1989 de dois tipos de receptores à dor, um dos quais já levemente mielinizado, fala fortemente quanto à possibilidade de consciência. Em segundo lugar, suas investigações de bebés a estímulos gustativos, e também a olfativos, revelam consciência de bebés, ainda que, neste particular, haja estudos com resultados negativos. No bebé altamente dependente dos pais seria necessário a comunicação das emoções, conclui Bergamasco.

Therezinha Moreira Leite pergunta-se como estudar os sonhos ou melhor como estudar a consciência onírica. A atividade do ser humano durante cada dia costuma ser partilhada num período de vigília e num de sono. Entretanto, diz Therezinha Leite, o pensamento durante a vigília é continuado durante o cochilo, durante o adormecimento, durante o sono propriamente dito. As rupturas durante a passagem de vigília para o sono e durante a passagem de sono para a vigília são falsas. A alternação de períodos e conteúdos conscientes e inconscientes são características do sono e também da vigília. As palavras são associadas às imagens e são capazes de revelar, mas apenas por aproximação na qual entram deslocamentos e substituições, o conceito realmente" oculto".

William Gomes realiza entrevistas com seres humanos realizadas com base fenomenológica. Seu modelo é originado ao mesmo tempo de duas tradições: a psicologia fenomenológica iniciada pelo estudo de Van Kann (1959) e a fenomenologia semiótica da comunicação ou comunicologia influenciada pelo filósofo Merleau-Ponty (1960). Este último distingue três passos: (1) narrar o mundo como parte de sua experiência consciente; (2) entendê-la por si mesma; e (3) descrevê-la para entender determinadas situações.

A entrevista é, em primeiro lugar, a consciência de outros tais como são apresentados na consciência do entrevistador e, em segundo lugar, pelo rigor da maneira com que a consciência do outro se transforma. Nesse ponto, o artigo de William Gomes transmite a fenomenologia de outros seres humanos adultos.

 

Discustindo a questão da consciência

Enquanto planejávamos o presente número temático, pensamos que o ideal seria fazer com que os manuscritos dos autores fossem lidos e comentados pelos outros autores, em uma ou mais rodadas. As observações e replicas possíveis poderiam ser inseridas no final dos trabalhos, um pouco como é regra em revistas de discussão como The Behavioral and Brain Sciences. Poderiam, assim, ser explorados os pontos de convergência e debatidas as discordâncias ou diferenças. Surgiriam oportunidades para a colocação de novas idéias mediadoras e de novos esquemas conceituais. Um debate com este espírito foi realizado, de fato, durante uma reunião sobre" Consciência" organizada em 1996 no Instituto de Estudos Avançados da USP de que participaram vários dos autores do presente número. Questões práticas impediram contudo que fosse levada adiante a idéia de fazer circular os manuscritos e de inserir na revista os comentários sobre cada um deles. Mas é nossa esperança que os artigos publicados desempenhem exatamente este papel, junto aos leitores: o de gerar discussão e posicionamentos e de criar condições para que seja re-examinada, do ponto de vista de suas bases científicas e do ponto de vista de seu valor filosófico, a questão fascinante da consciência.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AYALA, F.J.; DOBZHANSKY, T., eds. Estudios sobre la filosofia de la biologia. Barcelona, Ariel, 1983.         [ Links ]

DE WAAL, F. Are we in anthropodenial? Discover, v.18, p.50-3, 1997.         [ Links ]

FLANAGAN, O. Consciousness reconsidered. Cambridge, MA, MIT Press, 1992.         [ Links ]

MERLEAU-PONTY, M. (1960). Fenomenologia da linguagem. In: Textos escolhidos: Maurice Merleau-Ponty. Trad. Marilena Chauí. São Paulo, Abril Cultural, 1984.         [ Links ]

NAGEL, T. What it is like to be a bat? The Philosophical Review, v.83, p.435-50, 1974.         [ Links ]

SCHLEIDT, M.; EIBESFELDT, I.; PÖPPEL, E. A universal constant in temporal segmentation of human shor-term behavior. Naturwissenchaften, v.74, p.289-90, 1987.         [ Links ]

VAN KANN, A. Phenomenological analysis: exemplified by a study of the experience of really feeling understood. Journal of Individual Psychology, v.15, p.66-72, 1959.         [ Links ]

 

 

 

1 Grifamos a palavra "reduzir".

2 Rules of thumb, ou seja, modos simplificados, pouco exigentes do ponto de vista cognitivo, de serem realizadas tarefas complexas. 

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