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Ciência Rural

versão impressa ISSN 0103-8478versão On-line ISSN 1678-4596

Cienc. Rural v.31 n.4 Santa Maria jul./ago. 2001

https://doi.org/10.1590/S0103-84782001000400029 

PITIOSE

 

PYTHIOSIS

 

Alexandre Trindade Leal1 Adriana Bardemaker Monteiro Leal1 Eduardo Furtado Flores2 Janio Morais Santurio3

 

- REVISÃO BIBLIOGRÁFICA -

 

 

RESUMO

A pitiose é uma enfermidade granulomatosa crônica, principalmente do tecido subcutâneo, causada pelo Oomiceto Pythium insidiosum que acomete humanos e animais. A espécie eqüina é a mais atingida, havendo vários relatos da doença no Brasil. A enfermidade destaca-se pela dificuldade de tratamento, representando um risco importante para a vida de animais e humanos afetados. O diagnóstico precoce e correto é fundamental para o sucesso da terapia. A dificuldade de tratamento deve-se à ausência de drogas antifúngicas ativas contra o agente. Recentemente, a imunoterapia tem surgido como uma alternativa terapêutica potencial. Nesse artigo, os aspectos micológicos, epidemiológicos, clínicos e histopatológicos da pitiose nas diferentes espécies são revisados. As técnicas diagnósticas disponíveis e as perspectivas terapêuticas também são abordadas.

Palavras-chave: pitiose, Pythium insidiosum, eqüino, imunoterapia, Oomicetos.

 

SUMMARY

Pythiosis is a chronic granulomatous disease, mainly of the subcutaneous tissue, caused by the Oomycete Pythium insidiosum. The disease affects humans and several domestic animal species, representing a potential hazard to human and animal health. Horses are the most affected species and equine pythiosis has been frequently described in Brazil. The disease is characterized by unresponsiveness to traditional therapies since anti-fungal drugs are not active against P. insidiosum. Recently, immunotherapy has emmerged as a promising therapy. An early and accurate diagnosis is pivotal towards a successfull treatment. This article reviews the main mycological, epidemiological clinical and pathological aspects of pythiosis in different species. The currently available diagnostic techniques and the therapeutical perspectives are also discussed.

Key words: pitiose, Pythium insidiosum, eqüino, imunoterapia, Oomicetos.

 

 

INTRODUÇÃO

A pitiose é uma doença granulomatosa que atinge eqüinos, caninos, bovinos, felinos e humanos e ocorre em áreas tropicais, subtropicais ou temperadas (MEIRELES et al., , 1993; MENDOZA et al., , 1996), causada pelo Oomiceto Pythium insidiosum (DE COCK et al., 1987). A espécie eqüina é a mais atingida, principalmente nas formas cutânea e subcutânea, seguido dos caninos (MENDOZA et al.,, 1996). A enfermidade em eqüinos caracteriza-se pela formação de granulomas eosinofílicos, com a presença de massas necróticas chamadas de kunkers (MENDOZA & ALFARO, 1986; MEIRELES et al., , 1993). Em humanos, a doença apresenta-se nas formas oftálmica, subcutânea e sistêmica, sendo as duas últimas associadas a a e b-talassemias, comuns no Sudeste da Ásia (IMWIDTHAYA, 1994; IMWIDTHAYA, 1995).

Vários tratamentos têm sido utilizados, principalmente em eqüinos, incluindo o uso de métodos químicos (antifúngicos), cirúrgicos e imunoterápicos. A imunoterapia, proposta inicialmente por MILLER (1981), surgiu como uma alternativa concreta para o controle da doença e tem apresentado resultados promissores (MONTEIRO, 1999).

Histórico e taxonomia

O agente da pitiose (Pythium insidiosum) é um pseudo-fungo. O primeiro isolamento desse organismo filamentoso foi realizado em 1901 por Haan & Hoogkamer, a partir de granulomas subcutâneos em eqüinos. Esses autores chamaram a doença de "hyphomycoses destruens", porém não conseguiram classificar o agente. Somente em 1961 o agente foi identificado, recebendo o nome de Hyphomyces destruens (MENDOZA et al., , 1996). Em 1974, Austwick & Copland verificaram a capacidade desse agente em produzir zoosporos biflagelados, permitindo classificá-lo como um fungo da família Pythiaceae, ordem Peronosporales que deveria ser incluído no gênero Pythium. No entanto, a denominação Hyphomyces destruens continuou sendo utilizada nas descrições da doença (McMULLAN et al., , 1977; MURRAY et al., , 1978).

