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Pro-Posições

Print version ISSN 0103-7307

Pro-Posições vol.22 no.1 Campinas Jan./Apr. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-73072011000100013 

ARTIGOS

 

Uma educação pela natureza: vida ao ar livre e métodos terapêuticos nas colônias de férias infantis do Estado de São Paulo (1940)

 

Education through nature: open-air life and therapeutic methods at summer camps in the state of São Paulo (1940)

 

 

André DalbenI; Carmen Lúcia SoaresII

IDoutorando do Programa de Pós Graduação da Faculdade de Educação da Unicamp, Campinas. Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), SP, Brasil. andredalben@yahoo.com.br
IIProfessora da Faculdade de Educação Física (FEF) e dos Programas de Pós-Graduação em Educação Física (FEF) e em Educação (FE) da Unicamp, Campinas, SP, Brasil. carmenls@unicamp.br

 

 


RESUMO

A montanha e o litoral afirmam-se no imaginário urbano paulista da década de 1940 como propícios locais para a instalação de colônias de férias infantis. O clima, a altitude, a água e o sol, são elementos naturais próprios dessas localidades, considerados cientificamente como instrumentos capazes de revigorar as fragilidades orgânicas das crianças que tiveram a sua saúde deteriorada pelos agitados ritmos e artifícios oriundos da vida urbana. Organizam-se, assim, nessas instituições extraescolares, procedimentos médico-educativos para as férias infantis, transformando-as em tempo destinado à educação e ao fortalecimento do corpo. O artigo tem por objetivo estudar essa educação do corpo realizada nas colônias de férias infantis que, ao privilegiar a natureza e seus elementos, afirma e desenha comportamentos e formas de uma vida higiênica para a cidade e seus moradores.

Palavras-chave: colônias de férias infantis; natureza; cidade; educação do corpo; história


ABSTRACT

The mountains and the coast are present in the urban imaginary of São Paulo State in the 1940's as appropriate spots for summer camps. The climate, the altitude, the water and the sun are natural elements at these places, scientifically considered as instruments able to restore organic frailties of children who have their health spoiled by the disturbing pace and stratagems of their urban lifestyle. Therefore, educational and medical procedures are organized at these school holiday institutions, turning them into time dedicated to educate and strengthen the body. This article aims to study this education of the body performed in summer camps that, by privileging nature and its elements, reinforces and draws behaviors and manners of a hygienic lifestyle for the city and its dwellers.

Keywords: summer camps, nature, city, education of the body, history.


 

 

A vida na cidade e as férias na natureza

Algumas capitais brasileiras1 no início do século XX começaram a receber um número significativo de moradores para os padrões da época. Ao lado desse afluxo populacional novo, as cidades começaram, também, a abandonar sua arquitetura de linhas coloniais, mais redondas e cheias de detalhes, para modernizar-se e industrializar-se. Os poucos anos de República exigiam novos desenhos para a cidade, e parecia claro que apagar um passado colonial implicava, também, demolir prédios. Simbolicamente, ao demoli-los, demolia-se esse passado e assentavam-se novas bases, bem concretas, bem materiais, que encarnavam símbolos do progresso e da civilização. Assim, uma arquitetura eclética substituía parte dos casarões coloniais dessas cidades brasileiras, ao mesmo tempo que outras, como, por exemplo, Belo Horizonte, eram totalmente projetadas e construídas já como imagem desse novo tempo, alimentado pelo progresso e por essa nova ordem urbana.

Ruídos novos enchiam as ruas, onde bondes e carros se faziam presentes, e os ritmos da vida alteravam-se significativamente, ditados pelo apito da fábrica, marcados pelo tempo do relógio. Havia, nesse ambiente urbano, muito de ciência e de técnica, e parecia, mesmo, que eram esses os suportes que orientavam os espíritos. O crescimento populacional de cidades como São Paulo, durante a primeira metade do século XX, ocorria de forma acelerada, provocando diferentes emoções e sentimentos em seus moradores.

Valores como a velocidade, por exemplo, impunham-se como signos do que era moderno assim como certo deslumbramento pelas máquinas e pelo instantâneo da fotografia. A velocidade e tudo o que parecia eletrizar, seduzia e, mesmo, ditava novos gestos e comportamentos (Sevcenko, 1992). Nas ruas da São Paulo dos anos de 1920, carros velozes, a 40 km por hora, enchiam de barulho e de fumaça os ares, e podia-se afirmar que a cidade era uma verdadeira metrópole em pleno crescimento econômico e demográfico, sendo a segunda cidade do país em população.

Movida por ritmos diferentes, nunca antes experimentados, a cidade e suas lógicas revelavam também ameaças geradas pelos seus próprios excessos: os valores que lhes eram caros, tais como a velocidade dos automóveis, das imagens da fotografia e do cinema e, sem qualquer dúvida, o ritmo acelerado ao qual o corpo era submetido no trabalho da fábrica, na prática de um esporte, ou a excitação provocada pelos livros e pelo trabalho intelectual nos escritórios.

