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Pro-Posições

On-line version ISSN 1980-6248

Pro-Posições vol.28  supl.1 Campinas Sept./Dec. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1980-6248-2016-0044 

ARTIGOS

O canto dos malditos: uma análise quantitativa da difusão do pensamento de Gilles Deleuze na pesquisa educacional brasileira (1990-2010)1

The singing of the damned: a quantitative analysis of the dissemination of the thought of Gilles Deleuze in the Brazilian educational research (1990-2010)

Christian Fernando Ribeiro Guimarães Vinci(i) 

(i)Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo – USP, São Paulo, SP, Brasil,christian.guimaraes.vinci@gmail.com.


Resumo

O artigo em questão apresenta um panorama da difusão do pensamento de Gilles Deleuze na pesquisa educacional brasileira, apreciando o intervalo entre os anos 1990 e 2010. Trata-se de um estudo quantitativo, levando em consideração os artigos em Educação que trabalham com o dispositivo conceitual de Deleuze, elaborado ou não em parceria com Félix Guattari, e publicados em 44 periódicos da área que compõem os estratos A1 e A2 da tabela Qualis 2013. Justifica-se uma tal pesquisa, tendo em vista que, autoproclamada maldita por alguns proeminentes autores desse filão teórico, muitos dos trabalhos envoltos com o pensamento da diferença dizem estar à margem das demais produções acadêmicas em educação. Tal marginalidade se confirmaria, ao levar em consideração os dados quantitativos aqui apresentados? Haveria um canto excluso do acadêmico, dando vazão a esses trabalhos ou, ao contrário, seria esse mais um canto típico daqueles afeitos ao aparato conceitual deleuzeano?

Palavras-chave Gilles Deleuze; filosofia e educação; produção científica

Abstract

This article presents an overview of the dissemination of the ideas of Gilles Deleuze in the Brazilian educational research, considering the interval between 1990 and 2010. It is a quantitative study, that encompasses articles from the education field that work with the concepts developed by Deleuze, sometimes in a partnership with Felix Guattari. The selected articles were published in 44 journals of the field belonging to the A1 and A2 levels of the Qualis 2013 table. This research is relevant if we observe how a number of prominent authors working with the thoughts of difference view this theoretical framework as frequently marginalized in relation to other areas of the academic research in education. Can this marginalizing be verified, considering the figures presented here? Is there a marginalized corner in the academic field, which corroborates these researches, or, on the contrary, is this yet another typical corner of those close to the deleuzian conceptual apparatus?

Keywords Gilles Deleuze; philosophy and education; scientific production

Introdução

Passada pouco mais de uma década desde o lançamento de algumas importantes publicações balizadas pelas obras de Gilles Deleuze no campo educacional2, contamos ainda com poucos trabalhos engajados no dimensionamento dos caminhos trilhados nessa área por seu pensamento – também conhecido como pensamento ou filosofia da diferença. Dentre as análises disponíveis, ressaltamos as duas de maior fôlego investigativo: tanto a tese de Sandra Benedetti (2007), Entre a Educação e o plano de pensamento de Deleuze & Guattari: uma vida, quanto o livro de Cristiane Marinho (2014a), Filosofia e Educação no Brasil: da identidade à diferença, proporcionam um panorama da difusão do dispositivo conceitual deleuzeano3, elaborado ou não em parceria com Félix Guattari4, e ensejam pensar as reais contribuições desses autores para os estudos em Educação. Pautadas pelo assombro diante do elevado número de alusões aos conceitos forjados pela dupla francesa em periódicos e eventos educacionais diversos (Benedetti, 2007) ou pela percepção de uma crescente influência deles sobre as pesquisas envoltas na temática Filosofia da Educação (Marinho, 2014a), ambas as análises sugerem haver um agudo e crescente interesse pelas obras de Deleuze e Deleuze-Guattari, sempre com vistas a uma possível renovação teórica do campo educacional. Os estudos supracitados indicam, ainda, a primeira metade da década de 2000 como o momento de inflexão, ocasião na qual eclodiram esses trabalhos inspirados pelo dito pensamento da diferença em reuniões da Anped – visão corroborada por Marlucy Paraíso (2004) – e em outros meios (periódicos, programas de pós-graduação, etc.).

Paradoxalmente, na visão das autoras supracitadas, não obstante um aumento quantitativo de citações e publicações educacionais voltadas à discussão do referencial de Deleuze e/ou Deleuze-Guattari nas últimas décadas, os trabalhos imersos nesse aporte teórico seriam ainda marginais. Seguindo nomeadamente a argumentação de Benedetti (2007), essa marginalidade decorreria de uma predileção, por parte de alguns autores, por adotar elementos formais pouco usuais, contrastantes com os rígidos padrões acadêmicos consolidados nos meios científicos nacionais5.

Marcadas por uma forte veia ensaística, aquelas pesquisas valer-se-iam do aparato analítico deleuzeano e/ou deleuze-guattariano – plano de imanência, rizoma, devir e tantas outras expressões não usuais surgem em suas páginas –, na busca pela criação de outro estilo de pesquisar em educação6. Por vezes, esse hercúleo e inusitado esforço acabaria por soar de maneira caricata e pouco séria, sobretudo àqueles afeitos às teorias mais tradicionais (Marinho, 2014b), culminando na marginalidade aqui referida. Seria verídica essa afirmação? Haveria, por parte do universo acadêmico brasileiro – programas de pós-graduação, periódicos educacionais, etc. –, uma recusa dessa produção? Sandra Corazza (2008) argumenta que sim, chegando a afirmar:

É um descalabro! Um despropósito! Às vezes, mesmo, como se fossem feiticeiras de coxas negras, esses textos (artigos, monografias, dissertações, teses, etc.), que vivem sendo escritos em educação, inspirados pela filosofia da (maldita) diferença, beiram a libertinagem, a libidinagem, a concupiscência! Verdadeiramente, estamos diante de um escândalo dentro das próprias academias .... Quais revistas educacionais Qualis A (mesmo B) aceitarão publicar textos que são sobre nada, não se filiam a campo algum e não se dirigem a qualquer disciplina determinada? Textos impuros! Textos que só existem a contrapelo! (p. 32)

O excerto em questão, para além de apresentar uma provável denúncia, auxilia-nos a delinear e precisar os possíveis contornos formais de alguns desses escritos, além dos imagináveis motivos da não aceitação desse estilo outro. Podemos perceber, em primeiro lugar, uma predileção pela utilização de uma linguagem próxima da coloquial, figurativa, muitas vezes, e beirando o literário. Posteriormente, uma tendência a colocar-se sob o domínio do maldito, autodenominando seus textos como impuros ou escandalosos, cujo efeito imediato seria a recusa categórica desses trabalhos por parte das revistas educacionais Qualis7 A e, mesmo, B. Por fim, de acordo ainda com o excerto supracitado, vigoraria no seio desses escritos uma libertinagem analítica, implicando a abolição das fronteiras disciplinares e o flerte com uma nova maneira de pesquisar-pensar-escrever educação, mais dependente da experiência do leitor na elaboração de um sentido, uma vez que tais textos optam por discutir o nada8. Coloquial, maldita e libertina, características pouco usuais na qualificação de um trabalho de teor analítico. Uma pesquisa indeterminada, ainda não atrelada a um campo específico do saber e sem objetivo claro ou pouco afeita à proposição de ideias.

