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Ciência Rural

versão impressa ISSN 0103-8478

Cienc. Rural vol.23 no.2 Santa Maria maio/ago. 1993

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-84781993000200009 

EFEITOS DAS IRRADIAÇÕES "LASER" ARSENETO DE GÁLIO SOBRE O HEMOGRAMA DE CÃES SUBMETIDOS À OSTEOTOMIA1

 

EFFECTS OF GALLIUM ARSENIDE LASER IRRADIATIONS ON THE COMPLETE BOOD CELL COUNT OF DOGS SUBMITED TO OSTEOTOMY

 

Beatriz Guilhembernard Kosachenco2 Sônia Terezinha dos Anjos Lopes3 Isabela Schimitt4 Sérgio Amaro Guimarães Fialho5 Rosana Lopes6

 

 

RESUMO

Procurou-se verificar as possíveis alterações no quadro hematológico de doze cães, sem raça definida, com idade de 1 à 7 anos, de ambos os sexos e clinicamente sadios que sofreram ostetomia diafisária da tíbia direita e esquerda acompanhada de terapia "laser" (AsGa) nas regiões operadas do membro esquerdo. As aplicações foram diárias com dosimetria de 5 joules/cm2 de forma pontual e em varredura. Foram feitas aplicações de "laser" do 1° ao 10° dia e do 31° ao 40° dia do pós-operatório. As colheitas de sangue para hemograma foram realizadas no pré-operatório e no 1°, 5°, 10°, 31°, 35° e 40° dias do pós-operatório, imediatamente antes da aplicação "laser". Os resultados encontrados não apresentaram alterações significativas, comparativamente com as amostras pré-experimento, que possam ser atribuídas a terapia "laser" AsGa.

Palavras-chave: terapia "laser", hemograma, cães.

 

SUMMARY

Blood samples were collected from 12 mongrel healthy dogs for laboratory examination. The dogs were previously submitted to osteotomy of the diaphyseal region of the right and left tibila followed by laser therapy (AsGa) on the left hind limbs. The treatments were performed daily with dosages of 5 joules/cm2 for 10 consecutive days post surgery (PS) and then from the 31st to the 40th day PS. Blood samples were collected immediately before the laser therapy, and on the days 1st, 5th, 10th, 31st, 35th and 40th day PS. The results obtained demonstrated that gallium arsenid laser did not have a significant effect on the blood cell count.

Key Words: laser therapy, hemogram, dogs.

 

 

INTRODUÇÃO

"Laser" arseneto de gálio é um "laser" de baixa potência e produz efeitos terapêuticos quando irradiado em diferentes tecidos. A terapia "laser" tem sido empregada com o objetivo de obter-se ação analgésica, anti-inflamatória, antiedematosa e de estímulo ao tropismo celular em processos patológicos e no pós-operatório de algumas cirurgias (CRUANES, 1984).

Estudos feitos por SINGH & VATSALA (1973), SINGH (1981) e SINGH & PERIASAMY (1984) mostraram que as células vermelhas do sangue são sensíveis à exposição de baixos níveis de "laser" HeNe, apresentando mudanças na forma, crenação e aumento no grau de agregação. O aumento da fragilidade das células resulta em hemólise, devido a exposição das células vermelhas do sangue a 400 a 800 joules/cm2, durante 15-30 minutos (SINGH & VATSALA, 1979). WILANDER et al (1986) por outro lado não encontraram alterações no conteúdo de hemoglobina no plasma com exposição da amostra à irradiação "laser".

Através de estudos experimentais foram observados os efeitos do "laser" HeNe in vivo e in vitro sobre a função fagocitária. A aderência e agregação das células fagocitárias ao endotélio vascular pode ser o primeiro passo para outras funções como a diapedese, quimiotaxia, fagocitose e liberação da enzima ATP (BABIOR et al, 1973). Os dados indicam que a irradiação "laser" inibe in vitro a quimiotaxia com efeito anti-inflamatório global e facilita o processo de cicatrização . O ATP liberado pêlos neutrófilos pode ser responsável in vivo pela interação celular e agregação plaquetária com ativação da coagulação (VAN GEMERT & HENNING, 1981, ROTTELEUR et al, 1981).

