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Physis: Revista de Saúde Coletiva

Print version ISSN 0103-7331

Physis vol.19 no.2 Rio de Janeiro  2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-73312009000200015 

TEMAS LIVRES

 

A insatisfação corporal de jovens: um estudo exploratório

 

The body dissatisfaction of adolescents: an exploratory research

 

 

Maria Aparecida ContiI; Luciana Scarlazzari CostaII; Stela Verzinhasse PeresIII; Natacha ToralIV

IPesquisadora do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares - AMBULIM - HC - IPQ-FMUSP. Doutora pelo Departamento de Epidemiologia e mestre pelo Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública/ USP. Especialista em Psicologia Clínica. Endereço eletrônico: maconti@usp.br
IIPesquisadora visitante do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública e Meio Ambiente da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz. Mestre em Saúde Coletiva pelo Departamento de Medicina Preventiva e Social da Unicamp. Doutora em Saúde Pública pelo Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública/USP
IIIDoutoranda e mestre pelo Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública/USP
IVNutricionista, especialista em Adolescência para Equipe Multidisciplinar pela UNIFESP, mestre e doutoranda em Saúde Pública/USP, consultora técnica da Coordenação-Geral da Política de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde

 

 


RESUMO

A presente pesquisa objetivou avaliar a satisfação corporal de um grupo de adolescentes e as possíveis diferenças entre os sexos. Participaram do estudo 121 jovens, de ambos os sexos, matriculados numa instituição particular de ensino no ABC Paulista. Aplicaram-se entrevistas coletivas e individuais, com os dados analisados por meio da estatística descritiva e os depoimentos por meio da técnica do Discurso do Sujeito Coletivo, embasada na teoria das representações sociais. Entre as meninas, destacaram-se a idealização do corpo magro e os discursos vinculados às ideias do desejo de diminuir ou aumentar áreas corporais. Entre os meninos, foi observada a idealização do corpo eutrófico, além do desejo de diminuir áreas corporais e ganhar massa muscular. As ideias centrais de satisfação corporal foram verificadas em 1,8% e 23,3% dos discursos de meninas e meninos, respectivamente. Os dados indicam que a insatisfação corporal está presente na vivência destes jovens, com variações relacionadas aos prováveis mecanismos e reações atrelados ao gênero.

Palavras-chave: Insatisfação corporal; imagem corporal; adolescência; representação social; pesquisa qualitativa.


ABSTRACT

This paper aimed to evaluate body satisfaction in a group of adolescents and the possible differences between sexes; 121 teenagers of both sexes, enrolled in a private high school in ABC Paulista, were studied. Collective and individual interviews were conducted and data base was analyzed through the descriptive analysis and the statements of the Collective Subject Discourse technique, based on the social representation theory. Girls evinced the idealization of the skinny body and the speeches rolled to the wish of decrease and increase body areas. Among boys it was observed the idealization of eutrophic body, as well as the wishes to reduce body's areas and increase muscle size The central body satisfaction ideas were verified in 1.8% and 23.3% of speeches among girls and boys, respectively. Data confirm that body dissatisfaction is present in the adolescent's reality, with variation connected with the probable mechanisms and reactions connected with gender.

Key words: Body dissatisfaction; body image; adolescence; social representation; qualitative research.


 

 

Introdução

A adolescência pode ser compreendida como uma etapa evolutiva peculiar do ser humano, definida de forma heterogênea. Há várias possibilidades interpretativas; no entanto, os estudiosos do tema têm concordado com o fato de que é um período de passagem para a fase adulta, um tempo de mudança e ajustamento das capacidades no âmbito produtivo e reprodutivo (KANAUTH; GONÇALVES, 2006). A Organização Mundial de Saúde (OMS) adota o critério cronológico para defini-la, embasado nas mudanças físicas, psicológicas e sociais, considerando assim três períodos: inicial (entre 10 e 14 anos), intermediário (entre 15 e 17 anos) e final (entre 17 e 21 anos) (WHO, 2005).

Quanto ao desenvolvimento físico, o adolescente passa pela puberdade, o que proporciona mudanças nas experiências físicas individuais e requer um ajuste dos pensamentos e sentimentos acerca de sua identidade. Neste contexto, a puberdade será influenciada pela forma como os pais, os amigos e a própria escola, por ser um dos principais espaços de convivência nessa fase da vida, respondem às mudanças individuais deste adolescente (RICHARDS et al., 1990).