De fato, poderíamos crer que, tendo em vista essas características apontadas por Corazza, qualquer artigo deleuziano e/ou deleuzo-guattariano vislumbrado em periódicos ditos de alto impacto, ou mesmo em algum evento da área, deve ser fruto de, no mínimo, um parecerista apressado ou rebelde. Como explicar, por conseguinte, a hipótese de um aumento dessa produção? Seria preciso, antes de mais, ressaltar que essa inferência permanece sem uma comprovação adequada, seja por partir de assombros (Benedeti, 2007) e percepções (Marinho, 2014a), ou, quando muito, por estar restrita a um estrato documental incipiente (Paraíso, 2004)9. Desse modo, ao invés de explicar, resta constatar se, de fato, houve esse crescimento inferido pelas autoras aqui listadas.

A questão colocada por este trabalho, em resumo, seria então a seguinte: teria havido, de fato, um aumento da produção educacional inspirada no dispositivo conceitual de Deleuze? Em caso positivo, por quais canais tem circulado? Mapeados os caminhos da difusão do pensamento de Deleuze nas pesquisas em educação no nosso país, poderemos problematizar com maior rigor a relação que o campo – composto aqui por periódicos, linhas de pesquisa, etc. – estabeleceu com esse novo estilo de pesquisar apontado pelos autores supracitados. Seria uma recusa categórica, como o quer Corazza (2008), ou haveria uma aceitação? Se aceitação, não estaríamos vivenciando uma mudança de paradigma na área, como defende Gallo (2006)? Em suma, na tentativa de fornecer elementos para pensarmos essas muitas questões, indagamos: haveria um canto [espaço] excluso do acadêmico tradicional, dando vazão a esses trabalhos ou, ao contrário, seria esse apenas mais um canto [som cadenciado ou estilo] típico daqueles afeitos ao aparato conceitual deleuzeano?

Essa indagação surgiu-nos quando da comparação de fontes distintas10, as impressões de Benedetti e Marinho confrontadas com a constatação de Corazza, e, desta mesma confrontação, emergiu um caminho investigativo interessante, qual seja: sondar quais revistas educacionais Qualis A têm aceitado ou não ‘publicar textos que são sobre nada’ (Corazza, 2008). Trabalho cujo resultado, adiantamos, resultou frutífero. Não são poucas as revistas Qualis A que têm aceitado publicar esses textos proclamados por alguns como malditos. Este artigo, destarte, alvitrará apresentar um panorama da difusão desses trabalhos em um intervalo de 20 anos (1990-2010), focando os 44 periódicos educacionais alocados no estrato A da tabela Qualis 2013, envolvendo todas as publicações categorizadas como A1 e A2. Trata-se, por conseguinte, de uma pesquisa quantitativa sobre a produção educacional inspirada no dispositivo conceitual de Deleuze e Deleuze-Guattari, visando dimensionar a receptividade desses trabalhos no campo. Tal empreitada visa oferecer substrato a outras tantas pesquisas interessadas nos pormenores da difusão, e não necessariamente nos modos de apropriação – não obstante ambos estejam em relação (Catani, Catani, & Pereira, 2001) –, do pensamento da diferença na educação brasileira, além de apresentar os resultados de uma análise de maior fôlego sobre as experimentações com o pensamento de Deleuze e Guattari, conduzida alhures (Vinci, 2014).

Balizas teórico-metodológicas

A construção de nosso arquivo seguiu majoritariamente as premissas teóricas erigidas por Arlette Farge (2009) em sua obra O sabor do arquivo, bem como adotou algumas das escolhas metodológicas utilizadas por Júlio Groppa Aquino (2013) em sua análise dos movimentos de difusão e apropriação do pensamento de Michel Foucault na educação brasileira. Conforme nota Farge (2009), o arquivo nasce sempre da desordem proveniente do acúmulo natural de documentos de tipologia diversa, um acumular coordenado por uma diretriz plástica – passível de ser modificada ao longo do processo de pesquisa. No nosso caso, lastreados por pesquisas precedentes (Benedetti, 2007; Marinho, 2014a; Paraíso, 2004), recolhemos uma gama considerável de materiais, a fim de responder a uma indagação: por quais motivos os pesquisadores do campo educacional voltaram-se à obra de Gilles Deleuze e Félix Guattari? Dada essa questão de largada – a diretriz plástica que nortearia nosso labor –, passamos a compilar uma série de outras fontes para além daquelas de que dispúnhamos: buscamos, então, teses, dissertações, artigos, etc. Construímos, assim, a desordem da qual nasceria nosso arquivo.

À lida com as fontes dever-se-ia seguir um recorte adequado do material compilado, uma delimitação do corpus analítico, a fim de que pudéssemos responder à questão preliminar, bem como formular outras tantas, sempre ditadas por experimentações analíticas singulares. Como nota a autora de O sabor do arquivo, não haveria qualquer apriorismo – ou categoria analítica – regendo esse processo. Os recortes documentais, as categorias de análise e os problemas investigativos são criações derivadas da imersão documental: leitura das fontes, classificação, mensuração, etc. Quanto mais imersos no material compilado, mais experimentamos o objeto analisado, sem, contudo, o esgotar. Nesse diapasão teórico, não há uma totalidade ou essência do objeto a ser apreendida, apenas recortes efêmeros a serem experimentados por meio de questões lançadas aos documentos. O arquivo, por conseguinte, confundir-se-ia com as indagações que suscita11. Eis o dito sabor do arquivo, caracterizado por um prazer investigativo ilimitado, sempre dependente das conexões efêmeras construídas pelo pesquisador quando de sua imersão nas fontes.

As perguntas listadas na introdução deste artigo, portanto, só foram possíveis graças a essa lida com os documentos. Em outras palavras, a escolha por trabalhar quantitativamente com o estrato dos artigos, para responder se houve ou não um aumento da produção deleuzeana em educação, surgiu de uma confrontação das próprias fontes compiladas – como apontado antes. Apenas nesse movimento, inerente à imersão documental, uma tal questão se apresentou, bem como os caminhos possíveis para saná-la.

De posse dessas premissas teóricas, partamos então para a apresentação das fontes escolhidas e da metodologia adotada. Em nossa pesquisa optamos por mensurar os estratos A1 e A2 da tabela Qualis, desenvolvida pela Capes. Escolha passível de permitir abarcar aquelas publicações com um controle de desempenho e resultado totalmente externo aos periódicos, que afiançaria aos trabalhos divulgados sua conformação a certos padrões qualitativos. Embora admitamos a possibilidade de existência de algumas exceções, esses trabalhos, por terem sido validados por seus pares, podem ser tomados como uma amostragem daquilo que o campo considera como inovador ou impactante nas pesquisas da área. São esses mesmos periódicos, ademais, que Corazza (2008) denuncia como pouco afeitos à produção educacional inspirada em Deleuze e/ou Deleuze-Guattari.

Lembramos ao leitor que, metodologicamente, tal recorte se tem demonstrado útil e frutífero para os pesquisadores em educação interessados em mensurar os impactos de um determinado pensamento no campo. Afora o estudo de Aquino (2013), já referenciado, citamos também o trabalho pioneiro envolvendo as apropriações da obra de Pierre Bourdieu (Catani et al., 2001)12. Ambas as pesquisas atestam a importância do mapeamento quantitativo dos principais periódicos educacionais para apreensão de movimentos de difusão e de apropriação na área, tendo em vista os mesmos motivos supracitados – controle de desempenho, avaliação por pares, etc.

