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Ciência Rural

Print version ISSN 0103-8478On-line version ISSN 1678-4596

Cienc. Rural vol.30 no.5 Santa Maria Sept./Oct. 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-84782000000500026 

PARASITOLOGIA / PARASITOLOGY

 

ATIVIDADE OVICIDA DE DOIS FÁRMACOS EM CAPRINOS NATURALMENTE PARASITADOS POR NEMATÓDEOS GASTRINTESTINAIS, RS, BRASIL

 

OVICIDAL ACTIVITY OF TWO MEDICAMENTS AGAINST GOAT GASTROINTESTINAL NEMATODE IN RS, BRAZIL

 

Mary Jane Tweedie de Mattos1 Verônica Schmidt2 Cristine Dossin Bastos3

 

- NOTA -

 

 

RESUMO

A eficácia comparativa entre levamisole em duas doses diferentes e closantel foi avaliada sobre ovos de nematódeos gastrintestinais de caprinos naturalmente parasitados. Observou-se que a redução de ovos de nematódeos gastrintestinais foi de 93,23%, 91,25% e 70,42% nos grupos medicados com levamisole 8mg/kg, levamisole 11mg/kg e closantel 10mg/kg, respectivamente. O teste de desenvolvimento embrionário revelou que levamisole, nas duas doses, foi eficaz sobre Haemonchus spp., Ostertagia spp., Cooperia spp. e Oesophagostomum spp. O closantel não foi eficaz para Cooperia spp e Oesophagostomum spp.

Palavras-chave: caprinos, anti-helminticos, nematódeos gastrintestinais.

 

SUMMARY

The efficacy of the anthelmintics levamisole in two different doses (8mg/kg and 11mg/kg) and closantel (10mg/kg) were compared against gastrointestinal nematodes in naturally infected goats. The reduction on the faecal egg count was 93.23% in the group treated with levamisole at the dose of 8mg/kg, 91.25% in the group treated with the dose of 11mg/kg and 70.42% in the group treated with closantel. The anthelmintic levamisole was effective against Haemonchus spp., Ostertagia spp., Cooperia spp and Oesophagostomum spp. However, closantel wasn't effective against Cooperia spp and Oesophagostomum spp.

Key words: goat, anthelmintic, gastrointestinal nematode.

 

 

A caprinocultura vem se expandindo nos últimos anos e um dos problemas enfrentados pelos criadores é o controle das doenças parasitárias, em particular as helmintoses gastrintestinais Como forma de controle das helmintoses, os criadores utilizam anti-helminticos nas mesmas doses daqueles preconizados para ovinos. Na literatura, estão registrados vários trabalhos de pesquisa relativos a eficácia dos benzimidazóis sobre nematódeos gastrintestinais de ovinos e caprinos (WALLER, 1986; COLES & ROUSCH, 1992; CABARET, 1995). Em relação especificamente aos caprinos, estão descritos os experimentos de GUHA & BANERJEE (1987), COLES et al.(1989), MWAMACHI et al. (1995), MAINGI et al.(1996) e HONG et al. (1996) que testaram levamisole e os benzimidazóis. A eficácia do closantel foi verificada por MWAMACHI et al. (1995), em ovinos no Kenya, por UPPAL et al. (1993) em caprinos, na India e por DORNY et al. (1994) em caprinos da Malasia. No Brasil, vários pesquisadores verificaram a ação anti-helmíntica do levamisole, albendazole e parbendazole em caprinos naturalmente parasitados por nematódeos gastrintestinais, como Vieira (1986) apud VIEIRA e CAVALCANTE (1998) no Estado do Ceará, CHARLES et al.(1989), em Petrolina e SANTOS et al. (1993) também em Pernambuco. Em relação ao closantel em caprinos, não há relatos no Brasil. O experimento foi desenvolvido no município de Gravataí-RS com o objetivo de verificar a eficácia de closantel e levamisole em caprinos adultos, naturalmente parasitados por nematódeos gastrintestinais.