Uma das características peculiares observadas na cultura contemporânea é a insatisfação dos jovens com seu corpo (LEVINE; SMOLAK, 2004). O enfoque dado pela sociedade ao padrão feminino corporal embasa-se na magreza, transformando o corpo em um objeto de manipulação e projeção de desejos e, para meninos, em contraponto, os apelos induzem ao tamanho e força corporal (BERGSTROM et al., 2000). Goldenberg (2004), em estudo com jovens cariocas, constatou que a preocupação com a aparência tornou-se uma inquietação constante nesse público, provocando permanente insatisfação com o próprio corpo.

Conceitualmente, o grau de satisfação corporal, ou seja, a avaliação do jovem entre os extremos da satisfação e da insatisfação, refere-se a uma das principais formas utilizadas para mensurar a imagem corporal (SMOLAK, 2004). A imagem corporal é uma espécie de figura que a pessoa tem em sua mente acerca do tamanho, forma e estrutura corporais, envolvendo seus sentimentos em relação a essas características, bem como às áreas corporais constituintes (SLADE, 1994). Refere-se a um conceito multidimensional, compreendendo, no mínimo, duas modalidades independentes: a perceptiva, relacionada à estimação do tamanho corporal, e a atitudinal, relacionada ao afeto e cognição (CASH; BROWN, 1989). Para Osório (1992), a adolescência representa um momento crucial do desenvolvimento do indivíduo, aquele que marca não só a aquisição da imagem corporal definitiva, como também, a estruturação final de sua personalidade.

Outro ponto relevante refere-se às condutas dos jovens frente às insatisfações corporais. Aproximadamente 40% e 25% das meninas e meninos norte-americanos, respectivamente, iniciam dietas na adolescência (NICHOLLS; VINER, 2005). Além disso, jovens insatisfeitos mostram-se mais suscetíveis ao desenvolvimento das patologias de ordem alimentar, como a anorexia e bulimia nervosas, bem como a obesidade (HAINES; NEUMARK-SZTAINER, 2006).

A anorexia e bulimia nervosas são caracterizadas por preocupações mórbidas com o peso e forma corporais e manifestações distorcidas e caóticas dos padrões alimentares, sendo a anorexia a terceira doença mais comum entre as jovens norte-americanas, afetando 0,5% das meninas, enquanto a bulimia atinge a 1% das jovens (NICHOLLS; VINER, 2005). Já a obesidade configura-se como outro problema de saúde pública, afligindo adolescentes de forma indiscriminada. Dados nacionais confirmam a prevalência de 12,3%, 16,7% e 2,3% para sobrepeso, excesso de peso e obesidade, respectivamente, para os jovens da Região Sudeste (IBGE, 2006). Sendo assim, quase 40% dos jovens apresentam alterações na apresentação e forma corporais, com possíveis reflexos na percepção e vivência de sua corporeidade.

Embora a literatura revele a presença da insatisfação corporal de jovens e aponte suas possíveis relações, pouco se conhece acerca destes dados pelo discurso do jovem. O objetivo deste estudo é caracterizar a satisfação corporal de um grupo de adolescentes, amparando-se pela teoria das representações sociais, e discutir as possíveis diferenças entre os sexos.

Cabe pontuar o conceito de sujeito social, na concepção de indivíduo, ser humano, inserido numa realidade histórica, portador de desejos, capaz de estabelecer relações com outros indivíduos, pertencente a uma família, ocupando determinado lugar social e estabelecendo relações sociais (CHARLOT, 2000). Como ser ativo, age e sofre influências deste meio social, produzindo-se e sendo produzido no conjunto das relações sociais no qual está inserido (DAYRELL, 2003).

Optou-se pelo embasamento teórico das representações sociais, pela possibilidade de identificar o poder da realidade social de um dado grupo, bem como a atuação dos sujeitos sociais, por meio de um elo de ligação existente entre o real, o psicológico e o social, que estabelece conexões entre a vida abstrata do saber, das crenças e a vida concreta deste indivíduo em seus processos de troca com os outros (ANDRADE JUNIOR et al., 2004).

Para Jodelet (2001), as representações sociais são fenômenos complexos, sempre ativados e em ação na vida social. Compõem-se por elementos informativos, cognitivos, ideológicos, normativos, crenças, valores, atitudes, opiniões, imagens, entre tantos outros. Segundo a autora, é nesta totalidade significante que se encontra o centro da investigação científica, tanto para a descrição como para a análise e explicação das dimensões, formas, processos e funcionamento das representações sociais.

