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Ciência Rural

Print version ISSN 0103-8478On-line version ISSN 1678-4596

Cienc. Rural vol.25 no.1 Santa Maria  1995

https://doi.org/10.1590/S0103-84781995000100005 

INFLUÊNCIA DA BENZILAMINOPURINA (BAP) NA MULTIPLICAÇÃO IN VITRO DE KIWI (Actinidia deliciosa)

 

THE INFLUENCE OF BENZYLAMINOPURINE IN THE IN VITRO MULTIPLICATION OF KIWI (Actinidia deliciosa)

 

Jair Costa Nachtigal1 Adriana Graciela Desiré Zecca1 Sérgio Lucemar Bonorino Figueiredo1 Gerson Renan de Luces Fortes2

 

 

RESUMO

Este experimento foi conduzido no Laboratório de Cultura de Tecidos da EMBRAPA/CPACT, Pelotas, RS, com o objetivo de estudar a influência de diferentes concentrações de 6-benzilaminopurina (BAP) na multiplicação in vitro de kiwi (Actinidia deliciosa), cv. Tomun. Utilizou-se o meio de cultura MS, acrescido de sacarose, mio-inositol, ágar e das seguintes concentrações de BAP: 0,0; 0,5; 1,0; 1,5; 2,0 e 2,5 mg/l. Os explantes foram constituídos de microestacas provenientes da coleção in vitro do Laboratório, com aproximadamente 10mm de comprimento. Verificou-se que, para o número e comprimento de brotações, número de gemas e folhas a concentração em torno de 1,5mg/l de BAP proporcionou os memores resultados. Nas condições em que o trabalho foi realizado, pode-se concluir que o BAP foi eficiente na multiplicação in vitro de kiwi, cv. Tomuri.

Palavras-chave: Actinidia deliciosa, multiplicação, cultura de tecidos, benzilaminopurina.

 

SUMMARY

This trial was carried out in the Tissue Culture Laboratory at EMBRAPA/CPACT, Pelotas, RS, Brazil, aiming to study the influence of different 6-benzylaminopurine (BAP) concentrations in the in vitro multiplication of kiwi, cv. Tomuri. A MS medium was used adding sucrose, myo-inositol, agar and concentrations of BAP as follows: 0.0; 0.5; 1.0; 1.5; 2.0 and 2.5mg/l. The explants consisting of microshoots of 10mm length were obtained from the in vitro collection at the laboratory. The best results of bud and shoot numbers, shoot length and number of leaves were obtained using about 1.5mg/l BAP. Results of this experiment demonstrated that BAP is efficient in the in vitro multiplication of kiwi, cv. Tomuri.

Key words: Actinidia deliciosa, multiplication, tissue culture, benzylaminopurine.

 

 

INTRODUÇÃO

Atualmente, o kiwi (Actinidia deliciosa (Chev.) Liang & Ferguson var. deliciosa) vem despertando muito interesse entre os fruticultores brasileiros. Porém, as pesquisas e as informações sobre o seu cultivo são ainda bastante incipientes, o que exige perspicácia por parte dos fruticultores na implantação de pomares extensos (SANTOS, 1990).

A propagação desta espécie pode ser feita por enxertia, estaquia, mergulhia, alporquia, ramos adventícios, micropropagação e por sementes, sendo que a obtenção de mudas por este último método é empregado principalmente para obtenção de porta-enxertos.

Segundo STANDARDI (1983), a micropropagação do kiwi é um método viável para obtenção de novas plantas a partir de ápices meristemáticos ou caulinares, devendo-se considerar dois aspectos: a necessidade de aumentar o coeficiente de multiplicação e a individualização das condições ótimas para uma rápida aclimatação das plantas obtidas por este método.

Substâncias reguladoras do crescimento têm sido usadas por diversos pesquisadores, entre os quais WESSELS et al. (1984) e MONETTE (1986), na tentativa de aumentar o número de brotações de kiwi. No entanto, a otimização das concentrações dessas substâncias, no meio de multiplicação, ainda depende de definições. Estes pesquisadores, usando diferentes concentrações de 6-benzilaminopurina (BAP), obtiveram os melhores resultados na concentração de 2,0mg/l. Já STANDARDI (1981, 1983) e MH & OHASHI (1988) usaram 1,0mg/l de BAP como melhor concentração, enquanto HARADA (1975), trabalhando com várias citocininas na micropropagação do kiwi, verificou que somente o meio contendo 1,0mg/l de zeatina foi apropriado para obter um número significativo de gemas adventícias. FORTES et al. (1992), estudando a multiplicação in vitro de kiwi, cv. Hayward, encontraram um aumento de brotações e gemas adventícias até a concentração de 2,5 mg/l de BAP. Dessa forma, o objetivo do presente trabalho, foi verificar o efeito de diferentes concentrações de BAP na nultiplicação in vitro de kiwi, cv. Tomuri.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O presente trabalho foi realizado no laboratório de cultura de tecidos do Centro de Pesquisa Agropecuária de Clima Temperado (CPACT) da EMBRAPA, Pelotas, RS. Como meio de cultura utilizou-se o meio MURASHIGE &. SKOOG (1962), acrescido de sacarose (40g/l), mio-inositol (100mg/1), ágar (0,7%) e 6-benzilaminopurina (BAP) nas seguintes concentrações: 0,0; 0,5; 1,0; 1,5; 2,0 e 2,5m/l. O pH foi ajustado para 5,8 antes da esterilização em autoclave.

