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Psicologia USP

versão impressa ISSN 0103-6564

Psicol. USP vol.22 no.4 São Paulo out./dez. 2011 Epub 08-Dez-2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-65642011005000037 

 

Limites da representação na metapsicologia freudiana

 

Limits of representation in freudian metapsychology

 

Limites de la représentation dans la métapsychologie freudienne

 

Límites de la representación en la metapsicologia freudiana

 

 

Érico Bruno Viana Campos1

Universidade Metodista de Piracicaba - UNIMEP


 

 


RESUMO

Este artigo objetiva analisar os limites da teoria da representação na metapsicologia freudiana. É um trabalho de pesquisa teórico-conceitual da psicanálise, por meio de uma metodologia de análise histórica e epistemológica dos textos de Freud. A metapsicologia freudiana fundamenta-se em uma teoria das pulsões que é tributária dos princípios de uma teoria da representação mental. Porém, as alterações exigidas pela introdução dos conceitos de narcisismo e de identificação, além do reconhecimento da compulsão à repetição como algo além do princípio do prazer, levaram a uma remodelação da teoria das pulsões, a uma nova descrição tópica e a uma reformulação na teoria da angústia. A hipótese é que a teoria representacional encontra limites em duas direções distintas: a identificação e a impossibilidade de representação como, respectivamente, um além e um aquém da metapsicologia freudiana.

Palavras-chave: Freud, Sigmund, 1856-1939. Identificação. Metapsicologia. Psicanálise. Representação mental.


ABSTRACT

This article aims to analyze the limits of representation theory in Freudian metapsychology. It is a theoretical research on psychoanalysis, through a methodology of historical and epistemological analysis of Freud's texts. The Freudian metapsychology is based on a theory of drives that is tributary to the principles of a theory of the mental representation. However, the changes required by the introduction of the concepts of narcissism and identification, along with recognition of the repetition compulsion as something beyond the pleasure principle led to a redesign of the drive theory, a new topical description and a reformulation of the theory of anxiety. The hypothesis is that the representational theory finds limits in two different directions: the identification and the impossibility of representation as, respectively, a beyond and a beneath of Freudian metapsychology.

Keywords: Freud, Sigmund, 1856-1939. Identification. Metapsychology. Psychoanalysis. Mental Representation.


RÉSUMÉ

Cet article vise à analyser les limites de la théorie de la représentation dans la métapsychologie freudienne. Il s'agit d'un concept de recherche-théorique de la psychanalyse, à travers une méthodologie d'analyse historique et épistémologique des textes de Freud. La métapsychologie freudienne est fondée sur une théorie des pulsions qui est tributaire aux principes d'une théorie de la représentation mentale. Toutefois, les modifications exigées par l'introduction des concepts de narcissisme et d'identification, ainsi que la reconnaissance de la compulsion de répétition comme quelque chose au-delà du principe de plaisir conduit à une refonte de la théorie des pulsions, une nouvelle description d'actualité et une reformulation de la théorie de l'angoisse. L'hypothèse est que la théorie de représentation trouve des limites dans deux directions différentes: l'identification et l'impossibilité de la représentation en tant que, respectivement, une addition et une courte de la métapsychologie freudienne.

Mots-clés: Freud, Sigmund, 1856-1939. Identification. Métapsychologie. Psychanalyse. Représentation mentale.


RESUMEN

En este artículo se pretende analizar los límites de la teoría de la representación en la metapsicología freudiana. Se trata de una investigación teórica sobre el psicoanálisis, a través de una metodología de análisis histórico y epistemológico de los textos de Freud. La metapsicología freudiana se basa en una teoría de los impulsos que es tributaria a los principios de una teoría de La representación mental. Sin embargo, los cambios que requiere la introducción de los conceptos de narcisismo y la identificación, junto con el reconocimiento de la compulsión a la repetición como algo más allá del principio del placer llevó a un rediseño de la teoría pulsional, una descripción tópica nueva y a una reformulación de la teoría de la ansiedad. La hipótesis es que la teoría de la representación encuentra límites en dos direcciones diferentes: la identificación y la imposibilidad de la representación como, respectivamente, un más allá u un más acá de la metapsicología freudiana.

Palabras clave: Freud, Sigmund, 1856-1939. Identificación. Metapsicología. Psicoanálisis. Representación mental.


 

 

Introduzindo o Problema

Este artigo consiste em uma comunicação resumida da problemática e das conclusões de um projeto de pesquisa sobre a obra de Freud que foi executado ao longo dos trabalhos de mestrado e doutorado que desenvolvi no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (Campos, 2004, 2009). Sua temática aborda um aspecto fundamental para a compreensão da metapsicologia freudiana: a chamada teoria da representação psíquica, que é um componente importante do campo conceitual mais amplo da teoria das pulsões na Psicanálise.

A teoria da representação é fundamental para a metapsicologia por ter constituído um operador teórico com grande potencial heurístico para o pensamento freudiano. A noção de representação psíquica, entretanto, não é exclusiva da Psicanálise, mas sim oriunda da tradição filosófica ocidental. A abordagem da teoria do conhecimento por meio de uma concepção de representação psíquica é uma marca de toda a filosofia moderna: o conhecimento é verdadeiro se a representação psíquica do objeto corresponde ao objeto externo. A psicologia e a medicina científicas herdaram esse modo de articular o problema da verdade e de conceber o próprio fenômeno psicológico: a mente é um espaço em que se articulam e associam representações psíquicas dos objetos. O mérito de Freud foi desenvolver concepções próprias acerca da representação e utilizá-las na elaboração dos conceitos de sua teoria, como os de pulsão, inconsciente e recalque. É dessa forma que essa teoria pode ser entendida como fundamental: uma concepção psicológica básica que delineou balizas para a construção dos modelos metapsicológicos sobre o psiquismo.

Contudo, essa mesma concepção de representação psíquica que Freud tomou emprestada da tradição científico-filosófica moderna acaba encontrando sérios limites em sua aplicação como operador conceitual na teorização do campo de fenômenos próprios à Psicanálise.

O objetivo deste artigo é esboçar os desenvolvimentos da teoria da representação em Freud, procurando evidenciar não apenas sua centralidade para a metapsicologia, mas, principalmente, os limites que essa concepção encontra ao longo do pensamento freudiano. Trata-se de um estudo teórico-conceitual de caráter histórico e epistemológico da metapsicologia freudiana.

Sua metodologia consiste em uma abordagem hermenêutica do horizonte interno da obra de Freud, procurando evidenciar sua dinâmica própria de constituição com suas articulações e ambiguidades. Esse delineamento metodológico de pesquisa teórica em psicanálise utiliza a própria escuta interpretativa para encontrar as dificuldades e tensões presentes no plano conceitual, entendendo que a teoria é, ela mesma, uma produção contra a experiência do inconsciente (Campos & Coelho Junior, 2010).

