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Physis: Revista de Saúde Coletiva

Print version ISSN 0103-7331

Physis vol.22 no.2 Rio de Janeiro Apr./June 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-73312012000200021 

TEMAS LIVRE

 

Drogas em áreas de risco: o que dizem os jovens

 

Drugs in risk areas: what young people say

 

 

Anacely Guimarães CostaI; Valeska Vieira CamurçaII; Juliana Martins BragaIII; Daniely Ildegardes Brito TatmatsuIV

IPsicóloga pela Universidade Federal do Ceará, Centro de Humanidades, Departamento de Psicologia. Endereço eletrônico: anacely@gmail.com
II
Cirurgiã-Dentista, Mestre em Odontologia pela Universidade Federal do Ceará, Departamento de Clínica Odontológica, Área de concentração Saúde Coletiva, Cirurgiã-Dentista da Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza, Programa de Saúde de Família, Ceará. Endereço eletrônico: valeskacamurca@yahoo.com.br
III
Enfermeira pela Universidade Estadual do Ceará, Centro de Ciências da Saúde, Faculdade de Enfermagem. Enfermeira da Prefeitura Municipal de Fortaleza, Programa Saúde da Família- PSF. Endereço eletrônico: julianamartinsb@hotmail.com
IV
Psicóloga pela Universidade Federal do Ceará (1999) e mestrado em Ciências da Saúde pela Universidade Federal do Maranhão (2004). Atualmente é professor assistente da Universidade Federal do Ceará. Endereço eletrônico: danielybrito@gmail.com

 

 


RESUMO

A pesquisa teve como ponto de partida um planejamento comunitário para discussão da situação de saúde de uma das principais áreas de risco de Fortaleza-Ceará, no qual o tema das drogas ganhou destaque. Pretendeu-se entrar em contato com o que os adolescentes da área percebiam como fatores de risco e de proteção para consumo de drogas em sua comunidade. Trata-se de um estudo qualitativo em que foi usado o grupo focal como técnica para obtenção de informações. O tratamento dos dados foi o de sistematizar temas comuns, dividindo-os em duas categorias de análise: fatores de risco e de proteção para o envolvimento com drogas. Nas falas dos adolescentes, percebeu-se que coexistem múltiplos fatores que se relacionam, ora aparecendo como aspectos de influência, ora como protetores, entre eles: família, grupo social, escola, vida em área de risco e mídia. Por outro lado, as redes sociais de apoio apareceram essencialmente como protetoras. Também percebeu-se que alguns assuntos foram levantados de forma transversal aos temas centrais, como as perspectivas de vida desses jovens e a necessidade de políticas públicas, importantes no apoio às redes sociais, à família e na atuação em áreas de risco. Assim, o que se põe em questão é a impossibilidade de consenso sobre os fatores exclusivos de risco ou de proteção. A partir disso, destaca-se a importância de potencializar a discussão e provocar reflexões a respeito da possibilidade de modos de vida fora do circuito das drogas.

Palavras-chave: adolescência; uso de drogas; fatores de risco.


ABSTRACT

The research has as starting point a community planning to discuss the health status of one of the key risk areas of Fortaleza, Ceará state, in which the theme of drugs was highlighted. It was intended to get in touch with what young people perceive as factors of risk and protection for drug abuse in their community. It is a qualitative study in which the focus group was used as technique for obtaining information. Data processing systematized common themes, dividing them into two categories of analysis: risk factors and protection factors for involvement with drugs. In the speech of adolescents, it was noted that multiple related factors coexist, sometimes as aspects of influence, sometimes as protectors, such as: family, social group, school, life in the danger zone and the media. On the other hand, the social support networks appeared essentially as protective. We also realized that some issues were raised transversely to the central theme, as life chances of those young people and the need for public policies that are important in supporting social networks, family and work in hazardous areas. So what is put into question is the impossibility of consensus on the unique factors of risk or protection. From this, we highlight the importance of enhancing the discussion and provoking thoughts about possible ways of life outside the circuit of drugs.

Key words: adolescence; drug abuse; risk factors.


 

 

Introdução

Esta investigação tem como ponto de partida as atividades desenvolvidas pelo Programa de Educação para o Trabalho pela Saúde (PET Saúde) da Universidade Federal do Ceará (UFC) no Centro de Saúde da Família Guiomar Arruda, situado no bairro Pirambu, em Fortaleza, Ceará. Trata-se de uma das principais áreas de risco da cidade, ligada ao surgimento das favelas em Fortaleza, advindo do êxodo rural (SILVA, 2006). O bairro apresenta alta densidade demográfica e é espaço de convivência de diversas problemáticas contemporâneas, como violência urbana, tráfico de drogas e prostituição.