Esse novo ritmo, essa nova percepção do tempo trazida por essa vida moderna, urbana, passou a receber atenção e respaldo de um pensamento científico que, ao adentrar, principalmente, no campo de conhecimento da fisiologia, percebia a fadiga mental como resultado de um excesso de estímulos.

Desse modo, a própria cidade e suas múltiplas faces, que desenhavam novos ritmos, novos comportamentos e modos de vida tão enaltecidos, convertiam-se também em ameaça ao vigor físico, à boa saúde, ao progresso e à civilização. Essa ambiguidade de sentimentos e de percepções iria nutrir, de maneira bastante significativa, todo um ideário de retomada da natureza como objeto de atenção, uma vez que ela é concebida como possibilidade segura de regeneração dos corpos. Um dos aspectos mais evidenciados era o de ser ela o oposto do mundo urbano e, portanto, fonte de virtudes. Seus ritmos constantes, regrados, transformavam-na em lugar propício para acalmar a excitação produzida pela vida na cidade, com suas lógicas mecânicas e enlouquecidas.

Foi assim que toda uma cultura de culto à natureza, construída já desde o século XVIII2, foi se afirmando e, ao mesmo tempo, desenhando comportamentos e formas de viver. Viagens à montanha, à praia e ao campo não demoraram a ser consideradas necessárias, motivadas, sem dúvida, pelo pretexto do afastamento da cidade, lugar da exaustão física, do esgotamento nervoso, da doença.

Desse modo, inventaram-se ideias de natureza, fabricou-se um mundo perfeito que, supostamente, recuperaria forças e ofereceria vitalidade ao corpo. Inventou-se também o descanso "merecido" do trabalho, as férias (Martin-Fugier, 1991, p. 32). Assim, seria possível inferir que emoções e sonhos desses seres urbanos oriundos de distintos estratos sociais e nacionalidades que habitam as cidades brasileiras e, em nosso estudo, a cidade de São Paulo, confundiam-se com nostálgicas lembranças de um paraíso perdido, de um ambiente de pureza e de felicidade plenas que uma natureza teria, um dia, oferecido aos seus habitantes.

Em oposição ao tempo do trabalho e ao tempo dos estudos, as colônias de férias, assim como as viagens às estações de águas termais e ao litoral, passaram a representar momentos possíveis junto à natureza, educando a população a usufruir dos elementos naturais. O tempo das férias tornou-se o da felicidade esperada. (Rauch, 2001a, p. 92).

A serra, com suas montanhas, o mar e seus desafios eram considerados pelos médicos como propícios destinos para os momentos de descanso. Note-se que as recomendações formuladas por esses profissionais não se faziam ao acaso. Um esquadrinhamento da vida e também da natureza desenhava-se em dimensões mais profundas no pensamento médico e no pensamento social de uma maneira mais ampla. A escolha do local de descanso para as férias não seria aleatória, e, bem ao contrário, deveria ser feita de acordo com critérios científicos, com prescrições já confirmadas pelas pesquisas, pois "si a aspiração e a precisão de descansar constituem preciosa defesa da saúde, nem sempre a escolha da estação de férias corresponde ao objetivo visado." (Totta, 1943, p. 4). De acordo com essa proposta, ao viajante "o médico é que deve traçar o caminho"3.

Do mesmo modo, as viagens realizadas por diversos grupos escolares, assim como a organização de colônias de férias infantis em ambientes afastados da cidade, foram desenhadas por esse ideário, que via na natureza um ambiente salutar. As viagens infantis realizadas em direção à montanha e ao litoral, organizadas no início do século XX, principalmente por associações filantrópicas de defesa da infância, de combate à tuberculose e, mais tarde, já nas décadas de 1930 e 1940, pelo próprio Estado, tornavam-se mais uma medida higiênica. Essas atividades afastavam as crianças pertencentes à classe operária das mazelas provocadas pela cidade, permitindo que acompanhassem o que as crianças das classes abastadas já usufruíam, ou seja, férias junto à natureza.

Parece não haver dúvidas de que essa compreensão acerca de uma natureza generosa e plena de virtudes não nasceu ao acaso. E seria necessário, mesmo, pensar em toda uma educação dos sentidos e uma educação do corpo que haviam sido colocadas em marcha desde fins do século XIX e, ao configurarem não apenas os procedimentos de ensino, os tempos e os ritmos escolares, mas também os divertimentos fora da escola e do trabalho, valorizavam o que é oposto à cidade e ao seu cotidiano supostamente ameaçador e privilegiavam a natureza e todos os recursos naturais.

Caberia aqui um pequeno desvio para lembrar a ameaça causada pela tuberculose nesse momento, seja para uma população adulta, seja para uma população infantil. Sem dúvida, o ar puro da montanha constituía o imaginário da época e a organização de colônias de férias infantis, bem como a instalação tanto de preventórios infantis quanto de escolas ao ar livre se colocava como uma necessidade pública. Aqui parecem configurar-se, de modo mais refinado, ideias e ações de prevenção. Se a vida urbana suscita medos e receios, é preciso adiantar-se ao mal.

