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Pro-Posições

On-line version ISSN 1980-6248

Pro-Posições vol.24 no.2 Campinas May/Aug. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-73072013000200015 

DIVERSO E PROSA

 

Francisco Ferrer Guardia: o mártir da Escola Moderna

 

 

Sílvio Gallo

Professor Associado do Departamento de Filosofia e História da Educação da Faculdade de Educação da Unicamp, Campinas, SP, Brasil. gallo@unicamp.br

 

 

Em 13 de outubro de 1909, foi fuzilado nos fossos da fortaleza de Montjuïc, em Barcelona, o pedagogo Francisco Ferrer Guardia (Francesc Ferrer i Guàrdia, segundo a forma catalã). Ferrer foi, talvez, o único educador condenado à pena de morte e fuzilado. Ainda que a acusação feita contra ele no tribunal militar tivesse sido a de mentor intelectual e incitador das revoltas populares em Barcelona, conhecidas como "Semana Trágica"1, o processo contra ele deixa entrever que a criação da Escuela Moderna de Barcelona, em 1901, havia provocado os conservadores além do que eles podiam suportar.

Façamos, então, um breve relato de sua vida, para procurar entender melhor as razões de sua condenação e seu fuzilamento, que, à época, muitos consideraram um assassinato perpetrado pelo Estado espanhol.2

Ferrer nasceu em 1859 em um vilarejo da Catalunha, em família de agricultores católicos. Aos 14 anos, foi trabalhar no comércio em Barcelona e, autodidata, estudou as ideias republicanas. Tornou-se republicano, ateu e anticlerical, ligando-se a grupos maçônicos de livres pensadores. Trabalhando na Companhia de estradas de ferro, organizou uma biblioteca popular nos trens e ligou-se a um dos expoentes do republicanismo espanhol, Ruiz Zorrilla. Com o fracasso de uma insurreição republicana, exilou-se em Paris, onde sobreviveu dando aulas de espanhol. Chegou, mesmo, a escrever e publicar um método de espanhol prático. Sua estada na França também o aproximou de pensadores e militantes anarquistas, tendo chegado a conhecer Paul Robin (1837-1912), sistematizador do conceito de educação integral.3

Outro efeito de sua estada na França foi ter recebido uma herança de uma ex-aluna francesa, que havia se encantado com suas ideias sobre educação. De posse do dinheiro, retornou para Barcelona, onde adquiriu um espaço e organizou a criação da Escuela Moderna, que seria oficialmente inaugurada em 08 de setembro de 1901.

A escola de Ferrer era o exato contraponto da escola em que havia estudado e que abominava: uma escola centrada nos dogmas religiosos, com os alunos fechados entre quatro paredes, em condições insalubres e sem higiene, organizada segundo um sistema meritocrático que premiava os acertos e castigava os erros e as falhas. A Escuela Moderna era um local amplo e arejado, com salas bonitas e bem decoradas, espaços múltiplos e pátios externos, para atividades ao ar livre. Além disso, eram frequentes as atividades fora da escola: visitas a fábricas, passeios pela praia para estudar a geografia local e assim por diante.4 Por entender que os livros didáticos disponíveis à época não eram adequados àquilo e à forma como pretendia educar, criou uma editora, La Editorial, para publicar os livros que seriam utilizados em sua escola.

Essa editora publicaria também o Boletín de la Escuela Moderna, veículo de divulgação das atividades da escola e de suas propostas pedagógicas.

Segundo Ferrer, o futuro é construído pela escola. Pode ser um futuro de dominação e de exploração, se educarmos segundo os princípios da exploração, mas também pode ser um futuro de liberdade, se tivermos a coragem de educar contra nosso tempo.

O futuro há de brotar da escola. Tudo que for edificado sobre outra base está construído sobre areia. Mas, por desgraça, a escola pode tanto servir de cimento para os baluartes da tirania quanto para os castelos da liberdade. Deste ponto de partida podemos arrancar tanto a barbárie quanto a civilização (Ferrer i Guàrdia, 1912, p. 22).

