SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.25 issue2Effect of meteorological elements at the harvesting time on the percentage of head rice grainsInfestation levels of Butiobruchus sp in butia palm nut author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Ciência Rural

Print version ISSN 0103-8478On-line version ISSN 1678-4596

Cienc. Rural vol.25 no.2 Santa Maria  1995

https://doi.org/10.1590/S0103-84781995000200002 

VIRULÊNCIA DE CONÍDIOS ARMAZENADOS DO FUNGO Nomuraea rileyi À LAGARTA DA SOJA, Anticarsia gemmatalis1

 

VIRULENCE OF STORED CONIDIA OF Nomuraea rileyi FUNGI AGAINST SOYBEAN CATERPILLAR, Anticarsia gemmatalis.

 

Maria Inez Lopes e Lopes2 Neiva Monteiro de Barros3

 

 

RESUMO

O presente trabalho foi conduzido com a finalidade de avaliar a virulência de conídios de três linhagens do fungo Nomuraea rileyi produzidos em arroz, sorgo e soja estocados por 3 meses a 4°C. Verificou-se que conídios armazenados apresentaram baixas taxas de mortalidade de Anticarsia gemmatalis.

Palavras-chave: Nomuraea rileyi, Anticarsia gemmatalis, estocagem, virulência e patogenicidade.

 

SUMMARY

The present work was carried out aiming to estimate the conidia virulence of three strains of Nomuraea rileyi fungi. Conidia produced in rice, sorghum and soybean was stored at 4°C for three months. It was observed that stored conidia caused the Anticarsia gemmatalis death rate reduction.

Key words: Nomuraea rileyi, Anticarsia gemmatalis, storage, virulence e patogenicity.

 

 

INTRODUÇÃO

Entre os microrganismos com potencial de serem utilizados em programas de Manejo Integrado de pragas, destacam-se os fungos, os quais não precisam ser ingeridos, pois penetram no inseto através do integumento.

O desenvolvimento de produtos biopesticidas à base de fungos necessita de estudo sobre o desenvolvimento natural das doenças provocadas pelo patógeno, incluindo conhecimento do ciclo vital, viabilidade do mesmo, técnicas de produção, armazenamento e outros que possam influir na infectividade do fungo (COUCH & IGNOFFO, 1979).

O fungo Nomuraea rileyi pode ser utilizado como um inseticida biológico, principalmente quando aplicado sobre os primeiros instares larvais da lagarta Anticarsia gemmatalis, sendo observada uma média de 80% de mortalidade nos primeiros três dias após sua aplicação (IGNOFFO et al., 1976b).

A seleção de linhagens mais eficientes pode ser feita através de bioensaios, os quais permitem a avaliação da potencialidade do patógeno para o controle de determinada espécie de inseto, através da determinação da dose letal (DL50), do tempo letal (TL50) e da concentração letal (CL50), (ALVES, 1986).

Este fungo, em condições de cultivo, estocagens e repicagens sucessivas pode ter sua virulência alterada, constituindo, portanto, um entrave no controle biológico aplicado (VEEN, 1968; FERRON et al., 1969). ALVES (1986) observou que a estabilidade de conídios na estocagem é afetada pela temperatura, sendo que SILVEIRA (1987) verificou que fungos armazenados tanto a 3°C como à temperatura ambiente mantiveram-se viáveis a níveis de 80% de germinação, por 15 dias de armazenamento.

KISH (1975), anterior a ALVES (1986) verificou que conídios do fungo Nomuraea rileyi pouco sofreram quanto a sua capacidade patogênica às lagartas de Anticarsia gemmatalis, quando armazenados em SMAY (Sabouraud Maltose, Extrato de Levedura e Ágar) em diferentes condições de frio (+5 e -16°C) e ausência de umidade.

O presente trabalho teve como objetivo a avaliação da virulência de conídios estocados do fungo Nomuraea rileyi.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizadas as linhagens Va 9101, Ch 87551 e Sa 86101 do fungo Nomuraea rileyi, isoladas de lagartas de Anticarsia gemmatalis nos municípios de Vacaria, Cachoeirinha e Sarandi, respectivamente.

Os conídios utilizados nos bioensaios com as três linhagens do fungo Nomuraea rileyi foram obtidos a partir de meios semisólidos à base de sorgo, soja e arroz. Nesses ensaios foram utilizados conídios recém produzidos e conídios estocados por 3 meses a 4°C.