Em 1980, ICHITANI & AMEMIYA compararam as características reprodutivas de diferentes espécies de Pythium e classificaram um isolado de eqüino como Pythium gracile Middleton, 1943. Em 1987, DE Cock et al. analisaram isolados de eqüinos, bovinos, cães e humanos e concluíram que se tratava do mesmo organismo, o qual foi denominado Pythium insidiosum e que essa nova espécie era igual as anteriormente descritas (Pythium sp - -Austwick e Copland; Pythium gracile – Ichitani e Amemiya; e Hyphomyces destruens Bridges e Emmons). Também em 1987, Shipton (MENDOZA & MARIN, 1989) analisou um isolado de eqüino da Austrália e classificou-o como uma nova espécie: Pythium destruens. . A nomenclatura Pythium insidiosum foi definitivamente estabelecida em 1989, quando MENDOZA & MARIN demonstraram que os isolados P. insidiosum (De Cock) e P. destruens (Shipton) apresentavam o mesmo perfil antigênico.

Embora o nome do agente tenha sido estabelecido, a sua classificação taxonômica continuou sendo discutida nos anos seguintes. Segundo DE COCK et al. (1987), os Oomicetos são seres eucariotas produtores de zoósporos biflagelos, característica comum ao Pythium insidiosum, , incluindo-o na ordem Peronospolares, , filo Oomycota e reino Protista.. MENDOZA et al. (1996), apresentaram o P. insidiosum como um organismo do reino Chromista, filo Pseudo-fungi, classe Oomycetes, ordem Pythiales, e família Pythiaceae. Entretanto, estudos detalhados sobre a classificação dos fungos dividiram os organismos anteriormente classificados como fungos em três reinos: Fungi, Stramenopila e Protista (ALEXOPOULOS et al., 1996). Baseado nessa classificação, o agente etiológico da pitiose pertence ao reino Stramenopila, filo Oomycota, família Pythiaceae, gênero Pythium e espécie P. insidiosum.

Pythium insidiosum

O gênero Pythium pertence ao filo Oomycota, cujos membros caracterizam-se por: 1. produção de zoosporos biflagelados (rep. assexuada); 2. reprodução sexuada oogâmica; 3. parede celular composta de b-glucanos, celulose e hidroxipolina; 4. talo diplóide; 5. mitocôndria com crista tubular; 6. características moleculares e bioquímicas próprias, como uma rota alternativa para síntese de lisina (MOORE-LANDECKER, 1996; ALEXOPOULOS et al., 1996). Esse gênero possui mais de 120 espécies, sendo a maioria habitantes do solo e patógenos de plantas, especialmente a doença damping-off, que causa prejuízos na agricultura. Algumas espécies tem sido estudadas para utilização como controle biológico (de outros fungos e larvas de mosquitos), enquanto apenas o P. insidiosum é conhecido como patógeno de mamíferos e plantas. A identificação das espécies de Pythium não é uma tarefa fácil, pois baseia-se nas características morfológicas dos zoosporângios, zoosporos, oogônias e anterídios (ALEXOPOULOS et al., 1996; MOORE-LANDECKER, 1996).

Epidemiologia

A pitiose ocorre em regiões de clima tropical, subtropical e temperado, tendo sido descrita nas Américas, alguns países europeus e sudeste asiático (CHAFFIN et al., 1995; FOIL, 1996; MENDOZA et al., 1996). Não há predisposição por sexo, idade ou raça, e a fonte de infeção são os zoosporos ambientais, não havendo relatos de transmissão direta entre animais e entre animais e o homem (MENDOZA et al., 1996).