Neste trabalho, tomarei como ponto de partida a concepção de Laplanche (1988, 1992, 1998) de uma teoria psicanalítica que se desenvolve pautada por uma exigência e articulando problemáticas. Embora traga uma série de contribuições e indicações importantes para a compreensão e interpretação do legado freudiano, propondo, inclusive, uma inspiradora abordagem metodológica, o trabalho desse autor não é exatamente uma apreensão sistemática da obra de Freud. No Brasil, alguns autores são referência nesse tipo de leitura, buscando definir a estrutura própria e os impasses da teoria psicanalítica: Renato Mezan (2001) e Luiz Roberto Monzani (1989).

O trabalho de Mezan (2001) preocupa-se em elucidar o movimento entre os diversos níveis de desenvolvimento da teoria freudiana – sua teoria da técnica, as casuísticas e temáticas abordadas, sua metapsicologia, sua teoria do desenvolvimento e sua psicopatologia – na produção de tramas conceituais complexas. Descreve as progressivas articulações conceituais inerentes aos desenvolvimentos dessas tramas, possibilitando a emergência de temáticas que irão barrar ou privilegiar sentidos de desenvolvimento teórico. Na concepção do autor, o desenvolvimento cronológico da teoria freudiana pode ser dividido em quatro períodos distintos, centrados em temáticas específicas: (1) O período de tentativas e descaminhos ao longo da década de 1890, que se encerra com o abandono da teoria da sedução em 1897, também conhecido como período pré-psicanalítico da obra de Freud; (2) O período de constituição e delimitação do conceito de inconsciente, que abarca de 1900 até 1905 por meio das obras fundamentais como a interpretação dos sonhos e os ensaios sobre a sexualidade; (3) O período de consolidação e amadurecimento da teoria psicanalítica, que vai de 1905 até 1920, um pouco depois da chamada síntese metapsicológica; (4) O período de revisão e reestruturação da metapsicologia, que começa em 1920 e vai até o final da obra de Freud em 1938. Cada período desses tem uma trama conceitual própria, que privilegia certos problemas e temas, mas, também, se articula com os períodos anteriores e posteriores, em uma intricada rede de retomadas, ressignificações e ampliações. Nesse sentido, é um trabalho que apresenta uma leitura bastante abrangente da estrutura conceitual da teoria psicanalítica e do seu desenvolvimento ao longo da obra de Freud.

O trabalho de Monzani (1989), por sua vez, é mais focado, voltando-se para a análise de pontos-chave da teoria psicanalítica, em especial alguns dos momentos mais comumente denominados de ruptura no pensamento freudiano: (1) A passagem da teoria da sedução para o conceito de fantasia; (2) A passagem de uma abordagem neurológica para uma psicológica do aparelho psíquico; (3) A introdução da pulsão de morte e do segundo dualismo pulsional; (4) A proposição do modelo estrutural do aparelho psíquico. Sua tese é de que a arquitetura da metapsicologia é função de um movimento pendular e espiral, em que a polarização entre pares dicotômicos se apresenta sem se resolver definitivamente ao longo de toda a obra do criador da Psicanálise. Da mesma forma, o movimento em espiral descreve uma trajetória entre pontos que segue uma articulação progressiva, porém chegando apenas a uma resolução mais satisfatória sem que as polaridades de origem sejam anuladas.

As particularidades da estrutura da teoria freudiana fazem com que a abordagem de um problema teórico não possa ser efetivada apenas em um recorte temporal específico. É preciso contextualizar a problemática ao longo de toda a obra para que se possa, de fato, derivar sua inserção. Da mesma forma, só artificialmente podemos operar o recorte de um nível específico da teoria como objeto de investigação, no caso, a metapsicologia.

 

Fundamentos e Limites da Teoria da Representação

As concepções de representação e afeto são elementos muito precoces na teoria freudiana. Foco de um de seus primeiros trabalhos (Freud, 1891/1977), os conceitos de representação de objeto e de palavra logo alçaram o estatuto de "hipótese de trabalho" (Freud, 1894a/1996, p. 73) para a compreensão das psicopatologias. O psiquismo, assim entendido, constitui-se como um sistema energético em que o investimento endógeno de traços mnêmicos gera representações ideativas e sua descarga, afetos.

Essa hipótese, inicialmente aplicada à histeria (Freud & Breuer, 1893/1996) e posteriormente expandida para as neuropsicoses de defesa (Freud, 1894a/1996), articulava a noção de defesa como atividade psíquica responsável pelo desligamento energético e perda da associação representacional, gerando deslocamentos ideativos e afetivos, além de conversões somáticas. A introdução por Freud do conceito de defesa e sua articulação com uma concepção energético-representacional mostrou-se muito produtiva, possibilitando tamanho salto teórico a ponto de alguns comentadores afirmarem que se encontra aí o início da teoria psicanalítica (Mezan, 2001, pp. 27-28).

Já no começo daquela década são definidos os termos gerais da hipótese representacional, com a concepção do esquema psicológico da representação ideativa (Freud, 1891/1977). A representação de palavra é definida como um complexo fechado de representações (imagem da escrita, leitura, motora e acústica) de caráter verbal, enquanto a representação de objeto como um complexo aberto de associações de objeto (visuais, táteis, acústicas, etc.) de caráter conceitual. A conexão entre elas é dada pela imagem acústica da palavra e pela imagem do objeto, criando a representação de coisa. É apenas nos textos iniciais que os conceitos aparecem sob essa denominação. Posteriormente, a representação de objeto passará a denominar o complexo formado pela associação entre a representação de coisa (antiga representação de objeto) e a representação de palavra.

A palavra representação, em português, aglutina o significado de duas ideias distintas em alemão. A primeira (Vorstellung) diz respeito a uma apresentação na forma de imagem no psiquismo de um objeto, enquanto a segunda (Repräsentanz) significa uma espécie de delegação no psiquismo de uma excitação somática. Essa delegação pode se dar na forma de afeto – o que constitui um representante afetivo – ou de representação – o que constitui o representante ideativo (Hanns, 1996, pp. 386-404).

Tem-se, assim, que a teoria da representação psíquica é um operador teórico inicial do pensamento freudiano, sendo posteriormente encampada em uma formulação teórica mais geral da dinâmica psíquica, a saber, a teoria pulsional. Nesse sentido, a representação psíquica se tornará parte de um circuito pulsional que articula a excitação somática, pulsão, representação psíquica e a descarga (Hanns, 1999). Desse modo, as representações (Vorstellung) são definidas pela sua função de representação (Repräsentanz) da pulsão. São, assim, a contrapartida psíquica da excitação somática, isto é, são as expressões da pulsão no aparelho psíquico. Essa expressão energética quantitativa se dá de duas formas qualitativas distintas: representação ideativa (Vorstellung) e afeto (Affekt). A primeira é de natureza imagético-conceitual, enquanto a segunda é entendida como uma descarga associada a uma sensação de prazer ou de desprazer. Dentre as representações ideativas, Freud distinguirá, pelo menos, duas modalidades: a representação de coisa e a representação de palavra. Dentre os afetos, o afeto de angústia se mostrará de especial relevância teórica, uma vez que constituirá a expressão da intensidade pulsional em sua forma mais desligada de representações ideativas. Afeto e representação ideativa serão, portanto, as formas básicas pela qual a Psicanálise descreverá os fenômenos psíquicos.

