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Psicologia USP

Print version ISSN 0103-6564On-line version ISSN 1678-5177

Psicol. USP vol.13 no.2 São Paulo  2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-65642002000200012 

ESTRATÉGIAS DE COPING DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM EVENTOS ESTRESSANTES COM PARES E COM ADULTOS1

 

Débora Dalbosco Dell'Aglio2
Universidade Federal do Rio Grande do Sul e
Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Cláudio Simon Hutz

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

 

Foram investigadas estratégias de coping em 215 crianças e adolescentes de ambos os sexos, de 7 a 15 anos, que freqüentavam escolas públicas de periferia. Metade dos participantes (n=105, M=10,6 anos) estavam abrigados num órgão governamental de proteção e os demais (n=110, M=9,9 anos) freqüentavam as mesmas escolas e moravam com a família. Através de entrevistas os participantes relataram eventos estressantes recentes e a forma como lidaram com a situação. Os eventos foram classificados considerando se envolviam pares (ou seja, pessoas de mesma idade) ou adultos e foram identificados sete tipos de estratégias de coping: ação agressiva, evitação, busca de apoio, ação direta, inação, aceitação e expressão emocional. Análises demonstraram que crianças de 7 a 10 anos utilizaram mais as estratégias de inação e busca de apoio, enquanto que o grupo de 11 a 15 anos utilizou mais a estratégia de ação direta. Nos eventos com adultos, foram mais freqüentes as estratégias de evitação, aceitação e expressão emocional, enquanto que com pares a ação agressiva e busca de apoio foram mais utilizadas. Estes resultados sugerem que a idade e as pessoas envolvidas na situação estressante são fatores determinantes na escolha da estratégia a ser utilizada, entendendo-se coping como um processo situacional.

Descritores: Estratégias de coping. Eventos estressantes. Institucionalização.

 

 

Este estudo investigou o processo de coping3 em crianças e adolescentes institucionalizados e crianças e adolescentes que moravam com a família, através de eventos estressantes envolvendo pares (ou seja, pessoas de mesma idade) e adultos. Pesquisadores têm investigado as conseqüências psicológicas dos eventos de vida e a forma como são vivenciados os eventos estressantes, observando principalmente as estratégias de coping utilizadas para lidar com a situação. Os estudos de coping com crianças têm investigado eventos de vida considerados estressantes, tais como situações envolvendo o divórcio dos pais, situações de hospitalização da criança, consultas médicas e odontológicas e situações relacionadas a resultados escolares (Carson & Bittner, 1994; Compas, Malcarne, & Fondacaro, 1988; Kliewer & Sandler, 1993; Rudolph, Denning, & Weisz, 1995).

A maioria dos trabalhos sobre processos de coping na criança tem usado a teoria de estresse de Lazarus e Folkman (1984) que define coping como um conjunto de esforços, cognitivos e comportamentais, utilizado pelos indivíduos com o objetivo de lidar com demandas específicas, internas ou externas, que surgem em situações de estresse e são avaliadas como sobrecarregando ou excedendo seus recursos pessoais. No entanto, Compas (1987) aponta a necessidade de alterações para aplicar as noções de estresse e coping às ações de crianças, já que precisam ser consideradas a dependência da criança em relação ao adulto e as características básicas do seu desenvolvimento cognitivo e social.

A necessidade de uma teoria de stress-coping específica para a criança também é defendida por Ryan-Wenger (1992) e Peterson (1989). Ryan-Wenger considera os estressores da criança diferentes dos estressores dos adultos. Os estressores da criança se referem a situações com os pais, outros membros da família, professores ou condições sócio-econômicas que estão fora de seu controle direto, e, geralmente, são mais difíceis de serem modificados pela própria criança do que pelos adultos. Peterson considera que o nível de desenvolvimento cognitivo também influencia a utilização de determinadas estratégias na medida em que a criança necessita realizar uma avaliação do estressor.

Em geral, os estudos sobre coping na infância apresentam diferentes estratégias para descrever os pensamentos e comportamentos utilizados frente a situações estressantes. Ryan-Wenger (1992) apresenta uma taxonomia, através de uma síntese de trabalhos empíricos sobre estratégias de coping na criança, chegando a similaridades nos resultados destes estudos. Foram identificadas inicialmente 145 estratégias, que foram agrupadas de acordo com algumas características comuns, chegando às seguintes categorias: atividades agressivas, comportamento de evitação, comportamento de distração, evitação cognitiva, distração cognitiva, solução cognitiva de problemas, reestruturação cognitiva, expressão emocional, resistência, busca de informação, atividades de isolamento, atividades de autocontrole, busca de suporte social, busca de suporte espiritual, e modificação do estressor.

