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Psicologia USP

Print version ISSN 0103-6564

Psicol. USP vol.21 no.2 São Paulo Apr./June 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-65642010000200011 

OUTROS ARTIGOS

 

Existe sujeito em Michel Maffesoli?

 

Does Maffesoli indicate the existence of subject?

 

Maffesoli indique-t-il l’existence du sujet?

 

¿Existe sujeto en Michel Maffesoli?

 

 

Marli Appel da Silva; Pedrinho Arcides Guareschi; Guilherme Welter Wendt

Universidade Federal do Rio Grande do Sul


 


RESUMO

Este ensaio discute a concepção de sujeito na abordagem teórica de Michel Maffesoli. As ideias desse autor estão em voga em alguns meios acadêmicos no Brasil e são difundidas por algumas mídias de grande circulação nacional. Entretanto, ao longo de suas obras, os pressupostos que definem quem é o sujeito maffesoliano se encontram pouco clarificados. Portanto, para alcançar o objetivo a que se propõe, este ensaio desenvolve uma análise da epistemologia e da ontologia maffesoliana com a finalidade de compreender as origens dos pressupostos desse autor, ou seja, as teorias e os autores em que Maffesoli se baseou para desenvolver uma visão de sujeito. Com essa compreensão, pretende-se responder à questão: existe sujeito na abordagem teórica de Maffesoli.

Palavras-chave: Michel Maffesoli. Sujeito. Imaginário.


ABSTRACT

The present essay discusses the conception of the subject according to the theoretical approach of Michel Maffesoli, Professor of Sociology at Sorbonne, in Paris. The ideas of this author are very popular in some academic circles in Brazil and are disseminated through some nationwide media. However, the presuppositions that define who is Maffesoli’s subject are not sufficiently clarified in his works. Thus, in order to achieve the objective of this essay, an analysis of Maffesoli’s epistemology and ontology is performed to provide the understanding of the origins of the author’s presuppositions, that is, the theories and authors on which Maffesoli built his view of the subject. With this understanding, we intend to answer the question: does Maffesoli’s theoretical approach indicate the existence of subject?

Keywords: Michel Maffesoli. Subject. Imaginary.


RÉSUMÉ

L’essai actuel discute la conception du sujet selon l’approche théorique de Michel Maffesoli, professeur de sociologie chez Sorbonne, à Paris. Les idées de cet auteur sont très populaires dans quelques cercles universitaires au Brésil et sont disséminées par quelques médias dans tout le pays. Cependant, les présuppositions qui définissent qui est le sujet de Maffesoli ne sont pas suffisamment clarifiées dans ses travaux. Ainsi, afin d’atteindre l’objectif de cet essai, une analyse de l’épistémologie et de l’ontologie de Maffesoli est exécutée pour fournir l’arrangement d’origines des présuppositions de l’auteur, c’est-à-dire, des théories et des auteurs sur lesquels Maffesoli a établi sa vue du sujet. Avec cet arrangement, nous avons l’intention de répondre à la question: l’approche théorique de Maffesoli indique-t-elle l’existence du sujet?

Mots clés: Michel Maffesoli. Sujet. Imaginaire.


RESUMEN

El presente ensayo discute la concepción del sujeto en el abordaje teórico de Michel Maffesoli. Las ideas de ese autor se encuentran en boga en ciertos medios académicos de Brasil y son difundidas por algunos medios de grande circulación nacional. Sin embargo, a lo largo de sus obras, los presupuestos que definen quien es el sujeto maffesoliano se encuentran poco clarificados. Por lo tanto, para alcanzar el objetivo para el cual se propone, este ensayo desarrolla un análisis de la epistemología e de la ontología maffesoliana, con el fin de comprender los orígenes de los presupuestos de ese autor, es decir: las teorías y los autores en los cuales se basa Maffesoli al desarrollar una visión de sujeto. Con tal comprensión, se pretende responder a la cuestión: ¿existe sujeto en el abordaje teórico de Maffesoli?

Palabras clave: Michel Maffesoli. Sujeto. Imaginario.


 

 