O leucograma é comumente usado para detectar e monitorar processos inflamatórios. Os neutrófilos respondem rapidamente ao estímulo quimiotático associado com o processo inflamatório (MEYER et al, 1992).

As anemias podem determinar leucocitose neutrofílica por aumento de passagem das células do compartimento marginal de reserva para o compartimento circulatório (BIRGEL et al, 1983; COLES, 1984). Segundo WINTROBE (1944) no pós-operatório a neutrofilia ocorre de 12 até 36h, talvez como resultado da injúria tecidual e liberação de proteínas.

O objetivo deste experimento foi o de avaliar as possíveis alterações do quadro hematológico de cães submetidos a terapia "laser" arseneto de gálio.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Doze cães, sem raça definida, de 1 a 7 anos de idade, clinicamente sadios sofreram osteotomia diafisária da tíbia esquerda. Foram feitas aplicações de "laser" arseneto de gálio sobre a pele da região operada do 1° ao 10° dia pós-operatório (PO) e do 31° ao 40° dias PO. A dosimetria utilizada foi de 5 joules/cm2 de forma pontual e em varredura. O tempo de exposição na forma pontual foi de 25 segundos em cada ponto num total de 5 pontos e a irradiação para varredura foi de 1 minuto.

Foram colhidos 2,5ml de sangue com Na,EDTAa para realização do hemograma. As amostras foram obtidas no pré-operatório (três amostras em dias consecutivos) e feita a média para ser usada como valor de referência de cada animal. Também durante o PO nos dias 1°, 5°, 10°, 31°, 35° e 40°; sempre antes da aplicação do "laser". As contagens de leucócitos e eritrócitos foram feitas no aparelho eletrônico Coulter Counterb modelo DN Vet e a dosagem de hemoglobina no hemoglobinômetro do mesmo aparelho. Os esfregaços em lâminas para a contagem diferencial de leucócitos foram coradas pelo método Panótico rápidoc.

 

RESULTADOS

A figura 1 mostra as médias obtidas e os desvios padrões de leucócitos. Observou-se um aumento na média de leucócitos (leucocitose) no 1° dia do pós-operatório. Nas amostras seguintes as médias mantiveram-se dentro dos valores normais. As médias e os desvios padrões dos eritrócitos, hemoglobina e hematócrito estão representados nas figuras 2, 3 e 4 respectivamente. Na tabela 1 estão expressos os valores obtidos na contagem total e diferencial dos leucócitos, do número de eritrócitos, hemoglobina e hematócrito.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DISCUSSÃO

A leucocitose com neutrofilia encontrada no 1° dia do pós-operatório, em relação ao pré-experimento, observados na tabela 1, provavelmente estejam relacionadas com a perda aguda de sangue ocorrida durante o ato cirúrgico (BIRGEL, et al, 1983; COLES, 1984) e também pode ter ocorrido como conseqüência à injuria tecidual. Segundo WINTROBE (1944) a neutrofilia ocorre de 12 a 36h após a cirurgia. No 31° e 35° dia PO um animal que desenvolveu broncopneumonia apresentou um aumento no número de bastonetes, caracterizado por desvio para a esquerda. Nas demais amostras os valores médios obtidos para bastonetes encontraram-se dentro dos parâmetros normais citados por SCHALM (1975). A ausência da resposta inflamatória no leucograma descrito por MEYER (1992), pode estar associada a aderência e a agregação das células leucocitárias ao endotélio vascular em função dos efeitos das irradiações "laser" na função fagocitária. Os mesmos achados foram encontrados por BABIOR et al (1973). É possível também que tenha ocorrido um efeito anti-inflamatório global devido a terapia "laser" que facilita o processo de cicatrização conforme já fora citado por VAN GEMERT & HENNING (1981) e ROTTELEUR et al (1981).