Na literatura psicanalítica há um debate sobre a melhor forma de denominar os termos próprios da teoria da representação em Freud. Em geral, contrapõe-se uma visão tradicional de cunho empirista e associacionista em que as representações seriam formadas pela experiência com os objetos e palavras, a uma visão mais contemporânea de cunho linguístico em que o estatuto das representações seria formado pelas próprias articulações intrínsecas ao regime semiótico e, portanto, independente da referência aos objetos e palavras da realidade compartilhada. É nesse sentido que nos parece assentar a relevância do debate entre os termos “representação-palavra” e “representação de palavra”. Embora seja possível tentar derivar uma posição original e revolucionária de Freud em relação aos seus contemporâneos sobre a representação psíquica, parece-me mais seguro e coerente partir do pressuposto de que a referência epistemológica freudiana explícita é de caráter empirista e associacionista. Minha posição específica sobre esse debate e a defesa de uma terminologia analítica e não sintética para a teoria da representação (representação de objeto, de palavra e assim por diante) foi apresentada em outro artigo (Campos, 2010), que recomendo ao leitor interessado. Neste momento, nos interessa o próprio horizonte interno da teoria da representação psíquica na metapsicologia freudiana.

De qualquer forma, desde o início a hipótese representacional constitui-se como um ponto de tensionamento na metapsicologia, uma vez que a Psicanálise progressivamente indicará como o campo das representações é dinamizado por uma energia móvel que, no limite, tende a escapar das amarras dos chamados traços mnêmicos. Em outras palavras, a teoria psicanalítica de Freud estará para sempre marcada pela disjunção entre a representação e o afeto como origem própria da dinâmica psíquica. Do ponto de vista epistemológico, essa dificuldade teórico-conceitual está referida à própria singularidade do campo psicanalítico, que encontra na análise de Ricoeur (1977) talvez sua enunciação mais precisa, a saber, a de que a Psicanálise se constitui no dilema entre a força e o sentido.

A hipótese que esse trabalho pretende demonstrar é que o desenvolvimento da metapsicologia freudiana irá trazer dois problemas para o modelo representacional em que está assentada. Em primeiro lugar, trata-se de compreender a relação e o alcance da concepção de representação a partir do modelo da identificação, que se tornou a base da segunda tópica. Essa questão implica analisar como a representação passa a ser compreendida no novo aparato em que se embatem instâncias psíquicas que lembram entidades antropomórficas. A compreensão dessas articulações deve passar, inevitavelmente, pela consideração do lugar da pulsão de morte e o problema correlato da sua impossibilidade de representação. Entra-se aí no segundo ponto, que é o de como pensar a representação frente ao irrepresentável, quer seja na angústia, quer seja na representação ideativa. Os fios dessa nova meada teórica parecem apontar para um paradigma do negativo: o afeto remetendo ao desamparo e à morte; a representação perdendo o caráter ideativo e se convertendo em amálgama de identificações; a satisfação cedendo lugar à compulsão torturante e à tentativa de ligação. O eixo do desejo revela em sua origem a impossibilidade de elaboração psíquica.

Surge, então, a questão-chave que mobiliza este trabalho, a saber, como conceber a relação entre a teoria da representação e o que a transcende. O afeto e a representação ideativa parecem encontrar aí seu impasse. Portanto, temos como problema de pesquisa abordar a teoria da representação psíquica para mostrar os limites da metapsicologia em duas direções. A hipótese é que desde o início há um duplo limite do modelo representacional na metapsicologia, que se torna evidente a partir da “virada dos anos vinte”. Desse modo, podemos enunciar que o objetivo geral deste artigo consiste em investigar os limites da teoria da representação na metapsicologia freudiana. Mais especificamente, consiste em analisar: (1) o além da representação, ou seja, os limites da teoria representacional frente ao conceito de identificação; (2) o aquém da representação, ou seja, o irrepresentável em jogo na pulsão de morte e nas diversas modalidades de angústia. Além disso, tem o objetivo de tecer considerações de conjunto sobre os próprios modelos de representação sistemática do pensamento de Freud.

 

O Momento de Constituição da Psicanálise

Levando em consideração todo o rico percurso do chamado período pré-psicanalítico da obra de Freud, cabe analisar o momento de constituição e consolidação do objeto da Psicanálise, o inconsciente, tarefa que é levada a cabo por Freud em sua obra-prima, a Interpretação de Sonhos (Freud, 1900/1996). À luz das explorações prévias de Freud (1894a/1996, 1894b/1996, 1950/1995, 1895/1996, 1896/1996), o estudo do famoso capítulo VII, em que é apresentado o modelo topográfico do aparelho psíquico, revela uma interessante formação de compromisso. Chegamos à hipótese de que a constituição do objeto da Psicanálise se deu em função de uma dupla ruptura epistemológica: de um lado, em relação ao nível biológico do organismo, por outro, ao nível daquilo que não é representável no nível psicológico. Assim, já no primeiro momento de síntese metapsicológica, a questão sobre o que escapa à representação encontra-se delineada no horizonte interno da teoria freudiana.

Partindo de uma leitura detalhada dos textos freudianos, é possível discriminar os aspectos que foram integrados a esse modelo daqueles que foram deixados em segundo plano. Assim, a concepção radical de processo primário, a regressão formal do aparelho psíquico, o registro perceptivo como forma de ligação primária em representação e a noção de angústia primária como expressão direta do traumático, em suma, a dimensão da não representação, foi relegada a um segundo plano pelo imperativo da realização do desejo inconsciente na fantasia. Configura-se assim um primeiro movimento significativo no seio da espiral de exigência que examinamos, apresentando uma hipótese sobre o movimento do pensamento freudiano: a emergência da primeira tópica, sob o império da fantasia inconsciente e o trabalho onírico, vem suplantar a dimensão não representacional do traumático, que sucumbe por sua ligação com a teoria da sedução.

Essa hipótese vem corroborar os assinalamentos de alguns comentadores (Laplanche & Pontalis, 1988; Monzani, 1989) que afirmam certo desequilíbrio na série complementar dos fatores externos e internos na compreensão da etiologia das neuroses por conta do abandono da teoria da sedução. Este estudo vem contribuir com essa interpretação demonstrando que o desequilíbrio não é notado apenas em 1905, no tocante à pulsão, mas, também, em 1900, no seio da própria teoria da representação.

