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Ciência Rural

Print version ISSN 0103-8478On-line version ISSN 1678-4596

Cienc. Rural vol.26 no.3 Santa Maria Dec. 1996

https://doi.org/10.1590/S0103-84781996000300027 

EFEITOS DE DIFERENTES NÍVEIS DAS VITAMINAS TIAMINA, RIBOFLAVINA E PIRIDOXINA SOBRE O DESEMPENHO DE FRANGOS DE CORTE

 

EFFECTS OF DIFFERENT LEVELS OF THIAMINE, RIBOFLAVIN AND PYRIDOXINE ON BROILER PERFORMANCE

 

Ana Lúcia Pozzobon de Souza1 Geni Salete Pinto de Toledo2 Paulo Tabajara Chaves Costa3 Ubiratan Gross Alencastro4

 

 

RESUMO

O experimento foi conduzido para analisar os efeitos de níveis altos e baixos das vitaminas tiamina (B1), riboflavina (B2) e piridoxina (B6) sobre o desempenho de frangos de corte. Um total de 576 pintos de corte de um dia, foram distribuídos em desenho experimental trifatorial (23), inteiramente casualizado onde dois níveis (alto e baixo) de cada vitamina foram testados: vitamina B1 (A=3 mg/kg; B=2 mg/kg), vitamina B2 (A=6 mg/kg; B=4 mg/kg) e vitamina B6 (A=4,5 mg/kg; B=3 mg/kg). Deste modo, dezoito aves por tratamento (8), em quatro repetições, foram distribuídas em boxes sobre piso e receberam dietas isonutritivas, variando somente em relação às vitaminas estudadas. Os dados foram submetidos a análise de variância e teste de Tukey. Não foram observadas diferenças significativas (P>0,05) entre os tratamentos para todos os parâmetros estudados. Portanto, os resultados deste trabalho sugerem que os níveis das vitaminas B1, B2 e B6, para frangos de corte, podem ser reduzidos em até 66% dos níveis atualmente utilizados, sem prejuízo na performance dos mesmos.

Palavras-chave: frangos de corte, piridoxina, riboflavina, tiamina.

 

SUMMARY

An experiment was carried out to evaluate the effècts of high and low levels of vitamins thiamine (B1) ribofiavin (B2) and pyridoxin (B6) on the performance of boilers. A total of 576 day old broiler chicks of both sexes was distributed in a trifactorial (23) completely randomized experimental desing, where two levels (high and low} of each vitamin were tested: vitamin B1 (A=3 mg/kg; B=2 mg/kg); vitamin B2 (A=6 mg/kg; B=4 mg/kg) and vitamin B6 (A=4,5 mg/kg; B=3 mg/kg). Therefore, eighteenth birds in each treatment (8), in four replications, were distributed in floor pens andreceived isonutritious diets, varying only in respect to the vitamins studied. Data were submitted to the analysis of variance and Tukey test. No significant differences (P>0.05) among treatments were observed for all parameters studied. Then, the results from this work suggest that the levels of vitamins B1, B2 and B6, for broilers, can be lowered to 66% of the usual levels actually used, without reduction in the performance of broilers.

Key words: broiler, pyridoxine, riboflavin, thyamine.

 

 

INTRODUÇÃO

As vitaminas são micronutrientes que devem ser adicionados à dieta, visto que, as aves tem acesso somente a ração oferecida e, os ingredientes que a compõem, não contém as vitaminas no nível adequado da demanda para um bom desempenho. A carência de vitaminas conduz a vários distúrbios metabólicos e até mesmo à morte, por isso, a suplementação adequada de vitaminas para frangos de corte, é necessária para potencializar ao máximo a capacidade genética das aves.

A vitamina B1, segundo WHITEHEAD & PORTSMOUTH (1990), tem importante função no metabolismo de carboidratos e estão presente em quase todos os tecidos vivos. Segundo GWYTHER & HOFFMANN (1992), a piridoxina participa em quase todas as funções metabólicas do metabolismo de aminoácidos, sendo fundamental na interação do metabolismo de ácidos graxos, carboidratos e aminoácidos. A riboflavina (B2), está presente em todas as células vivas, atuando como um componente das enzimas flavinas relacionadas com a transferência de hidrogênio.

Os níveis vitamínicos na dieta de frangos de corte recomendados por ANDRIGUETTO et al (1990), são de 0,5 - 1mg/kg de dieta de vit. B1 na fase inicial e terminação, níveis de 5mg/kg de dieta de vit. B2 na fase inicial e 4mg/kg na fase de terminação e níveis de 2-4mg/kg de dieta de vitamina B6 nas fases inicial e terminação. Conforme estudos realizados em frangos de corte por CLASSEN et al. (l992), com dietas suplementadas com hidrocloreto de tiamina ( 0; 4,5; 13,5 e 14mg/kg de dieta), o crescimento não foi afetado pelos tratamentos, mas a conversão alimentar foi melhorada para aves que receberam dietas suplementadas com tiamina. Testando níveis suplementares de piridoxina de zero, 2, 4, 6, 8, 10, 12 e 14mg/kg de ração, em dietas de frangos de corte, ANDRIGUETTO et al. (1987), evidenciaram a necessidade de suplementação na primeira fase (1-21 dias), tendo obtido melhor desempenho para os níveis de 2 e 4mg/kg de ração. Para a fase de 22 - 42 dias ou acumulada (1 -42) não houve diferenças para os parâmetros estudados.

O experimento teve como objetivo avaliar os efeitos de diferentes níveis das vitaminas tiamina (B1), ribofiavina (B2) e piridoxina (B6) sobre o desempenho de frangos de corte de 1-47 dias de idade.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

O presente trabalho foi desenvolvido no Setor de Avicultura do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria (RS), no período de 12 de abril a 06 de maio de 1993.