Cabe salientar que o reconhecimento das representações sociais se dá geralmente pelo sistema de interpretação que rege a relação do indivíduo com o mundo e com os outros, sendo capaz de orientar e organizar suas condutas, bem como as comunicações sociais. Caracteriza-se por ser um fenômeno cognitivo, no pertencimento do indivíduo a sua rede social, englobando questões afetivas e normativas, por meio das interiorizações das experiências, práticas, modelos de conduta e pensamentos (JODELET, 2001). Desta forma, partiu-se do princípio de que as representações sociais são, essencialmente, fenômenos sociais que devem ser compreendidos a partir do seu contexto de produção, ou seja, a partir das funções simbólicas e ideológicas a que servem, sem esquecer das formas de comunicação por onde circulam (SPINK, 1993).

 

Métodos

Participantes

O presente estudo1 refere-se a uma etapa da pesquisa de doutorado da primeira autora, realizada numa escola particular de ensino fundamental II e médio no ABC Paulista, envolvendo todos os adolescentes matriculados, o que correspondeu a 386 jovens de ambos os sexos, na faixa etária de 11 a 18 anos. Os mesmos foram convidados a participar, e aqueles que concordaram foram entrevistados de forma coletiva e individual, totalizando 121 adolescentes (FONTANELLA et al., 2008).

Procedimento

Em setembro de 2006, realizou-se um pré-teste com os instrumentos, envolvendo um grupo de seis jovens de ambos os sexos, na faixa etária média de 13 anos, da mesma instituição. Foram realizados os ajustes no questionário e nas perguntas realizadas aos participantes, para maior compreensão das entrevistas, que ocorreram em dezembro de 2006.

Em um primeiro momento, foi aplicado um questionário de autopreenchimento, em sala de aula, no período letivo e de forma coletiva. Ao término, os jovens foram direcionados para a sala de ginástica, para mensuração das medidas antropométricas. Em um segundo momento, foi aplicada a entrevista individual, em uma sala restrita. A coleta de dados (coletiva e individual) foi realizada pela primeira autora, que é treinada e possui experiência em técnicas de entrevistas e mensuração antropométrica.

O estudo foi desenvolvido de acordo com a Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde e aprovado pelo Comitê de Ética da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Os responsáveis pelos jovens assinaram um "termo de consentimento livre e esclarecido".

Medidas

Dados demográficos e de satisfação corporal

Foram coletadas informações relativas à idade e sexo e aplicou-se uma escala para avaliar a satisfação corporal - Escala de Silhuetas (THOMPSON; GRAY, 1995). Esta escala é composta por 18 silhuetas de figuras humanas numeradas, sendo nove femininas e nove masculinas que variam de 1 (muito magro) a 9 (muito gordo). Foi solicitado ao adolescente que respondesse a duas perguntas: 1) "Escolha uma única figura que melhor lhe representa no momento" e 2) "Escolha uma única figura que melhor representa a forma que gostaria de ter/ser". A satisfação corporal foi analisada por meio do cálculo do escore realizado pela diferença entre o valor que o adolescente gostaria de ter/ser e o valor que o representasse no momento. Este escore variou de - 8 a + 8, e quanto maior a diferença, maior a discrepância corporal e, consequentemente, mais insatisfeito foi classificado o adolescente (SCAGLIUSI et al., 2006).

Dados antropométricos

Para a medição de peso corporal, foi utilizada uma balança eletrônica do tipo plataforma (marca SECA®) com capacidade para 150 kg e graduação em 100g, com os adolescentes trajando roupas leves e descalços (GORDON et al., 1988). A estatura foi mensurada utilizando-se estadiômetro (marca SECA®) fixado à parede com escala em milímetros, e foi solicitado ao adolescente que encostassem à parede os calcanhares, panturrilha, glúteos e ombros e foi posicionada a cabeça no plano de Frankfurt (GORDON et al., 1988). Foram realizadas duas medidas de peso e estatura e consideraram-se a médias dos valores. O cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) foi feito por meio da divisão entre o peso em quilos e o quadrado da estatura em metros.

Entrevistas semiestruturadas

Aplicou-se a técnica da entrevista semiestruturada, caracterizada como uma entrevista episódica, que combina em sua estrutura convites para narrar acontecimentos da vida pessoal (FLICK, 2002). A entrevista foi gravada em fita magnética e foi solicitado ao adolescente que respondesse à seguinte pergunta: "O que você gostaria de mudar em seu corpo? Fale um pouco disso". A duração variou de dois a 15 minutos, e posteriormente, os dados foram transcritos em um editor de texto e relidos, na íntegra, por três pesquisadores experientes em pesquisa qualitativa.