Os periódicos selecionados, integrantes dos estratos A1 e A2 da tabela Qualis 2013, bem como as instituições responsáveis por sua publicação e o ano de seu lançamento, são:

  • Acta Scientiarum, Universidade Estadual de Maringá [UEM], 2000;

  • Avaliação, Universidade Estadual de Campinas [Unicamp], 1996;

  • BOLEMA: Boletim de Educação Matemática, Universidade Estadual de São Paulo [Unesp], 1985;

  • Cadernos CEDES, Centro de Estudos Educação e Sociedade [Cedes-Unicamp], 1980;

  • Cadernos de Educação, Universidade Federal de Pelotas [UFPel], 1992;

  • Cadernos de História da Educação, Universidade Federal de Uberlândia [UFU], 2002;

  • Cadernos de Pesquisa, Fundação Carlos Chagas [FCC], 1971;

  • Cadernos Pagu, Núcleo de Estudo de Gênero [PAGU-Unicamp], 1993;

  • Ciência da Informação, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia [Ibict], 1972;

  • Ciência & Educação, Unesp, 1994;

  • Currículo sem Fronteiras, Currículo sem Fronteiras [CsF], 2001;

  • E-Curriculum, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo [PUC-SP], 2005;

  • Educação, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul [PUC-RS], 1978;

  • Educação e Filosofia, UFU, 1986;

  • Educação em Revista, Universidade Federal de Minas Gerais [UFMG], 1985;

  • Educação e Pesquisa, Universidade de São Paulo [USP], 1975;

  • Educação & Realidade, Universidade Federal do Rio Grande do Sul [UFRGS], 1975;

  • Educação & Sociedade, Unicamp, 1978;

  • Educação Temática Digital, Unicamp, 1999;

  • Educar em Revista, Universidade Federal do Paraná [UFPR], 1977;

  • Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em educação, Fundação Cesgranrio, 1992;

  • Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências, UFMG, 1999;

  • Estudos em Avaliação Educacional, FCC, 1990;

  • Interface – Comunicação, Saúde, Educação, Unesp, 1997;

  • Investigações em Ensino de Ciências, UFRGS, 1996;

  • Movimento, UFRGS, 1994;

  • O Percevejo, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro [Unirio], 2009;

  • Paidéia, USP, 1991;

  • Perspectiva, Universidade Federal de Santa Catarina [UFSC], 1983;

  • Práxis Educativa, Universidade Estadual de Ponta Grossa [UEPG], 2006;

  • Pro-Posições, Unicamp, 1990;

  • Revista Brasileira de Educação, Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação [Anped], 1995;

  • Revista Brasileira de Educação Especial, Associação Brasileira de Pesquisadores em Educação Especial [ABPEE], 1995;

  • Revista Brasileira de Educação Médica, Associação Brasileira de Educação Médica [ABEM], 1976;

  • Revista Brasileira de Ensino de Física, Sociedade Brasileira de Física [SBF], 1979;

  • Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa [Inep], 1944;

  • Revista Brasileira de História da Educação, Sociedade Brasileira de História da Educação [SBHE], 2001;

  • Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, Associação Brasileira de Pesquisa em Educação e Ciências [Abrapec], 2001;

  • Revista Brasileira de Política e Administração em Educação, Associação Nacional de Política e Administração em Educação [Anpae], 1984;

  • Revista da FAEEBA, Universidade do Estado da Bahia [Uneb], 1992.

  • Revista de Educação Pública, Universidade Federal de Mato Grosso [UFMT], 1992;

  • Revista de História da Educação, UFRGS, 1997;

  • Revista Diálogo Educacional, Pontifícia Universidade Católica do Paraná [PUC-PR], 2000;

  • e, por fim, Revista Educação em Questão, Universidade Federal do Rio Grande do Norte [UFRN], 1987.

Chamamos atenção para o fato de algumas revistas não pertencerem ao campo educacional propriamente, caso de periódicos como Movimento, O Percevejo e outras. Entretanto, por abrirem em seu editorial espaço para discussões da área e terem publicado artigos que discutem tópicos educacionais sob a égide da filosofia da diferença, optamos por indexá-las. Tal escolha, lastreada teoricamente por Farge (2009), atesta o caráter plástico do arquivo, passível de ser composto por peças singulares e diferentes entre si. Nos casos em questão, essas revistas de outros campos também foram classificadas como A1 ou A2 no tópico Educação da tabela Qualis.

Outra questão importante a ser assinalada refere-se à periodicidade da tabela Qualis. Sabemos que nosso recorte privilegia as revistas mais bem classificadas, tendo em vista o ano base 2013, mas não as mudanças processadas no interior do ranking desde sua criação em 1997. Entretanto, as informações disponibilizadas pela própria agência sobre a evolução desse indexador mostram poucas modificações de vulto, além de apresentar dados inconsistentes – há lacunas e outros problemas. Os próprios critérios de indexação oferecidos pela Capes eram obscuros antes do ingresso na década de 2000; entendemos que a tabela foi se profissionalizando, conforme avançávamos no atual milênio. Assim, utilizamos aqui um referencial com maior credibilidade, pois o ano de 2013 marca o início de uma avaliação sistemática da Capes e a consolidação de parâmetros avaliativos mais claros e profissionais13.

Em relação ao recorte temporal adotado, nossa triagem documental cobriu o intervalo 1990-2010 e compreende tanto o momento no qual Deleuze emerge como um comentador importante no interior dos estudos pós-críticos, enquanto Guattari é lido mais detidamente, segundo atesta Paraíso (2004), mas também a explosão provocada nos anos 2000, que acabaria por inverter esse cenário – seguindo, ademais, as inferências apresentadas por Benedetti (2007) e Marinho (2014a). A triagem dos artigos levou em conta dois critérios simples de busca, mesma metodologia utilizada por Aquino (2013) em seu trabalho – os artigos deveriam: a) fazer referência explícita a Gilles Deleuze ou Félix Guattari em seu corpo e b) indicar uma ou mais obras desses autores em sua bibliografia. Dos artigos triados, descontamos aqueles de autoria de pesquisadores estrangeiros (93), restando 427 trabalhos enquadrados nessas condições.

Após a triagem dos artigos, passamos à mensuração quantitativa desses trabalhos. As seguintes categorias foram trabalhadas, tendo em vista a questão posta às fontes: temporal, ressaltando o ano da publicação; autoral, esquadrinhando a filiação institucional de cada autor; temática, por meio do mapeamento das palavras-chave de cada artigo; conceitual, cartografando os conceitos utilizados ao longo dos trabalhos; e bibliográfica, triando as obras citadas, tanto de Deleuze e Deleuze-Guattari quanto de autores do campo educacional que trabalham com o seu pensamento.