Para Boekaerts (1996), estudos demonstraram que as crianças e adolescentes utilizam uma grande diversidade de respostas de coping, utilizam diferentes respostas para diferentes domínios (escolar, familiar, social) e as respostas de coping podem ser agrupadas em estratégias amplas de coping que apresentam uma relativa estabilidade temporal. Boekaerts (1996) refere que as estratégias mais freqüentes entre crianças e adolescentes são as várias formas de coping ativo (como controle do perigo e busca de apoio social) e várias formas de coping interno (como planejamento de solução do problema e distração passiva e ativa), e as estratégias menos freqüentes envolvem auto-destruição, agressão, coping de confronto, afastamento, relaxamento e controle da ansiedade.

Além de diferentes modelos e estratégias propostas, há também uma controvérsia quanto a considerar coping como um processo disposicional ou situacional (Antoniazzi, Dell'Aglio, & Bandeira, 1998). Coping, segundo a perspectiva situacional, é visto como um processo cognitivo que se modifica em função do tempo e da situação de estresse na qual o indivíduo encontra-se envolvido. As reações ou o tipo de estratégias de coping utilizadas dependem de demandas objetivas, de avaliações subjetivas e da interação entre a pessoa e o ambiente (Beresford, 1994). Na perspectiva disposicional, coping está mais relacionado a características de personalidade do indivíduo, sendo que as diferenças individuais podem influenciar as respostas de coping a partir da existência de certa estabilidade em suas manifestações (O'Brien & DeLongis, 1996; Watson & Hubbard, 1996). Para Carver e Scheier (1994), o indivíduo desenvolve formas habituais de lidar com o estresse e estes hábitos ou estilos de coping podem influenciar suas reações em novas situações, sendo que um estilo disposicional de coping pode influenciar o coping situacional em uma fase particular da situação e em outras não. Rossman (1992) considera que estas tendências mais gerais no repertório de coping das crianças podem ser modificadas por circunstâncias específicas da situação estressante, mas também podem refletir predisposições ligadas ao temperamento, ou a experiências mais globais, tal como a história de apego da criança.

Em pesquisas sobre coping em crianças têm sido descritas potenciais diferenças relacionadas a gênero e idade no uso das estratégias de coping. Tem sido verificado que o gênero pode influenciar a escolha das estratégias de coping porque meninos e meninas são socializados de forma diferente. As meninas podem ser socializadas para o uso de estratégias pró-sociais enquanto que os meninos podem ser socializados para serem independentes e utilizar estratégias de coping competitivas (Lopez & Little, 1996). Quanto à idade, as pesquisas sugerem que as habilidades necessárias para usar coping emergem em diferentes pontos do desenvolvimento, de acordo com o desenvolvimento cognitivo da criança e a capacidade de auto-regular suas emoções (Compas, Banez, Malcarne, & Worsham, 1991; Heckhausen & Schulz,1995).

A literatura tem apontado a importância da família no ajustamento de crianças e adolescentes a eventos de vida estressantes importantes, tais como divórcio dos pais ou uma doença crônica (Forehand et al., 1991; Hardy, Power, & Jaedicke, 1993; Lohman & Jarvis, 1999). O contexto familiar tem sido identificado como a rede de apoio mais próxima, durante a infância, e um importante fator protetivo, pois a presença de características na família como afeto, intimidade e comunicação, pode ajudar as crianças a manterem um senso de estabilidade e rotina frente a mudanças e situações estressantes (Herman-Stahl & Petersen, 1996; Lohman & Jarvis, 1999), mesmo que o relacionamento positivo seja com apenas um dos pais (Ptacek, 1996).

A questão da institucionalização foi investigada considerando-se que as redes sociais são recursos sócio-ecológicos que funcionam como moderadores no processo de coping e se referem a disponibilidade de apoio ao indivíduo, no seu meio social, incluindo sua família, escola, instituições com as quais tem contato, entre outros (Beresford, 1994). Dessa forma, procurou-se investigar se a situação de moradia dos participantes do estudo, seja com a família ou numa instituição, poderia de alguma forma se constituir numa variável capaz de influenciar na utilização de diferentes estratégias de coping pelas crianças e adolescentes investigados. Os principais objetivos deste estudo foram, portanto, investigar se crianças e adolescentes institucionalizados e não institucionalizados utilizam estratégias de coping diferentes e, observar as relações entre os tipos de eventos estressantes relatados e estratégias de coping utilizadas. Embora a literatura cite diferenças entre os diferentes domínios (familiar, social, escolar) na utilização das estratégias de coping, pouca atenção tem sido dada aos participantes envolvidos na situação estressante e ao tipo de interação ocorrida entre eles. Desta forma, procuramos neste estudo, investigar o efeito da idade e status dos participantes envolvidos nos eventos estressores, sobre as estratégias de coping utilizadas, para assim podermos compreender melhor o processo de coping na infância e adolescência.