 

Análise

Para os dados demográficos, de satisfação corporal e de antropometria, foram realizadas análises estatísticas descritivas e calculados média, desvios-padrão, valores mínimos e máximos. Os mesmos foram duplamente digitados e confirmada a consistência do banco. Para avaliação dos depoimentos, aplicou-se a técnica de análise do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), que consiste em utilizar um instrumento de tabulação e organização dos dados qualitativos com a aplicação das figuras metodológicas: "expressões chaves"; "ideias centrais" e o "Discurso do Sujeito Coletivo" (LEFÈVRE et al., 2000).

Essa técnica se embasa no conceito das Representações Sociais, como uma forma de expressar diretamente a representação social de um dado sujeito social (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2003). Para tanto, agregam-se em um discurso-síntese os conteúdos discursivos de sentido semelhante emitido por pessoas distintas. Assim, cada indivíduo entrevistado contribui com sua cota de fragmento de pensamento para o discurso coletivo (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2005).

O "sujeito coletivo" (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2005) nasce como uma estratégia metodológica para organizar e tabular depoimentos e demais discursos, como uma condição prévia para as análises e interpretações dos dados. Sendo assim, o indivíduo, sujeito social, por meio do seu discurso, revela uma dada realidade de Representação Social. Os vários indivíduos que compõem a pesquisa, pertencentes à coletividade geradora da Representação Social, deixam de ser indivíduos para se transmutarem, se dissolverem e incorporarem em um ou em vários "Discursos Coletivos" que o expressam (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2003). Sendo assim, o Discurso do Sujeito Coletivo define-se como uma coletividade discursiva realizada por meio da agregação dos discursos dos indivíduos participantes. Não se trata de uma soma quantitativa de palavras e sim da agregação discursiva de diferentes discursos individuais, que por serem compatíveis permitem a construção de um único discurso (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2005).

Para a elaboração dos DSC, utilizou-se o programa Qualiquantisoft, versão 1.3C.

 

Resultados

Caracterização da amostra e da satisfação corporal

Participaram do estudo 121 adolescentes, sendo 63% do sexo feminino. Quanto à idade, peso, estatura e IMC a média dos valores encontrados (e seus respectivos desvios-padrão) corresponderam a 13,5 anos (2,5) anos; 55,3 kg (12,0) kg; 158,3 cm (8,1) cm e 21,9 (4,0) para meninas. Já para meninos os valores foram de 14,8 anos (2,1) anos; 61,8 kg (15,7) kg; 167,4 cm (11,3) cm e 21,8 (4,1), de acordo com a Tabela 1.

 

 

Para a avaliação da satisfação corporal pela Escala de Silhuetas, os valores médios (e seus respectivos desvios-padrão) foram de -1,4 (1,7) e -0,2 (1,4) para meninas e meninos, respectivamente (tabela 1). Considerando a silhueta que melhor representava os participantes no momento da entrevista (valor "atual"), a maior frequência deu-se para a figura 5, tanto para meninas (24,0%), quanto para meninos (30,4%). Em relação à silhueta aspirada pelos adolescentes (valor "ideal"), as figuras 4 (36,0%) e 5 (84,8%) foram as mais escolhidas pelas meninas e pelos meninos, respectivamente (Figura 1e 2).

 

 

 

 

O Discurso do Sujeito Coletivo no sexo feminino

Foram extraídas das respostas 112 expressões-chave que foram agrupadas em seis ideias centrais (ICs), a saber: IC1 - Desejo de diminuir alguma parte corporal (40,2%); IC2 - Desejo de aumentar alguma parte corporal (21,4 %); IC3 - Alterações específicas (21,4%); IC4 - Desejo de emagrecer (14,3%); IC5 - Satisfação (1,8%) e IC5 - Desconhecimento (0,9%). Sendo assim, observa-se que quase a totalidade dos discursos registrou algum nível de insatisfação corporal (97,3%, quando somados os percentuais de IC1, IC2, IC3, IC4 e IC5), com somente 2,7% das ideias centrais expressando satisfação ou não sabendo avaliar. A seguir, serão apresentados os DSCs relacionados às ideias centrais identificadas entre as meninas.