A virulência dos conídios foi avaliada através de bioensaios, onde foram utilizadas placas de Petri previamente esterilizadas contendo papel filtro, sendo distribuída sobre este uma suspensão de 108 conídios/ml. A seguir lagartas de 2° ínstar foram colocadas em contato com esta suspensão por 24 horas e após este período, transferidas para dieta artificial (HOFFMANN-CAMPO et al., 1985) até a fase de pupa, sendo mantidas a 25°C e 55% de umidade relativa.

Foram utilizadas 50 lagartas para cada linhagem do fungo, com duas repetições, utilizando como controle, 25 lagartas sem tratamento em cada repetição. O tempo letal mediano (LT50) foi calculado através da Análise de Probit (FINNEY, 1971).

Para comparar a patogenicidade de conídios da linhagem Sa 86101 do fungo Nomuraea rileyi armazenados a 4°C e não armazenados foram realizados bioensaios utilizando conídios produzidos em arroz e sorgo. A existência de diferença nas taxas de mortalidade de Anticarsia gemmatalis, considerando a interação entre linhagens e substratos, foi verificada pelo teste do quiquadrado do 9° e 12° dias.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados demonstram que os conídios das três linhagens do fungo Nomuraea rileyi produzidos nos meios semi-sólidos (arroz, sorgo e soja) e estocados por 3 meses a 4°C causaram mortalidade de Anticarsia gemmatalis em níveis inferiores a 50% (Figura 1). Os conídios estocados da linhagem Sa 86101 em grãos de soja foram os que induziram uma maior taxa de mortalidade (42%), quando comparado as outras linhagens e substratos.

 

 

Os maiores percentuais da mortalidade de Anticarsia gemmatalis induzidos por conídios de Nomuraea rileyi estocados foram observados no 88 e 9° dias, verificando-se diferenças significativas entre as diversas linhagens e substratos (quiquadrado = 91,666 e 63,582 para mortalidade no 9° e 12° dia respectivamente. A taxa de mortalidade de Anticarsia gemmatalis, no 8° dia induzida por conídios estocados e produzidos em meio semi-sólido à base de grãos de arroz foi inferior a obtida por SILVA (1985), 40%.

Os conídios não armazenados (Figura 2) da linhagem Sa 86101 produzidos em arroz e sorgo, induziram taxas de 50 e 66% de mortalidade dos insetos, respectivamente. Já com a utilização de conídios armazenados por 3 meses a 4°C verificou-se redução da ordem de 37% na virulência de conídios provenientes de meio à base de arroz, e 59% dos provenientes de sorgo, quando comparado a conídios não armazenados.

 

 

Os valores do tempo letal (TL50) foram calculados utilizando a linhagem mais virulenta através da análise de Probit (FINNEY, 1971). A TL50 foi de 8,2756 utilizando-se conídios da linhagem Sa 86101 produzidos em arroz e de 6,7940, utilizando conídios da mesma linhagem produzidos em sorgo. Os resultados indicam ser o sorgo o substrato mais indicado para a produção dos conídios, em vista dos conídios estocados do fungo provenientes do mesmo terem antecipado em um dia a mortalidade de Anticarsia gemmatalis, quando comparados com conídios provenientes do arroz. Esse resultado era esperado, uma vez que os conídios provenientes dos meios semi-sólidos à base de sorgo apresentaram, geralmente, maior percentual de germinação do que nos demais, em outros experimentos.

Estudos anteriores, foram realizados com esta mesma linhagem produzida em SMAY, por ROSSATO (1992) e ROSSATO & BARROS (1992) tendo os mesmos obtido um TL50 de 6,8 dias com a linhagem sem estocagem e 11,1 dias com a linhagem estocada por 5 meses.

Comparando-se os valores de TL50 verificados no presente trabalho utilizando conídios não armazenados produzidos em meio semi-sólido à base de grãos de sorgo, com os mesmos resultados obtidos por ROSSATO (1992) utilizando conídios produzidos em SMAY, verificamos que os dados não diferem. Contudo, estes mesmos conídios armazenados por 3 meses a 4°C não foram capazes de causar mortalidade de 50% de Anticarsia gemmatalis, ao contrário do verificado com a utilização de conídos estocados em SMAY, por ROSSATO (1992) e ROSSATO & BARROS (1992).

As linhagens Va 9101, Sa 86101 e Ch 8751 produzidas em meio de arroz, soja e sorgo estocados por 3 meses a 4°C, ocasionaram mortalidade em níveis inferiores a 50%, impossibilitando, portanto o cálculo do TL50.