Deste estudo, participaram 215 crianças e adolescentes, de ambos os sexos (103 meninos e 112 meninas), com idade entre sete e 15 anos (M=10,3 anos; d.p.=1,9), que freqüentavam escolas públicas, municipais e estaduais, da periferia das cidades de Porto Alegre e Viamão. O nível sócio-econômico das famílias cujos filhos freqüentam estas escolas tende a ser baixo. Procurou-se compor dois grupos emparelhados, sendo um de crianças e adolescentes institucionalizados e outro de participantes que moravam com a família.

Os participantes institucionalizados (n=105; M=10,6 anos; d.p=1,8) estavam abrigados num órgão de proteção especial governamental, por motivos de abandono, maus-tratos, negligência, perda dos pais ou decisões judiciais. O tempo de institucionalização dos participantes da amostra variou de três meses a dez anos (M=3,6; d.p.=2,5).

O grupo de participantes não institucionalizados (n=110; M=9,9 anos; d.p.=1,9) foi formado por crianças e adolescentes que estudavam nas mesmas escolas e turmas das crianças institucionalizadas, e que residiam com pelo menos algum membro da sua família de origem, sendo que 52,7% dos participantes referiam estar morando com ambos os pais, 29,1% com apenas um dos pais, 13,7% com um dos pais e companheiro(a) e 4,5% com avós, irmãos ou tios.

As crianças e adolescentes que participaram da pesquisa freqüentavam da primeira à sexta série do Ensino Fundamental, predominando alunos da segunda série em ambos os grupos. Os dados foram coletados em 14 escolas, sendo 11 da cidade de Porto Alegre e três da cidade de Viamão. A composição da amostra partiu de uma listagem, fornecida pela FEBEM, com o nome de 149 crianças e adolescentes de todos os Abrigos Residenciais e Institucionais, indicando a escola que freqüentavam. Foi então obtida uma lista de crianças e adolescentes que freqüentavam as mesmas turmas do grupo institucionalizado, tivessem o mesmo sexo, morassem com algum membro de sua família original e tivessem a data de nascimento mais próxima possível da criança correspondente.

Foi utilizada uma entrevista semi-estruturada para complementar dados de identificação e coletar um evento estressante recente, procurando investigar como a criança ou o adolescente lidava com a situação, a fim de identificar a estratégia de coping utilizada.

As entrevistas foram realizadas em salas adequadas, nas próprias escolas. Inicialmente, era apresentado à criança o objetivo do trabalho, convidando-a a participar e solicitando permissão para gravação da entrevista. Nenhuma criança negou-se a participar, embora algumas apresentassem certo retraimento e dificuldade para relatar fatos. Duas crianças que não relataram nenhum evento foram excluídas da amostra.

Foi realizada uma análise do conteúdo das respostas apresentadas nas entrevistas (Bardin, 1977), que permitiu identificar categorias para classificação dos eventos (por tipo de interação entre os participantes nos eventos estressantes) e estratégias de coping (a partir da descrição do que fizeram quando ocorreu o evento estressante). As entrevistas foram também avaliadas por um juiz para se obter índices de concordância. Os índices de concordância encontrados foram de 86% nas estratégias de coping e 94,7% no tipo de participantes do evento.

Esta pesquisa foi classificada como de risco mínimo para as crianças e adolescentes, tendo sido obtido consentimento informado da FEBEM para o grupo institucionalizado, tendo em vista que a instituição mantém formalmente a guarda das crianças e adolescentes abrigados. Nas escolas envolvidas, foram realizadas reuniões com supervisoras escolares, orientadoras, vice-diretoras ou diretoras, para a apresentação do projeto, obtendo-se assim, o consentimento para a realização do trabalho, juntamente ao consentimento dos envolvidos e seus responsáveis.

As amostras investigadas, de crianças e adolescentes institucionalizados e não institucionalizados, foram selecionadas de forma a compor dois grupos emparelhados. No entanto, na análise dos dados de identificação foram encontradas algumas diferenças nas médias encontradas na idade, no número de irmãos referidos na entrevista e no número de anos de atraso escolar, que foi computado tendo em vista o grande número de crianças e adolescentes repetentes que fizeram parte da amostra. O número de anos de atraso escolar foi calculado através da diferença entre a idade real de cada indivíduo e a idade escolar esperada para cada série, considerando-se a idade de sete anos para início da primeira série.

O número de irmãos referidos nos dois grupos variou de zero a 13 (M=3,7 irmãos; d.p=2,3), sendo que oito crianças não souberam informar o número de irmãos. Um teste t, com correção para variâncias não homogêneas, mostrou que o número de irmãos referidos no grupo de crianças institucionalizadas (M=4,5; d.p.=2,4), foi significativamente maior do que no grupo não institucionalizado (M=3,0; d.p.=1,8) (t= 4,72, gl=182, p<0,01).