Introdução

Neste ensaio, temos a pretensão de discutir a respeito da concepção de sujeito na abordagem sociológica de Michel Maffesoli. Professor de Sociologia na Sorbonne, em Paris, e diretor do Centro de Estudo sobre o Imaginário, Maffesoli apresenta uma perspectiva teórica em voga contemporaneamente e utilizada em pesquisas na interface com outras disciplinas, tais como a Psicologia e a Comunicação Social, atuando como teoria de base para uma compreensão do contexto em vários estudos (Amaral, n.d.; Bruno, 2004; Casalegno & Hugon, 2004; Castro, 1998; Gutfreind, 2004; Joron, 2004; Magnani, n.d.; Paiva, 2004; Panagiotis, 2004; Silva, 2004; Sodré, 2004).A teoria desse autor tem influenciado alguns meios acadêmicos no Brasil, na medida em que tem ministrado cursos com certa regularidade em algumas faculdades e tem uma série de livros traduzidos para o português brasileiro (Maffesoli, 2000). Também tem sido citado e entrevistado por algumas mídias que apresentam ampla circulação, tais como a revista Veja (Campello, 1999) e a Época (Nogueira & Rubin, 2005; Rodrigues, 1998). Devido à influência que esse autor adquire em meios acadêmicos, justifica-se uma análise da concepção de sujeito implícita nessa perspectiva teórica. Além do mais, consideramos que o jogo de linguagem desenvolvido por Maffesoli é de uma beleza estética que encanta o leitor. Maffesoli (1996) diz que “o método sociológico romanceia a realidade, harmoniza a voz (via) do cotidiano e a(s) da teoria, o fato social e o fato sociológico” (p. 59). Nesse romancear maffesoliano, que beira a retórica e a poesia, o encanto produzido pode permitir que os pressupostos teóricos em que se baseia esse autor não sejam observados por parte do leitor. Pressupostos que serão analisados neste ensaio com a finalidade de respondermos a questão aqui formulada sobre se existe sujeito na abordagem de Michel Maffesoli.

 

Epistemologia maffesoliana

Para defender suas concepções teóricas, Maffesoli (2000) comenta que parte dos pressupostos da teoria que desenvolve foi testada, por vários anos e em várias pesquisas, por ele, por outros colegas e por jovens pesquisadores, na França e em outros países. Em nossa concepção, a descrição que o autor analisado faz dos fenômenos da pós-modernidade é rica e os retrata em boa medida. Desse modo, as pesquisas que utilizam os métodos maffesolianos para a descrição dos fenômenos terão a oportunidade de retratá-los de maneira similar à do autor citado.

Entretanto, nosso interesse não está nos fenômenos descritos. Queremos é ir às origens da abordagem maffesoliana e analisar os pressupostos que a delineiam. Tais pressupostos não são inteiramente clarificados na produção teórica de Maffesoli e, por isso, o sujeito maffesoliano não é facilmente identificado. As primeiras obras do autor são as que mais esclarecem as teorias e os autores em que se baseou para desenvolver sua visão teórica. Assim, neste ensaio, a citação dos fenômenos nomeados por Maffesoli terá como função uma melhor compreensão dos pressupostos analisados. Até porque esse autor parte de um método de análise fenomenológico que ele denomina de formismo, que é a observação e descrição livre da aparência – forma, ou seja, do que é observável por parte do pesquisador (Maffesoli, 1996, 2000).

De acordo com Maffesoli (1996), “a forma é apenas uma tipificação elaborada a partir de dados observáveis, feitos à base de descrições, sem que se trate de suspeitar, criticar o que é observado ou descrito” (p. 143). Em primeiro lugar, o pesquisador deve descrever os fenômenos como os percebe.

“Isso força uma conversão do olhar: apreciar cada coisa a partir de sua própria lógica, de sua coerência subterrânea, e não de um julgamento exterior que dita o que ela deve ser” (Maffesoli , 1996, p. 143-144). Após a descrição dos fenômenos, o papel do pesquisador é perceber a lógica hermenêutica deles e uma conexão que ocorre internamente a eles. É fundamental a análise de como as várias partes dos fenômenos se ordenam e das forças implicadas nessa ordenação.

A lógica hermenêutica é possível, para Maffesoli, porque ocorre certa indistinção entre pesquisador e pesquisa na medida em que fenômenos estão atravessados pelas mesmas características, substâncias. O pesquisador consegue tal aproximação porque “trata-se de um situacionismo complexo, pois o observador está, ao mesmo tempo, ainda que parcialmente, integrado em tal ou qual das situações descritas por ele. A hermenêutica supõe ser quem descreve da mesma substância daquilo que descreve” (Maffesoli, 2000, p. 7).

Tais substâncias formam o que Maffesoli (2000) nomeia de centralidade subterrânea (p. 54, p. 83), que representa um único “núcleo central” com determinadas substâncias “por baixo” dos fenômenos sociológicos e que gera uma “força motriz” para todas as mudanças. O autor propõe, desse modo, elaborar uma descrição dos fenômenos como um exercício intelectual com a finalidade de inferir a existência desse “núcleo central” interno. Nessa análise dos fenômenos observáveis, a descrição e a elaboração teórica conseguem apenas uma aproximação com o fenômeno, apreendido parcialmente, ainda mais quando se remete a fenômenos novos, não estudados.

De acordo com Maffesoli (2000, 2001), a teoria é uma construção linguística que visa a uma compreensão dos fenômenos, mas que só consegue um caráter explicativo até certo ponto por não existir parcialidade na ciência. Esta é edificada num determinado contexto sociocultural, ou seja, toda concepção teórica ocorre em um determinado contexto marcado por aspectos históricos e socioculturais que atravessam o pesquisador. Entretanto, por baixo dos fenômenos e do psiquismo do pesquisador, existe uma única centralidade subterrânea.

