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Physis: Revista de Saúde Coletiva

Print version ISSN 0103-7331

Physis vol.3 no.1 Rio de Janeiro  1993

https://doi.org/10.1590/S0103-73311993000100002 

A clínica, a epidemiologia e a epidemiologia clínica

 

Clinicai practice, epidemiology and clinicai epidemiology

 

Pratique clinique, epidemiology et épidémiologie clinique

 

 

Naomar de Almeida Filho

Ph.D., professor adjunto do Departamento de Medicina Preventiva da FAMED-UFBA Professor visitante do Departamento de Antropologia da Universidade da Califórnia em Berkeley. EUA. Pesquisador I-A do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico"-CNPq

 

 


RESUMO

O presente estudo discute as múltiplas articulações conceituais e metodológicas entre a prática clínica e a epidemiologia, afirmando que o modo de produção do saber epidemiológico é inadequado para a formação do discurso clínico. Posteriormente ele avalia o grau de legitimidade episte-mológica da proposta de hibridação consolidada na chamada "epidemiologia clínica", especialmente no que diz respeito à tentativa de tornar técnica a decisão corrente em abos os campos do diagnóstico e da terapêutica da prática clínica, que ficou conhecida como "clinimetria".


ABSTRACT

This study debates the multiple conceptual and methodological linkages between clinicai practice and epidemiology, alleging that the mode of production of epidemiological knowledge is inadequate for the making of the clinicai discourse. It subsequently assesses the degree of epistemiolo-gical legitimacy of the proposal of hybridization which consolidates into the so called "clinicai epidemiology", specially in relation to its attempt to technify the decision making process in both the diagnostic and thera-peutic fields of the clinicai practice, which came to be known as "clinimetry".


RESUME

Ce texte discute les rapports conceptuels et méthodologiques entre la pratique clinique et Pépidémiologie. Cette discussion mène 1'auteur à la conclusion suivante: le mode de production de la connaissance épidémio-logique n'est pas convenable pour la formation du discours clinique. Ce texte s'occupe aussi d'une analyse épistémologique de 1'épidémio-logie clinique et de la pratique clinique.


 

 

Texto completo disponível apenas em PDF.

Full text available only in PDF format.

 

 

1 Idem.
2 Sackett D., Haynes B., Tugwell P., op. cit.
3 Horwitz R.I., "The experimental paradigm and observation studies of cause-effect relationships in clinicai medicine"./. ChronDis40:91-9, 1987.
4 Apenas para simplificar, chamaremos genericamente de clínica à clínica médica. Recordemos que há outro tipo de clínica, a psicanalítica, por exemplo, cujo referencial é bastante diverso, senão oposto, ao da clínica médica.
5 Gonçalves R.B., "Reflexão sobre a articulação entre a investigação epidemiológica e a prática médica: A propósito das doenças crônicas degenerativas. In: Costa D. (org.), Epidemiologia: Teoria e Objeto. São Paulo, Hucitec-Abrasco, 1990, p. 39-85.         [ Links ]
6 Apesar disso, alguns campos disciplinares subsidiários à clínica médica fornecem um exemplo contundente da dicotomização corpo físico/corpo social. A anatomia patológica e a fisiologia, por exemplo, examinam e sistematizam o conhecimento sobre este "corpo" como se ele fosse um objeto natural, ou seja, não atravessado pela linguagem e pela cultura, e portanto a-social.
7 Gonçalves R.B., op. cit.
8 Susser M., Epidemiology, Health & Society —Selected Papers. Nova York, Oxford Univ. Press, 1987.         [ Links ]
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20 Sackett D., Haynes B., Tugwell P., op. cit.
21 Black D.A., op. cit.
22 Horwitz R.I., op. cit.
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25 Almeida Filho N., op. cit.
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27 Murphy E., op. cit.
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29 Em termos retóricos, trata-se de um escandaloso oxímoro, conforme denunciado por Last (1988) [Last J., Editorial. Journal of Public Health Pohcy (sum ni er): 1988.
30 Feinstein A., op. cit.
31 Savitz D., Greenland S., Stolley P., Kelsey J., "Scientific Standards of Criticism: A Reaction to Standards in Epidemiologic Studies of the Menace of Daily Life, by A.R. Feinstein". Epidemiology l;78-83,1990.         [ Links ]
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33 Smith T., Parasitism andDisease. Princeton, Princeton Press, 1934.         [ Links ]
34 Foucault M., op. cit.
35 En passant, notem aqui a origem baconiana da noção de "história natural das doenças", tão cara à ideologia da medicina preventiva (Arouca 1975).
36 Foucault M„ op. cit, 1979.
37 Foucault M., op. cit, 1979, p. 118.
38 Clavreul J., op. cit.
39 Bernard C., Introduction to theStudy of Experimental Medicine (1865). London, Macmillan, 1927.         [ Links ]
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41 Popper K,, op. cit., p. 300.
42 Jénicek M. e Cléroux R., op. cit.
43. Gonçalves R.B., "Contribuição à Discussão sobre as Relações entre Teoria, Objeto e Método em Epidemio logia". Anais, I Congresso Brasileiro de Epidem iologia, Campin as, 1990, p. 346-361.
44. Em termos retóricos, trata-se de um escandaloso oxímoro, conforme denunciado por Last (1988) [Last J., Editorial. Journal ofPublic Health Policy (summer):1988.
45. Feinstein A., "Scientific Standards in Epidemiologic Studies of the Menace of Daily Life". Science 242:1257-63,1988.
46. Sackett D., Haynes B., Tugweel P., op. cit.
47. Horwitz R.I., op. cit.
48. Feinstein A., op cit.
49. Savitz D., Greenland S., Stolley P., Kelsey J., "Scientific Standards of Criticism: A Reaction to Standards in Epidemiologic Studies of the Menace of Daily Life, by A.R. Feinstein". Epidemiology 1;78-83, 1990.
50. Miettinen O., Editorial - "Precision and Insight". Journal of Clinical Epidemiology 43(3):211-214, 1990.

51. Smith T, Parasitism and Disease, Princeton, Princeton Press, 1934.
52. Foucault M" op, cit.
53. Clavreull, A ordem médica, São Paulo, Brasiliense, 1983.
54. Bench RJ. '"Health Science, Natural Science. and Clínical Knowledge". TheJournal ofMedicinearul Philosophy 14:147-11';4, 1989.
55. En passant, notem aqui a origem baconiana da noção de "história natural das doenças", tão cara à ideologia medicina preventiva (Arouca 1975).
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59. Foucault M., op. cit, 1979, p. 118.
60. Clavreul J., op. cit.
61. Bernard c., Introduction to theStudy ofExperimental Medicine (1865). London, Macmillan, 1927.
62. Popper K., A lógica da descoberta científica. São Paulo, Cultrix, 1975.
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65. Weed D., op. cit.
66. Jénicek M. e Cléroux R., op. cit.

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