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Pro-Posições

versão On-line ISSN 1980-6248

Pro-Posições vol.24 no.1 Campinas jan./abr. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-73072013000100001 

EDITORIAL

 

 

Este primeiro editorial de 2013 não poderia deixar de fazer referência ao debate em torno do acesso livre aos resultados de pesquisa. O suicídio de Aaron Swartz, ativista da causa, ocorrido em janeiro último nos Estados Unidos, deu grande visibilidade a essa questão, que vem sendo discutida no meio acadêmico há mais de duas décadas.

A importância da discussão sobre a divulgação dos resultados de pesquisa é clara. Ela coloca em questão o próprio modelo de produção de conhecimentos. Qual é a função da publicação? Por que e para que se propugna a publicação em periódicos especializados? O que se ganha, em termos de produção de conhecimentos, quando se define publicação especializada como aquela que se apoia sobre a avaliação pelos pares? Finalmente, é possível e desejável ultrapassar o acesso restrito na divulgação de resultados?

Essas questões têm mobilizado a comunidade acadêmica nos quatro cantos do planeta e interessam particularmente aos que se envolvem com a editoria de periódicos acadêmicos e aos pesquisadores que se utilizam deles para divulgar os seus trabalhos.

Como sabemos, não há respostas fáceis a nenhuma delas. Neste editorial, talvez seja importante sublinhar que, na Pro-Posições, assumimos a perspectiva de que avaliação pelos pares e acesso livre podem e devem andar juntos.

Trabalhamos, assim, para que a publicação dos resultados possa se constituir como uma etapa substantiva da pesquisa e não apenas como o final dela. O sistema de revisão pelos pares tem a função de garantir isso. Todos nós sabemos que na nossa área, assim como em outras áreas das Ciências Sociais e das Humanidades, não há um acordo nítido sobre o que constitui um bom trabalho. A editoria e os editores associados desta revista cuidam com muita atenção da distribuição dos artigos submetidos, certificando-se de que serão avaliados por pesquisadores que saberão respeitar esse ponto de partida, usando como referência, na avaliação, a configuração da área a que este se vincula, assim como os debates e as tensões que a atravessam. Trabalhamos movidos pela crença de que essa interlocução pode e deve significar um avanço. Acreditamos que os artigos de fato publicados tornaram-se melhores com esse diálogo e que a nossa área como um todo se beneficia disso. Mais ainda, julgamos que esta é a única resposta possível aos colegas de todas as partes do Brasil que nos honram com sua confiança, ao se disporem a enviar seus originais para serem avaliados pela revista.

Com relação a acesso livre, como se sabe, a Pro-Posições teve o privilégio de ser incluída na coleção de periódicos do Scielo em 2008. Isso foi vivenciado como uma conquista pelos editores da revista, na medida em que acreditávamos, como ainda acreditamos, que o acesso livre e irrestrito aos resultados é a única alternativa aceitável, quando se trata de pesquisa produzida com recursos públicos. Se acesso à informação é um dos fundamentos do poder nas sociedades contemporâneas, acesso a resultados de pesquisa é um dos seus componentes mais fortes. Quatro anos depois, continuamos acreditando que acabar com as barreiras de ordem econômica que possam impedir a livre circulação desses conhecimentos significa contribuir para o avanço da própria área de pesquisa; garantir que professores e professoras da educação básica e superior possam deles se servir para apoiar suas lides cotidianas; e, por fim, contribuir para que formuladores de políticas públicas interessados na questão educacional estejam mais preparados para tomar decisões de governo.

É com essa perspectiva que apresentamos o número 70 da revista Pro-Posições. Muito apropriadamente, o dossiê "Entre saberes e práticas docentes" reúne um conjunto de artigos que problematizam a maneira como os professores da escola básica mobilizam conhecimentos produzidos em diferentes arenas no seu trabalho cotidiano. Tomando sistemas de ensino de países tão diversos quanto Brasil, França, Canadá e Chile, os artigos examinam o amplo leque de referências que instruem a prática docente, compostas por conhecimentos científicos, escolares e por aqueles oriundos da experiência pessoal ou do seu grupo social de referência. O resultado apresentado é, simultaneamente, complexo e fascinante, permitindo avançar na compreensão de como se estrutura a prática docente e, ao mesmo tempo, na reflexão sobre currículos dos cursos de formação de professores.

Os cinco artigos incluídos na seção seguinte desenvolvem-se a partir de temas diversos - educação infantil, educação matemática, ensino de arte, formação de professores, carreira docente, pedagogia. Às vezes complementares, às vezes contrastantes, eles oferecem, no seu conjunto, elementos que permitem avançar a nossa compreensão sobre o processo educativo.

A seção Diverso e Prosa traz uma entrevista com Janette Friedrich, realizada por Luci Banks-Leite e Maurício Ernica. Conduzida com grande sensibilidade e conhecimento de causa, a entrevista lança luz sobre o ambiente intelectual em que transitou essa personagem fundamental dos movimentos que permitiram a apropriação, pelos países de língua francesa e pelo Brasil, da obra de autores soviéticos da perspectiva sociocultural. E também permite capturar, em plena operação, alguns dos princípios que presidem a circulação internacional de ideias.

As resenhas selecionadas para este número apresentam para os leitores da Pro-Posições dois livros que refletem sobre corpo e sexualidade, a partir de ângulos muito particulares e inovadores.

Desejamos a todos uma ótima leitura!

 

Ana Maria Fonseca de Almeida

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