Cabe, portanto, questionarmos: o que vem a ser essa centralidade subterrânea?

 

Objeto de estudo maffesoliano

Maffesoli propõe-se a uma análise sociológica da época histórica denominada Pós-Modernidade, ou seja, a época contemporânea. Define essa época histórica como “a sinergia de fenômenos arcaicos com o desenvolvimento tecnológico” (Maffesoli, 2004, p. 21). Esses fenômenos arcaicos são “as substâncias” que compõem a centralidade subterrânea e são os responsáveis pela crise dos paradigmas da modernidade que redundaram em paradigmas diferentes e opostos, iniciando uma nova fase histórica. O desenvolvimento tecnológico é a principal característica que diferencia a Pós-Modernidade de todas as outras fases históricas antecedentes. Temos uma conjunção entre o que sempre existiu para o ser humano, o arcaico, e o que veio a ser uma novidade e uma evolução histórica, a tecnologia.

O esquema a seguir ilustra a ideia básica de Maffesoli (2000) quanto à passagem da Modernidade para a Pós-Modernidade.

 

Esquema 1: Modernidade versus Pós-Modernidade

Fonte: Maffesoli (2000, p. 9).

 

De acordo com o esquema demonstrado acima, a Modernidade era regida pela estrutura social. Grupos estruturados, permanentes ao longo do tempo e formados por indivíduos que compartilhavam características determinadas, ou seja, identidades. Estas remetem ao indivíduo, um ser centrado, unificado, racional, consciente e ativo (Hall, 2002). “O indivíduo podia ter uma função na sociedade, e funcionar no âmbito de um partido, de uma associação, de um grupo estável” (Maffesoli, 2000, p. 108).

Na Pós-Modernidade, a formação grupal estruturada deixou de existir e surgiu a socialidade, que é um movimento das massas que não se funda na lógica da identidade, mas na lógica da emocionalidade, das experiências e dos sentimentos compartilhados (Maffesoli, 1996). O que move as pessoas a estarem em grupo é apenas o prazer de estarem juntas, não há alguma ideologia como base ou finalidade específica, é uma forma de viver o presente coletivamente em busca de um sentido estético. Maffesoli (2000) comenta que compreende “o termo estético de maneira etimológica, como a faculdade comum de sentir, de experimentar” (p. 105).

Ao despontar a lógica da emocionalidade, surge a pessoa, por referir-se etimologicamente a persona, máscara social, que são os diversos papéis que a pessoa atua nas várias dimensões da vida e nos grupos de pertença. Na Pós-Modernidade, a pessoa atua em um mundo como se fosse uma grande teatralização, sendo uma personagem que encarna um pouco dela mesma em cada espaço de atuação, mas não a sua totalidade. “Mudando o seu figurino, ela vai, de acordo com os seus gostos (sexuais, culturais, religiosos, amiciais) assumir o seu lugar, a cada dia, nas diversas peças do theatrum mundi” (Maffesoli, 2000, p. 108).

Portanto, na teoria maffesoliana existe ou o indivíduo, que é um ser único e singular, pertencente a um grupo com características distintas de outros grupos; ou a pessoa, que é um ser de variadas coletividades cimentadas pela experiência sensorial e sentimental compartilhadas. Porém, indivíduo e pessoa são dois tipos de seres humanos distintos? Analisaremos essa questão a seguir.

 

Ontologia maffesoliana

Pontuamos que o ser humano como espécie biológica é estruturalmente um só para Maffesoli. Um único ser, tal qual existe uma única história. O indivíduo é um modo de ser das épocas históricas racionais; e a pessoa, das épocas emocionais. “A bipolaridade indivíduo (fechado) – pessoa (aberta) deve, é claro, ser compreendida como uma tendência geral, como algo que vai ser a causa e o efeito de um espírito do tempo específico” (Maffesoli, 1996, p. 310).

Dessa forma, existem basicamente duas formas de tempo histórico – épocas racionais e épocas emocionais – que se sucedem progressivamente. Portanto, o tempo histórico é um processo cíclico como o dia e a noite. As fases diurnas são as pautadas pela racionalidade, tal qual as noturnas pela emocionalidade (Duran, 2001). A racionalidade, que rege as sociedades, ou as subjetividades coletivas, em determinados momentos históricos, deteriora-se até o ponto de ocorrer uma aproximação com o caos, possibilitando um menor controle da racionalidade e a emergência da emocionalidade. Tempos depois, há o retorno à racionalidade (Maffesoli, 1995).

“Saturação – recomposição. Talvez essa seja a única lei que podemos identificar no curso caótico das histórias humanas!”, diz Maffesoli (2004, p. 20). A cada nova repetição, há uma evolução das sociedades. Na Pós-Modernidade, como reflexo dessa evolução, temos a inovação tecnológica. Contudo, se o tempo histórico é cíclico, existe tempo na ontologia maffesoliana?