Quanto aos anos de atraso escolar, encontrou-se uma média de atraso de 1,5 anos (d.p.=1,6) no grupo institucionalizado e de 0,85 anos (d.p.=1,4) no grupo que morava com a família, apresentando diferença significativa (t=3,13; gl=213; p<0,02). Também foi encontrada diferença significativa de idade (t=2,74; gl=213; p<0,01) entre a média do grupo institucionalizado (10,6 anos) e a média do grupo não institucionalizado (9,9 anos).

Considerando-se as estratégias de coping descritas na literatura (Boekaerts, 1996; Carver, Scheier, & Weintraub, 1989; Kliewer, 1991; Ryan-Wenger, 1992) e através da análise de conteúdo (Bardin, 1977) das respostas dadas pelas crianças e adolescentes nas entrevistas, descrevendo o que fizeram quando ocorreu o evento estressante recente investigado, foram identificadas sete categorias de estratégias de coping. Onze crianças, do total de 215, apresentaram respostas que não puderam ser classificadas como estratégias de coping.

 

Categorias de Estratégias de Coping

Atividade Agressiva: Atividades físicas ou motoras que podem causar danos a uma pessoa, um animal ou objeto. Pode ser uma agressão física ou verbal, manifestação de raiva, ataque, destruição, grito. Ex: "quebrar ela a pau", "peguei e bati nele", "fui pra cima e dei nele".

Evitação/Distração: Comportamento ou pensamento que leva o indivíduo a se afastar da situação de estresse, adiando a necessidade de lidar com o estressor. É uma tentativa deliberada de manter-se longe do estressor ou de cognitivamente evitar saber de sua existência. A criança pode fugir da situação, ir para outro lugar, tentar escapar, não pensar sobre o problema, desenvolver outra atividade. Ex: "fui pra casa da minha tia e só voltei de noite","eu evito ficando lá no meu bloco","eu fui jogar bola com meus amigos".

Busca de Apoio Social: Comportamento não agressivo que envolve a busca de uma pessoa. Pode ser uma busca de apoio por razões emocionais (para pedir conforto, desabafar, falar sobre) ou uma busca de apoio por razões instrumentais (busca de alguém que resolva o problema para ele, que possa protegê-lo do estressor). Ex: procurar ou chamar alguém, buscar contato físico, falar com alguém.

Ação Direta: Comportamento que elimina o estressor ou modifica as características do estressor. Lida diretamente com o estressor. Quando a criança propõe algo para alterar a situação, tenta resolver o conflito enfrentando-o, conversando, buscando informações sobre o problema, pedindo desculpas, tentando solucionar a situação de alguma forma. Ex: "fui lá falar com ele","eu pedi desculpas para ela","fui pedir autorização","eu disse a verdade".

Inação: Comportamento de ficar parado, bloquear-se, não tomar iniciativa nenhuma. Ex: "não fiz nada", "fiquei na minha", "fiquei quieto".

Aceitação: Quando a criança aceita a situação, submete-se, faz o que querem que faça. Geralmente ocorre numa situação em que há conflito com uma figura de autoridade. Ex: "eu faço o que eles mandam","tive que compreender","eu tive que ir","tive que obedecer","fiquei no castigo até ela me tirar".

Expressão Emocional: Manifestação do estado emocional ligado ao evento. Por exemplo: chorar, gritar (mas não com alguém). Ex: "eu fiquei chorando","fiquei com muita raiva".

A Tabela 1 apresenta os resultados das estratégias de coping por situação de moradia, sexo e faixa etária.

 

 

Quanto à situação de moradia, as freqüências encontradas em todas as estratégias de coping foram muito semelhantes nos dois grupos, não tendo sido encontradas diferenças significativas entre o grupo institucionalizado e o grupo não institucionalizado (c2=0,28; gl=6; p<0,9). As estratégias de Busca de Apoio Social e de Ação Agressiva foram as mais freqüentes nos dois grupos.

Não foi encontrada diferença significativa entre os sexos (c2=6,89; gl=6; p<0,33). Testes para diferenças entre as proporções (Hays, 1973), para cada categoria de estratégia de coping, também não revelaram diferença significativa entre meninos e meninas.

Para melhor compreensão da utilização das estratégias de coping frente aos eventos estressantes foi realizada uma análise considerando a idade, constituindo-se duas faixas etárias: uma de crianças até dez anos e outra de adolescentes entre 11 e 15 anos. Foi encontrada diferença significativa nas categorias de coping entre as faixas etárias (c2=15,81; gl=6; p<0,01) e o teste para diferenças entre proporções mostrou diferenças significativas, entre as faixas etárias, nas categorias de Busca de Apoio Social (p<0,04) e Inação (p<0,03), que ocorrem mais entre as crianças de sete a dez anos, e de Ação Direta (p<0,05) que ocorre mais entre os adolescentes de 11 a 15 anos.

Os eventos estressantes relatados foram classificados de acordo com o status e idade dos participantes envolvidos no mesmo, tendo as seguintes categorias emergido da análise:

Com Pares: quando o evento ocorre na relação com pares: colegas, irmãos, primos, vizinhos, ou amigos, com os quais não exista uma relação de autoridade.