É possível localizar, nas primeiras décadas do século XX, a instalação de algumas colônias de férias infantis no Estado de São Paulo. O Departamento de Educação Física de São Paulo, órgão subordinado à Secretaria da Educação e Saúde Pública do Estado, foi responsável por criar, na década de 1940, quatro dessas instituições, dentre as quais, duas ganharam grande destaque nas fontes consultadas, tanto pelo tempo de existência quanto pelo número de crianças atendidas - a colônia de férias de altitude, de Campos de Jordão; e a marítima, de Santos.

 

A montanha

Campos do Jordão destacava-se, há muito tempo, como uma localidade propícia para a cura de enfermidades pulmonares devido ao seu clima, à sua altitude e à sua natureza peculiares. O médico Theodoro Sampaio, em 1893, narrou, em seu livro intitulado Notas de viagem, seu percurso à região de Campos do Jordão. Nele Sampaio descreveu o caminho até o alto da Serra da Mantiqueira como um rico ambiente natural, com fontes de águas cristalinas, ar puríssimo e belas matas de pinheiros. Apresentava todos os percursos d'água encontrados, as fontes minerais, "cujas virtudes para males de estomago têm sido mais de uma vez provadas" (Sampaio, 1893, p. 8), o clima seco e frio. Sampaio também mencionava as araucárias, que, a seu ver, imprimiam nota estranha à paisagem, fazendo parecer que "já não estamos na terra clássica da luxuriante vegetação dos tropicos, [pois] tão discordante dessa vegetação de columnas é o nosso matto retorcido, entrelaçado de lianas e de cipós". (Sampaio, 1893, p. 9).

É importante salientar que, antes mesmo de se tornar elemento da ciência, a montanha já era objeto de um deslumbramento, panorama do sublime que despertava novas emoções. A natureza de altitude era vista como espaço de fruição, cenário de beleza. Conforme analisou Umberto Eco (2004, p. 281), o século XVII, na Europa, inaugurou o prazer pelas paisagens naturais. "Nasce nesse período aquela que poderíamos chamar de poética das montanhas: o viajante que se aventura na travessia dos Alpes é fascinado por rochas inacessíveis, geleiras sem fim, abismos sem fundo, extensões sem limites." A ascensão aos cumes elevaria também a alma, aproximando-a dos céus, evocaria o infinito e suscitaria os grandes pensamentos e paixões. A descoberta da montanha como local de fruição e contemplação estava ligada também a uma procura pelo diferente, pelo desafio e pela excitação. (Rauch, 2001a; 2001b).

Um dos ideários em voga na época era o de que o clima brasileiro, quente e úmido, não seria o mais adequado para a população, principalmente a europeia imigrante, acostumada com climas mais amenos (Chalhoub, 1996). Segundo Sampaio (1893, p. 12), as viagens para Campos do Jordão serviriam de refúgio para "nossas populações do littoral tão castigadas pelos rigores da estação estival". Parece evidente que, para o autor, a mudança para um cenário de clima mais temperado, menos tropical, em muito beneficiaria a saúde dos habitantes do Brasil. Nesse sentido, o clima da Serra da Mantiqueira levaria vantagens por estar mais próximo ao europeu.

Partindo do pressuposto de que o calor e a umidade relaxam, amolecem, enfraquecem e corrompem, o frio, em oposto, comprime, endurece, consolida e tonifica. O corpo, quando em contato com o frio, fortificar-se-ia e avigorar-se-ia (Vigarello, 1996). Nesse sentido, os benefícios do frio seriam responsáveis tanto por "recuperar" os corpos amolecidos quanto por "prevenir" dos efeitos dos trópicos. A crítica à moleza ultrapassaria o físico, convertendo-se em questões morais e sociais. O frio, responsável pelo vigor e pela energia, contrapor-se-ia à flacidez dos costumes e à degeneração social atribuída aos corpos, por assim dizer, quentes.

O frio é um grande tônico para o organismo humano. Robustece e virilisa as raças. [...] É fonte inspiradora do struggle for life. O calor dos trópicos levanta a planta, mas prosta o homem. Tonifica o organismo vegetal, mas abate o organismo humano. Sejamos, pois, amigos do frio. Em troca, elle nos dará saúde e energia. Os povos que as tem em déficit, respiram o ambiente da inércia. E o Brasil precisa mais, muito mais, ao lado da instrucção e do recruzamento ethnico seleccionado, de bom sangue e de bons músculos, do que de patriotadas rhetoricas e inoculas. [...] é preciso generalizar o hábito, tão restricto ainda, entre nós, de se refazer periodicamente o organismo em climas de qualidade, renovadores de energia. (Ferraz, 1940, p. 8-9)

O ideário em relação ao clima, quando unido às teorias hereditárias, via nas misturas raciais entre negros, índios e brancos um dos fatores de degeneração da sociedade. A visão do brasileiro miscigenado como indolente reconhecia, muitas vezes, o clima tropical como um dos fatores externos para a sua configuração.