De posse desses dados, foi possível cruzá-los, a fim de construir certas inferências sobre os movimentos de difusão do pensamento da diferença em educação. Por exemplo: constatamos que o tema sociedade de controle, discutido por Deleuze em textos específicos de sua obra – “Post-scriptum sobre a sociedade de controle”; “Controle e devir”, etc. –, cobre uma parcela considerável dos trabalhos compilados, cerca de 20%, e tem sido majoritariamente trabalhado por pesquisadores filiados à Unicamp. Essa é uma afirmação inquestionável? Não necessariamente, mas, levando em conta outras fontes – bibliografia dos artigos que trabalham com a mesma temática publicados por autores sem vínculo com a Unicamp, levantamento de dissertações e teses produzidas nessa instituição em comparativo com as produzidas em outras, distribuição temporal desse material etc. –, não soa descabido afirmar que a Unicamp é um polo difusor e pioneiro na aplicação dessa temática deleuzeana às discussões educacionais. Quais implicações comportaria uma tal inferência? No mínimo, possibilita-nos afiançar que vigore nessa instituição uma linha de pesquisa fortemente inspirada pela filosofia da diferença, mormente nas discussões envolvendo o tema supracitado. A recorrência de inferências como essa pode não necessariamente definir de qual canto dos malditos a produção deleuzeana restaria refém, visto que uma tal resolução só seria possível por meio de um comparativo mais extenso e aprofundado desses trabalhos com os de outro diapasão teórico14. Mas, ao menos, possui a vantagem de colocar sob suspeita algumas assertivas peremptórias – como aquela que defende a existência de uma recusa sistemática desses trabalhos pelas revistas educacionais A1 e A2. Em resumo, essas efêmeras inferências, decorrentes do trabalho de um arquivista, dizem sobre a própria essência do arquivo, são resultados de recortes provisórios e, quando de sua enunciação, lançam uma tênue luz sob certos discursos15, possibilitando-nos problematizá-los.

Percurso bibliográfico de Deleuze

Conforme argumenta Aquino (2013), a escolha por trilhar o percurso bibliográfico de um determinado pensamento em certo campo disciplinar leva-nos à compilação de uma gama considerável de materiais. Dada a extensão desses, optamos sempre por operar com um corpus analítico limitado, relegando o restante do material a um plano secundário – o arquivo, argumentaria Farge (2009), envolve sempre seleção. Contudo, acreditamos ser importante trazer à baila uma breve listagem das fontes compiladas ao longo de nossa pesquisa, apresentando ao leitor algumas publicações educacionais de longo alcance (livros, dossiês, teses, etc.). Essa compilação, ademais, fortalece algumas inferências lançadas adiante, quando da análise do estrato documental composto pelos artigos propriamente.

Em primeiro lugar, apresentamos os dossiês temáticos dedicados ao pensamento de Deleuze e/ou Guattari em educação. Esses dossiês são importantes, pois visam atender uma demanda posta pela própria área e permitem-nos medir o grau de interesse e compreender as motivações que têm conduzido tantos pesquisadores ao flerte com esses autores. Contamos, ao longo de duas décadas, com dois dossiês dedicados ao pensamento de Gilles Deleuze: o primeiro em 2002, intitulado Dossiê Gilles Deleuze e publicado na revista Educação & Realidade, com 14 artigos de autores brasileiros e estrangeiros, além de duas traduções de textos do próprio Deleuze e uma entrevista com José Gil; e o segundo em 2005, Dossiê Entre Deleuze e a Educação, publicado em Educação & Sociedade, contendo 12 textos de autores brasileiros e estrangeiros. Enquanto aquele apresenta um prognóstico mais aberto, com uma justificativa vitalista para a sua publicação e procura produzir em seus leitores “uma vontade de viver extraordinária”, permitindo-nos “guerrear contra o que nos impede de transformar a nós mesmos, de deixar-nos arrastar por nossos devires” (Fischer, 2002, p. 5), o segundo, por sua vez, conta com intentos mais modestos: almeja “promover encontros com as ideias de Deleuze, com sua produção vasta e criativa, oferecendo possibilidades para que se repensem temas correntes do campo educacional” (Editorial, 2005, p. 1.168)16. Não há, por ora, nenhum dossiê na área dedicado exclusivamente ao pensamento de Félix Guattari. Deleuze e Deleuze-Guattari, ademais, são autores comumente citados em artigos que integram dossiês envolvendo a temática da diferença, embora não sejam os majoritários, como atestam as compilações: Diferenças, compilação de 2002 publicada no periódico Educação & Sociedade; Escola, aprendizagem, diferença, de 2007, organizado por Educação & Realidade; e Diferença e subjetividade, de 2012, em ETD – Educação Temática Digital.

Afora essas coletâneas especiais, contamos com duas revistas acadêmicas engajadas na divulgação das pesquisas desenvolvidas pelos autores que trabalham com o conceitual deleuzeano e/ou deleuze-guattariano em nosso país: Artifícios, da Universidade Federal da Paraíba (UFPA), publicação ligada ao Difere – Grupo de Pesquisa Diferença e Educação e publicada desde 2011; e Entre Lugares: Revista de Sociopoética e Abordagens Afins, da Universidade Federal do Ceará (UFC), publicada desde 2008. Ambos os periódicos são classificados pela tabela Qualis 2013 como B5. Há ainda uma publicação lançada pela editora Segmento e destinada a um público mais amplo, vendida em bancas de revistas por todo país, intitulada Deleuze Pensa a Educação, cuja primeira edição data de 2004, tendo sido reeditada recentemente.

Quanto aos estudos publicados em forma de livro, temos uma quantidade considerável de trabalhos disponíveis nos sítios de grandes livrarias. Em uma busca simples, considerando termos-chave e os nomes de Deleuze e Guattari como descritores, encontramos os seguintes títulos: Para uma filosofia do inferno na Educação, de autoria de Sandra Corazza, em 2002; Composições, de Sandra Corazza e Tomaz Tadeu da Silva, em 2003; Deleuze & a Educação, de Silvio Gallo, em 2003; Educação a Distância: cartografias em movimento, organizado por Elaine Faria e Marilu Medeiros em 2003; Pedagogia (improvável) da diferença: e se o outro não estivesse lá?, de Carlos Skliar, em 2003; A filosofia de Deleuze e o currículo, de Tomaz Tadeu da Silva, em 2004; Linhas de escrita, de autoria de Sandra Corazza, Tomás Tadeu da Silva e Paola Zordan, em 2004; Artistagens – filosofia da diferença e educação, de Sandra Corazza, em 2006; Filosofia e ensino: singularidade e diferença – entre Lacan e Deleuze, de Cláudia Cisiane Benetti, em 2006; Vygotsky/Deleuze: um diálogo possível, de Solange Puntel Mustafá, em 2008; Os Cantos de Fouror: escrileituras em filosofia-educação, de Sandra Corazza, em 2008; Abecedário – educação da diferença, organizado por Júlio Groppa Aquino e Sandra Corazza, em 2009; Pensar em Deleuze: violência e empirismo no ensino de Filosofia, de Ester Maria Dreher Heuser, em 2010; Foucault, Deleuze & Educação, organizado por Sônia Clareto e Anderson Ferrari, em 2010; Fantasias de escritura: filosofia, educação, literatura, de Sandra Corazza, em 2010; Dicionário das ideias feitas em educação, organizado por Sandra Corazza e Júlio Groppa Aquino, em 2011; Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade, organizado por Eduardo Passos, Virgínia Kastrup e Liliana da Escóssia, em 2011; Pesquisar na diferença: um abecedário, organizado por Tania Mara Galli Fonseca, Maria Lívia do Nascimento e Cleci Maraschin, em 2012; Educação Infantil e diferença, organizado por Anete Abramowicz e Michel Vanderbroeck, em 2013; e, por fim, O que se transcria em Educação?, de Sandra Corazza, em 2013.