As condições ambientais são fundamentais para o desenvolvimento do organismo no meio ambiente. Para a produção de zoosporos são necessárias temperaturas entre 30 e 40ºC e o acúmulo de água em banhados e lagoas (MILLER & CAMPBELL, 1982a). A grande maioria dos casos de pitiose são observados durante ou após a estação chuvosa. Baseados nos dados epidemiológicos, acredita-se na existência de um período de incubação de várias semanas. No Pantanal Matogrossense, a maioria dos casos de pitiose eqüina são registrados entre os meses de fevereiro e maio (verão-outono), período que corresponde ao ápice das cheias. A maioria dos 38 casos de pitiose observados por TABOSA et al. (1999) na Paraíba, foram registrados nos meses de julho a outubro, sete a dez meses após o início das chuvas.

Em 1983, MILLER propôs um ciclo ecológico para descrever o comportamento ambiental e a cadeia infecciosa desse organismo. O ciclo baseia-se na colonização de plantas aquáticas, que servem de substrato para o desenvolvimento e reprodução do organismo, dando origem aos zoosporângios. Os zoosporos livres na água, movimentam-se até encontrar outra planta (ou animal), na qual se encistam e emitem o tubo germinativo, dando origem a um novo micélio e completando o seu ciclo. Análises in vitro demonstraram a quimiotaxia dos zoosporos por pêlos e por tecidos animais e vegetais, atribuída à substâncias presentes nesses tecidos. Uma substância amorfa é liberada pelo zoosporo após o seu encistamento, provavelmente em resposta ao fator quimiotáxico do hospedeiro. Essa substância atuaria como um adesivo para fixar o zoosporo a superfície do hospedeiro e permitir a formação de tubo germinativo (MENDOZA et al., 1993). Essas observações sustentaram a teoria de infecção, sugerindo que os eqüinos em contato com águas contaminadas poderiam atrair os zoosporos, os quais germinariam a partir de uma pequena lesão cutânea (MILLER, 1983; MENDOZA et al.,, 1993). Outros autores sugeriram a possibilidade de penetração dos zoosporos através dos folículos pilosos, baseados na detecção de hifas no interior do folículo de bovinos infectados naturalmente e no fato do quimiotaxismo ser mais ativo na região do pêlo encontrada dentro do folículo piloso (SANTURIO et al.,,1998). Essa observação pode questionar a necessidade de lesão na pele para que ocorra a germinação dos zoosporos. Além disso, diferenças individuais de suscetibilidade, ao exemplo do que ocorre em humanos (talassemia), parecem ocorrer também em eqüinos.

No Brasil, a pitiose já foi descrita em eqüinos, bovinos e caninos. A maioria dos casos corresponde a lesões cutâneas em eqüinos. O primeiro relato ocorreu no Rio Grande do Sul, por Santos & Londero (1974). Os relatos de pitiose eqüina no Brasil somam mais de 90 casos e têm sido descritos em vários estados como Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco e São Paulo (CARVALHO et al., 1984; SANTOS et al.,, 1987; MEIRELES et al.,, 1993; MORAL et al.,, 1997; TURY & CORÔA, 1997; TABOSA et al.,, 1999). Além dos casos publicados, relatos informais de médicos veterinários indicam a presença da doença em vários estados brasileiros. O Pantanal brasileiro é provavelmente o local de maior ocorrência de pitiose eqüina do mundo (MENDOZA et al., 1996). O Pantanal é uma planície inundável de aproximadamente 140.000km2 e possui em torno de 140.000 eqüinos (SILVA et al.,1995). Embora não existam dados precisos da ocorrência no Brasil, os dados disponíveis indicam que a pitiose representa um problema à criação de eqüinos, especialmente em regiões alagadiças.

Pitiose em eqüinos

A doença possui outros nomes como "swamp cancer", zigomicose, dermatite granular, "bursattee", "Florida leeches", granuloma ficomicótico e hifomicose (CHAFFIN et al., 1995; FOIL, 1996). Nos estados de MT e MS, o nome popular mais conhecido é "ferida da moda". O termo hifomicose inclui outras doenças causados por fungos, especialmente Conidiobolus ranarum e Basidiobolus haptosporum, , além de membros da ordem Mucorales (BROWN & ROBERTS, 1988).