 

Compartilhamento do tempo

Voltemos-nos aos textos de Maffesoli (2003):

Por mais paradoxal que possa parecer, a acentuação do presente não é mais que outra maneira de expressar a aceitação da morte. Viver no presente é viver sua morte de todos os dias, é afrontá-la, é assumi-la. Os termos intensidade e trágico não dizem outra coisa: só vale o que sabemos que vai acabar. Algumas épocas protestam contra isso e, então, a vontade, a ação, o sentido do projeto e do futuro predominam. Outras concordam, se ajustam, se acomodam à finitude, e concedem sua preferência à contemplação e ao gozo do mundo, ao presenteísmo que lhes serve de vetor. Mas é uma contemplação ou um gozo fugaz, penetrados por sentimentos de finitude. Consomem, com intensidade, tudo o que vivem. (p. 58-59)

Percebemos que, segundo Maffesoli, indivíduo e pessoa interpretam o tempo de formas diferenciadas. Para o indivíduo, o tempo é linear, cronológico, permitindo a contemplação do futuro como negação da morte. Para a pessoa, o tempo é presente, fugidio, e é nesse tempo que tudo se esgota, e finaliza pela incorporação da morte como um aspecto da vida. Nessa perspectiva, o tempo é representação da morte, porque nele se findam todas as coisas no “prazer do instante eterno” (Maffesoli, 1996, p. 60). Ou se aceita essa característica do tempo e se vivencia o presente, ou se nega e se imagina um tempo futuro como um dado real idealizado.

O tempo é cíclico para o autor analisado, em um eterno finalizar e reiniciar. O tempo eterno é o tempo inexistente. Tempo é uma interpretação subjetiva do indivíduo-pessoa. Cabe, então, verificarmos o que gera modificações cíclicas na interpretação do tempo, o ciclo do eterno retorno, nos textos maffesolianos.

Maffesoli comenta, em seu livro O instante eterno: o retorno do trágico nas sociedades pós-modernas, que:

O destino esta aí, todo-poderoso, impiedoso, e, apesar da vontade do sujeito, orienta em direção ao que está escrito. Trata-se de uma forma de predestinação... De fato, a força do destino não faz senão acentuar a ascensão e potência do que é impessoal. (Maffesoli, 2003, p. 31)

O destino a que o autor se refere é o retorno cíclico da maneira de se relacionar com o contexto por parte do indivíduo-pessoa. A interpretação do tempo para o indivíduo-pessoa é uma predestinação que ultrapassa o desejo desse sujeito. Na abordagem maffesoliana, o indivíduo-pessoa é sujeitado a interpretar o tempo de maneira diferente em determinadas épocas a partir de uma força motriz impessoal e que confere um valor ao tempo como histórico, porém não faz parte da esfera pessoal do sujeito.

Com base em Castells (2000), compreendemos o tempo como espaço compartilhado. Nesse sentido, o tempo é um real subjetivado, não existe como uma categoria per se, define-se entre os sujeitos e é definido por eles de acordo com as ações e modificações que realizam no contexto enquanto constroem um cotidiano. O sujeito é produtor do tempo social. Temos, assim, um contraponto em relação à concepção do tempo maffesoliano. Nessa abordagem teórica, o sujeito é determinado a produzir o tempo social; na de Casttels, o tempo é produzido de maneira compartilhada. Causa-nos estranheza a ideia de um sujeito sujeitado a produzir o tempo social de maneira determinada. Vamos, ao longo do texto, indagar sobre o que leva o sujeito a tal sujeição.

 

Compartilhamento do corpo

Devido ao fato de Maffesoli (1996, 2000) utilizar como método de pesquisa o formismo, que é o estudo da relação sujeito-fenômeno-forma, o corpo humano torna-se objeto fundamental de análise. Tanto a emocionalidade quanto a racionalidade surgem a partir de um corpo, que é base dos relacionamentos humanos. A relação do sujeito é com a forma e não com o conteúdo dos objetos e de outros sujeitos. O sujeito está determinado a receber, através de seus órgãos do sentido, apenas sensações-percepções das formas que compõem o contexto. Ele interpreta as formas semioticamente e confere significados e sentidos a elas com base na cultura em que está inserido, que é sempre perpassada pelo tempo histórico cíclico.

A relação sujeito-outro é sujeito-corpo. Fenômeno que o autor analisado denominou de corporeidade. “A corporeidade é o ambiente geral no qual os corpos se situam uns em relação aos outros; sejam os corpos pessoais, os corpos metafóricos (instituições, grupos), os corpos naturais ou os corpos místicos. É, portanto, o horizonte de comunicação que serve de pano de fundo à aparência” (Maffesoli, 1996, p. 134).