Os explantes, constituídos de microestacas de kiwi, cv. Tomuri, advindos da coleção in vitro de kiwi do Laboratório de Cultura de Tecidos/CPACT, com aproximadamente 10mm de comprimento, foram colocados em frascos, com capacidade de 250ml, contendo 40ml de meio e fechados com papel laminado. A operação de plantio in vitro foi realizada assepticamente. O cultivo foi realizado em sala com temperatura variando de 23 a 25°C, fotoperíodo de 16 horas e iluminação de 2000 lux.

O delineamento experimental adotado foi o de blocos ao acaso, com 5 repetições. Cada unidade experimental foi composta por 5 explantes. As avaliações foram realizadas após 35 dias de cultivo, levando-se em consideração o número de folhas, número de brotações adventícias, comprimento das brotações e número de gemas adventícias.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Através dos resultados obtidos neste trabalho, pode-se verificar que o BAP foi eficiente na multiplicação in vitro de kiwi, cv. Tomuri, sendo que todas as variáveis analisadas mostraram comportamento bastante semelhante nas concentrações utilizadas.

Para a variável número de brotações (Figura 1 A), o BAP apresentou efeito crescente até a concentração de aproximadamente 2,0mg/l, a partir da qual houve diminuição. Isto demonstra a necessidade de uma fonte de citocinina exógena para promover a multiplicação celular do kiwi. FORTES et al. (1992), em experimento realizado nas mesmas condições, encontraram um incremento linear do número de brotações de kiwi, cv. Hayward, até próximo a concentração de 2,5 mg/l de BAP, o que sugere um comportamento diferenciado das cultivares de kiwi ao uso do BAP.

O comprimento das brotações (Figura 1 B) foi influenciado pelas concentrações de BAP, sendo que o melhor resultado foi observado na concentração de 1,9mg/l. Nesta concentração ocorreu um incremento de aproximadamente 50% no comprimento das brotações, quando comparado com a concentração zero. Tal fato é importante visto que era de se esperar que, com o aumento do número de brotações, ocorresse uma diminuição do comprimento das mesmas, devido à competição entre elas.

O número de gemas (Figura 1 C) aumentou até a concentração de 1,7mg/l, decrescendo a seguir. O maior número de gemas encontrado na concentração de 1,7mg/l, associado ao maior número e comprimento das brotações, possibilita a obtenção de um maior número de plantas em determinado espaço de tempo, que é uma das finalidades básicas da cultura de tecidos.

O número de folhas (Figura 1 D), do mesmo modo que as demais variáveis, apresentou melhor resultado na concentração de 1,8mg/l. Isso se deve ao maior número de gemas proporcionado por esta concentração de BAP, ocasionando aumento no número de folhas em relação à concentração zero.

As concentrações de BAP que possibilitaram a obtenção dos melhores resultados, na micropropagação de kiwi, cv. Tomuri, situam-se na faixa de 1,5 a 2,0mg/l. Já FORTES et al. (1992), encontraram os melhores resultados até a concentração de 2,5mg, para a cv. Hayward. Isto demonstra que o sucesso da utilização de substâncias reguladoras do crescimento, na micropropagação do kiwi, é variável com a cultivar utilizada.

 

CONCLUSÕES

O uso de 6-benzilaminopurina (BAP) foi eficiente na multiplicação in vitro de kiwi, cv. Tomuri.

Os melhores resultados foram obtidos usando-se concentrações na faixa de 1,5 a 2,0mg/l de 6-benzilaminopurina (BAP).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FORTES, G.R.L., SANTOS FILHO, B.G., ZECCA, A.G.D., et al. Multiplicação in vitro de kiwi, cv. Hayward. Revista Brasileira de Fruticultura, Cruz das Almas, v. 14, n. 1, p. 71-75, 1992.         [ Links ]

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MII, M., OHASHI, H. Planted regeneration from protoplasts of kiwi fruit, Actinidia chinensis Planch. Acta Horticulturac, Wageningem, n. 230, p. 167-169, 1988.         [ Links ]

MONETTE, P.L. Micropropagation of kiwi fruit using non-axenic shoot tips. Plant Cell, Tissue and Organ Culture, Dordiecht, v. 6. n. 1, p. 73-82, 1986.         [ Links ]

MIRASHIGE, T., SKOOG, F.I. A revised medium for rapid growlh and bioassays with tobbaco tissue culture. Physiology Plantarum, Copenhagen, v. 15, p. 473-497, 1962.         [ Links ]

SANTOS, A.M. Kiwi no Brasil: um cultivo que requer cautela. HortiSul, Pelotas, v. 1, n. 2, p. 36-39, 1990.         [ Links ]

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WESSELS, E., NEL, D.D., STADEN, D.F. A. VON. In vitro propagation of Actinidia chinensis Pl. cv. Hayward. Deciduous Fruit Grower, Bellville, v. 34, n. 12, p. 453-457, 1984.         [ Links ]

 

 

1Engenheiro Agrônomo, aluno do Curso de Pós-graduação em Agronomia, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, Universidade Federal de Pelotas.

2Engenheiro Agrônomo, Pesquisador, Doutor, EMBRAPA/CPACT, Caixa Postal 403, 96001-970, Pelotas, RS. Autor para correspondência.

 

Recebido para publicação em 22.02.94. Aprovado em 18.10.94.

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