No decorrer das atividades desenvolvidas pelo PET Saúde – UFC, evidenciou-se, por meio de um planejamento participativo, a necessidade de se pensar a problemática das drogas na localidade, em especial entre a população de adolescentes. Considerou-se, então, entrar em contato com o que os adolescentes desse bairro, de uma determinada escola, percebiam como fatores de risco e de proteção para consumo de drogas na área. Assim, apesar desse ser um tema bastante explorado pela literatura nacional, o diferencial desta pesquisa é investigar pela ótica desses sujeitos os fatores de risco e de proteção ao uso de drogas, o que pode trazer contribuições na medida em que a maior parte dos estudos tem viés quantitativo, sem explorar como são esses processos para os atores sociais envolvidos.

Por fim, a análise do fenômeno nos leva a ampliar a visão em relação ao cenário no qual o adolescente está inserido, promovendo a construção de um saber coletivo sobre o que pode levar esse público ao uso/abuso de drogas na comunidade do Pirambu, viabilizando intervenções que auxiliem na transformação da rede social.

 

Metodologia

Trata-se de um estudo de corte transversal, exploratório, observacional, descritivo e com abordagem qualitativa. Para obtenção das informações necessárias aos objetivos da pesquisa, utilizou-se o grupo focal, técnica qualitativa, não diretiva e quese baseia, segundo Lervolino e Pelicioni (2001, p.116), na tendência humana de formar opiniões e atitudes na interação com outros indivíduos. Assim, entendemos por grupo focal a compreensão dos discursos construídos coletivamente, de modo a favorecer a produção de informações para o entendimento da percepção dos adolescentes pesquisados sobre alguns aspectos do uso de drogas.

O estudo foi realizado em uma escola estadual de ensino fundamental e médio localizada no Bairro Pirambu, escolhida de forma intencional por já ser campo de trabalho dos pesquisadores em atividades de educação em saúde. Antes de iniciar os grupos focais com os adolescentes sobre o tema das drogas, optou-se pela realização de quatro encontros prévios para a discussão dos seguintes assuntos: "família", "sexualidade", "perspectiva de vida" e, por fim, "drogas". A disposição dos temas está associada à sua prevalência como explicação para o envolvimento ou não com substâncias lícitas ou ilícitas (SCHENKER; MINAYO, 2005), ou à estreita relação com vida dos adolescentes. Os temas foram abordados como uma preparação para os encontros no grupo focal.

Por outro lado, também era importante a construção de vínculos entre os pesquisadores e os adolescentes visando ao estabelecimento do contrato de confiança, ao garantir o sigilo, para que fosse possível falar sem constranger os sujeitos envolvidos. Portanto, em cada temática, foram utilizadas dinâmicas diferentes, que procuraram contemplar tanto os aspectos informativos a respeito de cada assunto como também proporcionar o debate entre os adolescentes, na tentativa de provocar reflexões neles.

Ao final dos quatro encontros, os alunos foram convidados a participar de uma discussão mais detalhada sobre o tema das drogas. Foram incluídos na pesquisa adolescentes entre 15 e 19 anos, de ambos os sexos, estudantes da escola selecionada, e que demonstraram interesse em participar da pesquisa após esclarecimento e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade Federal do Ceará com o número 68/10.

Os adolescentes foram agrupados de acordo com a série que cursavam. A montagem dos grupos se deu, então, na seguinte configuração: um grupo focal realizado com os alunos do 1º ano do ensino médio; outro grupo com os estudantes do 2º ano do ensino médio; e, por fim, um grupo com os alunos do 3º ano do ensino médio. Cada grupo ocorreu separadamente, contando com a presença de 8 adolescentes, em média, em um total de 23 jovens, além de 2 a 3 pesquisadores em cada grupo. A duração dos encontros foi de, aproximadamente, 50 minutos, e as conversas foram gravadas e transcritas. De acordo com a proposta do grupo focal, utilizou-se um roteiro de questões visando nortear e flexibilizar o debate (TRAD, 2009): 1) Por que você acha que alguns adolescentes usam drogas? 2) O que você acha que pode influenciar um adolescente a usar drogas no seu bairro? 3) O que você acha que pode evitar o uso de drogas por adolescentes em seu bairro?