As lesões cutâneas são as mais freqüentes e atingem principalmente as extremidades distais dos membros e porção ventral da parede toraco-abdominal, provavelmente devido ao contato com águas contaminadas com zoosporos (CHAFFIN et al., , 1995; FOIL, 1996). A enfermidade caracteriza-se por lesões ulcerativas granulomatosas, formando grandes massas teciduais (5 a 500mm), com bordas irregulares e com hifas recobertas por células necróticas, que formam massas branco-amareladas semelhante a corais, chamadas de kunkers. Essas massas variam de 2 a 10mm de diâmetro, têm forma irregular, ramificada, com aspecto arenoso e penetram no tecido granular, dentro de "sinus" formados ao longo do seu trajeto. O tamanho das lesões depende do local e duração da infecção, com presença de secreção serosanguinolenta, mucosanguinolenta, hemorrágica e às vezes mucopurulenta fluindo através dos "sinus" da lesão. Os animais apresentam intenso prurido e geralmente mutilam a lesão na tentativa de aliviar o desconforto. Claudicação é freqüente em animais afetados nos membros (MEIRELES et al., 1993; CHAFFIN et al.,,1995). A maioria dos casos descritos relata apenas uma lesão em cada animal, porém lesões cutâneas multifocais também têm sido relatadas (MILLER & CAMPBELL, 1982a; CHAFFIN et al.,, 1992).

Histologicamente, a pitiose caracteriza-se por inflamação granulomatosa e granulocítica, enquanto os kunkers apresentam-se como coágulos eosinofílicos, compostos de hifas, colágeno, arteríolas e células inflamatórias, especialmente eosinófilos. A área em torno do coágulo é composta por um exsudato inflamatório espesso de neutrófilos e eosinófilos. Em cortes histológicos corados com coloração especial de prata, pode-se observar as hifas com paredes espessas, esparsamente septadas, irregularmente ramificadas (normalmente em ângulo reto) e medindo de 2 a 6mm de diâmetro (MILLER & CAMPBELL, 1984; BROWN et al., 1988; CHAFFIN et al., 1995).

A pitiose intestinal é a segunda forma mais freqüente da infecção em eqüinos. Os casos descritos cursaram com episódios de cólica, causadas pela presença de massas teciduais, levando a redução e/ou obstrução do lúmen intestinal. Os achados de necropsia e excisão cirúrgica revelaram ulceração intestinal e massas nodulares de até 20cm de diâmetro na parede do jejuno. Os achados histopatológicos variaram de tecido conjuntivo fibroso com áreas de necrose de coagulação e focos de mineralização (sem infiltrado eosinofílico) à granuloma eosinofílico crônico, porém sem a observação de kunkers (ALLISON & GILLIS, 1990; MORTON et al., 1991; PURCELL et al., 1994).

Outros tecidos também podem ser atingidos secundariamente às lesões cutâneas, incluindo lesões ósseas adjacentes à lesão primária. As lesões ósseas caracterizam-se por exostoses, osteólises e osteomielite no exame radiológico e presença de granulomas eosinofílicos com áreas de necrose e massas necróticas contendo hifas no exame histopatológico (ALFARO & MENDOZA, 1990; EATON, 1993).

Casos de metástase via linfática para os pulmões e linfonodos regionais (cervicais inferiores, inguinais e submandibulares) já foram relatados (MURRAY et al.,, 1978; GOAD, 1984; LEAL et al., , 1997). Os linfonodos atingidos apresentavam kunkers, dos quais foi possível o isolamento do agente etiológico. Na maioria dos casos de pitiose cutânea, os linfonodos regionais encontram-se aumentados de volume, porém isso nem sempre indica metástase. Em um estudo de MILLER & CAMPBELL (1984), foram examinados os linfonodos de 15 eqüinos com pitiose e todos apresentaram-se aumentados e edematosos, porém em apenas três animais foi detectada metástase no linfonodo inguinal.