Em sua maioria, as teorias que fundaram esse determinismo biológico associado ao clima provinham de médicos e intelectuais estrangeiros que aportaram no Brasil no início do século XIX4. Entre eles, destaca-se o dr. João Vicente Torres Homem que, durante a segunda metade do século XIX, constantemente recomendou regiões de clima frio para a cura da tuberculose, em localidades como o norte do Paraná, o sul de Minas Gerais, a cidade de Cunha no Vale do Paraíba Paulista e o distrito de Campos do Jordão na Serra da Mantiqueira.

Conforme observara Claudio Bertolli Filho (1993) ao estudar os escritos do dr. João Vicente Torres Homem, além do clima tropical, outras associações também eram feitas ao tuberculoso. Em diversa literatura médica encontramos referências aos enfermos como resultado de uma vida "desregrada", associada ao consumo de álcool, de tabaco e de tóxicos; ao jogo, à criminalidade ou às uniões consanguíneas.

O ideário que afirmava ser o clima tropical o responsável pela degeneração da raça humana começou a entrar em decadência a partir de 1910; no entanto, os outros fatores, como o consumo de álcool, a prática do jogo e a própria tuberculose permaneceram como preocupações da eugenia preventiva e, por muito tempo, continuaram associadas a um suposto enfraquecimento moral e físico da espécie humana (Stepan, 2005). A associação do clima à raça começou a ser repensada pela eugenia brasileira, justamente no momento em que ela iniciou uma aproximação com os movimentos sanitaristas e higienistas, que concebiam as más condições sanitárias e higiênicas como resposta para a degeneração da população brasileira, e não mais o clima.

De todo modo, permaneceu o clima frio atraindo a atenção dos médicos que, por muito tempo, consideraram a "climatoterapia" o melhor tratamento, tanto para doenças como a tuberculose quanto para o fortalecimento do corpo. Já nas últimas décadas do século XIX, um número significativo de indivíduos atingidos por essa doença procurava pelas terras de Campos do Jordão para sua cura. A repercussão terapêutica no tratamento da tuberculose era conhecida por alguns médicos que para lá enviavam seus pacientes. A região contava, no século XIX, com algumas pensões e pequenos sanatórios particulares para receber os pacientes, em número reduzido, uma vez que subir a Serra da Mantiqueira era uma empreitada difícil e possível somente com o auxílio de burros e liteiras. A difícil chegada, entretanto, era compensada pela beleza que invadia os olhos; e o visitante, então, logo se deparava com as fontes de águas cristalinas que serpenteavam as pequenas pensões e sanatórios, com os bosques de pinheiros que revelavam a exuberância de uma natureza ainda quase intacta e que logo seria objeto de atenção e de projetos de transformação, para que se tornassem lugares educativos.

As comparações de Campos do Jordão com Davoz5 foram sempre uma constante, e diversas foram as propostas de construção de uma vila na região, com o objetivo de receber uma população de convalescentes. A que ganhou maior destaque foi a elaborada pelos médicos Emilio Ribas e Victor Godino, que anunciaram na imprensa, em 1916, os planos de edificação de uma vila sanitária projetada. Sua planta, desenhada pelo Dr. Henrique Rufin, de acordo com as instruções dos dois médicos, atendia às questões de topografia do terreno e de insolação das ruas e das casas. Era prevista a construção de vinte e oito ruas, quatro praças ajardinadas e uma avenida de novecentos metros, em cujo centro passaria o ribeirão das Perdizes, retificado. As construções seriam dotadas de água encanada, luz e rede de esgoto (Paulo Filho, 1977, p. 170).

A vila projetada não se concretizou da forma esperada; no entanto, a implementação da estrada de ferro tornara-se uma realidade em 1914 e em 1924 chegava à Vila Capivari, localidade na qual os dois médicos pretendiam concretizar o projeto da vila sanitária. Instalaram-se cada vez mais sanatórios, pensões e casas por toda a região, moldando Campos do Jordão a partir de três vilas principais: Abernessia, Jaguaribe e Capivari. Cortando-as e integrando-as, a linha férrea, que muito contribuiu para o aumento da procura pela região, e que seria utilizada para levar as crianças selecionadas nos grupos escolares paulistas para a colônia de férias infantil, criada, na década de 1940, pelo Departamento de Educação Física do Estado de São Paulo.

É interessante observar que não era somente a natureza nua que educaria, bem ao contrário, seria a mão humana, esculpindo essa natureza, construindo prédios suntuosos por ela emoldurados, que de fato educaria. As montanhas, cobertas de verde, cheias de ar puro e rarefeito, encheriam os pulmões daqueles que estavam enquadrados nos ângulos retos e enfumaçados da cidade.