A análise dos dados consistiu em sistematizar e dividir os temas comuns a todos os grupos em categorias, entre elas, "grupos sociais", "família", "mídia", "escola", "moradia em área de risco" e "redes sociais de apoio". Percebemos que tais categorias são simultaneamente referidas como influência ou prevenção do uso de drogas de acordo com as expectativas dos adolescentes.

Partimos do ponto de vista de que noções são construídas cultural e historicamente dentro de um campo de práticas cotidianas em que convivem novos e antigos conteúdos, implicando uma ressignificação contínua dos posicionamentos.

 

Resultados e discussão

Grupo social

Durante as discussões nos grupos focais, foi levantada a questão da influência do grupo social como fator capaz de desencadear ou incentivar o uso de drogas por adolescentes, verificada na fala transcrita a seguir:

Geralmente começa assim: você tem alguns amigos, aí, tipo assim, tá nós sete aqui, dois deles aqui usam drogas, aí a gente tá saindo, aí eles vão e dizem 'bora usar que é bom!'. Aí eu e ele fala assim: 'não, a gente não vai porque eu não gosto'. 'Vai, macho, tu é muito é otário, tu não sabe como é bom isso'. Aí, ficam criticando. [...]

A fala enfatiza a percepção dos jovens pesquisados sobre a importância dos grupos de amigos em suas próprias práticas sociais. Essa observação também pôde ser verificada na literatura como importante elemento de influência para o uso de psicoativos por jovens que vivem ou não em área de risco (FACUNDO, PEDRÃO, 2008; OLIVEIRA et al., 2008; RONZANI et al., 2009; PAVANI et al., 2009).

Os estudantes expressam também em suas falas a importância da influência do grupo social não apenas como possível agente influenciador do uso de drogas, mas também como protetor contra o uso.

É tipo assim: se eu tenho uma amiga que ela usa droga, eu vou passar a dar o meu exemplo pra ela, como eu tô bem e eu não to utilizando drogas, então eu vou dizer isso pra ela: 'Não precisa você usar droga pra você tá bem, não precisa você usar droga pra você ganhar dinheiro'

Observamos na fala que o grupo de pares tem capacidade de influenciar o adolescente quanto ao uso de drogas, mas, da mesma forma, pode incentivar práticas sociais que o afastem do uso de psicoativos. Segundo Schenker e Minayo (2005), grupos de amigos também podem exercer influência positiva em relação ao uso de drogas. Os autores afirmam que grupos sociais com objetivos e expectativas de realização na vida e movimentos que levam ao protagonismo juvenil podem exercer papel importante como fatores protetores contra o uso de psicoativos na adolescência.

Na literatura que nos serviu de base teórica, a função protetora do grupo de amigos é pouco abordada. A dificuldade em localizar estudos explorando o grupo de amigos como elemento preventivo contra o uso de drogas nos traz a possibilidade de caracterização de um novo aspecto a ser abordado sobre o uso e abuso de drogas por adolescentes em comunidades marginalizadas. Ademais, de acordo com Schenker e Minayo (2005), de forma geral, há supervalorização dos aspectos negativos do grupo social como influenciador do uso de drogas pelos adolescentes, minimizando a contribuição dos demais fatores relacionados ao uso de psicoativos por jovens.

Família

Observamos também, nas falas transcritas a seguir, os vários aspectos em que a família pode interferir no uso de drogas pelos adolescentes inseridos na realidade específica das áreas de risco.

É porque tem pai que usa droga, às vezes usa droga dentro de casa, aí o filho vendo aquilo: 'Meu pai usa droga, "pô"! Eu vou usar também!' [...] Acha normal...

Muitas vezes ele acha assim, por exemplo, na família, o pai foi preso, a mãe é mulher da vida, o primo é ladrão, e tal. Eles acham assim, que como a família é desse jeito, eles têm que ser desse jeito também. Aí se entregam às drogas.

No que se refere aos conflitos familiares e ao relacionamento ruim com os pais, relatados pelos participantes desta pesquisa, é interessante refletir sobre os resultados apresentados por Tavares e seus colaboradores (2004), que constataram maior uso de drogas entre estudantes que apontavam relacionamento regular, ruim ou péssimo, em relação àqueles cujos pais mantinham um ótimo ou bom relacionamento. Da mesma forma, segundo Sanchez e seus colaboradores (2005) e Facundo e Pedrão (2008), a predisposição à droga pode ser atribuída a um ambiente desarmônico de vida, no qual a relação entre pais e filhos seja caracterizada por pouca cordialidade e haja privação de informações na adolescência.