 

A Síntese Metapsicológica

O terceiro momento da obra de Freud consiste no amadurecimento da teoria psicanalítica de meados de 1900 até 1920. Trata-se do momento mais substancial de produção de Freud e que tem como coroamento os textos de sistematização teórica. Assim, os chamados artigos de metapsicologia consistem na grande síntese metapsicológica que Freud tenta efetuar no final desse período. Ali a teoria pulsional e a teoria sobre o aparelho psíquico encontraram suas articulações mais amplas. Porém, observa-se que esse momento de síntese é, também, um momento de rupturas e inovações, além de retomada de antigos problemas. Em especial, destaca-se a problemática do narcisismo e da identificação. Novamente veremos um movimento interessante do pensamento freudiano, pois os artigos de síntese estão associados e comprometidos com novas exigências conceituais que fogem à trama explícita do período.

Observa-se, nesse momento da obra de Freud, uma tentativa de apresentação consistente dos conceitos fundamentais da teoria da representação na metapsicologia, articulando-os com os demais elementos conceituais da teoria geral do aparelho psíquico no âmbito de uma metapsicologia mais madura e coerente. Essa discussão envolve examinar os arranjos clássicos daquele período: o primeiro modelo pulsional (Freud, 1915a/2004), o primeiro modelo tópico (Freud, 1915b/2004, 1915/2006) e a primeira teoria da angústia (Freud, 1917a/1996). Envolve também examinar os efeitos de dois textos que introduzem a questão da identificação na constituição e dinâmica psíquica, o de introdução ao narcisismo (Freud, 1914/2004) e o sobre o luto e a melancolia (Freud, 1917b/2006).

O exame desses textos paradigmáticos possibilita uma visão bastante interessante sobre o movimento do pensamento freudiano já no momento tradicionalmente considerado como a grande “síntese” da metapsicologia. É possível sustentar a hipótese de que o movimento de síntese teórica em torno do núcleo mais consistente de conceitos que articulam uma concepção sistemática do aparelho psíquico está limitado por outra série de conceitos e proposições que já eram presentes no campo teórico da Psicanálise, mas que vão progressivamente se avolumando e promovendo demandas de elaboração. Assim, o modelo de psiquismo fundamentado em uma teoria das representações e organizado em torno do recalque como mecanismo de defesa organizador da dinâmica psíquica é rivalizado pela compreensão de uma gênese do ego baseada nos investimentos da pulsão sexual por meio de um processo de identificação narcísica com o objeto. Isso implica que as concepções de narcisismo e de identificação são responsáveis por uma demanda de revisão da teoria do aparelho psíquico, passando a considerar sua dimensão genética e funcional.

Nos termos de uma compreensão geral do movimento do pensamento freudiano, o que esse período mostra é um jogo de compromissos entre perspectivas de síntese em torno de uma dimensão mais articulada da metapsicologia e perspectivas de abertura próprias dos limites, contradições e ambiguidades desses primeiros modelos. Assim, a síntese metapsicológica é fruto de uma redução do campo de problemáticas da teoria psicanalítica de Freud, que congrega não só esse movimento mais “atual” do pensamento, mas também uma dinâmica mais “anterior” própria do momento de constituição do inconsciente como objeto da Psicanálise. Naquele primeiro movimento esteve em jogo a recusa de seguir na elaboração de uma concepção mais radical e traumática da economia energética do psiquismo, garantindo uma fundamentação segura do aparelho psíquico em uma teoria da fantasia e dos conteúdos psíquicos em termos representacionais.

Esses apagamentos e restrições, contudo, não conseguiram operar uma total homogeneização na problemática, deixando “restos” e “pontos de fixação” para movimentos futuros. O principal resto desse período está na concepção sobre o afeto de angústia, que não só é paradigmática da operação do inconsciente na dinâmica psíquica como, também, é sintomática da impossibilidade de redução dos processos pulsionais a uma concepção puramente ideativa de representação. Surge aí, por exemplo, o paradoxo do afeto inconsciente como uma bela ilustração das contradições próprias ao momento de soberania do modelo topográfico.

Assim, o aquém da representação já se manifesta nesse momento por meio das ambiguidades na teoria dos afetos, extremamente limitada a uma concepção de angústia como descarga energética oriunda de uma operação de desinvestimento no regime das representações já constituídas. Isso quer dizer que aqui é o afeto que aparece como uma negatividade secundária, efeito da defesa, em relação à positividade das representações ideativas. Do mesmo modo, um além da representação já se insinua nas indicações de que o ego seja fruto de um processo econômico constitutivo mediado por identificações com o objeto, de tal forma que se passe a considerar um regime do funcionamento psíquico para além da concepção de conteúdos representacionais. Nesse sentido, é a noção do aparelho psíquico como um continente organizador de modos de funcionamento que passa a se avolumar na periferia das teses metapsicológicas.

 

A Virada dos Anos Vinte e seus Desdobramentos

A confluência das duas linhas de “recalcamento” teórico e a multiplicação de seus desdobramentos ao longo do desenvolvimento da metapsicologia levou a um ponto propriamente de viragem, no qual linhagens bastante primitivas da teoria psicanalítica retornam com força, provocando amplas ressignificações e rearticulações, a ponto de transformar de cima a baixo a estrutura da metapsicologia. Esse é o momento da chamada “virada dos anos vinte” em que a proposição do conceito de pulsão de morte irrompe como um verdadeiro “sintoma” teórico, produzindo o mal-estar típico do sentimento de estranheza.

A reformulação teórico-conceitual dos anos vinte introduziu vários elementos que de certa forma transcendem a concepção inicial de representação e afeto. São eles: a irrepresentabilidade da pulsão de morte, a identificação como eixo central da estruturação da personalidade, o sentimento inconsciente de culpa e outros afetos “inconscientes”, além da reformulação da teoria da angústia, com a introdução do sinal de angústia e com a afirmação de uma angústia originária. Desse modo, a chamada “virada dos anos 1920” abre três caminhos paralelos de desenvolvimento, que iremos abordar nos tópicos subsequentes: a segunda teoria pulsional, a segunda tópica e a segunda teoria da angústia.

 

A Introdução da Pulsão de Morte

A grande referência deste momento é o texto Além do Princípio de Prazer (Freud, 1920/2006), complementado pelo artigo sobre o problema econômico do masoquismo (Freud, 1924b/2007) e pelo capítulo sobre as pulsões de O Mal-Estar na Civilização (Freud, 1929/1996).

