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Ciência Rural

Print version ISSN 0103-8478

Cienc. Rural vol.28 no.1 Santa Maria Jan./Mar. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-84781998000100024 

OBSERVAÇÕES SOBRE O MODO DE REPRODUÇÃO EM Adesmia latifolia Spreng. Vog.

 

OBSERVATIONS ON THE MODE OF REPRODUCTION OF Adesmia latifolia Spreng. Vog.

 

Solange Bosio Tedesco1 Miguel Dall'Agnol2 Maria Teresa Schifino-Wittmann3

 

- NOTA -

 

RESUMO

Um experimento foi conduzido em casa de vegetação, com plantas de um acesso de Adesmia latifolia, para fazer observações relativas ao seu modo de reprodução. As plantas foram isoladas individualmente e, após o florescimento, foram submetidas a três tratamentos: estímulo mecânico, cruzamentos manuais e isolamento. Os resultados indicaram versatilidade da espécie, a qual pode reproduzir-se por fecundação cruzada e por autofecundação.

Palavras-chave: reprodução, leguminosa, forrageira.

 

SUMMARY

An experiment was carried out to study the reproduction mode of Adesmia latifolia. The experiment was conducted in greenhouse with plants of one access of this species. The plants after flowering were isolated individually and submitted to three treatments: mechanical stimulation, hand crossing and isolation. The results showed versatility of this species which could reproduce by cross-fertilization and self-fertilization.

Key words: reproduction, leguminosae, forage.

 

 

As pastagens do Rio Grande do Sul são ricas em leguminosas e gramíneas, as quais possuem bom valor forrageiro e vêm contribuindo para o melhoramento das pastagens nativas. O melhoramento genético depende de informações básicas como o modo de reprodução, o qual indica, entre outros, o método mais adequado de melhoramento. O gênero Adesmia é exclusivamente sul-americano, tendo cerca de 230 espécies (BURKART, 1967), sendo 17 nativas do Brasil. Esse gênero foi estudado por MIOTTO & LEITÃO-FILHO (1993), com ênfase na sua taxonomia, sendo que a espécie Adesmia latifolia pertence à tribo Adesmiae. Dentre as espécies de leguminosas forrageiras, muitas são valiosas nas pastagens devido a alta qualidade e a capacidade de fixação do nitrogênio.

Dados relativos ao modo de reprodução em Adesmia são praticamente inexistentes. No entanto, IZAGUIRRE et al. (1994), menciona fatos que dão suporte à hipótese de Adesmia securigerifolia ser preferencialmente autógama. Entre as poucas leguminosas nativas estudadas está o Trifolium riograndense Burkart (BECKER et al., 1987), que é uma espécie que admite autofecundação e fecundação cruzada, necessitando porém de estímulo mecânico para produção de sementes.

O objetivo desse trabalho foi determinar a maneira preferencial pela qual, Adesmia latifolia se reproduz, considerando-se autofecundação e fecundação cruzada. Foram utilizadas 8 plantas de um acesso de Adesmia latifolia, cultivadas e mantidas em vasos plásticos, no período de setembro de 1996 a janeiro de 1997, em casa de vegetação do Departamento de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). As plantas foram isoladas individualmente por meio de armações de tela com 50cm x 50cm. Após o florescimento, as plantas foram submetidas a três tratamentos: T1 - Um total de 206 flores de 4 plantas foram marcadas com atilhos de borracha e cruzadas manualmente e aleatoriamente entre si, com o auxílio de um pedaço de cartolina em forma de cunha; T2 - Um total de 61 flores de 2 plantas foram marcadas com atilhos de borracha e receberam apenas um estímulo, também manualmente, com o auxílio de um pedaço de cartolina em forma de cunha e T3 - Um total de 120 flores de 2 plantas foram marcadas com atilhos de borracha e não foram cruzadas, nem receberam estímulo.

Os resultados obtidos demostraram que das 206 flores cruzadas entre si, 81 formaram legumes com sementes (39,32%). Das 61 flores que receberam apenas estímulo, 21 (34,42%) formaram legumes com sementes. As plantas que não foram cruzadas e nem receberam estímulo não formaram legumes. Houve diferença significativa entre os tratamentos (P<0,05) pelo teste do qui-quadrado, com o tratamento T1 não diferindo do tratamento T2 e ambos diferindo significativamente do tratamento T3.

O modo de reprodução de Trifolium riograndense Burkart estudado por BECKER et al. (1987) através de três métodos: polinização mútua, autopolinização e isolamento e os resultados demonstraram versatilidade da espécie, o que pode ser comparado com os resultados obtidos neste experimento para Adesmia latifolia. Os resultados obtidos sugerem a versatilidade da espécie Adesmia latifolia, a qual se reproduz por fecundação cruzada e por autofecundação. O fato, de não ter ocorrido formação de legumes naquelas plantas que não foram cruzadas e nem receberam estímulo, provavelmente, significa que esta espécie necessita pelo menos de estímulo mecânico para formação de sementes.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BECKER, L. C. M., SCHIFINO-WITTMANN, M. T., PAIM, N. R. Observations on the mode of reproduction of Trifolium riograndense Burkart (Leguminosae). Ciência e Cultura, São Paulo, n. 39, v. 3, p. 304-306, 1987.         [ Links ]

BURKART, A. Leguminosae. In: CABRERA, A. Flora de la Provincia de Buenos Aires, Buenos Aires, v. 4, n. 3, p. 464- 484,1967.         [ Links ]

IZAGUIRRE, P., MÉROLA, S., BEYHAUT, R. Seed ontogeny in Adesmia securigerifolia (Fabaceae-Adesmieae). Nordic Journal of Botany, Copenhagen, v. 14, n. 5, p. 547- 556,1994.         [ Links ]

MIOTTO, S. T. S., LEITÃO-FILHO, H. F. Leguminosae-Faboideae, Gênero Adesmia DC. Flora Ilustrada do Rio Grande do Sul, Boletim do Instituto de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, n. 52, p.1-157, 1993.         [ Links ]

 

 

1 Biólogo, Aluna do Doutorado em Zootecnia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Rua Conde de Porto Alegre, 1368, apto 301, 97015-110, Santa Maria, RS. Autor para correspondência.

2 Engenheiro Agrônomo, PhD., Professor Adjunto, Departamento de Plantas Forrageiras e Agrometereologia, UFRGS.

3 Biólogo, Dra., Professor Adjunto, Departamento de Plantas Forrageiras e Agrometereologia, UFRGS.

Recebido para publicação em 27.05.97. Aprovado em 10.09.97