Para que a escola possa ser um veículo da liberdade e de uma nova sociedade, ela precisa ser um centro em que seja disseminada a verdade e em que a ciência, construída por todos, seja igualmente distribuída entre todos. Leiamos suas palavras:

A verdade é de todos e socialmente deve-se a todo mundo. Colocar-lhe um preço, reservá-la como monopólio dos poderosos, deixar os humildes em uma sistemática ignorância e, o que é ainda pior, dar-lhes uma verdade dogmática e oficial, em contradição com a ciência, para que aceitem sem protesto seu ínfimo e deplorável estado, sob um regime político democrático, é uma indignidade intolerável e, por minha parte, julgo que o mais eficaz protesto e a mais positiva ação revolucionária consiste em dar aos oprimidos, aos deserdados e a todos quantos sintam impulsos justiceiros essa verdade que lhes é roubada, determinante das energias suficientes para a grande obra de regeneração da sociedade (Ferrer i Guàrdia, 1912, p. 20-21).

A essa proposta pedagógica fortemente calcada nas ciências naturais, mas atenta aos problemas sociais, Ferrer denominou "pedagogia racional". Um processo educativo que eduque pela razão, para que cada ser humano seja capaz de raciocinar por si mesmo, conhecer o mundo e emitir seus próprios juízos de valor, sem seguir nenhum mestre, nenhum guia. Não se pense, porém, que ele defendia um racionalismo extremado. Para ele, o ser humano não é apenas razão, mas um composto de razão, vontade, desejo e afeto, e um processo pedagógico não pode negligenciar nenhum desses aspectos.

Com esses propósitos, praticando uma coeducação dos sexos (sem distinção entre meninos e meninas), como aprendera com Robin, e uma coeducação das classes (Ferrer não queria uma escola apenas para filhos de trabalhadores, mas um espaço aberto a todo aquele que quisesse educar seus filhos nos princípios da liberdade, da solidariedade e da justiça), a Escuela Moderna funcionou entre os anos letivos de 1901-1902 e 1905-1906, tendo sido, em seguida, fechada pelo governo espanhol. Todo seu material foi confiscado e destruído; o mesmo aconteceu com a editora que publicava os seus livros.

Qual o motivo dessa curta existência? Em 1906, houve um atentado a bomba, em Madri, contra o rei Afonso XIII, que saiu ileso. O autor do atentado, o anarquista Mateo Morral (1880-1906), conseguiu fugir, mas foi detido dias depois e suicidou-se. No inquérito aberto pelo governo, Ferrer foi indiciado como mentor intelectual do atentado, dadas suas ligações com Morral, que havia trabalhado como bibliotecário na Escuela Moderna. Acusado e preso Ferrer, a escola foi fechada e seu material confiscado. Mais de um ano depois, Ferrer foi inocentado, mas já não possuía recursos para reabrir a escola.

Mudou-se para a França e depois para a Bélgica, fundando, em Bruxelas, a Liga Internacional para a Educação Racional da Infância. Em 1908, iniciou a publicação da revista da liga, L'École Renovée (A Escola Renovada) e retomou a publicação do Boletim da Escola Moderna, em Paris. Essas publicações foram responsáveis pela proliferação de suas ideias pedagógicas, e várias escolas modernas foram abertas em diversas cidades espanholas e depois em outros países, funcionando segundo os princípios da "educação racional" defendida por Ferrer.5

Com suas ideias e sua militância, Ferrer despertou a inimizade dos poderes espanhóis, quer da Monarquia e seus partidários, por sua defesa do republicanismo, quer da Igreja, por seu anticlericalismo extremado. Defendia uma Espanha moderna, justa e democrática, liberta da tirania da Monarquia e da Igreja Católica.

Em 1909, retornou para a Espanha, tendo visitado familiares na Catalunha. Em agosto, eclodiu uma revolta popular contra a guerra que a Espanha fazia no Marrocos, enviando como soldados pais de família da classe operária. Os operários começaram a recusar-se a ir para a guerra e as manifestações cresceram. O período de 26 de julho a 2 de agosto de 1909 foi o mais violento na região de Barcelona e ficou conhecido como "Semana Trágica". Estabelecimentos foram saqueados, igrejas e conventos foram incendiados. A revolta era contra a burguesia espanhola, a Monarquia, a Igreja. A repressão do governo foi dura, e foi ordenada a prisão de uma série de proeminentes intelectuais e militantes republicanos, dentre eles Francisco Ferrer, indiciados como líderes do movimento.

