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Ciência Rural

Print version ISSN 0103-8478On-line version ISSN 1678-4596

Cienc. Rural vol.29 no.1 Santa Maria Jan./Mar. 1999

https://doi.org/10.1590/S0103-84781999000100004 

ENRAIZAMENTO IN VITRO DO MORANGUEIRO (Fragaria x ananassa Duchesne) EM DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DO MEIO MS

 

IN VITRO STRAWBERRY (Fragaria x ananassa Duchesne) ROOTING IN DIFFERENT MS MEDIUM CONCENTRATIONS

 

Jonny Everson Scherwinski Pereira1 Valmor João Bianchi2 Leonardo Ferreira Dutra3 Gerson Renan de Luces Fortes4

 

 

RESUMO

O presente trabalho foi realizado no Laboratório de Cultura de Tecidos da EMBRAPA/CPACT, Pelotas-RS, com o objetivo de verificar o comportamento in vitro de duas cultivares de morangueiro em diferentes concentrações do meio MS. Explantes de morangueiro, cultivares Hofla e Tangi provenientes do cultivo in vitro foram cultivados em meio MS, na concentração plena, 3/4 e 1/2 adicionado de sacarose a 30g/l, mio-inositol a 100mg/l e benzilaminopurina (BAP) a 0,005mg/l. Utilizaram-se frascos com capacidade de 250ml, que continham 40ml de meio de cultura, nos quais inocularam-se cinco explantes. O cultivo foi mantido em sala de cultura, onde permaneceu por 32 dias sob fotoperíodo de 16 horas, luminância de 1500 lux e temperatura de 25°C. Os resultados indicaram que a redução na concentração dos sais MS incrementa o percentual de explantes enraizados, aumentando o número de raízes da cultivar Tangi. O maior comprimento médio de raízes foi obtido com a cultivar Hofla na concentração 3/4 e 1/2 do meio MS. Não se observaram diferenças no desenvolvimento das plântulas, entre as cultivares, com a redução das concentrações do meio MS.

Palavras-chave: morangueiro (Fragaria x ananassa Duchesne), cultura de tecidos, meio de cultura.

 

SUMMARY

The present work was carried out in the Tissue Culture Laboratory EMBRAPA/CPACT, Pelotas-RS, with the objective of verifying the behaviour in vitro of two cultivars of strawberry on different MS medium concentration. Strawberry explants, Hofla and Tangi cultivars coming from in vitro culture were tested on MS medium in the full, 3/4 and 1/2 strength suplemented with 30g/l sucrose, 100mg/l myo-inositol and 0.005mg/l benzylanimopurine (BA). Flasks (250ml) containing 40ml of medium culture with five explants per flasks were used. Cultures were maintained in a growth room at 25°C with a photoperiod of 16 h at 1.5 Klux for 32 days. Results indicated that the reduction in MS salts improved rooting explant by increasing the number of roots of the Tangi cultivar. A large root length was obtained with the Hofla cultivar in the 3/4 and 1/2 MS concentration. It was not observed any difference in the development of the plantlets among the cultivars due to the reduction in MS salts.

Key words: strawberry, (Fragaria x ananassa Duchesne), tissue culture, culture medium.

 

 

INTRODUÇÃO

A micropropagação, entre outras técnicas da cultura de tecidos de plantas, tem proporcionado a obtenção de um grande número de plantas com elevado nível qualitativo. Mais especificamente, tem permitido a eliminação, em curto espaço de tempo, de viroses do material vegetativo, proporcionando melhores benefícios aos produtores, com conseqüente aumento na produtividade (GRATTA-PAGLIA & MACHADO, 1990; NEHRA et al., 1990).

Segundo COSSIO & MENIN (1982), as primeiras pesquisas sobre a cultura in vitro de morangueiro ocorreram por volta da década de 60 e estavam essencialmente voltadas ao aspecto fitossanitário das cultivares, através da cultura de meristemas. BOXUS (1974) demonstrou a possibilidade de multiplicar o morangueiro, adotando a mistura de sais minerais proposta por VINE (1968). Inúmeros trabalhos sobre este tema já demonstravam que o morangueiro in vitro adaptava-se a diferentes misturas de sais minerais (MILLER & BELKENGREN, 1963; ADAMS, 1972; MULLIN et al., 1974).