Pitiose em cães e gatos

Os caninos são a segunda espécie mais atingida pela pitiose, também nas formas cutânea e gastrointestinal. A forma gastrointestinal é a mais comum e manifesta-se com distúrbios digestivos como vômito, anorexia crônica, perda de peso, diarréia (às vezes sanguinolenta) e presença de massas nodulares, quando submetidos à palpação abdominal (MILLER et al., 1983; SMITH et al., 1989; FISCHER et al., 1994). Os cães afetados são normalmente oriundos de regiões rurais ou estiveram, esporadicamente, em locais alagados (FOIL et al., 1984). As lesões gastrointestinais caracterizam-se pela formação de grandes massas nas paredes do estômago e intestino que são compostas por inflamação granulomatosa e piogranulomatosa com áreas de necrose, intenso infiltrado eosinofílico e presença de hifas (SMITH et al., 1989; FISCHER et al., 1994). O trato digestivo superior também pode ser atingido. PATTON et al. (1996) relataram dois casos de esofagite crônica devido à infecção pelo Pythium insidiosum, enquanto HELMAN & OLIVER (1999) observaram uma massa na orofaringe, envolvendo a laringe e esôfago cranial.

As lesões cutâneas apresentam-se como dermatite piogranulomatosa ulcerativa, contendo áreas de necrose infiltrada por neutrófilos e macrófagos e granulomas eosinofílicos (FOIL et al., , 1984; HOWERTH et al., 1989). O primeiro caso de pitiose canina no Brasil foi descrito por LARSSON et al. (1997) e referia-se a uma fêmea com lesão cutânea. Posteriormente, RIET-CORREA et al. (1998) descreveram um caso de pitiose entérica.

A pitiose em gatos é rara, havendo poucos relatos na literatura. Um relato refere-se a uma infecção nasal e retrobulbar, sem envolvimento de orgãos internos, cujo diagnóstico baseou-se em imunohistoquímica, sorologia e isolamento do agente (BISSONNETTE et al., 1991). MENDOZA et al. (1996) mencionou a ocorrência de novos casos de pitiose em gatos na Flórida.

Pitiose em bovinos

A pitiose bovina também é pouco freqüente, havendo apenas dois relatos na literatura. O primeiro nos EUA (MILLER et al., 1985) e o segundo no Pantanal Sul-Matogrossense (SANTURIO et al., 1998). Esses relatos referem-se a lesões cutâneas, geralmente nos membros, caracterizadas por ulcerações, espessamento da derme e edema na região afetada. Histologicamente, as lesões apresentaram-se como granulomas dermais multifocais rodeados por tecido conjuntivo fibroso. No centro dos granulomas havia um pequeno número de hifas ramificadas, sem formação de kunkers (MILLER et al., 1985; SANTURIO et al., 1998). Incrustação granular ao redor de porções de hifas, sugestiva de deposição de complexos antígeno-anticorpo, foi observada nos casos descritos por MILLER et al. (1985). O artigo de SANTURIO et al. (1998) relata a cura espontânea das lesões.

Pitiose em humanos

A maioria dos casos de pitiose humana foi observada na Tailândia; e esporadicamente nos EUA, Austrália, Haiti e Nova Zelândia. Os primeiros casos foram relatados em 1986, na Tailândia. Segundo IMWIDTHAYA (1994), as infecções por P. insidiosum em humanos podem apresentar-se de três formas: 1. lesões granulomatosas no tecido subcutâneo de pacientes talassêmicos. 2. forma sistêmica, caracterizada por desenvolvimento de arterite crônica, trombose arterial e gangrena, atingindo geralmente a extremidade dos membros inferiores de pacientes talassêmicos. 3. ceratite; podendo ou não ser associada à talassemia. SATHAPATAYAVONGS et al. (1989) relataram cinco casos de arterite, sendo que dois evoluíram para a ruptura da aorta; dois necessitaram a amputação do membro afetado e um paciente foi curado com ressecção do aneurisma. A evolução desses casos demonstra a gravidade da pitiose arterial em humanos. Dois fatores contribuem para importância da pitiose humana na Tailândia: a alta prevalência da alfa e beta-talassemia e presença de grandes áreas alagadiças utilizadas para a agricultura (IMWIDTHAYA, 1994).

Pitiose experimental

Até o presente, não foi possível reproduzir a enfermidade experimentalmente nas espécies infectadas naturalmente. No entanto, Miller & Campbell (1983) demonstraram a eficiência de coelhos como modelo experimental para a pitiose. Inoculação subcutânea de água rica em zoosporos produziu nódulos que evoluíram para fibrogranulomas eosinofílicos. Os coelhos inoculados por via intra-peritonial desenvolveram hepatite severa e peritonite, com áreas de necrose contendo hifas, reação granulomatosa com infiltrado de neutrófilos e eosinófilos. As lesões apresentaram características similares à infecção natural dos eqüinos.