Ciente de sua inocência, Ferrer não opôs resistência à prisão e foi levado para a fortaleza de Montjuïc. Instalou-se um tribunal militar, que resultou em sua condenação à morte. Nos autos do processo, pode-se perceber a intenção de ligar as atividades pedagógicas de Ferrer às revoltas populares, como forma de justificar a acusação de que ele fora seu líder intelectual. A acusação foi apresentada ao Tribunal Militar em 06 de outubro de 1909, pelo Capitão do Regimento de Infantaria de Vergara, Don Jesús Marín Rafales, que, após longa exposição de fatos e testemunhos, pediu sua condenação à morte. Em outra longa exposição, em documento de 09 de outubro, o Assessor do Conselho de Guerra, Don Enrique Gesta y García, Tenente Auditor de Guerra, reafirmou as acusações e concordou com o pedido de pena de morte.

Nessa mesma data, pronunciou-se o defensor nomeado de Ferrer, o também militar Don Francisco Galcerán Ferrer, Capitão do 4º Regimento Misto de Engenheiros. Ainda que portasse como sobrenome materno o mesmo de Francisco Ferrer, não eram parentes. Mas o capitão Galcerán abraçou a causa de Ferrer e o defendeu com ardor, concluindo assim seu discurso de defesa:

Resumiendo, señores: Francisco Ferrer Guardia, perseguido por sus ideas racionalistas, empujado y acosado hasta el último extremo, envuelto un día en abominable crimen, cerradas sus escuelas es insultado un día y otro por los partidos de la intransigencia, ni se rinde ni pide venganza: trabaja.

Trabaja, sí: en vez de acaudillar las masas, las educa, busca la gente, impulsa y dirige a los demás hacia el foco esplendoroso de la razón, señala el verdadero fin de la humanidad, y busca, proporciona y distribuye la ciencia de los sabios como único armamento para sus rebeliones; estas son sus ideas.

Y como hemos visto detalladamente que no ha tomado parte, ni como jefe ni como director ni actor en la rebelión militar, opino y os pido que reconozcáis su inocencia, le concedáis la libertad, y una vez levantado el embargo de sus bienes, dejadlo volar a Teruel y que allí, entre los abrazos de su familia, los cuente cómo administramos justicia los militares.

No os he de ocultar que, accediendo a mi petición, se pondrá en tela de juicio vuestro valor por los que, encegados por el odio, no conciben la justicia sin castigo; pero no ha de pasar mucho tiempo sin que veamos imponerse la razón, y estos ciegos de hoy aplaudirán vuestra rectitud. Y si, por desgracia para ellos, la luz de la verdad y de la Justicia ha dejado de iluminarles para siempre, tened presente que amargan los aplausos de la opinión los remordimientos interiores, y que compensan, con creces, su desprecio, los aplausos de la conciencia.

¡Obrad, pues, según ella! (Galcerán Ferrer, 1912, p. 35).

Apesar deste acalorado discurso de defesa, ainda no dia 09 de outubro de 1909 foi pronunciada a sentença, considerando a causa um delito de rebelião militar e Ferrer Guardia, autor e chefe da rebelião. Como consequência, a ele foi imputada a pena de morte, bem como o confisco de todos os seus bens familiares, como forma de indenizar o Estado pelos prejuízos causados durante a rebelião, na forma de incêndios, saques e deterioração de bens públicos.

O processo foi concluído pelo parecer de um Auditor, para garantir sua justiça. Nesse parecer, fica clara a intenção de ligar as atividades pedagógicas de Ferrer com ações revolucionárias. Vejamos os seguintes trechos do "Dictamen del Auditor General de la 4ª Región", parte dos autos:

[...] Considera indispensable el Auditor dar comienzo á (sic) este dictamen con una biografía del procesado Ferrer Guardia como revolucionario, deducida de las cartas y documentos que constituyen los 50 legajos ocupados por la Policía en el segundo de los registros practicados en el Mas Germinal. (Juicio..., 1977, p. 55-56).