Em períodos de racionalidade, o corpo é negado e surge uma ideia de essência supra corpórea. Na emocionalidade, o corpo ressurge e passa a ser privilegiado. Na Pós-Modernidade, que é uma época da emocionalidade, o corpo passa a estar em voga. A principal função da emergência do corpo é propiciar a instauração da lógica da emocionalidade através de, basicamente, três fenômenos complementares: as marcas corporais, o estar junto e a expressão da máscara social, a persona. As marcas corporais são as transformações do corpo em imagens que compreendem tatuagens, tinturas diferenciadas nos cabelos, piercings, definição da musculatura, ou, mesmo, os tipos de vestimentas.

Esses artefatos são símbolos que delineiam um estilo às pessoas, de acordo com Maffesoli (1995). Esses estilos têm a importância de permitir com que elas, através da identificação (processo psíquico pelo qual as pessoas tomam para si parte ou totalmente atributos e características de outras pessoas para compor sua personalidade [Laplanche & Pontalis, 2001]), simplesmente permaneçam juntas por compartilhar um sentido estético, formando o fenômeno que Maffesoli (2000) nomeia de tribalismo. Metáfora que faz referência ao tipo de formação grupal da maioria dos grupos indígenas. Assim, as tribos são formadas por pessoas, ou melhor, personas, que possuem um linguajar comum – as marcas corporais – expressas no e a partir do corpo-persona.

A permanência das pessoas nas tribos é sempre fugidia, elas mudam constantemente de grupos como também participam de vários grupos ao mesmo tempo, pois a finalidade das tribos é apenas estética, compartilhar gostos e interesses em comum. “O que é importante na intensidade do momento é a perseguição do prazer pelo prazer” (Maffesoli, 2001, p. 121). Pois, em Maffesoli (2001), quando o corpo emerge como prioritário, há um familiarismo vivenciado através de pequenos grupos que têm como objetivo simplesmente compartilhar uma linguagem que se traduz nos símbolos corpóreos.

A relação entre sujeito e contexto é compreendida como uma relação corpórea mediada de sentidos e significados socioculturais que são sustentados na corporeidade. “O emocional, no caso, fundamenta-se em sentimentos comuns na experiência partilhada, na vivência coletiva” (Maffesoli, 1996, p. 96). O corpo é, assim, transformado constantemente e passa a ser linguagem para identificar-diferenciar as pessoas em tribos, ou seja, é corpo imajado, criado a partir de um imaginário. Porém, o que vem a ser o imaginário para Maffesoli?

 

Compartilhamento do imaginário

Maffesoli, ao ser “herdeiro intelectual de Gilbert Durand” (Silva, 2001, p. 74) toma a abordagem junguiana como herança, através da “perspectiva arquetipológica (C. G. Jung, G. Durand)” (Maffesoli, 1996, p. 110). Nesta perspectiva, há uma universalidade dos arquétipos, de acordo com o comentário de Duran: “em conclusão, podemos afirmar, antes de mais nada, que a história não explica o conteúdo mental arquetipológico, pertencendo a própria história ao domínio do imaginário” (2001, p. 391). São os arquétipos que controlam o imaginário e, a partir deste, dominam o tempo histórico.

Em uma entrevista, Maffesoli diz: “para mim, sem tentar precisar a posição de Gilbert Durand, só existe o imaginário coletivo.... O imaginário é algo que ultrapassa o indivíduo, que impregna o coletivo ou, ao menos, parte do coletivo” (Silva, 2001, p. 79). Nessa mesma entrevista, o autor busca clarificar a noção do imaginário e comenta:

Na aura de obra — estátua, pintura –, há a materialidade da obra (a cultura) e, em algumas obras, algo que as envolve, a aura. Não vemos a aura, mas podemos senti-la. O imaginário, para mim, é essa aura, é da ordem da aura: uma atmosfera. Algo que envolve e ultrapassa a obra. Esta é a ideia fundamental de Durand: nada se pode compreender da cultura caso não se aceite que existe uma espécie de “algo mais”, uma ultrapassagem, uma superação da cultura. Esse algo mais é o que se tenta captar por meio da noção de imaginário. (Silva, 2001, p. 75)

Esse “algo a mais”, essa “aura” a que Maffesoli se refere sobre o imaginário, é a expressão arquetípica coletiva, igual em todos os seres humanos que convivem em uma mesma época histórica, também movida pelos arquétipos através do imaginário coletivo. “O homem é menos criador de imagens, que forjado por elas.... Quando adere às imagens televisivas, quando é encantado pelos estereótipos das imagens publicitárias, ou quando é submerso pelas imagens políticas, ele apenas reconhece os arquétipos do ‘mundo imaginal” (Maffesoli, 1996, pp. 150-151).