Para as ideias centrais mais frequentes, isto é, aquelas relacionadas ao desejo de diminuir (IC1) e de aumentar (IC2) alguma parte corporal, foram identificados os seguintes discursos:

Tiraria a barriga, deixando mais retinha, tipo malhada, que nem dessas mulheres que andam por aí sem vergonha de esconder. E o excesso de gordurinha no corpo, onde sobra, tirar essas gordurinhas, no abdômen, no quadril, na cintura, embaixo do braço, no tórax e no peito, nas costas e um pouco da coxa. E celulite também, tiraria na perna, assim, e no bumbum, para ter um corpo bom.

Mudaria um pouquinho a altura, ser um pouquinho mais alta e a perna e a coxa são muito finas, até engrossar um pouquinho. Arrumar os peitos para mais, colocar silicone, e a bunda também. Queria que o braço fosse um pouquinho mais cheio, eles são muito finos. Acho que engordaria um pouco, a massa muscular também. E o pé, que fosse maior. Mudaria minhas mãos porque acho que é muito magra.

Os DSCs relacionados às ideias centrais do desejo de alterar áreas específicas (IC3) e de emagrecer (IC4) foram:

Nunca tá perfeito, né? Não gosto muito assim, se pudesse teria um outro tipo de cabelo, outro tom e liso, ou alisar. Meu braço tem alergia com bolinhas e a cor do olho, gostaria que fosse verde. O dente é muito comprido e gostaria que fosse menor e juntos. No pé tenho joanete e os dedos são muito separados. Melhoraria as "molices", assim, as flacidez, e sumia com as espinhas e estrias, para a pele ser melhor.

Acho que teria que emagrecer um pouco, mudaria o meu peso para menos, assim me sentiria melhor.

Para as ideias centrais de satisfação (IC5) e desconhecimento (IC6), foram observados os seguintes DSCs: "Nada, não mudaria nada" e "Hum, não sei".

O Discurso do Sujeito Coletivo no sexo masculino

Foram extraídas das respostas 56 expressões-chave que foram agrupadas em seis ideias centrais (ICs), a saber: IC1 - Desejo de diminuir alguma parte corporal (23,2%); IC2 - Satisfação (23,2%); IC3 - Ganho de massa muscular (17,9%); IC4 - Alterações específicas (16,1%); IC5 - Desejo de aumentar alguma parte corporal (12,5%); IC6 - Desejo de emagrecer (7,1%).

Desta forma, observa-se que em 76,8% das ideias centrais foi registrado algum nível de insatisfação. Em 30,4% das ideias centrais foi expresso o desejo do jovem de aumentar áreas corporais, o que incluiu a massa muscular. Em contraponto, com quase a mesma proporção, identificou-se o desejo de diminuir áreas e peso corporais (30,3%). A seguir, serão apresentados os DSCs relacionados às ideias centrais observadas nos meninos.

As ideias centrais relacionadas ao desejo de aumentar alguma parte corporal (IC5) e de ganhar massa muscular (IC3) apresentaram os seguintes discursos:

Queria ser um pouco maior, em altura, coisa de viagem mesmo, o pessoal mais alto chama mais atenção. E com os braços maiores, e o nariz aumentar, porque é muito pequenininho.

Pra mudar a minha massa muscular, né? Pra ficar um pouquinho mais forte, de largura e ter um pouco mais de músculos. Deixar um pouquinho mais largo e forte os ombros e o braço, o tórax deixar mais formado e ter a perna mais grossa, com o corpo mais volumoso, mais cheio.

Para o desejo de diminuir (IC1) o tamanho ou a forma de áreas e peso corporais e de emagrecer (IC6), foram identificados os DSCs abaixo:

O peito, a coxa e o quadril para menos e seria um pouquinho mais baixo, uns 10 cm. Trocaria a barriga, tipo se fosse uma barriga reta. A orelha e o nariz, pra tirar o calombinho e diminuir um pouquinho.

Seria mais magro, um pouquinho mais magro, perderia um pouquinho de peso.

Os DSCs relacionados à ideia central de satisfação (IC2) foram: "Não mudaria nada, do jeito que tá, tá bom. Tô satisfeito e tô feliz e bem assim".

O desejo de alterar áreas corporais específicas (IC4) foi observado no seguinte discurso: "Mudaria o cabelo, a textura, porque é muito grosso, a cor e o tamanho. Teria os olhos da cor verde e as orelhas bem mais juntinhas e não teria tantas espinhas".