Na colônia de férias infantil de altitude as caminhadas por entre os bosques eram priorizadas. Esse exercício, realizado em ambiente de altitude, tinha como prerrogativa a mecânica da respiração que, ao aumentar os movimentos torácicos, garantia a entrada abundante do ar puro no organismo. Segundo André Rauch, (2001a, p. 116), "o ar, a sua escassez, inscrevem-se numa retórica do fôlego e da respiração em que a mecânica dos órgãos inspira as técnicas de marcha e a iniciação nos elementos naturais". Nesse sentido, os exames antropofisiológicos, com a medição do diâmetro torácico, assim como os aparelhos de espirometria, revelavam a eficácia do exercício da caminhada.

Os pinheiros, que tornavam o ar mais agradável ao olfato, mais puro e, por consequência, mais saudável, terminavam por oferecer todas as condições para as caminhadas realizadas nas montanhas da Serra da Mantiqueira. O cheiro da natureza e o aroma das plantas despertavam os sentidos e animavam as emoções (Corbin, 1987); eram ares distantes, longe da civilização e da cidade. Em conjunto com os estudos científicos, o ar da montanha afirmava-se como o mais salutar e o exercício da caminhada, quando realizado ao ar livre, puro como o da montanha, enchia e animava os pulmões fracos, os ânimos abatidos.

 

O litoral

A praia, assim como a montanha, ganhava cada vez mais o interesse dos médicos, pois era considerada um ambiente natural, cujos elementos proporcionariam aos frequentadores uma terapêutica higiênica e fortificante. Locais antes com pouca procura, como as praias, passaram, nas primeiras décadas do século XX, a destacar-se como propícios tanto para a cura quanto para os divertimentos.

A cidade de Santos, principal porto marítimo do Estado de São Paulo desde o período colonial, tomaria para si, no início do século XX, a preocupação de organizar o espaço de modo racional, segundo preceitos médico-higienistas. Um conjunto de ruas largas e arborizadas, praças e parques conferiam novos ares à Santos antiga, de ruas estreitas e casario geminado. A medicalização da cidade delimitaria, assim, os espaços urbanos, garantindo a circulação do ar e da água, ao mesmo tempo que prescreveria comportamentos civilizados a seus moradores.

No entanto, esta cidade porto, não teria apenas seu meio urbano remodelado, também o espaço da praia iria sofrer alterações e novos usos. A praia, assim, deixaria de ser um espaço quase esquecido para se tornar o seu principal atrativo. A percepção da praia como local sujeito à limpeza e à reordenação tornar-se-ia evidente. Ela deixaria de ser o lugar de múltiplos dejetos, de lixo de todos os tipos, e suas areais, sua água salgada, tornar-se-iam fontes de saúde e bem-estar. Um percurso longo seria necessário para que isso se tornasse realidade, pois, ainda no início do século XX, a praia de Santos era revelada nos jornais, nas revistas e nos relatórios médicos, como insalubre; esses documentos e mesmo a imprensa alertavam para os perigos desse ambiente, até então periférico: "Em princípio de 1889 haviam sido inauguradas as obras do porto e que veio suprimir as praias lodosas, antigo repositório de lixo e parque de urubus". (Álvaro, 1919, s.p.).

Por meio de inúmeras fontes, é possível verificar que o litoral santista se destacava no cenário paulista como um propício destino para o veraneio, já na década de 1920. A construção de diversos hotéis, clubes e associações esportivas conferiram destaque nacional à cidade, que procurava oferecer um número cada vez maior de divertimentos aos seus turistas. Essa extensa e intensa urbanização atraía a atenção da elite paulista, que não mais ignorava o litoral como local propício para o veraneio, o repouso e os divertimentos. A natação e o remo, a conversa à beira-mar, o passeio a pé ou de bicicleta, eram práticas que começavam a tomar conta da cidade. Teve início, nesse período, a construção de palacetes e grandes hotéis para hospedar uma população que, cada vez mais, procurava pelos prazeres e pelos requintes oferecidos pelo ambiente praiano de Santos.

A construção da avenida e dos jardins, na década de 1930, ao embelezar e diferenciar o espaço da cidade do da praia, ofereceria um novo ambiente para o desfrute dos turistas e da população. Essas construções revelavam a arquitetura como uma verdadeira expressão de educação do corpo, marcando, assim, uma nova sensibilidade.

Avenida, jardins, areia, mar e montanha compunham zonas específicas que formavam uma paisagem organizada. Para cada espaço desenhado, uma utilização específica. Automóveis e bondes, símbolos da modernidade, da velocidade, à direita; jardins e areia ao centro; o mar e as montanhas, naturezas brutas, na extremidade oposta. A limpeza da praia e a construção dos jardins da orla colaboraram, desse modo, com a mudança da fisionomia urbana de Santos e acabaram por completar o cenário, instrumentalizando-o para as atividades realizadas à beira-mar.