Sendo a pulsão de morte uma energia de desligamento, ela não pode fazer parte da organização de uma instância psíquica que se diferencia em função das exigências da realidade e do investimento narcísico, ou seja, do ego. A pulsão de morte também não pode se fazer representar independentemente de uma cota de energia de ligação. É aí que Freud introduz um novo mecanismo na teoria das pulsões: a fusão e defusão pulsional. A libido passa então a ser encarada não como o investimento das pulsões sexuais, mas como um investimento fusionado das pulsões de morte e de vida, em maior ou menor grau. É nessa intricada relação que se deve procurar entender o novo estatuto dos representantes psíquicos e, principalmente, os seus limites.

Os elementos fundamentais da proposição de um além do princípio de prazer remetem a uma exigência originária do campo teórico que Freud recorta, de modo que a noção de uma negatividade absoluta ou uma tendência mortífera de toda a proposição sobre a teoria das pulsões é um avesso previsto pelo próprio postulado que Freud adota. Dessa forma, pode-se afirmar que o conceito de pulsão de morte dá um lugar ao irrepresentável na metapsicologia freudiana. Essa irrepresentabilidade, por sua vez, na medida em que dá nome ao que resiste a todas as possibilidades de elaboração e ligação psíquica, indica o reconhecimento de uma alteridade radical da pulsão como pano de fundo da vida psíquica.

A segunda teoria pulsional, por sua vez, está intimamente ligada aos desdobramentos que ocorrem na metapsicologia desde a introdução do conceito de narcisismo. A partir daí será também no plano das identificações que passará a transitar a teorização freudiana do aparelho psíquico, levando à definição das instâncias do modelo estrutural.

Embora exista essa exigência originária, a teoria da pulsão de morte proporciona uma série de aberturas na metapsicologia. Essas linhas de desdobramento, contudo, nem sempre são consideradas e trabalhadas pelo próprio Freud, apesar de terem influência sobre as leituras pós-freudianas acerca do conceito de pulsão de morte. Isso faz com que seja bastante esclarecedor marcar que há três perspectivas distintas que se desdobram a partir do conceito de pulsão de morte: (1) traumatismo e ligação; (2) desligamento e sentimento inconsciente de culpa; (3) agressividade e destrutividade. Acompanhando as minúcias dos compromissos que essas três ideias distintas sobre a pulsão de morte estabelecem ao longo da obra de Freud, é possível chegar à conclusão que o autor tende a privilegiar a via da agressividade e da destrutividade como uma forma de resgatar a vinculação mais estreita com o plano dos afetos e da dinâmica do aparelho psíquico constituído em torno do recalque, mas deixa de lado uma abordagem de momentos constitutivos anteriores do aparelho psíquico, principalmente a questão do narcisismo com seu modo próprio de identificação.

Todo esse percurso em Freud permite também traçar um movimento geral característico, que envolve novamente um momento de síntese em torno de um núcleo duro e uma série de aberturas e limites para teses e concepções marginais. É possível constatar como paradoxalmente a linhagem da irrepresentabilidade acaba por encontrar a das origens do aparelho psíquico por identificação, formando um ponto interessantíssimo que, porém, é estrategicamente evitado por Freud: a articulação da teoria do narcisismo com a nova dualidade pulsional.

Embora constitua um ponto cego da metapsicologia freudiana, é possível recorrer a alguns autores contemporâneos para investigar um pouco mais as possibilidades de elaboração nesse campo de problematização. Laplanche (1998), Green (1982, 1988, 1990) e Figueiredo (1999, 2003) permitem derivar algumas discussões interessantes sobre esse nó, como: (1) A do desvio biologizante na segunda tópica; (2) A da possibilidade de pensar uma origem do aparelho psíquico e do próprio regime das pulsões no encontro com uma alteridade indutora de significações; (3) A de uma dinâmica própria do narcisismo negativo, marcada não só pela ligação do traumático, mas, também, pelo desinvestimento do objeto.

Os efeitos da pulsão de morte na estrutura da metapsicologia não deixarão de ser notados ao longo das duas sínteses posteriores – o modelo estrutural e a segunda teoria da angústia. É como se o trabalho silencioso, compulsivo, repetitivo e desintegrador dessa alteridade radical não cessasse de produzir efeitos na grande estrutura integrativa que é a teoria psicanalítica.

 

O Modelo Estrutural e o Eixo das Identificações

A consolidação da “virada dos anos vinte” se deu com a segunda tópica, o chamado modelo estrutural, apresentado no texto sobre o Ego e o Id (Freud, 1923/2007) e consolidado uma década depois (Freud, 1933a/1996). Nesse novo modelo também encontraremos uma problemática que incide sobre a teoria das representações. O Ego, tal como definido na segunda tópica, é marcado por uma ambiguidade. Por um lado, ele é essencialmente um conjunto de funções adaptativas e um conjunto organizado de representações de desejo. Por outro lado, passa a estar em pauta a constituição desse mesmo aparelho pela identificação. É certo que, tomando a identificação como modelo constituinte do aparelho psíquico, este inevitavelmente será um precipitado de representações investidas. Mas a identificação não visa à satisfação da pulsão segundo o modelo alucinatório, ela é, antes, uma forma de ligação erótica. Há, portanto, um componente estruturante na identificação. Além disso, a representação não entra aí como um objeto, mas como um precipitado que entrará na constituição de uma instância psíquica. Dessa forma, a noção de identificação parece transcender a concepção de memória entendida como representação psíquica da pulsão por meio do investimento de traços mnêmicos. Caberia, então, explicitar qual a relação da representação psíquica com a identificação. A noção de representante psíquico parece ceder lugar ao modelo da identificação, sem ficar claro como essas duas concepções se relacionam entre si.

Além disso, outra questão é colocada pela identificação. Trata-se do papel do outro na constituição da subjetividade. No tema específico dos representantes psíquicos, isso implica dizer que os representantes não são só representantes da pulsão, mas também delegados da alteridade. Isso quer dizer que com a introdução da identificação a noção de representante é alargada no sentido de um trabalho que o outro imprime ao psiquismo. Com isso, não cabe entender a representação apenas como algo que busca a satisfação alucinatória da pulsão, mas também como a marca da alteridade que impõe direções na constituição do aparelho psíquico. Assim, tem-se que o representante psíquico não é uma via de mão única, mas, ele mesmo, um compromisso entre a pulsão e a realidade. Há de se pensar, portanto, o papel do “outro” na constituição do aparelho psíquico.

A confluência da teoria da representação com a problemática da identificação nos leva a uma questão central. Trata-se de saber como um conjunto de representações pode ter um papel dinâmico e organizador do psiquismo. Como foi colocado, o conceito de representação refere-se a uma marca que se inscreve na superfície de um aparelho psíquico. As representações psíquicas em momento algum se referem à estrutura do aparelho psíquico. Este comparece como um suporte para a produção daquelas, tal como o conjunto de lentes de um sistema ótico é a condição para a produção da imagem. Essa é a metáfora para a compreensão do aparelho psíquico que estrutura a primeira tópica em torno da dinâmica das representações. Nela não há lugar para a investigação da própria gênese das instâncias psíquicas – suas lentes.