Vários autores (OLIVEIRA et al., 2008; BRUSAMARELLO et al., 2008; PANIAGUA et al., 2001; GUIMARÃES et al., 2009; SCHENKER; MINAYO, 2003) abordam a utilização de drogas lícitas e ilícitas por familiares como fator de influência do uso de drogas por adolescentes. Já Oliveira e seus colaboradores (2008) consideram que o risco está associado à banalização do uso e à tendência de as atitudes dos pais servirem de referência na formação dos filhos. Os autores destacam, ainda, a importância da família no acompanhamento e estabelecimento de limites aos filhos, tendo em vista o contexto de convívio diário com o uso e tráfico de drogas. Observa-se, porém, uma preocupação dos pais em relação ao seu poder de intervenção frente às dificuldades referentes a segurança, baixo poder aquisitivo e dificuldade de acesso à educação. Enfatiza-se, assim, a necessidade de políticas públicas de intervenção em aspectos fora do controle familiar, relacionados a questões sociais e estruturais. Dessa forma, a naturalização do uso de drogas é elemento de destaque na fala do grupo e na literatura, sendo apontada como capaz de promover maior uso de drogas entre jovens.

Sobrevém nas falas um aspecto pouco discutido na literatura pesquisada: as dificuldades de vislumbrar objetivos de vida saudáveis em relação ao futuro interferindo no uso de drogas por jovens. Segundo Kodjo e Klein (2002), os adolescentes que têm objetivos definidos e investem no futuro apresentam probabilidade menor de usar drogas, pois o uso interfere em seus planos. Entretanto, os relatos acima denunciam a dificuldade de alguns jovens de áreas de risco em conceber um futuro diferente da realidade vivenciada por eles.

Nas falas, destacou-se também a importância da família para os adolescentes pesquisados como forma de proteção contra o uso de drogas.

Outra coisa também vem da conversa familiar com os pais. Porque, se os pais conversa [SIC] assim com seus filhos e seus filhos entendessem que aquilo é algo que nunca deveria ir atrás, embora os amigos falassem, dissessem que era bom...

Tendo como contexto de pesquisa ambientes que conjugam diversas características, como o fácil acesso às drogas e a presença de consumo constante dentro da comunidade, Oliveira e seus colaboradores (2008) afirmam que o estilo de criação dos filhos se correlacionará de forma positiva com atitudes e comportamentos do jovem, e o acompanhamento dos filhos, de seu desempenho e engajamento escolar, poderá contribuir para prevenção do uso de drogas (OLIVEIRA et al., 2008; KESSLER et al, 2003). Os autores concordam, assim, com os estudos de Paiva e Ronzani (2009) e Schenker e Minayo (2003), que discorrem sobre a importância tanto do estilo de criação quanto das atitudes dos pais em relação aos filhos. Os resultados dos estudos apontam que os adolescentes que recebem maior acompanhamento, suporte e envolvimento parental são os que apresentam menores taxas de envolvimento com drogas. Ademais, Pavani e seus colaboradores (2009) e Sanchez e seus colaboradores (2005) afirmam que um bom relacionamento familiar, diálogo e uma relação de cuidado e preocupação entre os membros da família servem de proteção contra o uso drogas.

Com efeito, a dinâmica familiar que não atende ao modelo "tradicional", isto é, que não cumpre sua função de educadora, aparece, na fala dos jovens e na literatura, como importante fator de risco, criando condições que facilitam o consumo de drogas lícitas ou ilícitas entre seus membros. Por outro lado, a mesma categoria família, quando consegue desempenhar adequadamente seu papel de orientadora e educadora, é indicada pelos moradores adolescentes do Pirambú como maior fator de proteção, isto é, quando atende aos seguintes requisitos: capacidade de diálogo entre pais e filhos, apoio a estes em momentos difíceis, e maior atuação sobre sua rotina.

Cabe também destacar a complexidade que permeia a construção cultural e histórica daquela coletividade que interfere no uso ou não de drogas por jovens. Assim, nenhum elemento específico pode ser analisado isoladamente, tendo em vista que coexistem múltiplos componentes que se relacionam e contribuem para o uso de psicoativos.

Mídia

Os participantes da pesquisa descrevem também, em suas falas, diversas formas de influência da mídia no uso de drogas. Há relatos divergentes, que apontam, ora para a essa influência, ora para a contribuição da mídia em desmotivar o uso pela visualização de suas consequências.