Como Maffesoli é originário da abordagem junguiana, o símbolo é “linguagem” do inconsciente coletivo, ou seja, dos arquétipos (Jung, 1980). A linguagem torna-se uma categoria ampla que inclui todos os símbolos socioculturais. Compreendida de forma abrangente, a linguagem torna-se mediação entre o corpo-persona e o inconsciente coletivo através dos símbolos expressos na coletividade de um imaginário comum. É dessa maneira, portanto, que o inconsciente coletivo se revela no contexto através de símbolos-linguagens compartilhados, que formam um imaginário atravessado ou pela racionalidade ou pela emocionalidade, dependendo da expressão arquetípica que delineia o momento histórico. “Trata-se, de algum modo, de um inconsciente (ou não-consciente) coletivo que serve de matriz à multiplicidade das experiências, das situações, das ações ou das deambulações grupais” (Maffesoli, 2000, p. 139).

Embora ocorram diferenças significativas nos usos e costumes nos grupos, a cultura é sempre marcada por uma “cultura maior”, a do imaginário arquetípico. Na Pós-Modernidade, Maffesoli (1995) define esse imaginário coletivo como a “cultura do sentimento” (p. 17), que representa a vivência da emocionalidade que permeia todos os grupos sociais. O autor comenta sobre a existência de uma consciência coletiva, que cimenta as relações sociais e se configura como um estar junto prazeroso, o hedonismo mundano, que vai marcar as dimensões da vida de todos os sujeitos.

Só que o sujeito pós-moderno se expressa no contexto através de uma persona. Esta traz a expressão dos arquétipos, incluindo o arquétipo que marca o período histórico como central à persona, que, no caso da Pós-Modernidade, é a de Dionísio. Todas as pessoas da época contemporânea têm expressas em suas personas-corpo o arquétipo de Dionísio, o que as move para busca do prazer pelo prazer em um presenteísmo. Na Modernidade, os indivíduos expressavam o arquétipo de Prometeu.

Concluímos, dessa maneira, que as relações entre as pessoas, em última instância, são relações entre inconscientes coletivos expressos através de personas existentes em pessoas através de seus corpos. O corpo é mediação, é expressão da linguagem do inconsciente. É a forma que sustenta a encenação da persona nos vários espaços teatrais do cotidiano, coordenadas pelos arquétipos, e que permite vivenciar o sensório, o sensível, o imaginado.

Percebemos, então, um sujeito “dominado” por uma subjetividade de massa, conforme nomeia Maffesoli (1996, 2000). Um imaginário comum a todos os seres humanos, que se difere nas épocas racionais e emocionais, modificando como os sujeitos se relacionam com a realidade construída socialmente. Porém, propomo-nos a refletir sobre o que vem a compor, de fato, o imaginário maffesoliano.

 

Compartilhamento da imagem

Para Maffesoli (1995), a imagem é central na vivência do indivíduo ou pessoa. Ambos reúnem-se por causa da imagem, conversam sobre a imagem, produzem imagem, emocionam-se com a imagem. A imagem é símbolo, e o símbolo é imagem. Símbolo é a linguagem do inconsciente, e imagem é substrato da subjetividade humana chamada de imaginário. Neste imaginário, a imagem é como se fosse um sonho acordado, vivenciado como “verdade” pelo indivíduo-pessoa que não tem consciência da irrealidade da imagem imaginada.

A partir do imaginário, na Modernidade, existiu o Ideal, idealizado em imagem, sempre no tempo futuro e distante, que se expressava como ideias, juízos e opiniões. Na Pós-Modernidade, existe o Sonho, sonhado em imagem, no presente vivenciado como concreto: imagem do corpo, imagem mediática, imagem da realidade. A imagem adquire um caráter de sagrado por ter o papel de ligar (re-ligare) o profano, sociedades e pessoas, transformando-se em linguagem comum, como expressão arquetípica. É mítica viva, que faz as pessoas almejarem estar juntas para usufruírem o prazer do compartilhamento da imagem em um presenteísmo emocional. “A função essencial que pode ser atribuída à imagem, em nossos dias, é a que conduz ao sagrado” (Maffesoli, 1995, p. 107).

Só que a vivência do imagético sagrado que se profaniza faz com que o prazer procurado não seja qualquer um. Ele é, antes de tudo, o prazer da estética, do sensível, do belo, que só a imagem – irreal percebida como concreta pela pessoa – vem a atender. A emocionalidade irracional transmuta-se ou na violência, tal como se observa nas sociedades, ou na vivência de um prazer sensível e quase artístico.

Assim, a imagem possibilitou que o sujeito da Pós-Modernidade, a pessoa, tivesse uma subjetividade formatada simplesmente pela imagem, destituída de maiores ideologias. O que, para Maffesoli, não representa uma alienação, pois é algo determinado arquetipicamente de que a pessoa não tem controle. “Não há nenhum aspecto da vida social que não esteja contaminado pela imagem” (Maffesoli, 1995, p. 137).

Em um imaginário formatado pela re-ligação de imagens, corporeidade e imagem mediática referenciam-se. A tecnologia conferiu características diferenciadas à Pós-Modernidade. O corpo pôde transformar-se em imagem. Corpo imagético é vivenciado, em sonho, como corpo real, através do qual as pessoas se emocionam juntas: com um filme, uma partida de futebol, a transmissão televisiva do Carnaval etc.