Com o progressivo desenvolvimento da metapsicologia, o esquema freudiano irá se desdobrar para dar conta da gênese e desenvolvimento do aparelho psíquico até que, com a emergência do conceito de identificação, a problemática vem a transcender a própria concepção de representação. Portanto, a partir da teoria das identificações, abre-se espaço para um processo no qual um objeto do mundo exterior não é apenas representado na forma de imagem, mas, também, passa a organizar o próprio espaço mental, como suporte para a gênese de uma instância psíquica.

Assim, a identificação não é mera imagem ou conteúdo, mas também um continente. Nesse sentido, pode-se afirmar que haja uma configuração no processo de identificação que a noção de representação não comporta: o modelo da representação é a imagem sensorial – portanto, bidimensional –, o de identificação é a incorporação de objetos na gênese de um espaço psíquico – sendo, assim, tridimensional. A metáfora da tridimensionalidade tem como objetivo enfatizar que a problemática da identificação transcende a do modelo representacional, abrindo uma nova dimensão em que a alteridade está incrustada na gênese do aparelho psíquico. Não se refere tanto a uma tridimensionalidade objetiva na construção de modelos de aparelho psíquico, apesar de o modelo da segunda tópica certamente comportar características de um espaço psíquico em que se confrontam instâncias que lembram verdadeiras “entidades”.

O exame do modelo estrutural mostra claramente mais um momento de síntese e articulação por parte de Freud das longas e amplas meadas conceituais que vinham sendo abertas desde a síntese metapsicológica. Duas questões fundamentais para o problema de pesquisa aqui proposto aparecem nesse momento: (1) A abertura para uma noção de negatividade no seio do Id; (2) Os adensamentos da compreensão da gênese do Ego por meio de identificações.

É possível notar que o primeiro ponto foi sistematicamente desconsiderado ao longo dos textos finais de Freud, pois a dimensão propriamente irrepresentável e traumática foi substituída claramente por uma perspectiva biologizante na compreensão das origens do psiquismo e das pulsões. Em especial, cabe notar a desconsideração de aspectos revolucionários na teoria das pulsões. O primeiro deles é que a representação ideativa entendida como conteúdo consciente de uma função de memória deixa de ser o modelo para a compreensão das pulsões. Isso quer dizer que além de uma abertura para o irrepresentável próprio da efração traumática e do princípio do nirvana, a proposição do modelo estrutural amplia consideravelmente o leque da atividade pulsional e de suas possibilidades de significação. Essa ampliação parte da inclusão das pulsões no aparelho psíquico, formando o “caldeirão” do Id e passa pela consideração de um Id não recalcado, tornando mais claro que a “irrepresentabilidade” diz respeito não ao nível meramente energético e biológico, mas a modalidades primitivas de significação do impulso de prazer na relação com os objetos.

Essas modalidades envolvem as funções perceptivas e as modalidades de significação próprias dos afetos e das emoções. Isso amplia consideravelmente a compreensão dos processos psíquicos, destituindo de vez a representação ideativa e a função simbólica do centro dos modos de significação. Decorre daí a importante conclusão de que na segunda tópica a teoria da representação se transforma radicalmente, passando a incluir um leque de modalidades de produção de sentido que normalmente estão à margem do paradigma propriamente moderno de consciência. Vários autores consubstanciam essa interpretação, sendo talvez o mais enfático e representativo Green (1990, 2008), que propõe a importante concepção de uma heterogeneidade do significante.

Isso quer dizer que a questão da irrepresentabilidade a partir da segunda tópica se desdobra em duas vias de crítica ao paradigma representacional. Infelizmente, toda essa riqueza de aberturas na segunda teoria das pulsões é deixada de lado por Freud, que prefere amarrar a discussão sobre as pulsões no campo de tendências ontológicas transcendentais.

Já a segunda questão fundamental apontada – a das origens do Ego via identificação – vai ser progressivamente elaborada ao longo das últimas décadas de trabalho de Freud, chegando a um arranjo consistente sobre a constituição da subjetividade em torno do Complexo de Édipo e de seus modos específicos de identificação, angústia e defesa. Todavia, a integração desse aspecto da teoria das identificações na metapsicologia ocorre em função de um segundo movimento de restrição e “recalcamento” teórico, que foi demonstrado inicialmente por Ribeiro (2000): a desconsideração do momento mais originário da identificação primária feminina e narcísica por meio da ênfase na identificação secundária em regime edípico como momento estruturante da subjetividade. Essa escolha, embora motivada por outras razões, acaba implicando também o resguardo de um fundamento epistemológico essencial na metapsicologia freudiana: a teoria da representação.

Defende-se a posição de que é especificamente no nível das identificações primárias e narcísicas, ou seja, propriamente na compreensão da gênese das pulsões, do aparelho psíquico e do Ego, que a questão do além da representação se coloca. Isso porque a identificação edípica é mais propriamente tributária de uma dimensão simbólica e representacional do psiquismo. A questão se torna particularmente difícil de manobrar nesses momentos mais originários por conta que a identificação não cria aí meros referenciais simbólicos ou conteúdos psíquicos, mas o próprio continente que engendra esses processos. Além disso, envolve também a abertura para uma dimensão fundamental que é subvalorizada em uma perspectiva estritamente representacional: o lugar do objeto como uma alteridade indutora de significações na constituição do aparelho psíquico.

Desse modo, uma exploração sistemática das possibilidades do modelo estrutural revela um adensamento das linhagens marginais do pensamento de Freud em direção ao seu núcleo duro e “egoico”. Nota-se, então, como o movimento de síntese é acompanhado de uma série de aberturas que colocam a própria síntese em questão, tornando um novo movimento defensivo e reorganizador urgentemente necessário.

 

A Rearticulação da Teoria da Angústia e as Novas Aberturas

O último caminho aberto pela “virada dos anos 1920” envolve a articulação geral da teoria da angústia e as demais aberturas que Freud promove na última década de sua obra. O arremate de uma concepção conservadora da subjetividade é feito no clássico texto sobre inibições, sintomas e angústia (Freud, 1926/1996).

A importância desse texto não está só na síntese e proposição de uma segunda teoria da angústia, mas também na centralização de toda a questão da estruturação da subjetividade na dinâmica edípica, na angústia de castração e no mecanismo do recalque. Este último aspecto, inclusive, é o mais significativo e ilustrativo do movimento de resgate de um ego funcional e soberano no aparelho psíquico como elemento paradigmático para a compreensão da subjetividade. A organização da segunda teoria da angústia em torno do sinal de angústia como mecanismo que possibilita a soberania do Ego sobre as outras instâncias e a realidade é apenas o corolário dessa “reabilitação do ego”. Novamente, do ponto de vista epistemológico, é o núcleo duro da teoria da representação que é resguardado.