[...] Viendo que los años transcurrían sin que la ansiada revolución triunfase, y aleccionado Ferrer por la experiencia de que los movimientos insurreccionales de Santa Coloma, de Badajoz, de Villacampa, de Casero, de Manglado, en todos los cuales tuvo al parecer alguna intervención, eran otros tantos fracasos, y convencido de que la revolución de sus ensueños jamás triunfaría por tales procedimientos, cambió por completo de rumbo, por creer que en España era inútil fomentar revoluciones, pues lo primero y principal era crear revolucionarios, y para conseguirlo, se hacía indispensable educar á (sic) la juventud desterrando de su cerebro la idea de Dios, de la Religión, de la propiedad, de la familia y deslingándola de todo vínculo que pudiera embarazar sus movimientos, y una vez así preparada, esperar la primera ocasión, como una huelga general, la fiesta de 1º de Mayo ó (sic) cualquiera otra coyuntura lanzándola entonces á (sic) la calle para derrocar todo lo existente y hacer la revolución social (Juicio..., 1977, p. 59).

[...] y al regresar de un viaje, invocando ideas de filantropía y de protección para los desvalidos, le arrancó [a Srta. Meunié] el acusado la concesión de una renta anual de diez mil francos para el sostenimiento de una Escuela Asilo, que por obra de Ferrer se convirtió en la Escuela Moderna, realizando una labor diametralmente opuesta al propósito y fines de Ernestina Meunié, su inconsciente fundadora.

Obtenidos los fondos necesarios, era preciso imprimir a los estudios de la Escuela una dirección adecuada al fin de crear una juventud revolucionaria, ó (sic) mejor dicho anarquista, y á (sic) esta necesidad había ya previsto Ferrer, quien había entablado relaciones filosófico-mercantiles con Mme. Ch. Jacquinet, profesora de Instrucción primaria, que regentaba una Escuela laica en Sakha (Egipto), Escuela que por considerar perjudicial fue cerrada merced á (sic) la intervención de las Autoridades inglesas (Juicio..., 1977, p. 60-61).

[...] Por eso, al cerrarse el año 1906 la Escuela Moderna, procuró Ferrer abrir paso á (sic) su propaganda, llevando á (sic) la Escuela de la Casa del Pueblo, á (sic) la Solidaridad Obrera, y á (sic) todos y á (sic) cada uno de los numerosos Centros políticos radicales establecidos en Barcelona y en Cataluña, sus textos, sus folletos, sus libros, y de este modo, suavemente, sin suscitar recelos, sin levantar protestas y con el antifaz de proporcionar al pueblo una educación racional y científica, ha ido apoderándose de los elementos más activos de los partidos avanzados, de tal suerte, que en la actualidad no podrán éstos intentar en Cataluña movimiento alguno político, sin verse arrollados por la ola anarquista, que los envuelve y arrastra á (sic) la revolución social. (Juicio..., 1977, p. 63).

A partir de passagens como essas, o Auditor concluiu que Ferrer era o "chefe dos anarquistas", seu mentor intelectual, e que todas as revoltas populares ocorridas na Catalunha na época eram resultado de suas ações insidiosas de educação popular para construir a revolução social. E reafirmou a condenação e a sentença. Três dias depois, Ferrer foi fuzilado, sendo suas últimas palavras o grito: "Viva a Escola Moderna!".

Em 29 de dezembro de 1911, Francisco Ferrer foi oficialmente declarado pela justiça espanhola inocente das acusações que o levaram à morte, tendo sido suspenso o arresto de seus bens, que foram devolvidos à família. Morto Ferrer, ele já não era uma ameaça aos poderes constituídos.

A figura de Ferrer não é comum nos livros de história da educação. No Brasil, se investigarmos os periódicos de educação publicados nas últimas décadas, encontraremos apenas dois artigos dedicados a ele, e nenhum deles é recente: "Francisco Ferrer e a pedagogia libertária", de Mauricio Tragtenberg, publicado no primeiro número de Educação e Sociedade, em 1978; e "Educação e Liberdade: a experiência da Escola Moderna de Barcelona", de minha autoria, publicado no número 9 de Pro-Posições, em 1992.

Para trazer à memória este mártir da educação transformadora, a seção Diverso e Prosa publica, em seguida, algumas páginas do primeiro número do Boletín de la Escuela Moderna, de 30 de outubro de 1901. Podemos ler aqui o comunicado feito à imprensa, anunciando a publicação do Boletim, um curto artigo de Ferrer Guardia que resume os princípios da Escola Moderna, e a notícia da sessão de inauguração da Escola Moderna, em 08 de setembro de 1901.