Os números de eosinófilos no 40° dia (Tabela 1) estão um pouco acima dos parâmetros normais citados por SCHALM (1975) e MEYER et al (1992). Provavelmente essa eosinofilia esteja relacionada com a presença de Ancylostoma, observados pela pesquisa de ovos nas fezes de alguns animais no final do experimento.

Os valores de hematócritos acompanhados de hemoglobina e número de eritrócitos diminuíram em relação ao pré-experimento, embora a hemoglobina e o hematócrito no 1° e 10° dia PO tenham permanecido dentro dos parâmetros normais citados por SCHALM (1975) e MEYER et al (1992). Essa diminuição provavelmente esteja relacionada com a perda de sangue durante o ato cirúrgico (MEYER et al, 1992). No entanto, WILANDER et al (1986) não encontraram alterações no conteúdo de hemoglobina no plasma com exposição da amostra à irradiação "laser".

Não foram observadas mudanças na forma, crenação, agregação dos eritrócitos e hemólise, o que contraria os achados de SINGH & PERIASAMY (1984). Isso provavelmente deva-se ao tempo de exposição e quantidade de irradiação usada pelos referidos autores ser superior a do presente experimento.

 

CONCLUSÃO

Conclui-se que os valores hematológicos dos cães não apresentaram alterações significativas, após a irradiação do "laser" arseneto de gálio com 5 joules/cm2.

 

FONTES DE AQUISIÇÃO

a - EDTA - Labtest, Av. Izabel Bueno, 948, Belo Horizonte-MG.

b - PANÓTICO - Laborclin Produtos Laboratoriais Ltda. Rua Cassiano Ricardo, 455. Pinhais, Piraquara-PR.

c - COULTER COUNTER - Coulter Eletronics Ltda. Rio de Janeiro-RJ.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BABIOR, O.M., KIPNESS, R.S, CURNUTE, J.l. Biológical defence mechanisms; The production by lukocytes of superoxide, a potential bactericidae J Clin Invest, v. 52, p. 741-747, 1973.         [ Links ]

BIRGEL, E.H., LARSSON, M.H.M.A., HAGIWARA.M.K et al Patologia clínica veterinária 2. ed, São Paulo: Sociedade Paulista de Medicina Veterinária, 1983. 260 p.         [ Links ]

COLES, E.H. Patologia clínica veterinária. 3. ed. São Paulo: Manole, 1984, 566 p.         [ Links ]

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ROTTELEUR, G., PIETTE, F., BRUNETAUD, J.M. et al. Loes laser in dermatologie; effects biologiques, medications therapintiques. Ann Derm Venereot, v. 108, p. 343-351, 1981.         [ Links ]

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SINGH.M., VATSALA, TM. He-Ne laser induced changes in erythrocytes. Curr Sci, v. 49, p. 720-722, 1979.         [ Links ]

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VAN GEMERT, M.J.C., HENNING, J.P.H. A model approach to laser coagulation of dermal Vascular lesions. Arch Dermatol Res, v. 270, p. 429-435, 1981.         [ Links ]

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WINTROBE, M. M. Clinical hematology. Philadelphia: Lea & Febiger, 1944. 703 p.         [ Links ]

 

 

1Pesquisa apresentada na II Jornada de Pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). 97119-900 - Santa Maria, RS.

2Médico Veterinário, aluno do Curso de Pós-Graduação em Medicina Veterinária da UFSM.

3Médico Veterinário do Hospital Veterinário da UFSM

4Médico Veterinário, Mestre no Curso de Pós-Graduação em Medicina Veterinária da UFSM.

5Médico Veterinário, PhD, Professor Titular do Departamento de Clínica de Pequenos Animais da UFSM.

6Acadêmico do Curso de Medicina Veterinária da UFSM.

Recebido para publicação em 29.10.92. Aprovado para publicação em 24.03.93.

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