Segundo DEBERG & MAENE (1981) existem cinco fases na micropropagação. O estádio três é onde ocorrem o alongamento e a indução radicular, sendo o ácido indolbutírico (AIB), o ácido indolacético (AIA) e o ácido naftaleno acético (ANA) as auxinas mais utilizadas para a indução radicular. No entanto, PEREIRA et al. (1995), testando concentrações de AIB e do meio MS (MURASHIGE & SKOOG, 1962) para obtenção de mudas de morangueiro (Fragaria x ananassa Duchesne), concluíram que a adição de AIB ao meio de cultura prejudicou o desenvolvimento tanto do sistema radicular, quanto da parte aérea, e que o meio MS diluído a 50% proporcionou um melhor desenvolvimento de ambas as partes, radicular e aérea. FERREIRA et al. (1996), em um trabalho com morangueiro, cultivares Konvoy 'Vila Nova' e 'Campinas', em diferentes concentrações de sais do meio MS, concluíram que os meios, contendo baixas concentrações de sais, favoreceram o enraizamento e a formação de raízes em ambas as cultivares.

O presente trabalho teve por objetivo verificar o enraizamento in vitro de explantes de morangueiro (Fragaria x ananassa Duchesne), cultivares Hofla e Tangi, em diferentes concentrações do meio MS.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado no Laboratório de Cultura de Tecidos da EMBRAPA/CPACT, Pelotas, RS. Para o experimento, utilizaram-se explantes de plantas de morangueiro (Fragaria x ananassa Duchesne), cultivares Hofla e Tangi, provenientes de cultivo in vitro.

O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, constando de cinco repetições por tratamento. Os tratamentos seguiram um esquema fatorial 2x3, com duas cultivares, Hofla e Tangi, e três concentrações do meio MS (plena, 3/4 e 1/2, adicionado de sacarose a 30g/l, mio-inositol a 100mg/l, BAP a 0,005mg.l-1, ágar a 6g/l e vitaminas do meio MS). Antes da autoclavagem, o pH foi ajustado para 5,8 ± 0,1.

Utilizaram-se frascos com capacidade para 250ml, contendo 40ml de meio de cultura. Inocularam-se cinco explantes por frasco e as observações foram realizadas em intervalos de cinco dias. As condições de cultivo fornecidas foram: fotoperíodo de 16 horas, luminância de 1500 lux e temperatura de 25±2°C.

Foram avaliados a percentagem de explantes enraizados, o número de raízes formadas, o comprimento de raízes e o aspecto geral das plântulas, após 32 dias de cultivo. Esta última variável foi avaliada, em função do desenvolvimento dos explantes, através da atribuição de notas de 1 a 3, onde a nota ´1´ correspondeu a explantes pouco desenvolvidos, ´2´ a explantes medianamente desenvolvidos  e ´3´ a explantes  bem desenvolvidos. A comparação entre médias foi realizada pelo teste de Duncan em nível de 5% de probabilidade. Os dados sobre a percentagem de explantes enraizados foram transformados segundo arco seno; os dados sobre o aspecto geral (notas), segundo transformação logarítmica. Os dados sobre o comprimento de raízes não foram transformados. Utilizou-se nas análises o SANEST (ZONTA & MACHADO, 1984).

 

RESULTADOS E DISCUSSÕES

O maior percentual de explantes enraizados, entre as cultivares, foi obtido utilizando-se a concentração 1/2 do meio MS (Tabela 1). Na cultivar Hofla, as concentrações 3/4 e 1/2 do MS, proporcionaram maior percentagem de explantes enraizados, quando comparadas à concentração plena do MS. Estes resultados estão de acordo com os obtidos por FERREIRA et al. (1996), que também observaram que a redução nas concentrações do meio MS favoreceram o enraizamento das brotações. Entretanto, em relação à cultivar Tangi, não ocorreram diferenças entre as concentrações do meio MS.  Segundo GRATTAPAGLIA & MACHADO (1990), mesmo na presença de auxinas, altas concentrações de sais podem inibir as fases de enraizamento, mais particularmente a de crescimento das raízes. Embora as variações sejam inúmeras, conforme a espécie e o sistema de enraizamento, diluições na concentração de sais do meio MS são freqüentes nesta fase (ZIMMERMAN & BROOME, 1979; WERNER & BOE, 1980; FERREIRA et al., 1996).