 

CONCLUSÕES

O armazenamento de conídios do fungo Nomuraea rileyi, por um período de 3 meses a 4°C, produzidos em arroz, soja e sorgo, ocasiona reduções nas taxas de mortalidade de Anticarsia gemmatalis.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALVES, S. B., Controle Microbiano de Insetos. São Paulo: Manole, 1986. p.407.         [ Links ]

COUCH, T. L., IGNOFFO, C. M. Formulation of insect pathogens. In: BURGHES, H.D. Microbial Coutrol of Rest and Plant Diseases. New York: Academic Press, 1979. p. 621-633.         [ Links ]

DE BACH, P. Coutrol biologico de las plagas de insectos y malas hierbas. México: Campãnia Editorial Continental, 1968. p. 949.         [ Links ]

FERRON, P., DIOMANOE, T. Sur la spécificité à 1 egard des insectes de Metarhizum anisopliae (Metsch.) Sorok (Fungi imperfecti), em fonction de 1 origine des souchés de ce champignon. Comptes Rendus de 1 Académie des Sciences, Sér. D., v. 268, p. 331-332, 1969.         [ Links ]

FINNEY, D. J. Probit Analysis. Cambridge: M. Pres., 1971. p. 333.         [ Links ]

HOFFMANN-CAMPO, C.B., OLIVEIRA, E.B., MOSCARDI, F. Criação massal da lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis). Londrina: EMBRAPA-CNPSo, 1985. 23 p (Documentos, 10).         [ Links ]

IGNOFFO, C. M., MARSTON, N. L., HOSTETTER, D. L., et al. Susceptibility of the cabbage looper, Trichoplusia ni and velvetbean caterpiliar Anticarsia gemmatalis, to several isolates of the entomopathogenic fungus Nomuraea rileyi. Jourual of Invertebrate Pathology. New York, v. 28, p. 259-262, 1976c.         [ Links ]

KISH, L. P. The biology and ecology of Nomuraea rileyi (Farlow) Samson. 1975. 80 p. Tese (Pós-doutorado) - Gainsville, USA. 1975.         [ Links ]

ROSSATO, M. Atividade enzimática e virulência dos isolados Ch 87551 e Sa 86101 do fungo entomopatogênico Nomuraea rileyi (Farlow) Samson. 1992. 60 p. Dissertação (Bacharelado em Ciências Biológicas) - Universidade de Caxias do Sul, Caxias do Sul, RS, 1992.         [ Links ]

ROSSATO, M. e BARROS, N.M. Virulência do fungo Nomuraea rileyi à lagarta da soja. In: SIMPÓSIO DE CONTROLE BIOLÓGICO, 1992. Águas de Lindóia, SP. Anais... Jaguariúna, EMBRAPA - CNPDA, 1992, 312 p. p.150.         [ Links ]

SILVA, L. Esporulação do fungo Nomuraea rileyi (Farlow) Samson em meio de cultura à base de grãos de arroz. Porto Alegre, RS. 80 p. Dissertação (Mestrado em Fitotecnia) - Curso de Pós-graduação em Agronomia, UFRGS, 1985.         [ Links ]

SILVEIRA. S. S. Utilização de milho no cultivo em larga escala do fungo Metarhizium anisopliae (Mestch.) Sorok. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ENTOMOLOGIA, ENCONTRO DE MIRMECOLOGISTAS E ENCONTRO SOBRE MOSCAS-DAS-FRUTAS, 1987. Anais... SEB, v. 1, 567 p. p. 250.         [ Links ]

VEEN, K. H. Recherches sur la maladie, dere à Metarhizium anisopliae chez le criquet pèlerin. Meudelelingen Laudbouwhoges-chool Wageningen, Netherland, v. 68, p. 1-77, 1968.         [ Links ]

 

 

1Parte de dissertação de especialização em Biotecnologia do primeiro autor apresentada a Universidade de Caxias do Sul. Financiado pelo CNPq e FAPERGS.

2Instituto de Biotecnologia e Departamento de Ciências Biomédicas, Universidade de Caxias do Sul. Caixa Postal, 1352, 95001-970, Caxias do Sul, RS.

3Instituto de Biotecnologia e Departamento de Ciências Biológicas, Universidade de Caxias do Sul, RS. Autor para correspondência.

 

Recebido para publicação em 21.12.94. Aprovado em 19.04.95

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License