A propriedade selecionada localiza-se no município de Gravataí (Grande Porto Alegre), sendo o plantel composto por 60 caprinos da raça anglonubiana. O regime de criação é do tipo semi-extensivo, onde os animais são recolhidos no galpão só à noite. Os animais, num total de 40 caprinos adultos, com peso médio de 40kg, foram selecionados baseados no exame parasitológico de fezes e separados em 4 grupos. No grupo A, os caprinos receberam closantel 10mg/kg via oral; no grupo B, os caprinos receberam levamisole 8mg/kg via subcutânea; no grupo C, os caprinos receberam levamisole 11mg/kg via subcutânea; e, no Grupo D (controle), os animais receberam placebo. Amostras fecais dos animais foram colhidas diretamente do reto, no dia da medicação (dia zero) e sete dias após, sendo processadas pelo método de Gordon & Withlock modificado com a câmara de McMaster e Robert's O'Sullivan apud UENO & GONÇALVES, 1998. Além disso, foram colhidas amostras fecais de todos os caprinos a cada duas horas. A eficácia dos anti-helmínticos foi realizada baseada na redução do opg (ovos por grama de fezes) comparando os dias zero e sete.

Os resultados evidenciaram uma redução do opg (ovos de nematódeos gastrintestinais por grama de fezes) de 70,42%, 93,30% e 91,25% nos grupos A, B e C, respectivamente (Tabela 1). Não houve diferença significativa entre as doses de levamisole. A coprocultura do dia zero revelou que a prevalência foi maior de larvas do gênero Haemonchus spp., nos grupos A, B e C e de Ostertagia spp. no grupo D (Tabela 2). No sétimo dia após a medicação, não houve desenvolvimento de larvas nos grupos B e C, embora tenham sido observados ovos de Strongyloidea (média de opg foi de 90 e 70, respectivamente) estes não eram viáveis. No grupo A, foram observadas larvas de Cooperia spp. (85%), e Oesophagostomum spp. (15%) e, no grupo D, foram observadas larvas de Haemonchus (42%), Cooperia (28%) Ostertagia spp. (25%) e Oesophagostomum spp. spp. (5%). O Closantel (grupo A) funcionou bem sobre Haemonchus spp. e Ostertagia spp., pois não houve desenvolvimento de larvas desses gêneros no sétimo dia após a medicação. Em relação a Cooperia spp. e Oesophagostomum spp, ele não foi eficaz, pois houve desenvolvimento de larvas após a medicação. Com relação à presença de ovos nas fezes dos animais, verificou-se que após 6 horas do tratamento realizado, os animais ainda expeliam ovos de gastrintestinais viáveis, o que pode ser comprovado pelas coproculturas realizadas (Tabela 2). Os resultados das coproculturas revelaram que os gêneros existentes nos diferentes grupos foram os mesmos, variando apenas suas prevalências. O Haemonchus foi o gênero que já na coleta das 2 horas se manteve como o mais prevalente em todos os grupos, até a coleta das 6 horas. Os dados da presente pesquisa se aproximam das observações realizadas por SANTOS et al. (1993) que verificaram uma eficácia de 93,6% sobre Haemonchus spp., embora tenham utilizado uma dose de LBZ maior. O mesmo autor, quando utilizou cloridrato de levamisole na dose de 7,5mg/kg verificou que ele não tinha efeito sobre Oesophagostomum spp. atribuindo a isto o uso de uma cepa resistente ao levamisole. Em relação ao closantel, UPPAL et al. (1993) e DORNY et al.(1994) observaram que esse princípio ativo na dose de 10mg/kg apresentou uma eficácia de 100% sobre Haemonchus spp. que coincide com o presente estudo (Tabela 1). Os resultados do presente estudo permitem concluir que a dose de levamisole a ser usada no caso de infecções mistas pelos gêneros Haemonchus, Ostertagia, Cooperia, Ostertagia, Cooperia e Oesophagostomum é de 8mg/kg, não havendo diferença significativa com a dose de 11mg/kg. Além disso, o closantel a 10mg/kg foi eficaz sobre Haemonchus spp. e Ostertagia spp. Finalmente, para que os anti-helmínticos tenham efeito ovicida é necessário que os caprinos permaneçam, pelo menos, 6 horas presos antes de serem soltos após a medicação.

 

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1Médico Veterinário, Professor Adjunto, Faculdade de Veterinária, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Av.Bento Gonçalves, 9090, 91540-000, Porto Alegre - RS. E-mail: maryvet@vortex.ufrgs.br

2Médico Veterinário, Professor Assistente, Faculdade de Veterinária, UFRGS.

3Médico Veterinário, Mestrando do Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias da Faculdade de Veterinária, UFRGS.

Recebido para publicação em 30.12.98. Aprovado em 01.03.00

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