Diagnóstico

Tradicionalmente, o diagnóstico da pitiose baseava-se nas características clínicas, histopatológicas e no isolamento e identificação do agente através de suas características culturais, morfológicas e reprodutivas. A identificação precoce da doença, no entanto, torna-se difícil através desses métodos. O diagnóstico diferencial inclui habronemose, neoplasia, tecido de granulação exuberante e granulomas fúngicos ou bacterianos (CHAFFIN et al., 1992). Atualmente, métodos como imunohistoquímica e técnicas sorológicas auxiliam e suportam um diagnóstico precoce e correto (MENDOZA et al.,, 1996). Em 1988, Brown et al. descreveram pela primeira vez o método de imunohistoquímica para diagnóstico da pitiose eqüina, que foi posteriormente utilizado por vários autores (HOWERTH et al., , 1989; FISCHER et al.,, 1994; PURCELL et al., , 1994).

A utilização de técnicas sorológicas foi impulsionada por Miller & Campbell (1982b), que desenvolveram as técnicas de imunodifusão em gel de ágar (ID), fixação do complemento (FC) e hipersensibilidade intradérmica (TI), para o diagnóstico e monitoramento da resposta imunológica em eqüinos afetados. Os testes realizados em eqüinos com pitiose clínica, demonstraram que a ID apresenta alta sensibilidade e especificidade para a detecção de anticorpos anti-P. insidiosum (MILLER & CAMPBELL, 1982b).

KAUFMAN et al. (1990) demonstraram a eficiência da ID para o soro-diagnóstico e diagnóstico diferencial das entomoftoromicoses causadas por Basidiobolus ranarum e Conidiobolus coronatus em humanos e animais, assim como para pitiose.

MENDOZA et al. (1997) desenvolveram um teste de ELISA para o soro-diagnóstico de pitiose em humanos e animais, utilizando antígeno solúvel de hifas sonicadas. Os resultados indicaram que o ELISA é eficiente para o diagnóstico da pitiose e possui especificidade semelhante à ID, porém com maior sensibilidade. No Brasil, ROSA et al. (1999) desenvolveram um teste de ELISA para diagnóstico da pitiose eqüina, e PINTO et al. (1999) descreveram a padronização de teste ELISA para detecção de IgG em coelhos imunizados com antígenos de P. insidiosum.

Um teste de dot-blot modificado foi desenvolvido para detecção de IgG anti-pythium em coelhos e eqüinos. A técnica desenvolvida utilizou sistema de luminescência química para visualização da reação, no entanto, pode ser adaptada para um sistema de visualização direta na membrana, podendo ser utilizada como um teste de campo, possuindo boa especificidade, sensibilidade, praticidade e baixo custo (LÜBECK et al., 1999).

Tratamento

O tratamento de infecções pelo P. insidiosum em animais e humanos é complicado pelas características do agente, sobretudo sua composição de parede celular. Os fungos verdadeiros possuem quitina em sua parede, enquanto o Pythium contém celulose e b-glucanos. A membrana plasmática não contém esteróides, como o ergosterol, que é o componente-alvo de ação da maioria das drogas antifúngicas (FOIL, 1996). Devido a essas características, as drogas antifúngicas tradicionais são ineficientes contra o P. insidiosum (SATHAPATAYAVONGS et al.,, 1989; FOIL, 1996). No tratamento químico, as drogas mais utilizadas até o momento foram a anfotericina B, cetoconazole, miconazole, fluconazole e itraconazole, além dos compostos iodínicos como iodeto de potássio e sódio.