Talvez isso possa despertar novos interesses sobre essa figura, tão emblemática quanto desconhecida entre nós.

 

Referências bibliográficas

BOLETÍN DE LA ESCUELA MODERNA. Año 1, n. 1. Barcelona: La Editorial, 30 oct. 1901.         [ Links ]

ESCUELA MODERNA. Ferrer - páginas para la historia. Barcelona: Publicaciones de la Escuela Moderna, 1912.         [ Links ]

FERRER I GUÀRDIA, F. La escuela moderna. Barcelona: Ediciones Solidaridad, 1912.         [ Links ]

GALCERÁN FERRER, F. Informe de la defensa. In: ESCUELA MODERNA. Ferrer: páginas para la historia. Barcelona: Publicaciones de la Escuela Moderna, 1912.

GALLO, S. Educação e liberdade: a experiência da Escola Moderna de Barcelona. Pro-Posições - Revista da Faculdade de Educação da Unicamp, v. 3, n. 3[9], p. 14-23, dez. 1992.         [ Links ]

GALLO, S. Pedagogia do risco - experiências anarquistas em educação. Campinas: Papirus, 1995.         [ Links ]

GALLO, S. Pedagogia libertária - anarquistas, anarquismos e educação. São Paulo: Imaginário; Manaus: EDUA, 2007.         [ Links ]

JUICIO Ordinario Seguido ante los Tribunales Militares en la Plaza de Barcelona contra Francesc Ferrer i Guàrdia. Palma de Mallorca: Pequena Biblioteca Calamvs Scriptorivs, 1977.         [ Links ]

LUIZETTO, F. V. Presença do anarquismo no Brasil: um estudo dos episódios literário e educacional: 1900-1920. Tese (Doutorado) - UFSCar, São Carlos, 1984. 341 p.         [ Links ]

LUIZZETO, F. V. Utopias anarquistas. São Paulo: Brasiliense, 1987.         [ Links ]

SOLÁ, P. Las escuelas racionalistas en Cataluña. 2. ed. Barcelona: Tusquets, 1978.         [ Links ]

TRAGTENBERG, M. Francisco Ferrer e a pedagogia libertária. Educação e Sociedade - CEDES, Campinas, n. 1, 1978.         [ Links ]

 

 

1. Denominou-se "Semana Trágica" (entre 26 de julho e 2 de agosto de 1909) um conjunto de protestos violentos contra a guerra no Marrocos, em que, dentre outros atos, igrejas e conventos foram incendiados em Barcelona e região.
2. Protestos contra a condenação de Ferrer aconteceram em muitos países, por considerá-la um ato de exorbitância do governo espanhol.
3. Robin, que chegou a ser secretário de Karl Marx na direção da Associação Internacional dos Trabalhadores, foi nomeado, em 1880, diretor do Orfanato Prévost em Cempuis, na França, permanecendo no cargo até 1894. Nesse orfanato, teve condições de desenvolver o princípio de uma educação integral, antiga bandeira do movimento operário. Praticou uma coeducação, educando no mesmo espaço meninos e meninas, um tabu na época. Por educação integral compreendia uma formação completa da criança, em seus aspectos intelectuais, físicos e morais. Para maiores informações, ver Gallo, 1995, 2007.
4. Um exemplo da pedagogia defendida por Ferrer pode ser visto no filme A Língua das Mariposas (direção de José Luis Cuerda, Espanha, 1999). O professor primário Don Gregorio ensina numa escola pública espanhola, às vésperas da Guerra Civil Espanhola, segundo os princípios e as práticas da "educação racional".
5. Após a morte de Ferrer e o grande número de protestos que aconteceram pelo mundo, suas ideias ganharam ainda mais evidência. As escolas modernas multiplicaram-se pela Espanha, até serem duramente reprimidas pelo governo de Franco, após a Guerra Civil de 1936. Segundo o historiador Père Solá (1978), apenas na Catalunha eram mais de 300, na época do início da guerra civil. Também aqui no Brasil tivemos várias escolas modernas que funcionaram segundo as ideias de Ferrer, sendo as mais conhecidas as Escolas Modernas de São Paulo nº 1 e nº 2, fechadas pelo governo no início da década de 1920. A esse respeito, ver Luizetto, 1984, 1987.

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