 

Discussão

No discurso dos jovens, foi possível observar a frequente insatisfação corporal, embora com intensidades e desejos distintos entre os sexos. As meninas mostraram-se mais insatisfeitas, sinalizando inúmeras áreas corporais em que se deseja a realização de mudanças. Do cabelo aos pés, reportaram insatisfações, sendo que o destaque se deu em relação ao desejo de diminuir áreas corporais, inclusive o emagrecimento, correspondendo a mais de 50% da frequência nos DSC. Já para os meninos, as insatisfações foram pontuais para áreas como cabelo, nariz e peito (tórax), com destaque para o desejo de aumentar áreas corporais, o que inclui a massa muscular.

Acerca dos achados da escala de silhueta, as meninas avaliaram-se quanto ao valor atual, registrando a percepção corporal no momento da entrevista, utilizando-se das nove possibilidades de escolha (da mais magra - 1 a mais obesa - 9). A silhueta de maior frequência foi a 5, que corresponde a um perfil corporal eutrófico. Já para o valor ideal, foram escolhidas somente as silhuetas de valor 1 a 5, com a maior frequência para as figuras 3 e 4, que representam o perfil de magreza. Quanto à insatisfação, o valor médio para o grupo foi de -1,4, sinalizando insatisfação com a apresentação corporal.

Para os meninos, o cenário foi outro. O valor atual variou da silhueta 3 a 9 (magreza à obesidade), com maior frequência para a silhueta 4 e 5 e o valor ideal ficou para a figura 5, quase de forma unânime. Quanto à avaliação da insatisfação corporal, o valor médio foi de -0,2, muito próximo ao valor 0, o que corresponderia à ausência de insatisfação.

Nota-se que meninos e meninas revelaram percepções e desejos específicos. Comparativamente, meninas expressaram maior insatisfação e almejaram a magreza como um modelo ideal, e meninos, menor insatisfação, idealizando uma forma corporal mais robusta.

Os dados apresentados vão ao encontro dos registrados por Levine e Smolak (2004), que pontuam as diferenças entre gêneros no tocante à imagem corporal. Para as pesquisadoras, meninas discriminam mais aspectos relacionados à imagem corporal, pensando e avaliando seus corpos em termos de mais partes, e expressam mais intensamente sentimentos negativos em relação às mesmas, sendo que isto não ocorre entre meninos.

Em estudo de meta-análise, Feingold e Mazzella (1998) focaram as diferenças entre os gêneros em relação à autoavaliação dos atrativos físicos e satisfação global para o corpo e aparência. Observaram que de 1970 a 1990 houve tendência significativa entre as meninas de estas apresentarem valores cada vez mais baixos na autoavaliação com a imagem corporal negativa. Já para os meninos, esta tendência foi registrada moderadamente.

Para Smolak et al. (2001), a imagem corporal é um fenômeno que envolve fortemente os gêneros. Em um passado recente, havia o predomínio da ideia de que meninos e homens não apresentavam problemas relacionados à insatisfação corporal. Atualmente, sabe-se que isto não é verdade. Os estudos demonstram que meninas são mais preocupadas com peso (SMOLAK et al., 2001) e meninos, em aumentar o tamanho e seus músculos (McCABE; RICCIARDELLI, 2001).

Nos estudos internacionais, embora com aplicação de métodos distintos, é possível observar esta realidade. Já na década de 80, Davies e Furnhan (1986) identificaram associação entre estado nutricional e insatisfação de três áreas corporais - busto, cintura e quadril em meninas obesas com 12 e 14 anos. Cash e Green (1986) confirmaram que adolescentes que apresentaram peso corporal acima do normal mostraram-se mais insatisfeitos em relação a cinco áreas corporais pesquisadas: tórax, cintura, quadril, coxas e pernas. Rand e Resnick (2000)verificaram maior insatisfação em indivíduos classificados com sobrepeso e entre os obesos, 46% informaram insatisfação com o tamanho corporal. Recentemente, Kostanski et al. (2004), pesquisando adolescentes australianos, observaram nas meninas um aumento significativo da insatisfação corporal de acordo com o aumento do peso corporal, refletindo um desejo predominante pela magreza e para meninos, aqueles com sobrepeso almejavam a magreza, mas aqueles com baixo peso desejavam ser maiores.