Eu acho que se falar muito assim de drogas, palestras, na TV, se a pessoa frequentar esses cantos assim que fala muito sobre a droga, ela influencia. Apesar de você tá falando que a droga, ela vai acabar com a sua vida, a pessoa fica com muita droga na cabeça. É a curiosidade, é a curiosidade.

Essa declaração reafirma como a abordagem do tema das drogas na adolescência é complexa, mostrando que ela pode, em alguns casos, contribuir para a experimentação, ao gerar curiosidade. Ela pode ser provocada por uma abordagem limitada do assunto, desconsiderando os atrativos das drogas para os adolescentes, ou por meio de informações superficiais (RIBEIRO et al., 1998; SANCHEZ et al., 2005). A abordagem restrita do tema é relatada por Sanchez et al. (2005), ao observarem, em seu estudo, que 85% dos usuários de drogas entrevistados não tiveram acesso a informação sobre drogas na adolescência ou tiveram acesso a informações pouco esclarecedoras e incompletas – por parte da família, da mídia e de amigos –, que geraram curiosidade e, consequentemente, o uso. Os autores puderam constatar, ainda, que a disponibilidade de informações completas e esclarecedoras é um fator de proteção importante.

Ribeiro e seus colaboradores (1998) e Pavani e seus colaboradores (2009) apoiam e reforçam essa ponderação por meio de seus estudos, nos quais relatam que a temática das drogas é constantemente abordada de forma limitada pela mídia, desconsiderando a capacidade crítica dos jovens. Ademais, sugerem que esse tipo de abordagem é pouco eficaz. É possível constatá-lo em várias campanhas contra as drogas, como o conhecido slogan "Diga não às drogas", que, em nenhum momento, abre espaço para questionamentos ou reflexões sobre o assunto.

Outro aspecto, destacado nas falas a seguir, é a percepção dos jovens pesquisados sobre a imagem que a mídia lhes transmite, do uso de drogas como uma atitude natural.

A mídia passa como se fosse algo normal.

Algo comum que todos devem participar, experimentar, que todos os jovens têm que ter uma experiência sobre isso. Isso é o que muitas vezes aparece sobre os artistas influenciando.

De acordo com Romera (2009), os conceitos que a mídia apresenta sobre adolescência e o uso de drogas podem ser considerados fatores de mudança dos comportamentos sociais dos jovens e interferir em seus hábitos de consumo de drogas. Complementarmente, Ronzani e seus colaboradores (2009) afirmam que as informações apresentadas na mídia, nos documentos pesquisados, não condizem com os dados epidemiológicos, e destacam que a influência dela na formação de crenças e atitudes sobre determinada substância podem influenciar a formulação e implementação de políticas públicas sobre drogas no país.

Brusamarello e seus colaboradores (2008) destacam, ainda, que as imagens veiculadas sobre a juventude e as drogas partem de uma concepção estereotipada e antagônica, ora numa visão romântica, ora estigmatizada, objetivando audiência. Ressaltam também a diferença de tratamento dispensado aos vários tipos de drogas, principalmente considerando a relação entre substâncias lícitas e ilícitas, que provocam exagerada preocupação com estas e permissibilidade em relação àquelas (BRUSAMARELLO et al., 2008; ROMERA, 2009).

Segundo Schenker e Minayo (2005) e Romera (2009), porém, não é correto culpar a mídia, isoladamente, como responsável pelo consumo de drogas, pois, como discutido anteriormente em relação à prática, há uma combinação de fatores influenciadores e protetores, os quais estão em sintonia com os meios de comunicação. Além disso, não se pode menosprezar a capacidade crítica dos jovens de refletir sobre o assunto, tampouco minimizar a responsabilidade associada às políticas públicas de trabalhar esse e outros problemas sociais.

Entre os relatos desta pesquisa, destacam-se também os que incorporam a mídia como possível protetor contra o uso de drogas, por veicular suas consequências e formas de superação da dependência aos psicoativos, embora tragam o tema de forma estereotipada e idealizada, como discutido anteriormente. Observa-se que, na visão dos indivíduos pesquisados, a mídia pode contribuir de alguma forma para o não uso de drogas por adolescentes.

Mas, tem na maioria das novelas que mostram os exemplos de pessoas que superaram isso [abuso de drogas] em todos os assuntos: espiritual, como doença e mostrando que a pessoa pode vencer, superar tudo.