Para Maffesoli (2004), essa tecnologia possibilitou, também, que as tribos ficassem em rede e pudessem se unir e se dissolver com mais rapidez para usufruírem o prazer da imagem. Pois, para a abordagem maffesoliana, “é isso o presente, é isso o objeto ou a imagem enquanto tempo que se contrai no espaço” (p. 132). Assim, presente é imagem com valor de tempo que se comprime no espaço e permite não apenas um sentir com (pp. 118-119), mas também um sentir com no presente.

Portanto, consideramos que a imagem é uma força da corporeidade e do presenteísmo em um determinado espaço. Nessa irrealidade imagética, onde se encontra o indivíduo-pessoa?

 

O lugar do sujeito

Por ter se apropriado de conceitos junguianos através de Duran, a abordagem maffesoliana considera que todos os seres humanos possuem um inconsciente coletivo idêntico, com arquétipos similares, de tal maneira que emergem no tempo, de forma cíclica, os mesmos arquétipos expressos nas personas de todos os sujeitos. Portanto, todos os sujeitos de uma mesma época terão seus comportamentos orientados num mesmo sentido – arquetípico, diga-se –, o que explica os fenômenos que formam a história humana, inclusive a Pós-Modernidade.

Maffesoli utilizou-se, para essa idéia, de um destino cíclico para a humanidade do conceito, com base na abordagem junguiana, do arquétipo do caminho ou da alteridade e a que o autor analisado chama de arquétipo do êxodo (Maffesoli, 2001). Sinteticamente, este arquétipo representa um “roteiro” impresso no inconsciente coletivo do sujeito que o impulsiona a uma jornada em busca do autodesenvolvimento ou individuação. Só que na abordagem junguiana, embora exista um roteiro interno a todos os seres humanos, cada sujeito tem a sua maneira particular de ser impulsionado a essa busca da individuação. Porém, na perspectiva maffesoliana, esse “roteiro” foi colocado na ordem do social.

Na abordagem maffesoliana, há o indivíduo na Modernidade ou nas épocas históricas regidas pelo racionalismo, expressão do arquétipo de Prometeu; tal qual existe a pessoa, na Pós-Modernidade, ou nas épocas regidas pela emocionalidade, como aparição dionísica. Então, há um ser humano indivíduo-pessoa como expressão arquetípica.

Segundo Guareschi (2004), existem três visões de sujeito nas ciências sociais. Na primeira visão, o ser humano é o colocado como elemento central para a produção da cultura e a formação da sociedade. Na segunda, ele é visto como um produto sociocultural e histórico. Na terceira, ele é percebido como em relação processual com a cultura, ao mesmo tempo em que é formado e modificado por essa cultura. Ele a forma e a modifica. A abordagem de Maffesoli parece encontrar-se na segunda concepção citada, em que o sujeito é determinado historicamente. Entretanto, para Maffesoli, o histórico é determinado pelos conteúdos arquetípicos. Então, o sujeito é determinado pelos arquétipos do inconsciente coletivo.

Como central à abordagem de Maffesoli, parece existir um arquétipo-deus, criado na junção de um determinismo sociológico, comum à tradição da sociologia histórica (Wallerstein, 1999), com um determinismo psicoanalítico (Guareschi, 2004), comum à tradição da psicologia originária de Freud, que foi o caso de Jung, a princípio seguidor freudiano e que, posteriormente, elaborou o próprio referencial teórico.

Se considerarmos a concepção de sujeito, de acordo com Morin (1996), que envolve três aspectos básicos: ter consciência de si mesmo, em conjunto com a autoreferência e a reflexividade; liberdade de escolha entre diversas alternativas e consciência da necessidade de relacionamento com o outro – podemos dizer que inexiste o sujeito para Maffesoli. O personagem indivíduo-pessoa tem restrita consciência de si, da liberdade que possui e da necessidade de relacionamento com o outro.

Como um camaleão, o indivíduo-pessoa cria e recria o seu processo cíclico, nasce e renasce, determinando uma noção de história humana em um tempo eterno e inexistente. Porque, tal como inexiste sujeito, inexiste também o tempo, que recomeça eternamente. O espaço transforma-se em imagem compartilhada, objeto-imajado, ou seja, existe para o sujeito apenas à medida que compõe seu imaginário como expressão simbólica, porém um simbólico arquetípico. Dessa maneira, inexiste o objeto para o indivíduo-pessoa.

Consideramos que inexiste a ideia de um sujeito consciente e livre para realizar escolhas, em Maffesoli. A singularidade do sujeito, de autonomia, é substrato da ideia de identidade, conceito pertencente à Modernidade. De tal modo, na Pós-Modernidade, o que surge é um princípio de alonomia, “que se apoia no ajustamento, na acomodação, na articulação orgânica com a alteridade social e natural” (Maffesoli, 2000, p. 42), ou seja, as massas se dividem em tribos, estas são formadas por pessoas que se juntam por uma ética da estética e vivenciam a emoção compartilhada. O que move massas, tribos e pessoas não é algo consciente, são os materiais do inconsciente coletivo que se tornam parcialmente conscientes. “O que está em causa é uma verdadeira fuga para o outro. Um desejo inconsciente de constituir multidão, de colar-se aos outros” (Maffesoli, 2001, p. 169).