Estudos nacionais desenvolvidos com adolescentes, tendo a imagem corporal como tema, embora com a aplicação de métodos distintos, apresentaram resultados semelhantes ao observado na presente pesquisa. Conti et al. (2005), pesquisando a relação entre o excesso de peso e a insatisfação corporal, por meio de uma escala de áreas corporais, constataram que meninas com excesso de peso apresentaram-se mais insatisfeitas com diversas áreas corporais, o que não ocorreu entre os meninos. Pinheiro e Giugliani (2007), objetivando examinar a prevalência da insatisfação corporal e fatores associados em escolares entre 8 a 11 anos de idade, com a aplicação de uma escala de silhueta, constataram que 82% de jovens estavam insatisfeitos com sua imagem corporal, 55% almejavam ter um corpo mais magro e 28% desejavam ter um corpo maior, para meninas e meninos, respectivamente.

Ainda em destaque para estas jovens, identificou-se o anseio de mudar áreas corporais, no entanto, com enfoque no aumento, para seios, nádegas, pernas, coxas e a altura (IC2). A possibilidade do implante de silicone foi frequentemente observada nos discursos e verifica-se que se trata de uma alternativa para a resolução de suas insatisfações, e a cirurgia estética como uma opção para a conquista de um suposto corpo ideal. Esse aspecto é condizente com o número alarmante de intervenções em cirurgias plásticas, como lipoaspiração e colocação de prótese de silicone, que aumentaram significativamente na última década, com um crescimento anual de 8 a 10% do ano 1994 até o ano de 2004 (SBCP, sd). O Brasil representa o segundo mercado, em nível mundial, perdendo apenas para os Estados Unidos. O estado de São Paulo concentra 34,4% das intervenções cirúrgicas em relação ao território nacional, com os jovens representando 14% deste público (SBCP, sd).

Refletindo acerca das transformações do corpo feminino, Del Priori (2000) afirma que no decorrer do século XX, a mulher se despiu. Por meio da mídia, o nu nas televisões, nas revistas e nas praias, incentivou o "desvelar" deste corpo, tendo como solução cobri-lo com cremes, vitaminas, silicone e colágeno. Esta característica pode ser observada nos discursos das jovens. Se por um lado as meninas aspiraram à magreza com a diminuição de áreas corporais, por outro, observou-se a intenção do aumento de outras áreas corporais, como os seios.

Como uma das consequências deste ideal físico, quase inatingível, as jovens que não se adequam a este padrão idealizado provavelmente recusam seus corpos, por meio da insatisfação corporal, como uma resposta à supremacia da aparência física propagada pelas fotografias, filmes, televisões e os espelhos da academia. Para estas meninas, a sociedade de consumo oferece saídas. Adota-se a estética como um motor do desenvolvimento da existência, e para aquelas que se distanciam do padrão estético ideal, são disponibilizadas as clínicas de cirurgia plástica, como fábricas de "beleza" (DEL PRIORI, 2000). Este fator pode ser observado nos discursos das jovens, com somente 1,8 % da frequência das ideias centrais expressando satisfação (IC5) e boa parte almejando alterações específicas como cabelos, olhos, dentes, pés e orelhas (IC3).

No discurso dos participantes do sexo masculino, embora com depoimentos semelhantes, observaram-se diferenças nas frequências das ideias centrais e na aspiração da modificação corporal. Os meninos expressaram a vontade de ganhar massa muscular (IC3), para estarem fortes e grandes e anseio em aumentar áreas específicas, como braço e altura (IC5). Em outra direção, para os meninos, foi possível registrar discursos que aspiraram diminuição de áreas corporais como coxa e quadril (IC1). Emagrecer correspondeu a 7,1% da frequência das ideias centrais (IC6). Alterações em áreas específicas como cabelos, olhos e espinhas também estiveram presentes nos discursos dos meninos (IC4) e a satisfação corporal correspondeu a 23,2% da frequência dos discursos (IC2).

Para McCabe e Ricciardelli (2004a), em algum momento da adolescência, o desejo de músculos grandes, volumosos, equivale ou supera o interesse em perder peso. Nos discursos foi possível registrar estas duas aspirações, o do aumento de massa muscular e diminuição de áreas, o que inclui o emagrecimento.

Meninos e meninas apresentaram diferenças em relação à satisfação e insatisfação corporais, o que provavelmente sinaliza mecanismos e reações específicas atreladas ao sexo. Uma das razões para a menina ser mais insatisfeita em relação ao tamanho e peso corporais é o fato de julgar-se como "gorda" quando estão na média ou até abaixo do peso corporal (McCREARY; SASSE, 2000). Já meninos mostram-se mais interessados em estar grandes, no entanto, com massa muscular (HILL; LYNCH, 1983).