Diferentemente de Campos do Jordão, que foi por muito tempo considerada uma cidade voltada para a cura de doenças, em Santos, já no início do século XX, as práticas de divertimento sobrepunham-se às de cura. Os cassinos, os hotéis e os clubes esportivos ganhavam destaque e instalavam-se, em sua maioria, próximos à praia, que incitava mais ao devaneio, ao prazer de confrontar o corpo com os elementos naturais, às disputas que o esporte trazia do que, propriamente, às práticas de cura, de repouso. O esporte e os passeios à beira-mar, apesar de muitas vezes também terem um caráter higiênico e curativo, constituíam-se, principalmente, em formas de sociabilidade e diversão.

Nesse sentido, o Cassino Recreio Miramar, inaugurado em janeiro de 1896, foi o que ganhou maior fama. Conhecido como "O Maior Centro de Diversões da América do Sul", funcionou até o começo da década de 1930, fechando suas portas em decorrência da crise econômica de 1929. Construído pela Companhia Viação Paulista, que pretendia ampliar o fluxo de passageiros, proporcionou aos visitantes, durante toda a sua existência, um ambiente de requinte e glamour, oferecendo grande variedade de atividades sociais, como os suntuosos bailes de carnaval e as apresentações de artistas famosos. Seu edifício, de grandes dimensões, situado no bairro do Boqueirão, próximo à avenida beira-mar, abrigava salões de festa, um cine-teatro, um salão de cassino, conhecido por cabaret, e até mesmo um rinque de patinação, o Columbia Skating Ring. Foi um verdadeiro complexo de divertimentos que, em 1939, cedeu seu lugar a uma nova proposta educativa, a colônia de férias infantil.

Com o nome de Colônia Marítima dr. Álvaro Guião, manteve intensa atividade no edifício Miramar até 1942, então transferida para o prédio do Instituto de Pesca, em decorrência de "um pedido do Secretário da Segurança Pública que necessitava com urgência do referido prédio para nele aquartelar um Batalhão da Força Policial" (Departamento, 1942, p. 28). A primeira turma de crianças a instalar-se no edifício Miramar, em 1939, era proveniente da cidade de Araraquara. Em número de trinta meninos, "todos de edade comprehendida entre o mínimo de sete e o máximo de onze anos" (Colônia, 1939, s.p.), lá permaneceram por quinze dias.

Quando transferida para o Instituto de Pesca, em 1942, a Colônia Marítima dr. Álvaro Guião recebeu, no primeiro semestre, em oito turmas diferentes, 887 meninos. Já no segundo semestre abrigou uma única turma de 100 meninos, isso porque o secretário da agricultura, responsável pelo Instituto, solicitou a entrega do prédio, encerrando momentaneamente as atividades da colônia de férias infantil. (Departamento, 1942, p. 34-37).

De acordo com os relatórios da professora Otilia Foster6, que constantemente levava as crianças da região de Campinas para as colônias de férias do Departamento de Educação Física do Estado de São Paulo, a Colônia Marítima dr. Álvaro Guião retomou, em 1943, suas atividades na praia Paranapuã, em São Vicente, cidade vizinha a Santos. Há registros de seu funcionamento nessa localidade, apesar de diversas interrupções, até meados da década de 1950.

Durante a permanência das crianças, era fornecida toda a roupa de cama e mesa, assim como o próprio vestuário dos colonistas, que era restituído no fim da estadia. As roupas consistiam em curtos calções de banho brancos ou pretos, shorts largos, em estilo ballonnet, camisetas brancas com compridos decotes em V e, especificamente para as meninas, maiôs claros abertos nas costas, os quais muitas vezes eram dispensados, permanecendo elas apenas de calção de banho preto, com o tronco nu. Um vestuário que proporcionava o maior contato possível da pele com o ar e o sol e que constituía uma das tantas fórmulas elaboradas para a preservação e a recuperação da saúde individual e coletiva das crianças atendidas pela colônia de férias infantil. As práticas de banho de sol e de repouso eram largamente realizadas nessas instituições. O mobiliário utilizado, como as espreguiçadeiras, oferecia às crianças os recursos adequados para tais práticas, que faziam parte de uma concepção de saúde que considerava a natureza como o meio mais adequado para o robustecimento do corpo. Novamente, as mudanças de altitude e de clima proporcionariam uma readaptação benéfica às crianças. A utilização científica dos elementos naturais, como o ar, a luz solar e a água, associada aos exercícios físicos, tornaria o corpo infantil mais preparado para as adversidades da vida urbana. Os exames médicos comprovavam seu benefício, a massa corporal aumentada pelo regime alimentar e a cura de certas enfermidades eram seus melhores indicativos. O corpo, quando trabalhado junto à natureza, fortificar-se-ia.

A metáfora das crianças como plantas que necessitam do sol para se desenvolverem harmoniosamente, utilizada por Jean-Jaques Rousseau, era uma constante nesse discurso médico das colônias de férias infantis. Incidindo sobre a pele, em conjunto com o ar puro, a luz solar proporcionaria modificações orgânicas no corpo, assegurando tanto a cura de enfermidades quanto o restabelecimento de fisiologias deficientes. Conhecimentos provindos da química, da biologia e da física asseguravam cientificamente a veracidade do discurso.