As teses e as dissertações produzidas nos últimos anos também são volumosas. Levando em conta os dados disponíveis no Banco de Teses Capes17, com uma base alimentada desde 1987, temos, entre os anos 1990-2013: 198 trabalhos que trazem referência cruzada dos descritores Deleuze e educação, sendo 72 teses e 126 dissertações; desse estrato, caso acrescentemos o nome de Guattari à busca, deparamos com 98 trabalhos: 66 dissertações e 32 teses. Suprimindo o nome de Deleuze e procedendo somente a partir dos descritivos Guattari e educação, tal cifra sobe para 136 trabalhos: 97 dissertações e 39 teses. Em termos percentuais mais gerais, num universo de 1.016 trabalhos que apresentam o nome de Deleuze como único descritivo, aproximadamente 19,5% tratam de questões educacionais.

Em relação à distribuição temporal do material aqui listado, fazemos notar que os livros e os dossiês se concentram todos na década de 2000, o mesmo ocorrendo com o estrato das teses e das dissertações. Neste, apenas sete trabalhos foram defendidos no intervalo dos anos 1990-1999, ou seja, menos de 5% do total inventariado. Pioneiros foram os estudos de Maria Goretti Rodrigues, O imaginário social e a produção de subjetividade da professora primária, tese defendida na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1992, contando somente com Guattari como aporte teórico; e História de um aprendizado: os signos de Deleuze nos relatos de vida de músicos cegos, dissertação de Flávio Couto e Silva Oliveira, defendida em 1995 na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Fortalece-se, assim, a inferência de que a explosão dos estudos que flertam com o pensamento deleuzeano ocorreu de fato apenas quando do ingresso na década de 2000 – conforme as leituras de Benedetti (2007) e Marinho (2014a). Observando apenas o espectro quantitativo, não parece haver aí qualquer indício de marginalidade18. Ao contrário, deparamos com um número considerável de autores e publicações, cada vez mais preocupados em discutir educação a partir do dispositivo conceitual de Deleuze e Deleuze-Guattari em um movimento crescente e contínuo – vide a quantidade de livros publicados a partir 2010, por exemplo, nada menos do que oito obras lançadas em formato brochura. Dado esse percurso bibliográfico geral, partamos agora para a apresentação dos dados quantitativos referentes ao estrato de artigos publicados em periódicos Qualis A1 e A2.

Deleuze e Guattari na produção educacional brasileira (1990-2010)

Conforme apontamos antes, ao discutirmos as balizas metodológicas deste artigo, a mensuração visou trabalhar com algumas categorias, quais sejam: temporal, autoral, temático-conceitual e bibliográfica. Adiante seguimos com a apresentação de cada um desses eixos analíticos.

Comecemos por expor a distribuição temporal desse material. A Figura 1 ilustra o que explicitamos aqui. A maior parte publicada, 351 artigos ou 82%, está concentrada no período 2001-2010. O restante (76 ou 18%), no intervalo 1990-2000, porém apenas 25 artigos, ou 5,85% do total inventariado, nos primeiros cinco anos. Tendência também observada no estrato de livros, teses e dissertações. Fortalecem-se, mais uma vez, as impressões esboçadas nos trabalhos de Benedetti (2007) e Marinho (2014a) quanto à evolução dessa produção. Em relação aos artigos publicados no interior de dossiês, apenas 21 – ou 4,9% do total compilado – o foram. A maioria desses, 15 no total, foi publicada em um dos dois dossiês temáticos dedicados a Deleuze19.

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Fonte: Vinci (2014)

Figura 1 distribuição temporal 

Quanto à partilha desses trabalhos por periódico, apenas dois – ambos das áreas das ciências – restaram sem sequer um artigo referenciando o nome de Gilles Deleuze no período 1990-2010, quais sejam: Revista Brasileira do Ensino de Física e Revista de Investigação em Ensino de Ciências. As dez revistas que mais publicaram artigos foram: Educação & Realidade (71); Interface: Comunicação, Saúde, Educação (50); Educação & Sociedade (41); Pro-Posições (27); Revista Brasileira de Educação (19); Educação Temática Digital (17); Educação e Pesquisa (17); Perspectiva (17); Educação e Filosofia (15); e, por fim, Revista da FAEEBA (14). A Figura 2 expõe a distribuição por periódico. Chamou nossa atenção o fato de essas publicações estarem, em sua maioria, ligadas às universidades localizadas no eixo Sul-Sudeste – com destaque para a Unicamp, responsável por publicar três integrantes dessa lista (Educação & Sociedade; Pro-Posições e Educação Temática Digital). Esses dez periódicos, somados, concentram 288 artigos ou 67,5% do total inventariado ao longo do intervalo 1990-2010.

Fonte: Vinci (2014)

Figura 2 distribuição por periódico 

As revistas com menor número de artigos publicados, para além daquelas sem qualquer referência, foram: Avaliação (1); Revista Brasileira de História da Educação (1); e, empatadas, com dois artigos publicados cada, as revistas Cadernos de História da Educação, Ciência & Educação, Ensaio: Pesquisa em Educação em Ciências e Estudos em Avaliação Educacional. Grosso modo, podemos inferir que três áreas têm se demonstrado pouco afeitas ao pensamento da diferença, quais sejam: história da educação, avaliação educacional e ensino de ciências. Tal impressão se fortalece, ao levarmos em conta os poucos artigos publicados em outros periódicos voltados a essas discussões temáticas – ciência e história surgem em outra roupagem, tendo em vista o modo como esses temas aparecem nas obras de Deleuze, e o número de escritos sobre avaliação educacional a partir do referencial deleuzeano é inexpressivo.

Podemos concluir, dada essa categoria temporal, que houve um aumento da circulação da produção educacional deleuzeana e/ou deleuze-guattariana nas últimas décadas, visto que a maior parte do material compilado foi publicado conforme adentrávamos na década de 2000. Poder-se-ia objetar que isso se deve ao fato de que algumas das revistas triadas começaram a ser publicadas apenas na última década do intervalo analisado, 2000-2010. De fato, 7 periódicos deram início às suas atividades entre 2000-2010, e outros 5, no intervalo 1995-1999. Contudo, esses 12 periódicos não figuram entre aqueles 10 que mais apresentaram artigos envolvendo o dispositivo conceitual de Deleuze e Deleuze-Guattari e, ademais, respondem por apenas 27% dos periódicos mensurados.