O sucesso das outras formas de tratamento é variável, sendo influenciado pelo tamanho e duração da lesão, idade e estado nutricional do animal. O tratamento tradicional da pitiose eqüina é o cirúrgico, requerendo a excisão de toda área afetada. No entanto, isso é dificultado pelas estruturas anatômicas envolvidas, principalmente nos membros (MILLER, 1981). Em geral, o tratamento cirúrgico apresenta bons resultados apenas em lesões pequenas e superficiais, nas quais seja possível a retirada de toda área afetada. McMULLAN et al. (1977) obtiveram 50% de eficiência associando a remoção cirúrgica e anfotericina B; 30% apenas com anfotericina B e 20% das ficomicoses subcutâneas não responderam aos tratamentos. SEDRISH et al. (1997) relataram o sucesso do uso de raio laser vermelho de alumínio, neodímio e ítrio como tratamento suplementar após a remoção cirúrgica de lesões de pitiose eqüina.

Segundo GONZALES et al. (1979), as ficomicoses subcutâneas respondem ao iodeto de potássio associado a cirurgia ou isoladamente, porém o iodeto de potássio é mais eficiente quando utilizado após a extirpação cirúrgica do granuloma. CHAFFIN et al. (1992) também relataram o sucesso do tratamento cirúrgico seguido de iodeto de sódio em pitiose cutânea. Entretanto, MEIRELES et al. (1993) não obtiveram sucesso em dois eqüinos tratados com iodeto de potássio endovenoso associado a cirurgia.

Os resultados obtidos com as drogas antifúngicas tem sido variáveis, tanto in vitro como in vivo. . Em um estudo de SEKHON et al. (1992), os poliênicos (anfotericina B, hamycin) não apresentaram atividade satisfatória, enquanto os azólicos fluconazole, cetoconazole e miconazole inibiram o crescimento in vitro de isolados de P. insidiosum. Em outro teste, as drogas anfotericina B, fluocitosina, miconazole e griseofulvina não inibiram o crescimento do fungo, enquanto o itraconazole apresentou atividade moderada e a terbinafina foi ativa contra o P. insidiosum (SHENEP et al., , 1998). Nesse estudo, a associação de terbinafina e itraconazole apresentou efeito sinérgico e foram utilizadas com sucesso no tratamento de um menino com infecção facial. TRISCOTT et al. (1993) descreveram o sucesso da anfotericina B no tratamento de dois casos de infecção periorbital em humanos, contrariando os resultados obtidos nos testes in vitro.

Imunoterapia

Uma alternativa para o tratamento da pitiose eqüina foi proposto por MILLER, em 1981, que desenvolveu um imunobiológico (imunoterápico) a partir de culturas do próprio agente (hifas sonicadas). O índice de eficiência obtido na imunoterapia foi de 53%; e 75% quando associado à cirurgia (MILLER, 1981; MILLER & CAMPBELL, 1982a).

Nas décadas de 80 e 90, vários autores utilizaram a imunoterapia. MENDOZA & ALFARO (1986) utilizaram o sobrenadante das culturas como antígeno e obtiveram recuperação de 3 entre 5 animais tratados.MENDOZA et al. (1992a) compararam vacinas produzidas com massa celular e com antígeno solúvel concentrado, em 71 eqüinos afetados, obtendo 60% e 70% de cura, respectivamente. THITITHANYANONT et al. (1998) descreveram a utilização com sucesso de um imunoterápico no tratamento de pitiose em um menino talassêmico de 14 anos de idade. MONTEIRO (1999) testou um imunobiológico produzido a partir de culturas do Pythium insidiosum, , baseando-se na metodologia descrita por MILLER (1981), obtendo índices de cura entre 50% e 83,3%. DYKSTRA et al. (1999) relataram o fracasso de várias opções terapêuticas contra a pitiose cutânea canina, incluindo uma vacina autógena produzida a partir de tecido com hifas de um cão com pitiose cutânea.

A patogenia e a resposta imunológica ao P. insidiosum ainda são pouco conhecidas. O caráter progressivo da doença em eqüinos imunocompetentes sugere uma resposta imunológica inadequada ou um bloqueio na resposta imunológica (MILLER, 1981). Esse autor acredita que mesmo sendo antigênicas, as hifas não são completamente reconhecidas pelo hospedeiro, devido à marcante reação inflamatória. Em 1996, MENDOZA et al. propuseram o possível mecanismo imunológico desencadeado na pitiose eqüina. No início da infecção, o P. insidiosum liberaria antígenos solúveis que estimulariam a produção de IgE. Essas imunoglobulinas se ligariam à superfície das hifas e ativariam os mastócitos, que liberariam seus fatores quimiotáxicos para atrair eosinófilos para o sítio da infecção. Os eosinófilos se ligariam na porção Fc das IgE na superfície das hifas e eventualmente degranulariam, protegendo a hifa do sistema imune. O mecanismo proposto seria semelhante ao relatado nas infecções parasitárias. Segundo os autores, há evidências da presença de antígenos solúveis dispersos na lesão e não apenas no interior dos kunkers.