Indivíduo-pessoa apresenta restritas possibilidades de consciência dos processos sociais em que está inserido. O pesquisador, por um processo de empatia, chega a alcançar uma compreensão da época e suas regências, mas ninguém tem a ingerência de modificar a “ordem das coisas”. Existe um “mundo arquetípico” que rege todos os seres humanos e, dessa maneira, domina todos os fenômenos da vida desse ser.

O sujeito é, na verdade, “um simulacro arquetípico”, ele veste uma máscara (persona) e atua, sem saber bem o que está encenando, no palco do mundo com um roteiro certo e determinado, devido ao tempo eterno cíclico, que sempre se repete e inexiste em um palco imaginado. Todas as efervescências, fragmentações, paixões estão na ordem da aparência. Porque, no fundo da aparência, o que existe é um inconsciente coletivo igual em todos os seres humanos, em todos os tempos.

No imaginário formatado ou por imagens-ideais, ou por imagens-sagradas-profanas, o sujeito sonha sua existência imagética, vive apenas um sonho e interage em uma realidade sonhada. Perambula pelo mundo como um sonâmbulo que acredita no material sonhado. Quem o faz sonhar é o inconsciente coletivo que se projeta simbolicamente sobre todas as dimensões com seus arquétipos. Portanto, quem existe é o Inconsciente Coletivo, senhor e deus de todas as coisas. A ideia de sujeito é, portanto, inexistente em Maffesoli.

 

Considerações Finais

Ao se considerar o sujeito como um ser consciente e livre para realizar escolhas, observamos que inexiste esse sujeito em Maffesoli. Existe o indivíduo, nas épocas racionais, ou a pessoa, nas épocas emocionais. O contato do indivíduo-pessoa é com a forma do contexto, através de seu sistema sensório, estímulos que se transformam em imagens-arquetípicas.

Desse modo, corpo e objeto são imagéticos. Tempo é imagem presentificada no espaço. Espaço é corpo-objeto imaginado. O imaginário é imagem supracorpórea que se torna comum a todos os seres humanos por ser uma tradução simbólica do inconsciente coletivo. Este é o núcleo central e força motriz que determina todos os sujeitos a se comportarem de maneiras similares em épocas específicas, formando os fenômenos sociais.

Entretanto, nem sempre esse inconsciente coletivo que rege todas as coisas, “arquétipo-rei” mitificado pelo próprio Maffesoli, torna-se clarificado ao longo da obra desse autor. A linguagem que utiliza é de uma “iluminação estética”, gerada por um discurso metafórico e belo – que encanta, pode obscurecer a observação a respeito dos pressupostos teóricos do autor. Além disso, a descrição dos fenômenos da Pós-Modernidade (tribalismo, cultura do sentimento etc.) realizada por esse autor expressa uma “iluminação estética do cotidiano”, ao estilo de Homero, como se pudéssemos ler uma poesia numa narrativa e uma narrativa em uma descrição.

Talvez o sujeito da Pós-Modernidade tenha, de fato, o desejo de um cotidiano mais emocionante, mais brilhante, mais místico. Um sujeito que escolhe recriar o estético, escolhe o que lhe encanta ou o que lhe retira a dor do cotidiano, tal qual Maffesoli tinge a realidade, mesmo considerando pouco ou até mesmo nada o sujeito.

Entretanto, acreditamos que o exercício intelectual que Maffesoli realiza, bem como o encantamento que produz no leitor ou os recursos estilísticos utilizados em sua linguagem merecem estudos mais aprofundados.

Concluímos e propomos, para futuras reflexões, um questionamento sobre o surgimento dessa nova visão comunitária, engendrada e guiada por um arquétipo divinizado, que foi traduzida por Maffesoli.

 

 

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Recebido em: 04/12/2008
Aceito em: 20/07/2009

 

 

Marli Appel da Silva: Doutora em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Av. Protásio Alves, 2224/201. Bairro Rio Branco. CEP: 90410-006. Porto Alegre, RS. Endereço eletrônico: mappel@uol.com.br


Pedrinho Arcides Guareschi: Docente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Grupo de Pesquisa Ideologia, Comunicação e Representações Sociais. Rua Ramiro Barcelos, 2600, sala 124. Bairro Santana. CEP: 90035-003. Porto Alegre, RS. Endereço eletrônico: pedrinho.guareschi@ufrgs.br


Guilherme Welter Wendt: Psicólogo formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Rua Duque de Caxias, 888-205. CEP: 90010-282. Porto Alegre, RS. Endereço eletrônico: guilhermewendt@hotmail.com


 

 

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