Na tentativa de compreender esta intricada rede de significações, Del Priori (2000) infere que estas insatisfações refletem uma complexa rede de produções sociais, culturais e históricas, com o corpo transformado num objeto passível de fragmentação e recomposição, sendo regulado pelo uso, normas e funções definidos pela sociedade.

Para Hill e Lynch (1983), de acordo com a maturação física e emocional, os jovens começam a se identificar mais intensamente com os estereótipos de seus pares, querendo igualar-se ao mesmo. Para meninas, há a ênfase na importância dos atrativos femininos como um critério de avaliação (STICE et al., 2000), sendo que, na cultura ocidental, este atrativo físico está intrinsecamente atrelado à magreza. Já para os meninos, em contraste, a ênfase é dada à construção de um corpo mesomorfo, associado à masculinidade (FEINGOLD; MAZZELLA, 1998).

Quanto aos fatores de risco, para meninas, sabe-se que há a internalização do modelo ocidental contemporâneo de beleza, atrelado aos ganhos psicossociais. A dieta é utilizada como uma estratégia para alteração do seu físico, para assim recuperar e se aproximar do modelo idealizado (STICE et al., 2000).

Para os meninos, esta relação é um pouco mais complexa. Há dados que sugerem uma divisão entre aqueles que almejam perder e ganhar peso (STICE et al., 2000; McCABE; RICCIARDELLI, 2004b). A dieta pode aumentar o risco para a insatisfação corporal entre os meninos que tentam reduzir a massa corporal (NEUMARK-SZTAINER et al., 1999), já para aqueles que tentam aumentar o tamanho e a musculatura, a alteração de dieta não demonstrou ser um fator preditor para a insatisfação corporal (STICE et al., 1999).

Meninas são mais dispostas a fazer dietas de restrição calórica em relação aos meninos (SMOLAK et al., 2001). Uma das possíveis explicações para isto embasa-se nos estímulos sociais. Enquanto o corpo masculino é visto como ativo, o corpo feminino é objeto de observação, particularmente pelo homem. Assim, segundo Smolak (2004), a função do corpo feminino é ser atrativo e sexualmente agradável para o homem. As meninas aprendem esta lição bem cedo, por meio das mensagens veiculadas na mídia, que são mais consistentes, tanto em termos de número de fontes, como clareza, do que aquelas direcionadas aos meninos, bem como mensagens reforçadas pelos amigos e parentes (McCABE; RICCIARDELLI, 2001).

Para Smolak et al. (2001), o efeito dos comportamentos atrelados à insatisfação corporal é perigoso tanto para meninos como para meninas. Para meninas, talvez, em níveis moderados, a insatisfação corporal possa ser mais problemática. Pesquisas demonstram que as meninas são mais dispostas em agir em relação à insatisfação corporal (SMOLAK et al., 2001; SMOLAK, 2004), o mesmo não ocorrendo com os meninos. Para as autoras, este fato pode ser interpretado como um indicador de que meninos insatisfeitos investem pouco em relação às meninas.

Sabe-se que há diferenças entre gêneros quanto à origem, fatores de risco, efeito e provavelmente o curso do desenvolvimento da insatisfação corporal (SMOLAK et al., 2001). Sendo assim, é vital identificar as diferenças nos padrões entre gêneros no desenvolvimento da insatisfação corporal. No entanto, é difícil estabelecer em que momento a insatisfação corporal passa a ser um problema para o jovem (SMOLAK, 2004). Sem estudos padronizados envolvendo grandes populações, com abordagem epidemiológica, é difícil saber o que é um grau não usual ou patológico da insatisfação corporal expressa pelo adolescente.

Para o grupo estudado, a insatisfação corporal esteve presente entre os jovens participantes, com peculiaridades relacionadas ao sexo, expostas nos discursos. São necessários mais estudos nesta linha de investigação, para se conhecer os fatores relacionados às insatisfações, visando-se a qualificar programas de intervenção focados na melhoria das condições de saúde dos adolescentes.

 

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Nota

1 Este estudo contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) - Processo: 140097/2005-8 e é baseado na Tese de Doutorado intitulada: "A imagem corporal de adolescentes: validação e reprodutibilidade de instrumentos", cuja defesa ocorreu em novembro de 2007.

 

 

Recebido em: 15/07/2008.
Aprovado em: 18/05/2009.