Com Adultos: quando o evento ocorre na relação com pessoas adultas, sejam professores, pais, monitores, tios, que de alguma forma exercem uma relação de autoridade em relação à criança ou ao adolescente.

Outro: quando o evento ocorre em situações não claras, em que não pode se determinar se foi na relação com adultos ou com pares, se foi com ambos ou se ocorreu quando a criança estava sozinha.

A partir dessa classificação pode-se realizar análises considerando apenas os eventos envolvendo pares ou adultos, observando-se as freqüências por situação de moradia, por sexo, por faixa etária e por estratégias de coping. Testes para diferenças entre proporções não revelaram diferenças significativas entre os grupos observados, embora tenha ocorrido uma freqüência maior de eventos estressantes com pares do que com adultos em todos os grupos. A Tabela 2 apresenta os resultados das estratégias de coping por tipo de participantes envolvidos no evento (com pares e com adultos).

 

 

Verificou-se diferença nas estratégias de coping entre os eventos com pares e eventos com adultos (c2=60,66; gl=6; p<0,01). O teste para diferenças entre proporções mostrou diferença significativa nas estratégias de Ação agressiva (p<0,01) e Apoio Social (p<0,01) que ocorrem mais nos eventos que envolvem pares, e nas estratégias de Aceitação (p<0,01), Expressão Emocional (p<0,01) e Evitação (p<0,02) que ocorrem mais nos eventos com adultos.

Foi ainda realizada uma análise das estratégias de coping em eventos com pares e com adultos por sexo. Embora não tenham sido encontradas diferenças significativas entre sexos, observou-se que nos eventos com pares a estratégia mais freqüente entre os meninos foi a Ação Agressiva (35,6%) e entre as meninas a Busca de Apoio Social (30,1%). Nos eventos com adultos, a estratégia preferencial nos dois sexos foi a de Aceitação (37% entre os meninos e 30,3% entre as meninas).

Procurou-se compor, para este estudo, duas amostras emparelhadas, constituídas por um grupo de crianças e adolescentes que estivessem em situação de institucionalização e outro grupo de crianças e adolescentes que estivessem morando com suas famílias. Embora tenha havido um emparelhamento quanto à série escolar freqüentada pelos participantes do estudo, os dois grupos apresentaram diferenças nas demais variáveis. O grupo institucionalizado apresentou média maior de idade, de número de irmãos e de anos de atraso escolar. Estes dados refletem características da população que, em geral, é encontrada em instituições governamentais de abrigo a crianças e adolescentes. Famílias numerosas, com grande número de filhos, muitas vezes originados de diferentes uniões conjugais, são freqüentes em populações de baixo nível sócio-econômico. Além disso, a questão do atraso escolar, também pode ser explicada pelas necessidades de mudança de escola, em função da própria institucionalização, e por períodos em que muitas destas crianças permaneceram em situação de rua, deixando de freqüentar a escola, antes de estarem institucionalizadas.

As categorias de estratégias de coping, identificadas neste estudo, foram também citadas em outros estudos com crianças e adolescentes (Boekaerts, 1996; Dell'Aglio & Hutz, 2002; Ryan-Wenger, 1992), embora com algumas diferenças. As categorias de aceitação e expressão emocional mostraram-se freqüentes nas respostas apresentadas pelas crianças, embora em estudos anteriores no Brasil não tenham sido identificadas (Dell'Aglio & Hutz, 2002). A estratégia de aceitação (Carver, Scheier, & Weintraub, 1989), mostrou-se freqüente principalmente nas situações estressantes envolvendo adultos. Isto pode estar estar ligado ao tipo de população investigada, já que as crianças e adolescentes que fizeram parte deste estudo freqüentavam escolas públicas que se caracterizam por situarem-se em regiões de periferia e de maior pobreza, e as famílias são maiores, de acordo com o número médio de irmãos levantado. Sabe-se, através da literatura, que as práticas educacionais de populações que apresentam baixas condições sócio-econômicas caracterizam-se por um predomínio do autoritarismo e pela exigência de obediência (Fernandez, 1992; Menin, 1996; Pinderhughes, Dodge, Bates, Pettit, & Zelli, 2000). Este aspecto pode explicar a maior utilização da estratégia de aceitação, já que muitas vezes, diante de adultos, a criança ou o adolescente não encontra outra alternativa que não seja aceitar a situação e submeter-se a ela.

As categorias de distração e evitação foram agrupadas, pois foram poucas as respostas de distração observadas, e, além disso, geralmente vinham acompanhadas de uma resposta de evitação, como por exemplo, "saí de lá, fui pro meu quarto brincar". No estudo de Dell'Aglio e Hutz (2002), pode-se observar que as respostas de "distração" só se mostraram freqüentes quando havia uma pergunta específica sobre o que a criança havia feito para se sentir melhor, lidando portanto com a emoção desencadeada pelo evento estressante. Neste estudo, que enfocou diretamente a ação efetiva diante da situação estressante, respostas de distração foram pouco apresentadas, pois não se aplicavam diretamente ao evento estressor.