O complexo ar - sol é a união ideal de preciosas vinculações de átomos: phosphatos combinados com moléculas de cálcio, para a ossificação e dentição; moléculas de phosphatos unidas e moléculas de gordura iodadas, para os tecidos cerebrais e nervosos; moléculas de fermentos encadeadas em grupos destinados a assimilar substancias e immunizar órgãos. (Romano, 1938, p. 51)

Conhecidos também por banhos de ar, de luz e de sol, eles faziam parte, inicialmente, de um saber empírico que procurava na natureza formas de conceber o corpo. A utilização tanto da luz e do ar quanto da água, como elementos curativos, provinha de um conhecimento formulado inicialmente por Hipócrates e seus discípulos de Cos, que mantinha na filosofia as suas bases. A partir, principalmente, do século XVIII, esses conhecimentos começaram a ser reformulados sob novas bases, as da ciência. De acordo com Sylvain Villaret (2005, p. 26), "l'adhésion aux règles de la méthode scientifique contribue à l'éclatement de la médicine en diverses spécialités qui ont pour conséquence de faire perdre de vue le caractère global de l'homme et de sa maladie"7.

Diversos foram os médicos, em sua maioria alemães, que trabalharam os elementos da natureza a partir de teorias neo-hipocráticas, sistematizando e criando inúmeros tratamentos naturais. Nomes como Priessnitz, Kneipp, Lahmann, Schroth, Rikli destacaram-se, tendo seus estudos utilizados por autores como Basedow, Gustsmuths e Müller na criação de métodos ginásticos próprios. Esses procedimentos estavam muito mais ligados a uma forma de vida naturista, de robustecer, curar e educar o corpo a partir de uma natureza rústica, do que necessariamente da utilização científica da água, do ar e da luz.

No caso do autor italiano Italo Romano, sua apropriação da natureza como forma de cura ocorreu com base no método científico, estudando os elementos naturais, ar e luz, a partir de conceitos físicos e químicos. No Brasil, em meados do século XX, tal concepção de medicina afirmou-se e começaram a ser divulgados, principalmente a partir dos estudos de médicos europeus como Finsen e Rollier, as teorias da helioterapia e da climatoterapia. O médico eugenista Renato Khel, em 1941, ao abordar questões relativas aos benefícios da luz solar sobre o corpo, afirmou que:

Antigamente as curas solares eram feitas de modo empírico e, mesmo assim, com reais proveitos; atualmente elas se assentam em experiências e fatos indubitáveis, após conquistas de Finsen e de seus continuadores, estabelecendo-se regras perfeitamente científicas, constituindo-se o novo ramo da arte de curar denominada helioterapia. (Khel, 1941a, p. 44).

Os princípios da helioterapia foram muito utilizados na cura de doenças como a tuberculose e a escrofulose, pois se verificava que, quando "submetidos a regime solar adequado [tais doentes] restabelecem-se sem uso de qualquer medicamento" (Khel, 1941a, p. 44). Os métodos de tratamento consistiam, de modo geral, em uma cronometragem do tempo de exposição de partes do corpo ao sol, realizada de forma gradativa. O artigo do dr. Pacífico Castelo Branco trazia o método de helioterapia criado por Auguste Rollier, médico europeu que fundou na cidade de altitude de Leysin, na Suíça, entre 1903 e 1918, cinco monumentais sanatórios para o tratamento da tuberculose através da climatoterapia, dos exercícios físicos e dos trabalhos ao ar livre. Em seu método, o corpo era dividido em cinco zonas para serem expostas ao sol progressivamente, de acordo com uma tabela de tempo.

É provável que as colônias de férias, por serem consideradas instituições educativas e de prevenção, não adotassem tais métodos rígidos de helioterapia; no entanto, os estudos dessa ciência conferiam bases científicas para os exercícios ao ar livre, como o caso dos passeios matinais realizados pelas crianças da colônia de férias de Campos do Jordão e dos exercícios físicos feitos na praia de Santos.

No discurso médico, do mesmo modo que ocorria com o sol na helioterapia, também ocorria com o mar na hidroterapia. Os banhos de mar eram receitados seguindo-se métodos específicos. Para cada tipo de doença haveria uma recomendação particular. As hidroterapias no mar levavam em consideração os efeitos benéficos da água fria e dos movimentos das ondas. As regras de imersão e os seus tempos eram sempre prescritos pelos médicos, que procuravam estudar as qualidades químicas e físicas do mar para comprovar cientificamente os benefícios do ambiente marítimo sobre o corpo8.

É bastante plausível que o próprio exercício da natação realizado na colônia de férias tomasse por base tais benefícios advindos do mar e comprovados pela hidroterapia, assim como os exercícios realizados sob o sol. De fato, dada a sua importância, os elementos da natureza empregados em terapias curativas, desenvolvidas principalmente na Europa ao longo de todo o século XIX e início do XX, são, assim, visivelmente incorporados como procedimentos educativos. A ginástica era outra prática largamente realizada nas colônias de férias, mas, no entanto, começava a perder espaço para o esporte, principalmente nas colônias de férias à beira mar. É certo que ela estava presente, como se pode verificar em diversas fotografias da colônia de férias de Santos; no entanto, na década de 1940, a ginástica começava a receber diversas críticas, sendo considerada austera demais para um ambiente no qual a liberdade de movimentos deveria reinar.