A cultivar Hofla antecipou o período de enraizamento dos explantes. Desta forma, a partir dos 17 dias de cultivo, não mais observou-se diferenças na percentagem total de explantes enraizados. Já para a cultivar Tangi, somente aos 21 dias de cultivo é que não foram mais observadas diferenças significativas na percentagem total de explantes enraizados, nas diferentes concentrações de meio MS utilizadas (Figura 1).

 

 

A concentração 1/2 do meio MS foi a que promoveu a formação de um maior número de raízes nas duas cultivares testadas. Nesta concentração, a cultivar Tangi apresentou um maior número de raízes do que a cultivar Hofla. Observou-se também, que não houve diferenças significativas nas concentrações 3/4 e 1/2 do MS, para a cultivar Hofla (Tabela 1). FERREIRA et. al. (1996) constataram que os meios, contendo baixas concentrações de sais, favoreceram o desenvolvimento de raízes primárias e secundárias em duas cultivares de morangueiro.

Observou-se um crescimento linear no número de raízes formadas com o aumento no número de dias de cultivo, para ambas as cultivares (Figura 2). O mesmo comportamento linear foi verificado nas diferentes épocas de cultivo para as concentrações do meio MS (Figura 3). Constatou-se que o número de raízes aumenta, nas três concentrações do meio MS, com o aumento nos dias de cultivo, sendo que na concentração 1/2 do MS, houve a formação de um número maior de raízes.

 

 

 

 

Na concentração plena do meio MS, a cultivar Tangi apresentou um comprimento de raízes maior do que a cultivar Hofla, ocorrendo o contrário na concentração 1/2 do MS. Já na concentração 3/4 do MS, não ocorreram diferenças entre as duas cultivares. As diferenças ocorridas podem ser devidas às características genéticas de cada cultivar. Houve diferenças significativas no comprimento das raízes em relação às concentrações do meio MS na cultivar Hofla, sendo o melhor resultado obtido na concentração 1/2 do MS. Este resultado evidencia que, para a cultivar Hofla, a redução nas concentrações do meio MS é benéfica para o aumento no comprimento de raízes. Na cultivar Tangi, apesar do aumento, não houve diferenças significativas no comprimento das raízes em relação às diferentes concentrações do meio MS utilizadas (Tabela 1).

Verificou-se que as cultivares diferenciaram-se significativamente em relação ao aspecto geral da planta, somente na concentração plena do meio MS (Tabela 1). Isto pode ser devido às diferenças genéticas entre as cultivares, conforme evidenciado por GEORGE & SHERINGTON (1984). Na cultivar Hofla, as concentrações 3/4 e 1/2  do meio MS, foram superiores à concentração plena. Já para a cultivar Tangi, a redução do meio MS não proporcionou diferenças no aspecto geral das brotações.

 

CONCLUSÕES

A redução na concentração de sais do meio MS incrementa positivamente a percentagem de explantes enraizados do morangueiro na cultivar Hofla e aumenta o número e o comprimento de raízes, e melhora o aspecto geral das plântulas formadas, das cultivares Hofla e Tangi. A cultivar Tangi emite maior número de raízes, do que a cultivar Hofla, quando a concentração de sais do meio MS é reduzida para 1/2.

 

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1 Engenheiro Agrônomo, Mestre em Agronomia, Área de Fruticultura de Clima Temperado, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (FAEM), Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Caixa Postal 354, 96010-900, Pelotas, RS. E-mail: jscherwi@ufpel.tche.br. Autor para correspondência.

2 Engenheiro Agrônomo, Mestre em Agronomia, Área de Fruticultura de Clima Temperado da FAEM/UFPEL.

3 Engenheiro Agrônomo, Doutorando do Curso de Pós-graduação em Agronomia, Área de Fruticultura de Clima Temperado, FAEM/UFPEL.

4 Engenheiro Agrônomo, Pesquisador da EMBRAPA-CPACT, Pelotas, RS.

Recebido para publicação em 17.12.97. Aprovado em 29.07.98

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