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Ciência Rural

Print version ISSN 0103-8478On-line version ISSN 1678-4596

Cienc. Rural vol.30 no.3 Santa Maria May/June 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-84782000000300022 

PRODUÇÃO ANIMAL / ANIMAL PRODUCTION

 

Ácidos orgânicos em rações de poedeiras comerciais

 

Supplementation with organics acids in diet of laying hens

 

Nilce Maria Soares Queiroz Gama1 Maria Beatriz Cardoso de Oliveira2 Elizabeth Santin3 Ângelo Berchieri Junior4

 

 

RESUMO

Desenvolveu-se este trabalho com o objetivo de avaliar o efeito de ácidos orgânicos adicionados à dieta de aves de postura. Foram utilizadas 75 frangas Isa Brown de 4 meses de idade, divididas em três grupos experimentais (I, II e III) de 25 aves cada e avaliadas por um período de 8 semanas. O grupo I recebeu ração tratada com ácidos orgânicos por quatro semanas, enquanto que o grupo II recebeu ração com ácidos orgânicos por oito semanas, permanecendo o grupo III sem a suplementação de ácidos orgânicos durante todo o período experimental, sendo definido como grupo controle. Ao final do experimento, foram observados dados de produção de ovos, peso das aves, qualidade e peso de ovos. Os resultados demonstraram que a produção de ovos foi melhor nas aves tratadas com o aditivo acidificante (grupos I e II), sendo que os acidificantes também proporcionaram um melhor peso corporal nas aves (P<0,05). A qualidade e o peso dos ovos não foram afetados pela suplementação desses aditivos.

Palavras-chave: poedeiras, ácidos orgânicos, produção de ovos, qualidade de ovo, desempenhos.

 

SUMMARY

Organic acids are incorporated to the poultry feeds to control Salmonella and moulds. However, there is little information about its effect on the performance of laying hens. Thus, this work was undertaken to study the incorporation of organic acids on the laying hens eggs production. They were placed in 3 groups of 25 animals. Birds in group I were fed with ration containing organic acid for 4 weeks; birds in group II received ration containing organic acid for 8 weeks, and birds in group III were fed with ration without organic acid (Control group). Egg production, body weight, egg weight and egg quality were the analyzed parameters. With base on the results of the incorporation of organic acid into the feed for 4 or 8 weeks improved the egg production, and the body weight (P>0.05) but the egg weight and egg quality were not affected.

Key words: laying hens, organics acids, eggs production, egg quality, performance.

 

 

INTRODUÇÃO

A utilização de ácidos orgânicos como aditivos em rações para aves tem crescido muito nos últimos anos. A aplicabilidade dessas substâncias está associada ao seu efeito inibidor sobre o desenvolvimento microbiano e sua influência sobre a disponibilidade de matérias primas. Diversos autores (HINTON & LINTON, 1988; IBA & BERCHIERI, 1995; OLIVEIRA et al., 1996) têm sugerido o uso de ácidos orgânicos em dietas de aves, com o objetivo de diminuir a contaminação por bactérias. A utilização desse aditivo também tem sido recomendada com o intuito de controlar a presença de fungos nas rações (DIXON & HAMILTON, 1981 e DARI et al., 1995), pois, de acordo com BARTOV et al. (1982), o uso de grãos fungados, mesmo sem a presença de micotoxinas, podem comprometer o desempenho de frangos de corte, uma vez que os fungos são capazes de produzir lipases que atuam nos cereais, diminuindo o seu valor nutricional. Este fato foi demonstrado por BARTOV (1985), o qual observou que a presença de ácidos propiônico e sórbico foi eficiente na prevenção do decréscimo do teor de gordura em rações contendo grãos fungados. CHERRINGTON et al. (1991) acreditam que os ácidos comprometem algumas funções vitais dos microorganismos, como transporte de substrato, pH citoplasmático e síntese de macromoléculas. PENZ (1991) refere de que os ácidos orgânicos reduzem o pH do estômago, além de aumentar a atividade de certas enzimas e melhorar a digestibilidade de alguns nutrientes. Um estudo realizado por IZAD et al. (1990) demonstrou que a acidificação da dieta de frangos de corte com ácido propiônico proporcionou melhor rendimento de carcaça e a redução no número total de coliformes no duodeno, jejuno e íleo das aves suplementadas. No entanto, CAVE et al. (1984) encontraram redução no consumo de ração e no ganho de peso de frangos de corte suplementados com acidificantes na dieta. PENZ et al. (1993) concluíram que se fazem necessários mais estudos para esclarecer a ação desses aditivos e sua aplicabilidade prática em dietas para aves, tendo visto que os resultados podem variar dependendo da idade e do peso da ave, além, é claro, do tipo de dieta e do tempo de suplementação com o produto. Observando que poucos trabalhos fazem referência à utilização desses ácidos em dietas de poedeiras, o presente trabalho foi desenvolvido visando determinar o efeito da adição de ácidos orgânicos no desempenho de poedeiras comerciais.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram alojadas, em gaiolas individuais (25x40x35cm), 75 frangas Isa Brown de 20 semanas de idade no biotério experimental do Laboratório de Patologia Avícola do Instituto Biológico de Bastos/SP. Durante um período de 3 semanas, os animais permaneceram em adaptação ambiental e, na 24a semana de vida das aves, iniciou-se o período de avaliação que teve duração de oito semanas, no qual elas foram divididas em três grupos (I, II e III) de 25 aves cada, sendo que cada ave constituía uma unidade experimental. Os animais do grupo I receberam ração tratada com um produto à base de ácidos orgânicos (Laynexa) por quatro semanas, enquanto que o grupo II continuou recebendo o mesmo tratamento durante oito semanas, e o grupo III não recebeu tratamento com ácidos orgânicos, permanecendo como controle durante todo o período experimental (Tabela 1).