Esse resguardo é claramente observado na ênfase que a segunda teoria dá para o sinal de angústia e no subdimensionamento que é operado sobre a angústia econômica ou automática, fruto do desamparo frente à pulsão de morte. Por outro lado, embora chegue a considerar a discriminação de outras modalidades afetivas em jogo nos processos defensivos e relacionadas a momentos específicos do desenvolvimento psicossexual, esse escalonamento não é efetivamente levado a cabo. Assim, embora reconheça a ampliação dos afetos de desprazer, passando a incluir a dor e o luto, Freud não se preocupa em articulá-los a constelações fantasísticas e mecanismos defensivos específicos de fases pré-genitais do desenvolvimento da libido. Prefere, pelo contrário, resguardar a importância do recalque e da angústia de castração. Desse modo, a segunda teoria da angústia também esboça uma série de possibilidades de abertura, mas fica restrita aos elementos já consolidados.

Ao definir a nova tópica, Freud colocara o Ego como sede da angústia. Essa afirmação era de certa forma contraditória com o modelo de angústia até então adotado, que era pautado no modelo da angústia automática e, portanto, um produto do Id no Ego. Essa aparente contradição procura ser sanada na segunda teoria da angústia, a qual também tenta acomodar as exigências lançadas pela nova teoria pulsional. Freud pautou o seu primeiro modelo na oposição entre angústia realística e angústia neurótica, sendo esta expressão da excitação livre. A angústia realística, por sua vez, já proporcionara a ideia incipiente de um sinal de preparação para o perigo. É esse o ponto que Freud retomará em sua nova teorização, trazendo-o para um lugar de destaque. A angústia seria, assim, um sinal emitido pelo Ego como forma de preparação para o perigo, só que agora um perigo interno, ou seja, pulsional. Dessa forma, passa a ser a angústia que origina o recalque, não o contrário. Essa é a concepção do sinal de angústia, cerne da segunda teoria da angústia, a qual fecha a concepção do segundo modelo tópico e pulsional freudiano. A angústia, assim entendida, é uma função de defesa do Ego que o protege contra o desprazer do aumento da energia livre.

O sinal de angústia, contudo, não é o único momento da angústia. Como mostra a teoria da pulsão de morte, há também a possibilidade de um transbordamento da excitação no aparelho psíquico que se converteria automaticamente em angústia. Essa excitação seria de origem pulsional, mas remeteria a certa condição do organismo, que seria a impossibilidade do Ego em lidar com a excitação. Tem-se assim uma angústia originária entendida como um desamparo: o terror para o qual o Ego não tem recursos. A defesa, portanto, mostra-se um mecanismo contra a repetição do desamparo originário. A angústia originária se reveste de particular interesse para uma pesquisa sobre o afeto porque ela é um representante psíquico singular. Ela é um estado de desamparo definido pela impossibilidade de elaboração psíquica e, portanto, não poderia ser representado. Ela não tem um objeto específico ou mesmo um estado particular de sensações, ela é o protótipo da invasão do Ego pela energia livre. Poder-se-ia dizer que ela é uma verdadeira expressão da pulsão de morte. Freud, contudo, não se preocupou em associar a angústia originária com a pulsão de morte, apesar de ser essa uma vinculação possível (Rocha, 2000).

A partir dos pontos expostos, podemos observar que as reformulações da teoria da angústia lançam um questionamento para a concepção do afeto como representação psíquica. Nesse sentido, há algo de irrepresentável nos afetos e há de se perguntar de que forma o modelo da representação afetiva dá conta dessa impossibilidade de elaboração simbólica que é o desamparo psíquico. Tem-se, assim, que tanto o segundo modelo tópico quanto o segundo modelo pulsional e a teoria da angústia trazem questionamentos para a concepção freudiana da representação ideativa e do afeto.

Algumas outras ambiguidades e contradições que se mostram nesse último período da obra de Freud são função de novas contribuições que ressignificam e ampliam consideravelmente o campo de questões. Dois desses novos elementos são dignos de destaque: a especificidade da constituição subjetiva no gênero feminino (Freud, 1925/1996, 1931/1996, 1933b/1996) e o estudo de psicopatologias para além das neuroses (Freud, 1924/1996, 1924a/2007, 1924c/1996, 1927/2007, 1938/2007). Essa última, em particular, lança novas perspectivas de compreensão da estruturação do aparelho psíquico a partir do estudo das psicoses e das perversões.

Esse estudo, embora ainda muito incipiente nesse final da obra de Freud, se mostra uma abertura essencial para outros mecanismos constitutivos do aparelho psíquico que não o recalque. Esse ponto se mostra fundamental, pois é o que possibilita uma relativização da amarração que Freud se esforça em efetuar em torno do paradigma da neurose e a abertura para outros processos e modelos na compreensão da estrutura do aparelho psíquico, sendo o principal deles a noção de uma cisão ou divisão estrutural do Ego. Certamente, o desenvolvimento desse caminho se mostraria extremamente rico para a superação do paradigma da representação na metapsicologia, como bem mostrou a própria história posterior do movimento psicanalítico.

Esse percurso em torno da última teoria da angústia e das investigações sobre as psicoses e perversões acabou mostrando, novamente, uma dupla faceta. Por um lado operou novas sínteses, embora estas últimas tenham se mostrado ainda mais confusas e contraditórias. O exame da segunda teoria da angústia, nesse caso, é exemplar. No nível restrito da lógica dos mecanismos, seria possível um escalonamento dos tipos de angústia e uma integração entre a angústia originária, a angústia do Id, a angústia realística e o sinal de angústia. Contudo, essa amarração no nível mais restrito da teoria da angústia se mostra em dissonância com elementos fundamentais da metapsicologia, resultando em uma teoria contraditória e insatisfatória.

 

Por uma Representação de Conjunto

Esse é resumo geral dos momentos de exame da problemática proposta. Partimos de uma abordagem dos horizontes internos da obra de Freud que recorta as exigências que os arranjos conceituais engendram, gerando propriamente um movimento de elaboração teórica. Laplanche (1988, 1992, 1998) denomina esse recurso de espiral problemática, em que se operam rearticulações sucessivas de determinadas exigências teóricas.

No campo da teoria psicanalítica, em geral, e na obra de Freud, em particular, se costuma operar um movimento bastante característico de elaboração teórica, em que os conceitos são produzidos por uma lógica complexa de conflitos, retomadas, rupturas e ressignificações.

A discussão precedente endossa o ponto de vista que o pensamento freudiano não pode ser pensado em termos de uma linearidade lógica ou cronológica, em que os elementos conceituais vão se desenvolvendo em organizações mais complexas e abrangentes, sem contradições internas. Essas pretensões sistemáticas muito lineares sempre se mostram ilusórias. Precisamos delas como recursos mais “didáticos”, que permitem uma aproximação inicial do pensamento de Freud.