Sobre a questão da autoria, deparamos com 587 nomes: 498 brasileiros e 89 estrangeiros. Os autores brasileiros, foco de nosso interesse, compõem um grupo heterogêneo cujos membros estão alocados em quatro das cinco regiões do País – a única exceção é a região Norte –, em 69 instituições diferentes. Integram a lista dos 20 autores mais producentes, conforme número de artigos publicados, os seguintes nomes: Silvio Gallo (11); Rosa Maria Bueno Fischer (10); Marlucy Alves Paraíso (7); Margarete Axt (6); Tania Mara Galli Fonseca (6); Fabiana de Amorim Marcello (6); Alfredo Veiga-Neto (6); Anete Abramowicz (5); Maria Elizabeth Barros de Barros (5); Jacques Gauthier (5); Rodrigo Pelloso Gelamo (5); Walter Omar Kohan (5); Cleber Gibbon Ratto (4); Antonio Carlos Rodrigues de Amorim (4); Elenise Cristina Pires de Andrade (4); Ireno Antônio Berticelli (4); Hélio Rebello Cardoso Jr. (4); e, por fim, Sandra Mara Corazza (3). Chamamos a atenção do leitor para a imagem aqui delineada, oposta àquela revelada ao citarmos os livros disponíveis nas grandes redes de livraria. Enquanto naquele estrato Corazza assumia, ao lado de Silva, uma posição de destaque devido ao grande número de publicações de sua autoria em circulação – 9 livros ao todo –, neste, a autora assume uma posição de menor relevo – e Silva, por sua vez, sequer aparece entre os 20 autores mais producentes, pois conta com 3 artigos publicados entre 1990-2010. Entretanto, deparamo-nos nessa lista com muitos nomes de pesquisadores cujos trabalhos foram orientados por Silva ou Corazza, caso de Marlucy Alves, Alfredo Veiga-Neto, etc. Esses, por sua vez, também contam com alguns de seus orientandos produzindo e publicando trabalhos nas revistas Qualis A. Vislumbramos, portanto, no interior dessa miríade de escritos, uma espécie de mudança geracional, na qual os pesquisadores mais antigos vêm gradativamente cedendo espaço aos mais novos.

Quanto à distribuição geográfica desses pesquisadores, tendo em vista a instituição apontada no momento da publicação do artigo, percebe-se uma clara concentração no eixo Sul-Sudeste, aqui ilustrada na Figura 3.

Fonte: Vinci (2014)

Figura 3 distribuição geográfica dos autores 

As 5 principais instituições referenciadas por esses trabalhos foram: Unicamp, com 87 alusões; UFRGS, 83; USP, 76; PUC-SP, 30; e, por fim, UFRJ, 30. Temos, assim, encabeçando essa lista, 4 instituições do Sudeste e 1 do Sul. Não há nenhum autor filiado a uma instituição no Norte do País, e as regiões Nordeste e Centro-Oeste não possuem um volume vultoso de trabalhos inspirados em Deleuze e/ou Deleuze-Guattari. Em relação às duas instituições mais citadas – Unicamp e UFRGS –, atentamos para o fato de que muitos dos autores mais producentes se encontram atrelados a essas universidades, caso de Silvio Gallo e Alfredo Veiga-Neto, entre outros.

Os dez principais temas tratados nesse material, respectivamente, conforme os termos apresentados nas palavras-chave, foram: Educação (59); Currículo (38); Corpo (27); Diferença (21); Filosofia (21); Subjetividade (21); Ensino de Filosofia (16); Arte (14); Formação de professores (13); e Gênero (12). Dentre os conceitos deleuzeanos e/ou guattarianos evocados também nos indexadores desses artigos, seguem os 10 mais relevantes: Subjetividade (21), aparecendo também os correlatos Subjetivação (9), Marcas de subjetivação (1), Modos de subjetivação (4) e Processos de subjetivação (2); Diferença (20) e Pensamento da diferença (2); Cartografia (7); Rizoma (7) e também Professora rizoma (1); Dispositivo (6); Transversalidade (4); Virtual (4); Acontecimento (3); Sociedade de controle (3); e, por fim, Devir (2) e seu plural Devires (2), além de Devir-trágico (1), Devir-animal (1), Devir-criança (1) e Devir-mestre (1). O nome de Deleuze é evocado 27 vezes nas palavras-chave, enquanto o de Guattari aparece 5 e, para efeitos comparativos, Michel Foucault, 28. Caso organizássemos esses termos em uma nuvem de ideias, conforme recorrência de indexadores, contaríamos com a seguinte imagem que compõe a Figura 4:

Fonte: Vinci (2014)

Figura 4 nuvem de ideias da produção deleuze-guattariana 

Nenhuma novidade, ao constatarmos o destaque obtido pelos indexadores educação e filosofia, tendo em vista lidarmos com autores consagrados neste último campo e com uma produção divulgada naquele. Currículo, formação, ensino e pedagogia também se destacam, demonstrando que os assuntos abordados por essa literatura são aqueles clássicos na área. Diferença, corpo e subjetividade parecem os grandes diferenciais aqui, tendo em vista a especificidade de muitas das discussões empreendidas por Deleuze em suas obras. Em um cruzamento de dados, percebemos que os tópicos diferença e subjetividade são evocados em pesquisas que lidam com temas diversos, de inclusão a políticas públicas, passando pelos usuais: currículo, ensino, pedagogia etc. A expressão corpo aparece em muitos artigos que procuram aproximar-se de discussões do campo das artes, sobretudo as cênicas, e em alguns escritos voltados a pensar a Educação Física no Brasil.

História e ciência também aparecem nessa nuvem, próximas ao marcador filosofia e sem tanto destaque, embora os periódicos voltados especificamente a essas discussões tenham poucos artigos – ou nenhum – lidando com o pensamento deleuzeano. A presença desses termos deve-se, muito provavelmente, às discussões específicas presentes no interior da própria obra de Deleuze: História aparece corriqueiramente atrelada às discussões deleuzeanas de tempo, nas quais o autor demarca uma diferença entre Aion e Cronos, ou o tempo do acontecimento e o da história; Ciência, normalmente, surge como contraponto à filosofia, conforme o autor francês o faz em O que é a Filosofia?. No campo educacional, propriamente, esses termos aparecem por meio do resgate dessas temáticas deleuzeanas.

Um termo atípico, merecedor de nossa atenção, é saúde. Poderíamos afirmar que sua incidência nessa nuvem decorre da presença, entre os periódicos sondados, de revistas do campo médico ou voltadas à discussão dessa área, como: Revista Brasileira de Educação Médica e Interface. Entretanto, vida, vitalismo e outros termos correlatos pululam em incontáveis páginas desses trabalhos, independentemente do periódico de origem – sua importância, ademais, pode ser constatada tendo em vista o editorial escrito por Fischer (2002) no primeiro dos dossiês dedicados a Deleuze publicados entre nós. Outros tantos termos passíveis de visualização nessa nuvem – infância, criança, tecnologia, política, conhecimento, pesquisa, professores, etc. –, embora auxiliem a vislumbrar o amplo escopo desses estudos, denotam não haver grandes renovações temáticas em seu cerne, apenas movimento, como sugere Paraíso (2004).

Em relação à distribuição temporal desses termos, no intervalo 1990-2000 as temáticas propriamente deleuzeanas ou deleuze-guattarianas não eram discutidas ou o eram timidamente. Diferença, por exemplo, aparece de maneira incidental, ao longo desse intervalo, somente três vezes. Subjetivação debuta apenas em finais da década de 1990 nessa produção (Gallo, 1998; Fonseca, 1999). Antes desse período, a obra mais comentada de Gilles Deleuze era O que é a Filosofia?, sobretudo quando das discussões inseridas no tópico Ensino de Filosofia, mas ainda sem atentar para as potencialidades dessa obra – ou, como nota um dos autores, sem atrelar sua discussão àquela mais ampla apresentada na série Capitalismo & Esquizofrenia (Fabbrini, 1992). Outro elemento a se fazer notar: apenas dois artigos anteriores à década de 2000 procuram inovar na sua forma, apresentando uma escrita mais ensaística (Almeida, 1996) ou colocando-se sob o signo do maldito (Gauthier, 1999). Essa característica típica da produção deleuze-guattariana em educação parece estar restrita à década de 2000.