A estratégia de ação agressiva foi a mais freqüente entre os adolescentes e a segunda mais freqüente entre as crianças. Este dado poderia ser visto como uma possível desadaptação, já que alguns autores (Asarnow, Carlson, & Guthrie, 1987; Compas et al., 1988; Hardy, Power, & Jaedicke, 1993) apontam esta estratégia como desadaptativa, afirmando que crianças que utilizam estratégias agressivas alcançam somente uma resolução a curto prazo do problema e são freqüentemente rejeitadas por companheiros. No entanto, considerando a realidade social em que estas crianças e adolescentes vivem, pode-se supor que exista uma dificuldade para resolver os problemas de uma forma mais adequada ou que, muitas vezes, a agressividade é a única forma possível de enfrentamento. Pode-se considerar, também, que o uso da agressividade é um modelo observado por eles para resolução de conflitos. Isto foi verificado em estudo anterior, no qual Dell'Aglio (2000) observou uma grande freqüência de relatos do uso de violência física na educação destas crianças e adolescentes. Meneghel, Giugliani, e Falceto (1998) verificaram uma relação significativa entre punição física grave e agressividade na adolescência, demonstrando ainda que a punição física das crianças é aceita como prática disciplinar de jovens e adolescentes, sendo mais disseminada entre as famílias de baixa renda. Wandersman e Nation (1998), salientam que, em situação de pobreza, a utilização de estilos parentais que tendem a modelar práticas agressivas de resolução de conflitos nos filhos dificulta a aprendizagem de habilidades sociais necessárias para que as crianças tenham um futuro bem-sucedido. Comportamentos agressivos e condutas violentas durante a adolescência também são vistas como estratégias de sobrevivência das classes populares e formas de defesa, adaptação ao grupo ou ascensão social (Meneghel et al., 1998). Alguns estudos demonstraram que, na escola elementar, meninos percebidos como agressivos eram mais populares enquanto que meninos percebidos como "bons", com sucesso acadêmico e sensíveis às necessidades de outros, eram freqüentemente rotulados como efeminados, com perda de popularidade (Rodkin, Farmer, Pearl, & Acker, 2000).

Não foram encontradas diferenças entre o grupo institucionalizado e o grupo que mora com a família quanto às estratégias utilizadas frente aos eventos estressantes. As estratégias mais freqüentes, nos dois grupos, foram busca de apoio social e ação agressiva. Portanto, pode-se concluir que os dois grupos investigados lidam de forma semelhante com as situações estressantes em suas vidas. Este aspecto pode ser explicado pela constatação de que nem sempre as famílias se constituem numa fonte de apoio social às crianças e que, muitas vezes, as instituições de atendimento a crianças e adolescentes têm até mais condições financeiras e estrutura de organização para oferecer o atendimento às necessidades básicas e uma rotina de atividades que as levem a melhor organização e segurança pessoal. Pode-se considerar que a instituição, na medida em que funciona como uma rede de apoio e estruturação para a criança, pode ser vista também como um fator de proteção no seu desenvolvimento. Para que a família possa representar uma rede de apoio para a criança é necessário que características tais como presença de relações afetivas, coesão, segurança, ausência de discórdias, organização e estrutura se façam presentes (Bronfenbrenner, 1979/1996; Garmezy, 1983; Garmezy, Masten, & Tellegen, 1984; Hardy et al., 1993; Herman-Stahl & Petersen, 1996; Lohman & Jarvis, 2000; Ptacek, 1996; Steinberg, 1999). Entretanto, os eventos relatados pelas crianças que vivem com suas famílias revelam, com freqüência, a presença de conflitos familiares, dificuldades sócio-econômicas, uso de violência e castigos na educação dos filhos (Dell'Aglio, 2000). Conclui-se, portanto, que as características das diferentes redes de apoio não parecem influir nas estratégias de coping utilizadas pelas crianças e adolescentes investigados.

A semelhança entre os dois grupos, quanto à forma de lidar com situações estressantes, pode ser decorrente do fato de que ambos os grupos provêm da mesma classe sócio-econômica e, portanto, são submetidos às mesmas práticas educativas, aprendendo formas semelhantes de resolução de conflitos. Este aspecto é explicado por Bronfenbrenner (1979/1996), que considera que os indivíduos de um mesmo macrossistema compartilham valores culturais, ideologias e crenças que são vivenciadas e assimiladas no processo de desenvolvimento. Além disso, a semelhança entre os grupos também pode ser decorrente de características da instituição investigada que, ao contrário do que geralmente a literatura aponta em relação a instituições infantis, se apresenta como um sistema aberto, no qual as crianças e adolescentes têm certa liberdade de ir e vir, freqüentar escolas, visitar amigos e a própria família, quando isto é possível. A instituição, possibilitando inter-relações entre dois ou mais ambientes, permite à criança ou ao adolescente abrigado um movimento através do espaço ecológico que, conforme Bronfenbrenner (1979/1996), se constitui num produtor de mudança desenvolvimental, revertendo ou evitando efeitos retardantes que a institucionalização poderia provocar.