Os prazeres suscitados pela praia incitavam à realização de atividades mais descontraídas, que trabalhassem o corpo, fortalecendo-o e curando-o de seus males, e, ao mesmo tempo, divertindo seus praticantes. Os jogos recreativos e os esportes, como a natação, o vôlei e o futebol, eram, por assim dizer, os preferidos, pois contentavam as expectativas do ambiente praiano e ofereciam os recursos necessários para um trabalho higiênico no corpo infantil.

 

O retorno à cidade

Em um momento em que a cidade começava a mostrar-se ameaçadora, a provocar medo e angústia, e que o discurso médico cada vez mais exaltava os malefícios do ambiente urbano para a saúde da população, a natureza era compreendida como um refúgio saudável para a vida inebriante e moralmente corrompida da cidade moderna. O ideário era, basicamente, o de que as viagens e as estadias à beira-mar, na montanha e no campo, a permanência ao ar livre, o afastamento das doenças pelo uso da luz solar, o reforço das defesas do organismo pelo contato com os elementos naturais - tudo isso auxiliaria na formação de um corpo infantil perfeitamente adaptado à vida urbana.

Ao longo de todo o século XIX, mas especialmente nas primeiras décadas do século XX, muitas terapêuticas foram definidas e aplicadas com os elementos da natureza. O corpo foi seguidamente objeto desses elementos considerados puros e capazes de restaurar, revigorar e curar debilidades e fragilidades atribuídas, com frequência, à vida urbana, moderna, à cidade e seus artifícios, bem como ao trabalho degradante em fábricas escuras e indústrias cheias de fumaça. Trata-se, portanto, de uma educação utilitária na natureza, e é dessa utilidade que se ocupa a cidade, dessa compreensão de um retorno medido, quantificado, regulado à natureza, uma natureza, talvez mesmo, inventada pela cidade.

 

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Recebido em 04 de janeiro de 2010 e aprovado em 17 de junho de 2010.

 

 

1. Capitais como o Rio de Janeiro, que em 1900 registrava o número de 811.443 habitantes e em 1940 atingia a marca de 1.764.141; Belo Horizonte, fundada oficialmente em 1897 e que no ano de 1940 registrava 211.377 moradores; Curitiba, com 49.755 em 1900 e que passou para 140.656 em 1940; Recife, de 113.106, em 1900, para 348.424; e São Paulo, com o maior aumento populacional registrado nesse período no Brasil, com um salto de 239.820 habitantes para 1.326.261.
2. Herdeira de movimentos como o romantismo alemão e a filosofia de Jean-Jacques Rousseau. Cf.: Williams, 1989.
3. Essa constatação do saber médico como orientador das viagens de férias para o ambiente natural também foi feita por Hasse (1999) em Portugal; e na França, conferir os estudos de Villaret (2005); Delaplace (2000); Delaplace (2005); Rauch (2001a ); Rauch (2001b).
4. Contrário a teorias deterministas no que concerne à miscigenação como um problema no Brasil, encontra-se o pensamento do sociólogo Gilberto Freyre, para quem a miscigenação era não somente benéfica, como também portadora de um novo homem dos trópicos. Cf.: Sobrados e mucambos: uma introdução à história da sociedade patriarcal no Brasil. 9. ed. Rio de janeiro: Record, 1996; Ordem e progresso. 3. ed. Rio de janeiro: Livraria José Olímpio.
5. Davoz é uma comuna da Suíça localizada a 1.560m acima do mar e muito conhecida como estação turística para a prática de esportes de inverno. Teve bastante fama no início do século XX como uma excelente estação de cura para doenças respiratórias. Davoz foi também cenário para o romance de Thomas Mann, A montanha mágica, no qual as suas personagens se estabelecem nos sanatórios da região em busca da cura para o mal tísico.
6. A respeito dos trabalhos desenvolvidos por Otília Foster, cf.: Danailof, Katia. Corpos e cidades: lugares da educação. 2002.
7. "a adesão às regras do método científico contribuiu para a fragmentação da medicina em diversas especialidades e tem por consequência a perda de uma visão global do homem e de sua doença." [tradução livre].
8. A respeito dos banhos de mar, cf: Sanchez, J. Maria. A eletricidade do mar. Radiações de caracter múltiplo fazem com que o mar seja um excellente Tonico para a saúde physica e mental. Educação Physica, nov. 1937. Boigey, Mauricio. A influencia hygienica do mar e dos banhos de mar. Educação Physica, dez. 1937. Terrizano, Victor M. Banhos de mar. Educação Physica, jan. 1938. Kehl, Renato. O banho. Educação Física, dez. 1941b.