Mesmo os autores que procuram uma leitura sistemática da obra freudiana, como Mezan (2001) e Monzani (1989), reconhecem a sua complexidade. Quer seja na articulação simultânea entre investigação clínica, metapsicologia e cultura, quer seja no campo intrínseco do movimento de teorização, o que se observa é um movimento de afirmação e negação, de resgate e ressignificação. Esse movimento tende a assumir uma forma espiralada. Essa espiral não é nada dialética, no sentido de uma síntese que possa apaziguar as tensões entre as polaridades.

Tomada em uma perspectiva geral da obra freudiana, como o faz Monzani (1989), essa espiral tende a ter um caráter sintético. Essa síntese, contudo, não se dá por saltos integrativos, mas pelo tortuoso caminho das temáticas pendulares, os quais nunca encontraram um acabamento definitivo. Tomada em uma perspectiva particular da obra freudiana, como o faz Laplanche (1998), a ideia de espiral tende a ter um caráter mais circular. A ideia, nesse caso, é que eixos temáticos recortam vetores de exigência, os quais evidenciam as tensões constitutivas de uma determinada constelação conceitual.

É assim que a temática da sedução desaparece em 1897 para retornar em 1937 sob uma perspectiva renovada. Da mesma forma é assim que o traumático sucumbe em 1900 para retornar, em outro patamar, em 1920. Mesmo com esses remanejamentos, os modelos freudianos nunca alcançam o lugar de uma representação que seja definitiva.

O percurso traçado neste artigo sustenta um ponto de vista mais complexo a respeito do movimento do pensamento freudiano, que incide sobre os seus próprios pressupostos epistemológicos.

Vimos, a respeito da não representação, como a questão não se resume a uma polaridade dicotômica. Assim, apesar de podermos afirmar a anterioridade lógica do não representacional em relação ao representacional, no sentido de um campo originário de traumatismo a partir do qual o aparelho se constitui, é preciso lembrar que esse não representacional está sempre presente em negativo na dinâmica do psiquismo. Isso quer dizer que apesar da pulsão estar fora do psiquismo, ela também está dentro dele, pois é a partir dela – por meio de seus representantes – que ele se constitui. A partir disso, podemos interpretar o caráter fronteiriço da pulsão de forma mais interessante: um conceito que delimita dois campos, constituindo-os.

Há, portanto, algo de irrepresentável no não representacional, mas também há algo de não representado, algo que pode vir a ser representado no psiquismo. Este estudo sustenta que na obra de Freud o problema do irrepresentável surge sempre como essa dimensão traumática do pulsional, a qual pode, de maneira menor ou pior, ser representada via ligação primária, via impressão. Por mais radical que as teses pareçam em relação às da realização de desejo, elas podem ser equacionadas em um ponto infinito do horizonte. Há, portanto, uma esperança de que esses excessos primários possam ser ligados e que os afetos irrompam apenas no seio da lógica do princípio de prazer. A verdade é que a questão do irrepresentável se configura definitivamente apenas com a introdução da pulsão de morte na segunda tópica, uma vez que ela se define em negativo.

Contudo, as coisas talvez não se equacionem de maneira tão fácil. Não basta marcar a interdependência entre representação e não representação a partir da compreensão da pulsão como elemento traumático e simultaneamente constituinte do psiquismo. É preciso avançar o sentido de uma noção de que os princípios não podem ser entendidos em termos de sucessão temporal ou oposição, mas por serem interdependentes entre si, em uma espécie de lógica de suplementaridade (Figueiredo, 1999).

O seu exemplo mais claro é a permanência de certo paradoxo nos princípios mais básicos sobre a origem do funcionamento psíquico, que se manifesta sob diversas formas. Assim, é visível na relação entre o princípio de prazer-desprazer e o que está para além deste, o que se expressa na oposição entre um processo primário radical e os processos primário e secundário. A ideia é que o acúmulo de excitação que está na origem da dinâmica psíquica só pode se dar pela atividade de inibição do processo secundário.

Assim, parece haver um vínculo mais profundo que une a pulsão traumática e irrepresentável e a pulsão docilizada pelo princípio do prazer que é passível de representação. É possível afirmar que esse mesmo paradoxo encontra-se presente na tensão entre não representação e representação. Dessa forma, há um vínculo profundo entre o campo da representação e o da não representação, em que a definição de um depende da existência do outro.

Isso tudo apenas vem reforçar o postulado da irredutibilidade do paradoxo intrínseco à teoria da representação, cujo corolário é a afirmação de que o afeto seja sempre resistente à conformação representacional.

No que diz respeito ao movimento do pensamento freudiano, portanto, é possível afirmar indícios de uma lógica suplementar, para além da polarização entre duas essências distintas, operando na teoria da representação, como reflexo de sua operação na teoria pulsional.

O que podemos observar no exame do recorte proposto é um movimento bastante complexo de elaboração teórica, mas também bastante característico: cada nova amarração ou enriquecimento conceitual engendra uma exigência ou impulso no polo oposto. Cada nova síntese resulta em um movimento em direção a sua antítese, em uma oscilação pendular na elaboração da trama de conceitos. Esse movimento, por sua vez, não é nada dialético. É antes uma “dialética sem síntese” ou “dialética negativa” articulada por uma lógica própria de exigências suplementares.

Essa produção do novo por meio do conflito sem anulação ou resolução das diferenças fundamentais, por sua vez, articula um movimento progressivo de retomadas, ampliações e ressignificações, caracterizando um típico movimento em espiral.

É possível concluir, após todos esses movimentos da problemática da representação, um panorama geral das distensões que vão sendo produzidas no seio da metapsicologia a ponto de poder esboçar duas grandes tendências que estão presentes ao longo de toda teoria freudiana como avessos ou suplementos de origem à questão da representação que vão se evidenciando cada vez mais no movimento do pensamento de Freud: (1) um eixo do irrepresentável; (2) um eixo da identificação primária. Desse modo, é possível concluir que o exame da hipótese central deste artigo corrobora a proposição de alguns comentadores da obra freudiana sobre o movimento do pensamento característico do criador da Psicanálise: nem continuidade, nem ruptura; mas progressão, regressão e retomada em uma pulsação inesgotável que engendra movimentos circulares e espirais para a configuração de um espaço ou campo de saber.

 

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Recebido em: 08/09/2010
Aceito em: 09/08/2011

 

 

1 Este artigo congrega e apresenta os principais resultados dos trabalhos de mestrado e doutorado desenvolvidos pelo autor no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.


 

 

Érico Bruno Viana Campos, docente, Centro Universitário Hermínio Ometto de Araras (UNIARARAS) e Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP). Endereço para correspondência: Av. Dois Córregos, 1770, casa 10. Piracicaba, SP, Brasil. CEP: 13420-835. Endereço eletrônico: ebcampos.online@gmail.com