Na análise por faixa etária constatou-se que crianças de sete a 10 anos utilizaram mais a busca de apoio social e a inação do que os adolescentes. Os adolescentes (de 11 a 15 anos) utilizaram mais a ação direta do que as crianças embora, no total, a estratégia mais utilizada seja a ação agressiva entre os adolescentes. Estes dados possibilitam a identificação de uma evolução, na utilização das estratégias de coping, passando de estratégias em que a criança é mais passiva e dependente, para estratégias em que ela se mostra mais ativa e independente, procurando resolver o problema de alguma forma, seja através da negociação ou do confronto físico. Estes resultados confirmam dados da literatura que indicam que, com a idade, a criança passa a ser mais independente e busca menos o apoio de outros (Losoya, Eisenberg, & Fabes, 1998).

Na análise dos eventos, observou-se diferença quanto ao tipo de interação que ocorre entre os participantes da situação estressante (pares ou adultos). Nos eventos que envolvem conflitos com adultos, as estratégias de aceitação, evitação e expressão emocional foram mais utilizadas, enquanto que nos eventos com pares (irmãos e colegas) as estratégias de ação agressiva e busca de apoio social foram mais freqüentes. Estes resultados podem estar indicando a dificuldade destas crianças e adolescentes para interagir e conversar ou discutir com os adultos sobre os problemas enfrentados. Considerando a baixa freqüência de utilização da estratégia de ação direta com os adultos, pode-se levantar a hipótese de que na população investigada neste presente estudo há menos condições de negociação com os adultos, reforçando a idéia do predomínio de uma educação autoritária, na qual a obediência é valorizada. Fernandez (1992) discute a questão da violência simbólica nas escolas, referindo-se a uma pedagogia da obediência ou do castigo, na qual muitos professores valorizam positivamente situações que incluem submissão, obediência e repetição. Assim, muitas vezes é considerado "bom aluno" aquele que se enquadra neste modelo. Menin (1996) refere que normalmente as relações entre a professora e seus alunos são de coação, com a imposição de regras prontas, punição à desobediência e premiação à obediência. Nas famílias, esta também parece ser o tipo de relação que se estabelece entre pais e filhos, marcada por um conjunto de características entre as quais sobressai a submissão à autoridade. Na instituição, conforme Dell'Aglio (2000), há um sistema de controle que leva as crianças a serem "desavaliadas" ou "impedidas", demonstrando que nelas também se estabelece uma relação de coação. Desta forma, as estratégias utilizadas pelas crianças e adolescentes em eventos com adultos, neste estudo, podem estar demonstrando que há poucas condições de negociação com as figuras de autoridade, seja na escola, família ou instituição.

Também se pode levantar a hipótese de que os eventos estressantes que ocorrem com adultos, podem ser considerados incontroláveis pela criança já que parece não haver condições de negociação nestas situações. Há substancial evidência na literatura de que eventos incontroláveis geram freqüências maiores de estratégias de evitação (Compas et al., 1991; Gamble, 1994). As estratégias de evitação e distração que foram freqüentes nos conflitos com adultos neste estudo, e que geralmente são consideradas não adaptativas em adultos, podem, no entanto, funcionar como uma forma adequada destas crianças e adolescentes enfrentarem situações que, para elas, podem ser percebidas como incontroláveis. Kliewer (1991) afirma que evitação e estratégias focalizadas na emoção podem funcionar como adaptativas quando a criança não pode mudar a situação ou quando a situação evoca muita emoção, podendo a estratégia de evitação refletir uma tentativa de manter o controle sobre a situação. Kliewer e Sandler (1993) também encontraram relações entre a avaliação de competência social pelos professores e a utilização de estratégia de evitação, principalmente entre as meninas e entre crianças com mais sintomas depressivos.

Losoya et al. (1998) apontaram que coping de evitação e não fazer nada tornam-se mais comuns com a idade e podem ser consistentemente relacionados com comportamento social apropriado, enquanto que coping agressivo e expressão emocional diminuem com a idade e são negativamente relacionados com a função social positiva. Dessa forma, a estratégia de evitação pode se constituir numa forma construtiva de lidar com a situação de estresse, afastando-se do problema ou engajando-se em outra atividade, prevenindo assim que a situação de conflito se agrave.