Escola

Os estudantes pesquisados também relatam, em seus depoimentos, o papel da escola como espaço de discussão e veiculação de informações sobre os efeitos nocivos do uso de drogas, capaz de influenciar os adolescentes ao não uso de psicoativos.

São poucas as escolas que trazem pessoas como vocês pra dar palestra, pra conversar com os adolescentes. Então, eu acho que através do diálogo afastaria os jovens das drogas, pelo menos é o que eu penso.

Muitas vezes, a escola tenta até ajudar, mas muitas vezes elas desistem pelo número de jovens tá na droga, e por eles pensarem que não tá tendo efeito sobre aquilo, aí muitas das escolas desistem de fazer esses projetos, palestras...

Segundo Tavares e seus colaboradores (2001), o aluno que frequenta a escola está geralmente em circunstâncias bastante favoráveis à assimilação de novos hábitos e conhecimentos, sendo ela um espaço privilegiado para o desenvolvimento de programas educativos. De acordo com Bahis e Ingbermann (2005), dentre os principais fatores de proteção contra uso de drogas estão o sucesso no desempenho escolar e os vínculos fortes com instituições pró-sociais, como a escola.

Os adolescentes pesquisados percebem-na como local importante para desenvolver uma visão crítica sobre o uso de drogas. Relataram, porém, dificuldade de acesso a informações preventivas, e ressaltaram os obstáculos enfrentados por essas instituições nesse intuito. Além disso, as falas também levantam a questão da presença de substâncias psicoativas no ambiente escolar, fato que pode ser considerado importante fator de influência ao uso de drogas, pela facilidade de acesso e pressão do grupo.

E tem os alunos que já são do meio, aí começa a conversar. O convívio influi muito no que a pessoa use droga.

Só o que a gente vê, cheirando no banheiro [da escola]

A escola também surge na ambivalência de posicionamentos a respeito das causas possíveis para o uso de drogas entre os adolescentes. Por vezes, é apontada como fator de proteção, quando se mostra eficaz em promover atividades educativas a respeito do envolvimento com drogas ou no caso de ocupar lugar de importância na vida do escolar, seja por meio do empenho nos estudos ou na socialização. Em contrapartida, se a escola falha no cumprimento dessas tarefas, é invocado o seu aspecto precipitador para uso de entorpecentes.

Moradia em área de risco

As falas trouxeram aspectos diversos em relação à moradia em área de risco. Alguns jovens afirmam que viver em áreas de risco pode influenciar o uso de drogas devido à convivência dos adolescentes em ambiente de uso e tráfico de entorpecentes. Outros discordam, afirmando que, em áreas ou bairros de classes média e alta, o consumo é maior do que em áreas pobres.

[...] Aqui mesmo na nossa sala tem um cara que mora na favela, aí perguntei se ele gosta de morar na favela, e disse que gosta. 'Tu não tem medo, não? De levar um tiro, assim, uma bala perdida?'. Ele: 'Eu acho muito é massa, os traficantes têm muito dinheiro, têm as casa, [SIC] têm carro, têm tudo'. Achando é bonito, crescendo, vendo aquilo, né! Crescendo, vendo os traficantes, vendo, tudo de bom. Aí a percepção de vida é essa.

Acho, geralmente tem muito mais lá, né, na Aldeota [bairro "nobre" de Fortaleza]. Aí dizem que aqui usa muita droga, aqui a gente vê mais na rua, só que lá é mais escondido [...]

A condição socioeconômica e a moradia em área de risco como fatores de predisposição ao uso de drogas também não são consenso na literatura pesquisada.

De acordo com Oliveira e seus colaboradores (2008), a vivência em áreas de risco foi relatada como fator de precipitação para o uso de drogas por crianças e adolescentes devido à convivência com situações de exposição e vulnerabilidade acarretadas pelo tráfico, e também ao consumo de drogas na própria comunidade, o que, segundo Meirelles e Gomez (2009), também pode servir de estímulo à prática de atividades ilícitas. A disponibilidade e a presença de drogas na comunidade de convivência têm sido vistas como facilitadoras do uso de drogas por adolescentes, uma vez que o excesso de oferta naturaliza o uso (SCHENKER, MINAYO, 2005).

Em contrapartida, em pesquisa realizada com escolares em Ribeirão Preto, obteve-se como resultado que o consumo de drogas ilícitas é maior nas classes média e média-alta, enquanto o de álcool é maior entre as populares (MUZA et al., 1997). Tais resultados são apoiados pelos achados do estudo de Tavares e seus colaboradores (2001) na cidade de Pelotas, onde se observou que o uso de álcool e tabaco não apresentou diferenças significativas em relação a diferenças socioeconômicas. O uso de outras drogas, porém, foi maior nas classes mais favorecidas economicamente.

