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Psicologia USP

versão impressa ISSN 0103-6564

Psicol. USP v.14 n.2 São Paulo  2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-65642003000200001 

EDITORIAL

 

 

Abrimos este número de Psicologia USP com um dossiê Wilhelm Reich. Os trabalhos que o compõem, embora tratem do pensamento deste autor a partir de perspectivas diversas, têm como eixo comum um exercício de reflexão no qual são tecidas suas aproximações e divergências em relação à matriz freudiana. A argumentação referente à articulação entre a psicoterapia corporal de inspiração reichiana e o primeiro dualismo pulsional, a proposta de resgatar os pontos de interseção entre o discurso educacional de Freud e o de Reich e o exame das teses deste último que se contrapõem àquelas contidas em "O mal-estar na cultura", testemunham a importância atual das temáticas que foram objeto de análise tanto de Freud como de Reich, justificando empreendimentos que coloquem suas idéias em interlocução.

Quatro artigos ainda compõem o volume. O referencial teórico junguiano está presente no trabalho sobre o Jogo de Areia, que pretende demonstrar o alcance de sua utilização em demandas clínicas diversas e sua potencialidade como método psicoterapêutico e como instrumento de pesquisa na área da Psicologia Clínica. Os dois artigos subseqüentes têm em comum sua inserção no campo de reflexões pertinentes à bioética e recortam questões referentes à dor e à morte. O primeiro aborda a temática relativa à qualidade de vida, dignidade no processo de morrer e autonomia em relação à própria vida, por meio da discussão da eutanásia, suicídio assistido e distanásia. O segundo traz contribuições da ergonomia e da psicodinâmica do trabalho para a área de saúde, apresentando material de pesquisa obtido em serviços de atendimento a pacientes com AIDS e câncer, no Brasil e na França, destacando os conceitos bioéticos de justiça, autonomia, beneficência e não-maleficência e enfatizando a dimensão relacional do cuidado em saúde, fundamentado na lógica dos cuidados paliativos. O último ensaio, a contribuição internacional deste número, inspirando-se no referencial psicanalítico e partindo do pressuposto de que o sujeito, um ser histórico social marcado pela necessidade e pelo desejo, é reduzido à alienação individual como conseqüência do processo de produção capitalista, sugere que o desejo de transformação é determinante da consciência da opressão, assentando-se nesse desejo a possibilidade de que a consciência se desenvolva, organizando os caminhos da luta contra a hegemonia.

Finalmente, temos o prazer de informar que a revista tornou-se uma publicação quadrimestral e concluímos o volume com mais uma novidade: a inclusão da seção Ponto de Vista, na qual Psicologia USP abre espaço para a crônica científica.

 

Ana Maria Loffredo