 

 

Durante todo o experimento, as aves foram submetidas ao manejo usual em avicultura de postura, sendo alimentadas com ração balanceada oriunda de uma fábrica de ração comercial. O acidificante, composto pelos ácidos fumárico (0,5%), lático (5,13%), cítrico (5,44%) e ascórbico (1,2%), foi incorporado à ração em misturador tipo "Y" numa proporção de 0,05%. O delineamento utilizado foi inteiramente casualizado e os dados de produção de ovos, peso das aves, peso e qualidade de ovos (unidades Haugh) foram analisados em 3 períodos: 1º período (referente a 24ª até a 28ª semana de vida das aves), 2º período (29ª até 32ª semana de vida das aves), 3º período (24ª até 32ª semana de vida das aves), e submetidos a uma análise de variância, pelo teste de F, em nível de 95% de probabilidade.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os dados de produção de ovos (Tabela 2) demonstraram que a adição de ácidos orgânicos à dieta aumentou a produtividade das aves, o que pode ser observado nos grupos I e II nos quais a média para esse parâmetro se apresentou superior (P<0,05), quando comparado ao grupo III, durante os três períodos de avaliação. Esses resultados sugerem que a acidificação da dieta pode proteger as aves de microorganismos que prejudicam o desempenho, o que foi bem documentado por CHERRINGTON et al.(1991), WALDROUP et al. (1995) e DARI et al. (1995). O grupo I, apesar de ter uma produção de ovos melhor que o controle, apresentou uma queda na produção no 2o período de avaliação, referente ao momento em que parou de receber a suplementação, fato este que está de acordo com HUMPHREY & LANNING (1988), os quais também observaram que esses aditivos devem ser fornecidos durante todo o período de criação. Os resultados observados, no presente experimento, talvez, possam ser explicados pelas constatações de BURNELL et al. (1988) e PENZ (1991) os quais sugerem que os ácidos orgânicos podem favorecer a ativação enzimática gastrointestinal, aumentando a digestibilidade dos nutrientes da dieta e, dessa forma, podem influenciar na resposta do animal a diferentes agentes bacterianos, conseqüentemente, melhorando o seu desempenho zootécnico.

 

 

Quando são avaliados os dados de peso corporal (Tabela 3), pode-se observar que os grupos I e II, também, apresentaram maior peso das aves quando comparados ao grupo controle. Assim, pode-se constatar que a acidificação da dieta exerce um efeito protetor, sugerindo que, à semelhança do que foi observado para produção de ovos, seja uma resposta às melhores condições do trato gastrointestinal proporcionadas pelos ácidos orgânicos. Esse fato conduz à hipótese de que esses aditivos poderiam estar colaborando para manutenção do bom estado físico das aves e estão de acordo com PATTEN & WALDROUP (1988) que demonstraram um melhor ganho de peso em frangos de corte suplementados com 1% de ácido fumárico na dieta. Apesar disso, CAVE (1984), fazendo referência a outros autores, cita que o nível de 6 g/kg de ácido propiônico na dieta pode causar redução na ingestão de alimentos e no ganho de peso de frangos de corte, sugerindo que esses ácidos comprometem a palatabilidade da dieta, reduzindo o consumo das aves.

 

 

Não foi observada diferença significativa (P>0,05) para média de unidades Haugh, nos diferentes grupos do presente experimento apresentados na tabela 4. A qualidade interna de ovos, medida por unidades Haugh (GARCIA, 1991), está ligada à nutrição, linhagem e idade da ave, bem como à temperatura de armazenagem dos ovos (BRAKE, 1995); dessa forma, tendo pouca correlação com a presença de acidificantes na dieta. Na tabela 5, é apresentado o peso médio dos ovos, parâmetro que, segundo BRAKE (1995), está mais relacionado à idade, genética e tamanho da ave, de forma que esta poderia ser a explicação para que não houvesse diferença entre os diferentes grupos experimentais.

 

 

 

 

CONCLUSÕES

Os resultados obtidos neste estudo permitem afirmar que, nas condições experimentais utilizadas, a adição de ácidos orgânicos apresenta um efeito positivo sobre a produção de ovos e peso das aves, todavia, não interferem na qualidade interna dos ovos e no peso dos ovos.

 

FONTE DE AQUISIÇÃO

a- Laynex: QUINABRA - Química Natural Brasileira. São José dos Campos, SP.

 

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1PqCIII, Instituto Biológico, Laboratório de Patologia Avícola de Bastos, Aluna de Pós-graduação da UNESP, Jaboticabal, Av. Gaspar Ricardo, 1700, 17690-000, Bastos, SP. E-mail: besantin@fcav.unesp.br. Autor para correspondência.

2Diretora técnica do IGI, Vinaland Laboratories.

3Aluna de Pós-graduação da UNESP, Jabotical.

4Professor, Departamento de Patologia Veterinária, UNESP, Jaboticabal.

Recebido para publicação em 25.03.99. Aprovado em 18.08.99

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