Foram utilizados 576 pintos de corte da linhagem ROSS-AG, provenientes de matrizes com 56 semanas de idade, em delineamento experimental trifatorial (23), inteiramente casualizado, onde foram testados diferentes níveis (alto = A e baixo = B) das vitaminas em estudo, sendo: vitamina B1 (A=3mg/kg, B=2mg/kg); vitamina B2 (A=6mg/kg, B=4mg/kg); vitamina B6 (A=4,5mg/kg, B=3mg/kg), com 8 tratamentos em 4 repetições, com 18 aves por tratamento (sexo em equilíbrio). Na Tabela 1, encontram-se os níveis das vitaminas não estudadas (premix basal), para as diferentes fases criatórias.

 

 

O período experimental foi constituído de três fases criatórias com três diferentes dietas isonutritivas (Tabela 2), com níveis vitamínicos decrescentes, sendo que na fase inicial (1-21 dias) foi usado 100%, para a fase de crescimento (22-40 dias) 83,33% e fase final (41-47 dias) 66,66% dos níveis vitamínicos (Tabela 3).

 

 

As aves foram alojadas em um galpão convencional e como fonte de aquecimento foi utilizado campânulas incandescentes com lâmpadas de 150 watts, do primeiro ao décimo quarto dia de vida (24 horas) e até o décimo oitavo dia somente a noite, sendo alimentadas com ração farelada e água à vontade. Os dados de ganho de peso, consumo alimentar e conversão alimentar, foram submetidos à análise de variância univariada, sendo as médias comparadas pelo teste de Tukey. O modelo matemático utilizado foi Yijkl = μ + αi + βj + γk + (βg) + Eijkl

sendo:

i = 1 ....... a
l = 1 ....... b
k = 1 ....... c
l = 1 ....... r
μ = média
αi = efeito de níveis da vitamina B1
βi = efeito de níveis da vitamina B6
gk = efeito de níveis da vitamina B2
E = erro experimental.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os dados médios obtidos para os parâmetros consumo alimentar, ganho de peso e conversão alimentar das aves nos diferentes períodos, encontram-se na Tabela 4. Não foram encontradas diferenças no consumo alimentar das aves, entre os níveis utilizados das vitaminas estudadas. Já ANDRIGUETTO et al. (1987), observaram que houve uma diminuição no consumo de ração e melhor desempenho em frangos alimentados com dietas contendo 2 e 4 mg de piridoxina/kg de ração. Entretanto, SEGATTO et al. (1993), alimentando frangos com três níveis de suplementação (3; 4,5 ou 3,75mg de vit. B6/kg de dieta), evidenciaram que um maior aporte de piridoxina não aumentou o consumo de ração.

Para os diferentes níveis da vitamina B1, não foram observados efeitos no consumo alimentar, ganho de peso e conversão alimentar, sendo estes resultados semelhantes aos encontrados por SCOTT et al. (1982), ANDRIGUETTO et al. (1990) e ROSTAGNO et al. (1983). Porém, estes mesmos autores afirmam que em relação às vitaminas B2, e B6, os níveis utilizados estão abaixo dos recomendados, o que não coincide com os resultados deste experimento.

Conforme os resultados observados por HULAN et al. (1980), a adição de tiamina não melhora a conversão alimentar das aves, o que vem de encontro aos resultados obtidos no experimento aqui relatado. Entretanto, SAROKA & COMBS (1986), testando diferentes níveis de piridoxina em frangos de corte, concluíram que a suplementação desta vitamina proporciona um aumento significativo na taxa de eficiência alimentar.

Trabalhos realizados por CLASSEN et al. (1992), ANDRIGUETTO et al. (1987) e SEGATTO et al. (1993), confirmam que para os períodos 1-40 e 1-47 dias, o desempenho dos frangos não é influenciado por diferentes níveis de piridoxina na ração, já SAROKA & COMBS (1986), relatam que a suplementação de piridoxina na dieta, aumentou a taxa de crescimento e eficiência alimentar em frangos de corte.

 

CONCLUSÃO

Níveis mais baixos que os atualmente utilizados das vitaminas tiamina (B1), ribofiavina (B2) e piridoxina (B6) em dietas de frangos de corte, podem ser usados sem prejuízo ao desempenho dos mesmos.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRIGUETTO, J.M, PERLY, L., MINARDI, I. Normas e padrões de nutrição e alimentação animal. Revisão 89/90. Curitiba, Nutrição e Editora e Publicitária, 146 p., 1990.         [ Links ]

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ROSTAGNO, H.S., SILVA, D.J., COSTA, P.M.A., et al. Composição dos alimentos e exigências nutricionais de aves e suínos. Viçosa: UFV. Impr. Univ., 61 p., 1983.         [ Links ]

SAROKA, J.M. & COMBS, Jr. G.F. The lack of effect of a pyridoxine deficiency on the utilization of the hydroxyl analogue of methionine by the chick. Poultry Science, v. 65, n. 5, p. 764-768, 1986.         [ Links ]

SCOTT, M. L., NESHEIM, M. C., YOUNG, R. J. Nutrition of chicken. Third Ed., M.L. Scott e Associates, Ithaca, N.Y., 1982.         [ Links ]

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1 Aluna do Curso de Pós-graduação em Zootecnia do Centro de Ciências Rurais (CCR), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Rua José de Souza Lima, 60, Parque Sarandi, 97095-340 - Santa Maria, RS. Autor para correspondência.

2 Professor do Departamento de Zootecnia.

3 Professor Pesquisador do CNPq.

4 Aluno do Curso de Pós-graduação em Zootecnia do CCR, UFSM.

 

Recebido para publicação em 05.01.96. Aprovado em 31.07.96

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