A discordância percebida entre as classes sociais nos ajuda a refletir sobre o uso de drogas e desmistificar que ele seja maior em áreas mais desfavorecidas economicamente, sugerindo que a dinâmica das drogas em regiões de periferia opera em um registro diferente do das classes média e alta, podendo também estar ligado a um retorno financeiro conseguido por meio do tráfico, o que resulta em melhoria do padrão de vida e aumento de status na comunidade.

É mencionado pelos adolescentes que o início do uso de drogas está associado à visão do tráfico no meio social, onde o traficante é, muitas vezes, figura de "poder", "dinheiro" e "status". O fascínio pela condição em que ele se encontra é percebido pelos adolescentes pesquisados como uma possível porta de entrada para o uso de drogas.

O cara não consegue emprego, aí vê a vida fácil do traficante de droga, vê ele andando em um carro de luxo, em um casarão, com dinheiro. Aí o cara vai e entra nessa vida.

Não só vende e também utiliza a droga que ele vende, no caso. Ele vende também pra possuir a droga, pra poder obter a droga.

Dentro desse contexto, segundo Pavani e seus colaboradores (2009) e Meirelles e Gomez (2009), os adolescentes buscam autoestima, respeito e visibilidade social, além de ganhos econômicos. A partir do tráfico, encontram uma maneira "fácil" de conquistá-los. Na última fala, também fica evidente a relação entre o tráfico e o consumo de drogas, aquele como meio de obter dinheiro para manutenção deste. O fato é confirmado por Pavani e seus colaboradores (2009), que afirmam haver uma troca: a venda da droga para comprá-la.

Contudo, esse status não se manifesta de maneira hegemônica, e outros efeitos que podem ser percebidos são o medo, o desprezo, o temor e a indignação que a figura do traficante pode despertar entre os moradores do local. Entretanto, esses aspectos ainda estão incluídos na composição da imagem de "poder", criadora da ilusão de ser o traficante inatingível naquele espaço.

Rede social de apoio

Os jovens pesquisados percebem a importância da rede social de apoio como forma incentivá-los aos estudos e ao trabalho, e, assim, distanciá-los do uso de drogas.

Acho que também a questão do governo. Deveria investir mais nos adolescentes, realizar projetos, escola... A questão também desse novo agora, o Jovem Aprendiz, é uma ajuda, ocupa a mente do jovem, do adolescente a querer trabalhar, estudar. É isso.

Como o CUCA, como o Cefet, então hoje em dia você só fica sem fazer nada se você quiser, porque tem muitas chances de você fazer.

Tem cursos aqui do bairro mesmo, sabe? É cursozinhos tipo o CIP, a irmã Creuza, entende? Que é acessível pra todos.

Os relatos apontam para a importância da rede social de apoio, uma via possível de contemplar suas demandas de primeiro emprego, escolarização e lazer, descrevendo o grande número de redes sociais de apoio existentes na região que consideram ter capacidade de distanciar os jovens do uso de drogas.

Os adolescentes citam, assim, o programa "Jovem Aprendiz", voltado para a qualificação técnico-profissional de jovens estudantes na qualidade de aprendizes e o Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte de Fortaleza (CUCA). São citados ainda projetos disponíveis, como o Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará (Cefet) que dispõe de uma sede no bairro Pirambu, onde promove cursos de línguas e informática, entre outros projetos conhecidos pelos adolescentes da área.

Segundo Oliveira e seus colaboradores (2008), para que a família exerça a função de cuidadora e contribua efetivamente para a prevenção do uso de drogas entre seus membros, é necessário suporte de políticas públicas com vistas à inserção de crianças e jovens em atividades. Assim, percebe-se que a rede social de apoio tem papel importante na criação de oportunidades de melhores empregos, capacitação e saúde, contribuindo para a percepção da possibilidade de mudança do padrão de vida. Nesse ponto, quando o jovem vislumbra objetivos de vida saudáveis em relação ao futuro, faz escolhas mais saudáveis em relação aos seus projetos, como na fala a seguir.

[...] um trabalho, estudos, tudo isso afasta o adolescente da droga.

Eu conheço muitas pessoas que moram na favela que estudam, batalham e vencem na vida. Apesar de ter muito preconceito, né? Muito preconceito.