Concluir-se que as estratégias de coping utilizadas, pelas crianças e adolescentes deste estudo, variaram em função da idade e status dos participantes do evento (pares ou adultos). Embora a literatura na área aponte para a influência dos domínios na determinação das estratégias utilizadas para lidar com situações estressantes (Boekaerts, 1996), nosso estudo aponta para uma influência significativa do tipo de interação ocorrida entre os participantes do evento, levando a maior utilização de estratégias de ação para lidar com pares e de estratégias de aceitação e evitação, para lidar com adultos. Além disso, as estratégias utilizadas pelas crianças e adolescentes parecem ter sido selecionadas como respostas a demandas situacionais, procurando uma adaptação ao ambiente social. Este resultado poderia ser interpretado como apoio à idéia de que coping é um processo mais situacional do que disposicional, indicando assim que não existem respostas adaptativas universais, adequadas para todos os indivíduos, em todas as situações e em todo o tempo.

 

 

Dell'Aglio, D., & Hutz, C. S. (2002). Strategies Used by Children and Adolescents to Cope with Conflicts Involving Peers and Adults. Psicologia USP, 13 (2), 203-225.

Abstract: The present study investigated coping strategies of 215 children and adolescents of both sexes, 7 to 15 years old, who attended public schools on the periphery of a southern Brazilian capital. About half the participants were living in state institutions for abandoned children (n=105, mean age=10.6). The remaining (n=110, mean age=9.9) attended the same schools but were living with their families. The participants were asked about recent stressing events and how they had dealt with the situation. The events were classified as involving either peers or adults. Content analyses led to the identification of seven categories of coping strategies: support seeking, aggressive actions, acceptance, avoidance, direct actions, doing nothing, and emotional expression. Analyses showed that younger children (seven to 10 years of age) used more strategies involving seeking support or doing nothing whereas older children used more direct action strategies. In situations involving adults, avoidance, acceptance, and emotional expression strategies were more frequent than in situations involving peers. In the latter, aggressive actions and support seeking strategies were used more often. These findings suggest that the age and the persons who are involved in a stressful situation may affect the use of strategies and that coping may be a situational process.

Index terms: Coping strategies. Stressing events. Institutionalization.

 

Dell'Aglio, D., & Hutz, C. S. (2002). Stratégie de Comportement des Enfants et des Adolescents (Coping) Dans les Conflits Impliquant des Pairs et des Adultes. Psicologia USP, 13 (2), 203-225.

Résumé : Dans cette étude on a enquêté sur les stratégies de coping de 215 enfants et adolescents des deux sexes âgés de 7 à 15 ans, élèves d'écoles publiques de la banlieue d'une capitale du sud du Brésil. Environ la moitié des participants vivaient dans une institution d'État pour enfants abandonnés (n = 105, âge moyen = 10,6). Les autres (n = 110, âge moyen = 9,9) fréquentaient les mêmes écoles mais vivaient en famille. Les participants ont été interrogés sur de récents événements stressants et comment ils avaient affronté la situation. Les événements ont été classés suivants qu'ils impliquaient des pairs (c'est-à-dire des personnes du même âge) ou des adultes. On a identifié 7 types de stratégie de coping : action agressive, évitement, recherche d'appui, action directe, inaction, acceptation et expression émotionnelle. Les analyses ont montré que les enfants de 7 à 10 ans ont davantage utilisé les stratégies d'inaction et de recherche d'appui alors que le groupe de 11 à 15 ans a utilisé davantage la stratégie d'action directe. Dans les événements impliquant des adultes, les stratégies d'évitement, d'acceptation et d'expression émotionnelle ont été les plus fréquentes, alors qu'avec leurs pairs, l'action agressive et la recherche d'appui ont été les plus utilisées. Ces résultats suggèrent que l'âge et les personnes impliquées dans une situation stressante soient des facteurs déterminants dans le choix de la stratégie à utiliser, le coping étant entendu comme un processus situationniste.

Mots-clés : Stratégie de coping. Situations stressantes. Institutionnalisation.

 

 

Referências

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Recebido em 25.10.2001
Modificado em 23.08.2002
Aceito em 18.09.2002

 

 

1Agradecemos às alunas do Curso de Psicologia da UFRGS, Rosane Zigunovas Zanini e Dinara Bertazo Paz da Silva, e de Priscila Pellin D'Avila da UNISINOS, assim como a bolsista de Aperfeiçoamento Fernanda Ortiz Costa, pela colaboração na coleta, transcrição e categorização dos dados.

2Correspondência sobre este trabalho deve ser enviada aos autores: Instituto de Psicologia, UFRGS, Ramiro Barcelos 2600, Porto Alegre, RS, 90035-003. Fone: (51)316-5076 Fax: (51)330-4797 E-mail: dalbosco@cpovo.net

3Optou-se por não traduzir o termo coping devido a inexistência, em português, de uma palavra capaz de expressar os significados associados ao termo original. Possíveis significados da palavra coping em português encontram-se relacionados à: "lidar com", "enfrentar" ou "adaptar-se a".

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