Quanto à distribuição regional temática, convém salientar a forma como certos assuntos têm sido exaustivamente trabalhados – quando não exclusivamente – em algumas regiões do País. Alguns exemplos: o tema infância tem sido debatido com afinco na Região Sudeste, sobretudo na UERJ, graças à linha de pesquisa coordenada por Walter Kohan; currículo predomina na Região Sul, sobretudo na UFRGS; sociedade de controle, na Região Sudeste, tendo como foco emanador a Unicamp; cinema, na UFRJ e na UFF, etc. Ensino de Filosofia talvez seja o tópico mais bem distribuído regionalmente, com pesquisas desenvolvidas e/ou em desenvolvimento em quatro regiões do País (Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste).

Considerando a produção de Deleuze, Guattari e Deleuze-Guattari, as cinco obras mais citadas por esses artigos foram: Mil platôs (163); Conversações (128); O que é a Filosofia? (101); Diferença e repetição (90); e Foucault (61). Obras que, de certa maneira, podem ser cruzadas com as preferências temáticas presentes nessa produção: discussão conceitual (Mil platôs, O que é Filosofia e Diferença e repetição); ensino de filosofia (O que é a Filosofia?); sociedade de controle (Conversações e Foucault); etc. Os cinco livros menos citados foram: Sobre o teatro (3); Psicanálise e transversalidade (3); O inconsciente maquínico (3); Nietzsche (3); e Apresentação de Sacher-Masoch (3). Salientamos ainda a presença de uma gama considerável de textos que circulam de forma independente, marcando alguns temas caros a esses artigos, como é o caso de: Post scriptum sobre as sociedades de controle (25); Imanência: uma vida... (11); O ato de criação (7); e O atual e o virtual (5). Os artigos com os quais deparamos citam poucas obras de comentadores da área educacional, sendo estes mais recorrentes: Deleuze e a Educação, de Silvio Gallo (12), e Linhas de escrita, de Silva, Corazza e Zordan (7). Enquanto o primeiro possui um caráter mais introdutório, um comentário geral ao pensamento de Deleuze, tendo em vista um leitor do campo educacional, o segundo apresenta uma discussão mais densa e exigente para com seu leitor, que não necessariamente deve ser um iniciado, mas tem de estar aberto à argumentação ali exposta. Os demais livros, ou artigos, dos autores supracitados são referidos amiúde, condição que garante a esses autores um alto índice de impacto no conjunto dessa produção.

Por fim, apenas 19 artigos trazem em seu título o nome de Deleuze; 3, o de Deleuze e Guattari; e apenas 1, o de Guattari. Um pouco maior é o número de artigos que os citam no resumo: 97 no total. Deleuze e Guattari aparecem como comentadores em 99 artigos, sendo convocados a operar ao lado de autores os mais diversos, como, por exemplo: Michel Foucault (25); Friedrich Nietzsche (5); Sigmund Freud (4); Hannah Arendt (2); e Platão (2). Ao longo de nossa triagem, não encontramos nenhum artigo dirigindo críticas a esses escritos – independentemente dos critérios de busca adotados. Ou seja, não deparamos com qualquer apreciação negativa, pelos estudos da área, das apropriações do pensamento de Deleuze. Uma produção que, ao menos nas páginas dos periódicos de maior impacto, não parece encontrar resistências explícitas.

Considerações finais

O que podemos inferir desses dados? A princípio, não podemos validar a imagem de uma produção maldita, ao menos em termos quantitativos. O expressivo número de artigos publicados no intervalo de 1990 a 2010 comprova que a área não enxerga esses trabalhos com ressalvas; ao contrário, as revistas A1 e A2 têm se demonstrado cada vez mais afeitas a esses escritos. Embora Corazza e Silva, os autores mais autoproclamadamente malditos, não figurem como proeminentes nesse estrato, há muitas produções da lavra de seus orientandos circulando em renomados periódicos e apresentando aquele outro estilo de pesquisar. Em segundo lugar, a grande inovação dessa produção parece estar não na descoberta de novos tópicos de pesquisa, mas no deslocamento de certas discussões – o movimento apontado por Paraíso (2004) – e no atravessamento de alguns temas clássicos da área, com conceitos pouco usuais. Podemos afirmar, ainda, a cristalização de alguns núcleos difusores dessa abordagem inspirada no dispositivo conceitual de Gilles Deleuze e Félix Guattari. As instituições alocadas no eixo sul-sudeste contam com linhas de pesquisa fortemente inspiradas pelo pensamento da diferença, demonstrando haver um fortalecimento desse rincão teórico em meios acadêmicos ditos tradicionais.

Munidos dessas informações, resta retornarmos à nossa indagação inicial: afinal, qual o canto dos malditos presente nessa produção? A nosso ver, de posse dos dados quantitativos apresentados acima, seria difícil afirmar que se trata de um espaço excluso; antes, talvez, diria respeito a uma tentativa de produzir certos efeitos em seu leitor através de um estilo – como defende Corazza (2006, 2008, 2012). Em outros termos, recorrendo agora ao pensamento do próprio Gilles Deleuze (1997), tratar-se-ia talvez de uma produção que buscaria provocar uma gagueira na linguagem educacional, operando com “uma linguagem afetiva, intensiva, e não mais uma afecção daquele que fala” (p.122). Em relação aos objetivos almejados por este artigo, sondar o quanto o campo educacional se tem demonstrado afeito à produção deleuzeana, acreditamos que os dados quantitativos aqui apresentados não permitem ir além da afirmação de que, diferentemente daquilo defendido por Corazza (2008), não há qualquer recusa dessa produção pelas revistas Qualis A. Entretanto, o volume dessa produção faz-nos pensar: esse outro estilo de pesquisa estaria produzindo a dita gagueira deleuzeana ou apenas teria instituído uma gramática?

1Apoio: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP

2Referimo-nos aos livros Para uma filosofia do inferno em Educação (Corazza, 2002) e Deleuze & a Educação (Gallo, 2003), bem como aos dossiês temáticos: Gilles Deleuze, na revista Educação & Realidade (Corazza, 2002), e Entre Deleuze e a educação, no periódico Educação & Sociedade (2005).

3A noção de “dispositivo conceitual” remete à leitura deleuzeana da obra de Michel Foucault. Para Deleuze (2003), um dispositivo seria composto por “linhas de visibilidade, linhas enunciação, linhas de força, linhas de subjetivação, linhas de fuga, linhas de fissura, de fratura, que se entrecruzam e se mesclam, surgindo umas das outras ou suscitadas a partir de outras, por meio de variações ou mesmo de mutações de disposição (agenciamentos) ” (p. 320). De acordo com o filósofo francês, o trabalho de seu conterrâneo, Michel Foucault, consistia em extrair de um conjunto heterogêneo de documentos, um arquivo, essas múltiplas linhas e entrecruzá-las, a fim de erradicar os universais e possibilitar a criação de um acontecimento-agenciamento. Um “dispositivo conceitual” pode ser interpretado como uma espécie de conceito-ferramenta, um elemento disruptivo forjado por um pensador para ser apropriado e utilizado de maneiras as mais diversas. Para uma discussão sobre o dispositivo conceitual de Deleuze e Guattari e os modos de sua apropriação no Brasil, remetemos o leitor a Vinci e Ribeiro (2015).