Percebe-se, dessa forma, a importância de políticas públicas em capacitar, educar e ocupar os jovens, no intuito de minimizar o uso de drogas entre adolescentes residentes em área de risco. Este, como discutido, pode estar mais ligado ao convívio constante com entorpecentes, e, mais especificamente, ao retorno financeiro que pode proporcionar melhoria do padrão econômico.

Nas falas, também foi bastante discutida a influência de atividades de lazer e de profissionalização no afastamento dos jovens das drogas. Destacam-se as reduzidas opções de lazer na região de moradia.

Esportes pro pessoal praticar. O Cuca Barra, é um exemplo. Tem muita gente que tá jogando, esporte, vôlei, futebol, essas coisas, no lugar de tá usando droga.

Aqui, aqui não. Tem cursos profissionalizantes, mas questão de lazer nenhum.

 

Considerações finais

Pode-se verificar que a maioria das categorias discutidas apresenta direção argumentativa que atende a dois valores diferentes de acordo com o que se quer defender. Assim, o que se põe em questão é a impossibilidade de consenso sobre quais são os fatores exclusivos de risco ou proteção contra o uso de drogas, do mesmo modo que não há como definir a questão, generalizando todos os casos. Entretanto, o que se deixa entrever é que a articulação da rede social exerce função protetora ou desviante a partir da combinação de diversos fatores e do que ganha destaque na vida do adolescente que se envolve ou não com entorpecentes.

O lazer, o esporte e o trabalho, visualizados a partir das redes sociais de apoio, foram percebidos como importantes critérios preventivos por trazerem outros meios de viver com maiores oportunidades de melhoria socioeconômica e de perspectiva de vida.

A educação em saúde, como vivenciado pela equipe de pesquisa, também aparece como via de transformação, não apenas pelo teor informativo dos temas abordados, mas, principalmente, pela potencialização da discussão, isto é, a abertura para um debate e para reflexões a respeito dos modos de vida. Assim, como discutido anteriormente, os profissionais que atuam na prevenção necessitam trabalhar o jovem como um indivíduo ativo ou com capacidade reflexiva, discutindo todos os aspectos relacionados ao uso de drogas e evitando posturas moralistas e autoritárias, sob pena de tais intervenções tornarem-se inócuas (SCHENKER; MINAYO, 2005).

Dessa forma, destacam-se as atuações da Estratégia Saúde da Família (ESF) e da interação ensino-serviço, proposta de trabalho do Pet Saúde, as quais, por meio de pesquisas e ações de saúde, podem contribuir para a ampliação do conhecimento acerca do território de atuação e para a formação de melhores vínculos com a comunidade. Ademais, podem colaborar para a melhor compreensão dos profissionais de saúde acerca dos problemas vivenciados na área, o que permite uma abordagem mais ampla dessas questões. Possibilita-se, assim, a implementação de estratégias de promoção, prevenção e recuperação da saúde mais coerentes com a realidade e o público que se quer atingir, permitindo a atuação em uma fase mais precoce do problema, com destaque para a promoção e prevenção da saúde, ações intrínsecas à ESF.

O uso de drogas por adolescentes que vivem em área de risco é um tema bastante complexo, que não pode ser esgotado em um estudo apenas. Percebe-se que os elementos capazes de influenciar ou afastar os jovens do uso de drogas se correlacionam constantemente, ora aparecendo como fatores de influência, ora como protetores, entre eles: família, grupo social, escola, vida em área de risco e mídia. Por outro lado, aspectos como as redes sociais de apoio aparecem essencialmente como elementos protetores contra o uso de drogas.

Também se destaca que alguns aspectos novos foram levantados de forma transversal aos temas centrais, como a importância de vislumbrar objetivos de vida saudáveis em relação ao futuro – assunto levantado dentro da discussão sobre influência do meio social, família e rede social de apoio –, e a necessidade de políticas públicas, também identificadas em diversos momentos da discussão como aspecto importante no apoio às redes sociais, à família e na atuação em áreas de risco.1

 

Referências

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Nota

1 A.G. Costa e V.V. Camurça participaram da concepção e confecção do projeto de pesquisa, coleta de dados, elaboração do artigo, revisão final. J.M. Braga participou da concepção e confecção do projeto de pesquisa, coleta de dados, elaboração do artigo. D.I.B. Tatmatsu participou da concepção do projeto de pesquisa e revisão final do artigo.

 

 

Recebido em: 10/07/2011.
Aprovado em: 17/04/2012.