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Psicologia USP

Print version ISSN 0103-6564On-line version ISSN 1678-5177

Psicol. USP vol. 9 n. 1 São Paulo  1998

https://doi.org/10.1590/S0103-65641998000100017 

CAROLINA BORI E A CRIAÇÃO DO CURSO DE PSICOLOGIA DA UFBA

 

Mercêdes Cunha C. de Carvalho e Eduardo Saback D. de Moraes
Departamento de Psicologia da Universidade Federal da Bahia

 

 

O curso de Psicologia da Universidade Federal da Bahia, criado em 1968 pelo professor João Ignácio de Mendonça com a colaboração dos professores Manoel C. C. de Mendonça e Mercêdes Cunha, colaboração esta logo ampliada com a formação de uma equipe composta pelos professores Romélio Aquino, Caio F. Silva de Carvalho e Eduardo Saback D. de Moraes, contou desde cedo com a inestimável e relevante participação da Professora Carolina Martuscelli Bori.

Implantado o currículo mínimo, era necessário para sua execução que fosse ministrada a matéria Psicologia Geral e Experimental, composta por várias disciplinas. Inicialmente foram oferecidos aos alunos os conteúdos de Psicologia Geral, envolvendo tópicos da história da Psicologia, conceitos, métodos, procedimentos e técnicas. Deveriam suceder a estes conteúdos aqueles referentes aos princípios básicos de aprendizagem descritos pela Análise Experimental do Comportamento, devidamente testados em laboratório (conforme exigência do Conselho Federal de Educação para reconhecimento dos cursos de Psicologia). Para tanto seria imprescindível a instalação do Laboratório de Psicologia Experimental nos moldes do que já havia na Universidade de São Paulo.

A partir de então a Professora Carolina Bori entra nesse contexto histórico. Informado pelo Dr. João Ignácio de Mendonça de que a Professora Carolina era a mais indicada para orientar a criação do laboratório pelas suas experiências anteriores de implantação de laboratórios tanto em São Paulo como em Brasília, o professor Joaquim Batista Neves, então diretor da Faculdade de Filosofia da UFBA fez contato inicial com a Professora Carolina. Num encontro informal estabelecido em uma viagem a Brasília em novembro de 1968, o professor Batista Neves falou à Professora Carolina da demanda do Departamento de Psicologia, e nela encontrou total e irrestrita disponibilidade em possibilitar a solução do problema. Anuiu então em alterar seu itinerário de retorno a São Paulo com uma breve parada em Salvador, onde por dois dias trabalhou com o grupo sensibilizando alunos e professores, informando, instruindo o que fazer, bem como convencendo o próprio Reitor da necessidade de dispor recursos financeiros e humanos para a concretização desse propósito. Daí em diante, uma permanente colaboração se estabeleceu entre o B-10 (prédio onde funcionava o Departamento de Psicologia Social e Experimental da USP) e a Universidade Federal da Bahia. Inicialmente a Profa. Carolina providenciou a vinda do professor Mário Guidi, em 1971, para instalar o laboratório de Psicologia Experimental, nas instalações da antiga Faculdade de Medicina no Terreiro de Jesus. Em seguida, manteve contatos com o Departamento de Psicologia da USP de Ribeirão Preto para a vinda dos primeiros docentes para aquela disciplina para a Bahia. Eram alunos recém formados e altamente recomendados por professores do Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do campus de Ribeirão Preto da USP. Em 1971 vieram Marilena Ristum e Márcia Bonagamba; em 1972, Vera R. L. Otero e Marlene A. Gonzalez. 

Finalmente, em 1973, após dois anos de contratos provisórios, pois as professoras que vieram inicialmente não se disponibilizaram para uma maior permanência por força de seus projetos de pós-graduação, foi mais uma vez a Professora Carolina Bori quem sabiamente fez o convite, este sim definitivo, à professora Anamélia Araújo de Carvalho, que finalizara seu mestrado na USP com tese em pesquisa básica, mas não encontrara na Paraíba, de onde viera, condições satisfatórias para seu aproveitamento na área para a qual acabara de qualificar-se, por não ter sido ainda criado o curso de Psicologia naquela instituição.

Alguns anos mais tarde, a pedido da professora Dra. Gizelda Santana Moraes, que se encontrava na chefia do Departamento de Psicologia da UFBA, e coordenava um Curso de Especialização em Psicologia da Aprendizagem, aceitou a Professora Carolina colaborar com o planejamento do curso em 1975, e em 1976 veio dar aulas de Metodologia de Pesquisa para o mesmo, acompanhada por outros professores da USP, Dra. Maria Amelia Matos e Dr. Álvaro Pacheco Duran, que por sua insistência aceitaram lecionar disciplinas e orientar monografias. Esta colaboração tão efetiva permaneceu sempre, recebendo professores e alunos da Bahia na pós-graduação da USP com o o zelo e empenho de quem se sentia responsável pelo "filho" que adotara. 

Assim, ao longo dos anos, o quadro do Departamento de Psicologia da UFBA foi enriquecido com vários mestres e doutores formados no Departamento de Psicologia Experimental da USP, ou sob a influência de docentes desse departamento. Vários ex-alunos da UFBA, que realizaram seus estudos de pós-graduação naquele departamento, encontram-se hoje trabalhando, em clínicas particulares, em agências estatais, e até mesmo em outras universidades, quer do Estado da Bahia, quer de outros estados do Nordeste. 

Fada madrinha eleita pelos alunos, em 1970 a Professora Carolina Martuscelli Bori abriu com uma brilhante conferência a II Semana Bahiana de Psicologia, bem como foi escolhida paraninfa da 1a. turma de Psicologia da UFBA em 1973. Mãe adotiva, madrinha são títulos ainda insuficientes para exprimir o que deve o curso de Psicologia da Bahia à Professora Carolina Bori, cuja participação ativa no início do curso possibilitou o cumprimento dos requisitos necessários para seu reconhecimento.

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