As explicações para a cura induzida pela imunoterapia são apenas teóricas, baseadas nas características clínicas, histopatológicas e sorológicas da infecção e seu tratamento. Acredita-se que os antígenos citoplasmáticos expostos ao sistema imune via vacinação originariam uma resposta humoral e celular capaz de combater a infecção natural. A resposta humoral pode ser demonstrada pelos testes de imunodifusão e Western immunoblot, enquanto a resposta celular pode ser evidenciada pelo teste de hipersensibilidade intradérmica e alteração no infiltrado inflamatório (MENDOZA et al., 1996). Segundo MENDOZA et al. (1992b), o soro de eqüinos infectados, testado pelo immunoblot, reagiu contra três proteínas (28, 30 e 32 kDa) imunodominantes e amostras de soro eqüino, obtidas um ano após a cura pela imunoterapia, também apresentaram anticorpos contra esses três antígenos.

Estudos recentes com Western immunoblot sugerem a presença de cinco antígenos imunodominantes no P. insidiosum e avaliação de soro eqüino pré e pós-tratamento (com imunoterápico) não revelou alterações no perfil de IgG durante a imunoterapia. Isso permite um questionamento sobre a real importância desses antígenos na cura dos animais (LEAL, A.; dados não publicados).

MILLER (1981) propôs dois modelos para explicar a ação dos anticorpos. O primeiro seria através de um mecanismo de citotoxicidade dependente de anticorpo e mediado por células, que envolveria linfócitos, macrófagos e talvez eosinófilos ligados a anticorpos, sobretudo IgG. O segundo modelo proposto envolveria anticorpos e o sistema complemento. Os anticorpos específicos estimulados pela vacina ativariam o sistema complemento, danificando a parede celular e promovendo a lise do agente.

MENDOZA et al. (1996) acreditam que os mecanismos envolvidos na cura pela imunoterapia, baseiam-se principalmente na resposta celular. Isto é sustentado pelas alterações teciduais após início da imunoterapia, com mudança de inflamação eosinofílica no início para uma resposta mononuclear, mediada por macrófagos e linfócitos T. Os autores acreditam que os antígenos presentes no imunógeno induziriam esta alteração no padrão inflamatório, culminando com a cura dos animais. Entretanto, NEWTON & ROSS (1993) verificaram que o nível de anticorpos anti-Pythium aumenta em eqüinos doentes submetidos à imunoterapia. De acordo com os autores, o aumento do nível de anticorpos auxiliaria na cura.

 

CONCLUSÃO

O estudo das infecções fúngicas tem sido impulsionado pelo aumento do número dessas infecções, associada a grande incidência de pacientes imunocompremetidos (AIDS, leucemias, transplantados). Porém, os aspectos imunológicos e o uso de imunoterápicos no tratamento dessas micoses ainda são pouco explorados. Apesar de estudos recentes sobre a pitiose, ainda se desconhecem os mecanismos envolvidos na patogenia e na resposta imunológica do hospedeiro. Nesse sentido, o desenvolvimento de técnicas mais eficientes para o diagnóstico e monitoramento da resposta imunológica tem permitido avanços no conhecimento da resposta imunológica e o desenvolvimento de imunoterápicos para o tratamento da doença. Em especial, a imunoterapia representa uma proposta promissora para o tratamento da doença e justifica estudos mais aprofundados para confirmar seu potencial.

 

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1Médico Veterinário, Laboratório de Pesquisas Micológicas (LAPEMI), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

2Médico Veterinário, Professor do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva, UFSM.

3Médico Veterinário, Professor do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva, UFSM, 97105-900. E-mail: santurio@ccr.ufsm.br. Autor para correspondência.

Recebido para publicação em 31.07.00.  Aprovado em 25.10.00

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