4 Benedetti (2007) chama nossa atenção para a constante ausência de referências ao nome de Félix Guattari nas publicações educacionais; quando muito, justifica-se privilegiar o nome de Deleuze como “uma abreviação conveniente para Deleuze + Guattari” (Silva, 2002, p.48). Em nosso artigo, notará o leitor, optamos por seguir os rastros da difusão do pensamento de Deleuze apenas, uma vez que o trabalho com Guattari exigiria um recuo temporal que tornaria inviável a realização desta pesquisa – tendo em vista a grande influência do psicanalista francês nos quadros intelectuais brasileiros nas décadas de 1970 e 1980, conforme nota François Dosse (2010).

5Silvio Gallo (2006) teria notado uma tensão similar, estabelecida entre um estilo clássico de pesquisa, marcado por uma perspectiva disciplinar e universalizante, e um estilo transversal, aberto às inventividades transdisciplinares e à curiosidade investigativa do pesquisador. Esse último seria aquele presente nos trabalhos inspirados pelo conceitual deleuzeano.

6 Paraíso (2004) corrobora essa leitura, argumentando que as pesquisas educacionais marcadas pela obra de Deleuze e Guattari teriam sido as responsáveis por produzir um movimento criativo ou uma renovação no interior do grupo denominado de “pós-crítico”. Para maiores detalhes sobre esse outro estilo, remetemos o leitor a um texto de Sandra Corazza (2012), autora pioneira na divulgação das potencialidades do pensamento da diferença para o campo dos estudos educacionais, intitulado “Contribuições de Deleuze e Guattari para as pesquisas em educação”.

7A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) disponibiliza uma lista com a classificação dos veículos utilizados pelos programas de pós-graduação para a divulgação da sua produção, comumente conhecida como Tabela Qualis. Os dados utilizados são obtidos a partir de informações fornecidas pelos próprios veículos, por meio de um aplicativo desenvolvido pela Capes. Maiores informações podem ser obtidas no site da própria instituição: http://www.capes.gov.br/avaliacao/qualis. Retirado em: 14 de setembro de 2015.

8Silvo Gallo (2006), guardadas as devidas diferenças, enxergaria características similares a estas naquilo que o autor denomina de estilo transversal de pesquisa.

9Não obstante defendermos haver uma inconsistência nessas inferências sobre o aumento da produção deleuzeana em educação, não negamos a importância desses trabalhos, pelo contrário. Nosso intento com este artigo é apenas fortalecer as análises pioneiras empreendidas pelas autoras em questão, apresentando uma análise de teor mais descritivo acerca do material publicado por nós compilado, ou seja, construindo inferências a partir de um outro arquivo. A somatória dessas inferências, contudo, jamais seria capaz de dizer a verdade a respeito dessa produção, apenas nos auxilia a problematizar certos discursos consolidados no campo, tal qual aquele que apregoa certa maldição pairando sobre esses textos, e abri-lo a outras tantas interpretações. Trata-se, em suma, de um trabalho arquivístico aliado às concepções metodológicas de Arlette Farge (2009), apresentadas adiante.

10Seguindo a noção de arquivo fargeana, erigida sob a égide do pensamento de Michel Foucault. Discutiremos à frente tal noção, mas, para uma análise mais detida do conceito de arquivo, remetemos o leitor ao trabalho de Vinci (2014).

11Estamos muito distantes da concepção clássica de arquivo: não se trata de uma mera compilação documental, mas sim de uma espécie de fluxo derivado do processo de imersão documental. Como argumenta Farge (2009): “o arquivo não se parece nem com os textos, nem com os documentos impressos, nem com os ‘relatos’, nem com as correspondências, nem com os diários, e nem mesmo com as autobiografias. É difícil em sua materialidade. Porquanto desmesurado, invasivo como as marés de equinócios, as avalanchas ou as inundações. A comparação com fluxos naturais e imprevisíveis está longe de ser fortuita; quem trabalha em arquivos se surpreende muitas vezes falando dessa viagem em termos de mergulho, de imersão, e até de afogamento” (p.12).

12Nesse estudo, os autores desenvolveram e operaram com três categorias distintas, quais sejam: apropriação incidental, caracterizada por referências rápidas ao autor; apropriação conceitual tópica, caracterizada por deixar entrever a utilização, embora não sistemática, de citações e eventualmente de conceitos do autor; e apropriação do modo de trabalho: entendida como uma utilização sistêmica de obras e conceitos do autor. Não obstante reconhecermos a importância dessas categorias, neste trabalho, apresentamos apenas aspectos de difusão, focalizando nossa análise somente nos elementos quantitativos. Uma análise qualitativa desse material, envolvendo também os conceitos de apropriação, pode ser encontrada em Vinci (2014) e Vinci e Ribeiro (2015).

13Maiores informações podem ser buscadas em http://www.capes.gov.br/36-noticias/6439-atualizacao-final-do-qualis-periodicos-para-a-avaliacao-trienal-2013. Último acesso: 15 de setembro de 2015.

14Para uma breve comparação à guisa de exemplo, os autores (Catani et al., 2001), interessados nas apropriações da obra de Bourdieu no campo educacional brasileiro, depararam, em um intervalo que cobre os anos de 1977 a 2000, com 355 trabalhos publicados em 20 periódicos de alto impacto da área. Embora abarcando um lastro maior de periódicos, em um intervalo similar, encontramos um número consideravelmente maior de artigos citando Deleuze e/ou Deleuze-Guattari – em sua grande maioria publicados nos mesmos periódicos analisados por Catani et al. (2001).

15A noção de discurso, tal qual pensada por Michel Foucault, apresenta uma relação orgânica com os conceitos de arquivo e dispositivo utilizados por nós neste trabalho. Para um desdobramento dessa relação, remetemos o leitor às obras, respectivamente, de Farge (2009) e Deleuze (2003).

16Para uma discussão desses dossiês, ver Benedetti (2007).

17Disponível em: http://bancodeteses.capes.gov.br/. Último acesso em 04 de agosto de 2013.

18A marginalidade por nós referida deve ser, lembramos, compreendida em seu aspecto quantitativo somente, pois o mapeamento do percurso bibliográfico do pensamento de Deleuze visa responder a uma questão em específico, qual seja: estaria a produção deleuzeana e/ou deleuze-guattariana em educação circulando por canais marginais, ou seja, por vias outras que não aquelas academicamente consolidadas na área – periódicos, teses, dissertações, etc.?

19Ao todo, ambos os dossiês, somados, contaram com 26 artigos. Porém, descontados os autores estrangeiros e as traduções, restaram apenas 15 artigos nacionais.

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Received: September 16, 2015; Revised: July 12, 2016; Accepted: September 08, 2016

* Corresponding author: bergson.bezerra@gmail.com

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